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	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. Vicente Betin</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>JESUS CONHECE O CORAÇÃO DE SEUS AMIGOS</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Apr 2026 14:43:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Vicente Betin]]></category>

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		<description><![CDATA[Enquanto Ele estava em Jerusalém durante as festas da Páscoa, muitos creram nEle ao ver os milagres que realizava.  Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est Nosso Senhor havia começado Seu ministério divino no Templo com um ato de suprema &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/jesus-conhece-o-coracao-de-seus-amigos/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: center;"><img class="" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/09/GR374530B.jpg" alt="" width="563" height="381" /></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><strong><span class="tm7" style="color: #000000;">Enquanto Ele estava em Jerusalém durante as festas da Páscoa, muitos creram nEle ao ver os milagres que realizava. </span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/spiritualite/jesus-connait-le-coeur-de-ses-amis">La Porte Latine</a> </span>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Nosso Senhor havia começado Seu ministério divino no Templo com um ato de suprema autoridade. A atenção foi atraída para Ele. Os discípulos acorreram a Ele imediatamente. O que Ele havia negado aos sumos sacerdotes do Templo, multiplicou na Cidade; confirmou Sua palavra com sinais. Assim, satisfez as exigências dos judeus e, indiretamente, colocou as autoridades em seus devidos lugares, as quais certamente estavam cientes dos milagres do Senhor. </span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Entre esses novos discípulos, muitos eram, na verdade, curiosos atraídos por qualquer novidade, mas em quem dificilmente se podia confiar. Eles ficavam impressionados com os milagres realizados por Jesus; ouviam suas palavras, ficavam comovidos e se misturavam facilmente à multidão que o cercava. Mas, no fundo, seus corações ainda estavam longe das profundas transformações que a verdadeira fé exige dos verdadeiros discípulos do Mestre. </span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Por isso, São João, que os conhecia e que talvez tivesse notado muitas deserções em suas fileiras, escreveu sobre eles:</span><span id="more-33937"></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">“<em>Muitos creram no seu nome vendo os milagres que fazia. Mas Jesus não se fiava neles, porque os conhecia a todos; e porque não necessitava de que lhe dessem testemunho de homem algum pois sabia por si mesmo o que havia no (interior do) homem.</em>”</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Há uma profunda tristeza nessas palavras. O que é o coração do homem? Que confiança se pode ter nas grandes demonstrações de amizade de outro ser humano? Que poder têm suas promessas e juramentos de lealdade?</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">A explicação é, na verdade, terrível. Assume a simplicidade do relato de São João… como uma fatalidade que, no entanto, não existe, exceto na obstinação de uma alma que se recusa a se entregar. O fato está diante dos olhos de São João: Deus reivindica o seu reino. É um movimento profundo e interior; é a obra do Espírito Santo em cada alma. Deus se entrega segundo um plano progressivo, que é um plano de vida. Começa com uma semente. Os apóstolos e verdadeiros discípulos não são apenas pessoas pobres e devem aprender a docilidade e a paciência. Por ora, veem apenas a realização de uma palavra da Bíblia. O Espírito Santo iluminará essa palavra, os conduzirá às profundezas do mistério de Deus. Na gênese do Reino da Graça, é o Espírito Santo quem opera… nenhuma convicção humana se iguala à fé que Ele desperta numa alma que se entrega. A comparação que o Mestre acaba de estabelecer entre o Templo e o Seu corpo, eles só compreenderão no fim… e mesmo assim, levarão a vida inteira para apreendê-la. Por ora, é apenas a Fé que suscita neles a ação da Graça: os meios extraordinários devem ser reduzidos ao estritamente necessário. Como escreve Dom Guillerand, “</span><em><span class="tm9">Jesus os forma como desenvolve uma planta; ou como faz nascer uma aurora, por meios normais, tão normais quanto possível”</span></em><span class="tm8">.  </span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Pois, continua D. Guillerand, “</span><em><span class="tm9">a fé não se impõe; ela se mostra, se justifica; ela se torna ‘a homenagem que é razoável prestar’”</span></em><span class="tm8">. Por que alguns creem e outros não? Pela simples razão de que a fé se justifica por si mesma: é obra de Deus; porque também o Espírito de Deus se revela imediatamente, isto é, sem intermediários: Ele se entrega e busca aqueles que consentem em recebê-Lo.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Talvez seja por isso que Nosso Senhor se torna mais acessível aos pobres da cidade, àqueles que nada têm. Outros se posicionam para defender o que possuem. Ao verem os milagres de Jesus, alguns permanecem em silêncio, adoram e se entregam; outros também se calam, talvez acreditem, mas não se entregam. E depois há os demais, aqueles que permaneceram no Templo com os sumos sacerdotes: eles falam, resistem, recusam-se. </span><em><span class="tm9">“Os primeiros, seguindo o exemplo dos futuros apóstolos, saem de si mesmos, sacrificam suas opiniões por outras que consideram superiores às suas, sem compreendê-las</span></em><span class="tm8">”, diz D. Guillerand.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Um dia, Nosso Senhor dirá deste pequeno grupo que verdadeiramente crê: “</span><em><span class="tm9">Vós sois meus amigos… porque estivestes comigo desde o princípio</span></em><span class="tm8">”: não apenas o início tumultuoso deste apostolado divino, mas o início de todas as coisas em que o ato de Fé nos mergulha. “</span><em><span class="tm9">Estes últimos têm medo de conciliar as suas ações com este ato de fé que acabaram de realizar: têm medo do esforço necessário e, provavelmente, de se colocarem entre Jesus e aqueles que O contradizem.</span></em><span class="tm8">” É por isso que o Mestre não Se revela a eles.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">O Senhor conhece o coração humano; Ele Se dá somente quando vê corações prontos para responder ao dom divino. João permanece intencionalmente em silêncio sobre as maravilhas que Nosso Senhor realizou na cidade e destaca a formidável dificuldade da alma humana em entregar-se ao ato de Fé: para nossas mentes habituadas a refletir, precisamos nos superar e aceitar caminhar sem outra luz além daquela que, por enquanto, apenas adivinhamos nas palavras do Senhor, antes que o Espírito Santo nos revele mais plenamente.<br />
</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Estamos abandonados à fatalidade e à impossibilidade de realizar esse ato de fé? “<em>Ele conhecia todos</em>&#8230;”, diz São João. É uma nova perspectiva, imensa e que transcende divinamente nossas impossibilidades humanas. O Mestre lê a alma de cada um de nós como um livro aberto: Ele compreende o ser humano em sua totalidade, seus fracassos, mas também suas lutas, suas fraquezas, mas também cada um de seus esforços para ser melhor, suas imperfeições, mas também os sucessos da graça em uma alma&#8230; Só Ele conhece verdadeiramente o coração do homem. “<em>Ele conhecia todos eles</em>”. Não está nessas poucas palavras o segredo que já une São João ao seu Mestre? </span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><em><span class="tm8" style="color: #000000;">O Bom Pastor conhece suas ovelhas e suas ovelhas o conhecem.</span></em></p>
<p class="Normal" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Vincent Bétin, FSSPX</span></strong></p>
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		<title>TEM PIEDADE DE MIM, Ó DEUS, SEGUNDO A VOSSA MISERICÓRDIA</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Mar 2026 13:52:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Sacramentos]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Vicente Betin]]></category>

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		<description><![CDATA[Devemos aceitar que só na misericórdia de Deus e no seu amor encontraremos apoio, confiança e despreocupações. Essa é a maravilhosa surpresa que cada uma de nossas confissões nos reserva. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est Por que &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/tem-piedade-de-mim-o-deus-segundo-a-vossa-misericordia/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/03/image.jpeg" alt="" width="378" height="378" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Devemos aceitar que só na misericórdia de Deus e no seu amor encontraremos apoio, confiança e despreocupações. Essa é a maravilhosa surpresa que cada uma de nossas confissões nos reserva.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <a href="https://laportelatine.org/formation/catechisme/ayez-pitie-de-moi-mon-dieu-selon-la-grandeur-de-votre-misericorde-psaume-50-1"><span style="color: #0000ff;">La Porte Latine</span> </a>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por que nossas confissões frequentemente se assemelham a monólogos, nos quais o acusador apresenta ao confessor uma série de faltas de importância e significado tão diversos? Esse amontoado indistinto revela uma consciência que não estabelece uma hierarquia entre as faltas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A confissão não é uma formalidade que se cumpre por hábito ou obrigação. Quando nos aproximamos do confessionário, devemos ter a intenção de ser perdoado e de receber o perdão de Cristo pela virtude de seu sangue. Este sacramento que Nosso Senhor instituiu para nos perdoar é um ato profundamente humano. Graças a ele, Deus suscita e aperfeiçoa interiormente, no coração do pecador, atos de fé viva, de arrependimento e de reparação, e isso no momento mesmo em que pede ao pecador que expresse exteriormente suas disposições através da confissão de seus pecados.</span><span id="more-34435"></span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>“Lava-me inteiramente da minha culpa … (Salmo 50, 4)”</strong></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não basta que o penitente relate seus pecados. Ele deve confessá-los verdadeiramente, arrepender-se deles e comprometer-se a corrigir-se e reparar o mal. Esses atos são como a água que deve correr sobre a testa para que o batismo aconteça: são necessários, mas são apenas a matéria do sacramento, cuja forma é a absolvição. O que acontece durante a confissão vai muito além das ações do penitente. Essas ações são meramente a matéria do sacramento, cujo propósito é alcançar a contrição perfeita, esse arrependimento &#8220;formado&#8221; pela Caridade, cujo único princípio é o Amor de Deus ferido pelo pecado. Através das ações do penitente, mas também através de tudo o que envolve a confissão — como a admoestação do sacerdote — Cristo, na absolvição pronunciada, leva o arrependimento inicial do pecador à sua plenitude e completude na Caridade. Este é o ato de Cristo na alma; é uma conversão; é a obra da graça. Claro, dizemos isso em termos abstratos&#8230; O que sabemos da nossa conversão real? O que podemos afirmar da obra da graça em nós? Só sabemos uma coisa: quando há conversão, há graça e perdão de Deus, e quando há perdão de Deus, há conversão. Então, que o Bom Deus escolha minha alma!</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>“Porque eu reconheco a minha maldade, e o meu pecado esta sempre diante de mim. … (Salmo 50, 5)”</strong></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diante dessa incerteza quanto às nossas disposições, certifiquemo-nos de que nossa acusação seja bem-intencionada, simples e verdadeira, feita verbalmente e que envolva todo o nosso ser. Quando um amigo ofende gravemente outro, se o ama verdadeiramente e deseja reconciliar-se, sempre guardará, em maior ou menor grau, a dor interior de tê-lo ofendido, de ter ferido sua amizade generosa e pura. O mesmo acontece com Deus. Essa dor interior por ter ferido a amizade divina é o que os antigos chamavam de compunção. Cultivemos essa bela virtude da compunção em cada momento de nossas vidas. A paz interior, íntima e profunda que a confissão proporciona não é o tipo de tranquilidade sinônimo de uma frivolidade irresponsável, como se os pecados fossem mera poeira na alma e o sacramento, uma espécie de espanador que remove essa poeira; como se tudo se tornasse, num instante e sem esforço, tão limpo quanto um móvel empoeirado. A paz reside, surpreendentemente, na compunção, essa dor cheia de esperança que permanece após o perdão daquele a quem ofendemos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/03/image-1024x1024.jpeg" alt="" width="223" height="223" /></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>“Pequei contra ti só, fiz o que e mau diante dos teus olhos, … (Salmo 50, 6)”</strong></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A confissão não me livra da sensação de ter ofendido a Deus: “Contra Ti somente, Senhor, pequei”. Ter contrição é ter consciência do pecado, e ter consciência do pecado é ter consciência de Deus. Não basta ter ideias claras sobre o que é pecado para ter consciência do pecado. Se apenas temos consciência de ter violado uma lei, uma regra, um dever, não temos consciência do pecado. Ter consciência do pecado&#8230; é uma graça primordial do Bom Deus, que a inicia e planta essa semente na alma do pecador, como uma intuição inicial que precisa ser cultivada. Temos o exemplo de Jó no Antigo Testamento. Atingido por todas as desgraças, ele recebe a visita de seus três amigos, que se esforçam para lhe provar que nada acontece sem uma causa e que seus sofrimentos são o sinal e a consequência de seus pecados. Jó é um homem justo, e ele sabe disso. Com razão, ele “persiste em se considerar justo”. Mas diante de Deus, quem poderia realmente se considerar justo? Então o próprio Deus intervém. Ele não mostra ao seu servo as imperfeições ou pecados que ele possa ter cometido. Não. Deus descreve a ele o seu poder e a sua glória. Jó compreende. Esta é uma graça inicial: a intuição da santidade única de Deus e da sua própria indignidade. Então ele responde ao Senhor: “Meus ouvidos tinham ouvido falar de ti, mas agora os meus olhos te viram. Por isso, me arrependo e me humilho sobre pó e a cinza”. A visão da face de Deus deu a Jó a consciência do seu pecado e o levou ao arrependimento.</span></p>
