VATICANO: DOM VIOLA, ARQUITETO DAS RESTRIÇÕES À MISSA TRADICIONAL, É NOMEADO PARA A BASÍLICA DE SÃO PEDRO

Um dos principais responsáveis ​​pela implementação da Traditionis Custodes recebe um novo e prestigioso cargo no coração do Vaticano.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Em 10 de outubro de 2026, o Papa Leão XIV nomeou Dom Vittorio Francesco Viola como Arcipreste da Basílica de São Pedro, em Roma, Vigário Geral da Cidade do Vaticano e Presidente da Administração da Basílica de São Pedro. O arcebispo italiano, de 61 anos, atuou nos últimos cinco anos como Secretário do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Seu nome aparece, notadamente, no final do documento romano que, em dezembro de 2021, reforçou as restrições impostas à Missa Tridentina.

Ele sucede ao Cardeal Mauro Gambetti, que foi nomeado Arcebispo de Chieti-Vasto, na região de Abruzzo, em 3 de outubro. Na Basílica de São Pedro, Dom Viola será responsável pela vida litúrgica e pastoral da basílica, enquanto a presidência da Obra Eclesial o encarregará da preservação e manutenção do edifício. Trata-se de uma responsabilidade considerável para o ex-Bispo de Tortona, chamado a Roma pelo Papa Francisco em maio de 2021.

Frade franciscano natural do Piemonte, Dom Viola conhece muito bem as grandes basílicas italianas. Antes de ser nomeado bispo, destacou-se como guardião do convento e da Basílica de Santa Maria dos Anjos em Assis. Doutor em Liturgia pelo Pontifício Instituto de Santo Anselmo, lecionou essa disciplina por muitos anos antes de ingressar na Cúria Romana.

Uma assinatura no rodapé das restrições

Em 27 de maio de 2021, Francisco nomeou simultaneamente o Cardeal Arthur Roche como Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Dom Viola como Secretário. Menos de dois meses depois, em 16 de julho, foi publicada a Traditionis Custodes, pondo fim às principais flexibilizações reconhecidas por Bento XVI em 2007 para a celebração da Missa Tridentina.

O novo texto submeteu os sacerdotes e fiéis ligados ao missal de 1962 a um regime de autorizações, restringiu os locais de celebração e proibiu os bispos de autorizarem a formação de novos grupos. Além disso, apresentou os livros litúrgicos decorrentes da reforma conciliar como a única expressão da lex orandi do Rito Romano.

Mas as restrições não pararam por aí. Em 18 de dezembro, a Congregação para o Culto Divino publicou a Responsa ad dubia, destinada a esclarecer a aplicação do motu proprio. Assinado pelo Cardeal Roche e por Dom Viola, este documento acrescentou novas restrições às já impostas cinco meses antes.

A celebração da Missa de sempre em uma igreja paroquial tornou-se, portanto, uma exceção que exigia dispensa da Santa Sé. O uso dos antigos livros para os sacramentos foi severamente limitado, enquanto o recurso ao  tradicional Pontificale Romanum foi excluído. Até mesmo a possibilidade de um sacerdote celebrar uma segunda Missa durante o dia, segundo o antigo missal, estava sujeita a restrições específicas.

Um sucessor proveniente do mesmo Dicastério

A saída de Dom Viola abre caminho para a nomeação de Dom Aurelio García Macías, até então Subsecretário do Dicastério para o Culto Divino. Este prelado espanhol de 61 anos não é um novato. Tendo ingressado no serviço da Congregação em 2015, foi nomeado Subsecretário pelo Papa Francisco em 27 de maio de 2021. Desde então, tem trabalhado na equipe responsável pela implementação das decisões romanas relativas à liturgia tradicional.

O Cardeal Roche mantém seu cargo de prefeito do Dicastério. Seu antigo subsecretário torna-se seu principal colaborador, enquanto Dom Viola se transfere para a Basílica de São Pedro. A reorganização ocorre, portanto, entre homens que trabalharam juntos por cinco anos.

Esta nomeação constitui uma promoção para o arcebispo italiano e confirma que, sob o pontificado de Leão XIV, nada indica que a política adotada por Francisco contra a missa tradicional venha a ser questionada.