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	<title>DOMINUS EST &#187; Crise na Igreja</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>VATICANO: MONS. BUX PEDE ESCLARECIMENTOS SOBRE AS MEDIDAS TOMADAS EM RELAÇÃO À SRA. MULLALLY</title>
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		<pubDate>Tue, 05 May 2026 14:09:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Heresia]]></category>

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		<description><![CDATA[Os recentes acontecimentos que se desenrolaram durante a visita a Roma de Sarah Mullally, primaz da Comunhão Anglicana, suscitaram uma reação crítica por parte dos meios teológicos. O padre e teólogo Dom Nicola Bux alertou para uma possível “confusão” entre &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/vaticano-mons-bux-pede-esclarecimentos-sobre-as-medidas-tomadas-em-relacao-a-sra-mullally/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/bux_mullally_2026.jpg?itok=stFqobu8" alt="" width="580" height="336" /></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><strong><span class="tm7" style="color: #000000;">Os recentes acontecimentos que se desenrolaram durante a <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/leao-xiv-e-a-sra-mullaly-pelo-pe-jean-michel-gleize/">visita a Roma de Sarah Mullally,</a></span> primaz da Comunhão Anglicana, suscitaram uma reação crítica por parte dos meios teológicos. O padre e teólogo Dom Nicola Bux alertou para uma possível <em>“confusão”</em> entre os fiéis devido a certos gestos realizados no Vaticano na presença da líder anglicana.</span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <a href="https://fsspx.news/fr/news/vatican-mgr-bux-demande-une-clarification-pour-les-gestes-envers-mullally-58891"><span style="color: #0000ff;">DICI</span> </a>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Dom Bux publicou um post curto, mas incisivo, no blog </span><em><span class="tm8">Stilum Curiae</span></em><span class="tm7">, no qual questiona esse ato e considera, em particular, as consequências desastrosas que ele acarreta.</span></span></p>
<p class="tm5 tm9" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm11">Uma visita insignificante</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm12" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Este blog já havia criticado a incoerência da Santa Sé e do Papa Leão XIV, que tratou a Sra. Mullally como se fosse um arcebispo e um primaz. Apesar de toda a benevolência que se possa ter, essa recepção é um escândalo no sentido mais forte do termo: é fonte de pecado para os cristãos fiéis.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Em primeiro lugar, e no que diz respeito à doutrina católica, porque a Igreja não reconhece a validade das ordenações anglicanas. Da mesma forma, a Igreja ensina de forma definitiva que não recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo o poder de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres.</span><span id="more-34756"></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Mas também no que diz respeito à Comunhão Anglicana. Por um lado, porque esta é doutrinariamente herética e resultou do cisma do rei da Inglaterra Henrique VIII em 1534. Por outro lado, porque a maioria dos anglicanos se recusa a reconhecer a Sra. Mullally como arcebispa ou “primaz”.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Essa é, notavelmente, a posição da </span><em><span class="tm8">Global South Fellowship of Anglican Churches</span></em><span class="tm7">, que representa cerca de 75% dos 110 milhões de anglicanos em todo o mundo. Em suma, a legitimidade da Sra. Mullally é mais do que contestada.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Por fim, a personalidade de Sarah Mullally é problemática, pois ela apoiou e acompanhou as mudanças mais graves do anglicanismo contemporâneo: bênçãos a casais homossexuais, linguagem de afirmação identitária e posições ambíguas sobre o aborto.</span></p>
<p class="tm5 tm9" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm11">Ações inconsistentes</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm12" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Imagens divulgadas nos últimos dias mostram Mullally realizando gestos associados à autoridade espiritual, como bênçãos na presença de fiéis católicos e prelados, o que levantou questionamentos legítimos.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">O ápice dessa inconsistência foi, sem dúvida, o momento em que Mons. Flavio Pace, secretário do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, fez o sinal da cruz como se estivesse recebendo a bênção da líder anglicana.</span></p>
<p class="tm5 tm9" style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong><span class="tm11">Uma contradição doutrinal</span></strong></span></p>
<p class="Normal tm5 tm12" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Dom Nicola Bux, defensor da Missa Tridentina, respondeu com uma postagem incisiva no blog </span><em><span class="tm8">Stilum Curiae</span></em><span class="tm7">. Ele enfatizou a invalidade das ordenações anglicanas, lembrando que muitos pastores anglicanos convertidos foram ordenados sacerdotes da Igreja Católica, demonstrando assim a invalidade do sacramento da ordem na Igreja cismática da Inglaterra.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm12" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">O que contradiz a mensagem de felicitações do Papa que o cardeal Kurt Koch transmitiu a Sara Mullaly, por ocasião de sua eleição, uma vez que ela não pode ser bispa por ter sido ordenada anglicana, mas também por ser mulher. Ele ressalta ainda que ela nem mesmo é a Primaz de Canterbury, uma vez que dois terços da Comunhão Anglicana não a reconhecem como tal.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Dom Bux não pode deixar de expressar seu espanto diante da atitude do secretário do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Dom Flavio Pace, </span><em><span class="tm8">&#8220;que fez o sinal da cruz enquanto a &#8216;bispa&#8217; anglicana dava a bênção na Capela Clementina&#8221;</span></em><span class="tm7">. E, em uma pergunta retórica, questionou se Koch e Pace haviam percebido a natureza falaciosa de suas ações.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Ele não pode, portanto, concluir de outra forma senão que, seja por ignorância, seja por má-fé, o escândalo e a confusão foram semeados entre muitos católicos. Esse escândalo exige reparação. Quanto à confusão, conclui o teólogo, ela <em>“exige um esclarecimento por parte do Vaticano”</em>.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Parece que o Vaticano e o próprio Leão XIV quiseram comprovar, nos dias que antecederam o início de julho, o <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/o-estado-de-necessidade-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/"><strong>Estado de Necessidade</strong> </a></span>afirmado pela Fraternidade São Pio X, e neutralizar antecipadamente quaisquer sanções que pudessem ser tomadas.</span></p>
<p class="Normal" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
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		<title>É POSSÍVEL IGNORAR O ESTADO DE NECESSIDADE DA IGREJA?</title>
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		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/e-possivel-ignorar-o-estado-de-necessidade-da-igreja/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 04 May 2026 14:12:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Alain Lorans]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde o anúncio das sagrações que ocorrerão em Ecône em 1º de julho de 2026, D.Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão, tem se destacado por assumir diversas posições em favor da Fraternidade São Pio X. Fonte: DICI &#8211; &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/e-possivel-ignorar-o-estado-de-necessidade-da-igreja/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://www.rbsdirect.com.br/imagesrc/14614868.jpg?w=700" alt="Raio atinge Basílica de São Pedro e causa repercussão na internet | GZH" width="520" height="353" /></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><strong><span class="tm7" style="color: #000000;">Desde o anúncio das sagrações que ocorrerão em Ecône em 1º de julho de 2026, D.Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana, no Cazaquistão, tem se destacado por assumir diversas posições em favor da Fraternidade São Pio X.</span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><strong><span class="tm7" style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/peut-ignorer-letat-necessite-dans-leglise-58890">DICI</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Novamente, no final de março, ele lamentou os ataques de que a obra de Dom Marcel Lefebvre é alvo por parte de comunidades ex-Ecclesia Dei. Ele declarou que essa atitude maliciosa lhe lembrava a </span><em><span class="tm8">“situação que São Basílio, o Grande, descreve – no século IV, durante a crise ariana – como uma batalha naval noturna, na neblina, em que, em vez de atacar os navios inimigos, os bons acabam atacando uns aos outros”.</span></em></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Ele acrescentou: &#8220;</span><em><span class="tm8">Considero que nossa situação é a mesma. Por que a Fraternidade de São Pedro ou outros atacariam publicamente a Fraternidade São Pio X, a ameaçariam e a chamariam de cismática?</span></em><span class="tm7">&#8220;</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Segundo ele, as ex-comunidades </span><em><span class="tm8">Ecclesia Dei</span></em><span class="tm7"> deveriam, em vez disso, pedir ao Papa que concedesse o mandato apostólico para essas sagrações episcopais, &#8220;</span><em><span class="tm8">mas, em vez disso, atacam. E correm o risco de entrar para a história como São Basílio descreveu aqueles que, em meio a uma crise, atacaram seus próprios irmãos.&#8221;</span></em></span><span id="more-34750"></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">O prelado compartilha da avaliação da Fraternidade São Pio X sobre o estado de necessidade na Igreja. Ele afirma categoricamente: &#8220;</span><em><span class="tm8">Estamos testemunhando uma situação quase apocalíptica: a disseminação de heresias, a legitimação de comportamentos contrários à lei natural, o sincretismo religioso, o indiferentismo, violações da disciplina sacramental e do celibato sacerdotal, sacrilégios e perda da fé. E isso, por vezes, com o envolvimento de membros do clero em altos escalões hierárquicos&#8221;</span></em></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Nessa situação dramática, ele vê, com razão, um perigo para a lei suprema que rege a Igreja: a salvação das almas, “</span><em><span class="tm8">salus animarum suprema lex”</span></em><span class="tm7">. E considera que as sagrações previstas têm como objetivo o bem da Igreja e das almas. As comunidades ex-Ecclesia Dei minimizam esse estado de necessidade ou o silenciam, preferindo denegrir a Fraternidade São Pio X e condenar as sagrações.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span class="tm7">Mas essas comunidades estão longe de estar unidas, visto que a situação se agravou desde as sagrações de 1988. Alguns de seus membros e fiéis — vítimas de decretos episcopais que seguem </span><em><span class="tm8">a Traditionis Custodes </span></em><span class="tm7"> — dificilmente se convencem com esse quietismo ou silêncio. Eles sofrem, na prática, a situação de precariedade em que os mantém a arbitrariedade de muitos bispos.</span></span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: justify;"><span class="tm7" style="color: #000000;">Assim, a batalha naval noturna e na neblina, descrita por São Basílio, não atinge apenas a Fraternidade São Pio X, mas também os membros e fiéis das comunidades ex-Ecclesia Dei que se recusam a ser meros bajuladores diante desses prelados que os oprimem com uma paternidade feroz. Quando o dia raiar e a neblina se dissipar, veremos danos fratricidas… onde menos se esperava.</span></p>
<p class="Normal tm5 tm6" style="text-align: right;"><strong><span class="tm7" style="color: #000000;">Pe. Alain Lorans, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">*************************************</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO &#8220;<em>ESPECIAL DOS ESPECIAIS</em>&#8221; COM OS MAIS DIVERSOS ESTUDOS SOBRE SAGRAÇÕES, OBEDIÊNCIA, CISMA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/">CLICANDO AQUI </a></span></strong></p>
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		</item>
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		<title>CARTA: QUEM PRESTARÁ CONTAS A DEUS? CONTRA O LEGALISMO SEMÂNTICO DOS MODERNISTAS: A CARIDADE DA VERDADE NAS SAGRAÇÕES DA FSSPX</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/carta-quem-prestara-contas-a-deus-contra-o-legalismo-semantico-dos-modernistas-a-caridade-da-verdade-nas-sagracoes-da-fsspx/</link>
		<comments>http://catolicosribeiraopreto.com/carta-quem-prestara-contas-a-deus-contra-o-legalismo-semantico-dos-modernistas-a-caridade-da-verdade-nas-sagracoes-da-fsspx/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 14:18:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>

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		<description><![CDATA[Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est por Pietro Pasciguei Embora muito já tenha sido escrito nas colunas deste blog (RS) — e com admirável diligência — sobre a natureza das sagrações episcopais da FSSPX, o recrudescimento de recentes ataques &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/carta-quem-prestara-contas-a-deus-contra-o-legalismo-semantico-dos-modernistas-a-caridade-da-verdade-nas-sagracoes-da-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class="" src="https://www.radiospada.org/wp-content/uploads/2026/04/dbc067ef-1473-440d-818f-19a537f4706e.jpg" alt="Lettera / Chi renderà conto a Dio? Contro il legalismo semantico dei modernisti: la carità della Verità nelle ordinazioni della FSSPX" width="599" height="343" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.radiospada.org/2026/04/lettera-chi-rendera-conto-a-dio-contro-il-legalismo-semantico-dei-modernisti-la-carita-della-verita-nelle-ordinazioni-della-fsspx/">Radio Spada</a> </span>– Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>por Pietro Pasciguei</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Embora muito já tenha sido escrito nas colunas deste blog (RS) — e com admirável diligência — sobre a natureza das sagrações episcopais da FSSPX, o recrudescimento de recentes ataques dialéticos contra a Fraternidade nos impõe um dever adicional de testemunho. Não é minha intenção pecar por obstinação ou cair naquela repetitividade estéril que caracteriza nossos detratores; o objetivo não é jogar lenha na fogueira, mas fornecer aos leitores uma <em>“bússola”</em> doutrinária para se orientarem com firmeza entre os fetiches do legalismo burocrático e a realidade objetiva e dramática do <span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/o-estado-de-necessidade-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/">Estado de Necessidade.</a></strong></span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não escrevo para superar em perspicácia aqueles que me precederam – não seria capaz disso –, mas para responder a uma ofensiva teológica específica e dissimulada que tenta usar justamente o Magistério de Pio XII e uma suposta interpretação correta do Concílio Vaticano II como armas para encurralar a Tradição em um beco sem saída. As acusações que aqui iremos refutar não se limitam às habituais denúncias de “<span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/obediencia-e-desobediencia/"><strong><em>desobediência</em></strong></a></span>”, mas tentam uma operação de “<em>cirurgia doutrinária”</em> sobre um ponto nevrálgico: a passagem dos termos <em>potestas</em> para <em>munus</em> na Constituição <em>Lumen Gentium</em>. O objetivo dos oponentes é claro: demonstrar que, segundo a nova eclesiologia, o ato de sagrar sem mandato pontifício é &#8220;<em>intrinsecamente</em>&#8221; cismático, esvaziando efetivamente o conceito de <em>Estado de Necessidade</em>. Nesta contribuição, pretendo demonstrar como a tão alardeada &#8220;<em>hermenêutica da continuidade</em>&#8221; é, neste caso, um castelo de cartas semântico que desmorona assim que comparado ao Magistério perene da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As críticas dirigidas à FSSPX pelas sagrações episcopais de 1º de julho partem de uma premissa de puro legalismo positivista, ignorando o fato de que o direito eclesiástico está a serviço da Fé e não o contrário. Em alguns círculos conservadores ratzingerianos (defensores da nunca comprovada &#8220;hermenêutica da continuidade&#8221;), tenta-se transformar uma questão de sobrevivência doutrinal em um mero debate técnico sobre a palavra <em>munus</em> versus <em>potestas</em>, esquecendo-se de que a Igreja não é uma academia de semântica, mas o Corpo Místico de Cristo, cuja lei suprema é a <em>salus animarum</em>.</span><span id="more-34731"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Argumenta-se, por exemplo, que não há ruptura porque o Concílio usa <em>munera</em> (ofícios) e não <em>potestates</em>  (poderes). Citamos o trecho em questão: <em>&#8220;A sagração episcopal juntamente com o poder de santificar, confere também os poderes de ensinar e governar, os quais, no entanto, por sua própria natureza, só podem ser exercidos em comunhão hierárquica com a cabeça e os membros do colégio episcopal</em>.&#8221; (<em>LG</em> 21).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes do Vaticano II, a doutrina (sancionada por Pio XII na <em>Mystici Corporis</em> e <em>Ad Sinarum Gentem</em>) era clara:</span></p>