<div style="width: 419px" class="wp-caption aligncenter"><img src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/03/image-2.jpeg" alt="" width="409" height="403" /><p class="wp-caption-text"><em><span style="color: #000000;">São João Nepomuceno confessando a Rainha da Boêmia.</span></em></p></div>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>“Eis que te comprazes na sinceridade do coração, e no meu intimo me ensinas a sabedoria … (Salmo 50, 8)”</strong></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A consciência do pecado, quando reside na alma, torna a confissão um momento de rara intensidade sobrenatural. É nesse instante que a alma experimenta o perdão de Deus, tão diferente do perdão humano. Quando uma pessoa perdoa outra, perdoa no sentido de renunciar à sua má vontade para com essa pessoa: não olha mais para a ofensa cometida contra ela, não quer mais olhar para ela, esquece a ofensa e, às vezes, até mesmo o ofensor… liberta-se de uma dívida. Aquele que muda no perdão é aquele que perdoa. É por isso que o perdão é muitas vezes doloroso. O perdão humano é um ato generoso, mas limitado. O homem que perdoa tem o poder de mudar o seu próprio coração, de renunciar à sua animosidade, mas não tem o poder de mudar o coração do seu inimigo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pelo contrário, é precisamente isso que o perdão de Deus faz. Pois Deus não muda. Ele é Aquele que É. Se dissermos que Deus perdoa, ou não significa nada — o que seria absurdo — ou significa que há uma mudança real, não em Deus, mas naquele que é perdoado. O inimigo de Deus, aquele que ofendeu, torna-se Seu amigo por meio de uma conversão interior do coração, que se origina em Deus. O penitente suspeita disso quando entra no confessionário? No entanto, é isso que acontece sempre que o sacramento é recebido com frutos. O sacramento é o meio que o Bom Deus instituiu para que conheçamos ao mesmo tempo a alegria da graça, do perdão e da conversão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/03/image-3-684x1024.jpeg" alt="" width="323" height="481" /></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>“O meu sacrificio, o Deus, e um espírito contrito: não desprezaria, o Deus, um coração contrito e humilhado… (Salmo 51, 19)”</strong></span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Alguns tentam se tranquilizar procurando confessar tudo. É claro que devemos confessar os pecados graves, em número e em detalhes. No entanto, confessar todas as nossas faltas é impossível, tanto metafisicamente quanto psicologicamente. E, no fim das contas, é buscar no ato humano uma segurança que não se adequa às relações de fé que existem entre uma alma e Deus. Na escuridão do confessionário, diante de Deus, compreendemos esta passagem das Escrituras: “<em>Ninguém sabe se é digno de amor ou de ódio”.</em> (Ecl 9,1) Compreendemos a necessidade de nos abandonarmos a Deus. E quanto à sinceridade da nossa confissão, à caridade nela contida? Nossos corações estarão sempre parcialmente obscurecidos. Devemos aceitar essa condição de não enxergar com clareza dentro de nós mesmos. Trata-se menos de falar do que de se arrepender, e só falamos para aperfeiçoar nosso arrependimento. Pois Deus vê tudo, e somente Ele sonda as mentes e os corações. Devemos aceitar que encontraremos apoio, confiança e despreocupação somente na misericórdia e no amor de Deus. Esta é a maravilhosa surpresa que cada uma de nossas confissões nos reserva.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Vicent Bétin, FSSPX</span></strong></p>
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		<title>FALAR, MAS PARA DIZER O QUE?</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Nov 2025 13:00:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Vicente Betin]]></category>

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		<description><![CDATA[A galinha cacareja e o homem fala. Mas se ele fala, não fala como a galinha cacareja. Fonte: La part des Anges n° 3 – Tradução: Dominus Est Em seu sentido mais geral, a linguagem é o instrumento de uma consciência para &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/falar-mas-para-dizer-o-que/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2022/10/chicken-3727097.jpg" alt="" width="455" height="323" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>A galinha cacareja e o homem fala. Mas se ele fala, não fala como a galinha cacareja.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2022/10/la-part-des-anges-3.pdf">La part des Anges n° 3</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em seu sentido mais geral, a linguagem é o instrumento de uma consciência para se manifestar a si mesma ou aos outros. Com efeito, em toda a parte onde se encontra uma vida psicológica que procura fazer-se conhecer, encontramos a linguagem: a linguagem dos animais, a linguagem dos homens entre si, a linguagem interior a nós mesmos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nos animais, a linguagem limita-se às necessidades imediatas da espécie; não tem história, é imutável e hereditária. Não envolve um diálogo real: os animais respondem a uma mensagem por meio de um comportamento ao invés de outra mensagem. Se eles não conversam entre si, não é porque não podem, mas porque não têm nada a dizer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A linguagem humana é incomparável: está tão intimamente ligada à inteligência que a mesma palavra <em>logos</em> ou <em>verbum </em>designa, em grego e em latim, tanto a operação espiritual do pensamento quanto a expressão externa através da palavra.</span><span id="more-28188"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para um homem, aprender a falar significa aprender a se expressar bem a fim de se comunicar ou pensar melhor; é apropriar-se do patrimônio cultural de uma civilização. Significa também compreender que a palavra é a expressão e o meio da própria inteligência. Quando Aristóteles explica por que o homem é um animal naturalmente social, ele dá como razão apenas sua linguagem capaz de manifestar <em>o útil e o prejudicial e, consequentemente, também o justo e o injusto.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Degradar uma língua através da imposição de expressões bárbaras é o melhor cavalo de Tróia para corromper uma civilização.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Isso deve nos alertar sobre o uso de nossa linguagem. Sua finalidade é transmitir ideias e reflexões ao outro. Não pode servir à futilidade, à astúcia ou à sedução. A palavra está correta quando significa algo, isto é, quando traduz em palavras uma verdade conhecida. O propósito da linguagem não é manifestar aos outros como nos sentimos, a menos que lhes seja útil.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Essa barulhenta efusão de blá-blá-blá, essa mania de se expor em público, pela internet ou pelo celular, e impor sem pudor seus sentimentos aos outros, não apenas faz desaparecer a esfera privada, mas também faz regredir a humanidade muito abaixo do nível das galinhas.</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Pe. Vicent Bétin, FSSPX</strong></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>SÓ A PALAVRA DEUS BASTA</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Oct 2025 13:30:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Vicente Betin]]></category>

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		<description><![CDATA[Diante do verdadeiro Templo que é Cristo, os sacerdotes do templo pedem um sinal, sem perceber que a Verdade já está diante deles. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est Com que sinal nos mostras tu que tens autoridades para &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/so-a-palavra-deus-basta/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/09/GR374530B.jpg" alt="" width="560" height="381" /></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Diante do verdadeiro Templo que é Cristo, os sacerdotes do templo pedem um sinal, sem perceber que a Verdade já está diante deles.</span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/spiritualite/la-seule-parole-de-dieu-suffit">La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm7">Com que sinal nos mostras tu que tens autoridades para fazer essas coisas?</span></em> Nosso Senhor acabara de expulsar os vendedores do Templo. O que acabara de realizar irritou profundamente o povo na sinagoga, <em><span class="tm8">ao mesmo tempo que os surpreendeu</span></em>. Quem era aquele homem que nem sequer era sacerdote?</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para nós que viemos posteriormente, para nós que ouvimos as palavras de São Paulo, <em><span class="tm7">Deus, nestes últimos dias, falou-nos por meio de seu Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo,</span></em> não julguemos precipitadamente estas pessoas do Templo nesta pergunta que fazem ao Senhor. O choque para eles deve ter sido duro. Desafiados publicamente por um desconhecido, não seria legítima a sua pergunta? Tanto mais que o seu sacerdócio tinha apenas um objetivo: o Messias, anunciando-o e designando-o.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Na antiga Lei, bastava ser descendente de Levi, ser homem e não ter nenhum defeito físico para ser sacerdote. Nenhuma cerimônia de consagração era necessária. O sacerdócio do Antigo Testamento era um sacerdócio de instituição humana. Nascia-se levita.</span></span><span id="more-33771"></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O nascimento é, talvez, o único ponto em comum entre o sacerdócio da Antiga Lei e o de Nosso Senhor. De fato, é por ter nascido homem que Nosso Senhor é sacerdote. A união das duas naturezas, humana e divina, na pessoa de Cristo faz dEle o &#8220;único sacerdote, o único pontífice entre Deus e os homens.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entre o sacerdócio da antiga Lei, certamente instituído pela Lei Mosaica e legítimo segundo sua missão, e o Sacerdócio, há uma diferença gigantesca&#8230; diferença entre o anúncio e a realidade, entre a imagem e a Verdade. Na pergunta do povo na sinagoga, encontramos essa impotência da imagem em perceber que é apenas uma imagem. Encontramos essa impotência da inteligência humana de captar a Inteligência de Deus. O que mais poderíamos ter dito em seu lugar? Nosso Senhor apontará isso a São Pedro: <em><span class="tm7">Bem aventurado és, Simão bar-Jonas, porque não foi a carne e o sangue</span></em> que to revelou &#8211; que eu era o Cristo, o Filho do Deus vivo &#8211; <em><span class="tm7">mas meu Pai que está no céu”.</span></em> Para reconhecer a autoridade de Jesus, devemos fazer um ato de Fé, devemos ter em nós a graça de Deus que nos dá a conhecer, devemos ter a Paternidade divina e, portanto, tornar-nos filhos de Deus.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa realidade nos faz admirar o gesto do Batista, também sumo sacerdote, que prega no deserto um batismo de penitência e aponta aos seus discípulos o Cordeiro de Deus, no exato momento em que, no Templo, se imola o cordeiro para o sacrifício da tarde. <em><span class="tm7">É preciso que Ele cresça e que eu diminua</span></em>. São João Batista poderia expressar melhor o que é o ato de fé em uma alma que reconhece Deus?</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm7">Que eu diminua.</span></em> É isso que faltará a esses sacerdotes da antiga Lei. Ao pedirem um sinal, não deixarão mais de pedir milagres a Nosso Senhor. Em busca de cada vez mais certezas, verão, mas não acreditarão. A resposta que Nosso Senhor lhes dá é extraordinária: <em><span class="tm7">Destruam este templo e em três dias eu o levantarei.</span></em> É extraordinária porque compreendemos que desde o primeiro momento Nosso Senhor não ignora nem o fim de sua vida, nem aqueles que lhe matarão, nem sua própria ressurreição. Essa profecia afirma de uma vez por todas sua autoridade: Ele é o mestre da Vida, Ele é o mestre de sua Vida.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Talvez tenham sido trocadas outras palavras nessa discussão, mas São João registrou apenas estas para nosso ensinamento. Talvez também o Senhor quisesse dar a esses homens irritados e desonestos uma resposta abrupta e enigmática, como para medir a luz de seu ensinamento. De qualquer forma, temos nessa resposta o cerne da nossa fé: <em><span class="tm7">se Cristo não ressuscitou, a nossa fé é vã</span></em>. Não teremos outro sinal senão o de Jonas.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Enquanto o Senhor falava do único Templo verdadeiro em que Deus verdadeiramente habita, o templo do seu corpo, os judeus pensavam apenas no santuário material do qual tanto se orgulhavam. Exclamaram então: &#8220;<em><span class="tm7">este templo foi edificado em quarenta e seis anos, e tu, reedificarás em três dias?&#8221;</span></em> A estranheza do desafio lançado pelo Senhor convidava a inteligência de seu público a buscar um significado mais profundo, ou pelo menos a aguardar a hora em que a resposta ao enigma seria dada. Mas o humor dos sacerdotes do templo é malicioso. Eles já estão zombando das palavras de Cristo.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A atitude dos discípulos, que só três anos mais tarde compreenderão o que acaba de ser dito, é bem diferente. É preciso saber esperar, e quando Deus fala, é preciso acreditar em sua palavra, sem exigir imediatamente uma demonstração completa&#8230; Devemos também saber não pedir sinais. A Palavra de Deus por si só basta&#8230; Aqueles que creem sempre acabam por ver claramente.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Vincent Bétin, FSSPX</span></strong></p>
