BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – JULHO/26

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Caros fiéis,

Este 68º boletim será, para mim, o último. Há sete anos, cheguei à Terra da Santa Cruz a pedido dos meus superiores. Mais uma vez, é a pedido dos meus superiores que deixo o maior país católico do mundo. Gostaria de poder agradecer a cada um dos senhores pessoalmente pelas festas de despedida tão bem preparadas, pelos vossos presentes, pelas vossas cartas carinhosas, pelas vossas orações… mas isso é impossível. Aproveito, portanto, este último boletim para dizer a todos, confrades e fiéis, um imenso obrigado por estes belos anos que passei convosco. 

O Padre João Maria Ferreira da Costa é o sucessor ideal: brasileiro, de mãe francesa, conhece bem o apostolado do nosso priorado. A transição é fácil. No entanto, ele terá de manter, pelo menos nos próximos seis meses, a direção do Colégio São José, além do seu novo cargo de prior. Terá, portanto, muito trabalho. Tenhamos, pois, a caridade de não lhe criar preocupações desnecessárias. Que ele possa contar com o apoio das nossas orações e da nossa ajuda nos diversos aspectos do apostolado.

De minha parte, vou para França. Para a costa mediterrânea; com o sol, para matar a saudade do Brasil. Residirei no priorado Saint-Ferréol, em Marselha, para servir a igreja Sainte-Philomène, em Toulon; cidade onde nasceu a obra do Pão dos Pobres de Santo Antônio (uma história a descobrir na «Trezena», reeditada anualmente pelo priorado). Marselha é a segunda maior cidade do país, mas a primeira em termos de presença muçulmana. Por isso, tenho mais chance de me tornar mártir. Rezem muito pela França, por favor. A filha mais velha da Igreja encontra-se numa decadência que é fruto da sua apostasia. O estado das suas catedrais resume a condição espiritual do país. Esplêndidas, mas vazias. Admiramos uma grandeza passada, os vestígios de uma fé esquecida. O corpo permanece, mas sem a sua alma. Um cadáver prestigiado. As palavras parecem duras, mas é a realidade. Se me fosse concedido fazer um único desejo, como nos contos de fadas, pediria que todos os muçulmanos da França fossem substituídos por católicos brasileiros. 

Para o estrangeiro que chega ao Brasil, este é sem dúvida um dos aspetos mais marcantes: a religiosidade do povo. Por vezes equivocada, mas existe. O brasileiro não é indiferente à questão espiritual. A alma está presente. Para um padre, isso muda tudo. Segundo ponto positivo: uma grande generosidade. 

Passemos agora aos pontos negativos. Eles resumem-se numa palavra: ignorância. Ignorância religiosa, acima de tudo. A maioria das paróquias oferece um catecismo de péssima qualidade; sem falar de toda uma propaganda modernista e esquerdista que nada tem de católica. Ignorância intelectual, finalmente. Todos sabem do nível catastrófico do ensino público e da aprendizagem do vício imposta às crianças. As capelas e as escolas da Tradição surgem, portanto, na hora certa para remediar esses males. Além dos apostolados de Niterói e Santa Maria, pilares históricos, vimos desenvolver-se nos últimos anos como uma espinha dorsal da Tradição no Brasil: São Paulo, Campinas-Indaiatuba, Ribeirão Preto-Cravinhos e Passos. Talvez um dia possamos falar de priorado-capela-escola para cada um destes apostolados em pleno desenvolvimento. Esperemos que, graças a uma presença mais constante dos padres, estas comunidades consigam suscitar vocações; as quais ajudarão a administrar melhor as missões mais remotas, cujos fiéis são tão merecedores. 

Tanto no Brasil como na França, os tradicionalistas são poucos em relação à população total, mas são dinâmicos; são o fermento na massa! E Deus gosta de usar o que é pequeno para manifestar o seu poder. Ao ver o documentário Traditio sobre o apostolado da Fraternidade, compreende-se que os modernistas já perderam. Independentemente das perseguições que venham a atingir a Tradição. Um líder da Vendéia, François Athanase Charrette de la Contrie (1763 – 1796), animava assim os seus homens: «A nossa Pátria são as nossas aldeias, os nossos altares, os nossos túmulos, tudo aquilo que os nossos pais amaram antes de nós. A nossa Pátria é a nossa Fé, a nossa terra, o nosso Rei… Mas a pátria deles, qual é? Vocês compreendem? Eles querem destruir os costumes, a ordem, a tradição. Então, o que é essa pátria que zomba do passado, sem fidelidade, sem amor? Essa pátria da desordem e da irreligião? Belo discurso, não é? Para eles, a Pátria parece ser apenas uma ideia; para nós, é uma terra. Eles a tem no cérebro; nós a temos debaixo dos pés… É velho como o diabo, o mundo que eles dizem ser novo e que querem fundar na ausência de Deus… Dizem-nos que somos os apoiadores das velhas superstições; é de rir! Mas diante desses demônios que renascem de século em século, somos uma juventude, senhores! Somos a juventude de Deus. A juventude da fidelidade!…» 

Essa juventude de Deus está bem presente no Brasil. Ela traz uma esperança imensa. Através dela, a Tradição viverá. E, se Deus quiser, o Brasil tornar-se-á o maior distrito da Fraternidade. Confiemos incessantemente esta grande obra aos cuidados maternos de Nossa Senhora Aparecida.

Com a minha cordial bênção.

Padre Jean-François Mouroux, Prior

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