
O silêncio dos pais sobre esses mistérios da vida é culpável: a criança será iniciada em outro lugar, de maneira materialista ou imoral, nessas coisas santas, porém misteriosas, o que corrompe sua pureza e distorce sua maneira de encará-las.
Fonte: Foyers Ardents – Tradução: Dominus Est
Numa escola particular, Raoul é flagrado com imagens imorais na companhia de outros dois alunos! Nem os pais nem os professores esperavam por isso, mas essas coisas acontecem… Os professores, então, tomam as medidas cabíveis para o bem comum, adaptadas a cada caso individual. Eles também procuram entender o motivo das ações de Raoul e da curiosidade dos outros dois alunos, cujas famílias, no entanto, tem boa reputação.
Diversos fatores são observados, mas um se repete em 90% dos casos: os jovens adolescentes não foram informados por seus pais sobre os mistérios da vida, as mudanças da adolescência, as tentações contra a pureza, as precauções e os remédios necessários. Sua curiosidade ou inquietação natural em relação às transformações que observam em si mesmos ou em seus colegas não foram atendidas com explicações oportunas e adequadas.
O silêncio sobre certos assuntos é culpável
O silêncio dos pais sobre esses mistérios da vida é duplamente culpável: primeiro, porque a criança será iniciada em outro lugar, de maneira materialista ou imoral, nessas coisas santas, porém misteriosas, o que corrompe sua pureza e distorce sua maneira de considerá-las; segundo, porque todos os papas, mesmo os mais recentes, reiteraram que essa educação dos filhos é um dever grave dos pais, que não pode ser delegado a outros. Sua ausência é, portanto, uma falha.
“Caberá, portanto, a vocês, mães por suas filhas, pais por seus filhos, na medida em que parecer necessário, levantar com cuidado e delicadeza o véu da verdade, para dar uma resposta prudente, justa e cristã a essas questões e inquietudes(1)”.
Um jovem em busca de respostas, mais cedo ou mais tarde, acabará na internet e será marcado e distorcido por muito tempo pelas inevitáveis imagens pornográficas.
Se não for cedo demais, será tarde demais!
Mesmo em um ambiente “protegido”, a fraqueza humana ligada ao pecado original persiste. Um acampamento de escoteiros para crianças a partir de 7 anos pode proporcionar a oportunidade para as primeiras conversas sobre a origem da vida. Por volta dos 10 aos 12 anos, ou no máximo ao ingressar em um internato, essas oportunidades se multiplicam. A adolescência amplia o leque de perguntas. É melhor fornecer informações precisas um pouco cedo demais do que tarde demais.
Deve-se notar que o programa EVARS — educação na vida afetiva, relacional e sexual — aplicável mesmo em escolas financiadas pelo Estado, violará a responsabilidade dos pais nesta esfera íntima e introduzirá as crianças, desde o jardim de infância, a todas as formas de perversão sexual e contracepção(2). Este programa corresponde à educação behaviorista, que apresenta uma visão da sexualidade como consumo mutuamente consensual(3). Sem falar o ensino sobre “gênero” desde o jardim de infância.
É normal que alguns assuntos sejam difíceis.
“Muitos de nós nos sentimos constrangidos em abordar esses assuntos.” Os pais precisam navegar entre duas armadilhas:
– O materialismo, que se traduz (na melhor das hipóteses) em uma frieza clínica e prejudicial. Ele rebaixa, ao nível da vida animal, o amor parental e o dom de uma vida dotada de uma alma espiritual para a eternidade, criada à imagem de Deus.
– Um neocatarismo que equipara tudo o que se relaciona ao corpo a algo sujo ou maligno, algo com que impregnados sem nos darmos conta.”
Como algo que participa do início da vida poderia ser impuro? É frágil e está entre as coisas mais surpreendentes e respeitáveis. Temos dois guias para encontrar o tom certo: admiração e castidade(4)
Etapas e apoio pela graça de Deus
Assim, é desejável maravilhar-se com o dom da vida antes de abordar o papel respectivo dos pais, o que deve ser feito de maneira delicada, respeitosa e valorizante, em consonância com o ensinamento moral da Igreja.
Será preciso aproveitar as oportunidades que a vida oferece para abordar o assunto, várias vezes, de forma gradual: o nascimento de um novo membro na família ou no círculo de amigos, a pré-adolescência e, em seguida, as etapas até a idade adulta. Tudo deverá ser dito com clareza, incluindo as respectivas tentações ou fraquezas dos meninos e das meninas e os meios para manter ou recuperar a pureza: oração, sacramentos frequentes, vontade. O apelo à pureza é também um apelo ao esforço, e até mesmo ao heroísmo, para se preparar para fazer as escolhas da vida futura nas melhores condições: um casamento cristão casto ou a virgindade consagrada na vocação religiosa.
Condições para ser verdadeiro e eficaz
– “Os próprios pais devem levar uma vida irrepreensível de castidade conjugal e zelar que nenhum ataque à virtude da pureza manche o santuário familiar (nem mesmo piadas obscenas ou grosserias).”
Eles precisam saber o que dizer aos filhos, como dizer e em que idade.
“Devem ter uma visão correta de seus filhos, ou seja, reconhecer que são vítimas de inclinações desordenadas que permanecem mesmo após o batismo, mas também saber que são capazes de dominá-las com a ajuda indispensável da graça(5) ”.
Assim, não podemos nos calar sobre este assunto essencial! Educar na verdade e no amor verdadeiro dá aos nossos filhos a possibilidade de um equilíbrio autêntico, de castidade em todas as fases da vida, e de felicidade.
Um pai de família
Notas
(1) Pio XII, Discurso às mães de família, 26/10/1941
(2) J-P. Maugendre
(3) AFC – Associação da Família Católica
(4) Os Alegres Mistérios da Vida – C. & B. Scherrer.
(5) Breve catecismo para a educação na pureza – Padre J. d’Avallon