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		<title>UM PADRE MORREU</title>
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		<pubDate>Fri, 09 May 2025 14:17:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alguns vão chorar&#8230; mas, eu invejo esse padre que acaba de celebrar sua última Missa. Fonte: La Part des Anges – Tradução: Dominus Est Ao visitar um cemitério antigo, aproxime-se da grande cruz no centro. Olhe ao seu redor. O túmulo mais &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/um-padre-morreu/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2021/12/croixcimetierebercyparis.jpg" alt="" width="436" height="282" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Alguns vão chorar&#8230; mas, eu invejo esse padre que acaba de celebrar sua última Missa.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2025/05/la-part-des-anges-15.pdf">La Part des Anges</a> </span>– Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao visitar um cemitério antigo, aproxime-se da grande cruz no centro. Olhe ao seu redor. O túmulo mais mal-cuidado, aquele que não tem flores e parece esquecido, é o de um padre. No dia de seu funeral, o número de pessoas presentes era inversamente proporcional ao número de anos que ele havia passado nesta terra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ontem, um padre morreu. <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/actualite/rappel-a-dieu-de-m-labbe-michel-simoulin">O Pe. Simoulin morreu</a> (*)</span>. Ele foi nosso capelão em Romagne por vários anos, há muito tempo, e o pastor de nossas almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Alguns vão chorar&#8230; mas eu invejo esse padre que acabou de celebrar sua última Missa.<em> Noli tangere Christos meos… Christos meos, </em>o sacerdote é o ungido de Jesus, ele pertence a Ele, sua vida pertence a Ele. Ele é seu ungido por toda a eternidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A grande ideia que explica e domina a vida de um sacerdote é ser para Jesus uma humanidade além para continuar a obra redentora. Para esse homem, a ação sacerdotal foi uma longa morte para si mesmo, e sua morte foi, muito mais do que sua própria vida, uma ação sacerdotal, um sacrifício, a consumação de todos os seus sonhos, a doação total de si mesmo, superior à santidade e ao valor redentor de sua vida.</span><span id="more-33042"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Penso que foi isso que o padre viveu, que foi por isso que ele tentava viver como Jesus e, portanto, morrer como Jesus&#8230; Será que ele tentou? Não, todos os dias de sua vida como sacerdote, ele rezava a Missa, em outras palavras, ele trazia a morte de Jesus à vida no altar, por meio de seu próprio ser. Sua vida foi uma Missa, e sua morte foi, de certa forma, a última Missa nesta terra, antes da Missa eterna no céu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O primeiro mistério de Nosso Senhor Jesus Cristo é o da sua missão, uma missão misteriosa. Jesus foi enviado por seu Pai. Ele vem, por assim dizer, do seio da Santíssima Trindade, para a sua criação, para o meio dos seres que ele criou, para fazer sentir a sua presença, para habitar no meio deles.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Assim como me enviaste ao mundo, também eu os enviei,” </em>diz Nosso Senhor, falando ao Pai sobre os seus apóstolos na magnífica oração sacerdotal O grande mistério da vinda de uma Pessoa divina a este mundo, no meio de suas criaturas, é também o mistério do sacerdote:<em> “Assim como meu Pai me enviou, eu vos envio”.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há uma missão divina particular que reside em cada sacerdote, e essa missão não nasce do sangue nem da vontade dos homens. Esta missão do sacerdote se realiza por uma eleição eterna: “<em>Não fostes tu que me escolhestes, fui eu que te escolhi.”</em> Deus escolhe seus sacerdotes.<em> Noli tangere Christos meos. </em>Que ilusão temos, às vezes, de pensar que um homem escolheu, decidiu por si mesmo se tornar um sacerdote. Isso é não entender o que é o sacerdócio único de Jesus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O sacerdote não apenas participa do mistério da missão divina de Nosso Senhor Jesus Cristo, como também participa – em certa medida – do grande mistério da Encarnação, e de modo sublime. A graça da união hipostática deu à alma de Nosso Senhor Jesus Cristo a unção da divindade e, por isso mesmo, ele é Sacerdote, Salvador e Rei.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, se Nosso Senhor é o único Sacerdote pela graça da união hipostática, o sacerdote, este sacerdote, que Ele escolheu imprimindo em sua alma o caráter sacerdotal, este outro sacerdote participa de uma sublime intimidade na graça única de Nosso Senhor da união hipostática. Isto é completamente incompreensível para o fiel comum&#8230; mas imaginem&#8230; nem mesmo Nossa Senhora experimentou tal união dentro de si. Aquela que deu à luz o Sumo Sacerdote, imagine o olhar que ela tem sobre esses sacerdotes, seus outros filhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A vida do sacerdote é uma participação no grande mistério da Redenção, que é a morte de Jesus. Toda a vida de um sacerdote, toda a sua vida apostólica, toda a sua vida sacerdotal, nada mais é do que atualizar e perpetuar a morte de Jesus. Para derramar o Sangue e a água que fluem até o fim dos tempos do seu lado aberto, para derramar as graças da Redenção, para derramar as graças da Cruz, para derramar o seu sangue nas almas. O Santo Sacrifício da Missa é o ato único do sacerdote. É por meio dela que ele participa dessa Redenção e difunde as graças da Redenção. Se não vive pela Missa, esse padre perde o seu sacerdócio, é apenas um padre mundano. Acho que conheço bem o Padre e sei que ele não era assim. <em>Um sacerdote não reza sua Missa,</em> dizia ele&#8230; <em>não, um verdadeiro sacerdote reza a Missa de Jesus, vive com Ele, no altar, sua imolação, sua morte e sua ressurreição.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O sacerdote é, antes de tudo, obrigado a oferecer o Sacrifício da Redenção, oferecer este Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo,<em> Qui pro vobis et pro multis effundetur in remissionem peccatorum. </em>Que bela vocação! Que bela vida! Se o sacerdote participa verdadeiramente deste modo, de modo tão íntimo e profundo, do mistério de Nosso Senhor Jesus Cristo, ele é outro Cristo: sua vida é morrer com Ele todos os dias no altar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Consummatum est… </em>a vida do sacerdote é uma vida consumida, e sua morte é apenas o ato final de um todo consumido durante sua vida. O sacerdócio não pode ir mais longe. Durante sua vida, o sacerdote usa seu sacerdócio para a maior glória de Deus, com seus recursos limitados. Quando morre, ele permite que seu sacerdócio floresça &#8211; sacerdos in æternum – sem a estreiteza de suas visões; essa plenitude, essa perfeição, entrará em pleno vigor, graças à sua livre aceitação da morte.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O sacerdote é uma humanidade além. Durante toda a sua vida, ele se prepara para a morte vivendo com o desejo fundamentalmente leal de ser uma humanidade além para Jesus Cristo. Desprendida de antemão, sua morte nada mais é do que a continuação de sua vida sacerdotal, só que mais perfeita, mais completa e mais santa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A morte do Sacerdote é a continuação de um ato de amor iniciado no dia em que uma voz sem palavras, mas não sem eco, lhe sussurrou:<em> “Vem e segue-Me, pois já é tarde para ti. Mais uma razão para você me seguir com uma fé redobrada, uma confiança infantil, uma generosidade digna da minha; chegou a hora de você não agir mais, mas deixar-me agir na aceitação redentora de sua morte.”</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Vincent Bétin, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">(*) Pe. Simoulin foi quem deu a extrema-unção a D. Lefebvre.</p>
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		<title>TÚ VERÁS COISAS MAIORES QUE ESTA</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Apr 2025 16:30:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<category><![CDATA[Pe. Vicente Betin]]></category>

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		<description><![CDATA[“Porque eu te disse que te vi debaixo da figueira, crês; verás coisas maiores que esta.” (Jo 1, 50) Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est O que esses homens que o Senhor chamou tinham em comum? Eles formavam &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/tu-veras-coisas-maiores-que-esta/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/11/figuier-064645.jpg" alt="" width="509" height="259" /></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong><em>“Porque eu te disse que te vi debaixo da figueira, crês; verás coisas maiores que esta.</em></strong><strong><em>” </em><em>(Jo 1, 50)</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/spiritualite/tu-verras-des-choses-plus-grandes">La Porte Latine</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que esses homens que o Senhor chamou tinham em comum? Eles formavam uma verdadeira comunidade de espírito: a mesma expectativa, o mesmo desejo, a mesma linguagem. <em>Conduzir-vos-ei ao deserto, falarei ao vosso coração:</em> a mesma busca de Deus conduziu-os ao deserto, não ao lugar físico, mas ao lugar onde a alma se encontra, o lugar anunciado nas sagradas escrituras<em>.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas o que é que diferenciava esses homens, então? Eram animados por uma autêntica vida espiritual: uma vida que os liberta e que os fará abandonar tudo para seguir o Senhor que se manifesta. Se muitas almas não encontram Deus, é porque a religião que desejam é, como a dos fariseus e de outros, uma religião que refaz a sociedade sem refazê-las elas próprias. Estas almas buscam a sabedoria sem coroa de espinhos e sem cruz, preferem a sua própria imagem à de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Natanael já não especula sobre um anúncio ou uma ideia de Deus. Ele se submete. Como os outros que o precederam, ele já não se preocupa com os seus “<em>porquês</em>”, mas com os deveres que a revelação do Senhor lhe impõe. Já não quer simplesmente analisar a divindade, mas satisfazê-la.</span><span id="more-32463"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há uma grande diferença entre conhecer a Deus através do estudo e conhecê-Lo através do amor. Muitos professores céticos conhecem as provas da existência de Deus melhor do que alguns que, ajoelhados e derrotados, fazem suas orações. Mas, porque estes doutores nunca agem de acordo com o conhecimento que possuem, porque não amam a Deus que conhecem através do estudo, nenhum conhecimento novo lhes é dado&#8230; Gostam de falar sobre a religião, mas não fazem nada a respeito, e sua ciência é estéril.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Natanael, <em>tu verás coisas maiores.