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	<title>DOMINUS EST &#187; Pe. Hervé Gresland</title>
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	<description>FIÉIS CATÓLICOS DE RIBEIRÃO PRETO (FSSPX) - SOB A PROTEÇÃO DE NOSSA SENHORA CORREDENTORA E MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS</description>
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		<title>VERDADEIRA E FALSA MISERICÓRDIA</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Sep 2024 14:11:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Concílio Vaticano II]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Francisco]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Hervé Gresland]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde várias décadas, uma noção errônea da misericórdia, que prescinde da justiça, tem se propagado na teologia. Essa “misericórdia” deformada é um elemento central do pensamento do Papa Francisco, e causa uma profunda confusão no povo cristão. Fonte: La Porte &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/verdadeira-e-falsa-misericordia/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2024/09/Bon-Samaritain-Moreau-RF-MO-P-2017-5-20179324.jpg" alt="" width="481" height="357" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em><strong>Desde várias décadas, uma noção errônea da misericórdia, que prescinde da justiça, tem se propagado na teologia. Essa “misericórdia” deformada é um elemento central do pensamento do Papa Francisco, e causa uma profunda confusão no povo cristão.</strong></em></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte:</span> <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/doctrine/vraie-et-fausse-misericorde">La Porte Latine</a></span> <span style="color: #000000;">&#8211; Fonte:</span> <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O QUE É MISERICÓRDIA?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De acordo com a etimologia, misericórdia é o sentimento de um coração (cor, <em>cordis</em>, em latim) comovido por uma miséria. Pela misericórdia, entristecemo-nos pelo desfortúnio do próximo como se fosse nosso: “<em>O homem misericordioso considera como sua a miséria de outrem, e se aflige como se ela lhe fosse pessoal</em>”, escreve São Tomás de Aquino.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A misericórdia não é somente um movimento da sensibilidade: enquanto virtude, ela é um movimento da vontade pautada pela razão. Essa virtude visa um justo meio entre a insensibilidade ou a severidade, e uma paixão que seria incomensurável nos temperamentos deveras afáveis.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando nasce da caridade, a misericórdia é uma virtude sobrenatural, que tem em vista os bens naturais do próximo, e, mais ainda, os bens sobrenaturais.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>AS ETAPAS DA MISERICÓRDIA</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Descrevamos as etapas da virtude sobrenatural de misericórdia, aquela que é um efeito da caridade.</span><span id="more-32096"></span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">A misericórdia começa por ver o desfortúnio do próximo.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não ver a miséria é coibir a misericórdia. A cegueira sobre o desfortúnio do outro pode ser provocada pelo egoismo e o individualismo, que tornam-nos indiferentes. Não cuidar dos outros e do que os atinge: eis a razão principal dessa insensibilidade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Para ser misericordioso verdadeiramente, o cristão deve fixar sobre os homens um olhar de fé. A fé leva a compreender profundamente o mal das almas. Por ela, a misericórdia focará em um pecado, uma desordem moral. Ao contrário, uma misericórdia falsificada pelo relativismo pretende ver no pecado e no erro apenas fraquezas, um bem menor…</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">A visão da miséria do outro produz na alma um movimento de tristeza, leva a se compadecer dessa miséria.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porém, a emoção da verdadeira misericórdia não é aquela da filantropia. A misericórdia cristã nasce da caridade, ela é teologal, em razão de Deus. Em particular, ela é tomada de compaixão pelos pecadores. E compadecer-se pelo pecado do outro não é certamente encorajá-lo em sua falta. É contemplar a santidade de Deus ofendida pela falta, e pensar na pena eterna que espera o pecador endurecido.</span></p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">A compaixão não basta a si mesma. A compaixão autêntica passa aos atos, ela tende a aliviar essa miséria, ela faz o que está ao seu alcance para socorrer de modo eficaz.</span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aqui também o olhar da fé permite discernir as verdadeiras misérias do próximo. Algumas pessoas generosas gostariam de aliviar todas as misérias do mundo, mas se limitam às misérias materiais. Ora, o maior mal é o afastamento de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A obra de misericórdia por excelência é, portanto, o testemunho da fé, o que chamamos de misericórdia da verdade. Somente o ensino da verdadeira religião tirará os homens da grande desgraça na qual eles se fecharam, por sua ignorância involuntária ou culposa. O liberalismo e o relativismo que se calam e mantém os homens em suas ilusões não são somente erros, mas uma assustadora indiferença.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>A NOVA “MISERICÓRDIA”</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Uma nova concepção da misericórdia já se encontrava nos predecessores do papa atual. Em seu discurso para a abertura do concílio Vaticano II, João XXIII anunciava a nova doutrina ao proclamar: “<em>Hoje, a Esposa de Cristo prefere recorrer ao remédio da misericórdia em vez de brandir as armas da severidade</em>.”</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O grande pensador católico Romano Amerio notava com exatidão: “<em>Este anúncio do princípio de misericórdia, oposto a aquele da severidade, negligencia o fato de que, no espírito da Igreja, a condenação do erro é, por si, obra de misericórdia, visto que ao atingir o erro, se corrige aquele que errava e se preserva do erro os outros</em>1”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A nova atitude contém, na realidade, muitos abandonos. Ela desconsidera a misericórdia que é, todavia, a mais importante, pois ela toca o mal mais profundo: dizer aos homens a verdade. A verdadeira misericórdia consistiria em ter grande compaixão pelas almas que jazem “<em>na sombra da morte</em>”, e em pregar-lhes Jesus Cristo e a fé, que é indispensável à salvação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De fato, a nova “misericórdia” vai se voltar mais para as misérias da terra do que para aquelas que são as mais graves, as misérias espirituais. O partido dominante na Igreja tem em vista servir o homem em sua vida terrestre, em vez de prosseguir a missão que Nosso Senhor deu à Igreja, de dirigir as almas para o Céu e salvá-las.