O EXERCÍCIO DA AUTORIDADE NA EDUCAÇÃO

Fonte: Le Seignadou – Tradução: Dominus Est

“Meu filho não me obedece, o que esperam que eu faça?” Desiludido, esse pai desistiu; não suporta mais os caprichos do filho, seus gritos, suas lágrimas. Prefere deixar os dias passarem sem lutar; há uma certa paz em renunciar à autoridade, a paz de um cão exausto a deriva, a paz do vencido que se submete à tirania do vencedor, a paz da morte quando a vida abandona o corpo sem alma. Amanhã, essa criança se tornará um adolescente, resistente a toda autoridade, incapaz de tolerar um único comentário ou restrição; ele próprio tiranizado por suas paixões, oscilará entre entusiasmos passageiros e desânimos recorrentes.

Finalmente, na vida adulta, pelo menos em termos de idade, esse indivíduo inflexível e caprichoso será, dependendo da escolha, um revolucionário sempre em guerra contra injustiças reais ou presumidas, um adulto instável incapaz de tomar uma decisão a longo prazo, um cônjuge infiel ou egoísta, um zumbi translúcido sem caráter e sem combatividade, uma pessoa ansiosa e depressiva, sempre inquieta, nunca em paz.

A sabedoria do Livro dos Provérbios

O livro de Provérbios está repleto de sabedoria inestimável para a educação de nossos filhos. “Onde não há quem governe perecera o povo” (Provérbios 11, 14), adverte-nos. O exercício da autoridade deve ter como finalidade dar um objetivo prático às ações daqueles que nos foram confiados. Não qualquer objetivo, mas aquele necessário para o bem comum da família, para o aprimoramento virtuoso da criança e, em última instância, para a salvação de sua alma na bem-aventurança eterna. Deus nos mostra que “o filho sábio ama a correção; o que porém é mofador não faz caso, quando é repreendido.” (Provérbios 13,1). Como dissemos anteriormente, uma criança sem direção se torna insensata, enquanto uma criança dócil se aperfeiçoa: “O insensato despreza a correção de seu pai; o que faz caso das repreensões tornar-se-á mais avisado.” (Provérbios 15, 5). Os Provérbios concluem com este ditado ponderado: “Castiga o teu filho, não percas a esperança da (emenda), mas não chegue a tua severidade ao excesso de lhe dares a morte.”  (Provérbios 19,18).

A autoridade dos pais vem de Deus.

“Toda a autoridade vem de Deus” (Rm 13, 1). “Por esta causa dobro os joelhos diante do Pai, do qual toda a paternidade nos céus e na terra toma o nome” (Ef 3,14). A autoridade dos pais é concedida pelo próprio Bom Deus: “Pois, segundo o ensinamento católico, a autoridade dos pais e dos professores é simplesmente um fluxo da autoridade do Pai e do Mestre celeste; e, assim, não só deriva sua origem e força deste último, como também necessariamente toma emprestado sua natureza e caráter. É por isso que o Apóstolo exorta os filhos a obedecerem a seus pais em Deus e a honrarem pai e mãe, que é “o primeiro mandamento com promessa” (Hb 13,4). E aos pais ele diz: “Pais, não incitem seus filhos à rebeldia; antes, criem-nos na disciplina e na justiça do Senhor” (Ef 5,23). (Leão XIII, Encíclica Quod Apostolici, 28 de dezembro de 1878).

O exercício da autoridade é uma arte.

O exercício normal da autoridade depende não apenas daqueles que devem obedecer, mas também, e em grande medida, daqueles que deve comandar. Uma coisa é o direito de exercer autoridade e dar ordens; outra coisa é a superioridade moral que torna esse direito operante, eficaz e efetivo — em suma, que consegue se impor às crianças e obter obediência. O primeiro direito é confiado aos pais e educadores legítimos no próprio ato de educar ou ensinar; mas a segunda prerrogativa, a superioridade moral, é a aquisição da virtude pessoal, que a assegura e a aumenta, ao mesmo tempo que pode diminui-la e se perder por nossa própria culpa.

Algumas dicas práticas

Como podemos adquirir e manter esse poder moral sobre as crianças que nos foram confiadas?

Confiança: diante de uma criança que tenta desobedecer, demonstre uma firmeza gentil e razoável, que não ceda. Nunca se deve ceder a um capricho, por mais que isso custe. Pode-se moderar a decisão, adiar sua execução se necessário, mas a criança precisa saber que você não cederá. Portanto, não perca muito tempo deliberando na frente dela; comande de maneira calma, precisa e firme. Não dê a impressão de estar pedindo docilidade, respeito e obediência como se fossem favores; imponha sua vontade à criança. As crianças respeitam aqueles que se impõem e desprezam os fracos.

Equilíbrio: considere as circunstâncias específicas em que você ordena uma ação: cansaço, fome e distrações causadas por fatores externos podem reduzir a capacidade das crianças de obedecer. A autoridade nos é concedida não para esmagar, mutilar ou extinguir, mas para desenvolver e expandir a alma da criança, para guiá-la a praticar atos virtuosos; às vezes, a autoridade é exercida causando um pouco de dor para fortalecer e orientar, como a tesoura do viticultor em sua videira.

Autocontrole: mantenha sua autoridade acima de qualquer mal; não podemos nos dar ao luxo de mentir, falar mal, difamar ou usar linguagem frívola e impróprias. Nossa própria aparência externa, nossas vestimentas, nossa postura nobre e distinta, sem exagero, inspiram respeito. Não devemos buscar conquistar o afeto das crianças a qualquer custo; uma criança ama um professor que a corrige com justiça e respeito. No início deste ano letivo, ao retomarmos a responsabilidade pela educação acadêmica de nossos filhos, apliquemos este conselho de São Paulo: “Portanto, como convém ao povo escolhido de Deus, santo e amado, tenha um coração cheio de misericórdia e bondade, humildade, mansidão e paciência” — “Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor” (Colossenses 3,12, 20).

Pe. Louis-Edouard Meugniot, FSSPX