</em> Na alma que respondeu ao chamado divino, pelo contrário, um simples conhecimento de Deus foi recebido com amor e as portas da sabedoria e do amor se encontraram abertas. Nessas almas, o amor conduz a um conhecimento de Deus que ultrapassa em certeza e realidade a informação teórica dos professores: “<em>Se alguém ama a Deus, Deus é conhecido por ele</em>”, dirá São Paulo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Que seja feita a vossa vontade e não a minha, ó Senhor.</em> Estes primeiros discípulos, estas almas escolhidas por Deus, estão disponíveis às surpresas da vontade divina. Já não procuram no Infinito a ajuda para os seus interesses limitados, mas procuram abandoná-los ao Infinito. Não é isto que Nosso Senhor reconhecerá nestes homens? <em>Sois meus amigos, pois estiveram comigo desde o princípio</em>: eles aceitaram, assinaram com suas vidas os decretos de Deus&#8230; e decidiram segui-Lo por onde quer que Ele fosse. <em>A quem iremos, Senhor? Só vós tens as palavras da vida eterna.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não desejando mais servir-se de Deus, Natanael deseja que Deus se servisse dele. Como a Virgem Maria e o <em>seu Faça-se em mim segundo a vossa palavra</em>, como São Paulo e o seu <em>Que farais comigo, Senhor</em>? ou como São João Batista e o seu <em>eu devo diminuir para que ele cresça</em>, a vida espiritual é uma adesão, uma procura contínua das disposições de Deus, e a oração, essa respiração da alma, só se torna verdadeira quando é a expressão dessa profunda dependência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nessas almas, Deus se faz conhecer. Nelas, a fé é a semente viva da vida sobrenatural. Ela encerra possibilidades infinitas e sempre novas. Não há repetição em Deus. Toda a visão do Céu, toda a vida eterna está no movimento da alma que desperta e no primeiro brilho da clareza divina que a ilumina. O que será esse brilho? Para onde levará esse movimento? Só Deus sabe: <em>Nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem entrou no coração do homem (Is. 64,4), o que Deus preparou para aqueles que o amam. </em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que sentido, que horizonte escondeu Nosso Senhor por detrás deste anúncio que o futuro revelará aos olhos dos seus primeiros discípulos? <em>A cada passo do evangelho</em>, diz Dom Guillerand, <em>a mente é confrontada com questões que não consegue resolver com precisão. Segundo os tempos e as necessidades da nossa alma, o Espírito Santo ilumina estas grandes palavras que Ele mesmo nos recorda, e o ângulo sob a qual as mostra manifesta cada vez mais a imensurável grandeza daquele que as pronunciou.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A vida espiritual que vemos nascer nestas almas é a vida sobrenatural da graça, a fonte de água viva, uma fonte que jorra para a eternidade. <em>Duc in altum, avance para as profundezas&#8230; É uma aventura. Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por minha causa, encontrá-la-á.</em></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Vincent Bétin, FSSPX</span></strong></p>
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		<title>JUDAS, A DERROTA DO ESPÍRITO</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Apr 2025 15:08:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est “Seria melhor que nunca tivesse nascido…” Esta frase, esta sentença terrível, não temos o direito de dizê-la a mais ninguém. A exemplo de Jesus, se podemos e se devemos amaldiçoar o crime, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/judas-a-derrota-do-espirito/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: center;"><img class="" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2025/04/Judas_trahison_Giotto_IT328652A.jpeg" alt="" width="517" height="350" /></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/spiritualite/ecriture-sainte/judas-la-defaite-de-lesprit">La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">“</span><strong><em><span class="tm8">Seria melhor que nunca tivesse nascido…”</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Esta frase, esta sentença terrível, não temos o direito de dizê-la a mais ninguém. A exemplo de Jesus, se podemos e se devemos amaldiçoar o crime, se podemos e devemos qualificar os atos dos homens, sob pena de abolir a lei moral, cabe somente a Deus o julgamento definitivo das consciências. E este permanecerá em segredo até o Juízo Final. Exceto para Judas, para ele, seria melhor que nunca tivesse nascido.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Esse discípulo de Jesus, formado e amado com paciência assim como os outros, entregou seu Mestre a aqueles que queriam sua morte, por meio de um beijo… Ele matou Jesus. A traição foi sua única resposta à amizade divina. Ele vendeu o Filho do homem, por algumas moedas à vista, como um objeto, como uma cabeça de gado.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em><span class="tm8">Estais limpos, mas não todos…</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm9">Em verdade, em verdade vos digo, um dentre vós me trairá… Aquele que põe comigo a mão no prato… Infeliz deste homem por quem o Filho do homem é entregue. Seria melhor que nunca tivesse nascido. &#8211; Sou eu, Mestre? Sim, tu o disseste.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Judas ouviu este último apelo à sua consciência: ele sabe que Jesus sabe o que ele vai fazer. De fato, ele o sabe há muito tempo. Mas esta resposta murmurada, este olhar do Amor eterno não penetra mais em sua consciência obscurecida, impermeável. A resposta do Mestre é compreendida apenas por ele e João, que sentiu o frêmito angustiante do Sagrado Coração.</span><span id="more-32940"></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Jesus designa o traidor, apresentando-lhe um pedaço de pão ensopado… e Satanás entrou nele. E Jesus disse: </span><em><span class="tm9">o que tendes de fazer, faze-o depressa</span></em><span class="tm7">. Nenhum dos convivas entendeu, Judas pegou o bocado… se levantou, interrompendo a refeição ritual. O Mestre lhe dissera para partir. Então, ele encarou o olhar de Jesus; o condenado é arrogante. Uma vez que tinha a bolsa, os outros pensaram que Jesus lhe pedira para ir comprar o que era necessário para a Páscoa.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em><span class="tm8">Ora, era noite</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Não somente no céu, mas em sua alma. Ali, todas as estrelas se apagaram, uma a uma. As trevas e a frieza do inferno o invadiram. Madalena fora liberta de sete demônios, e ele tinha aberto sua alma, pouco a pouco, a uma legião infernal. Possuído pelo demônio do orgulho e da inveja, sonhando com um papel principal, ele odiara este Jesus em Betânia, que lhe tinha trocado pela sabedoria de uma pobre mulher. Possuído pelo demônio da ambição, ele renegara este Jesus que anunciava a cruz e que se recusava a se fazer rei. Possuído pelo demônio da avareza, ele desobedecera a este Jesus que pregava o abandono à Providência. Possuído pelo demônio da ingratidão, ele vomitara tudo o que este Jesus lhe dera, atribuindo-lhe ser tudo o que ele era. Possuído pelo demônio do ceticismo, ele carregava em sua alma, desde Cafarnaum, este sorriso sarcástico sobre tudo o que Jesus fazia. Mais Jesus exaltava a pobreza, o sofrimento e a humildade, para melhor exaltar os valores espirituais, mais Judas ficava cético em relação a este mestre. Não ouvindo mais o grande desejo do Senhor de fazer de nossas almas filhos de Deus, ele sufocava em si toda possibilidade do Espírito.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em><span class="tm8">E Satanás entrou nele…</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Judas desapareceu na escuridão da ausência de Deus. A dor do Senhor era palpável, esta alma seguia seu novo amigo, aquele que não ficou até o fim.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Invocar a estúpida ganância de Harpagão seria suficiente para explicar a queda de Judas? Ele era avarento, diz-se. É verdade. Ele poderia ter escolhido uma função mais lucrativa, poderia concorrer a um posto de publicano ou voltar para a oficina do curtidor Simão de Keriot, seu pai. Contudo, ele escolhera seguir aquele que Pedro solenemente declarara, em nome de toda a humanidade, </span><em><span class="tm9">sois o Cristo, o Filho do Deus vivo</span></em><span class="tm7">. Ele escolhera ser pobre por causa do Senhor.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Alguns inventaram um romance para explicar o mistério Judas. A heresia Cainita imaginou um romance… Judas sabia pelas profecias que Jesus deveria nos resgatar ao morrer, traído por um dos seus. Discípulo antecipado de Lutero, ele teria traído para glorificar a fé, para cumprir as escrituras e exaltar a misericórdia de Cristo. Logo, seria um santo… melhor, seria um mártir da fé!</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">No mesmo delírio, em contradição com os evangelhos, certos racionalistas ingleses imaginaram algo diferente… Judas pecou, porém somente materialmente, por excesso de fé. Visto que acreditara na divindade de Jesus, ele o entregara para lhe dar a oportunidade de magnificar seu poder…</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">A versão judaica é mais simples, a exemplo do roubo do corpo do Senhor pelos apóstolos na manhã da Ressurreição. Mais perspicaz que os barqueiros do Lago, Judas descobriu a impostura de Jesus, e, como verdadeiro salvador, entregou Jesus para libertar um povo abusado. Melhor ainda… ele obedeceu à lei que ordena entregar os sedutores, e, em seu grande desinteresse, se preservou de ganhar algo com a sua dolorosa missão, devolvendo o </span><em><span class="tm9">butim</span></em><span class="tm7">. Também seu suicídio é uma lenda inventada pelos cristãos. Judas teria morrido, muito mais tarde, de causas naturais.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Mas nada disso é verdade para Judas, e nada disso pode ajudar a delimitar o mistério do pecado.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em><span class="tm8">Cada um de nós carrega em seus lábios o beijo de Judas…</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">&#8230;com a possibilidade de dá-lo um dia, escrevia Dom Benson. Judas é tão atual e antigo quanto o própio mundo. Prefigurado em Caim, filho de Adão, assassino de seu irmão por ciúmes. Prefigurado nos irmãos de José, que vendem seu irmão aos Ismaelitas por vinte moedas de prata… a história não para de nos apresentar deveras verídicos e numerosos imitadores de Judas.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">A explicação não estaria simplesmente no estudo atento dos textos do evangelho, completado pelos esclarecimentos que a psicologia dos apóstatas nos fornece? Os evangelhos, tão discretos em detalhes sobre a maioria dos apóstolos, são quase pródigos sobre o filho da perdição. Não se expõe por prazer os problemas familiares.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">O Judas que a sinceridade dos evangelistas nos apresenta não é, em verdade, um monstro fora de série… Aparentemente ele não aceitava a pequeneza de suas origens. Era sua ferida. Mas que filho dos homens não carrega em si uma lasca do pecado original? Ele pertencia a uma humanidade clássica, medíocre, muito próxima da nossa.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Sabemos bem que, sob o pretexto da glória de Deus, o homem é capaz dos piores crimes. Saulo, que persegue os cristãos, é um terrorista de boa fé. Conhecemos as santas vítimas do carrasco, que, no papel, eram seus irmãos… São João da Cruz foi perseguido por seus irmãos, a nossa Joana foi condenada à fogueira por cento e vinte e cinco padres, prelados ou doutores de Sorbonne, que declararam agir sem ódio, em nome do Senhor…</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em><span class="tm8">Uma vocação abortada</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Na noite que precedeu a escolha dos Doze, Jesus se retirou sobre a Montanha das Beatitudes. Ele orou ao Pai. Na aurora, ele retornou. Simão Pedro fora escolhido primeiro, e Judas Iscariotes foi o último.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Judas era originário de Keriot, um vilarejo a alguns quilômetros do Mar Morto. Era dessa Judeia que tinha a pretensão de ser a direção intelectual do país, e que considerava os habitantes das outras regiões, particularmente os Galileus, como rudes. Sua cultura relativa, seus talentos práticos o levaram, sem dúvidas, a se considerar superior aos onze outros que eram da Galileia.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Contudo, Jesus o escolheu. Ele o escolheu não porque ele iria traí-lo, mas porque ele o amou com um Amor original, um Amor único. Seria ele, e não Mateus, o funcionário da aduana, o gestor financeiro da pequena companhia. Ora, Judas possuía as qualidades. Sem isso, Jesus não o teria preferido. Generoso, confiante… como os outros, Judas se doou de todo o coração ao profeta. Ele dividiu a dura vida do Mestre, seus combates, seus perigos e, como os demais, ao longo de suas campanhas missionárias, ele fizera milagres.