
“E foram-lhe dados imperio, honra e reino; e todos os povos, nações e linguas o serviram; e o seu reino nao sera jamais destruido.”
Fonte: Apostolo nº 210 – Tradução: Dominus Est
Qual o significado dessa denominação a qual o próprio Jesus se apresenta? Observemos que a expressão aparece 82 vezes nos Evangelhos: ou seja, é frequente, mais do que outros títulos atribuídos a Jesus, como Cristo ou Filho de Deus. E, ao contrário das outras expressões, é empregada quase exclusivamente por Jesus. A expressão pode ser simplesmente um sinônimo de “homem”, pois trata-se de uma expressão específica do aramaico, traduzida como tal para o grego, o latim e o francês português.
Nesse sentido, a fórmula é frequentemente usada na Bíblia: por exemplo, o profeta Ezequiel é chamado 94 vezes pela fórmula “filho do Homem” para expressar sua solidariedade com o povo para o qual foi enviado. Se Jesus se refere a si mesmo dessa forma, pode ser para lembrar de sua verdadeira humanidade e fazer com que os homens compreendam que ele é um deles e que compartilha da condição humana.
A expressão também pode ser entendida como um eco de uma das visões do profeta Daniel (capítulo 7). Quatro ventos do céu sopraram sobre o grande mar, e quatro grandes feras surgiram do mar. A primeira era semelhante a um leão; a segunda, semelhante a um urso; a terceira, a um leopardo; a quarta, terrível e espantosa, tinha grandes dentes de ferro e dez chifres, devorava e despedaçava tudo. Esses são símbolos dos reinos da terra que se sucedem e que, após triunfarem por um tempo, estão destinados a desaparecer. E então Daniel viu um ancião sentado em um trono, cercado por sua corte. Ele é o Juiz. “E eis que vi um (personagem) que parecia um Filho de homem, que veio sobre as nuvens do céu; chegou até ao Ancião e foi apresentado diante dele. Foram-lhe dados imperio, honra e reino; e todos os povos, nações e linguas o serviram; o seu Imperio é um imperio eterno, que nao passará, e o seu reino nao sera jamais destruido.”
O Filho do Homem, conforme descrito pelo profeta Daniel, não é mais um homem qualquer: é aquele a quem é prometido o domínio eterno sobre todo o mundo.
Pe. Louis-Marie Berthe, FSSPX