CEGUEIRAS E VELHACARIAS

What US adults think about Pope Leo XIV, according to a new ...

“As almas encontram-se enfermas de uma terrível Doença: a fadiga e o horror à verdade” (Louis Veuillot)

por Tomás Ignacio González Pondal 

O site Religión en Libertad — bem ganho pelo progressismo — publica a seguinte notícia: “Histórico primeiro encontro entre o Vaticano e o confucionismo para construir uma sociedade ideal”. Acrescenta-se que foi “organizado pelo Dicastério para o Diálogo Inter-religioso” presidido pelo “cardeal George Jacob Koovakad”, e que os move o “falar e escutar, dar e receber, crescimento e enriquecimento mútuos”. E algo mais nos é dito: “Junto ao dicastério vaticano, neste histórico encontro participam a conferência episcopal da Coreia e a Academia Confuciana Coreana, e fazem-no em torno do tema ‘Novo Céu, Nova Terra e Datong [Grande Harmonia, Grande Unidade]: o diálogo cristão-confuciano para construir uma sociedade ideal’”. Pois bem, nos dias 4 e 5 de agosto de 2026, dentro de poucos dias apenas, a política vaticana modernista agora nas mãos do Papa Leão XIV mostrará ao rebanho católico este novo circo com o confucionismo; mais anticatolicismo servido a milhões de pessoas, e ainda há quem diga que não há estado de necessidade geral.

No dia 31 de julho o Papa Leão XIV recebeu a roqueira Patti Smith, «a madrinha do punk». Segundo as notícias, a punk rock foi “criada como filha de uma testemunha de Jeová e recebeu uma forte educação religiosa, que abandonou na adolescência por achá-la demasiado restritiva. A este respeito, Smith escreveu anos depois, na estrofe inicial da sua versão de uma canção dos Them, «Gloria», que «Jesus morreu pelos pecados de alguém, mas não pelos meus», e isso em resposta a essa experiência” (https://es.wikipedia.org/wiki/Patti_Smith). Patti Smith é favorável à manobra assassina chamada aborto e favorável ao orgulho LGBT (muitas das suas letras dão conta disso). Já conhecemos os encontros do Papa Francisco com personagens semelhantes, por exemplo com o ex-presidente Biden. Quando se invocam estes casos, a pastelaria progressista sai a dizer que “Jesus reuniu-se com pecadores”. Mas um “nada a ver” fica-me curto. Porque nos encontros de agora não há admoestações contra os pecados; observa-se antes uma espécie de simpatia e quase uma premiação de itinerários mundanos.

Dizia Louis Veuillot: “O liberalismo renova esta cena: a Igreja é pobre, tem fome; mas se a Igreja se fizer liberal, será rica, e as pedras converter-se-ão em pão. Mas a fome que atormenta a Igreja, a mesma que atormentava Jesus, é a caridade. A Igreja tem fome de alimentar as almas que definham no erro. O pão que ela quer distribuir-lhes, o pão que as fará fortes, é a palavra saída da boca de Deus, é a Verdade. O liberalismo diz-lhe: Se sois de Deus, se tendes a palavra de Deus, nenhum risco correreis ao abandonar o pináculo do Templo: atirai-vos abaixo, ide às multidões que já não chegam até vós, despojai-vos daquilo que em vós não lhes agrada, dizei-lhes as palavras que gostam de ouvir e reconquistá-las-eis; afinal, Deus está em vós. Mas as palavras que a multidão gosta de ouvir não são precisamente as saídas da boca de Deus, e é sempre proibido tentar o Senhor” (A Ilusão liberal, ed. Nuevo Orden, Buenos Aires, 1965, p. 39).

Cegueiras e velhacarias… é o que se vê. Cegueiras, porque resulta assaz notável que coisas como as indicadas sucedam diante dos olhos de milhares de milhões, e parece que não se adverte a gravidade do que nelas vai implicado; parece que não se advertem os exemplos escandalosos; parece que não se adverte a confusão para as almas; parece que não se advertem as confusões promovidas a partir das altíssimas hierarquias. E insisto: não só parece que não se adverte o estado de necessidade generalizado, mas, como ganhos por uma cegueira ainda mais especial, não são poucos os bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas que chegam a negá-lo. Velhacarias, porque, vendo grosseira e colossalmente a quantidade de amassos que houve entre os Papas liberais e: protestantes (anglicanos, calvinistas, luteranos, etc., etc.), budistas, maometanos, judeus, indigenistas, feiticeiras, confucionistas (a novidade), ainda assim se acusa a Fraternidade Sacerdotal São Pio X de ser protestante. Cegueiras por atacado, velhacarias sem conta, pois por mais que se lhes mostrem imagens do Papa Francisco reivindicando Martinho Lutero e textos onde isso se vê, preferem colar os olhos, negar o inegável, calar e, com manobra ignóbil, desleal, histérica e cobarde, atribuir à Fraternidade o que fazem os Papas modernos. E, claro, a partir da sua oculta impotência, creem que podem amordaçar a Fraternidade recorrendo a um Código de Direito Canónico (1983) revolucionário e desenhado para a jogada.

Os Papas liberais conceberam doutrinas horríveis e praticaram coisas horríveis. O atual pontífice também brilha, lamentavelmente, por doutrinas e práticas heterodoxas. Mas quando se mostra isto há quem o negue, quem prefira não vê-lo, quem prefira exclamar: “A doutrina há que sabê-la interpretar, os factos há que sabê-los interpretar”. O próprio Paulo VI, em carta ao Cardeal Jean Villot, expunha sobre Mons. Lefebvre: “Antes de ser recebido em audiência, monsenhor Lefebvre deve reconsiderar a sua inadmissível posição a respeito do Concílio Ecuménico Vaticano II e das medidas que promulgámos ou aprovámos em matéria litúrgica ou disciplinar (e, portanto, também doutrinal)” (Carta de 21 de fevereiro de 1976, cf. Sapienza, Leonardo, A Barca de Paulo – Cartas inéditas de Paulo VI, ed. San Pablo, Espanha, 2018, p. 172). E sim… coisas novas traduzidas em doutrinas heterodoxas de colheita própria.

Nas aparições de La Salette, Maria Santíssima disse: “Lúcifer e um grande número de demónios serão soltos do inferno: abolirão a fé pouco a pouco, mesmo nas pessoas consagradas a Deus; cegá-las-ão de tal maneira que, A MENOS DE UMA GRAÇA PARTICULAR, estas pessoas tomarão o espírito desses anjos maus; muitas casas religiosas perderão inteiramente a fé e perderão muitas almas”.

“Cegá-las-ão de tal maneira” — e de que maneira! Continuam a dar-se aberrações diante dos nossos olhos e, impávidos, seguimos como se não sucedessem. É alarmante! Papas a buscar falsíssimas unidades com outros cultos, e o que temos? Consagrados e leigos a granel que não veem estado de necessidade, que não o querem ver, que veem o que desejam ver mas não a realidade.

Tempos da “graça particular”, tempos de nos arrependermos dos nossos pecados, de olhar a realidade tal qual é, e de implorar à Santíssima Mãe Corredentora, Maria Santíssima, que nos dê essa “graça particular” tão necessária para a nossa salvação.