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O PRIMADO DA CONSCIÊNCIA</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Aos olhos do pensamento moderno, a consciência de cada um prima sobre tudo. O que é bom e legítimo buscar não é mais o que está de acordo com a ordem estabelecida pela sabedoria do Criador, tal como expressa a lei divina. É o que aparece como tal ao indivíduo, no íntimo de sua consciência. A lei divina é colocada de lado, e em seu lugar se instala a consciência individual, transformada em absoluta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Esse pensamento penetrou na Igreja desde o concílio Vaticano II: para não incomodar as consciências, evita-se fazer referência à verdade. De modo que o cristianismo se reduz cada vez mais a um humanitarismo vago, que se contenta em pregar uma consolação que podemos encontrar em outro lugar, sem que seja necessário se dirigir à Igreja. Esse humanitarismo sentimental se manifesta no modo de apresentar Jesus Cristo: ele, que se mostrou exigente com os pecadores, se transforma em um simpático mestre liberal, o camarada de todos, que parece não ter nenhuma pretensão em transformar nossas vidas e desenraizar o pecado delas. É um Jesus que não julga e garante o paraíso a todos.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>UMA MISERICÓRDIA SEM ARREPENDIMENTO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Na pregação atual da Igreja, a ideia de misericórdia é separada daquela de conversão e arrependimento. O Papa Francisco não fala do julgamento divino, e não perde uma oportunidade para desvalorizar a lei divina, como se ela fosse apenas uma preocupação de fariseus. Isso é visto em numerosas de suas declarações ou intervenções.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um documento típico é a exortação sobre a família <em>Amoris lætitia</em>, publicada em 2016. Francisco oferece aí a possibilidade aos cristãos de decidirem questões de moralidade no casamento casuisticamente, de acordo com sua consciência pessoal. A orientação necessária e clara dada pela lei de Deus é silenciada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O documento está impregnado da ideia de que existiria um direito do homem a ser perdoado, sem que seja necessário se converter, e um dever de Deus em perdoar. Como se se pudesse imaginar tal direito e tal dever! No lugar de um Deus autenticamente misericordioso que perdoa aqueles que se arrependem, coloca-se um Deus compreensivo que desculpa e justifica sempre. Um Deus que não é o verdadeiro Deus. Ora, como diz o jornalista italiano Aldo Maria Valli, “<em>Deus, o Deus da Bíblia, é certamente paciente, mas não negligente. Ele é certamente clemente, mas não permissivo. Ele é certamente atencioso, mas não complacente. Em uma palavra, ele é pai no sentido mais completo e mais autêntico do termo</em>2”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Bíblia poderia se resumir a um apelo ao arrependimento e a uma promessa de perdão, não podendo ser separado um do outro. É ainda verdade no Novo Testamento. Uma das missões principais dadas por Jesus à Igreja é de chamar os pecadores ao arrependimento: “<em>Que em seu nome seja proclamada a todas as nações o arrependimento em vista da remissão dos pecados</em>” (Lc 24, 47).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Nosso Senhor deu aos seus apóstolos a autoridade de absolver os pecados, mas não de perdoá-los. Um padre não pode redefinir as leis que Deus estabeleceu. Ele não pode modificar o Decálogo. E, se pode dar a absolvição por um pecado passado, ele não pode, certamente, dar a permissão para que o pecado continue.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A verdadeira misericórdia é exercida em face do pecador, encorajando-o e ajudando-o a sair de seu pecado. Ao contrário, pela falsa misericórdia, os pecadores são assegurados e confirmados em sua situação de pecado. No lugar de buscar levá-los a Deus, essa pretensa misericórdia pode conduzi-los à condenação eterna. Ela é uma grave falta de caridade para com as almas extraviadas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A misericórdia existe porque o pecado existe. A verdadeira misericórdia supõe a justiça, e requer uma consciência clara da profundidade e da gravidade do pecado. Considerando a misericórdia divina independentemente da verdade e da justiça, ao despojá-la da dimensão do julgamento, ao negar, praticamente, a culpabilidade, se mitiga o perdão divino, desvalorizam-no. Deus não nos livra mais do pecado. Sua onipotência e seu amor infinito não crescem com isso, bem ao contrário.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>A PROTEÇÃO DO BEM COMUM</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em nome da misericórdia, seria preciso autorizar todos os comportamentos, evitar qualquer marca de “discriminação”, ignorar os insultos flagrantes contra a honra de Deus, calar os direitos da verdade e da Igreja. Porém, a discriminação não vem de uma pretendida falta de caridade. A verdade é que condenar o pecado público é precisamente uma misericórdia, visto que ele ameaça atingir outras almas do rebanho. É dever da Igreja denunciar o mal para proteger os demais fiéis. É necessário diferenciar o bem do mal, a fim de preservar o bem comum da virtude contra o mau exemplo do vício.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>UMA NOVA MORAL PARA AGRADAR AO MUNDO</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A ambiguidade e o relativismo não somente entraram na Igreja, mas se travestiram de magistério. A moral católica é agora caduca e substituída por sofismas que a minam, chegando até a transformar os ensinamentos morais da Igreja em seu oposto. Não querem mais falar que há coisas que conduzem a Nosso Senhor, e outras que nos desviam dele e de seu amor. O pecado não é sequer mais chamado assim, a lei divina é dobrada à pretensa autonomia do homem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Não é mais o pecador que deve se arrepender e se converter, mas é a Igreja que deve se converter ao reconhecimento “misericordioso” daqueles que manifestam não querer seguir seus ensinamentos, nem, portanto, aqueles de Deus. Ela não deve mais se impôr, ela deve se limitar a “escutar”, “compreender”, “acompanhar”, indo, assim, de tolerâncias em pusilanimidades, para se adaptar ao pecado do mundo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A verdadeira misericórdia é o contrário deste relativismo, do qual se pode dizer que é uma profanação da misericórdia. O verdadeiro misericordioso vê, por exemplo, a vida marital fora do casamento como uma ofensa a Deus, a destruição do casamento cristão, a morte das almas, uma revolução social. E, ele chora por isso. Atualmente, a lei moral deve ser adaptada aos costumes presentes, aqueles dos divorciados “recasados”, ou daqueles que vivem uniões antinaturais.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja conciliar engana os homens quando ela disfarça como misericórdia a aceitação do vício e do pecado. A falsa misericórdia se adorna de belos sentimentos, de solicitude pastoral. Mas ela menospreza o ideal e apresenta um cristianismo sem exigência de renovação moral. No fundo, a Igreja renuncia a cristianizar os costumes. Os homens são agora considerados como incapazes de respeitar sequer a lei natural, que é abolida: não resta mais nada.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os homens da Igreja encontraram aí um meio de se alinhar às injunções do mundo moderno, inimigo de Deus, e de ser aplaudido por ele, fingindo conservar uma justificação cristã à sua nova moral. Mas isso provoca um imenso escândalo nas almas.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;"><a style="color: #000000;" href="https://laportelatine.org/personne/abbe-herve-gresland">Pe. Hervé Gresland</a>, FSSPX</span></strong></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Iota unum,</em> p. 74.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Interview à <em>Radio Spada</em> le 27 février 2021.</span></li>