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">No início, Judas foi um discípulo correto. Frio, reflexivo – não são defeitos. A razão mandava em seu coração. Frio… isso não quer dizer que ele não tinha paixões. Há paixões terríveis naqueles em quem o fogo dorme sob as cinzas. Seus defeitos? Ele era mercenário, vaidoso, ambicioso, ele esperava de Jesus, assim como tantos outros, o restabelecimento do reino de Salomão, um reino que asseguraria o triunfo do verdadeiro Deus e, por redundância, o dele próprio. Essa ambição era compartilhada, sem exceção, por todos os apóstolos, e agravada em cada um, conforme seu próprio defeito. Para Judas, a ambição se desdobrará em cupidez e dissimulação.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Apesar disso, Jesus o apartou para se dedicar melhor a ele: havia nele a qualidade de um líder, de um príncipe da Igreja nascente, de um apóstolo e de um mártir! Além do mais, pode-se recriminar aos apóstolos e a Judas seus erros de principiantes? Deus se revela lentamente, ao seu ritmo, e de acordo com as disposições de cada um. Conhecer Deus tal como Ele se conhece requer muitas purificações interiores. Ó mistério da Providência divina a quem nada escapa, e da liberdade humana que pode resistir a Deus! Judas poderia cair como os demais, seguir laboriosamente como os outros o caminho ascendente… à medida que sua vontade livre fornecesse um mínimo de colaboração à graça, haveria, após o sopro de Pentecostes, um Santo Judas.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Indubitavelmente, Judas teve boas disposições. Tampouco, indubitavelmente, até o último suspiro, a decadência desta alma não era nem inevitável nem irreversível. Ele poderia ter voltado atrás. Na corte do pretório, com Pedro, ele também poderia ter pedido perdão.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em><span class="tm8">Minha carne é verdadeiramente comida</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Até o último ano de vida comum, Judas só se difere dos outros apóstolos por um comportamento mais discreto, uma diplomacia mais atenta. Se, como Tiago e João, ele ambiciona o primeiro lugar, ele não o diz. Se, como Pedro, ele se indigna ao ouvir Jesus anunciar a cruz, ele não o diz.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">É em Cafarnaum que um tipo de clinâmen(1) o afasta, no segredo de sua alma, dos outros.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">O anúncio da Eucaristia atiçou os corações dos discípulos e desencadeou o seu murmúrio. Judas misturara seus protestos aos dos outros, mas em um outro tom.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Enquanto boa parte dos discípulos se retirou, Jesus interrogou os apóstolos. </span><em><span class="tm9">Quereis partir também</span></em><span class="tm7">? Pedro, um pouco atordoado, respondera, </span><em><span class="tm9">Senhor, a quem iremos?</span></em><span class="tm7"> Somente Pedro falara. Judas e os demais permaneceram em silêncio. Contudo, o Senhor notara a diferença do silêncio de Judas. </span><em><span class="tm9">Há alguns entre vós que não creem</span></em><span class="tm7">… </span><em><span class="tm9">Não fui eu quem vos escolhi, os Doze?</span></em><span class="tm7"> </span><em><span class="tm9">Todavia, um dentre vós é um traidor.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">O Senhor tinha falado de sua carne e de seu sangue, alimento eterno de nossas almas… </span><em><span class="tm9">Em verdade, em verdade vos digo, se não comerdes da carne do Filho do homem e não beberdes de seu sangue, não tereis a vida em vós</span></em><span class="tm7">. Nenhum dos discípulos, neste instante, podia entender estas palavras, de tanto que </span><em><span class="tm9">eram duras</span></em><span class="tm7">. Contudo, Pedro tinha aberto sua alma às palavras do Senhor como uma possibilidade, recusando, por aí, o vazio do escândalo. Judas, quanto a si, se recusara a crer, e, ao fazer isso, ele fechou a porta de sua alma ao Espírito. Quando a Fé vacila, é preciso contra-atacar, é preciso apresentar atos de Fé ainda maiores. É o que Pedro fez,</span><em><span class="tm9"> tendes as palavras da Vida eterna, Senhor</span></em><span class="tm7">. A Fé em Jesus penetra todo o ser, é necessário acompanhá-la de obras. Judas abandona, renúncia… ele deverá encontrar uma justificativa para a sua deserção. Não terá nada além do que o seu nada.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">A decepção de Judas começou a partir deste momento, era a desesperança dos carnais.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Todavia, o Senhor lhe dissera, </span><em><span class="tm9">é o espírito que vivifica, a carne pra nada aproveita. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida</span></em><span class="tm7">. A defecção de Judas foi precedida de uma deserção interior. Muitas serão as tentativas do Senhor para iluminar as trevas nas quais ele afundava. Jesus não pensava nele quando disse </span><em><span class="tm9">não podeis servir a Deus e a Mamon</span></em><span class="tm7">? Contudo, ele ainda escutava o Senhor? Quando indignar-se-á hipocritamente pelo preço do perfume que Maria Madalena derrama sobre os pés do Senhor, ele ouvirá o que Jesus acabara de dizer? </span><em><span class="tm9">Sempre tereis pobres convosco. Porém a mim não tereis sempre.</span></em><span class="tm7">..</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em><span class="tm8">E Satanás entrou nele</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">A estadia em Jerusalém concluiu a ruína de sua alma. Ele não resistirá aos aparatos, ao poder e ao ouro dos sacerdotes locais. Sua traição consistirá essencialmente no fato dele se oferecer a guiar ele próprio um bando armado ao lugar solitário onde, ao cair da noite, tinha certeza de encontrar Jesus com seus poucos amigos… De amigo, ele não tinha nada além do nome, justo o que precisava para entregar os segredos compartilhados aos carrascos.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">No sábado, véspera dos Ramos, Judas deixou Betânia com raiva no coração. Mais uma vez, esse Jesus tinha defendido essa mulher contra ele. A decepção e o desprezo obcecavam sua mente. Rápido, ele alcançou o vale de Josafá dos mil túmulos – vaidade, a vida do homem, recordava-lhe eles… mas ele também não os ouvia. Depois, a escadaria que conduzia ao Cedrón, ao Palácio de Caifás. Aos juízes do Sinédrio, ele propôs entregar-lhes Jesus. Discutiu um pagamento? O acordo foi concluído rapidamente por trinta moedas de prata, ou seja, nada… o preço de uma cabeça de gado, e a tempestade de trevas continuou a vencê-lo.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Judas não podia se deter. É próprio dos Judas não poderem se deter. Na noite da Quinta-feira Santa, transformado em informante da Polícia, ele guiou a tropa que deveria prender Jesus. E Jesus estava lá, no ponto de encontro. Encharcado de sangue, sobre o rochedo do lagar, esmagado pelo enorme peso de nossos pecados, ele era assediado pelo exército eterno dos Judas, negociantes de papéis sujos e de murmúrios caluniosos, mercadores de leis infames e de opiniões corruptoras, traficantes de dinheiro e de corpos, traficantes de impunidades humanas e alforjes de vaidades. Judas olhou esta aparência de homem, este nada… ele tinha razão, disse para si.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Então, com os braços estendidos na direção deste homem despedaçado, em um gesto de efusão, Judas beijou Jesus. Era o sinal sórdido que ele tinha combinado com os soldados. Um beijo… a única expressão de seu coração vazio. Seus lábios ficaram vermelhos de sangue e ele consumou sua revolta eterna. </span><em><span class="tm9">Amigo, é para isso que viestes? Judas, traístes o Filho do homem por um beijo…</span></em></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">O drama se precipita. Sexta-feira Santa, Pilates lava as mãos – não seria Pilates sem este gesto – e entrega aquele que ele acaba de proclamar justo. Judas assiste o gesto de Pilatos, assim como assistiu aquele dos legionários flagelando Jesus, o coroando de espinhos. Ele ouve o clamor da multidão… </span><em><span class="tm9">Crucifique-o</span></em><span class="tm7">! Agora está feito. Carregado de sua cruz, Jesus vai morrer no abominável suplício. Judas pode respirar. As ansiedades não deixaram de assediá-lo: o temor de que Pilatos não se controlasse, que o taumaturgo varresse com um gesto o formigueiro enraivecido. Não, ei-lo sangrando, desfigurado, que curva os ombros sob a cruz, que titubeia, cai e se levanta. Mais algumas horas e terá acabado.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Acabado? Não, tudo está começando, Judas… </span><em><span class="tm9">Quando tiverdes levantado o Filho do homem, então conhecereis o que sou</span></em><span class="tm7">. Tudo está começando, Judas: o reino do único eternamente amado e tua desesperança.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em><span class="tm8">A psicologia do desesperado</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Enquanto dura a ação, a vontade de terminar tudo bem esconde do homem a terrível realidade. Contudo, quando a realidade do crime está lá… Nero não compreendeu o horror de seu crime senão quando viu o rosto desfigurado do cadáver de sua mãe. Todavia, ele desejou, preparou essa morte. Certamente, ele não a amava, ele quem nunca amou. Ele a odiava, mesmo essa mãe de quem devia tudo. Porém, cuidado! Essa conscientização na alma criminosa não consiste em um coração despedaçado, mas no orgulho que é contrariado. Quantas vezes vimos um criminoso pedir que lhe perdoem ao invés dele pedir perdão à sua vítima? Certa forma de consciência permanece…. Não é tão fácil se desumanizar… mas essa consciência é fechada em si mesma.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Judas renegara Nosso Senhor, recusara a crer… Entretanto, também não é tão fácil que se pense em exterminar em si a Fé! Mesmo morta, ela permanece na alma, e o remorso que ela suscita, conduz o humilde ao arrependimento, como São Pedro, ou afunda ainda mais o orgulhoso nas trevas da desesperança. Os demônios também acreditam e tremem pela eternidade do inferno. Quando Judas saiu do Cenáculo com o demônio no coração, ele se perdeu? Não, ainda não. Nem mesmo quando ele traiu por um beijo. Tampouco, absolutamente falando, quando ele colocou o nó fatal no pescoço. Ele ainda pode se salvar, visto que ele ainda pode se arrepender. Porém isso se torna cada vez mais difícil. Para sair deste abismo à penitência verdadeira e completa, seria preciso, com uma graça verdadeira, um esforço prodigioso.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Judas começa essa penitência, ele a inicia. Materialmente falando, ela é até completa. Ele confessa seu pecado ao Sinédrio, o dinheiro lhe queima as mãos, ele não quer mais vê-lo. Todavia, o Sinédrio não pode reconhecer sua culpa, eles são cúmplices. E para Caifás, Judas foi e será o traidor, o instrumento de seus desígnios: ele não é ninguém. Por que ele vai vê-los então, senão para, instintivamente e praticamente, desafiar o coração de Jesus por ser deveras generoso para lhe perdoar sem outra implicação para si? Ora, a Fé incita à conversão e às obras. Judas nunca entenderá </span><em><span class="tm9">tua fé te salvou</span></em><span class="tm7">, pois ele se recusou a crer e a mudar. Menos ainda, ele não será tocado pelas palavras de Cristo, na boca de Davi ao seu filho, Absalão… </span><em><span class="tm9">se meu inimigo me ultrajasse, eu o suportaria, mas tu, com quem vivia como igual. Um de meus chefes, um de meus familiares, tu, com quem dividia o pão da amizade.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Que falta à sua contrição, à sua justificação, à sua salvação? A confiança e o amor.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Madalena entendeu que a vida de sua vida era Jesus. Ela entendeu que o coração de seu coração era Jesus. Judas foi, e será pela eternidade essa multidão surda ou furiosa toda vez que Jesus falar de Reino invisível, de Reino acessível, de Reino eterno. Pobre multidão, da qual Jesus teve piedade. A todo instante ela gritou </span><em><span class="tm9">liberte Barrabás!</span></em><span class="tm7"> Mas, ele, </span><em><span class="tm9">crucifique-o</span></em><span class="tm7">. Pobre multidão que não entendeu a vaidade do sonho que é a vida humana. Pobre multidão que não entendeu a divina loucura do Amor de Deus: Deus existe, e sua glória é nos elevar a Ele, sua glória é perdoar.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7"><strong>Pe. Vincent Bétin, FSSPX</strong></span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><u><span class="tm11">Nota:</span></u></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">(1) Termo latino que designa o desvio imprevisível dos átomos, conforme a doutrina atomista de Epicuro.</span></p>
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		<title>NA HORA DO ENCONTRO</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Mar 2025 16:29:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Vicente Betin]]></category>

