POR QUE DEUS TAMBÉM SE USA DE NOSSA PACIÊNCIA PARA NOS CONCEDER GRAÇAS?

Fonte: Il Cammino dei Tre Sentieri – Tradução: Dominus Est

1. Por que o Senhor demora em nos responder quando Lhe pedimos graças? Por que às vezes parece quase “rejeitar” nossos pedidos? A resposta está no fato de que o Senhor quer que sejamos confiantes e pacientes. De fato, será justamente essa confiança e essa paciência ao pedir que nos darão méritos pela nossa fé… e, se for da vontade de Deus, também as graças de que precisamos, mas de acordo com o Seu tempo.

2. Leiamos um trecho da inestimável obra Confiança na Divina Providência, do Pe. Jean-Baptiste Saint Jure: 

“Nunca se cansem de pedir, sejam constantes, sejam incansáveis em seus pedidos. Se hoje lhes forem negado o que pedem, amanhã obterão tudo; se este ano não conseguirem nada, o próximo ano lhes será mais favorável; não pensem, entretanto, que suas dores são inúteis: todos os seus suspiros são levados em conta; encontrarão proporcionalmente ao tempo que empregarem a pedir; estão acumulando um tesouro que os satisfarão de uma só vez, que superará todos os seus desejos. (…) a recusa que lhes é dada agora não é mais do que uma máscara que Deus usa para inflamar ainda mais o seu fervor.

Vejam como Ele se comporta com a mulher cananeia, como se recusa a olhá-la e ouvi-la, como a trata como estrangeira e com ainda mais aspereza? Vocês não diriam, talvez, que a insistência daquela mulher O irritava cada vez mais? No entanto, interiormente, Ele a admirava, ficava fascinado com sua confiança e humildade. É por isso que a rejeita. Ó clemência oculta que assume a máscara da crueldade, com que ternura rejeitas aqueles que mais desejas satisfazer! Cuidado, então, para não vos deixarem enganar pelo contrário, insistam tanto mais quanto mais vos parecer que estão sendo rejeitados.

Faça como a cananeia, use contra Deus as mesmas razões que Ele pode ter para rejeitá-la. É verdade que favorecer-me — devem dizer-Lhe — seria como dar aos cães o pão dos filhos. Eu não mereço a graça que peço, mas não espero que a concedas por meus méritos, mas pelos méritos do meu amado Redentor.  Sim, Senhor, deves olhar menos para a minha indignidade e mais para a vossa promessa, e, querendo fazer-me justiça, não vos prejudique. Se eu fosse mais digno dos teus benefícios, seria menos glorioso da vossa parte concedê-los a mim. Não é justo conceder favores a um ingrato, Senhor! Eu não imploro a vossa justiça, mas a vossa misericórdia.  (…) Não vos dê descanso! Ele ama a violência que Lhe infligem, Ele quer ser vencido. Destaquem-se pela vossa insistência, mostrem em si mesmos um milagre de constância; force a Deus a abandonar Sua máscara e dizer com admiração: ‘Magna est fides tua, fiat tibi sicut vis': ‘Ó homem, quão grande é a tua fé; confesso-te que não posso mais resistir a ti: vai, terás o que desejas, nesta vida e na próxima.'”