<p><span style="color: #000000;">1 &#8211; O <em>Poder da Ordem</em> vem do Sacramento;</span></p>
<p><span style="color: #000000;">2 &#8211; O P<em>oder de jurisdição</em> advém única e exclusivamente da <em>missio canonica</em> conferida pelo Papa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>A Lumen Gentium</em> , ao introduzir a ideia de que o <em>&#8220;pacote completo</em>&#8221; (santificar, ensinar, governar) é transmitido com a sagração, transfere a origem da jurisdição do plano <em>jurídico-pontifício</em> para o  nível  <em>ontológico-sacramental</em> . Dizer que esses ofícios &#8220;<em>não podem ser exercidos&#8221;</em> sem o Papa é uma correção frágil que não altera a essência: o Concílio sugere que o bispo já possui o poder em virtude de sua consagração, e o Papa pode apenas &#8220;<em>regular seu uso</em>&#8220;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É mais uma tentativa de se agarrar a qualquer pretexto citar a <em>Nota Explicativa Previa</em>  para argumentar que é necessária uma &#8220;<em>determinação legal</em>&#8220;. Mas comparemos isso com o Magistério anterior:</span></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;"><strong>Pio XII, <em>Ad Sinarum Gentem</em>  (1954):</strong>  “<em>O poder de jurisdição, que é conferido diretamente por direito divino ao Sumo Pontífice, pertence aos Bispos pelo mesmo direito, mas apenas através do Sucessor de São Pedro</em>”.</span></li>
<li><span style="color: #000000;"><strong>Pio XII, <em>Mystici Corporis</em>  (1943):</strong>  <em>“Os bispos […] no que diz respeito à sua própria diocese […] não são inteiramente independentes, mas estão sujeitos à devida autoridade do Romano Pontífice, gozando, ao mesmo tempo, do poder ordinário de jurisdição, que  lhes é imediatamente comunicado pelo mesmo Sumo Pontífice</em>”.</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se a jurisdição é &#8220;comunicada imediatamente pelo Papa&#8221; (Pio XII), ela não pode ser &#8220;<em>conferida pela sagração episcopal</em>&#8221; (<em>LG</em> 21). Aqueles que afirmam que a distinção entre <em>munus</em> e <em>potestas</em> resolve tudo estão enganados: se o <em>munus regendi</em> (o ofício de governar) está no sacramento, então a raiz do governo não é mais o mandato do Papa, mas a própria ordenação. Esta é a <em>colegialidade</em> que a FSSPX sempre denunciou como um ataque à Primazia Petrina.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sustenta-se também que <em>a Lumen Gentium</em> não pretende, de forma alguma, que o poder de jurisdição seja conferido com a consagração episcopal, e isso também fica claro pelo que consta na <em>Nota previa explicativa</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A própria existência da <em>Nota Explicativa Previa</em> é a prova da ruptura! Por que Paulo VI teve que impor uma &#8220;<em>Nota&#8221;</em> esclarecedora no último minuto? Porque o texto básico da <em>Lumen Gentium</em> estava tão impregnado de doutrinas duvidosas (equiparando sagração com jurisdição) que os Padres do <em>Coetus Internationalis Patrum</em> (incluindo D. Lefebvre) protestaram veementemente. O fato de um apêndice esclarecedor ter sido necessário para um documento que deveria ser &#8220;dogmático&#8221; prova que o texto básico era, no mínimo, temerário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Utiliza-se a Nota como escudo, mas a Nota é apenas um remendo colocado em uma roupa rasgada. O texto de LG 21 continua sendo a base para aqueles que hoje defendem que o Papa é apenas um “primeiro entre iguais” no colégio episcopal, esvaziando o dogma de Vaticano I.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem emitir julgamentos precipitados sobre as intenções subjetivas, é sabido que a ala progressista no Concílio pressionava imperturbavelmente por uma mudança na estrutura hierárquica da Igreja no sentido de uma aristocracia dos bispos, que governariam a Igreja transformando o Papa em um mero presidente honorário. Até mesmo o padre Schillebeeckx, teólogo modernista, escandalizou-se com a manobra que consistia em &#8220;dizer as coisas diplomaticamente, reservando-se o direito de tirar as consequências após a conclusão do Concílio&#8221; (Citado em Raymond Dulac, <em>La collégialité épiscopale au 2e Concile du Vatican</em>, DMM, 1979, pp. 145-146).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Na visão de muitos Padres Conciliares, o propósito do Concílio Vaticano II era contrabalançar o ensinamento do Concílio Vaticano I sobre a primazia papal com uma doutrina explícita de colegialidade episcopal. Assim como a doutrina da primazia papal esclarecia o direito do Papa de governar sozinho a Igreja universal, a doutrina da colegialidade visava estabelecer o direito dos bispos de governar a Igreja universal em união com o Papa. E era de se esperar que a colegialidade fosse interpretada de maneiras diferentes por diversos grupos dentro do Concílio. Entre os apoiadores da Aliança Europeia, por exemplo, alguns teólogos sustentavam que o Papa era obrigado, em consciência, a consultar o Colégio de Bispos sobre assuntos importantes. [&#8230;] O Arcebispo indiano D&#8217;Souza [afirmou que] o bem comum da Igreja [&#8230;] seria fortemente promovido “se um Senado, por assim dizer, fosse formado por bispos de vários países, que pudessem governar a Igreja juntamente com o Sumo Pontífice”. Mas seria ainda mais desejável se, &#8220;por um lado, o poder da Cúria Romana fosse limitado e, por outro, aos bispos fossem concedidas todas as faculdades para o exercício de seu ofício, que lhes pertencem pelo direito comum e pelo direito divino&#8221;. A Sé Apostólica, disse ele, sempre &#8220;manteria o direito de reservar para si as coisas que são convenientes para o bem de toda a Igreja&#8221;. O discurso do Arcebispo D&#8217;Souza foi recebido com enormes aplausos&#8221;</em> (Ralph M. Wiltgen, <em>The Rhine Flows into the Tiber. An Internal History of Vatican II</em>, Effedieffe, Proceno (VT) 20244, 134-135.138).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nesse contexto, vale a pena lembrar a figura do cardeal progressista Léon-Joseph Suenens, um dos principais promotores da colegialidade episcopal, que também figurou entre os mais ferrenhos opositores da encíclica <em>Humanae vitae</em> (1968). oi precisamente Suenens, ao criticar publicamente o conteúdo da encíclica, que deu impulso a uma onda de dissidência episcopal sem precedentes na história moderna da Igreja, abrindo de fato o caminho para uma prática de oposição entre o Papa e episcopados inteiros. É, portanto, legítimo concluir que a doutrina da colegialidade, mais do que expressar um autêntico desenvolvimento orgânico da Tradição, serviu a um projeto eclesiológico alternativo, no qual o primado petrino fosse relativizado em favor de uma gestão “sinodal” do poder eclesial, inspirada em modelos mais democráticos do que apostólicos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há uma ironia adicional naqueles que acusam a FSSPX de <em>“separar os dois poderes</em>”, visto que é precisamente essa separação (Ordem e Jurisdição) que permitiu à Igreja permanecer unida durante séculos. A FSSPX respeita o Magistério de sempre, admitindo não possuir jurisdição ordinária porque o Papa não a conferiu; e <em>respeita o Sacramento</em>, utilizando o poder de ordem validamente recebido para o bem dos fiéis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao endossar a hermenêutica conciliar, os críticos acabam admitindo que o sacramento <em>&#8220;confere o ofício de governar&#8221;,</em> incorrendo assim no próprio erro que alegam que a FSSPX está cometendo. Se o sacramento confere o ofício de governar, então todo bispo ordenado tem um direito &#8220;sacramental&#8221; de governar, o que é o caminho real para o parlamentarismo eclesial.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Eles mentem quando falam de continuidade. <em>A Lumen Gentium</em> 21 alterou objetivamente a doutrina sobre a origem da jurisdição. A FSSPX, mantendo-se fiel à distinção de Pio XII, não cai em cisma, porque não reivindica possuir uma jurisdição que não lhe foi dada, mas não renuncia ao poder de ordem que Deus lhe conferiu <em>para a salvação das almas</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cisma consiste propriamente na recusa de submissão ao Sumo Pontífice ou na comunhão com os membros da Igreja. Ora, a FSSPX declara solenemente a sua submissão ao Primado de Pedro, mas resiste às ordens que considera prejudiciais à Fé. A distinção entre <em>potestas ordinis</em> e <em>potestas iurisdictionis</em> não é uma <em>“maneira de evitar o problema”</em>, mas a própria base da teologia católica que impede a confusão entre a validade sacramental e a autoridade de governo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Cita-se a encíclica Ad Apostolorum Principis: </em>&#8220;<em>Os sagrados cânones, de fato, estabelecem clara e explicitamente que cabe exclusivamente à Sé Apostólica julgar sobre a idoneidade de um eclesiástico</em>&#8220;, descontextualizando o magistério de Pio XII. Essa encíclica foi dirigida à Igreja <em>&#8220;patriótica</em>&#8221; chinesa, que visava substituir a autoridade do Papa pela do Estado, criando uma hierarquia paralela com jurisdição autônoma. A FSSPX não reivindica qualquer jurisdição ordinária. Seus bispos não ocupam cátedras alheias; eles são &#8220;<em>bispos auxiliares</em>&#8220;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja reconhece o <em>Estado de Necessidade</em>. Mesmo o Código de Direito Canônico de 1983 (Cân. 1323, 4º e 7º) isenta de qualquer pena aqueles que agem sob coação, ou mesmo aqueles que acreditam erroneamente que existe uma necessidade. Na crise atual, em que a doutrina está obscurecida e a Missa de sempre é perseguida, a necessidade não é uma opinião, mas um fato objetivo. Como escreveu <span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/02-de-maio-santo-atanasio/">Santo Atanásio durante a crise ariana: <em>&#8220;Eles têm os edifícios, mas nós temos a Fé</em> &#8220;</a></strong></span>. Se a autoridade já não provê o pão da sã doutrina, os filhos têm o direito de se voltar para aqueles que guardam esse pão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Chega-se a afirmar que o Concílio de Trento lança anátema sobre aqueles que afirmam ser <em>“ministros legítimos da Palavra e dos sacramentos”</em> aqueles que não foram “<em>regularmente ordenados e enviados pela autoridade eclesiástica”</em> (Denz. 1777). Aqui incorremos em erro histórico. Trento (Sess. XXIII, cân. 7) condenou a tese protestante segundo a qual o povo ou o poder civil poderiam nomear pastores. A FSSPX afirma que seus bispos são legítimos não porque possuem jurisdição territorial, mas porque possuem uma <em>jurisdição de suplência</em>. A Igreja, como sociedade perfeita, possui em si os meios para suprir as falhas da autoridade terrena quando esta não age para o fim para o qual foi instituída (<em>a salvação das almas</em>). Eles não são<em> “ilegítimos”</em> no sentido de Trento (heréticos), mas “<em>irregulares”</em> no sentido disciplinar, devido à crise que impede uma aprovação formal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por fim, uma acusação grave: &#8220;<em>A Fraternidade entrou, de fato, no beco sem saída do cisma. E por isso, terá de responder</em>.&#8221; Quem realmente terá de responder perante o tribunal do Justo Juiz? Deverá tremer aquele que, diante do espetáculo dilacerante de um rebanho disperso, envenenado pelos pastos modernistas e abandonado por mercenários disfarçados de pastores, caminhou em direção ao altar para consagrar novos guardiões da Tradição, transmitindo o fogo do sacerdócio para que não se extinguisse na escuridão da apostasia? Ou terá de responder, antes, aquele que &#8220;presidiu&#8221;, com euforia culpável ou silêncio cúmplice, ao desmantelamento sistemático da <em>Cidade de Deus</em>?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quem será responsabilizado pelo sangue das almas perdidas devido a uma &#8220;reforma&#8221; litúrgica que, conscientemente, protestantizou o culto católico, esvaziando os tabernáculos e transformando o Sacrifício Propiciatório em uma refeição comunitária onde o homem celebra a si mesmo? Quem responderá pela ignomínia de Assis, onde, sob o olhar dos Sucessores de Pedro, a adoração de demônios foi equiparada à oração ao Único Deus Verdadeiro, ou pela traição da Realeza Social de Cristo, trocada por uma inaceitável &#8220;liberdade religiosa&#8221; que condenou nações católicas à apostasia do Estado?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quem terá de prestar contas da contradição sem precedentes e grotesca que vê a Hierarquia, por um lado, assinar a declaração de Abu Dhabi — elevando a apostasia da <em>“pluralidade das religiões”</em> a uma sábia vontade divina (como se o erro e a Verdade pudessem brotar da mesma Fonte sagrada) — e, por outro lado, negar indignadamente o título de Corredentora à Virgem Maria, sob o pretexto de que isso <em>“obscureceria”</em> a singularidade da Redenção de Cristo? Como alguém pode se justificar blasfemando contra a missão do Redentor, equiparando-a a falsos cultos, e ao mesmo tempo ousando humilhar a Rainha do Céu, rebaixando-a, aquela que aos pés da Cruz <em>&#8220;sofreu tanto e quase morreu com seu Filho paciente e moribundo, por desígnio divino, e que imolou seu Filho para aplacar a justiça divina, de modo que se possa dizer com justiça que ela, juntamente com Cristo, redimiu o gênero humano&#8221;</em> (Bento XV, Carta Apostólica <em>Inter sodalicia</em>, 1918)? Não é esta a suprema prova da hipocrisia modernista: legitimar o erro de Maomé ou dos ídolos pagãos como &#8220;as riquezas da humanidade&#8221; e, no entanto, censurar Maria Santíssima para não ofender os protestantes?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quem terá que prestar contas pelo espetáculo vergonhoso e sacrílego de uma <em>&#8220;bispa&#8221;</em> anglicana recebida com grande pompa nas basílicas romanas? Quem responderá perante Deus por ter estendido o tapete vermelho para uma mulher que personifica todos os erros modernos — herege, cismática, feminista, etc. — permitindo-lhe simular uma <em>&#8220;bênção&#8221; litúrgica onde não há sacerdócio nem graça (não apenas por ser mulher e incapaz de receber as Ordens Sagradas, mas porque, em virtude da sentença definitiva de Leão XIII em Apostolicae Curae , até mesmo as ordenações anglicanas masculinas são &#8220;absolutamente nulas e sem efeito&#8221;</em>), na presença de um bispo católico (?) fazendo o sinal da cruz devotamente diante de uma paródia do sagrado? Quem prestará contas por essa zombaria infligida à dignidade das Ordens Sagradas e à memória dos mártires que derramaram seu sangue contra o cisma inglês?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quem prestará contas pela ambiguidade que hoje profana o Matrimônio e a Eucaristia, distribuindo indiscriminadamente o Corpo de Cristo (possivelmente na mão!), àqueles que vivem em adultério público, anulando de fato a Lei que Cristo selou com Seu Sangue?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Será que o médico que realiza uma cirurgia de emergência porque o hospital está em chamas é um cismático, ou será que o diretor que impede a intervenção invocando o regulamento enquanto os pacientes se queimam é um cismático?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É o eterno drama do legalismo farisaico: invoca-se a submissão jurídica para impor um suicídio espiritual coletivo, esquecendo-se de que a Hierarquia não é senhora da Fé, mas sua serva. Quando a autoridade é usada para destruir o que deveria edificar, a resistência não é rebelião, mas verdadeira caridade. Diante de Deus, não valerão os sofismas sobre a distinção entre <em>munus</em> e <em>potestas</em>, usados ​​como disfarce para a apostasia silenciosa. Válida será apenas a resposta a uma pergunta terrível: <em>“O que fizeste dos Meus pequeninos?”</em>. A Fraternidade São Pio X os alimentou e os alimenta com a Verdade que não se põe; seus críticos respondem oferecendo-lhes a pedra de um direito canônico reduzido a uma casca vazia, brandida contra aqueles que, por amor a Roma, não podem se curvar à traição dos modernistas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A submissão ao Papa não é uma obediência cega a todos os seus desejos, mas uma obediência ao ofício papal enquanto garante da Tradição. Se o Papa se cala sobre a Fé ou permite a sua corrupção, a fidelidade ao Papado de sempre pode impor a “desobediência” ao Papa do momento. As ordenações de 1º de julho não são um ato de rebelião, mas um ato de amor extremo para com a Igreja, para que o sacerdócio católico não se extinga sob as ruínas do modernismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Por isso, cingimo-nos com firmeza a tudo o que foi crido e praticado na fé, costumes, culto, ensino do catecismo, formação do sacerdote e instituição da Igreja, pela Igreja de sempre, e codificado nos livros publicados antes da influência modernista do Concílio, à espera de que a verdadeira luz da Tradição dissipe as trevas que obscurecem o céu da Roma eterna.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Fazendo assim, com a graça de Deus, o socorro da Virgem Maria, de São José e de São Pio X, estamos convictos de permanecer fiéis à Igreja Católica e Romana e a todos os sucessores de Pedro, e de ser os ‘fideles dispensatores mysteriorum Domini Nostri Jesu Christi in Spiritu Sancto’. Amem. (cf. I Cor. 4, 1 e ss.)” <span style="color: #0000ff;">(<a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/declaracao-do-ano-de-1974/"><strong>D. Marcel Lefebvre, Declaração de 21 de novembro de 1974)</strong></a></span></em></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">*************************************</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO &#8220;<em>ESPECIAL DOS ESPECIAIS</em>&#8221; COM OS MAIS DIVERSOS ESTUDOS SOBRE SAGRAÇÕES, OBEDIÊNCIA, CISMA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/">CLICANDO AQUI </a></span></strong></p>