</ol>
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		<title>A ORAÇÃO DE ADORAÇÃO</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2022 14:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Jesus Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[Orações e Piedade]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Hervé Gresland]]></category>

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		<description><![CDATA[A mais perfeita, a mais gloriosa para Deus, aquela onde mais plenamente praticamos nosso ofício de criatura. Fonte: La Couronne de Marie n°106 – Tradução: Dominus Est Podemos voltar nossa alma a Deus na oração para diferentes propósitos ou intenções. No &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-oracao-de-adoracao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/03/ado.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-26804" src="http://catolicosribeiraopreto.com/wp-content/uploads/2022/03/ado.jpg" alt="ado" width="296" height="300" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>A mais perfeita, a mais gloriosa para Deus, aquela onde mais plenamente praticamos nosso ofício de criatura.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Fonte: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2022/02/2202-LCM-106.pdf">La Couronne de Marie n°106</a></span> – Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Podemos voltar nossa alma a Deus na oração para diferentes propósitos ou intenções. No entanto, um dos fins da oração é mais alto que os outros: é a adoração.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Podemos rezar para agradecer a Deus, ou implorar seu perdão, ou ainda pedir as graças de que precisamos. Mas podemos ver que, nessas diversas formas de oração, o pensamento se volta para aquele que reza, enquanto na adoração, aquele que reza esquece completamente de si mesmo para pensar somente em Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Se dou graças, é porque recebi. Se imploro misericórdia, é porque pequei. Se peço, é porque preciso. O bem da minha pessoa não está ausente da minha oração. Na oração de adoração ou louvor, aquele a quem dirijo a oração é o único envolvido. Aquele que reza, desaparece, por assim dizer. Ele não pensa em si mesmo, não se considera: <em>Gloria in excelsis Deo,</em> glória a Deus no céu. Senhor, nós vos louvamos! Senhor, nós vos bendizemos! Senhor, nós vos adoramos!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">♦ Isso não significa que outras formas de oração devam ser evitadas ou que não sejam boas. As orações de agradecimento, de pedido de perdão ou de outras graças são belas, são legítimas, são necessárias à nossa condição de criaturas, e sobretudo à nossa condição de homens, ainda peregrinos nesta terra. Vemos isso claramente nas orações da Igreja (ela que nos ensina a rezar), que muito frequentemente são orações de súplica.</span><span id="more-26802"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas a oração de adoração é, <em>em si,</em> a mais perfeita, a mais gloriosa para Deus, aquela em que mais plenamente praticamos nosso ofício de criaturas, porque todos nós nos aplicamos a cantar ao Criador.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Porque a súplica surge mais instintivamente, tendemos a esquecer o louvor, a adoração. É muito desejável, por vezes, sair da oração interessada e elevar-se à oração desinteressada, praticar seus atos de vez em quando, tentar colocar em primeiro plano na vida espiritual, a oração de adoração e o louvor. Deus não é apenas um benfeitor que buscamos, uma espécie de enfermeiro superior cuja consolação buscamos cada vez que nos encontramos sofrendo. Ele é, antes de tudo, a soberana Majestade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto mais uma alma se aproxima de Deus e está em contato com Ele, mais de boa vontade ela se detém nos primeiros pedidos do Pai Nosso: “<em>Santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade</em>”. O que ela precisa para falar sobre si mesma? A Deus, ela prefere falar de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pensemos no que Deus é <em>em si mesmo,</em> antes de pensarmos no que ele é <em>para nós. </em>Antes de ser Criador, Providência, distribuidor de benefícios, ele é Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Deus, como Deus, é a consideração final, o ponto culminante. Se elevamos o cântico de nossa alma a Deus, é porque compreendemos o que Deus é em si mesmo e o quanto ele merece nosso respeito e louvor. Esta é a melhor maneira de nos preparar para nossa eternidade. De fato, o que faremos no céu por toda a eternidade? Adoraremos e louvaremos a Santíssima Trindade, infinitamente adorável, infinitamente boa, infinitamente misericordiosa, infinitamente gloriosa. Adoração e louvor a Deus – com amor, é claro – ocuparão o primeiro lugar em nossas almas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">♦ Podemos distinguir entre adoração afetiva e adoração efetiva.</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Adoração afetiva é aquela que se expressa, se manifesta por palavras, impulsos do coração, aspirações da alma. Vamos dar dois exemplos de orações que vêm de santos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Primeiro, uma oração que São Francisco de Assis, todo em chamas de amor, recitava várias vezes ao dia, e recomendava que clamássemos amorosamente ao céu <em>: “</em><em>Onipotente, santíssimo, altíssimo e soberano Deus, que sois todo o bem, o sumo bem, a plenitude do bem, que só vós sois bom (cf. Lc 18-19), nós vos tributamos todo o louvor, toda a glória, toda a ação de graças, toda a exaltação e todo o bem.</em><em>”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E aqui está uma bela oração de Santa Matilde: <em>“Senhor, vós sois a Sabedoria Eterna, que conhece todas as coisas no céu e na terra. Só vós vos conheceis perfeitamente e em plena luz: nenhuma criatura pode compreender-vos. Ó Deus, sois grande e incompreensível em vossa onipotência. Tudo, no céu e na terra, juntos, não podem ser suficientes vos louvar perfeitamente.</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Diz-se que Santa Teresa de Ávila quase desmaiava quando ouvia, no Credo da Missa, o <em>cujus regni non erit fini,</em> &#8220;<em>cujo reino não terá fim</em>&#8220;, tão ardente era seu zelo pela honra de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A adoração efetiva se manifesta nos atos da vida, no serviço fiel, amoroso e dedicado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pois dizer que adoramos ou que amamos é bom. Mas mostrá-lo por atos e, se necessário, por atos que custam, eis a adoração perfeita.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A adoração efetiva é, por exemplo, a da Virgem Maria no dia da Anunciação: “<em>Eis a escrava</em> <em>do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra”. </em>O Altíssimo precisa de alguém para servir? Ele pode contar comigo, deixe-me levar, aqui estou!