
Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Essa terceira parte relembra que Deus é o Criador de todas as coisas, que Ele pode ser conhecido pela razão humana e que Se revelou como Pai, Filho e Espírito Santo. Ela reafirma que o mistério da Santíssima Trindade deve ser professado integralmente, sem omissões nem atenuações.
II – Deus, princípio e fim de todas as coisas, Santíssima Trindade
18 – Professo a existência de um Deus único, pessoal, vivo e verdadeiro, princípio primeiro e fim último de todas as coisas, que no começo criou a partir do nada o céu e a terra, as coisas visíveis e invisíveis. Infinitamente perfeito, eterno e onipotente, imutável, incompreensível na sua essência e soberanamente livre nas suas obras, Ele é distinto do mundo que criou livremente, que conserva na existência e que governa por meio de sua Providência.
19 – Professo que Deus pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão a partir das suas criaturas, como a causa é conhecida pelos seus efeitos. A fé católica reconhece, de fato, que a inteligência humana é capaz de atingir verdadeiramente a realidade das coisas, de conhecer frequentemente as suas causas e de chegar a verdadeiras certezas.
20 – Por essa razão, rejeito o agnosticismo moderno, o ceticismo filosófico, o subjetivismo idealista, e todas as doutrinas que limitam o alcance do conhecimento humano aos fenômenos sensíveis ou às construções da consciência, negando, assim, até a possiblidade de um Magistério eclesiástico e de uma verdadeira teologia.
21 – Confesso que na única natureza divina subsistem três Pessoas realmente distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, Trindade consubstancial e indivisível. O Pai é sem princípio; o Filho é gerado desde toda a eternidade pelo Pai; o Espírito Santo procede eternamente do Pai e do Filho como de um só princípio. Mas essas três Pessoas são uma só e mesma substância divina: são um só Eterno e não três Eternos; um só Deus sábio, bom e onipotente, e não três deuses igualmente sábios, bons e onipotentes; são um só na vontade e na providência divina, e gozam de uma só e mesma glória.
22 – Rejeito as profissões diminuídas da fé trinitária que, a pretexto de unidade religiosa ou de prudência ecumênica, calam voluntariamente o que Deus revelou acerca de si mesmo. Não basta dizer, com os judeus e os muçulmanos, que Deus é um; não basta reconhecer, com os arianos, que o Filho é de mesma natureza que o Pai; não basta, tampouco, confessar, com os gregos cismáticos, que o Espírito Santo procede do Pai, calando o Filioque. Esse falso irenismo busca uma concórdia ilusória. Ao omitir a profissão de certas verdades reveladas, põe a confusão no lugar da clareza e ameaça a integridade da fé.