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		<title>LEÃO XIV E A SRA. MULLALY – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 13:50:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Ecumenismo]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Jean-Michel Gleize]]></category>

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		<description><![CDATA[Tendo permanecido até agora indiferente às iniciativas empreendidas pelo Superior Geral da Fraternidade São Pio X para obter dele uma simples audiência, o Papa Leão XIV recebeu no Vaticano, nesta segunda-feira, 26 de abril, com todas as honras devidas a &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/leao-xiv-e-a-sra-mullaly-pelo-pe-jean-michel-gleize/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/image4_4.png?itok=1ApDnbsY" alt="" width="512" height="299" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Tendo permanecido até agora indiferente às iniciativas empreendidas pelo Superior Geral da Fraternidade São Pio X para obter dele uma simples audiência, o Papa Leão XIV recebeu no Vaticano, nesta segunda-feira, 26 de abril, com todas as honras devidas a um arcebispo, a representante oficial do cisma anglicano, que incentiva o lobby LGBT, se declara aberta à possibilidade do aborto e recebeu uma ordenação inválida, perpetrada em desrespeito ao direito divino.</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/leon-xiv-et-madame-mullaly-58806">DICI</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Uma visita estranha</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Uma mulher atravessa o pátio de São Dâmaso no Vaticano, vestida com uma batina púrpura, uma faixa, um colarinho romano, uma cruz peitoral e um anel episcopal. Cardeais a saúdam, abrem-lhe as portas e a acompanham até o gabinete do Papa. Ela posará ao lado de Leão XIV. Receberá as honras devidas a um primaz. Ela abençoará a todos, conforme o costume dos bispos. A imagem circulará pelas primeiras páginas, abrirá os noticiários televisivos, ficará gravada nos livros de história ecumênica. E a imagem dirá, sem palavras, mas com extrema eloquência, o seguinte: diante dessa pessoa e diante do sucessor de Pedro, os sinais sacramentais são intercambiáveis..</em> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa equivalência visual é falsa. E é falsa de uma forma realmente importante, porque os sinais sagrados não são meros ornamentos protocolares. São o que Santo Agostinho chamava de <em>verba</em> <em>visibilia</em>, palavras visíveis: comunicam uma realidade teológica. [&#8230;] Significam que aquele que os ostenta recebeu, pela imposição de mãos em sucessão apostólica ininterrupta, o poder da ordenação, o caráter sacramental. [&#8230;] Esse poder é, na fé católica, a única razão pela qual o bispo se veste como se veste e abençoa como abençoa. Quando o sinal é separado de seu conteúdo, ele não permanece neutro: torna-se ativo na direção oposta. Informa que o conteúdo nunca importou de fato(1).</span><span id="more-34722"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> “<em>Este tipo de gesto não corresponde a um ecumenismo baseado na clareza doutrinal, mas dilui os limites que a própria Igreja precisamente definiu </em>” (2).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Assim se expressa o site &#8220;<em>Infovaticana</em>&#8220;, um site conservador fundado pelo jornalista espanhol Gabriel Ariza(3). Todos — pelo menos entre aqueles que ainda mantém a fé católica e à razão — concordarão que seria difícil contestar essa afirmação. E o que mais se poderia dizer?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>As origens profundas do anglicanismo: um cisma herético complexo</strong>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A mulher que percorreu os corredores do Vaticano no final de abril de 2026 era ninguém menos que Sarah Mullaly, Primaz da Comunhão Anglicana e Arcebispa de Canterbury. Ela foi de fato recebida pelo Papa Leão XIV na manhã de segunda-feira, 27 de abril de 2026. Mas, ainda hoje, permanece à frente de uma pseudoigreja, que na realidade representa uma ruptura com a verdadeira Igreja, uma dupla ruptura de cisma e heresia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Comunhão Anglicana, de fato, teve origem no cisma provocado em 1534 pelo Rei Henrique VIII da Inglaterra (1509-1547) com o Ato de Supremacia, que consistia no princípio da rejeição da jurisdição papal sobre a Igreja da Inglaterra. Pior ainda, sob o reinado do sucessor de Henrique VIII, o jovem Rei Eduardo VI (1547-1553), por instigação do Arcebispo de Canterbury, Thomas Crammer, o Reino da Inglaterra aderiu á heresia protestante. Em 1549, Crammer aboliu a antiga liturgia e compôs o <em>Livro de Oração Comum</em>, ou <em>Livro de Oração</em>, o equivalente ao missal e breviário católicos para os protestantes na Inglaterra. Paralelamente, em 1550, surgiu o novo <em>Ordinal</em> Anglicano , com os ritos de ordenação às ordens sagradas: este é o rito cuja invalidade Leão XIII definiria em 1896. Por fim, ainda em 1552, Crammer publica uma Confissão de Fé em 42 artigos, essencialmente calvinista, com pontos da doutrina luterana, zwingliana e católica.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após um breve retorno ao catolicismo sob o reinado de Maria Tudor (1553-1558), o Reino da Inglaterra mergulhou definitivamente no cisma e na heresia sob Elizabeth I (1558-1603). Em 1559, a rainha depôs os quinze bispos do reino que se recusaram a prestar juramento de respeito ao Ato de Supremacia. Todos os bispados do reino ficaram vagos. Uma nova hierarquia precisava ser criada. Em 1º de agosto de 1559, Matthew Parker foi eleito Arcebispo de Canterbury pelo capítulo; sua sagração ocorreu em 17 de dezembro de 1559. Seguiu-se uma grande perseguição anticatólica, durante a qual muitos católicos morreram como mártires (entre eles o jesuíta Santo Edmundo Campion). </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Ordenações inválidas e pseudo-bispos</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A consagração de Matthew Parker é a origem de toda a hierarquia anglicana e foi declarada inválida pelo Papa Leão XIII em 1896. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os Papas já haviam declarado essa invalidade de forma consistente, muito antes da declaração de Leão XIII, por exemplo, Júlio III em 1554 e Paulo IV em 1555. E até o século XIX, a Igreja sempre exigiu que a pessoa fosse reordenada incondicionalmente e como se o ordenando nunca tivesse recebido nada, visto que os ministros haviam recebido as ordens na comunhão anglicana, segundo o rito de Eduardo VI. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O ato solene e infalível que estabelece definitivamente a invalidade de princípio das ordenações anglicanas é a Carta Apostólica <em>Apostolicae curae,</em> de 18 de setembro de 1896.(4) O Papa Leão XIII explica nela que o próprio rito de ordenação desenvolvido e usado pelos anglicanos não é o verdadeiro rito da Igreja. As ordenações conferidas segundo esse rito são, portanto, inválidas por três razões: primeiro, por falta de forma; segundo, por falta de intenção, porque o ministro que usa esse rito não pode ter a intenção exigida, que é fazer o que a Igreja faz, isto é, usar o seu rito; terceiro, por falta de um ministro, visto que, desde a consagração de Matthew Parker, nenhum ministro da Comunhão Anglicana é verdadeiramente sacerdote ou bispo. Embora alguns pseudo-bispos anglicanos tenham conseguido, ao longo dos últimos dois séculos, solicitar e obter uma ordenação válida de bispos cismáticos ortodoxos, o fato é que as ordenações conferidas por esses ministros anglicanos sempre foram inválidas pelos dois primeiros motivos indicados acima.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Leão XIV acumula escândalos</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após o Jubileu Ecumênico, após a viagem à Turquia e a recitação do Credo sem o &#8220;Filioque&#8221;, omitido para não ofender os ortodoxos, o Papa Leão XIV agora se aventura no surreal. Esta visita de Sarah Mullaly vai muito além do escopo de uma simples visita diplomática. Trata-se claramente da visita de uma líder religiosa, recebida como tal por outro líder religioso, o Arcebispo de Canterbury e o Bispo de Roma, dois chefes de Igrejas que se consideram irmãs. Já na Mensagem que lhe dirigiu por ocasião de sua entronização(5), em 20 de março, o Papa expressou reconhecimento oficial da missão da Sra. Sarah, invocando o Espírito Santo por ela em diversas ocasiões e pedindo o Espírito da Sabedoria. Ao fazer isso, Leão XIV dá a impressão de considerar a pseudo-Igreja Anglicana como um instrumento de salvação, na medida em que encoraja a Sra. Mullaly – que não é mais bispa do que Santa Joana d&#8217;Arc – em sua missão. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ao autorizar também todo este protocolo, que não é apenas um protocolo simples, como nos lembra o site &#8220;Infovaticana&#8221;, o Papa Leão XIV coloca-se em aberta contradição com os seus dois predecessores, Leão XIII, que declarou a invalidade das ordenações anglicanas, e também João Paulo II, que, pela Carta Apostólica <em>Ordinatio sacerdotalis</em> de 22 de maio de 1994, condenou a possibilidade de ordenar mulheres às funções sagradas do sacerdócio(6).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">O estado de necessidade</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os últimos escrúpulos que ainda poderiam fazer hesitar certas consciências, desde que o Superior Geral da Fraternidade São Pio X anunciou novas sagrações episcopais para o próximo dia 1º de julho, não devem encontrar aqui motivo para preocupação. Sem dúvida, sim, a operação prevista pela Fraternidade apresenta um aspecto um tanto paradoxal, já que envolve a sagração de bispos contra a vontade do Papa. Mas não é o paradoxo mais escandaloso, por parte do Papa Leão XIV, essa atitude que leva a complacência ecumênica além dos seus limites? Que credibilidade poderia o Sumo Pontífice encontrar, depois disso, em excomungar aqueles que desejam permanecer fiéis ao ensinamento de Leão XIII, que declarou inválidas as ordenações anglicanas? Ou mesmo ao de João Paulo II, que declarou impossível ordenar mulheres bispas? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Será que as coroações de 1º de julho levarão Leão XIV a demonstrar um rigor e uma severidade nunca antes vistos nele? Alguns já o profetizam (7). Se assim fosse, ele traria sobre a santa Igreja de Deus, já profundamente afligida pelas consequências incessantes e cada vez piores do Concílio Vaticano II, o escândalo indizível de uma injustiça flagrante. Tendo permanecido até então surdo aos pedidos de D. Davide Pagliarani por uma simples audiência, o Papa recebe com todas as honras devidas a um arcebispo a representante oficial do cisma anglicano, que apoia o movimento LGBT, que se declara aberta à possibilidade do aborto(8) e que recebeu uma ordenação inválida, perpetrada em desrespeito ao direito divino.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Padre Jean-Michel Gleize, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">*************************************</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO &#8220;<em>ESPECIAL DOS ESPECIAIS</em>&#8221; COM OS MAIS DIVERSOS ESTUDOS SOBRE SAGRAÇÕES, OBEDIÊNCIA, CISMA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/">CLICANDO AQUI </a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<ul>
<li><a href="https://infovaticana.com/fr/2026/04/26/qui-est-sarah-mullally-la-eveque-recue-avec-honneurs-a-rome/">https://infovaticana.com/fr/2026/04/26/qui-est-sarah-mullally-la-eveque-recue-avec-honneurs-a-rome/</a></li>
<li><a href="https://infovaticana.com/fr/2026/04/25/polemique-benediction-de-sarah-mullally-au-vatican-avant-sa-reunion-avec-le-pape/">https://infovaticana.com/fr/2026/04/25/polemique-benediction-de-sarah-mullally-au-vatican-avant-sa-reunion-avec-le-pape/</a></li>
<li>Gabriel Ariza não goza de boa reputação no Vaticano: <a href="https://benoit-et-moi.fr/archives/2018/actualite/vatican-vs-infovaticana.html">https://benoit-et-moi.fr/archives/2018/actualite/vatican-vs-infovaticana.html</a></li>
<li><a href="https://www.vatican.va/content/leo-xiii/la/apost_letters/documents/litterae-apostolicae-apostolicae-curae-13-septembris-1896.html">https://www.vatican.va/content/leo-xiii/la/apost_letters/documents/litterae-apostolicae-apostolicae-curae-13-septembris-1896.html</a></li>
<li><a href="https://www.vatican.va/content/leo-xiv/fr/messages/pont-messages/2026/documents/20260320-arcivescovo-canterbury.html">https://www.vatican.va/content/leo-xiv/fr/messages/pont-messages/2026/documents/20260320-arcivescovo-canterbury.html</a></li>
<li><a href="https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/fr/apost_letters/1994/documents/hf_jp-ii_apl_19940522_ordinatio-sacerdotalis.html">https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/fr/apost_letters/1994/documents/hf_jp-ii_apl_19940522_ordinatio-sacerdotalis.html</a></li>
<li><a href="https://tribunechretienne.com/le-pape-leon-xiv-serait-pret-a-excommunier-la-fraternite-saint-pie-x/">https://tribunechretienne.com/le-pape-leon-xiv-serait-pret-a-excommunier-la-fraternite-saint-pie-x/</a></li>
<li><a href="http://www.belgicatho.be/archive/2025/10/04/une-femme-soutenant-l-avortement-et-la-cause-lgbt-nommee-nou-6565177.html">http://www.belgicatho.be/archive/2025/10/04/une-femme-soutenant-l-avortement-et-la-cause-lgbt-nommee-nou-6565177.html</a><br />
Sarah Mullally expressou suas opiniões pró-aborto em um blog, onde escreveu em 2012: “<em>Acho que descreveria minha abordagem a essa questão como pró-escolha em vez de pró-vida(sic), embora, se fosse um espectro, eu me colocaria em algum lugar entre pró-vida em relação à minha própria escolha e pró-escolha em relação à escolha de outros, se isso fizer sentido</em>.”</li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>VÍDEO/CURSO 11: BENTO XVI &#8211; O MODERNISMO SOB A CAPA CONSERVADORA</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 19:58:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo e Fotos]]></category>
		<category><![CDATA[Dom Lourenço Fleichman]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Bento XVI]]></category>

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		<description><![CDATA[Dom Lourenço Fleichman apresenta de modo sucinto e resumido alguns aspectos do estranho pontificado do papa Ratzinger. Intelectual renomado, com aspectos conservadores que agradavam a muitos, mas escondiam armadilhas teológicas sérias. O retorno relativo da missa de sempre, o levantamento &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/videocurso-11-bento-xvi-o-modernismo-sob-a-capa-conservadora/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.com.br/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/casa-autonoma-do-brasil/d._lourenco.jpg?itok=YRBOWvft" alt="" width="585" height="335" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dom Lourenço Fleichman apresenta de modo sucinto e resumido alguns aspectos do estranho pontificado do papa Ratzinger. Intelectual renomado, com aspectos conservadores que agradavam a muitos, mas escondiam armadilhas teológicas sérias. O retorno relativo da missa de sempre, o levantamento das excomunhões dos bispos da Fraternidade São Pio X.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://www.youtube.com/watch?v=FYMq8zJZh60" data-entity-type="external"><strong><u><span style="color: #0000ff;">CLIQUE AQUI</span> </u></strong></a></span>para acessar o vídeo.</span></p>
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		<title>“QUEM É QUE RASGA A TÚNICA DE CRISTO?” – ENTREVISTA COM O SUPERIOR-GERAL DA FRATERNIDADE SÃO PIO X</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 15:51:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Liberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Davide Pagliarani]]></category>

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		<description><![CDATA[“Quem é que rasga a túnica de Cristo?” “A ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja.” Fonte: FSSPX FSSPX.Actualités: Senhor Superior-Geral, o &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/quem-e-que-rasga-a-tunica-de-cristo-entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="" src="https://fsspx.com.br/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/entretien_don_davide_avril_2026.jpg?itok=fa41ucr_" alt="" width="606" height="350" /></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #000000;">“Quem é que rasga a túnica de Cristo?”</span></strong></em></p>
