PROTEGER AS CRIANÇAS DA SUPERPROTEÇÃO

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Pierrot, de um ano, sai para explorar o mundo. Ele solta a barra da cadeira com uma mão… depois com a outra… e acaba caindo no chão de uma forma um pouco brusca. Surpreso com o acidente, olha para a mãe, sem saber o que fazer. Nesse momento há duas possibilidades:

– a mãe corre até ele, preocupada: “Oh, coitadinho! Se machucou?” A reação de Pierrot é imediata: ele percebe pela reação da mãe que é séria e começa a chorar, o que só piora a reação dela: “Não se mexa, fique sentado.

– Ou, ao contrário, a mãe olha para Pierrot com um sorriso gentil e encorajador: “Vamos lá, Pierrot, está tudo bem, tente de novo.” E, tranquilizado, Pierrot continua sua exploração. 

Este incidente aparentemente insignificante e banal ilustrou vividamente duas atitudes opostas: ao se deparar com as pequenas dificuldades da vida, pode-se ajudar a criança a superá-las para prepará-la para os maiores desafios da vida adulta ou, inversamente, sufocar toda iniciativa por meio da superproteção. É ao longo de toda a educação que a abordagem correta deve ser escolhida. 

Pierrot está prestes a iniciar o ano letivo. Será que sua mãe, ainda mais preocupada que o próprio filho, multiplicará suas recomendações, repetindo “não tenha medo” que, na verdade, são dirigidas a sim mesma? Será que ela derramará algumas lágrimas ao ver as crianças desaparecerem na sala de aula? Ou será que ela a encorajará: “Você já é um menino grande, Pierrot; você terá muita coisa para nos contar esta noite, mal posso esperar para ouvir.

E eis que Pierrot volta um dia com um castigo: “Meu pobre querido, tenho certeza de que a professora foi injusta; este castigo é muito longo. Vou escrever um bilhete de justificativas.” Não seria melhor dizer: “Bem, sim! Esse é o risco que se corre quando não se comporta direito! Você não vai fazer isso de novo, não é? Vá depressa e pague seu castigo; vou guardar sua parte no lanche.” 

Pierre cresceu e vai para um internato. Ele visitou a escola antes do início das aulas; sua mãe arrumou a mala com ele para mostrar como se faz, mas apenas na primeira vez; tudo foi muito bem explicado — o trem, a mesada… e os anjos da guarda cuidariam do resto. Pierre seguiu em frente sentindo-se confiante, já que não tinha ouvido sua mãe lamentar a separação, mencionar as dificuldades de adaptação, o nível acadêmico e todos os possíveis desastres. 

Na sexta-feira à noite, Pierre volta do internato tenso e com enxaqueca: “Você entende, mamãe, eu tenho uma prova de matemática terrível na segunda-feira.” Não, a mãe não vai ter pena dele, nem vai conseguir um atestado médico para justificar a ausência pela enxaqueca. Uma prova de matemática… Ele enfrentará muitas outras! Mas ela se mostra tranquilizadora e encorajadora: “Organize seu cronograma de estudos para o fim de semana; levarei os irmãos mais novos para passear no sábado à tarde para que você possa ter um pouco de paz e sossego, e domingo acenderemos uma vela para São José de Cupertino.” Com o sorriso gentil da mãe, Pierre recupera a coragem… e tudo corre bem. 

Desde que o responsável pelos acólitos mudou, o ambiente no grupo não é mais o mesmo; há um clima negativo e a organização está sendo afetada… E Pierre está com muita vontade de desistir de tudo: “Vamos lá, Pierre, você assumiu um compromisso para o ano todo, precisa honrá-lo; você tentou criar um bom ambiente, apoiar o novo responsável? Se todos fizessem como você…” Com o apoio e os conselhos de sua mãe, Pierre perseverou até junho, apesar das dificuldades, e o prior, muito satisfeito com ele, decidiu confiar-lhe a tarefa mais honrosa do grupo. 

O papel das mães não é eliminar todas as dificuldades dos filhos, mas ensiná-los a superá-las: mostrar, encorajar, acalmar, aconselhar, apoiar, com um sorriso que aquece e ilumina. 

Pierre se tornou um adulto confiável: perseverante, não se deixa abater facilmente e sabe assumir responsabilidades. Nos momentos difíceis de sua vida espiritual, familiar ou profissional, ele se lembra do conselho e do sorriso de sua mãe: “Tenha coragem, meu filho, o reino dos céus te espera.” 

Irmãs da Sociedade de São Pio X