</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>“Nem na terra, nem no mundo dos anjos, jamais houve um ato de adoração tão digno de Deus como este consentimento de Maria, como esta conformidade de sua profunda humildade á magnífica e todo-poderosa vontade divina. </em>(Pe. Faber)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">♦ O modelo mais perfeito de adoração é o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Como Verbo, habitando eternamente nos esplendores do céu, o Filho de Deus se viu incapaz de adorar. Para adorar, é preciso ser inferior. Agora, dentro da Trindade divina, as três pessoas são perfeitamente iguais, não há superior nem inferior. O Filho, igual em tudo ao Pai, pode amar, mas não pode adorar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso exigirá a encarnação. Como homem, ele se tornará inferior e poderá adorar seu Pai.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Só Ele, Jesus Cristo, pode adorar a Deus como merece ser adorado, glorificá-lo como merece ser glorificado, isto é, infinitamente. Deus e homem, ele é simultaneamente infinito e inferior. Inferior, ele pode adorar; infinito, adorar infinitamente. A Encarnação trouxe este resultado: um Deus capaz de adorar; e como Pessoa Divina, adorar infinitamente. Ele foi capaz de proporcionar ao Pai uma adoração infinita.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">♦ Por nós mesmos, somos absolutamente incapazes de prestar qualquer adoração significativa a Deus. O que uma ínfima criatura pode fazer por seu autor?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">E, no entanto, devemos adorar, é nossa função de criatura. Nós podemos? Quero dizer de uma forma que não é insignificante, imperceptível?</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sim, nós podemos. Se rezarmos por Jesus Cristo, e nele. Então nossa adoração não será apenas uma adoração de criaturas, mas uma adoração onde o próprio Filho do Pai acrescenta o que nos falta para que o Pai possa ser dignamente glorificado. De humana, ele torna nossa oração divina, faz dela sua própria oração e, portanto, digna de Deus.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">♦ A adoração suprema de Nosso Senhor foi a morte na cruz; foi ali que o Salvador reconheceu mais plenamente a majestade soberana de Deus. E cada Missa renova este ato de adoração. O auge desta adoração digna de Deus é, portanto, a Missa, onde o próprio Cristo adora o seu Pai. É por isso que cada Missa representa o ápice da adoração. Pensemos nisso quando assistirmos ao santo sacrifício. &#8220;<em>Receba, Senhor, de vossas mãos este sacrifício, para louvor e gloria de seu nome&#8230;<em>&#8220;,</em></em> respondeis ao <em>Orate, Fratres</em> do sacerdote.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. <a style="color: #000000;" href="https://laportelatine.org/personne/abbe-herve-gresland">Hervé Gresland</a>, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>AS COMUNIDADES ECCLESIA DEI, 30 ANOS DEPOIS</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Feb 2022 14:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Crise na Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Santa Missa]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[FSSPX]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Hervé Gresland]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos efeitos do motu proprio Traditionis custodes foi produzir, por parte das comunidades Ecclesia Dei, um acordo de adesão ao Concílio Vaticano II e o reconhecimento da benignidade do Novus Ordo. Essa aprovação enfraquece ainda mais a situação dessas comunidades. Fonte: La Couronne de Marie n°103 &#8211; &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-comunidades-ecclesia-dei-30-anos-depois/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img class=" aligncenter" src="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2022/02/2022-02-04-Audience-pape-Francois-1024x683-1.jpg" alt="" width="536" height="363" /></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong><em>Um dos efeitos do motu proprio </em></strong><strong>Traditionis custodes<em> foi produzir, por parte das comunidades Ecclesia Dei</em>,<em> um acordo de adesão ao Concílio Vaticano II e o reconhecimento da benignidade do </em>Novus Ordo<em>. Essa aprovação enfraquece ainda mais a situação dessas comunidades.</em></strong></span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #000000;"><strong>Fonte: <a style="color: #000000;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2022/02/2111-LCM-103.pdf">L<span style="color: #0000ff;">a Couronne de Marie n°103</span></a> &#8211; Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/">Dominus Est</a></span></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Criada em 1988 pelo Papa João Paulo II na sequencia da sagração de quatro bispos por D. Lefebvre, a Comissão <em>Ecclesia Dei </em>tinha como missão oficial de &#8220;<em>facilitar a plena comunhão eclesial</em>&#8221; daqueles que então se separaram da Fraternidade fundada por Dom Lefebvre, ao mesmo tempo que &#8221; <em>preservavam suas tradições espirituais e litúrgicas </em>&#8220;.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Sua missão “<em>oficiosa</em>”, havia sido revelada por D. Lefebvre: <em>a Comissão Ecclesia Dei</em>, explicou ele com clarividência, “<em>é responsável pela recuperação dos tradicionalistas a fim de submetê-los ao Concílio</em>” (1). O tempo provou que ele verdadeiramente tinha razão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A fim de obter o reconhecimento canônico da Igreja Conciliar, as comunidades <em>Ecclesia Dei </em>concordaram em se calar sobre os erros e escândalos doutrinários da hierarquia eclesiástica, ou mesmo em justificá-los. Não denunciam a nocividade da missa nova, do novo código de direito canônico, do diálogo inter-religioso, da liberdade religiosa etc., e sua contradição com o ensinamento tradicional da Igreja. Este silêncio é o preço a pagar para ser oficialmente reconhecido e poder exercer um ministério nas dioceses.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">De forma privada, alguns membros dessas comunidades reconhecem os estragos do modernismo triunfante na Igreja. Mas, em público, silenciam-se sobre as causas da destruição da fé nas almas, que eles, como qualquer sacerdote, têm o dever de denunciar e combater.</span><span id="more-26768"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">D. Lefebvre já havia predito isso: “<em>Quando dizem que não desistiram de nada, isso não é verdade. Eles abriram mão da possibilidade de combater Roma. Eles não podem dizer mais nada. Devem ficar calados diante dos favores que lhes foram concedidos. Agora é-lhes impossível denunciar os erros da Igreja conciliar</em>” (2).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Se não dizem explicitamente: aceitamos o Concílio e tudo o que Roma atualmente professa, implicitamente o fazem. Colocando-se inteiramente nas mãos da autoridade de Roma e dos Bispos, eles serão praticamente obrigados a concordar com eles</em>”(3).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>O mecanismo da deriva</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quando se dá um ensinamento que, sem aprovar positivamente os erros modernistas, já não os condena, pouco a pouco o juízo sobre a crise da Igreja se degenera. Esse compromisso leva, inevitavelmente, a relativizar o alcance dos erros modernistas, a uma incapacidade de distinguir entre erro e o mal.