EDUCAÇÃO: SUBMETER-SE AO RESPEITO HUMANO?

Os bons pais cristãos preocupam-se em zelar pela alma de seus filhos. Para protegê-los do mal, eles supervisionam suas brincadeiras, suas leituras, seus amigos… No entanto, apesar de toda essa vigilância, às vezes sentem a a dor de constatar que um de seus filhos é mais influenciável e se deixa levar pelo covarde respeito humano.

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Sim, o respeito humano é um inimigo temível que ameaça toda alma, e particularmente o adolescente e o estudante quando deixam seu ambiente protegido. Uma simples palavra de escárnio, um sorriso de desprezo, um gesto de pena feito por um colega medíocre, e eis que já não se ousa ser verdadeiro, falar, agir como cristão, fica-se paralisado por esse medo do “o que dirão?”!

O respeito humano é definido como o temor que temos do julgamento e das palavras dos outros. A palavra respeito é sinônimo de consideração ou respeito. Quando se fala de respeito humano, trata-se de uma pressão que se exerce sobre a conduta, porque se leva em conta o que os homens podem pensar e estão prestes a dizer de nós, esquecendo-se de que nossa referência essencial são Deus e seus representantes! Certamente, devemos ter consideração e deferência para com o próximo, mas é o excesso que é condenável e que deve ser evitado.

Se, queridos pais, vocês, com a graça de Deus, educaram seus filhos na virtude, também poderão protegê-los contra esse inimigo que é o respeito humano, desde a mais tenra idade.

Como se pode imaginar, para evitar isso, uma atitude primordial é essencial: “Deus em primeiro lugar”. A família vive segundo esse lema. Os filhos percebem que seus pais colocam Deus no centro da vida familiar, que Ele é verdadeiramente o Senhor. Eles veem que os pais julgam os acontecimentos, que decidem todas as coisas segundo Deus e não segundo o julgamento dos homens e do mundo. O julgamento dos pais será baseado nos ensinamentos do catecismo, nos princípios católicos, na reta razão e no bom senso, e não nos pronunciamentos do Sr. X… Os pais cristãos usarão os bens deste mundo apenas na medida em que lhes forem necessários e não porque está na moda ou por medo de parecerem antiquados.

Os pais também demonstrarão aos seus filhos esse santo orgulho de serem cristãos não apenas durante essas manifestações públicas da nossa fé, como procissões e peregrinações, mas também quando, por exemplo, simplesmente rezam antes de uma refeição na companhia de um convidado ou quando não temem expressar a sua opinião, recusando-se a fazer concessões.

O exemplo dos pais é uma força na educação; e quanto mais pode este exemplo do cristão corajoso, capaz de renunciar a tudo para ser fiel a Deus, armar nossos filhos contra esta escravidão do respeito humano.

Se é preciso transmitir com entusiasmo o orgulho de ser cristão, é igualmente necessário fazer com que a criança realize atos que afirmem sua coragem. Na escola, a criança deseja ser apreciada pelos colegas ou teme ser ridicularizada. Ensinemos-lhe a superar esse medo dos outros. A escolha de suas roupas será feita com base no que agrada a Deus, na harmonia das cores… e não porque tal colega está vestido assim.

Se uma criança se queixa de provocações, devemos encorajá-las a suportá-las seguindo o exemplo de seu Salvador, a não dar importância a elas, mostrando-lhe o quão insignificantes são e que o que importa é o julgamento que Deus faz de nós. Querer proteger seu filho dessas pequenas provações é, de antemão, torná-lo fraco diante da provação.

A educação para a honestidade também ajudará a criança a o medo do julgamento alheio, pois ela aprende a dizer a verdade sem receio do que os outros possam pensar.

A Madre Marie Christiane, irmã de D. Lefebvre, relata em suas memórias que o jovem Marcel era frequentemente alvo de zombaria por parte dos colegas mais velhos. “Eu lhe dizia: ‘É a você que eles estão se dirigindo?’” Marcel nem sequer me respondia. Eu admirava sua autoconfiança…” Mas se se tratava de outra pessoa, mais fraca, ou mesmo da honra de Deus, da Igreja, então Marcel reagia com veemência: “Era preciso uma certa coragem, e aqueles que aprenderam a lição não voltavam a fazê-lo.”

Inculquemos, portanto, em nossos filhos a coragem cristã que os capacitará a preferir Deus ao julgamento dos homens. O respeito humano é uma verdadeira forma de servidão; a liberdade dos filhos de Deus, ao contrário, consiste em fazer o bem sem temer o escárnio ou a oposição. Peçamos essa força a Nosso Senhor e à Virgem Maria.

Irmãs da FSSPX