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		<description><![CDATA[“André foi encontrar seu irmão Simão e disse-lhe: “Encontramos o Messias”. No dia seguinte, Simão chegou pontualmente para seu primeiro encontro com Cristo. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est Os dois primeiros discípulos que haviam sido conquistados pela simples visão &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/na-hora-do-encontro/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/10/Vocation-de-Saint-Pierre_Saint-Andre_Caravage.jpg" alt="" width="465" height="374" /></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><span class="tm6">“<em>André foi encontrar seu irmão Simão e disse-lhe: “Encontramos o Messias”. </em></span><em><span class="tm7">No dia seguinte, Simão chegou pontualmente para seu primeiro encontro com Cristo.</span></em></span></strong></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte:<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/spiritualite/a-lheure-au-rendez-vous"> La Porte Latine</a></span> &#8211; Tradução:<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/"> Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Os dois primeiros discípulos que haviam sido conquistados pela simples visão de Jesus, logo trouxeram-lhe outros. Primeiro foi Simão, irmão de André. E no dia seguinte, quando partiram para a Galileia, Filipe e Natanael.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Essa narração é muito simples: um grupo de homens que se encontram às margens do Jordão. A primeira vocação dos discípulos tem sua atração&#8230; somente uma testemunha ocular poderia contá-la dessa maneira. São João não tem a intenção de acrescentar algo ao relato muito preciso dos evangelhos sinóticos, mas sim de nos dar, em sua maneira simples de dar seu testemunho para os séculos vindouros, o que o homem que Jesus amava viu: o que ele admira no encontro entre Cristo e esses homens é o que ele compreende o que o Senhor realiza nele&#8230; ele contempla, admira, dá graças. Nem sempre conseguimos notar, em nossa própria experiência, o que reconhecemos de relance na experiência dos outros.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Já refletimos sobre o impacto de certos eventos que ocorreram durante séculos e séculos? E se Simão não tivesse seguido seu irmão </span><em><span class="tm9">no dia seguinte</span></em><span class="tm8">? O que teria sido da Igreja?</span></span><span id="more-32316"></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Naquela manhã, Simão deixou-se guiar pelo simples anúncio do irmão. Ele chegou pontualmente para esse encontro com alguém que ainda não conhecia. O abandono, o terno respeito pelos caminhos de Deus, tanto interiores como exteriores, essas são as disposições do espírito de fé que esse homem já possui.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">O Bom Deus tem planos para Simão, assim como para cada um de nós, e Ele mesmo traça os caminhos pelos quais devemos seguir. Em vez de recordar a difícil questão da relação entre graça e livre arbítrio, não seria melhor, nesse momento, contemplar os surpreendentes caminhos de Deus, como São João faz na simplicidade da sua narração: tudo o que Simão tinha de fazer era deixar-se guiar&#8230; <em>o Senhor conduz os justos por caminhos retos.</em></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Ser justo… toda a antiga Aliança era uma pedagogia para estar pronto para o encontro com o Messias. </span><em><span class="tm9">Abraão viu o meu dia e se alegrou,</span></em><span class="tm8"> não hesitou o Senhor em afirmar aos fariseus que o contendiam.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm9">O Senhor conduz os justos por caminhos retos,</span></em><span class="tm8"> diz o livro da Sabedoria&#8230;o justo é aquele que é íntegro, reto, é aquele que age com fidelidade. Não anda por si mesmo, é o Senhor quem o conduz, </span><em><span class="tm9">deduxit dominus</span></em><span class="tm8">. Se ele se permitir ser dócil, então, pelo preço da sua docilidade, o Senhor lhe mostrará o seu reino, </span><em><span class="tm9">et ostendit ei regnum Dei,</span></em><span class="tm8"> isto é, o admitirá nas alegrias da intimidade divina. Há perspectivas que escapam totalmente àqueles que não estão no ponto desejado. A perspectiva do reino de Deus se perde rapidamente sem uma grande retidão interior.</span></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Simão era um homem simples, mas era um homem justo. Uma lealdade como a de Simão deve ser flexível, essa retidão deve ser capaz de se adaptar aos desígnios de Deus. Não se trata de seguir nossos próprios caminhos, mas de seguir os caminhos Dele. <em>De agora em diante se chamarás Pedro.</em></span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">A simplicidade dos caminhos divinos é desconcertante, assim como a simplicidade da história da vocação dos primeiros apóstolos. Retocar, reformar, modificar os caminhos de Deus, como se Deus precisasse do auxílio da nossa razão, é uma tendência tão humana, mas tão deplorável. Simão não diz nada, o Bom Deus deu-lhe um nome em sua Igreja, um nome religioso… Pedro. Ele não impede o progresso da Providência. Interferir no plano de Deus seria tanto temerário quanto insensato. E é notável que aquele que se oporá ao Mestre anunciando sua Paixão, assim como desembainhará sua espada no Jardim das Oliveiras, esteja em silêncio nesse momento. Ele se deixa guiar e levar.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Seguir os caminhos de Deus é muito bom, mas não é suficiente. Ainda precisamos nos encontrar, a cada momento de nossas vidas, no lugar exato onde Deus nos quer. Após a ressurreição, a presença física do Cristo ressuscitado será limitada a alguns episódios breves e espaçados. Pedro, o primeiro Vigário de Cristo, saberá como conduzir o seu rebanho. Estar em seu lugar é como o reconhecimento concreto da presença contínua, porém invisível do Senhor. Eles foram para a Galiléia. Para que? Porque é lá que o Senhor os aguarda&#8230; onde, quando e como são meros detalhes para aqueles que são confortados por essa presença. Eles estão em seu lugar, fazendo a vontade de Deus.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">O Bom Deus tem planos para cada um de nós que dizem respeito não só ao todo, mas também aos mínimos detalhes da nossa vida. Basta olhar novamente para a cena do nosso evangelho. O encontro é preciso, todos esses homens estão na hora certa, esse encontro de um momento, um amanhã, é um encontro eterno. Essa realidade divina é ainda mais surpreendente com o episódio da Samaritana… vemos Cristo percorrendo o caminho que vai da Judeia à Galileia; a diligência o levou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do poço de Jacó&#8230; Se Jacó não tivesse cavado esse poço, Nosso Senhor não teria podido descansar ali no exato momento em que esta mulher foi buscar água. Mas, graças à precisão de sua obediência, ele chegou ao poço de Jacó exatamente na hora do meio-dia, determinada por Deus desde toda a eternidade para esse encontro abençoado, que garantiria a salvação de tantas almas&#8230; nada é deixado ao acaso, nada escapa a Deus.</span></p>
<p class="Normal tm5" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">O quarto evangelho é a obra de um homem idoso que encontrou sabedoria. O seu olhar não é tanto o testemunho de gestos inéditos de Cristo, mas do repouso encontrado pela alma que encontrou Cristo, que segue os Seus caminhos, que faz a Sua vontade, que está em seu lugar.</span></p>
<p class="Normal" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Vincent Bétin, FSSPX</span></strong></span></p>
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		<title>MARIA MADALENA, OU, A VITÓRIA DO ESPÍRITO</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Mar 2025 14:40:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Vicente Betin]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Trata-se de saber se se deseja viver com os Anjos ou com as bestas&#8230;&#8221;  Fonte: La part des Anges n° 13 &#8211; Tradução: Dominus Est Essas palavras de Psichari resumem muito bem a grande diferença que divide os homens. Elas &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/maria-madalena-ou-a-vitoria-do-espirito/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: center;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/03/Onction-Marie-Madeleine.jpg" alt="" width="562" height="836" /></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;"><span class="tm8">&#8220;</span><em><span class="tm9">Trata-se de saber se se deseja viver com os Anjos ou com as bestas&#8230;</span></em><span class="tm8">&#8221; </span></span></strong></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Fonte: </span><span style="color: #0000ff;"><u><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2025/02/la-part-des-anges-13.pdf"><span class="tm8">La part des Anges n° 13</span></a></u></span><span class="tm8"> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Essas palavras de Psichari resumem muito bem a grande diferença que divide os homens. Elas simplesmente repetem o que São Paulo disse aos Gálatas:  </span><em><span class="tm9">Andai segundo o espírito&#8230; a carne tem desejos contrários ao espírito e o espírito desejos contrários a carne. Essas coisas são contrárias entre si.</span></em><span class="tm8"> A carne é o que se opõe ao espírito… é a matéria, é a obsessão do corpo com todos os seus vícios. É também a tirania do poder, da dominação pelo dinheiro ou pela ciência pervertida, seja ela econômica, ecológica ou médica. O marxismo continua, todos os dias, a materializar com sucesso as massas&#8230;</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">É nesse mundo materialista que sobrevivemos, e os pseudo valores que ele nos impõe tendem cada vez mais a sufocar nossa realidade espiritual. O fato é que as pessoas não acreditam mais. Não apenas não acreditam mais no Credo, mas também não acreditam mais no espírito, ou seja, em Deus, na alma espiritual: elas não sabem mais que têm uma alma e que ela foi feita para Deus.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">O homem não é uma besta. A oposição ao materialismo deve ser uma luta moral e espiritual. Pois a derrota da matéria é a vitória do espírito. E a vitória do espírito é uma alma que encontra a transcendência absoluta de Deus.</span><span id="more-32828"></span></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;"><em><span class="tm10">Erat in civitate peccatrix.</span></em><span class="tm11">..</span></span></strong></p>
<p class="Normal tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm8">Havia uma pecadora na cidade.</span></em><span class="tm8"> Lucas não diz seu nome nem seu passado. A tradição judaica, o Talmud, por outro lado, nos fornece detalhes sobre a beleza de Madalena, seu exuberante cabelo, suas riquezas e seus escândalos.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Casada com um certo Pappus, doutor da lei, cujo ciúme &#8211; que está de acordo com os costumes orientais &#8211; chegava ao ponto de trancá-la quando ele saía de casa, a orgulhosa mulher judia se libertou dessa escravidão e, unindo-se a um oficial romano de Naim, seguiu-o até Magdala. Sua conduta desordenada a tornou famosa lá, o que lhe rendeu o apelido de &#8220;</span><em><span class="tm9">Madalena, a mulher de Magdala&#8221;</span></em><span class="tm8">.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Esses detalhes, supostamente precisos, não provariam de forma alguma que pudéssemos ver nela uma pecadora da pior classe, diferente de tantas patrícias romanas.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">O apelido pelo qual os judeus a denegriram, “</span><em><span class="tm9">a Madalena</span></em><span class="tm8">”, é suficientemente explicado por esses fatos: adultério público que a lei judaica punia com apedrejamento, vida pagã em um ambiente particularmente dissoluto: Magdala. Tudo o que resta dessa cidade hoje são algumas pedras em ruínas às margens do Lago Tiberíades. Mas, na época, Magdala era para a colônia romana uma cidade de água, uma cidade de prazeres, uma cidade de pecado. Madalena, a bela judia, esposa infiel de um doutor da lei, era a “</span><em><span class="tm9">estrela</span></em><span class="tm8">”, a alma perdida de Magdala.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Mas Magdala também estava no coração da Palestina, que Jesus já evangelizava há um ano. Foi nessas cidades e vilarejos próximos ao lago que ele multiplicava seus milagres, procurando as ovelhas perdidas. Lá ele proferiu o Sermão da Montanha: </span><em><span class="tm9">Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus! – Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão saciados!</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Acostumada a se locomover livremente em seu novo ambiente, Madalena deve ter visto e ouvido aquele a quem a multidão aclamavam e os Doutores perseguiam com seu ódio invejoso.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Alma elevada, apesar dos “</span><em><span class="tm9">sete demônios</span></em><span class="tm8">” dos quais Jesus a libertaria, a irmã de Marta e Lázaro ouvia essas palavras tão novas, tão diferentes da casuística farisaica à qual seu primeiro marido a havia iniciado.