<p style="text-align: center;"><em><strong><span style="color: #000000;">“A ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja.”</span></strong></em></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/quem-e-que-rasga-tunica-cristo-entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x-58690">FSSPX</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">FSSPX.Actualités:<em> Senhor Superior-Geral, o anúncio feito pelo senhor, em 2 de fevereiro passado, sobre as futuras sagrações episcopais, causou uma série de reações especialmente fortes. Que acha o senhor disso?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Padre David Pagliarani(<a style="color: #000000;" href="https://fsspx.com.br/pt/news/quem-e-que-rasga-tunica-cristo-entrevista-com-o-superior-geral-da-fraternidade-sao-pio-x-58690#footnote1_V6lNKcz0d8OqEYpyRKvOfnwZZIumcK3ES6wI9Vb3a0_v485Rmb4Un4P">1</a>): Entende-se que tenha sido assim, pois trata-se de questão muito sensível para a vida da Igreja. Além disso, os motivos dessa decisão são objetivamente graves: o que está em jogo – o bem das almas – é uma questão capital. É natural, pois, que o debate desencadeado pelo anúncio tenha tido tanta ressonância. No fundo, ninguém ficou indiferente. É este um fator objetivamente positivo, e acho que, providencialmente, corresponde a uma necessidade muito atual. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nestes últimos anos, o campo conservador e tradicionalista – no sentido mais amplo – tem por vezes dado a impressão de se reduzir a um ambiente de comentadores, onde são expressas análises, expectativas e frustrações, muitas vezes legítimas, mas que dificilmente se traduzem em posicionamentos realistas e consequentes. Entre eles, há quem ainda aguarde uma resposta da Santa Sé aos <em>dubia </em>formulados dez anos atrás por quatro cardeais – dos quais dois já faleceram – acerca de <em>Amoris lætitia</em>, ou que aguardam a eventual publicação de um novo <em>motu proprio </em>tratando da missa tridentina.</span><span id="more-34697"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Neste contexto, a decisão pelas sagrações a todos nos interpela. Não se trata de uma enésima declaração, mas de um gesto significativo, que obriga à reflexão, a compreender a gravidade real dos problemas atuais e a tomar uma posição concreta. Nada é mais urgente nos dias de hoje. A Fraternidade São Pio X veio a tornar-se, sem ter ido atrás disso, o instrumento de uma sacudida benfazeja – a qual tem por único autor, no fim das contas, a própria Providência. Providencialmente, foi-lhe dado o ensejo de contribuir para algo de que a Igreja certamente tem necessidade hoje mais do que nunca, para o seu bem e sua regeneração. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Por que o senhor pensa que essa sacudida é hoje especialmente necessária?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando nos pomos a falar e entramos numa discussão sem fim, muitas vezes de maneira frustrante, sobre problemas extremamente graves que dizem respeito à fé, os próprios temas que são objeto de debate ou de diálogo acabam, mais cedo ou mais tarde, por serem vistos como discutíveis, num respeito sistemático pelas ideias de outrem e pelas diferentes sensibilidades. E assim aos poucos tudo se relativiza.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, o flagelo do pluralismo doutrinal, ao qual o homem moderno é naturalmente inclinado, acaba por contaminar até as almas mais sãs: vai-se passo a passo descambando para o indiferentismo. Uma anestesia lenta e inexorável faz que percamos o senso da realidade. A gente se instala numa zona de conforto, prende-se a equilíbrios e privilégios que não quer comprometer de jeito nenhum. O zelo e o espírito de sacrifício vão minguando. Há, numa palavra, o perigo de se ir acostumando com a crise e de vivenciá-la como se fosse uma situação normal. Tudo isso se dá gradualmente, sem que a gente se dê conta. Os que são responsáveis pelas almas têm, pois, o dever de analisar profundamente tais mecanismos, e de tentar impedi-los antes que se tornem irreversíveis. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, o que está em jogo hoje não é uma opinião, nem uma sensibilidade qualquer, nem uma preferência, nem uma nuance particular na interpretação de dado texto: é a fé, é a moral que todo católico deve conhecer e praticar a fim de salvar sua alma e chegar ao Paraíso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Noutras palavras, diante da Eternidade e do perigo de perder o Céu, o falar por falar, os discursos e o diálogo devem dar lugar à realidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Qual é essa realidade de que o senhor fala, e que o ato da Fraternidade pode trazer à tona?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa realidade é o fato de que, hoje mais do que nunca, é necessário reafirmar, proclamar e professar os direitos de Cristo Rei sobre as almas e as nações. É preciso ter coragem de pregar que a Igreja católica é a única arca da salvação para todo homem, sem distinção. É preciso crer na Redenção, nos sacramentos, na destruição do pecado. É preciso recordar à humanidade que a Igreja foi instituída para livrar as almas do erro, do mundo, de Satanás e do inferno.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É preciso não mais deixar que os que vivem habitualmente em pecado, os que até se orgulham do seu vício contrário à natureza, fiquem pensando que Deus perdoa tudo, sempre e em quaisquer circunstâncias, sem verdadeira conversão, sem contrição, sem penitência, sem a exigência de uma mudança radical. É preciso ter a simplicidade de reconhecer que a participação de um papa num ritual em honra da Pachamama, nos jardins do Vaticano, é uma loucura e escândalo para o qual não há palavras. E finalmente, e mais importante, é preciso não mais trazer enganadas as almas e a humanidade, fazendo que pensem que todas as religiões adoram um mesmo Deus, a que dão diferentes nomes. Numa palavra: é preciso parar de pedir perdão ao mundo por tentarmos convertê-lo, cristianizá-lo, e por termos por séculos a fio condenado o erro.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Num contexto trágico como este, é preciso que alguém possa dizer: “Basta!”, não apenas em palavras, mas com ações concretas. </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“É preciso parar de pedir perdão ao mundo por tentarmos convertê-lo, cristianizá-lo, e por termos por séculos a fio condenado o erro.” </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se, neste estado de confusão atual, a Providência dá à Fraternidade São Pio X os meios de proclamar com clareza os direitos eternos de Nosso Senhor, seria da nossa parte um pecado gravíssimo fugirmos dessa obrigação que a fé e caridade nos impõem. São essas as premissas necessárias para que se compreenda a razão por que a Fraternidade São Pio X existe, e por que se decidiu por fazer as consagrações episcopais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem essas premissas, a decisão da Fraternidade, como de resto o seu discurso, pareceriam sem sentido. A menos que reconheçamos que o que está em jogo é a própria fé, inevitavelmente a situação presente da Fraternidade só poderá ser percebida como um problema de disciplina, de rebelião, de desobediência. É o erro em que infelizmente caem os que afirmam que a Fraternidade São Pio X só quer consagrar bispos para preservar a própria autonomia. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas não é disso que se trata. As futuras consagrações são um ato de fidelidade, que tem por fim preservar os meios de salvarmos as nossas almas e as dos outros. Não são a mesma coisa, a busca de uma autonomia egoísta e a preservação de uma liberdade indispensável para se professar a fé e a transmitir às almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Entre as pessoas conhecidas que se pronunciaram contra as sagrações em primeiro de julho próximo, contam-se cardeais conservadores muito críticos para com o papa Francisco, como o cardeal Gerhard Ludwig Müller ou o cardeal Robert Sarah. Como se explica, no seu entender, o modo de agir deles?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de tudo, é preciso saber que um conservador crítico do papa Francisco poderia ter certo receio de ser comparado com a Fraternidade São Pio X e demonizado como ela. Daí pode-lhe vir a necessidade de deixar bem claro que não tem nada a ver conosco. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contudo, mesmo deixando de lado esse aspecto da questão, o fato é que esses cardeais ou bispos padecem de um mal-estar mais profundo e tipicamente moderno: o de se ver incapaz de conciliar as exigências da fé com as do direito canônico. A fé requer de nós que façamos tudo o que for possível para professá-la, preservá-la e transmiti-la. Por outro lado, se interpretarmos o direito ao pé da letra, passando ao largo das circunstâncias atuais, uma consagração episcopal sem o aval do papa parece impossível. Que fazer então? Esses cardeais, como tantos outros, vivem numa espécie de permanente dicotomia, que encerra o risco de serem frustradas as suas boas intenções: eles colocam essas duas exigências uma ao lado da outra, à maneira cartesiana, e ficam como esmagados ou submersos na contradição aparente.   </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"> “O Magistério existe para ensinar a fé, não para inventá-la. O direito existe para preservá-la e assegurar as condições necessárias para a vida cristã que dela deve decorrer.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X, por sua vez, considera que esses dois postulados não devem ser, sem mais nem menos, justapostos, mas sim hierarquizados, subordinando-se um ao outro. Ora, na Igreja, a pureza da profissão da fé precede qualquer outra consideração, pois os demais elementos que compõem a vida da Igreja dependem todos da própria fé. O Magistério existe para ensinar a fé, não para inventá-la. O direito existe para preservá-la e assegurar as condições necessárias para a vida cristã que dela deve decorrer(2). Esta prioridade se deriva do fato de que Nosso Senhor mesmo, ao encarnar-se, manifesta ao mundo, antes de mais nada, a Verdade eterna; e que, enquanto Legislador, Ele aponta no Evangelho os meios de se conhecer essa mesma Verdade e de se permanecer fiel a ela. Há uma prioridade lógica entre o primeiro e o segundo elemento. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E por conseguinte, a Providência divina não instituiu a Igreja como um grupo parlamentário de ministérios justapostos e independentes uns dos outros. Pelo contrário, instituiu uma hierarquia de prioridades, com o fim específico e primeiro de preservar o depósito da fé, de confirmar os fiéis nessa fé, e de organizar todo o restante em função desta exigência prioritária e fundamental. O direito, em particular, serve a esse fim, e não para estorvar nem condenar os que queiram permanecer católicos, ou seja, os que queiram viver da fé. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Por que o senhor acha que esta é uma atitude tipicamente moderna?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O homem moderno tem muita dificuldade em organizar de maneira harmoniosa os diferentes elementos da realidade em que vive, ou do saber que os analisa. Valendo-me de um termo um tanto técnico, o homem moderno tende a classificar de maneira nominalista os elementos da realidade que o cerca, e cola sobre cada um deles etiquetas superficiais, sem fazer o esforço de examinar a fundo os problemas, e portanto sem ser capaz de apreendê-los em toda a sua complexidade, e nas suas implicações e na sua interdependência. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por isso, no caso de que estamos tratando, vemos a aplicação da lei ser totalmente dissociada da própria realidade que a lei devia proteger. É justamente dessa dissociação entre lei e realidade, que nascem as posturas ideológicas, tipicamente modernas, tanto no domínio religioso como no civil. Tal atitude leva a duas consequências distintas e complementares. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entre os que padecem dessa dicotomia e se veem confrontados com esse dilema, como é, ao que parece, o caso dos meios conservadores, ela conduz ao fatalismo e ao desânimo, porque a gente se sente como encurralada, paralisada, incapaz de agir de maneira adequada e consoante as exigências objetivas da Verdade e do Bem. O que vive constantemente nessa contradição existencial, acaba por se tornar vítima dela, e por confundir fatalismo com confiança na Divina Providência. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De outro lado, entre os detentores da autoridade, ela traz o risco de uma cegueira incurável e do endurecimento do coração, consequências inevitáveis da postura ideológica: “lei é lei”, sem se levarem em conta as circunstâncias, as exigências concretas nem as boas intenções. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É por esta razão que Nosso Senhor condena tal postura nos termos mais fortes: “Jesus então disse: ‘É para vosso julgamento que vim ao mundo, para que os que veem não vejam, e os que veem se façam cegos.’ Alguns fariseus, que estavam com ele, o ouviram e lhe disseram: ‘Acaso nós somos cegos, nós também?’ Jesus lhes disse: ‘Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; agora porém dizeis: ‘Eis que nós vemos.’ E é por isso que o vosso pecado permanece.” (Jo IX, 49-41).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O Senhor acha que o ensinamento do Evangelho pode de algum modo esclarecer a situação presente?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nosso Senhor é o exemplo perfeito de obediência à lei de Moisés. Ele, com a Santíssima Virgem Maria, cumpriu à letra todas as prescrições legais, desde os primeiros dias da sua existência. E mantém a sua observância rigorosa até o seu último dia de vida. Na última ceia, Jesus segue à letra o rito judaico em vigor na época.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E não obstante, Nosso Senhor opera milagres mesmo no dia de sábado, provocando assim a reação legalista e cega dos fariseus. Jesus, Legislador maior que o próprio Moisés, é o primeiro a respeitar a lei, e o primeiro a reconhecer a existência de um bem superior que pode dispensar da observância da letra da lei. As suas palavras, como sempre, valem mais que mil tratados: </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“E aconteceu que Jesus entrou, num dia de sábado, em casa de um dos principais dos fariseus, para ali comer do pão. E eles o vigiavam. E eis que um homem hidrópico estava diante dele. E Jesus, tomando a palavra, disse aos doutores da lei e aos fariseus: ‘É permitido curar em dia de sábado?’ Eles, porém, permaneceram calados. Então, tomando o homem pela mão, curou-o e mandou-o de volta. Depois, voltando-se para eles lhes disse: ‘Quem de vós, se o seu asno ou o seu boi cai dentro dum poço, não o tira logo dali, em dia de sábado?’ E a isto nenhum deles pôde responder.” (Lc XIV, 1-6)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Estas palavras divinas dispensam de comentário. A Fraternidade São Pio X adota-as sem reservas. Nós também temos de fazer todo o possível para tirar as almas do poço, ainda quando vivamos num sábado interminável. Nosso Senhor não era nem legalista, nem nominalista, nem cartesiano: era o bom Pastor.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Nestes últimos meses, para além da Fraternidade, outras vozes soaram em seu apoio. Dom Atanásio Schneider, sobretudo, falou em diversas ocasiões acerca das sagrações. Como o senhor explica essa decisão dele? </em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Devo confessar que esse apoio dado à Fraternidade me tocou profundamente. Muitos sacerdotes diocesanos nos têm dado testemunhos de sua gratidão e nos têm encorajado, e muitos bispos também. A todos fico agradecido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem poder nomeá-los todos aqui, gostaria de agradecer em especial a Dom Strickland, pela sua mensagem tão forte, tão clara e corajosa. E a Dom Schneider, naturalmente; este bispo deu mostras de uma grande coragem e de uma liberdade de palavra em que se nota estarmos diante de um homem de Deus, desinteressado, realmente preocupado com o bem das almas. Creio que o seu apoio, e tudo o que tem dito nestes últimos meses, entrará para a história. Estou persuadido de que isso não importa tão somente para a Fraternidade, mas ainda mais para todos os bispos do mundo. É um sinal objetivo de esperança: a sua palavra mostra que a Providência em qualquer tempo pode suscitar vozes que digam a verdade com bravura e firmeza, sem recear possíveis consequências pessoais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes dele, Dom Huonder, que passou à eternidade dois anos atrás, já nos vinha encorajando positivamente a realizar sagrações. Ele e Dom Schneider tinham ambos sido encarregados pelo Vaticano do diálogo com a Fraternidade. Ao contrário de outros interlocutores, souberam escutar e compreender. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O senhor ainda tem esperança de se encontrar com o papa antes das sagrações?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tenho, com certeza, e é este o meu desejo mais sincero. Admira-me, no entanto, que da parte da Santa Sé não tenha havido até agora nenhuma resposta ou reação pessoal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de declarar cismática uma sociedade que conta mais de mil membros e que é uma referência para centenas de milhares de fiéis no mundo inteiro, talvez fosse bom conhecer pessoalmente aqueles a quem se quer julgar. A sanção que se prevê não atinge apenas uma instituição – que, aliás, não existe aos olhos da Santa Sé -, senão que atinge pessoas, e pessoas profundamente unidas ao papa e à Igreja. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Confesso que a mim me custa entender esse silêncio, ao mesmo tempo em que tanto nos falam da necessidade de escutar o clamor dos pobres, o das periferias, e até mesmo o do planeta Terra&#8230;</span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Nós também temos de fazer todo o possível para tirar as almas do poço, ainda quando vivamos num sábado interminável.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O senhor chegou a encontrar-se com o papa Francisco. Que lembranças guarda dele?