A CURIOSIDADE – UMA TENTAÇÃO PARA PECAR

Fonte: FSSPX Portugal

Uma das principais causas do mal no mundo, em que infelizmente todos nós participamos em maior ou menor grau, é a nossa curiosidade em manter uma certa relação com as trevas, em ter alguma experiência do pecado e em saber como são as satisfações da pecaminosidade. Muitas pessoas (embora não o digam tão claramente em palavras) consideram pouco masculino e algo vergonhoso não ter experiência do pecado, como se isso fosse um distanciamento anormal do mundo, uma ignorância infantil da vida, uma simplicidade e estreiteza de espírito, um medo supersticioso e servil.

Não conhecer o pecado por experiência traz ao homem o riso e a zombaria de seus companheiros. E não é estranho que isso aconteça com os descendentes daquele par culpado a quem, no princípio, Satanás ofereceu a entrada num mundo único de conhecimento e satisfação, como recompensa pela desobediência ao mandamento divino. “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável à vista e excelente para dar sabedoria, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu” (Gn 3.6).

O pecado dos nossos primeiros pais deveu-se a um certo descontentamento por terem sido privados de parte dos muitos dons que Deus lhes tinha dado. Da mesma forma, a principal origem das idolatrias dos judeus foi uma busca caprichosa de coisas proibidas, uma curiosidade de saber o que era ser como os pagãos; e nós herdámos de Adão uma natureza semelhante.

A curiosidade estranhamente nos leva à desobediência, a fim de ganhar experiência no gosto da desobediência. Assim, “alegramo-nos na nossa mocidade e conservamos o bom humor na nossa juventude; andamos por onde nos leva o nosso coração e segundo o prazer dos nossos olhos” (Ecl. 11.9). Assim nos metemos, de várias maneiras, no que é proibido: lendo o que não se deve ler, ouvindo o que não se deve ouvir, vendo o que não se deve ver, indo aonde não se deve ir, raciocinando presunçosamente e argumentando quando se deve emprestar fé; agindo, em suma, como se fôssemos nossos próprios senhores, quando o que nos compete é obedecer.