
Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est
Ela apareceu na Basílica de São Pedro, vestida com uma batina púrpura, uma cruz peitoral, um anel episcopal e os sinais exteriores da autoridade apostólica. Foi recebida com todas as honras da pompa romana. Abençoou os bispos católicos na Capela Clementina. E, durante sua audiência com o Papa Leão XIV, foi possível ver duas figuras vestidas da mesma maneira, sentadas na mesma altura, conversando de igual para igual.
Ela é Sarah Mullally, a “arcebispa” de Canterbury, primaz da Comunhão Anglicana. Aos olhos da Igreja Católica, ela não é nem bispa nem sacerdotisa. E mesmo seus correligionários da Federação das Igrejas Anglicanas do Sul (GSFA) – que abrange mais de 10 províncias e aproximadamente 35 milhões de membros, em sua maioria africanos — não a reconhecem como sua líder espiritual, a exemplo do primaz do Sudão do Sul e atual presidente da GSFA, Justin Badi Arama.
No entanto, Leão XIV a recebeu no Vaticano, estendendo o tapete vermelho, assim como Paulo VI havia oferecido e colocado um anel episcopal no dedo de Michael Ramsey, como João Paulo II havia concedido uma bênção conjunta com George Carey, como Bento XVI havia abraçado Rowan Williams e como Francisco havia recebido pessoalmente a bênção de Justin Welby. Todos esses primazes anglicanos que Sarah Mullally sucede, e aos quais ela supera com seu apoio militante ao sacerdócio feminino, à bênção de uniões homossexuais, à posição pró-escolha sobre o aborto, até a afirmação pastoral da ideologia de gênero…
Ao ver a acolhida fraterna dispensada a Sarah Mullally por Leão XIV, Leão XIII deve ter se revirado no túmulo, pois foi ele que declarou as ordens anglicanas “absolutamente nulas e sem efeito” na Apostolicæ curæ (1896). Por parte das atuais autoridades romanas, nem uma palavra de correção fraterna, nenhum apelo à conversão. Desde o Concílio Vaticano II, o diálogo impõe: o ecumenismo é um silêncio sobre todos os pontos doutrinários e morais que dividem.
Entretanto, o Pe. Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, está solicitando uma audiência com o Papa visto as sagrações episcopais, ditadas pelo Estado de Necessidade, do qual a pompa e circunstância que cercam a recepção desta “arcebispa” anglicana são provas flagrantes. Sacerdote católico, ele vem batendo à porta há meses, mas ninguém o ouve.
Será que é por ele não ser ecumênico, não ser a favor do sacerdócio feminino, da bênção de duplas do mesmo sexo, do aborto ou da ideologia de gênero, que não o esperam em Roma?
O fato é que, atualmente, seu pedido está sendo ignorado. Um silêncio eloquente que diz tudo: “dois pesos e duas medidas”!
Padre Alain Lorans, FSSPX
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