
Leão XIV, Mons. Breis Pereira e o bagre pontifício (12/01/2026) – (min.: 0.34)
Fonte: Adelante la Fe – Tradução: Dominus Est
Por César Félix Sanchéz
A última notícia na guerra contra a liturgia tradicional, realizada pelas atividades eclesiásticas, é o anúncio da excomunhão de, no mínimo, os sacerdotes que celebrem o rito de São Pio V fora do único lugar designado por mons. Carlos Alberto Breis Pereira, Arcebispo de Maceió, em Alagoas. Segundo uma nota oficial, qualquer outra celebração será vista como um “ato de cisma público” e implicaria uma excomunhão automática.
Além da lambança legal – que, por exemplo, ignora que o direito canônico “recomenda encarecidamente” a todo sacerdote que não sofre sanções a celebrar a Santa Missa com frequência (c. 904), em um lugar sagrado ou, se houver necessidade, em qualquer lugar digno (c. 932), sem fazer referência a algum rito específico – há uma monstruosidade doutrinal: como poderia ser a celebração da missa católica, em si, um ato de cisma?
Cabe apontar que, contra o que podem dizer os lamentáveis defensores do indefensável, essa medida não é orientada diretamente contra a FSSPX – que ultimamente se converteu no inimigo-mor para os que querem “ficar bem na fita” com uma hierarquia que os despreza –: Maceió está a mais de 800 km do centro da FSSPX mais próximo, em Fortaleza, em que se celebra missa no último domingo do mês.
Parece que o objetivo imediato de uma medida com tais características é amedrontar o clero de Maceió e frear a ação dos vários grupos católicos de laicos tradicionais que estão florescendo no Brasil há vários anos (disso se segue a referência explícita na nota oficial às “associações civis” onde não se pode celebrar a missa). Perante tal situação, surge a pergunta: se a missa tradicional é tão má assim, por que se permite sua celebração?
Essencialmente, Mons. Breis Pereira nada mais fez do que colocar em ato, com uma pena canônica fulminante – a mais grave de todas – aquilo que é, há alguns anos, a intenção clara dos lugares mais altos da autodenominada “Igreja sinodal”: extinguir a missa tradicional.
Diz-se por aí que “não há estado de necessidade” porque em Arizona ou Lancashire há algum instituto da extinta Ecclesia Dei que “funciona como se nada estivesse acontecendo”, após a extinção de Summorum Pontificum. Tal atitude se assemelha a de um condenado à morte que, nas escadas do cadafalso, argumenta que não há emergência alguma que justifique ações extraordinárias, já que sua cabeça ainda não foi separada do corpo pela guilhotina…
Mas, para conhecer as intenções das autoridades com respeito à missa tradicional, convém revisar a carta aos bispos do papa Francisco que acompanha a Traditiones Custodes, em que manifesta claramente suas intenções com o motu proprio: “Sobretudo, cabe a vós trabalhar pelo retorno a uma forma única de celebração, verificando caso a caso a realidade dos grupos que celebram com esse Missale Romanum. As indicações sobre o modo de proceder nas dioceses estão ditadas principalmente por dois princípios: por um lado, prever o bem de aqueles que estão arraigados à forma anterior de celebração e que necessitam de tempo para voltar ao Rito Romano promulgado pelos santos Paulo VI e João Paulo II (…)” Ou seja, a intenção do Papa Francisco é a extinção final, no prazo possível, do missal de São Pio X, ou seja, da liturgia romana clássica.
No atual pontificado, durante o consistório de janeiro de 2026, o prefeito do Dicastério do Culto Divino, cardeal Arthur Roche, atuando evidentemente em nome do Papa Leão XIV, distribuiu entre os cardeais uma carta que reafirmava claramente essa intenção: “O uso dos livros litúrgicos que o Concílio buscou reformar foi, desde São João Paulo II até Francisco, uma concessão que de nenhuma maneira previa sua promoção. O papa Francisco – mesmo concedendo, de acordo com Traditionis Custodes, o uso do Missale Romanum de 1962 – apontou o caminho para a unidade no uso dos livros litúrgicos promulgados pelos santos papas Paulo VI e João Paulo II, de acordo com os decretos do Concílio Vaticano II, expressão única da lex orandi do Rito Romano”.