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O programa que o papa Francisco impôs à Igreja universal é bastante conhecido e foi fartamente comentado pela Fraternidade São Pio X. Parece-me que, infelizmente, a palavra “desastre” é a mais indicada para resumir a herança legada por ele. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E apesar disso, o papa Francisco soube reconhecer, lá à sua maneira, o bem que a Fraternidade São Pio X faz às almas. Dessa sua constatação foi que nasceu uma postura, ao que parece, equívoca para conosco, uma espécie de tolerância que causou surpresa aos observadores menos perspicazes, e que por vezes chegou a exacerbar os meios conservadores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Muitas decisões do papa Francisco causaram verdadeira tristeza em largos setores da Igreja, porém seria injusto acusá-lo de ter sido uma pessoa rígida e esquemática na avaliação das pessoas que tinham contato com ele, ou na aplicação do direito. Suas ações muitas vezes o demonstram. Talvez não passe de um detalhe, mas quando pedi para entrevistar-me com ele no Vaticano, em vinte quatro horas me foi concedida uma audiência, na qual ele se mostrou muito afável. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Nestes últimos anos, em nome de uma tolerância erigida em princípio, o Vaticano tem se mostrado muito aberto diante de certas situações complexas. Pensa o senhor que isso poderia ajudar a Fraternidade São Pio X?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A aplicação de toda lei, seja ela boa ou má, depende afinal da vontade do legislador. É a ele que cabe determinar a maneira como tratará a Fraternidade São Pio X.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém a abertura que o Vaticano tem mostrado não pode ser algo desejável por si mesmo, pois chega a ponto de justificar o absurdo, como quando abençoa casais que praticam o vício <em>contra naturam</em>, ou quando se compromete solenemente a não converter os adeptos de outras religiões, para ficar só nestes dois exemplos. Estamos diante de uma ditadura ideológica e totalitária da tolerância. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ora, a Tradição da Igreja, que a Fraternidade São Pio X se esforça por encarnar, é em si mesma uma condenação desses desvios, coisa intolerável para os que promovem essa espécie de tolerância. A considerarmos atentamente a situação, vemos que as sanções que a Fraternidade São Pio X sofreu ou possa vir a sofrer, não visam nenhum ato de desobediência, mas, na verdade, essa viva condenação que ela representa, só por existir, da linha eclesial seguida atualmente.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parece que o papel que a Providência reservou para a Fraternidade São Pio X é este, singular, de ser um sinal de contradição, o que, concretamente, quer dizer ser um espinhozinho na sola do pé dos reformadores. E espinho que é, quanto mais o tentam espezinhar, mais fundo ele entra. Não vem dele, de resto, esse efeito terapêutico, mas dos dois mil anos de Tradição que ele encarna e representa.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X pode sofrer sanções, a missa tridentina, ser proibida, porém esses dois mil anos não poderão nunca ser apagados. É esta a verdadeira razão por que, apesar das condenações passadas, a Fraternidade nunca cessou de ser uma voz a interpelar a Igreja, e é por isso, também, que não é tão simples ser tolerante com ela. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Virá o dia em que o papa se resolverá a pinçar o espinho entre os dedos, tirando-o do pé. Nesse dia, poderá usá-lo como instrumento dócil de que se sirva – e este é o nosso mais profundo desejo – para restaurar todas as coisas em Nosso Senhor Jesus Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Ouve-se dizer que as futuras sagrações poderiam causar um cisma. E há outros, ao mesmo tempo, que na Igreja afirmam que a Fraternidade São Pio X já é cismática. Como explicar tal contradição?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma contradição real e que evidencia uma jurisprudência, por parte do Vaticano, que poderíamos chamar de “fluida”. Tentemos esclarecer isso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em termos canônicos, depois de ter sido declarada cismática em 1988, a Fraternidade São Pio X nunca se viu livre dessa censura: em 2009, o papa Bento XVI levantou as excomunhões que pesavam sobre os bispos, mas sem voltar atrás na declaração de cisma feita anteriormente. Em todo esse tempo, a Fraternidade São Pio X não mudou suas posições doutrinárias e manteve exatamente o mesmo argumento para as consagrações episcopais, passadas e futuras. Noutros termos, coerente em sua persuasão da nulidade das censuras que a haviam atingido, nunca se retratou. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por isso os canonistas, digamos, “rigorosos”, a consideram ainda e sempre cismática. É neste sentido que é preciso entender as declarações explícitas do cardeal Raymond Burke, ex-prefeito do Tribunal supremo da Assinatura Apostólica, ou as de Monsenhor Camille Perl, ex-secretário da Comissão <em>Ecclesia Dei</em> – abolida em 2019. E é nessa mesma perspectiva que é preciso entender também a maneira como foram tratados os sacerdotes que deixavam a Fraternidade São Pio X para se integrarem às estruturas oficiais: levantavam, em favor deles, a excomunhão por cisma e a suspensão <em>a divinis</em>, e pediam-lhes que se confessassem para serem absolvidos também no foro interno.   </span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A Tradição da Igreja, que a Fraternidade São Pio X se esforça por encarnar, é em si mesma uma condenação desses desvios, coisa intolerável para os que promovem essa espécie de tolerância.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Contra essa interpretação surge a figura do cardeal Dario Castrillón Hoyos(3), muito mais flexível, e sobretudo a do papa Francisco, que nunca tratou a Fraternidade São Pio X como cismática e que nos disse com todas as letras que jamais a condenaria. E de fato, podiam ser incluídos neste grupo o próprio cardeal Fernández e papa Leão XIV, já que, se estão tentando evitar um cisma, é porque não nos consideram cismáticos. O mesmo se pode dizer dos cardeais e bispos que estão tentando reverter nossa decisão de fazer as sagrações, para evitar um cisma.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas aqui vemo-nos diante de duas interrogações: primeiro, se é esse o seu receio, não conseguimos entender de que maneira nem por que razão teríamos deixado de ser cismáticos aos olhos deles. E em segundo lugar, se a própria Santa Sé na prática não considera válida a sua declaração de cisma feita em 1988, que valor poderia ter uma segunda declaração de cisma, pronunciada pelos mesmos motivos e em circunstâncias de todo equivalentes? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O fato é que, lá em 1988, o Vaticano esperava que a Fraternidade São Pio X, uma vez declarada cismática, se dissolvesse no espaço de uns poucos anos. Acontece porém que, não apenas ela não se dissolveu, senão que continuou a crescer. E sobretudo, apesar de uma declaração de cisma manifestamente injusta, continuou a ser uma obra da Igreja e a operar para bem da Igreja, sendo esta uma realidade que com tal força se impõe, que, apesar de a ter condenado em 1988, a própria Santa Sé veio a reconhecer isso na prática. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma possível causa para essas incoerências canônicas está no conceito “fluido” e modernista de “plena comunhão”, segundo o qual um mesmo sujeito pode ser considerado ao mesmo tempo como católico e não católico, membro e não membro da Igreja. Evidentemente, se alguém é “parcialmente” filho da Igreja, a lei da Igreja não pode aplicar-se a ele a não ser também parcialmente, segundo avaliações e critérios arbitrários e variáveis&#8230; </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso mostra de que maneira um erro eclesiológico conduz inevitavelmente a erros jurídicos ou, quando menos, a julgamentos confusos, incoerentes e “fluidos”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Para sustentar a acusação de cisma, afirma-se que uma sagração episcopal sempre implica, quaisquer que sejam as circunstâncias, a transmissão do poder de jurisdição ao novo bispo, o que terá por consequência inevitável, dado que não tenha havido consentimento do papa, a criação de uma hierarquia paralela. A Fraternidade São Pio X já respondeu a esta objeção(</em>4)<em>. Como, porém, se trata de uma questão muito delicada, o senhor gostaria de acrescentar algumas considerações?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este é um ponto central, sem nenhuma dúvida. De fato, a acusação se baseia num postulado modernista. Seria interessante tentarmos entender a razão por que a eclesiologia do Concílio Vaticano II ensina que um novo bispo sempre, em qualquer circunstância, recebe, junto com o poder de ordem, também o de jurisdição. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Tratemos de recordar, resumidamente, que o poder de ordem é a capacidade de administrar os sacramentos, ao passo que a jurisdição é o poder de governar, <em>cum Petro et sub Petro</em>, uma parcela do rebanho, em geral uma diocese. Segundo a teologia clássica, confirmada pelo direito canônico tradicional e sobretudo pela prática constante da Igreja – caberia dizer: segundo a Tradição -, o poder de governar é diretamente conferido pelo papa ao bispo, independentemente de consagração. É por isso que pode haver bispos regularmente consagrados que, no entanto, não receberam nenhuma jurisdição própria, como o são os bispos auxiliares ou os encarregados de missões diplomáticas específicas.</span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A Fraternidade São Pio X continuou a ser uma obra da Igreja e a operar para bem da Igreja (&#8230;), a própria Santa Sé veio a reconhecer isso na prática.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas na época do Concílio, passou-se a considerar essa visão como demasiado tradicional, demasiado medieval, demasiado romana. A atuação direta e exclusiva do Vigário de Cristo na atribuição da jurisdição, reduzia os bispos mandatários a meros delegados ou representantes do papa. Por outro lado, a ideia de que cada bispo recebia imediatamente de Deus, no ato da consagração, uma jurisdição universal, permitia fazer dele, em certa medida, um igual do papa, reduzindo assim o papel do Vigário de Cristo ao de mero presidente de um <em>collegium</em>, “primeiro entre seus pares”. Esse novo postulado vinha, assim, diretamente respaldar a teoria modernista da colegialidade(5), fundamento da democratização da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma outra consequência, além desta, é que essa redefinição se presta à causa do ecumenismo. De fato, para se poder reconhecer uma certa “eclesialidade” em favor das comunidades cismáticas orientais (estas sim, realmente cismáticas) e considerá-las como “igrejas irmãs”, lançando assim uma base sólida para o diálogo ecumênico, era preciso valorizar a sua sucessão apostólica a ponto de se reconhecer em seu favor uma jurisdição real sobre os seus fiéis, apesar de sua completa separação de Roma e do papa. A sua qualidade de “Igreja” decorreria, assim, do fato de contarem com bispos não apenas validamente consagrados, mas também dotados de verdadeira autoridade sobre as almas, autoridade esta derivada da consagração em si mesma, independentemente de qualquer atuação do papa. Por esse viés se podia mais facilmente conceber a existência, nessas comunidades, de uma verdadeira hierarquia eclesiástica, no sentido pleno do termo. Sem essa prévia manipulação eclesiológica, teria sido impossível reconhecer nelas qualquer verdadeira “eclesialidade”. </span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não se pode ficar só lamentando os efeitos, sem remontar às verdadeiras causas.  É preciso ter a hombridade de ir um pouco além e de reconhecer que essa crise tem origem nos ensinamentos oficiais, muitas vezes ambíguos, chegando por vezes a romper claramente com a Tradição.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E é ainda a esse mesmo esforço ecumênico que se liga uma outra manipulação eclesiológica, o conceito elástico de “comunhão parcial”, a que se aludiu na questão anterior. Em termos concretos, todas as ditas “igrejas” cristãs fariam parte de uma “Superigreja”, a Igreja de Cristo, mais abrangente que a católica. Essas diversas igrejas estariam em maior ou menor medida em comunhão com a católica, a depender das lacunas na sua doutrina. Esse conceito, também ele modernista, visava valorizar uma, por assim dizer, unidade em formação com as demais “igrejas”. Mas é um engano. Com efeito, ou se está em comunhão com a Igreja católica por todos os aspectos, ou se está separado dela. Não existe meio-termo. Paradoxalmente, essa noção, que fora concebida como instrumento a serviço do diálogo ecumenista, destinando-se a justificar uma futura convergência das “igrejas” que se tinham na conta de “irmãs”, passa a ser usada também para lidar com a Fraternidade São Pio X, que por sua vez a considera uma noção absurda. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O que há de especialmente lamentável no juízo negativo que se faz da Fraternidade, é o fato de essa acusação específica de cisma ou de “comunhão parcial”, fundada em postulados modernistas, colegialistas ou ecumenistas, não vir apenas da parte do Vaticano, mas também de alguns cabeças dos grupos e institutos ditos “<em>Ecclesia Dei</em>”(6). Paradoxalmente, para atacar a Fraternidade, citam e defendem os erros eclesiológicos do Concílio Vaticano II&#8230; Em vez de trazerem à tona esses erros de maneira construtiva – como, em princípio, lhes é permitido fazer -, preferem usá-los para apedrejar a Fraternidade São Pio X. Ocorre, porém, que são pedras de borracha. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>No que diz respeito à jurisdição e à autoridade na Igreja, como a Fraternidade São Pio X enxerga a possibilidade de nomear religiosas ou leigos para cargos superiores?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma questão muito pertinente, sobretudo se considerarmos que hoje em dia, um dicastério romano, o que está encarregado dos institutos de vida consagrada, em vez de ter à frente um cardeal e um bispo, respectivamente como prefeito e secretário, foi confiado a duas religiosas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não quero ser irônico, seria desagradável. Apenas gostaria de apontar que o Vaticano, à sua maneira, provou que conhece perfeitamente a diferença entre o poder de ordem e a atribuição do poder de jurisdição. Até onde eu sei, a Irmã Simona Brambilla, atual prefeita, nunca foi ordenada diácono, nem presbítero, nem bispo; nem sequer a tonsura ela recebeu&#8230; O mesmo vale para a Irmã secretária. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Mesmo fora da Fraternidade São Pio X, há hoje em dia muita gente que reconhece sinceramente a existência de uma crise na Igreja, sobretudo no que diz respeito à fé. E contudo, alguns deles criticam a Fraternidade São Pio X por se isolar numa linha de conduta própria, sem levar devidamente em conta a existência de outros diagnósticos. Ao seu ver, essa crítica tem fundamento?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Acho que é precisamente nesse ponto que a Fraternidade São Pio X põe o dedo na ferida. Muitos são os que, como nós, afirmam que existe uma crise na Igreja e que essa crise afeta a fé. Até aqui estamos de acordo. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas não se pode ficar só lamentando os efeitos, sem remontar às verdadeiras causas. É preciso ter a hombridade de ir um pouco além e de reconhecer que essa crise tem origem nos ensinamentos oficiais, muitas vezes ambíguos, chegando por vezes a romper claramente com a Tradição. Em termos concretos, é preciso entender que a crise atual se especifica pelo modo como afeta a hierarquia da Igreja no ensinamento que ela ministra.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E numa situação como essa, não é possível ter meias palavras; os erros devem ser claramente percebidos e denunciados pelos que estão em condições de o fazer. Não basta fazer de conta que não vê, nem ficar esperando que os erros desapareçam com o passar do tempo. Textos tais como <em>Amoris lætitia</em> ou <em>Fiducia supplicans</em>, por exemplo, causaram, num primeiro momento, não pouca indignação. Mas depois tudo se acalmou, cada um foi tratar de outra coisa, e hoje já poucos ainda falam no assunto. Sem embargo, as decisões e os erros contidos ali continuam em vigor; vemos que esperar até que sejam esquecidos não é uma maneira eficaz de corrigi-los.  </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X existe para recordar este fato aos fiéis e à hierarquia. Considera ser um dever seu, e isso não por espírito de rebelião ou de desobediência, mas como um serviço prestado à Igreja. Nesse sentido, não é justo dizer que ela se isola do resto, pois fala diante de toda a Igreja e se dirige a todos os católicos que estão perplexos, sem fazer distinção.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Qualquer um que olhe para essas questões sem preconceitos ideológicos, há de por força chegar a esta constatação, a saber, a de que a ruptura não vem da parte da Fraternidade São Pio X, mas da divergência flagrante entre os ensinamentos oficiais e a Tradição e o Magistério constante da Igreja. </span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A Fraternidade São Pio X permanece em perfeita comunhão com os papas da História, sem exceção, naquilo que eles têm de comum entre si: o depósito da fé, fielmente recebido, conservado e transmitido através dos séculos.