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">D. Gérard, Superior do mosteiro de Barroux, tinha declarado que o reconhecimento do seu mosteiro por Roma não vinha acompanhado de “<em>nenhuma contrapartida doutrinal ou litúrgica</em>”, e que “<em>nenhum silêncio seria imposto à sua pregação antimodernista</em>”(4). Bum! A queda foi rápida. Alguns anos mais tarde, o mosteiro de Barroux tornou-se o defensor do Concílio Vaticano II e da liberdade religiosa. Em 1993 publicou um livro:  <em>Sim! o Catecismo da Igreja Católica é católico! </em>em resposta à Fraternidade São Pio X que via nele a exposição da fé da Igreja Conciliar. E Dom Gérard devia declarar: “<em>Aceitamos todo o Magistério da Igreja, de ontem, de hoje e de amanhã</em>” (5).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso ocorre porque é muito difícil permanecer íntegro em um ambiente contaminado. O homem é profundamente influenciado pelo meio em que vive. Há aqui uma lei escrita no mais profundo na natureza humana, uma vez que o homem é feito para viver em sociedade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os sacerdotes, especialmente, são silenciados pelas engrenagens da máquina eclesiástica. O padre “rallié” está dividido entre seu desejo de fazer o que é certo e sua obediência ao Bispo local e ao Papa. Seus sermões são inevitavelmente afetados por isso. A mesa de imprensa, as revistas também. Por sua submissão pública à hierarquia, ele engana as almas fazendo-as acreditar que a situação da Igreja é normal; não diz publicamente que a Igreja conciliar põe em perigo a fé dos fiéis; ele não prega que a missa nova é ruim, perigosa para a fé. De fato, essas sociedades preferem a Missa tradicional, mas não por motivos de fé; admitem a legitimidade do novo rito e a verdadeira Missa passa a ser forma &#8220;<em>extraordinária</em>&#8221; do rito romano.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>&#8220;Tal como somos&#8221;</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Superior da Fraternidade de São Pedro na França declarou há alguns anos: &#8220;<em>Que encorajamento ver-nos assim aceitos pela Igreja, pela boca do Sumo Pontífice, como somos, como fomos fundados, como fomos reconhecidos quando a Santa Sé nos erigiu como sociedade de vida apostólica de direito pontifício</em>”(6).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“<em>Aceitos como somos</em>”: é nisso que ele quer acreditar, mas desde o início foram aceitos como Roma esperava que eventualmente se tornassem a longo prazo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Já em 1988 o Cardeal Decourtray, presidente da Conferência dos Bispos da França, declarava perante todos os seus colegas: “<em>É claro que eles devem progredir no caminho da verdadeira adesão ao Concílio em sua totalidade</em>” (7).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Roma é paciente, levou a seu tempo, o de uma geração. Aqui novamente D. Lefebvre havia dito: “<em>Eles irão devagar, lentamente, mas com segurança</em>”(8).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Em 2021, uma nova etapa</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em um <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/wp-content/uploads/2022/02/2109-LCM-101.pdf">artigo anterior</a></span>, vimos a decisão tomada pelo Papa Francisco em julho passado(9) de restringir e marginalizar ao máximo a celebração da Missa tradicional.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Francisco recorda que a celebração do rito antigo está subordinada à plena e completa adesão ao Concílio Vaticano II e a todo o magistério pós-conciliar, que é um imperativo para todos. Os Bispos devem garantir que os grupos que ainda são autorizados a usar o antigo rito “<em>não excluam a validade e legitimidade da reforma litúrgica, das disposições do Concílio Vaticano II e do Magistério dos Sumos Pontífices</em>”(10). Sacerdotes e sociedades que, por concessão, ainda mantêm a Missa tradicional, devem dar sinais tangíveis de alinhamento, por exemplo, participando aos ofícios da Missa nova.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O Papa Bento XVI já havia deixado isto claro: “<em>Para viver a plena comunhão, os sacerdotes das comunidades que aderem ao uso antigo não podem, por princípio, excluir a celebração segundo os novos livros. A exclusão total do novo rito não seria coerente com o reconhecimento do seu valor e da sua santidade</em>” (11). A diferença com Francisco é que ele é autoritário e usa os devidos meios para ser obedecido.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Quanto aos Bispos, eles querem que essas comunidades sejam mais “solúveis” na realidade e na vida das dioceses.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>A reação das comunidades envolvidas</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um dos efeitos produzidos pelo <em>motu proprio</em>, e certamente pretendido, foi o de produzir por parte das comunidades <em>Ecclesia Dei </em>um acordo de adesão ao Concílio Vaticano II e um reconhecimento, não só da validade, mas também da benignidade do <em>Novus Ordo</em>. Essa aprovação fragiliza ainda mais a situação dessas comunidades e torna cada vez mais difícil qualquer crítica ao Concílio, ou ainda sua recusa em celebrar ou concelebrar a missa nova de vez em quando.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://laportelatine.org/formation/crise-eglise/ecclesiadeisme/la-fraternite-saint-pierre-chassee-du-diocese-de-dijon">situação vivida pela Fraternidade São Pedro em Dijon</a></span>, onde a exigência de concelebração foi brandida pelo Bispo, D. Roland Minnerath, para justificar a exclusão da sociedade da diocese, corre o risco de se repetir.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A diocese de Paris, que está sendo vigiada de perto em França, definiu a sua linha de conduta. Em carta datada de 8 de setembro, D. Michel Aupetit estabeleceu as regras para a aplicação do motu proprio <em>Traditionis custodes </em>em sua diocese. Ele reduziu drasticamente o número de santuários em que a Missa tradicional pode ser celebrada: apenas cinco igrejas na capital, quando até agora era celebrada em cerca de quinze locais. “<em>Os sacerdotes que receberam de mim a missão escrita poderão celebrar ali de acordo com a antiga forma. </em>E acrescentou: &#8220;<em>Desejo, a fim de promover ainda mais a comunhão, que os sacerdotes chamados estejam abertos aos dois missais</em>&#8220;. Claramente, isso significa a celebração, pelo menos ocasionalmente, da missa nova.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Qual será o destino das  comunidades <em>Ecclesia Dei </em> ?</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Os “<em>ecclesiatistas</em>” deram muitos sinais de submissão, chegando ao ponto de justificar a liberdade religiosa ou o encontro de Assis, louvando o “São” João Paulo II…: nada disso ajuda. Quaisquer concessões que se façam à Revolução, quaisquer que sejam as promessas feitas a ela, ela nunca estará satisfeita. Ela quer cada vez mais e esmaga aqueles que pensam que podem colaborar com ela, mostrando sua ignorância dos processos revolucionários.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Vendo que a armadilha está se fechando, os Institutos <em>Ecclesia Dei </em>vão se recompor? Ou, para salvar suas cabeças, se curvarão um pouco mais? Infelizmente, suas atitudes por trinta anos deixam pouca esperança.