Assim, para além de algumas imprudências acidentais, o arcebispo de Maceió está em perfeita unidade de intenções com os últimos pontífices.
Curiosamente, no dia 12 de janeiro de 2026, quase um mês antes desse anúncio, o arcebispo Breis Pereira teve uma audiência privada com Leão XIV. E, embora houvesse delegações da conferência episcopal brasileira que tiveram reuniões coletivas com o papa, nem no boletim nem nos jornais se divulgou outra reunião particular com outro prelado; parece que houve alguma razão importante para essa reunião privada. Soubemos da reunião pela imprensa brasileira local, que destacou o exótico presente que Dom Pereira lhe deu: um esqueleto de peixe com uma mancha em forma de crucifixo. Um bagre, mais exatamente, peixe comestível. Não conhecemos outro caso em que os restos de um peixe, provavelmente comido por alguém, tenham sido entregues dentro de uma urna de cristal a um papa… para veneração? Esperamos que tal objeto não seja parte das esquisitas “devoções” que, desde o Sínodo da Amazônica, surgem desses lugares do mundo, e que são estranhamente abraçadas pela Sé Romana. Enfim: Quod Deus vult perdere prius dementat.
Não parece estranho que Leão XIV tenha reuniões com bispos de dioceses discretas de países grandes, onde depois começam a acontecer coisas estranhas. Já é conhecido o caso de Charlotte, nos Estados Unidos, onde o bispo Michael Martin não somente suprimiu as quatro missas tradicionais que se celebravam na diocese, reduzindo-as a um único lugar, mas também iniciou um processo de desmantelamento de tudo o que recorde, ainda que seja de modo vago, aos costumes tradicionais da Igreja, começando pelos genuflexórios e comungatórios.
Chama muita atenção que mons. Martin realizou, em abril, justamente no mês anterior a sua eleição como papa, uma reunião privada, “one-to-one” com o então cardeal Prevost, na qual se manifestou bastante “interessado pelo que acontecia em Charlotte”. Segundo The Pillar, nessa reunião o cardeal lhe exortou a continuar, embora com maior lentidão, o processo de reformas, que incluiriam “a proibição das vestimentas romanas, dos crucifixos do altar e das velas (…), o uso do latim e a recitação das orações para vestir a indumentária”.
Tanto Charlotte como Maceió são interessantemente parecidas: são cidades de cerca de um milhão de habitantes, com número muito semelhante de sacerdotes (cerca de 150), algo fora do circuito das sés mais importantes, em países fundamentais na política eclesiástica universal. Seriam campos de experimento excelentes se se quisesse fazer um ensaio da aplicação de medidas que possam ser implementadas em maior escala.
Seja o que seja, o assunto de Maceió, com a perseguição à missa tradicional (que, em si mesma, jamais poderia ser cismática) e a aparição desses estranhos objetos como o bagre pontifício ou a estátua da Pachamama, mostra-nos algo inquietante que já ocorria há algumas décadas mas que agora parecem ter chegado ao extremo mais grotesco: a aparição, inclusive no lugar santo, de um sistema religioso que nossos pais não conheceram (Dn 11, 38).
[Nota dos Editores: em parte traduzimos o texto porque os estrangeiros ficaram realmente chocados com a bobice do arcebispo – aqui no Brasil estamos anestesiados com arbitrariedades jurídicas e abusos de poder pela convivência anual com nosso STF.
Só esqueceram de avisar ao bispo que ele não tem executivo – exceto os anjos e santos do céu! Mas não recomendamos aos continuístas/conservadores que peçam intercessão para seus fins amargos de gente ressentida e obcecada.]