ORDEM E DESORDEM

Descubra 21 ideias de Escritório de advocacia (clássico). e escritório de  luxo | decoração de bibliotecas em casa, biblioteca em casa, design interno  e muito mais

Fonte: Le Parvis nº 168 – Tradução: Dominus Est

Um provérbio conhecido afirma que a ordem exterior reflete a ordem interior. Essa verdade, embora às vezes incômoda, não deixa de ser uma realidade profunda. Quem já visitou conventos de freiras pôde observar uma ordem e uma limpeza notáveis, frutos de um espírito de disciplina, pobreza e recolhimento, que geram paz, tranquilidade e alegria interior.

Esse espírito de disciplina e pobreza deveria permear todas as instituições, comunidades e famílias. Trata-se de uma virtude que se adquire desde a mais tenra infância, mas que, infelizmente, se perde cada vez mais em nossos tempos.

Existe uma estreita ligação entre a ordem e a nossa vida espiritual. De fato, toda a obra da nossa vida espiritual consiste em restaurar em nossa alma a ordem que o pecado destruiu na natureza e, particularmente, em nossa alma. Por causa do pecado original, as paixões dominam a vontade e o intelecto, e, portanto, devemos restaurar a ordem, isto é, que o intelecto, iluminado pela Fé, busque a verdade, que a vontade se oriente para o bem e que o intelecto e a vontade controlem as nossas paixões (ordem material; ordem da disciplina na vida; ordem da vida espiritual; ordem da organização; ordem da realização de projetos; ordem da obediência a princípios, regulamentos, estatutos, leis, etc.).

Em um mundo em constante aceleração e numa época em que a informação circula à velocidade da luz e as demandas são incontáveis, a questão da ordem e da desordem nunca foi tão relevante.

A ordem traz, antes de tudo, uma clareza mental inestimável. Um ambiente organizado — seja um escritório, uma casa ou até mesmo nossa mente — permite que o cérebro gaste menos energia procurando, classificando ou se preocupando. Assim, ela favorece a concentração e a criatividade.

Em nível coletivo, a ordem constitui a condição primordial para a verdadeira liberdade. Sem regras comuns, sem leis respeitadas e sem instituições estáveis, a sociedade mergulha na arbitrariedade e no caos. De Platão a Jordan Peterson, os grandes pensadores têm destacado que a ordem (o cosmos) se opõe ao caos primordial. A ordem também fortalece a confiança mútua: cada objeto arrumado, cada compromisso cumprido, cada processo aprimorado representa uma vitória contra a desordem.

O próprio Deus é um Deus de ordem. Toda a criação testemunha uma harmonia e uma lei que são ao mesmo tempo divinas e naturais. A Providência age com ordem, mesmo quando não a percebemos plenamente.

O próprio Evangelho oferece exemplos comoventes disso. Após a Ressurreição, os apóstolos encontraram os sudários no túmulo, “dobrados, um na cabeceira e o outro nos pés”, um sinal de calma e ordem no próprio coração do Mistério Pascal. Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, além disso, definem a paz como “a tranquilidade da ordem”.

Os profundos danos causados pela desordem

A desordem não é neutra. Psicologicamente, o acúmulo de tarefas inacabadas, pertences espalhados e compromissos não cumpridos gera uma sensação permanente de opressão. Muitos casos de procrastinação crônica são, na realidade, problemas de organização mal identificados.

Economicamente, a desordem representa um abismo: desperdício, perda de objetos, destruição involuntária, falta de espírito de modéstia. Ela constitui também uma injustiça para com o próximo e um prejuízo ao bem comum.

Visualmente, um ambiente caótico cansa o cérebro devido à estimulação constante. A longo prazo, pode causar estresse, ansiedade, desânimo e perda de motivação. Estudos demonstraram uma ligação entre a desordem e o aumento do cortisol (o hormônio do estresse), problemas de memória, maus hábitos alimentares, diminuição do controle dos impulsos e maior risco de transtornos de ansiedade e humor. No âmbito relacional, a desordem emocional — comunicação confusa, promessas não cumpridas, conflitos não resolvidos — destrói a confiança e frequentemente leva a rupturas. Famílias marcadas pelo caos relacional frequentemente observam seus filhos desenvolverem mais ansiedade e dificuldades acadêmicas.

De onde vem a desordem? Ela é moralmente ruim?

A desordem decorre, na maioria das vezes, de uma mistura de preguiça, negligência, falta de disciplina, imprudência, desprezo pelo bem comum e ausência de espírito de pobreza. Todas essas são realidades moralmente repreensíveis. É certo que o temperamento desempenha um papel importante, mas a recusa em controlá-lo também se insere no domínio moral.

A desordem nas áreas comuns de uma casa ou de qualquer comunidade constitui uma injustiça ao bem comum. O mesmo se aplica às leis, regulamentos e normas que não são aplicados ou que sofrem alterações excessivas. A preguiça, a falta de espírito de pobreza, a negligência e o desrespeito pelo bem comum são, portanto, moralmente inaceitáveis.

A essas causas clássicas soma-se, no mundo moderno, um elemento particularmente nocivo: o uso excessivo de telas e a busca constante por diversão e estímulo imediato. Esse hábito provoca uma perda considerável de tempo que deveria ser dedicado ao cumprimento de nossas obrigações.

A aprendizagem da ordem

No âmbito da organização, a ordem exige uma disciplina pessoal rigorosa. Nossas obrigações possuem uma hierarquia natural baseada em seu valor intrínseco e grau de urgência. É, portanto, essencial aderir a essa hierarquia, sem adiar, principalmente, as tarefas que nos são mais difíceis.

Em muitas situações, é necessário saber dizer “não” às solicitações inoportunas das nossas emoções ou das pessoas que perturbam essa ordem. Escolher a ordem não é renunciar à liberdade, mas optar por uma liberdade superior: a liberdade de criar, de amar o bem comum e de progredir sem ser constantemente prejudicado pelo peso do caos que deixamos se instalar.

Em termos práticos, a ordem é definida classicamente por esta máxima: “um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar”. Essa disciplina é adquirida desde a mais tenra infância. As crianças devem aprender rapidamente a não deixar brinquedos, roupas e objetos pessoais espalhados por toda a casa. Os adultos devem fazer o mesmo com seus próprios pertences, nos ambientes comuns, na empresa ou na comunidade.

Entre os sinais frequentes de desordem, observam-se: portas de armários deixadas abertas, gavetas mal fechadas, louça se acumulando, brinquedos abandonados na sala, ferramentas que nunca são guardadas no lugar, oficina caótica ou atividades iniciadas conforme a inspiração ou o capricho do momento.

Em um mundo moderno que promove o prazer imediato e rejeita o espírito de sacrifício, torna-se mais fácil cair nessa espiral de desordem moral, individualismo e falta de disciplina pessoal. Daí a necessidade urgente de restaurar a ordem e suas exigências ao nosso redor.

Se você busca a paz na família, na comunidade ou na empresa, cultive a ordem.

Pe. Philippe Pazat, FSSPX