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Reunidos em 31 de agosto, <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/confusao-e-quadratura-do-circulo/"><strong>doze superiores desses Institutos estabelecidos na França assinaram uma (vergonhosa) carta conjunta na qual expressavam sua reação ao motu proprio <em>Traditionis custodes </em>do Papa Francisco</strong></a></span>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Protestam sua adesão ao Magistério do Vaticano II e posteriores, e voltam-se aos bispos da França, numa linguagem patética e chorosa, para implorar sua compreensão e sua misericórdia. “<em>Nem uma palavra sobre a nocividade fundamental da missa nova de Paulo VI. Nem uma palavra sobre os frutos amargos do Concílio. Nem uma palavra sobre a terrível aceleração da crise na Igreja sob o Papa Francisco</em>” (12).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A fim de preservar a Missa tradicional, os doze superiores reivindicam o “<em>carisma</em>” específico de suas sociedades, que os autoriza a abrir exceções. Mas se queremos a Missa tradicional, não é egoisticamente para nós, é para toda a Igreja! E lutamos não só pela Missa tradicional, mas pela fé católica, pela doutrina imutável, pela moral e pelos sacramentos de todos os tempos e, portanto, contra os erros que a ela se opõem.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A situação atual nos mostra mais uma vez que a única posição verdadeira e sólida é a da Fraternidade São Pio X. Uma posição que não varia e a que lhe dá credibilidade.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">Pe. Hervé Gresland, FSSPX</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><span style="text-decoration: underline;"><span style="color: #000000;"><strong>POSTS INTERESSANTES SOBRE O ASSUNTO:</strong></span></span></p>
<ul>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://www.catolicosribeiraopreto.com/e-a-mesma-missa-tridentina-sim-mas-nao-o-mesmo-combate/">É A MESMA MISSA TRIDENTINA? SIM, MAS NÃO O MESMO COMBATE</a></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/catecismo-das-verdades-oportunas-os-rallies-vistos-por-mons-lefebvre/">CATECISMO DAS VERDADES OPORTUNAS: OS “RALLIÉS” (VISTOS POR MONS. LEFEBVRE)</a></strong></span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/guardar-e-transmitir-a-tradicao-conferencia-do-padre-davide-pagliarani-superior-da-fsspx/">GUARDAR E TRANSMITIR A TRADIÇÃO &#8211; CONFERÊNCIA DO PE. PAGLIARANI</a></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/confusao-e-quadratura-do-circulo/"><strong>CONFUSÃO E QUADRATURA DO CÍRCULO</strong></a></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/a-reacao-paradoxal-das-comunidades-ex-ecclesia-dei-ao-motu-proprio-traditiones-custodes/">A REAÇÃO PARADOXAL DAS COMUNIDADES “EX-ECCLESIA DEI” AO MOTU PROPRIO TRADITIONES CUSTODES</a></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/as-piruetas-das-comunidades-ecclesia-dei/">AS PIRUETAS DAS COMUNIDADES ECCLESIA DEI</a></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/entrevista-de-mons-roche-a-responsa-ad-dubia-se-aplica-aos-institutos-ecclesia-dei/">ENTREVISTA DE MONS. ROCHE: AS “RESPONSA AD DUBIA” SE APLICAM AOS INSTITUTOS ECCLESIA DEI?</a></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/oucamos-novamente-o-que-alguns-recusaram/">OUÇAMOS NOVAMENTE O QUE ALGUNS RECUSARAM</a></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/lei-da-oracao-ou-lei-da-crenca-o-movimento-ecclesia-dei/">LEI DA ORAÇÃO OU LEI DA FÉ/CRENÇA? O MOVIMENTO ECCLESIA DEI</a></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/carta-do-superior-geral-da-fraternidade-sacerdotal-sao-pio-x-apos-a-publicacao-do-motu-proprio-traditionis-custodes/"><strong>CARTA DO SUPERIOR GERAL DA FRATERNIDADE SACERDOTAL SÃO PIO X APÓS A PUBLICAÇÃO DO MOTU PROPRIO “TRADITIONIS CUSTODES”</strong></a></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/motu-proprio-traditionis-custodes-pelo-pe-jean-francois-mouroux-fsspx-prior-do-priorado-de-sao-paulo/">MOTU PROPRIO TRADITIONIS CUSTODES, PELO PE. JEAN-FRANÇOIS MOUROUX, FSSPX, PRIOR DO PRIORADO DE SÃO PAULO</a></strong></span></li>
<li><span style="color: #0000ff;"><strong><a style="color: #0000ff;" href="http://catolicosribeiraopreto.com/do-summorum-pontificum-a-traditionis-custodes-ou-da-reserva-ao-zoologico/">DO SUMMORUM PONTIFICUM A TRADITIONIS CUSTODES, OU DA RESERVA AO ZOOLÓGICO</a></strong></span></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #000000;">Notas:</span></strong></p>
<ol>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entrevista à Radio Courtoisie, 22 de novembro de 1989.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Entrevista com Dom Marcel Lefebvre, <em>Fideliter </em>n° 79 de janeiro-fevereiro de 1991.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conferência em Flavigny, dezembro de 1988; <em>Fideliter </em>nº 68, março-abril de 1989.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Declaração de 18 de agosto de 1988.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><em>Ouest-France</em> de 11 a 12 de fevereiro de 1995</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Padre Ribeton, sermão de 16 de novembro de 2013, por ocasião do 25º aniversário da Fraternidade São Pedro.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Discurso perante a assembléia plenária dos Bispos em Lourdes, 22 de outubro de 1988.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Conferência em Flavigny, dezembro de 1988; <em>Fideliter </em>nº 68, março-abril de 1989.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pelo motu proprio <em>Traditionis custodes </em>de 16 de julho</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Artigo 3º § 1º do motu proprio.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Carta a todos os Bispos, 7 de julho de 2007.</span></li>
<li style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Pe. Gleize, <em>La Porte Latine</em>, 3 de setembro de 2021.</span></li>
</ol>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O CANTO GREGORIANO É, ANTES DE TUDO, ORAÇÃO</title>
		<link>http://catolicosribeiraopreto.com/o-canto-gregoriano-e-antes-de-tudo-oracao/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2021 14:00:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Dominus Est]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Espiritualidade]]></category>
		<category><![CDATA[Fé]]></category>
		<category><![CDATA[Igreja Católica]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Textos e Reflexões]]></category>
		<category><![CDATA[Pe. Hervé Gresland]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://catolicosribeiraopreto.com/?p=21569</guid>