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Em que sentido o ensinamento oficial da Igreja poderia conter erros?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É uma questão muito melindrosa e complexa, e só a Igreja poderá um dia dar uma explicação satisfatória e definitiva sobre o que aconteceu e está acontecendo ainda hoje. O fato é que nenhum erro pode ser ensinado pelo Magistério da Igreja propriamente dito. Os fatos porém saltam à vista: vemos, infelizmente, serem ensinados alguns erros graves. Mas quer se trate de textos de um Concílio que se quis não dogmático, quer se trate de simples exortações pastorais, homilias ou declarações circunstanciais, e até de diálogos com o mundo, discursos improvisados durante um voo de avião, ou de conversas com jornalistas, em todos estes casos, quando há elementos não dogmáticos e que são apresentados como tais, não estamos diante de um Magistério autêntico.   </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para dar um exemplo, um eminente prelado romano recentemente me explicou que a Declaração de Abu Dhabi não deve ser tida por algo que faça parte do Magistério, por se tratar de um mero texto de circunstância. Acho que um dia, com um pouco de flexibilidade e bom senso, um papa irá dizer algo de equivalente, mas em público, a respeito de toda uma série de textos problemáticos que não podem ser tidos por magisteriais no sentido técnico do termo. A Cúria romana dispõe de uma experiência e de uma fineza inigualáveis quando se trata de estabelecer distinções necessárias: tudo o que lhe falta é a vontade de o fazer.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E em todo caso, um esclarecimento definitivo é algo que cabe à própria Igreja, e não à Fraternidade São Pio X. A nossa tarefa se limita a rejeitar fielmente tudo o que estiver em ruptura com a Tradição e com o Magistério constante. Ao fazer isso, a Fraternidade São Pio X permanece em perfeita comunhão com os papas da História, sem exceção, naquilo que eles têm de comum entre si: o <em>depositum fidei</em>, fielmente recebido, conservado e transmitido através dos séculos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Muitas são as áreas na vida da Igreja, como, por exemplo, na liturgia, onde é evidente que existem abusos. Por que a Fraternidade São Pio X fala sempre em erros e não em abusos?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É evidente que existem abusos que extrapolam os limites das próprias reformas. A Fraternidade São Pio X os reconhece sem pestanejar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas essa retórica constantemente a falar dos abusos, particularmente em voga durante o pontificado de Bento XVI, não basta para dar conta da crise. E acaba mesmo por criar um álibi sistemático, que impede de entrar mais fundo nos problemas. A reforma litúrgica, por exemplo, encerra dificuldades que certamente brotam dos próprios princípios em que se baseou, independentemente de eventuais abusos. As orações ecumênicas e inter-religiosas, para dar outro exemplo, são a tradução de um erro teológico, ainda quando nos abstenhamos de atos explícitos de sincretismo, na tentativa de evitar o que poderia parecer um abuso. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E principalmente, a retórica do abuso litúrgico, ou do abuso na interpretação dos textos, tende a mirar nas pessoas envolvidas – tidas por responsáveis pelos abusos, ou por incapazes de reprimi-los -, em vez de considerar os princípios errôneos que estão na raiz do desastre atual. Ora, são justamente esses princípios que devem ser denunciados.</span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não se trata de fazer rebelião, mas de responder a uma necessidade cruel.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Confesso que eu mesmo fiquei um pouco espantado, nestes últimos anos, com a reação amarga e sistemática de certo meio conservador um tanto míope, que se voltou de modo muito pessoal contra a figura do papa Francisco, passando ao largo do Concílio e da continuidade na sua aplicação doutrinária até os dias atuais. Esse tipo de atitude é que faz com que, a cada novo papa eleito, se espere, pelo menos durante alguns meses, por uma superação da crise – sem que sejam questionados os princípios novos, como se tudo dependesse da vontade pessoal do novo pontífice, mais ou menos resolvida a condenar ou a reprimir os abusos. Trata-se de uma retórica superficial incapaz de convencer qualquer observador atento e honesto. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Não lhe parece exagero dizer, como já o fez a Fraternidade São Pio X em outras ocasiões, que uma autêntica vida cristã numa paróquia comum é hoje em dia coisa impossível? O estado de “necessidade” implícito nessa afirmação é de fato tão evidente? Não seria antes um conceito “instrumental”, elaborado para justificar as sagrações de que essa instituição necessita</em>?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio está plenamente ciente de quanto há de trágico e doloroso nessa afirmação. Trata-se de uma consideração extremamente grave e que requer ser bem entendida.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deixemos claro, antes de mais, que não cabe a resposta de que, apesar de todos os problemas e deficiências que lavram nas paróquias comuns, há sempre bons sacerdotes e bons fiéis que são capazes de se santificarem e de salvarem as suas almas. Mesmos nas circunstâncias mais desfavoráveis, a graça de Deus pode tocar as almas, e nós sabemos de casos assim. Além do que, para muitos deles o sofrimento real causado pela situação em que se encontram torna-se uma verdadeira fonte de santificação, que muitas vezes os leva a buscarem a Tradição. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas o que a Fraternidade São Pio X afirma deve ser entendido num plano objetivo, e não subjetivo. A fim de se avaliar qual seja de verdade a situação dessas paróquias, toda alma de boa vontade deveria fazer a si mesma algumas perguntas precisas, diante de Deus, em oração, e buscando uma resposta sobrenatural, ditada não por impressões positivas ou negativas, nem por nenhuma preconcepção ideológica, mas tão somente pela razão esclarecida à luz da fé. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A missa de Paulo VI é capaz de expressar e de alimentar inteiramente a fé católica? Transmite de maneira satisfatória o senso do sagrado, do transcendente, do sobrenatural, do divino? Esse rito permite apreender o verdadeiro sentido do sacerdócio católico?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Numa paróquia ou num centro pastoral qualquer, ou seja, lá onde se prega em conformidade com as diretrizes doutrinárias atuais, é ainda ensinada a fé católica em toda a sua inteireza? O catecismo dado às crianças é ainda católico e capaz de os formar para o resto da vida?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As questões, hoje tão delicadas e atuais, da moral conjugal, ou do acesso à Eucaristia para os que estão em situações irregulares, são abordadas em conformidade com a lei da Igreja? O sacramento da penitência é ainda ministrado com um senso real da Redenção e do pecado, da sua gravidade e das suas consequências?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, de modo mais geral, quais frutos essas reformas produziram de maneira universal na vida dos fiéis?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A todas estas perguntas, e outras semelhantes, a Fraternidade São Pio X responde de maneira clara e coerente. A seguir, partindo dessa análise, e visto que a realidade se impõe, chega à constatação de que existe um “estado de necessidade”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De modo que a afirmação da Fraternidade São Pio X resulta de um salutar realismo, e não de um<em> </em>pressuposto ideológico. O que há de trágico na constatação é apenas consequência de uma tragédia real.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>O senhor não acha que, mesmo animada das melhores intenções, a Fraternidade São Pio X poderia mais uma vez ser causa de divisões nas famílias, no mundo da Tradição e na própria Igreja?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Talvez nunca antes a Igreja se viu tão dividida como agora, e não há nada de bom nisso. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém, essa divisão não foi provocada pela fidelidade à Tradição, mas antes pelo afastar-se dela. A crise do Magistério, as ambiguidades, os erros, a inculturação, fazem que se queira interpretar e reinterpretar tudo, aumentam as diversas maneiras de julgar que, a longo prazo, são causa de divisões inevitáveis. Para usar uma imagem conhecida, é isto o que na verdade rasga a túnica de Cristo. A Fraternidade São Pio X, pela sua fidelidade à Tradição, não faz senão tentar ajudar a recosê-la o tempo todo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto à possibilidade de todos os tradicionalistas atuarem e lutarem juntos, é algo que a Fraternidade São Pio X deseja de todo o coração. Mas isso não deve ser feito por meio de uma espécie de ecumenismo em miniatura. É algo que só pode ser feito com inteira fidelidade à Tradição integral, se quisermos que esse combate aberto seja para bem de todos, inclusive dos que não estão de acordo conosco.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“A verdadeira unidade, duradoura e inquebrantável, só pode ter por alicerces a Tradição da Igreja.”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Finalmente, no que diz respeito a possíveis divisões no interior de uma mesma família, é preciso corajosamente ter em mente as palavras de Nosso Senhor, sem, porém, se escandalizar, sem cair na amargura, amparando os que sofrem:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Não penseis que vim para trazer a paz à terra. Não vim para trazer a paz, mas a espada. Porque vim para separar o homem de seu pai, e a filha de sua mãe, e a nora de sua sogra. E o homem terá por inimigos os de sua própria casa. O que ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim. E o que ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim.” (Mt X, 34-37)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>Agora uma questão retrospectiva. O período particular por que vem passando a Fraternidade São Pio X reaviva nos mais antigos as lembranças e as emoções de 1988. Essa data certamente marca uma guinada decisiva na obra de Dom Lefebvre. Que declaração do fundador da Fraternidade São Pio X lhe vem agora em mente como mais apropriada para o momento?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Certa vez, numa conversa privada, Dom Lefebvre disse que preferia morrer a ver-se na situação de se opor ao Vaticano. Isso mostra o espírito em que preparou as consagrações de 1988. Naquela altura, tal como hoje, não se tratava de fazer rebelião, mas de responder a uma necessidade cruel. Decisão necessária e inevitável, mas tomada a contragosto. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Noutra ocasião, Dom Lefebvre declarou, com serenidade e de modo profundamente sobrenatural, que se a Fraternidade São Pio X não fosse uma obra de Deus, não iria adiante e não sobreviveria a ele mesmo. Não é a nós que cabe responder se o é de fato ou não. Mas a história já começou a pronunciar-se. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;"><em>No entender do senhor, quando e por que maneira a crise da Igreja poderá ter fim, e, com ela, esse sentimento de desagregação generalizada, tanto dentro quanto fora da Igreja?</em></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Providência só é quem conhece a resposta exata para essa pergunta. Da minha parte, acho que, depois de procurarem em vão e desesperadamente a paz e a unidade no princípio da colegialidade, no sínodo, no ecumenismo, no diálogo, na escuta, na inclusão, na conscientização ambiental, na fraternidade humana, na proclamação incessante dos direitos do homem etc., as autoridades se darão conta finalmente – e mais do que tarde – de que a verdadeira unidade, duradoura e inquebrantável, só pode ter por alicerces a Tradição da Igreja. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desse modo, depois de a crise ter manifestado todas as suas consequências, depois de a apostasia se ter generalizado ainda mais e depois de as igrejas se terem esvaziado, essas autoridades entenderão afinal que não havia que inventar coisa alguma, que bastava simplesmente serem fiéis a Cristo Rei e proclamarem, a exemplo dos primeiros mártires, os direitos inalienáveis de Cristo perante um mundo neopagão. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma coisa é certa: na medida em que foi de Roma que a autodemolição da Igreja se originou, é só em Roma e por Roma que essa crise terrível terá fim. Entretanto, as sementes dessa reconstrução da Igreja estão já em ação, frutificando humildemente nas almas vivificadas pelo Espírito de Nosso Senhor. Nelas é que se vai silenciosamente preparando a vinda dos que um dia restabelecerão em todo o seu esplendor a realeza de Jesus Cristo.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“É só em Roma e por Roma que essa crise terrível terá fim.” </span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Decerto a crise vem durando mais tempo do que se podia imaginar. Isso se deve, na minha humilde opinião, à dificuldade intrínseca que Igreja encontra, ainda hoje, para reagir. Um corpo são consegue reagir prontamente aos agentes patógenos que o atacam. Porém, quanto mais enfraquecido está o corpo, mais difícil lhe é reagir. Da mesma maneira, a crise que nos assola foi determinada por um ataque desferido por princípios perniciosos contra princípios já enfraquecidos – enfraquecimento este que começara já desde bem antes das reformas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entretanto, como em toda provação, é preciso enxergar a ação da Providência e revestir-se de paciência. Quanto mais longa for a crise, mais Satanás correrá à solta, e portanto mais brilhante será o triunfo da Tradição. E, sobretudo, mais manifestas serão diante de todo o mundo a indefectibilidade e a divindade da Igreja. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em nenhum outro tempo tanto como o de hoje, é para nos encher de alegria e esperança aquela promessa de Nosso Senhor: “As portas do inferno não prevalecerão sobre Ela” (Mt XVI, 18).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E para além disso, a certeza desse triunfo está assegurada, em primeiro lugar, por Aquela que esmaga todas as heresias: “Por fim, o meu Coração Imaculado triunfará.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Entrevista concedida em Menzingen, em 19 de abril de 2026,</strong><br />
<strong> Domingo do Bom Pastor</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">1 &#8211; Pronuncia-se: “palharáni”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">2 &#8211; Esta ordem funda-se na transmissão da fé, sendo uma noção consagrada do direito canônico. Citemos um autor entre muitos: “<em>Ut patet, fundamentum vitæ supernaturalis Ecclesiæ curæ et potestati concreditæ est fides”: </em>“Está claro que o fundamento dessa vida sobrenatural confiada aos cuidados e à autoridade da Igreja, é a fé”. O direito, portanto, terá de determinar de maneira orgânica tudo o que diz respeito à fé:<em> “quæ respiciunt fidei prædicationem, explicationem, susceptionem, exercitium, professionem externam, defensionem et vindicationem”:</em> “as coisas que dizem respeito à pregação, explicação, recepção, exercício, profissão externa, defesa e devido reconhecimento da fé”. <em>In </em>Gommarus Michiels, OFM, cap., <em>Normæ generales juris canonici</em>, Paris, 1949, vol. 1, p. 258.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">3 &#8211; O cardeal Castrillón Hoyos afirmou várias vezes, na década de 2000, que a Fraternidade São Pio X “não está em estado de cisma”, mas numa “situação canônica irregular”, e que devia ser regularizada dentro da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">4 &#8211; Carta do Rev. Pe. David Pagliarani endereçada ao cardeal Víctor Manuel Fernández, de 18 de fevereiro de 2026, anexo 2.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">5 &#8211; Esta doutrina considera o colégio episcopal enquanto tal como um segundo sujeito da autoridade suprema na Igreja, ao lado do papa. Por conseguinte, a Igreja tende a transformar-se numa espécie de concílio permanente, justificando assim o poder ilimitado das conferências episcopais e a reforma sinodal atualmente em curso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">6 &#8211; Destacam-se os estudos do Padre Josef Bisig, fundador da Fraternidade São Pedro, e do Padre Louis-Marie de Blignières, fundador da Fraternidade de São Vicente Ferrer.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>LEI DA SHARIA NO VATICANO</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 14:08:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Nicolas Cadiet]]></category>

