
Se nossa alma se sente pesada e melancólica, repitamos a ela as palavras do salmista: “Por que estás triste, ó minha alma? Espera em Deus…”
Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est
Para começar, permitam-me narrar um pequeno fato ocorrido em uma de nossas escolas primárias. Certo dia, fui informada de que um policial me procurava na sala de visitas.
Apreensiva, dirigi-me à sala indicada e logo me deparei com um jovem que me cumprimentou gentilmente e simplesmente expressou seu desejo de matricular seu filho em nossa escola. Respirei aliviada quando ele explicou os motivos que o levaram a essa decisão. Então, de repente, ele me disse: “Irmã, faço parte da J.U.D.B.”
Sem entender, me perguntei se não seria uma abreviação de alguma força policial secreta…Mas o rosto sorridente do policial contrastava com meus pensamentos íntimos. “Hum… O que significa J.U.D.B.?”, perguntei, vagamente preocupada. E o homem me respondeu com um grande sorriso, um pouco surpreso com minha ignorância: “Ora, é a Jubilosa União de Dom Bosco!”
Que descoberta! Assim, apesar do nosso mundo moderno e da crise da Igreja, este homem conseguiu manter a sua alma na fé da sua infância e na virtude, graças à sua participação na Società dell’allegria, fundada por São João Bosco.
Sirva ao Senhor com alegria.
A educação do pequeno batizado deve ser conduzida sem fraqueza, sabemos bem, pois por trás de sua cabecinha de anjo, há defeitos gritantes a serem combatidos.
Mas, para não correr o risco de prejudicar o caráter da criança, essa educação deve ser alegre e prazerosa.
Notemos imediatamente que não se trata aqui da alegria segundo o mundo, que muitas vezes se traduz pela palavra “diversão”. A alegria cristã é, antes de tudo, uma alegria interior, fruto e manifestação do nosso amor por Deus. A atmosfera do bom Deus, da sua graça, é alegria. O pecado só gera tristeza.
A criança deve ter aprendido em casa que a virtude esconde alegrias profundas, que a religião nunca é amiga da tristeza, mas, pelo contrário, que abençoa e incentiva toda alegria pura.
Que a alegria esteja sempre com você.
A criança só se desenvolverá plenamente em um ambiente de alegria. Manter a alegria no lar é um dever e uma necessidade para os pais. Um dever, pois eles devem lembrar que as alegrias mais puras da vida são vividas durante a infância. Necessidade também, pois a alegria favorece a saúde física e moral, facilita o despertar da inteligência, afasta o vício, mantém a confiança e, finalmente, contribui para o florescimento da virtude. Cercada por serenidade e alegria, a vontade aceita mais facilmente e executa com mais entusiasmo as ordens e os conselhos.
Criar um clima de alegria cristã ao seu redor, espalhando seus benefícios por onde passar, é um dos melhores atos de caridade que alguém pode praticar.
A maioria dos pais, preocupados em suas próprias responsabilidades, não percebem as riquezas que perdem — tanto para si mesmos quanto para seus filhos — por não sorrirem para eles. Uma criança que não recebe sorrisos não aprende a sorrir. Certamente, a vida apresenta muitas dificuldades e aborrecimentos, mas nada é mais prejudicial ao desenvolvimento harmonioso de uma criança do que expô-la excessivamente a eles, sem levar em conta sua idade.
“Viva a alegria, mesmo assim!”
São Teófano Venard
Para superar pacificamente as provações que a aguardam, a criança deve saber reagir com bom humor e possuir uma boa dose de otimismo que lhe permita sempre ver o lado positivo das pessoas e das situações. Nada supera o exemplo de uma atitude alegre e sorridente dos pais.
É desde os primeiros anos que se deve acostumar a criança a encarar tudo com bom humor, pois essa é uma virtude que se adquire dia após dia.
Em um dia de folga, a mãe planejou um passeio agradável no parque para um piquenique. Todas as crianças estavam animadas. Mas então uma chuva fria e persistente começou a assombrar seus rostinhos. A mãe reúne seus pequenos: “O bom Deus permitiu isso e Ele nos ama. O que faremos? Vamos passear mesmo assim, mostrando que somos valentes e não tememos a chuva? E se isso for impossível, organizaremos uma tarde de jogos em casa.”
“Repito-vos: sejam sempre alegres.”
São Paulo
É nos detalhes concretos do seu dia a dia, aproveitando cada oportunidade, que ensinaremos às crianças pequenas o que é alegria. Suas pequenas tristezas, seus fracassos, suas lágrimas, nós as acolheremos com carinho, mas teremos o cuidado de não dramatizá-las e de animar a criança com um pequeno comentário que a faça sorrir.
Se a criança caprichosa se fechar em um silêncio mal-humorado, o que fazer para tirá-la dessa situação? Com tato e carinho, quando o momento “apaixonado” passar, peça-lhe para sorrir. “Era assim que me corrigiam da minha teimosia, na minha infância”, escreverá Santa Emília de Rodât.
Expressar alegria é uma forma de despertá-la. Durante as refeições, pais e mães, deixem de lado suas preocupações e animem a conversa com alegria. Em seus passeios, compartilhem com seus filhos sua admiração pela beleza da criação. Caminhando à beira de um lago na montanha, pais surpresos ouviram sua filhinha de dois anos exclamar, batendo palmas: “Oh, que bonito!” Várias vezes ela ouvira seus pais exclamarem de admiração diante dessas belezas da natureza e esses sentimentos haviam sido incutidos em sua jovem alma.
“Sta allegro” “Sejam alegres”
São João Bosco
A única maneira de educar os filhos na alegria cristã é, antes de tudo, educar-se a si mesmo. Se nossa alma se sente pesada e melancólica, repitamos-lhe as palavras do salmista: “Por que estás triste, ó minha alma? Espera em Deus…”
Pais cristãos, peçam incansavelmente a graça da alegria, pois ela é uma graça, àquela que a Igreja chama em suas litanias de “Causa da nossa alegria”. E que o doce sorriso de Nossa Senhora da Alegria ilumine o seu lar e cada um dos seus membros.