		<description><![CDATA[Pe. Hervé Gresland Existem muitas missas compostas por vários músicos que são boa música, e que podemos chamar de música religiosa, pois possuem caráter religioso. O gregoriano, porém, não é uma “música religiosa” entre outras, mas, segundo a feliz fórmula &#8230; <a href="http://catolicosribeiraopreto.com/o-canto-gregoriano-e-antes-de-tudo-oracao/">Continuar lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><img class=" alignleft" src="https://diocese.org.br/uploads/movimentos/monjes-cantando.jpg" alt="Diocese de Novo Hamburgo - MOVIMENTOS E CARISMAS: CORO GREGORIANO DE NOVO  HAMBURGO" width="251" height="209" /><span style="color: #0000ff;"><strong><em><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5834">Pe. Hervé Gresland</a></em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Existem muitas missas compostas por vários músicos que são boa música, e que podemos chamar de música religiosa, pois possuem caráter religioso. O gregoriano, porém, não é uma “música religiosa” entre outras, mas, segundo a feliz fórmula de Dom Gajard1, é uma “oração cantada”. Aí está toda a diferença.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A alma que canta essa oração, ou que escuta esse canto num espírito de fé, é o contrário de um esteta. Quem concorda em abrir a sua alma para o mistério do cantochão, atinge o objetivo para o qual foi concebido, pois o gregoriano tem a vocação de nos abrir e nos conduzir ao reino do qual Nosso Senhor nos fala no Evangelho, que é o reino da graça.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>O canto gregoriano ensina a rezar</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Antes de tudo, esse canto é essencialmente <em>oração. </em>É verdadeiramente um canto “consagrado” 2, porque deve servir unicamente ao culto. O seu fim primeiro, com efeito, é o “sacrifício de louvor” da Igreja. Por ser feito e por voltar-se para Deus, coloca-nos de saída diante do nosso Criador numa atitude de oração. Esse canto faz com que nos voltemos para as realidades sobrenaturais e divinas. Ensina ao homem o senso do sagrado e da grandeza de Deus. Ele lhe ensina a rezar, a contemplar a Deus, a louvá-lo. Ele nos faz encontrar a Deus para podermos lhe falar de coração a coração. Suas melodias nos introduzem imediatamente numa atmosfera sobrenatural.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A maior parte das peças gregorianas são curtas, mas são capazes de impor desde logo uma atitude de fé, de admiração, de confiança, de adesão a Deus e a sua vontade – elas nos fazem atingir Deus diretamente. Elas conduzem à contemplação dos mistérios mesmos que revivem. Com efeito, a virtude essencial do nosso canto é a de ser capaz de conduzir e manter o nosso olhar (tanto quanto possível aqui embaixo) em algo de perfeitamente puro, em Deus, que habita uma luz inacessível. Esse canto é transparente ao espiritual, reflete um outro mundo, diz o que nenhuma outra música diz: fala à alma do invisível, dos mistérios divinos. Introduz-nos no mistério, no sagrado, abre-nos as mais altas realidades espirituais. É uma arte impregnada do sobrenatural.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O canto gregoriano ajuda e favoriza assim o recolhimento, a contemplação e inspira o bom gosto3. Dirige-se ao que há de mais profundo dentro da alma. É por isso que atrai as almas amantes da beleza e do sagrado. Traz consigo uma graça própria que é a de nos introduzir de modo único no coração do mistério, na contemplação.</span><span id="more-21569"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Ordenado desde o início ao louvor de Deus, é igualmente um admirável fator de vida interior. Transforma a alma que se abandona à sua divina influência. Em um canto assim, a música é instrumento de vida, de vida sobrenatural. Como explicava Dom Gajard, “são os atos com os quais louvamos a Deus que nos santificam”4. Esse canto é um veículo da graça, e é por essa razão que podemos chamá-lo de um sacramental, e mesmo de um poderoso sacramental. Por meio dele, a Igreja procura à nossa alma uma santificação certa. Sim, o canto gregoriano é um meio de santificação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Isso mostra que foi composto não apenas por grandes artistas, por homens de gênio, mas por homens cheios de luz sobrenatural, grandes contemplativos que tiraram a sua inspiração de um contato estreito com Deus e viviam intensamente do Criador. Essa música nasceu da oração, da contemplação, e ela alimenta a contemplação.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Auguste Le Guennant tinha razão ao definir o gregoriano como “a oração que se fez música” 5. Verdadeiramente, assim como se dizia dos quadros pintados por <em>Fra</em> Angélico, algumas melodias gregorianas parecem ter sido compostas de joelhos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É nesse mesmo espírito de oração que o canto deve ser escutado ou cantado, como dizia o Papa Pio XII:</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“visto que a voz de quem reza repete os cantos escritos por inspiração do Espírito Santo, que proclamam e exaltam a perfeitíssima grandeza de Deus, é ainda necessário que a essa voz se junte o movimento interior do nosso espírito para fazer nossos aqueles mesmos sentimentos com os quais nos elevamos ao céu, adoramos a santíssima Trindade e lhe rendemos os devidos louvores e ações de graças: ´Devemos salmodiar de modo que a nossa mente concorde com a nossa voz´6. Não se trata, pois, de uma recitação somente, ou de um canto que, embora perfeitíssimo segundo as leis da arte musical e as normas dos sagrados ritos, chegue apenas ao ouvido; mas sobretudo de uma elevação da nossa mente e da nossa alma a Deus”7.</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>Origens do canto gregoriano</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Após evocar os compositores desse canto, será útil ao nosso propósito dizer algumas palavras sobre a sua história.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Em conformidade com práticas que remontam ao Antigo Testamento, o uso do canto litúrgico na Igreja remonta ao início. Numa celebre carta ao imperador Trajano, Plínio, o Jovem, governador da Bitínia, descreve os católicos como homens que “se reuniam habitualmente num dia fixo [o domingo], antes do amanhecer, para cantar entre eles um cântico a Cristo como a um Deus”. Os católicos eram assim definidos como aqueles que cantam louvores a Cristo.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, de quando data o canto gregoriano? Nos livros de canto que possuímos, as datas das composições das peças do <em>Kyriale </em>(isto é, <em>Kyrie, Gloria, Sanctus, Agnus Dei</em>) é indicada, por exemplo, como do XI<sup>o</sup> ou XII<sup>o</sup> século. Mas, para o próprio das missas, nada está indicado. Qual é a razão disso? A data de composição de cada peça é a dos manuscritos mais antigos conhecidos, quando os encontramos; mas as peças próprias de cada missa formam os manuscritos mais antigos que possuímos, remontando ao IX<sup>o</sup> século. Antes dessa data, não existiam manuscritos e os cantos eram decorados. Portanto, as peças do próprio da missa já existiam no IX<sup>o</sup> século, no império de Carlos Magno, tal como as cantamos atualmente.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Mas, na verdade, o canto gregoriano é anterior a isso. Foi de São Gregório Magno (papa de 590 a 604) que tirou o nome. Não porque o canto tenha sido obra desse papa, mas por ter ele desempenhado um papel muito importante na refundação do repertório litúrgico. “Ele recolheu cuidadosamente e dispôs com sabedoria tudo o que os antigos haviam transmitido”8. Sua obra foi, portanto, a de reunir e ordenar “o tesouro das melodias sacras, a herança e a memória dos Padres.”9</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">“Do ponto de vista litúrgico e musical, o período criador estende-se do V<sup>o</sup> ao VII<sup>o</sup> século; no VIII<sup>o</sup> século já havia se encerrado”10. Foi Carlos Magno que estendeu esse canto a todo o seu império: “a liturgia romana e o canto romano entraram na Gália franca sob Pepino, em 754, e foram impostos por Carlos Magno a todo o Império.”11 A perfeição desse canto era tamanha, a obra tão equilibrada e dotada de tal variedade, que ninguém ousou, a partir de então, retoca-la. Esse canto tornou-se a língua litúrgica de toda a Idade Média cristã.