ISSO É MUITO DOLOROSO PARA NÓS…

Excerto do sermão proferido por D. Marcel Lefebvre, em 29 de junho de 1976, em Écône, há 50 anos.

Relembramos essas palavras de Dom Lefebvre, proferidas durante o sermão das ordenações de 1976, pelas quais ele foi ameaçado de condenação. Essa dor continua sendo a nossa.

Meus queridos amigos, meus queridos confrades, meus queridos irmãos, que vieram de todos os países, dos mais diversos lugares, é uma alegria para nós recebê-los e senti-los tão próximos de nós neste momento, tão importante para nossa Fraternidade e também para a Igreja. Penso, de fato, que se alguns peregrinos se dispuseram a fazer o sacrifício de viajar dia e noite, vindo de regiões muito distantes para participar desta cerimônia, é porque tinham a convicção de que vinham assistir a uma cerimônia da Igreja, pois assim terão a certeza, ao retornarem para casa, de que a Igreja Católica continua.

Dizem-nos que estamos num impasse. Por quê? Porque de Roma nos chegaram, sobretudo nos últimos três meses, repreensões, súplicas, ordens e ameaças, para nos dizer que cessássemos nossa atividade, para nos dizer que não realizássemos essas ordenações.

É, para nós, uma dor imensa, imensa, pensar que estamos em conflito com Roma por causa de nossa fé! Como isso é possível? É algo que ultrapassa nossa imaginação, algo que jamais poderíamos ter imaginado, que jamais poderíamos ter acreditado, sobretudo na nossa infância, quando tudo era uniforme, quando a Igreja acreditava em sua unidade geral, quando ela tinha a mesma fé, os mesmos sacramentos.

Eu disse isso àqueles que vieram de Roma: há cristãos dilacerados em suas famílias, em seus lares, entre seus filhos; estão dilacerados em seus corações por causa dessa divisão na Igreja, dessa nova religião que se ensina e se pratica. Padres morrem prematuramente, com o coração e a alma dilacerados. Estamos em uma situação verdadeiramente dramática! Portanto, temos de escolher entre uma aparência – eu diria – de obediência – pois o Santo Padre não pode nos pedir que abandonemos nossa fé, isso é absolutamente impossível – e a preservação de nossa fé. Pois bem! Optamos por não abandonar nossa fé. Pois, nesse ponto, não podemos nos enganar. A Igreja não pode estar errada no que ensinou ao longo de dois mil anos; isso é impossível.

Amanhã, talvez, nossa condenação apareça nos jornais por causa das ordenações de hoje; é bem possível. Essa censura, essa condenação, se é que houve alguma, essas censuras, se é que houve alguma, serão absolutamente inválidas.

Ah! Sim, temos fé em Pedro, temos fé no Sucessor de Pedro. Mas, como muito bem afirma o Papa Pio IX em sua constituição dogmática sobre o Pontífice Romano: o Papa recebeu o Espírito Santo não para criar novas verdades, mas para nos manter na fé de sempre. Essa é a definição dogmática da infalibilidade pontifícia formulada durante o Concílio Vaticano I pelo Papa Pio IX. E é por isso que estamos convencidos de que, ao mantermos as tradições da Igreja, manifestamos nosso amor, nossa docilidade e nossa obediência para com o Sucessor de Pedro.

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