O QUE ACONTECERÁ EM 1º DE JULHO DE 2026?

SAGRAÇÕES EPISCOPAIS NA FSSPX? APRENDENDO COM O PASSADO | DOMINUS EST

Mesmo nas colunas “moderadas” da Paix Liturgique, há uma posição claramente a favor das sagrações.

Uma análise de Philippe de Labriolle

Fonte: Paix Liturgique – Tradução: Dominus Est

O prazo de 1º de julho de 2026, estabelecido pela FSSPX para proceder com a sagração de bispos inegavelmente fiéis à Tradição da Igreja e à Fé Católica recebida dos Apóstolos, é um prenúncio bem-vindo de um dia de alegria. Aqueles que lamentam a política de autoafirmação de Ecône, mesmo compartilhando a Fé imutável e sendo adeptos do vetus ordo, se deparam com a ambiguidade de sua posição. Seus antecessores, tendo lamentado em 1988 as sagrações que Roma não desejava, deixaram a FSSPX na esperança de que a Santa Sé lhes agradeceria. O grupo Ecclesia Dei (1988/2019), formado para dar essa impressão, jamais serviu de baluarte, muito menos de um refúgio, contra a fúria dos Ordinários que, vangloriando-se no púlpito de estarem abertos a todos, reservavam sua ira apenas para os católicos tradicionalistas, salvo raras exceções.

O que acontecerá, de uma perspectiva humana, após essas novas sagrações? A priori, nada, a não ser incluir os novos bispos sagrados no próximo dia 2 de julho na situação geral da FSSPX, a qual, ao longo de 30 anos, passou de uma excomunhão de grande proporção à validação de suas confissões pelo Papa e de seus casamentos pelos Ordinários por ordem papal. Mas não entremos em detalhes. Em resumo, as sagrações de 1988, uma vez passado o choque inicial, foram assimiladas. O mesmo ocorrerá com as seguintes, em virtude da jurisprudência, e porque a Igreja não pode renunciar formalmente à sua Tradição sem assumir a responsabilidade por heresias cuja acumulação equivale a um cisma. Os conciliaristas estão no poder: o cisma emocional e cognitivo mascara, cada vez menos, o cisma real.

Os grupos tradicionalistas que se opuseram às sagrações demonstraram sofisma. Teorizaram, com a mão no coração, que essa era a única opção que preservaria, temporariamente, sua presença em território inimigo. Como em 1988, esperavam clemência, não por meio do diálogo com as dioceses, mas sim por meio de uma rejeição conjunta desses bispos de outrora, que cederam à audácia dos rebeldes e não a si mesmos, que são inocentes ou desejam sê-lo. Em suma, esses tradicionalistas pensavam em seus próprios interesses, em vez de pensarem na Igreja. Isso não surpreende, visto que, em 1988, em troca da incorporação à “Ecclesia Dei“, aceitaram uma cláusula de silêncio a respeito dos já evidentes estragos do Vaticano II.

Esses institutos poderiam ter permanecido em silêncio, sem se unirem ao coro daqueles que os sufocam. Mas tal silêncio poderia ter sido interpretado como cumplicidade com Écône, da qual são indistinguíveis, exceto pelo rótulo. O silêncio, exigido em relação ao desastroso Concílio, teria sido culpável onde a liberdade de expressão foi comprometida desde o início. Em contrapartida, os bispos franceses, em Lourdes nas últimas semanas, deixaram claro que não se deixaram enganar. Por trás da adesão ao usus antiquior e à sua lex orandi, existe, de fato, um problema de eclesiologia e uma rejeição do Vaticano II, desconhecido até mesmo pelos mais ingênuos. Não lhes passou despercebido que, ao nunca se falar do Concílio Vaticano II, torna-se lógico agir como se ele nunca tivesse ocorrido. O Concílio Pastoral, impondo uma prática desviada sem jamais proclamar a extinção do dogma, mas esquecendo-se de evocar seu vigor, acabou encontrando sua réplica, sob o paradoxo de um silêncio imposto

Aqueles que foram proibidos de questionar o Vaticano II e de estudar os textos perversos — aos quais as “Atas do Concílio” proporcionam acesso tão fácil — inverteram, quer queiram quer não, a situação. Agir como se o Vaticano II nunca tivesse existido historicamente não enriqueceu a cultura teológica e histórica de seus seminaristas, mas consolidou a impostura, como um não-evento, inacessível por meio de documentação, que era ela própria proibida. Essa quarentena do Concílio não ocorreu pela razão correta — que teria sido expurgá-lo de seu veneno — mas sim por meio de um processo de tutela. A estratégia de estender a lex orandi de ontem, partindo da lex credendi recebida dos apóstolos, enquanto se marginaliza o Vaticano II por obediência é uma prática que funciona, para grande desgosto dos bispos, que, não sem razão, mantêm a marginalização desses suspeitos, que são mais frutíferos do que seu próprio clero. Enquanto o caos eclesiástico desestabiliza gravemente a Cidade e torna a República impotente, a crise da consciência europeia no século XXI torna ilusórias as ressurgências coletivas diante da galopante entropia da apostasia. Em suma, é mais urgente desenvolver do que seduzir o inimigo.

Os círculos tradicionais que escolheram a aliança errada, depois de negarem sua dívida para com Ecône na esperança de uma conciliação com as autoridades que as sufocam, demonstram que continuam a acreditar que instituições traiçoeiras — que já estão mortas — ainda estão vivas. Se lhes fosse ordenado estudar metodicamente o Vaticano II, veriam, ainda que com pesar, o veneno misturado a lembretes inócuos. Se, tendo visto o veneno, permanecerem em silêncio, que credibilidade conservarão aos olhos de seus próprios seguidores? E se falarem alto e claro, como faz a FSSPX, e esta batalha pela Fé levar à sua exclusão das dioceses, bem, não terão outra escolha senão voltar a integrar a FSSPX.

O que acontecerá, do ponto de vista humano, na noite de 2 de julho? Aqueles que se opuseram se envergonharão de sua covardia. Ousarão apresentar acusações contra seus irmãos mais corajosos?

Philippe de Labriolle, Psiquiatra hospitalar

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