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Seu coração inquieto abriu-se à confiança. Era uma dimensão diferente para ela. Os leprosos purificados, os cegos curados, o filho da viúva de Naim ressuscitado, os pecadores evangelizados &#8211; tudo lhe sugeria que ela também poderia ser ressuscitada, entrar na terra dos vivos, onde o amor não é mais uma palavra profanada. Sua lepra era a luxúria. Sua morte era esse corpo que ela havia afastado de Deus. Ela começa a enxergar, mas seu pecado a mantém longe da Luz. Onde ela encontrará a Vida? Ela busca aquele olhar eterno de bondade que a tudo torna belo.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Essa inexorável vontade feminina que, em Herodíades, buscava fins criminosos com uma astúcia prodigiosa, nós a encontramos, mas voltada para o bem. Madalena não descansará enquanto não realizar seu sonho: obter o perdão de Jesus.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Pois ela é a única, como aponta Bourdaloue, </span><em><span class="tm9">que aparece no Evangelho como dirigindo-se a Jesus Cristo para obter a remissão de seus pecados. Os outros, que eram judeus em espírito e coração, bem como em religião, recorreram a Ele apenas para obter graças temporais, para serem curados de suas doenças. E se Jesus os convertia, era quase contra a vontade deles.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Mas Madalena busca Jesus Cristo por Jesus Cristo mesmo. </span><em><span class="tm9">Não me procuraríeis se já não me tivésseis encontrado&#8230;</span></em><span class="tm8"> Uma indicação de uma rara qualidade de alma da qual Jesus se lembrará quando disser aos fariseus vestidos com suas virtudes externas: </span><em><span class="tm9">Pecadores públicos vos precederão no Reino de Deus.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">O que esses judeus pedem a Cristo é que ele se considere honrado por receber deles uma salvação protetora, que ele os consulte sobre o justo e o injusto, dos quais eles são os juízes. Mas pedir perdão por seus pecados? Que ideia! Eles que não têm pecado, eles que julgam e não são julgados.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Um desses homens puros, Simão, o fariseu, convida Jesus para jantar. Por que ele fez isso? Seria apenas por curiosidade, para espionar esse rabino de quem os sinédrios estavam tentando se livrar, da mesma forma que se livraram de João Batista, e assim ganhar certa proeminência nesse meio? Ou será que é por vaidade mundana, que só se preocupa com as aparências?</span></p>
<p class="tm6 tm12" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><em><span class="tm14">Eu irei!</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Madalena toma conhecimento do acontecimento e decreta dentro de si o mesmo movimento que arranca sua alma do atoleiro de sua escravidão, como o filho pródigo que abandona o serviço do cocho dos porcos de que cuida. </span><em><span class="tm9">Eu irei, arrancarei dele o meu perdão.</span></em><span class="tm8"> Que pecador, lúcido de seu estado, não disse a si mesmo um dia estas mesmas palavras… </span><em><span class="tm9">Eu irei!</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Ela, a excomungada, legalmente reservada ao apedrejamento, não ignora que a porta de um fariseu lhe é duplamente proibida. Ela sabe que a lei ordena que Simão a expulse. Tudo o que ela busca é o olhar misericordioso de Cristo. </span><em><span class="tm9">O que isso importa para ela?</span></em><span class="tm8"> escreve Bourdaloue, </span><em><span class="tm9">ela finalmente ama pela primeira vez. Com medo deliberamos, mas com amor agimos.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Tudo o que resta das desordens de ontem é sua impudência. Até agora ela não teve pudor; ela não sabe o que é se envergonhar. E é indiferente ao olhar desses homens que a desprezam para reduzi-la ao que ela era. Ela entra na sala onde Jesus estava. Ela deixou para trás a impureza de uma mulher mundana, mas reservou para si a fronte de uma mulher mundana.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">São Lucas nos conta que Simão, o fariseu, ao dar as boas-vindas a Jesus, omitiu os deveres elementares da polidez judaica. Seria uma maneira sutil de se esconder dos olhos dos fariseus ou uma nova arrogância para enfatizar a grande honra que ele estava dando a esse rabino sem título ao admiti-lo em sua mesa?</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Então, ele se omitiu de banhar os pés cobertos de poeira de Jesus, esqueceu-se deliberadamente de beijá-lo e de perfumar seus cabelos. Jesus não apontou essas grosserias. Ele havia se sentado à mesa, entre os fariseus, cujos olhares mediam sua baixeza. Depois das bênçãos rituais, das quais Simão certamente não omitiu nenhum item desta vez, ele deitou-se no sofá, como fará na Cruz: </span><em><span class="tm9">o reino dos Céus é como uma festa de casamento,</span></em><span class="tm8"> ele dirá&#8230; em poucos instantes, uma pequena alma, uma noiva, reencontrará a Vida.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Como era de costume, o salão de banquetes foi deixado aberto e os amigos de Simão entraram livremente. Mas de repente, há certa inquietação! A Madalena se esquiva entre os visitantes. Ela se aproveita da surpresa e caminha rapidamente em direção ao rabino, cujos pés descalços estavam alí, disponíveis a ela.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Em suas mãos, ela carrega um vaso de alabastro cheio de perfume, um vaso de gargalo longo que um toque de seus dedos é suficiente para quebrar. Silenciosamente, ela se ajoelha, asperge os pés de Jesus com suas lágrimas, quebra o gargalo do vaso e derrama o óleo perfumado em seus pés, que ela enxuga com seus longos cabelos soltos. Um ato gerador…ato primeiro de humildade, um ato de nascimento.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Para uma mulher judia, é uma vergonha aparecer em público com os cabelos soltos&#8230; E Jesus parece não notar. Simão, por outro lado, agita-se, com um sorriso zombador nos lábios; a alegria se sobrepõe à raiva, é uma alegria maligna&#8230; é a alegria dos condenados que se alegram com o mal e o escândalo. Jesus está sendo julgado! Se ele fosse um profeta, como essa população, ignorante da lei, pensava, ele saberia que essa mulher que o estava tocando era uma pecadora. Ele a teria repelido &#8211; e deveria tê-lo feito! &#8211; para não contrair uma mancha legal. O moralismo hipócrita de Simão não sabe que Jesus lê sua alma. Porque Jesus olha para as almas.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm9">Simão,</span></em><span class="tm8"> disse ele, olhando para sua alma além de seu olhar&#8230; </span><em><span class="tm9">Eu tenho algo para lhe dizer.</span></em><span class="tm8"> Aqui está Simão diante de si mesmo: </span><em><span class="tm9">Diga, mestre.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Mestre ? A única maneira de Cristo falar com Simão é convidando-o para as realidades espirituais, mas ele não quer entrar. </span><em><span class="tm9">Dois homens tinham uma dívida com um credor: um 500 denários e o outro 50. Como não tinham com que pagar; ele perdoou a dívida de ambos. Quem você acha que o amará mais? – Provavelmente aquele a quem ele terá dado mais. – Muito bem respondido.</span></em><span class="tm8"> Enquanto Simão estava perdido em pensamentos malignos, Jesus falou com ele sobre o amor: </span><em><span class="tm9">Quem você acha que o amará mais?</span></em></span></p>
<p class="tm6 tm12" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><em><span class="tm14">Vês esta mulher, Simão?</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">E, voltando-se para Madalena, Jesus ensina Simão a olhar melhor os outros, a olhá-los de forma diferente, não apenas através dos olhos do corpo. </span><em><span class="tm9">Quando entrei em sua casa, não me derramastes água sobre meus pés, mas ela os aspergiu com suas lágrimas e os enxugou com seus cabelos. Não me destes um beijo; mas ela, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. Não ungistes a minha cabeça com óleo, mas ela ungiu os meus pés com perfume.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Essa sucessão de &#8220;</span><em><span class="tm9">não me fizestes tal coisa</span><span class="tm8">&#8220;</span></em><span class="tm8"> deve ter ferido a vaidade do fariseu. Mas aqui está esse rabino que ele convidou para sua mesa, comparando-o a uma mulher, e que mulher! Essa comparação com esse pecador certamente o humilhou profundamente. Para Simão, é uma queda terrível, semelhante à de São Paulo do seu cavalo. É uma queda interior que Cristo provoca em sua alma.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm9">Por isso eu vos digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque ela muito amou. E ela amará mais porque lhe foi dado mais.</span></em><span class="tm8"> As palavras de Jesus são extremamente gentis. No entanto, a lição foi difícil para Simão; mas sua vida eterna estava em jogo. Mas aquele que recebe menos ama menos&#8230; Jesus diz a Simão o que vê nele: você não ama nada porque sente que não recebeu nada e acha que não tem nada a receber. Simão é a imagem do desespero.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Não há progresso, não há horizontes, não há esperança para o homem que se entrega à escravidão da carne: há apenas o “</span><em><span class="tm9">eu</span></em><span class="tm8">”, o “</span><em><span class="tm9">eu</span></em><span class="tm8">” obeso que cega. A matéria o encerra, o limita a si mesmo. </span><em><span class="tm9">É uma questão de saber se se deseja viver com os Anjos ou com as bestas.</span></em><span class="tm8"> Em seguida, dirigindo-se a Madalena, Jesus diz:  </span><em><span class="tm9">Os teus pecados te são perdoados…</span></em><span class="tm8"> Os teus pecados te são perdoados, palavra que desperta as murmurações dos fariseus: </span><em><span class="tm9">Quem é este que perdoa pecados, um poder reservado a Deus?</span></em><span class="tm8"> Mas Ele, impassível, continua: </span><em><span class="tm9">a tua fé te salvou, vá em paz!</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Madalena se levanta. Eles continuarão a murmurar&#8230; infelizes fariseus, pobres pecadores cheios de si mesmos e incapazes, neste momento, de compreender o drama espiritual desta alma que encontrou Deus. Um dia, ouvirão essa sentença devastadora:  </span><em><span class="tm9">Raça de víboras!</span></em><span class="tm8"> Assim como não pensam em serem perdoados, não perdoam aqueles que os fazem cair. Enquanto eles abaixam a cabeça e desviam o olhar com desprezo, Madalena, indiferente aos seus murmúrios, vai embora, transformada, purificada, ressuscitada. Ela vive! De agora em diante, ela é insensível a tudo, exceto às alegrias puras do amor penitente.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Bossuet se emociona com esse espetáculo e expõe, em poucas linhas, a psicologia dos grandes místicos penitentes: </span><em><span class="tm9">Vá, coração exausto, cansado, que nunca encontrou nada capaz de acolher a imensidão do teu amor; vá e afunda-te no oceano, vá e perca-te no infinito, vá e absorva-te em tudo.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Muitos pecados lhe foram perdoados. É pelo fato de Madalena ter deixado a prisão dos sentidos e despertado para o espírito que Jesus perdoa. Com uma audácia desconcertante, ele reabilita essa pecadora cuja alma ele vê transformada; ele a admite, ao lado da Virgem Maria, no colégio das santas mulheres. Porque Jesus olha o coração. Além disso, ele não se recusará a aceitar as refeições dela na casa de Betânia. E enquanto Marta se ocupava em preparar a refeição, Madalena, aos pés do Mestre, ouvia e agora se alimentava. Marta fica irritada, mas Jesus defende Madalena. </span><em><span class="tm9">Ela escolheu a melhor parte.</span></em><span class="tm8"> O que não é inação. Madalena se mostrará mais ativa que Marta quando chegar a hora das grandes batalhas; a melhor parte é aprender antes de agir.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">Para aprender isso: Deus precisa menos dos nossos braços do que dos nossos corações e, quando os corações não são dados, os braços rapidamente se cansam.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Foram as lágrimas de Madalena que, após a morte de Lázaro, arrancaram lágrimas de Jesus e o fizeram ordenar, inclinando-se sobre o túmulo onde o cadáver apodrecido jazia havia quatro dias: “</span><em><span class="tm9">Lázaro, l</span><span class="tm8">evanta-te e sai!&#8221;</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">No dia seguinte à ressurreição de Lázaro, na festa de Simão, o leproso, em Betânia, encontramos o mesmo gesto da pecadora de Magdala. No início da refeição, Madalena, prostrada diante dos pés descalços de Jesus, asperge-os com lágrimas e perfumes e enxuga-os com os cabelos soltos. Ora, esse perfume valia 300 denários! Um escândalo de prodigalidade aos olhos de Judas, mas um gesto de amor ao qual Jesus promete a imortalidade. Nela o espírito se afirmou, ela conquistou a vitória sobre a carne… o homem animal foi domado. Judas é a derrota do espírito, é a derrota do homem; ele será eternamente a sombra, a antítese, a demonstração pelo absurdo das incríveis possibilidades espirituais do espírito. Infelizmente, também será o modelo para o nosso mundo moderno.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">A grande realidade mística leva Madalena à expiação, ao amor, à doação de si mesma. Na Sexta-feira Santa, no Calvário, mais corajosa do que os Apóstolos, restaurando a honra da humanidade com sua coragem, ela estará ao lado da Virgem. O último olhar do Cristo moribundo repousará sobre ela e sobre a Imaculada. Então, provando mais uma vez que a coragem de agir nunca foi tão grande quanto entre os contemplativos diante dos Apóstolos, ela retornará ao Santo Sepulcro na manhã de Páscoa. Uma ousadia que não duvida de nada, porque o amor ignora as impossibilidades. Ao ver o sepulcro vazio, ela questionará Jesus ressuscitado, a quem ela supõe ser o jardineiro: </span><em><span class="tm9">Se levastes embora, diga-me onde o colocou e eu o tirarei.</span></em></span></p>
