BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – AGOSTO/26

Caros fiéis, 

Não podemos iniciar este 69º boletim sem manifestar, primeiramente, nossa profunda gratidão a Deus, nosso Senhor, que nos concede a graça de sermos membros da grande obra da Tradição, que é a Fraternidade São Pio X, autênticos filhos de Mons. Marcel Lefebvre, em tempos nos quais as almas se encontram tão perdidas, desamparadas e enganadas. Impõe-se, naturalmente, agradecer a nossos superiores, em particular ao Superior Geral, com o seu conselho, que nos guia neste caminho de fidelidade. 

Manifestamos nossa gratidão igualmente ao estimado e querido Padre Francisco Mouroux, que dedicou sete incansáveis anos de seu sacerdócio, em terras estrangeiras, para nos guiar, santificar e instruir na Verdade, no amor à Igreja e à sua Tradição — em uma palavra, no caminho da salvação. Trata-se de uma tarefa que nos compete continuar com fidelidade, sob o manto e a guia de Nossa Senhora das Dores, Mãe do Divino Sacerdote. 

Há exatamente um mês que vivenciamos as sagrações episcopais: momento em que se experimentou um sopro de cristandade em seu maior esplendor. Contudo, uma ponta de tristeza pairava sobre todos. Não tanto pelas ameaças concretizadas por parte do Santo Padre, o Papa, mas pela incompreensão, oposição e negação do Vigário de Cristo a respeito da Tradição. Nisto, paradoxalmente, manifestava-se aquela nota própria e essencial da Igreja que nunca deixa de brilhar em nossa querida Fraternidade, que não é outra coisa senão uma obra da Igreja: a sua romanidade.

Por outro lado, um consolo sobrenatural, “que as palavras não conseguem exprimir”, inundava as almas dos v a l e n t e s f i é i s q u e e s t i v e r a m p r e s e n t e s o u q u e acompanharam a distância o maior acontecimento do século XXI. Podia-se respirar o ar consolador da catolicidade da Igreja, pois, naquela pradaria de Écone, palpava-se a universalidade da Tradição. Ao lançar um olhar furtivo sobre a multidão de fiéis, contemplava-se, em poucos segundos, a alegria das vestes solenes das tradições africanas, os olhares concentrados e recolhidos dos asiáticos, a presença imponente dos europeus de quase todos os países do continente, as cabeças loiras dos povos americanos e a piedade marcante do povo latino. Sim, o mundo inteiro estava representado nas sagrações de Écone. 

Aquelas 16.000 almas de joelhos sob o sol radiante assistiam a um dos atos mais solenes da liturgia romana: quatro simples sacerdotes que se transformavam em autênticos sucessores dos Apóstolos. De um lado, pelo modo ex opere operato (pela própria eficácia do rito), através da recepção da plenitude do Sacramento da Ordem; de outro, pela imensa responsabilidade que isso implica, pois, por suas obras, virtudes e, principalmente, por suas pregações, deverão ser colunas inabaláveis da Verdade. Em outras palavras, de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a “Luz Verdadeira”, tão necessária no tempo de trevas em que vivemos. 

De modo extraordinário, a unidade da Igreja manifestou-se no momento da Comunhão. Quando uma chuva torrencial desabou sobre os milhares de fiéis que estavam a céu aberto, todos, atendendo à indicação do Superior Geral e unidos aos bispos, ao clero e aos religiosos, manifestaram sua única fé à Igreja e à sua Tradição por meio do Santo Terço, cantado de joelhos debaixo da tempestade. Nossa Senhora, Medianeira de todas as graças e Corredentora, junto ao Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor, recebeu nossa profissão de fé e de serviço ao Vigário de Cristo e à Santa Igreja, Esposa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mostramos ser “…não um amontoado de serpentes e escorpiões, mas um pequeno exército de filhos leais, prontos a tudo para apoiar o Santo Padre na restauração de todas as coisas em Nosso Senhor, e para reivindicar diante de toda a humanidade os direitos imprescritíveis do Cristo Rei sobre todas as almas e sobre todas as nações.” (Carta do Superior Geral ao Santo Padre, 3 de julho de 2026) 

Finalmente, junto à fumaça odorosa do incenso que subia aos céus, elevava-se a oferenda à pátria de todos os santos. A santidade das verdades divinas e dos dogmas imutáveis de nossa fé eram palpáveis no solene rito da consagração dos novos pontífices. O cenário evocava a descrição de Dom Marcel Lefebvre sobre os grandes momentos vividos em Roma: “Tive a alegria de assistir à canonização de Santa Teresinha e do Santo Cura de Ars. Transportavam-nos.” (Vida de Mons. Marcel Lefebvre) Um pedaço do céu que descia sobre a terra. Mais de 1.400 religiosos, de mais de 12 congregações diferentes, juravam fidelidade à fé da Igreja, aos seus santos sacramentos de origem apostólica e à sua liturgia de sempre, que são a causa de todos os santos que hoje cantam as glórias de Deus no céu. 

Contemplava-se ali a santidade da Igreja. Não se tratava de uma torcida ou de um apoio meramente moral; era uma gratidão e uma fidelidade filial e sincera, pois, como resumiu o Superior Geral: “…a festa do Preciosíssimo Sangue, providencialmente, exprime e resume perfeitamente o significado destas sagrações. Esta festa permite-nos reconduzir tudo a um único ponto: o Sangue de Nosso Senhor, o Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor.” (Sermão das Sagrações de 1 de julho de 2026) 

Queridos fiéis, é uma graça muito grande poder ser parte deste pequeno exército, mas também uma grande responsabilidade. Peçamos, pois, à Virgem Maria, nossa Mãe do Céu e Rainha dos mártires e Virgem fiel, que nos conceda a graça da fidelidade, custe o que custar. Esta é a graça que peço a Nossa Senhora Aparecida para nós sacerdotes e por todos vocês. 

Com a minha bênção paternal, 

Padre João Maria Ferreira da Costa, Prior

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