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		<description><![CDATA[Se houvesse muçulmanos vivendo no Vaticano e pedissem a aplicação da sharia, deveria-se atender a esse pedido? Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est Há algo de repugnante nisso… E, no entanto, a declaração Dignitatis humanae, uma das mais &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/lei-da-sharia-no-vaticano/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/04/Cathedrale-mosquee-de-Nicosie.jpg" alt="" width="500" height="337" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Se houvesse muçulmanos vivendo no Vaticano e pedissem a aplicação da sharia, deveria-se atender a esse pedido?</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte:<span style="color: #0000ff;"> <a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/liberte-religieuse/la-charia-au-vatican">La Porte Latine</a> </span>– Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Há algo de repugnante nisso… E, no entanto, a declaração <em>Dignitatis humanae</em>, uma das mais famosas do Concílio Vaticano II, parece afirmá-lo claramente:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>&#8220;A liberdade religiosa exige que os grupos religiosos não sejam impedidos de dar a conhecer livremente a eficácia especial da própria doutrina para ordenar a sociedade e vivificar toda a atividade humana.&#8221; Dignitatis Humanae nº 4</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como se chega a essa conclusão?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Declaração afirma que o homem deve estar isento de qualquer coação, seja ela qual for, em matéria religiosa, por parte de qualquer poder humano. Essa imunidade é apresentada como um direito inalienável decorrente da natureza humana e deve ser inscrita na legislação civil (DH n.º 2). Desse direito decorre o de manifestar no espaço público tudo o que a religiosidade comporta de social (DH n.º 4). A única restrição imposta é a dos  “<em>justos limites</em>” (DH n.º 2), baseados nas “<em>justas exigências da ordem pública</em>” (DH n.º 4).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É difícil entender como pode haver &#8220;<em>limites justos</em>&#8221; ao exercício desse direito se as necessidades do indivíduo são tão amplas e inalienáveis. Essa é a ambiguidade dos direitos humanos, que estabelecem exigências absolutas em relação à pessoa humana, antes de percebermos que a realidade impõe leis ainda mais absolutas! Pode-se sempre proclamar o direito à alimentação suficiente, mas o que isso significa se, após um naufrágio, dez pessoas se encontrarem em uma jangada com apenas uma lata de sardinhas e sem abridor de latas?</span><span id="more-34689"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">No entanto, parece correto condenar a coerção em matéria religiosa: não se deve forçar alguém a praticar um ato de fé, e é compreensível que um Estado cristão não impeça uma família de educar os seus filhos na sua religião, mesmo que falsa, porque isso constituiria uma violação da autoridade natural dos pais (1). Como podemos explicar estas intuições?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Santo Tomás de Aquino observa que existem inclinações naturais no homem, como preservar a própria vida, perpetuar-se através da descendência, viver em sociedade e buscar a Deus (2). Seria um erro contrariar tal inclinação natural (3) Mas aquele que se desvia da ordem da razão pode sofrer tal frustração. Em outras palavras, uma pessoa deve ter liberdade de movimento, mas um criminoso pode ser preso (4) <sup><a style="color: #000000;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/liberte-religieuse/la-charia-au-vatican#footnote_4_257186">.</a></sup> Portanto, normalmente deve-se dar livre curso à religiosidade dos indivíduos; mas, se ela for desviada, pode ser legítimo limitá-la. Como o Estado é o garante do bem comum, é necessário que este último esteja ameaçado para justificar uma limitação do exercício de falsos cultos (5) .</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Declaração conciliar prefere fundamentar-se na doutrina moderna dos direitos humanos, fundamentada na mera qualidade da pessoa humana, sujeito de direitos inalienáveis. O exercício desses direitos é indiferente ao verdadeiro e ao falso, assim como ao bem e ao mal, uma vez que se afirma que &#8220;<em>o direito a essa imunidade [em matéria religiosa] persiste mesmo naqueles que não cumprem a obrigação de procurar a verdade e de aderir a ela</em> &#8221; (DH n.º 2).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Portanto, a própria Declaração estabelece o princípio de uma interpretação errônea. De fato, ela não permite explicar que tipos de limites podem ser impostos pelo Estado à religiosidade dos cidadãos. Eis um exemplo de conceito cuja “<em>utilização… é sempre inoportuna</em>”, pois “<em>requer explicações numerosas e constantes, a fim de evitar que se desvie do sentido corretO (6)</em>», e <em>“</em>não serve à fé do povo de Deus (7)” .</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Nicolas Cadiet, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Outros estudos e textos sobre a DIGNITATIS HUMANÆ podem ser lidos <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/uma-continuidade-impossivel-sobre-a-dignitatis-humanae/">aqui</a></span>, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/d-tissier-de-mallerais-contra-a-hermeneutica-da-continuidade-na-dignitatis-humanae/">aqui</a></span>, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/o-conceito-de-liberdade-religiosa-na-dignitatis-humanae-do-concilio-vaticano-ii/">aqui</a></span>, e <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/nao-se-pode-salvar-a-dignitatis-humanae/">aqui</a></span>.</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Notas:</strong></span></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Suma Teológica, IIa IIae q.10 a.12; Pio XI, encíclica <em>Divini illius Magistri</em>.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">ST, Ia IIae q.94 a.2.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">ST, IIa IIae q.133 a.1. É assim que SANTO Tomás explica a natureza imoral da escravidão (Ia q.96 a.4), da difamação (IIa IIae q.72 a.2) e do homicídio (IIa IIae q.64 a.1 c. e ad 2).</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cf. ST IIa IIae q.65 a.3 ad 1; mas também IIa IIae q.64 a.2 ad 3 sobre a pena de morte.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">As encíclicas de Leão XIII, <em>Libertas</em> e <em>Immortale Dei,</em> afirmam suficientemente a importância de proteger os cidadãos contra os erros e a imoralidade associados às falsas religiões. Aliás, a falsidade deças deve ser reconhecida como um mal hoje em dia, a julgar pela forte repressão às chamadas <em>fake news”</em></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para perceber isso, basta examinar a literatura publicada para justificar que a Declaração <em>Dignitatis humanae</em> está em conformidade com a Tradição, particularmente com o <em>Syllabus</em> de Erros de Pio IX. Como diz o Padre Congar, <em>a Dignitatis humanae </em>afirma  “<em>materialmente algo diferente do Syllabus de 1864, e até mesmo quase o oposto das proposições 15, 77 a 79 desse documento”,</em>  em <em>La crise dans l&#8217;Eglise et Mgr Lefebvre, </em>Cerf , 1977, pp. 54–55.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Cf. Dicastério para a Doutrina da Fé, Nota <em>Mater populi fidelis,</em> 4 de novembro de 2025, n°22.</span></li>
</ol>
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		<title>CARTA A UM BISPO DIOCESANO SOBRE VOCAÇÕES</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Apr 2026 14:18:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>

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		<description><![CDATA[A perspectiva que a Fraternidade São Pio X pode oferecer à Igreja universal no que diz respeito às vocações sacerdotais. CLIQUE AQUI e acesso nosso Especial sobre VOCAÇÔES Fonte: DICI &#8211; Tradução: Dominus Est Monsenhor, Uma vez que nossa última conversa &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/carta-a-um-bispo-diocesano-sobre-vocacoes/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/jomarc-nicolai-cala-cbcs07yv7j8-unsplash.jpg?itok=OuGJHXvk" alt="" width="555" height="316" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">A perspectiva que a Fraternidade São Pio X pode oferecer à Igreja universal no que diz respeito às vocações sacerdotais.</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-do-blog-as-vocacoes-sacerdotais-e-religiosas/">CLIQUE AQUI</a> </span>e acesso nosso Especial sobre VOCAÇÔES</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Fonte: <a href="https://fsspx.news/fr/news/lettre-un-eveque-diocesain-sur-les-vocations-58597"><span style="color: #0000ff;">DICI</span> </a>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Monsenhor,</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma vez que nossa última conversa versou sobre as vocações sacerdotais, permita-me partilhar fraternalmente com o Sr. minha visão sobre o futuro das vocações nas dioceses.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parece-me que os responsáveis ​​pela pastoral vocacional muito se beneficiariam se meditassem sobre as grandes lições que as comunidades tradicionais extraíram de sua experiência atual: o florescimento das vocações é, antes de tudo, fruto de uma vida de fé coerente, não apenas individual, mas familiar e social, de uma sólida cultura cristã, e não de uma estratégia de comunicação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Nossa experiência com vocações</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Observamos que as vocações surgem onde o sacerdócio é vivenciado como algo elevado e edificante, não como uma mera função, onde sua missão é vista claramente como sobrenatural e necessária — como um instrumento insubstituível da graça de Deus — e não como uma espécie de assistente social ou administrador. Um pároco da diocese me dizia recentemente:  &#8220;<em>Nós nos dedicamos à presença e ao encontro. Vemos coisas belas</em>.&#8221; Claramente, ele não inspirará nenhuma vocação.</span><span id="more-34673"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O projeto de vida que lhes oferecemos deve ser sólido, seguro e livre de surpresas desagradáveis. A vida comunitária e fraterna que nossa Fraternidade oferece atrai e tranquiliza os jovens. Além disso, os sacerdotes que irradiam a busca pela santidade e possuem um espírito paterno desempenham um papel significativo em muitas vocações.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Padrões exigentes atraem mais do que o relativismo. Este é o método de Nosso Senhor: &#8220;<em>Se queres seguir-me, renuncia a ti mesmo, toma a tua cruz e segue-me</em>&#8220;. Um confrade diocesno me disse: &#8220;<em>Meu caro amigo, se eu falar assim, esvazio minha igreja. Faço o que posso&#8230;&#8221;</em> Portanto, apesar de todas as suas boas intenções, certamente ele não inspirará nenhuma vocação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em nossa sociedade, marcada pelo individualismo e pela desorientação moral, procuramos formar e acompanhar as pessoas na modéstia, na organização da vida familiar, na catequese, na prática dos sacramentos em família e na fidelidade aos mandamentos. Vocês certamente concordarão que a coerência entre a fé professada e o modo de vida concreto constitui um fator de credibilidade, e não de sectarismo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Famílias devotas continuam sendo a base dos seminários. As vocações raramente surgem <em>ex nihilo (do nada)</em>; elas emergem de um ecossistema denso que muitas dioceses viram enfraquecer nos últimos 40 anos: o de famílias numerosas, com uma prática dominical constante, que se beneficiam de uma catequese séria e de suas próprias escolas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em nossa conversa, o Sr. mencionou as dificuldades encontradas com *** (uma antiga comunidade Ecclesia Dei), porque as famílias de lá têm um modelo educacional que as diferencia de outras famílias da diocese. Mas é nessa medida que elas também recrutam para seus seminários. O senhor me disse não concordar com essa opinião, pois a Igreja estaria, em sua opinião, “<em>muito excluída”</em> do mundo, mas&#8230;ouso mantê-la. Constato essa realidade com demasiada frequência para escondê-la debaixo do alqueire.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A clareza constrói a compreensão da fé; a ambiguidade a torna confusa, exposta a todos os ventos da doutrina, a interpretações abusivas e, portanto, à dúvida. Jesus dizia: “<em>Que o vosso sim seja sim, que o vosso não seja não; tudo o resto vem do Maligno</em>”. É precisamente essa a nossa atitude em relação ao Concílio Vaticano II e ao Magistério pós-conciliar, e não uma rejeição orgulhosa. A Fraternidade investe muito na formação e na clareza doutrinária, mesmo estando cientes de nossa imperfeição… mas constatamos que nossa linha clara suscita vocações, pois a alma humana necessita de coerência.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A centralidade do Sacrifício da Cruz, oferecido em nossos altares durante a Santa Missa, e sua manifestação ritual, são evidentes no Rito Tridentino e forjam almas fortes, impelidas a participar do sacrifício de Cristo. Isso desperta muitas vocações no íntimo de seus corações. É também a coragem do sacerdote que prega a renúncia e a beleza de seu próprio sacrifício, oferecido sem reservas em seu celibato consagrado e batina preta, e ainda assim repleto de alegria como um aleluia em sua Missa. Não digo isso para defender uma posição, mas é uma observação feita após ter acompanhado mais de 220 jovens em seu discernimento vocacional.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A necessidade de sua mediação sacramental — &#8220;<em>Eu te absolvo de teus pecados. Este é o meu Corpo, este é o meu Sangue</em>&#8221; — jamais poderá ser efetivamente proclamada senão por um sacerdote. Muitos jovens que ingressam no seminário o fazem porque compreendem que, sem o ministério do sacerdote, as almas se perdem. Estão convencidos da absoluta necessidade do sacerdócio.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O sagrado na liturgia gera o sagrado nas almas. A liturgia, ao pretender adaptar-se perfeitamente aos homens de hoje, não apela a essa parte de suas almas. Sim, a liturgia tradicional é menos compreensível de forma direta e, no entanto, atrai cada vez mais pessoas. É a linguagem do sagrado que assume o comando e fala às profundezas da alma, o que as orações ou palavras em voz alta ao longo de toda a liturgia impedem. Nossos antepassados se beneficiaram disso durante séculos e almas profundas surgiram em grande número entre os ignorantes.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">&#8220;<em>Minorias criativas</em>&#8220;</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dessa forma, permita-me abordar com mais clareza um ponto da nossa conversa. O risco de isolamento sociocultural de que me falava, a dificuldade de articulação com o resto da Igreja universal, podem efetivamente ser perigos, mas a realidade é bem outra: por um lado, esse afastamento é atualmente o que mais protege nossa fidelidade e, portanto, nossa estabilidade e, consequentemente, o recrutamento sacerdotal. Por outro lado, mais da metade dos fiéis da Fraternidade São Pio X são convertidos ou famílias que voltaram à prática cristã por meio do nosso apostolado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por fim, as famílias que se beneficiam do nosso ministério não estão isoladas. Elas participam humildemente da reconstrução da Igreja, que envolve não apenas sacerdotes, mas também uma rede comunitária de escolas independentes, centros de acolhimento, movimentos de juventude, iniciativas de solidariedade local, associações culturais e diversas outras redes. Nossa força reside na reconstrução a longo prazo, sem sacrificar princípios em prol de resultados rápidos. É importante destacar que, ao redor da Fraternidade, cerca de 20 congregações religiosas tradicionais com diversas espiritualidades estão se desenvolvendo, reunindo centenas de religiosos e religiosas e demonstrando a notável vitalidade da alma da Tradição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O senhor sabe que o futuro Bento XVI falava de &#8220;<em>minorias criativas</em>&#8221; capazes de preservar o coração da fé em tempos de secularização.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dessa perspectiva, comunidades como a Fraternidade não pretendem transformar imediatamente a sociedade ou a Igreja, mas sim preservar uma doutrina intacta, pura de qualquer adaptação às ideologias modernas; formar sacerdotes solidos e convictos, espiritualmente preparados para uma vida equilibrada no mundo atual; transmitir uma cultura católica verdadeira e bela; reconstruir por meio de uma ação capilar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Dessa perspectiva, a própria lentidão do processo é um sinal de solidez: formar sacerdotes leva tempo; formar famílias cristãs coesas leva uma geração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Parece-me meu dever esclarecer-vos estas coisas com toda a humildade, sabendo que, estando abertos à realidade, não estamos apegados às nossas opiniões. Parece-me também que toda esta experiência da Fraternidade São Pio X não é muito diferente da experiência multisecular da Igreja.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aceite, Monselhor, a expressão do meu respeito religioso e a certeza das minhas orações para que a graça divina seja o fermento da sua obra apostólica.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Guilherme Gaud, FSSPX</span></strong></p>
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		<title>TRADIÇÃO: UMA EXPERIÊNCIA FORMIDÁVEL E TEMIDA</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 15:24:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Alain Lorans]]></category>