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">O cantochão não foi uma obra artificial, uma construção que surgiu pronta num belo dia, como o esperanto, saída do cérebro de um intelectual. Suas origens ainda são misteriosas, mas os musicólogos pensam que partiu das ladainhas da liturgia sinagogal, das modas da música grega, dos velhos cantos celtas, gauleses ou romanos. Com esses elementos diversos, foi formado e lentamente elaborado por homens que lhe transmitiram sua marca própria: esses homens são os católicos. Quando esses homens receberam a revelação de que foram redimidos, reintroduzidos na família de Deus, feitos irmãos dos anjos pela graça e concidadãos dos santos, o seu canto precisou exprimir algo novo, algo que jamais havia sido expresso.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Canções de amor, de sofrimento ou marchas militares sempre foram inventadas, canções que exprimem a alegria ou o sentimento nacional &#8212; ao menos é o que sabia fazer no passado, como testemunham muitas e admiráveis canções populares. Mas há uma coisa de que os cantos da terra não nos falam, a saber: da Beleza e da Bondade absoluta, de Deus. Se a alma iluminada pela fé conhece e saboreia o mistério da sua elevação à ordem sobrenatural, então, o seu canto não se assemelha a nenhum outro. O gregoriano não se assemelha a nenhum dos cantos de que lançou mão. A alma e a sensibilidade católica  os transformaram e transfiguraram para que pudessem dizer coisas que jamais foram ditas, e fazer com que servissem a um propósito que ultrapassa a ordem natural12.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Um pequeno número de exceções à parte, essas melodias são anônimas. Os nomes dos compositores não chegaram até nós. Poderíamos ver nisso uma intenção da Providência que, desejando dotar a Igreja de um canto muito próprio, dissimulou a sua origem sob o anonimato? Desse modo, as melodias não são de tal ou tal compositor, mas pertencem à Igreja. Camille Bellaigue escreveu a esse propósito: “Tudo que elas receberam dos homens, ainda que fosse um nome, pereceu. Elas só guardaram o que veio de Deus.”</span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #000000;"><strong>A oração da Igreja</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">À nossa oração pessoal, o canto gregoriano acrescenta a eficácia espiritual da orgação da Igreja, posto que se trata aqui não da oração de um homem particular, ou de uma pequena comunidade, mas de um ato de toda a Igreja, da “sociedade do louvor divino” (como a definia Dom Guéranger), dito de outro modo, da Santa Igreja, do Corpo místico de Cristo, que apresenta pessoalmente – com Jesus à sua frente – essa súplica ao Pai.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">A Igreja, e somente ela, possui o segredo da oração e sabe como se portar perante Deus. Ela traduz nesses cantos aquilo cujo segredo só ela possui. Ela mesma roga ao Pai, a Cristo, seu divino Esposo, por meio desses textos e dessas melodias. Nossas melodias são o <em>seu </em>canto. Exprimem os sentimentos com os quais presta culto ao Pai, por meio de Cristo, seu divino Esposo. Pois a liturgia não é outra coisa que a piedade da Esposa de Cristo que se une ao seu Esposo. Essa voz que nós ouvimos é a voz da Esposa que nos revela algo do seu mistério mais profundo. E nossa oração funde-se com a sua. Por meio dessas orações cantadas na liturgia, a alma da Igreja comunica-se a nossa, e essa alma é o Espírito Santo que a assiste sempre e que inspirou esses cantos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Forma-se, assim, dia a dia, festa a festa, canto a canto, esse “<em>sensus Ecclesiae” </em>que cada católico pode adquirir quase automaticamente por meio da oração solene. A Igreja nos faz cantar como crê, como espera, como ama. O católico que entra nessa oração oficial e se associa a ela pode, com a certeza de ser ouvido, fazer seu o clamor da liturgia: “<em>Não olhai os meus pecados, mas a fé da vossa Igreja.”</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">É por isso que a Igreja reconheceu no gregoriano o seu canto próprio. E o fez a tal ponto que podemos mesmo dizer que se tornou conatural à Igreja latina: quando a Igreja canta, exprime-se pelo gregoriano, que Dom Gajard chama de “o canto da Igreja em oração”, ou “oração cantada da Igreja”13.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;">Por essa razão, não é de se estranhar a beleza desse canto, pois a beleza da própria Igreja só poderia produzir algo belo. Posto que a Igreja é a Esposa de Cristo, sua música é um canto digno tanto de uma tal Esposa como de um tal Esposo. O gregoriano é, aqui embaixo, a antecipação do canto que ouviremos pela eternidade na Jerusalém celeste.</span></p>
<p style="text-align: right;"><strong><span style="color: #000000;">(Le Rocher, 54. Tradução: <span style="color: #0000ff;"><a style="color: #0000ff;" href="https://permanencia.org.br/drupal/node/5834">Permanência</a></span>)</span></strong></p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><span style="color: #000000;">Dom Gajard foi por muito tempo mestre de coro dos monges de Solesmes, e dirigiu algumas gravações de grande reputação.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Dom Joseph Gajard: <em>La vérité du chant grégorien, </em>in <em>Revue grégorienne, </em>1949.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Cf. P.-D. Delalande, O.P.: <em>La valeur théologique et contemplative du chant grégorien, </em>in <em>Revue grégorienne, </em>1949.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Dom Joseph Gajard, art. Cit. <em>La vérité du chant grégorien.</em></span></li>
<li><span style="color: #000000;">A. Guennant foi diretor do Instituto Gregoriano parisiense.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Capítulo XIX. Santo Agostinho já dizia: “Que nosso espírito esteja em conformidade com a nossa voz”.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Encíclica <em>Mediator Dei</em>.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Pio XII, Encíclica <em>Musicae sacrae disciplina.</em></span></li>
<li><span style="color: #000000;">Pio XI, Constituição apostólica <em>Divini cultus.</em></span></li>
<li><span style="color: #000000;">Pe. Delalande, O.P., em <em>Initiation théologique </em>(Cerf, 1949).</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Dom Froger (monge de Solesmes): <em>Origine, histoire et restitution du chant grégorien, </em>na revista <em>Musique et liturgie, </em>fevereiro de 1951.</span></li>
<li><span style="color: #000000;">Essa idéia foi desenvolvida por Dom Gérard Calvet numa conferência pronunciada no dia 5 de junho de 1971 em Versailles, por ocasião do 6<sup>o</sup>congresso de <em>Una Voce.</em></span></li>
<li><span style="color: #000000;"><em>Revue grégorienne, </em>1949, p. 10.</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">
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