BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – MARÇO/26

Vídeo: as sagrações episcopais na FSSPX: nem cismáticos, nem excomungados |  Casa Autônoma do Brasil

Caros fiéis,

Na história da humanidade, muitas vezes a verdade incomoda. Um provérbio afegão resume bem esse fato: “Dê um cavalo àquele que diz a verdade, ele precisará dele para fugir”. Situação absurda, mas muito frequente: aquele que aponta o problema torna-se o problema. Esse fenômeno é perfeitamente ilustrado pela atualidade da Fraternidade São Pio X. No último dia 2 de fevereiro, por meio de seu superior, ela anunciou sua intenção de consagrar bispos em julho próximo, motivando sua decisão por um estado de necessidade devido à crise da Igreja. A Fraternidade obriga-nos, portanto, a considerar o elefante no meio da sala. Esta famosa crise da Igreja, que se verifica diariamente em todo o mundo (crise doutrinal, moral, pastoral, litúrgica e até econômica das dioceses), mas da qual não se deve falar. Alguns têm interesse em que essa crise perdure. Outros não têm coragem de enfrentá-la. Todos eles, portanto, concordam em condenar a Fraternidade para preservar seus projetos obscuros, sua covardia ou simplesmente seu conforto.

Mas já não estamos em 1988. Naquela época, a clarividência de Dom Lefebvre e Dom Castro Mayer permaneceu um fato notável, mas isolado. Os corajosos prelados tornaram-se párias. Antigos companheiros de luta, assustados ou cheios de ilusões, entraram numa espécie de reserva indígena constituída pelo motu proprio Ecclesia Dei. Estamos agora em 2026. Muita água correu sob as pontes. Os índios não foram poupados pela Igreja conciliar (expressão usada pela primeira vez por Dom Giovanni Benelli, substituto da Secretaria de Estado de Paulo VI, em junho de 1976). Além disso, essa Igreja conciliar inaugurou outro caminho, no qual todas as religiões conduzem à salvação; outra moral, na qual os pecadores, públicos ou não, podem comungar. Assim, as fontes da vida, que são os sacramentos, tornaram-se fontes de morte, pois “quem come e bebe o Corpo e o Sangue do Senhor indignamente come e bebe a sua própria condenação” (I Cor. 11). “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. As palavras de Nosso Senhor ainda ressoam nas igrejas, mas não produzem mais frutos, pois foram esvaziadas de seu conteúdo. Um trabalho eficaz de destruição conduzido pelo modernismo (releia-se a encíclica Pascendi). Durante esse tempo, a Fraternidade desenvolveu, inegavelmente, um apostolado florescente, autenticamente católico.

Estamos, portanto, em 2026 e algumas vozes se levantam, mesmo entre os conservadores, para salientar que a Fraternidade aponta o problema, mas não é o problema. É um grande progresso. Assim, Dom Athanasius Schneider, em seu Apelo fraterno ao Papa, em 24 de fevereiro passado: « Na verdade, a Santa Sé deveria ser grata à FSSPX, pois ela é atualmente quase a única grande realidade eclesiástica que aponta de forma franca e pública a existência de elementos ambíguos e enganosos em certas declarações do Concílio e do Novus Ordo Missae. Nesse esforço, a FSSPX é guiada por um amor sincero pela Igreja: se não amassem a Igreja, o Papa e as almas, não empreenderiam essa obra, nem se envolveriam com as autoridades romanas — e, sem dúvida, teriam uma vida mais fácil ».

Será que seu apelo ao Papa para conceder o mandato apostólico para as sagrações episcopais será atendido? Ou será que uma nova era de perseguição se abrirá para os membros da Fraternidade e seus fiéis? Saberemos nas próximas semanas. Enquanto isso, meditemos sobre o exemplo de São José no momento da fuga para o Egito. Ele poderia reclamar: “Por que para o Egito? Não seria mais fácil ir para a terra dos Magos, onde seriam recebidos carinhosamente? Deus não poderia exterminar Herodes? Não poderia tornar Jesus invisível aos soldados? Deus não poderia paralisar o braço deles? ”Basta a São José saber que a vida do Menino Jesus está em perigo e ele segue fielmente a vontade da Providência. Então se realiza um paradoxo que se repetirá na vida de Nosso Senhor: o Salvador deve fugir do povo que Ele vem salvar. Ele precisa afastar-se da terra e das pessoas que deveriam acolhê-lo. É o paradoxo da Tradição perseguida e das famílias que devem fugir de sua paróquia para preservar Jesus vivo no coração de seu lar. O exílio tem suas provações, mas a presença de Jesus as justifica e compensa amplamente.

A verdade sempre triunfa no final. Não nos cabe saber o dia e a hora da vitória, mas é nosso dever prepará-la com todas as nossas forças. Sejamos generosos na cruzada do rosário determinada pelo Superior da Casa Autônoma do Brasil da Fraternidade São Pio X, em preparação para as sagrações.

Deus os abençoe.

Padre Jean-François Mouroux, Prior

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