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		<description><![CDATA[Entre os benefícios espirituais das sagrações episcopais que ocorrerão em Écône em 1º de julho de 2026, estará o de permitir que todos aqueles que assim o desejarem vivenciem a Tradição, tal como pretendia Dom Marcel Lefebvre. Fonte: DICI &#8211; &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/tradicao-uma-experiencia-formidavel-e-temida/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://fsspx.news/sites/default/files/styles/content_image_16_9_desktop/public/fsspxactualites/fsspxnews/imgl9507_edited.jpg?itok=onD-AqBo" alt="" width="571" height="329" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Entre os benefícios espirituais das sagrações episcopais que ocorrerão em Écône em 1º de julho de 2026, estará o de permitir que todos aqueles que assim o desejarem vivenciem a Tradição, tal como pretendia Dom Marcel Lefebvre.</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://fsspx.news/fr/news/la-tradition-une-experience-redoutable-et-redoutee-58411">DICI</a></span> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É precisamente essa experiência que os progressistas temem, como afirmou inequivocamente o jesuíta Thomas Reese no <em>Religion News Service,</em> em 13 de abril de 2021: “<em>A Igreja deve deixar claro que deseja o desaparecimento da liturgia não reformada [destaque nosso] e que só a autorizará por bondade pastoral para com os idosos que não compreendem a necessidade de mudança. Crianças e jovens não deveriam ser autorizados a assistir a essas missas [sic]..”</em> – Em outras palavras, a Missa Tridentina é proibida para menores de 18 anos e reservada para maiores de 98 anos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse é o objetivo do Motu proprio <em>Traditionis custodes</em> de 16 de julho de 2021, que reduz drasticamente a possibilidade de celebração da Missa Tridentina. Trata-se de confinar a Tradição, de confiná-la a uma reserva para uso de padres e fiéis que se espera que estejam em vias de extinção. E essas medidas profiláticas têm como objetivo proteger a “<em>Igreja conciliar</em>” – como a chamava Dom Giovanni Benelli, em 1976 – do <em>“contágio”</em> da Tradição.</span><span id="more-34610"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pois, no fundo, não é a Tradição que teme, mas sim a utopia conciliar que teme que seus dias estejam contados, como indicam impiedosamente as paróquias cada vez mais desertas e os seminários cada vez mais vazios. Na França, a idade média dos padres diocesanos é de 75 anos, enquanto a dos padres ligados à Tradição é de 40. Os números não são &#8220;<em>tradicionalistas&#8221;</em>, muito menos &#8220;<em>lefebvristas&#8221;</em>. São o que são. Teimosos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A experiência da Tradição assusta os conciliaristas, que estão dispostos a discutir ad infinitum, desde que se expressem apenas simples opiniões. Contudo, a experiência dos fatos — que são, de fato, efeitos do Concílio — obriga-os a considerar a causa dessa “apostasia silenciosa » [expressão da exortação Ecclesia in Europa, 28 de junho de 2003], uma causa que desejam evitar a todo custo. A pastoral conciliar, que defendia o <em>“enterramento”</em> dos clérigos na sociedade secularizada, tornou-se uma pastoral da avestruz, mas corre grande risco de ser obrigada a tirar a cabeça da areia.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mais do que nunca, é preciso travar a batalha da fé não de forma teórica ou retórica, mas prática: vivenciar a Tradição no dia a dia, por meio da Missa de sempre, do dever de estado, da oração e da penitência. <em>Verba volant, exempla trahunt</em> — as palavras se dissipam, mas os exemplos exercem uma atração irresistível sobre as almas em busca da verdade, em particular sobre os jovens, como se surpreende o Papa Leão XIV, em uma recente entrevista com Dom Athanasius Schneider.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os conciliaristas doutrinários sabem disso e temem-no, razão pela qual querem cercar a Tradição com arame farpado disciplinar, invocando uma obediência que não exigem daqueles que transgridem as leis divinas sobre o sacerdócio ou o matrimônio. Mas medidas coercitivas não detêm um entusiasmo contagiante. A experiência da Tradição é contagiante. Missionária.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Padre Alain Lorans, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">*************************************</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO &#8220;<em>ESPECIAL DOS ESPECIAIS</em>&#8221; COM OS MAIS DIVERSOS ESTUDOS SOBRE SAGRAÇÕES, OBEDIÊNCIA, CISMA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/">CLICANDO AQUI </a></span></strong></p>
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		<title>A ECLESIOLOGIA ILUSÓRIA DA FRATERNIDADE SÃO PEDRO – PELO PE. JEAN-MICHEL GLEIZE, FSSPX</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 14:07:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Ecclesia Dei]]></category>

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		<description><![CDATA[O legalismo da Fraternidade São Pedro foge à vista do lobo e abandona as ovelhas. Fonte: La Porte Latine &#8211; Tradução: Dominus Est “Sagrações legítimas?” Este é o título de um texto assinado por “Theologus” e publicado em 11 de &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-eclesiologia-ilusoria-da-fraternidade-de-sao-pedro-pelo-pe-jean-michel-gleize-fsspx/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2026/04/507.jpg" alt="" width="510" height="345" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O legalismo da Fraternidade São Pedro foge à vista do lobo e abandona as ovelhas.</strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <a href="https://laportelatine.org/actualite/lecclesiologie-en-trompe-loeil-de-la-fraternite-saint-pierre"><span style="color: #0000ff;">La Porte Latine</span> </a>&#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Sagrações legítimas</em>?” Este é o título de um texto assinado por “<em>Theologus</em>” e publicado em 11 de abril de 2026 no site <em>“claves.org</em>”(1) pelos sacerdotes da Fraternidade São Pedro. Nele, tentam demonstrar que a argumentação apresentada pela FSSPX para estabelecer a legitimidade das sagrações episcopais que se prepara para realizar, no próximo dia 1º de julho, seria vã.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse tipo de discurso não é novo. De fato, desde o início, ou seja, desde o “<em>verão de 1988</em>”, os sacerdotes determinados a não seguir D. Lefebvre em sua decisão de nomear sucessores para o episcopado têm se esforçado para justificar sua posição. Foram, principalmente, os sacerdotes da então nascente Fraternidade São Pedro e, entre eles, o padre Josef Bisig(2). E o fizeram apresentando a iniciativa das sagrações como conduzindo a um episcopado não católico, um episcopado cismático, um episcopado que veicula uma heresia implícita. Reforçado pelo padre de Blignières(3), o estudo do padre Bisig inspira em grande parte a reflexão atual dos padres da Fraternidade São Pedro, em particular tal como se expressa no texto publicado online em 11 de abril(4).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A novidade, se é que existe alguma, consiste em contestar os argumentos apresentados pela FSSPX por ocasião do anúncio das futuras sagrações de 1º de julho de 2026. E em acompanhar o estudo com uma &#8220;<em>enfática homenagem</em>&#8221; do Cardeal Sarah.</span><span id="more-34634"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa homenagem do Cardeal Sarah descreve o texto como &#8220;<em>luminoso&#8221;, &#8220;maravilhoso, claro e bem elaborado&#8221;</em>. Ele reitera, sobretudo, o que parece ser um dos postulados adotados por todos aqueles que contestam a validade das sagrações de Ecône: “<em>Devemos saber que não somos nós que salvamos as almas. </em><em>É Cristo, e somente Cristo, quem salva. Nós, nós somos apenas instrumentos nas Suas Mãos</em><em>.&#8221; &#8220;Não somos nós que salvamos a Igreja, mas a Igreja que nos salva</em>&#8220;, já escrevia o padre Bisig(5). Como se o Corpo Místico de Cristo fosse algo diferente dos membros de Cristo. Trata-se aqui de uma concepção da Igreja que tenderia a transformar seus membros em meros instrumentos inertes, ou em meros espectadores, e não em atores, de sua salvação. Lutero e Calvino já haviam considerado isso — mas o Concílio de Trento nos lembra que Deus nos convida a fazer o que podemos e a pedir o que não podemos(6). E fazer o que podemos, não é contribuir, cada um em seu nível, com as graças recebidas de Deus, para salvar a Igreja, salvando as almas na e pela Igreja?&#8230;</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A refutação dos argumentos apresentados pela Fraternidade São Pedro pode ser resumida em dois pontos, e <strong>demonstraremos sua futilidade em um artigo a ser publicado no <em>Courrier de Rome</em></strong>. O importante aqui é destacar que, antes de empreender essa refutação, os sacerdotes da Fraternidade São Pedro começam apresentando esses argumentos como &#8220;<em>o argumento fundamental da Fraternidade São Pio X em defesa das sagrações planejadas para 1º de julho de 2026</em>&#8220;. E é aí que tudo já desmorona, pois, na verdade, esse não é o <em>&#8220;argumento fundamental</em>&#8221; da FSSPX. Os próprios autores da Fraternidade São Pedro admitem isso, aliás, eles próprios, quando apresentam essa argumentação como tendo sido “<em>resumida oficialmente em um Anexo à resposta do padre Pagliarani ao Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, em 18 de fevereiro de 2026</em><em>&#8220;.</em> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Trata-se, precisamente, nem mais nem menos do que de um “<em>Apêndice</em>”, cujo objeto é uma questão técnica de eclesiologia, cuja explicação visa apenas servir de apoio — um apoio secundário — à argumentação principal da Fraternidade, que se encontra em outro lugar. Ela se encontra precisamente no texto da Carta endereçada pelo Pe. Pagliarani ao Cardeal Fernandez (7). Encontra-se também no sermão proferido pelo próprio Pe. Pagliarani no Seminário Flavigny em 2 de fevereiro, durante as cerimônias de tomada de batina, quando o Superior Geral de nossa Fraternidade anunciou as sagrações para 1º de julho (8). Finalmente, encontra-se também nas respostas que o Pe. Pagliarani deu em 7 de fevereiro aos jovens reunidos para a Universidade de Inverno organizada pelo Distrito Francês da Fraternidade (9).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Essa “<em>argumentação fundamental</em>” baseia-se na realidade do estado de necessidade, realidade notavelmente agravada desde o verão de 1988, e que exige, mais uma vez, a sagração de novos bispos plenamente católicos para a salvação das almas. Aliás, não são os padres da Fraternidade São Pedro os primeiros a ter de reconhecer que as promessas que lhes foram feitas em 2 de julho de 1988 com o Motu proprio <em>Ecclesia Dei afflicta</em> não foram cumpridas? … Promessas que continuam ameaçadas pelo Motu proprio <em>Traditionis custodes</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Desse estado de necessidade, os sacerdotes do movimento Ecclesia Dei, como se vê claramente, evitam falar com demasiada frequência. O Padre de Blignières minimiza-o cada vez mais (10). Os sacerdotes da Fraternidade de São Pedro não falam sobre isso. No entanto, é justamente esse estado de necessidade que justifica, por sí só, a iniciativa de sagrações. E justifica-se porque a lei suprema na Igreja é, de fato, a salvação das almas, contra a qual nenhuma disposição do direito canônico pode prevalecer. No texto publicado em 11 de abril, esse argumento fundamental totalmente ignorado. Os sacerdotes da Fraternidade São Pedro, em uma análise minuciosa e complexa, desviam a atenção de seus leitores para um ou outro ponto da nova eclesiologia do Concílio Vaticano II, cuja falsidade foi justamente denunciada pela Fraternidade São Pio X. Mas não é a refutação desses pontos da nova eclesiologia que representa a razão profunda na qual a referida Fraternidade pretende se basear para justificar as sagrações episcopais. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Fraternidade São Pio X, sem dúvida, contesta a ideia absolutamente nova de que a sagração conferiria, por si só, não apenas o poder de ordem, mas também o poder de jurisdição. A Fraternidade demonstra ainda que conferir o episcopado contra a vontade do Papa não é de modo algum um ato intrinsecamente mau ou contrário à lei divina. Mas essas discussões especializadas, embora ainda importantes, são uma cortina de fumaça: evitam encarar de frente a verdadeira razão que justifica as consagrações: o estado de necessidade, a situação de crise generalizada da qual a Igreja está longe de ter saído e na qual os detentores da autoridade suprema abusam de seu poder em grande e grave prejuízo da salvação das almas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sem dúvida, sim, se não houver estado de necessidade, se a Igreja estiver em um estado normal, se o Papa agir como verdadeiro Vigário de Cristo para exercer seu poder em benefício da salvação das almas, condenando todos os erros que ameaçam a fé dos fiéis, então sim, não é legítimo consagrar bispos contra a vontade do Papa, e as normas habituais do direito da Igreja mantêm toda a sua força para proibir tal iniciativa. Mas é a circunstância extraordinária da crise, é a situação incomum em que a pessoa de um Papa, como diz Caetano, se recusa a submeter-se ao seu ofício papal, que faz toda a diferença. Ocultar essa circunstância e raciocinar como se a Igreja pós-Vaticano II estivesse no mesmo contexto que sob São Pio X ou Pio XII é cair no legalismo mais estreito – e impedir-se de socorrer as almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Somos obrigados a reconhecer isso</em>”: esta é a frase-chave que resume toda a atitude de D. Lefebvre, uma expressão do Bom Pastor que dá a vida pelas ovelhas. O legalismo da Fraternidade de São Pedro, por outro lado, foge à vista do lobo e abandona as ovelhas.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Jean-Michel Gleize, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">**************************************</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Outras respostas do Pe. Gleize à Fraternidade São Pedro e ao Pe. Blignières podem ser vistas nos links abaixo:</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-episcopais-de-1988-prejudicaram-um-elemento-essencial-da-fe-catolica-a-unidade-da-igreja/">PARTE 1: AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1988 PREJUDICARAM UM ELEMENTO ESSENCIAL DA FÉ CATÓLICA: A UNIDADE DA IGREJA?</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-realizadas-por-d-lefebvre-em-1988-representam-um-ato-de-natureza-cismatica/">PARTE 2: AS SAGRAÇÕES REALIZADAS POR D. LEFEBVRE EM 1988 REPRESENTAM UM ATO DE NATUREZA CISMÁTICA?</a></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/as-sagracoes-episcopais-de-1988-o-dilema-ecclesia-dei/">PARTE 3: AS SAGRAÇÕES EPISCOPAIS DE 1988: O DILEMA ECCLESIA DEI</a></strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">*************************************</span></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;">ACESSE NOSSO &#8220;<em>ESPECIAL DOS ESPECIAIS</em>&#8221; COM OS MAIS DIVERSOS ESTUDOS SOBRE SAGRAÇÕES, OBEDIÊNCIA, CISMA, ESTADO DE NECESSIDADE, JURISDIÇÃO DE SUPLÊNCIA, MISSA NOVA, CVII, ECUMENISMO, ETC., </span><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/especial-dos-especiais-do-blog-combo-refutacoes-gerais/">CLICANDO AQUI </a></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;">*************************************</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="text-decoration: underline;"><strong><span style="color: #000000; text-decoration: underline;">Notas:</span></strong></span></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://claves.org/des-sacres-legitimes/">https://claves.org/des-sacres-legitimes/</a></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">&#8220;Sobre a Sagração Episcopal Contra a Vontade do Papa, com aplicação às sagrações conferidas em 30 de junho por D. Lefebvre.&#8221; Ensaio teológico coletivo de membros da Fraternidade São Pedro, sob a direção do Padre Josef Bisig, 1988, 2ª edição, parcialmente ampliada e corrigida, sem data.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na página do site da Fraternidade São Vicente Ferrer de 30 de setembro de 2022.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Este não é o único caso. Em uma conferência proferida em 8 de abril em Paris, o Padre Hilaire Vernier desenvolveu o mesmo tipo de argumento para tentar provar que seria &#8220;contrário à lei divina conferir o episcopado contra a vontade do Papa, mesmo sem querer conceder-lhe jurisdição&#8221;. </span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como citação final, na página 75 do ensaio citado anteriormente.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Concílio de Trento, sessão 6 sobre justificação, capítulo 11 (DS 1536).</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/carta-resposta-do-padre-pagliarani-ao-cardeal-fernandez/">https://catolicosribeiraopreto.com/carta-resposta-do-padre-pagliarani-ao-cardeal-fernandez/ </a></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/pe-pagliarani-sagracoes-por-fidelidade-a-igreja-e-as-almas/">https://catolicosribeiraopreto.com/pe-pagliarani-sagracoes-por-fidelidade-a-igreja-e-as-almas/</a></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/actualite/labbe-pagliarani-repond-aux-questions-des-jeunes-sur-les-sacres-video">https://laportelatine.org/actualite/labbe-pagliarani-repond-aux-questions-des-jeunes-sur-les-sacres-video</a></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://catolicosribeiraopreto.com/padre-de-blignieres-e-a-unidade-da-igreja-pelo-pe-jean-michel-gleize/">https://catolicosribeiraopreto.com/padre-de-blignieres-e-a-unidade-da-igreja-pelo-pe-jean-michel-gleize/</a></span></li>
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<p>&nbsp;</p>
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