<p class="tm6 tm12" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><em><span class="tm14">Maria!</span></em></strong></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Com uma palavra, Jesus faz-se reconhecer e depois envia-a aos Apóstolos para lhes anunciar a Ressurreição. Ela foi escolhida para ser a “</span><em><span class="tm9">apóstola dos Apóstolos</span></em><span class="tm8">”. No dia seguinte à Ascensão, ao sabor das ondas, Jesus a conduz até as margens da Provença. Depois de ajudar no apostolado de seu irmão Lázaro em Marselha até o dia de seu martírio, ela chegou às selvagens solidões de Sainte-Baume. Lá, Cristo fará com que ele suba os mais altos cumes da vida mística.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><span class="tm9">Essas almas,</span></em><span class="tm8"> enfatiza Bossuet, </span><em><span class="tm9">precisam da solidão dos desertos e lugares selvagens, um símbolo da miséria total pela qual aspiram Chega um momento em que eles conhecem apenas uma alegria: a de se doar; eles sacrificam até mesmo as alegrias puras da contemplação. E esse é o fim do Cântico, a consumação de todo o mistério do santo Amor. Então só resta a morte, o começo da vida.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm8">Quando Madalena sentiu que seu fim se aproximava, ela desceu do Tabor, depois de ter pedido a São Maximino para que lhe trouxesse a comunhão pela última vez. Ela se juntou a ele na Via Aureliana e se ajoelhou, como havia feito em Magdala e Betânia, aos pés do Mestre. Seu exuberante cabelo, antes profanado e depois reabilitado, tornaram-se brancos. Ajoelhada à beira da estrada, ela recebeu Aquele que um dia lhe disse: </span><em><span class="tm9">vá em paz, seus pecados estão perdoados.</span></em><span class="tm8"> Tudo o que restava era expiá-los por meio de penitência e ação. Na doação diária ela encontrou a paz que lhe escapava no pecado. Após a comunhão, ela abaixou a cabeça e entrou em êxtase eterno.</span></span></p>
<p class="Normal tm6 tm7" style="text-align: justify;"><span class="tm8" style="color: #000000;">É nas profundezas de nossa alma, entre o espírito e a matéria, entre o espírito e a besta, que o destino do mundo e o nosso destino são traçados. É por sabermos que há vinte séculos, na Cruz da Sexta-feira Santa, o espírito finalmente prevaleceu sobre a matéria, que os cristãos não podem ceder à vertigem do desespero. A Quaresma que se aproxima ainda será tempo de grandes batalhas com Jesus na Cruz e de grandes vitórias com Ele, na manhã de Páscoa.</span></p>
<p class="Normal tm6 tm15" style="text-align: right;"><strong><span class="tm11" style="color: #000000;">Pe. Vincent Bétin, FSSPX</span></strong></p>
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		<title>A CASA DE JOSÉ</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Feb 2025 14:49:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Santíssima Virgem Maria]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Vicente Betin]]></category>
		<category><![CDATA[São José]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta casa de Nazaré, templo  de paz e do amor reabilitado, mostra-nos a forma mais pura de amor. Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est Tudo começou com a Luz de Deus na alma deste grande Patriarca: José, filho de Davi, &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-casa-de-jose/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2025/01/Sainte_Famille.jpg" alt="" width="226" height="339" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Esta casa de Nazaré, templo  de paz e do amor reabilitado, mostra-nos a forma mais pura de amor.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/spiritualite/la-maison-de-joseph">La Porte Latine</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tudo começou com a Luz de Deus na alma deste grande Patriarca: <em>José, filho de Davi, não tenhais medo de levar consigo Maria, tua mulher, porque o que nela nasce vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de todos os seus pecados.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que as luzes de Deus, quer sejam dadas no sono extático ou na vigília, iluminem até o âmago da alma, produzindo, ali, a certeza. A profecia de Isaías ilumina como uma paisagem escura atingida pelo sol.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">José obedece sem hesitar. Acolhe Maria em sua casa, dando ao noivado, assim, a sanção definitiva do casamento. Exteriormente semelhante a todos os outros, o casamento acontece nas vielas de Nazaré. Ao cair da noite, com lâmpadas acesas e ramos de murta, o cortejo de jovens chega para buscar Maria da casa da Anunciação e conduzi-la, cem passos adiante, até a casa de José.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Semelhante à casa de Maria, esta inclui uma gruta em calcário, com uma janela de sótão com vista para o jardim &#8211; será a cela de Maria &#8211; e um anexo de alvenaria, utilizado como cozinha e oficina. Ao lado da bancada de trabalho havia uma esteira onde José descansava.</span><span id="more-32714"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Através deste casamento, como recordarão os genealogistas Mateus e Lucas, Jesus descende de David através de José. Além disso, os dois cônjuges vêm da mesma linhagem real.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este casamento, consagração mútua da sua virgindade, foi, no entanto, necessário, para salvar a honra da mãe e do filho aos olhos dos nazarenos, que ignoravam o mistério da concepção virginal, e para fornecer um protetor corajoso a estas duas fraquezas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Figura admirável, este simples operário de alma real, modelo de abnegação e de coragem silenciosa. De agora em diante, nada perturbaria a paz, a confiança mútua do casal. A provação consagrou novamente essa confiança. Sua justiça, numa hora de trágica escuridão, disse-lhes&#8230; não julgueis!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Não julgueis!</em> José não julgou o silêncio de Maria. Maria não julgou as ansiedades de José. Que lição! Como erramos ao ignorar distraidamente esses incidentes. Deus os nesta linha divisória dos mundos, para dar-lhes um valor eterno. Naquela época, Herodes tinha mandado degolar sua esposa Mariamne. Era a barbárie&#8230; é a nossa nova barbárie. A cena que acabamos de contemplar moldou a nossa civilização. Os nossos antepassados meditaram sobre ela, e dessa meditação nasceu uma nova civilização&#8230; <em>não julgueis</em>!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Que dizer o que os lares cristãos de nossos antepassados perduraram em delicadeza, paciência e respeito mútuo por esta cena, que os catequistas nunca deixaram de comentar com as palavras de Jesus&#8230; <em>não julgueis e não sereis julgados!</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não julgueis precipitadamente! Contudo, é quase sempre imprudente tentar avaliar o significado moral das ações dos outros. É claro que fatos repreensíveis devem ser condenados, mas isso só pode ser feito por um juiz, que tenha a competência, a autoridade e o conhecimento daquilo que julga&#8230; encontre-me um homem capaz de julgar o coração de outro homem&#8230; há apenas um, Seu nome é Jesus, e Ele é a Luz deste casebre de Nazaré. Quem, além daquele que examina os corações e as mentes, pode orgulhar-se de fazer um julgamento justo sobre as consciências?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Ignorantes feci</em> &#8230; dirá São Paulo falando das suas atrocidades para com os cristãos&#8230; <em>Eu não sabia, agia de boa fé&#8230;</em> Jesus sabia da ignorância de Saulo, muito antes de Paulo se conscientizar disso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Não julgueis&#8230;</em> Conhecemos melhor receita para os nossos lares do que esta? José era justo. O Evangelho contenta-se com este louvor, e ele é suficiente. Justo, portanto, severo consigo mesmo, tolerante com os outros, servo da justiça, e não o seu senhor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma paz divina reina no casebre de Nazaré, para ali revelar o Amor&#8230; O inverno palestino chegou com suas trombas d’água que transformam as ruas em torrentes. É a hora das doces vigílias solitárias para ambos os cônjuges. Entreis numa destas casas na antiga Nazaré, à beira do souk, à noite, e revivereis as horas que José e Maria ali viveram. O carpinteiro guardou suas ferramentas de trabalho. Maria acendeu a lamparina de barro no alqueire e preparou a mesa. Apresentou a José o jarro das abluções, serviu-o, encheu-lhe o cálice e ofereceu-lhe o pão que ele devia abençoar e partir primeiro. Perto está o berço luminoso feito por José, onde esta criança maravilhosa adormeceu.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O olhar de José repousa sobre esta criança, seu filho. Então ele olha para sua jovem esposa com respeitosa admiração. É assim que ele ama sua esposa. Ela é linda, como a noiva dos Cânticos, de inefável beleza. Uma pureza de alma perfeita, que transfigura os traços; uma claridade luminosa de inocência imaculada. E também ela ama este homem com o seu olhar límpido. Quando ele colocou o anel de ouro no seu dedo, quis ser o servo dos planos divinos, o amigo paternal e terno. Ambos sorriem com a alegria do seu segredo: o céu visitou a terra, o seu segredo está ali diante dos seus olhos&#8230; Amam-se, como nenhum marido amou a sua mulher, como nenhuma mulher amou o seu marido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao redor deste menino, no silêncio da sua adoração, estes dois esposos reabilitam esta grande coisa que é o amor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Amor, essa coisa divina, já que Deus quis ser chamado de Amor, <em>CARITAS,</em> a humanidade arrastou-o na lama. Platão, no seu Banquete, tentou purificá-lo. Ele suspeitava do papel da beleza visível, reflexo do invisível, destinado a despertar em nós o amor destas belezas mais elevadas, das almas e de Deus. Mas ele também foi levado pelo turbilhão das Bacantes. Até o belo sonho tinha sido esquecido. A grande coisa que é o amor, maior que a fé e a esperança, tornara-se uma coisa muito pequena, ao alcance da humanidade mais medíocre, da animalidade mais brutal. O amor, esse nobre servo, criado por Deus para garantir a propagação da espécie e a sua educação, a colaboração das almas, na unidade e perpetuidade do lar, criado para fazer vislumbrar, no espelho das criaturas, a beleza que é a fonte de toda a beleza, esse servo real, o paganismo o transformou num tirano de almas e corpos. O servo da vida tornou-se seu coveiro, desintegrando o lar entregue ao divórcio, matando o nascituro, asfixiando a mente e o coração com suas obsessões.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esta casa de Nazaré, templo de paz e de amor reabilitado, mostra-nos a forma mais pura de amor que é a virgindade voluntária. Esta revelação deu origem à geração de mulheres castas que renunciam às alegrias providenciais do matrimônio, não por egoísmo, mas por maior devoção à família das almas. E ela deu à luz também a este amor conjugal, a glória do lar cristão. Amor que conhece os seus direitos, menos numerosos que os seus deveres. Porque quem ama dá-se a si mesmo, pois o fim último do amor é o sacrifício.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tal amor traz consigo a sua primeira recompensa. É invulnerável. De onde poderia vir a sua morte? Do sofrimento? O amor é o verdadeiro triunfo dos cabelos brancos e da própria morte. O túmulo é a sua apoteose, pois uniu as almas mais do que os corpos, e não se sepultam as almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Oh lição de Nazaré! Infelizmente, esquecemo-nos de ti, e é por isso que as nossas famílias e as nossas cidades estão vacilando. A família em ruínas, a criança, esse incômodo, é sacrificada no corpo ou, pelo menos, na alma&#8230; gerações de degenerados que virão, abutres, desvairados, deslizando da luxúria para a cocaína, do asilo para a prisão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Bendita seja a visão de Nazaré, visão de paz e de triunfo na virgindade&#8230; aqui brilham o primado do espírito e a juventude imperecível!</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Vincent Bétin, FSSPX</span></strong></p>
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