DOM SCHNEIDER: O TRABALHO DA FSSPX É ‘PROVIDENCIAL’, O SEDEVACANTISMO É ‘COMPLETAMENTE ERRÔNEO’

Dom Athanasius Schneider voltou a defender a FSSPX como “uma obra providencial“, condenou o sedevacantismo, criticou os encontros inter-religiosos e afirmou o dever de corrigir os superiores da Igreja.

Fonte: LifeSiteNews – Tradução: Dominus Est

Dom Athanasius Schneider descreveu a Fraternidade São Pio X (FSSPX) como “uma obra providencial para a Igreja”, cuja integração gradual beneficiaria todo o Corpo de Cristo, ao mesmo tempo que declarou o sedevacantismo “completamente errôneo” e rejeitou as alegações de que o encontro inter-religioso de Assis de 1986 pertence ao magistério ordinário.

Em entrevista exclusiva à AdVaticanum, gravada por ocasião da peregrinação Summorum Pontificum de 2026 – na qual Schneider celebrou uma Missa no altar-mor da Basílica de Santa Maria Maior, após as restrições do Vaticano terem impedido uma liturgia pontifícia na Basílica de São Pedro – o bispo auxiliar de Astana abordou o status canônico da FSSPX após suas sagrações episcopais em 1º de julho, o 40º aniversário do Dia Mundial de Oração pela Paz em Assis e os erros teológicos do sedevacantismo.

Schneider descreveu a crise pós-conciliar como uma de “confusão cada vez maior na doutrina e uma anarquia litúrgica”, impulsionada por uma “adaptação cada vez maior ao espírito deste mundo” por parte de muitos clérigos.

Nesse contexto, ele disse: “a obra de D. (Marcel) Lefebvre é uma obra benéfica. Considero-a uma obra providencial para a Igreja, para simplesmente lembrar a Igreja e a Santa Sé, que é preciso corrigir essa situação e examinar de perto, de forma honesta e com mais atenção para algumas expressões ambíguas ou vagas nos textos conciliares”.

Ele acrescentou que a insistência da Fraternidade em corrigir o Novus Ordo e restaurar a clareza e a dignidade no culto constitui uma “contribuição muito importante”.

Embora tenha observado que outras comunidades tradicionais compartilham objetivos semelhantes, mas temem “consequências negativas”, Schneider afirmou que “seria benéfico para toda a Igreja integrar gradualmente o trabalho deste sacerdote e fiel, o trabalho de D. Lefebvre, à vida da Igreja”. Ele lembrou ter proposto medidas concretas para a regularização em anos anteriores e expressou a esperança de que tal integração ainda possa ocorrer.

Reunião em Assis ‘uma completa novidade na Igreja’

Ao abordar o diálogo inter-religioso, Schneider respondeu a afirmações recentes – como aquelas que associam a oposição ao evento de Assis de 1986 a uma “ruptura cismática” e afirmam que agora ela faz parte do magistério ordinário – esclarecendo, em primeiro lugar, a terminologia.

“Acho que há falta de clareza e alguma confusão no conceito ou no termo magistério ordinário”, explicou ele. O magistério ordinário, propriamente entendido como o magistério universal ordinário, possui infalibilidade somente quando a Igreja “em todos os tempos, em todos os lugares e por quase todos os bispos, com o Papa, ensinou sempre o mesmo ensinamento”. O magistério cotidiano ou autêntico não goza dessa garantia, como a história e certos atos de pontificados recentes demonstraram.

Os encontros em Assis, insistiu ele, representam “uma completa novidade na Igreja. A Igreja nunca o permitiu. Nosso Senhor Jesus Cristo jamais o teria permitido, e os apóstolos foram muito rigorosos”. Convidar representantes de religiões que praticam idolatria compromete o Primeiro Mandamento e “a singularidade de nosso Senhor Jesus Cristo como o único salvador”.

Citando São Paulo e a Grande Comissão, Schneider concluiu que tais reuniões “minam de fato essa revelação divina e não podem continuar sendo realizadas; devem ser interrompidas”. A alternativa adequada, disse ele, é um “diálogo de vida” acompanhado da proclamação clara de que “há apenas um Senhor, um só caminho para a salvação, e esse caminho é Jesus Cristo”.

Sedevacantismo ‘completamente errôneo’

Sobre o sedevacantismo, Schneider foi categórico: “O sedevacantismo é, em si, algo completamente errôneo”. Seu “erro teológico mais profundo” é que ele “absolutiza a autoridade papal no sentido de que o papa é sempre infalível”.

Ele observou que a doutrina católica ensina que a infalibilidade é “muito rara e muito… limitada”. Concluir que a Igreja carece de um líder visível há 60 ou 70 anos “também é um erro… aproximando-se da compreensão protestante de um líder invisível apenas para a Igreja”.

A história da Igreja fornece exemplos de papas que erraram na doutrina (Honório, Libério, João XXII) mas, contudo, Cristo continua a guiar a Sua Igreja mesmo através de pontífices indignos. A crise permanece “apenas uma situação temporária”.

Schneider distinguiu a resistência legítima da desobediência. A “obediência absoluta” deve-se somente a Deus; proclamar obediência absoluta a qualquer ser humano, incluindo o papa, “seria um erro, até mesmo uma heresia”.

Ele recordou a resistência pública de São Paulo a São Pedro em Antioquia (Gálatas 2), observando que Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino ensinaram que o Espírito Santo permitiu que o incidente fosse registrado para que “quando a clareza da fé está em perigo… aqueles que são submissos na Igreja têm o direito e até mesmo o dever de admoestar os superiores… mesmo o mais alto superior… por amor à Igreja (e) pela dignidade do ministério papal”.

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