
Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta oitava parte recorda que Jesus Cristo fundou apenas uma Igreja, a Igreja Católica Romana, e a estabeleceu como a única arca da salvação. Reafirma, assim, a sua necessidade para a salvação e a sua missão de conduzir todas as nações à unidade da fé católica.
VII – A Igreja católica, Corpo Místico de Cristo e única arca da salvação
54 – Creio firmemente que, a fim de perpetuar e prolongar a obra da Redenção até o fim dos séculos, Nosso Senhor Jesus Cristo fundou uma só Igreja, visível, hierárquica, indefectível e necessária para a salvação. Essa Igreja, adquirida pelo Sangue de Cristo, confiada a Pedro e a seus sucessores, os Pontífices Romanos, não é outra senão a Igreja católica romana.
55 – Professo que a Igreja é una, santa, católica e apostólica. É una pela sua fé, pelo seu culto, pelo seu governo e pelo seu fim. É santa pelo seu Fundador, pela sua doutrina, pelos seus sacramentos e pelos santos que não cessa de produzir. É católica porque, enviada a todos os povos e estabelecida em todo o universo, em qualquer parte se encontra apta para fazer chegar a salvação aos homens de todas as condições. É apostólica porque permanece fundada nos Apóstolos, cuja doutrina conserva e cuja missão continua, governada pelos seus sucessores.
56 – Professo que a Igreja é identicamente sociedade visível e Corpo Místico de Cristo. Cristo é a sua Cabeça; os fiéis são os seus membros; a vida sobrenatural adquirida na Cruz comunica-se nela por meio dos sacramentos recebidos na fé, e floresce na caridade.
57 – Professo que a Igreja é a Esposa imaculada de Cristo. Cristo amou-a até entregar-se por ela, para santificá-la e para vê-la apresentar-se diante d’Ele sem mancha nem ruga. Os seus membros são capazes de pecar, Ela, porém, na sua doutrina, nos seus sacramentos, na sua constituição divina e no seu fim, permanece a guardiã fiel e pura do depósito revelado, e a despenseira dos mistérios de Deus. As faltas cometidas pelos homens de Igreja não podem ser imputadas à Igreja como tal, senão que provêm do fato de estes homens não terem vivido segundo as santas leis d’Ela. Por isso, rejeito as acusações injustas e blasfemas feitas contra a Igreja por causa dos pecados dos seus filhos, bem como os pedidos de desculpa que parecem querer fazer pesar sobre a Esposa de Cristo as faltas cometidas pelos que a atraiçoaram.
58 – Professo que a Igreja é a Mãe das almas, e que as gera para a vida divina pelo batismo, as alimenta pela Eucaristia, as reergue pela penitência, as fortalece pela confirmação; e que santifica as famílias pelo matrimônio, consagra os sacerdotes pela ordem e assiste os moribundos pela extrema-unção. A sua é uma maternidade sobrenatural e salvífica, que dá aos homens o pão da sã doutrina, a graça e os meios da vida eterna.
59 – Professo que Deus quis fazer da Igreja o meio necessário para a salvação, e que não há debaixo do céu nenhum outro nome dado aos homens a não ser o de Jesus Cristo, pelo qual devamos ser salvos, e que não há nenhuma salvação sobrenatural que seja independente da Igreja católica. Pois toda a salvação vem de Jesus Cristo; e toda graça salutar, ou é dada na e pela única Igreja que Ele fundou, ou ordena aquele que a recebe a essa mesma Igreja.
60 – Essa verdade significa que ninguém pode ser salvo sem Cristo e a sua Igreja, por uma falsa religião enquanto tal, nem estar seguro da sua salvação fora da estrutura visível da Igreja. Se há homens que são salvos sem pertencerem à sociedade visível que é a Igreja, Corpo Místico de Cristo, são-no por uma ordenação sobrenatural à única Igreja da salvação, e isso apesar dos erros das falsas religiões em que se encontram, dos quais se livram ao não recusarem a graça que lhes é oferecida e ao corresponderem a ela.
61 – Rejeito, portanto, o falso ecumenismo, que repousa na ideia de que o Espírito Santo não recusaria servir-se das comunidades separadas como meios de salvação, como se a Igreja de Cristo estivesse nelas presente e atuante, ou como se tais comunidades possuíssem em si mesmas algum valor salvífico, cuja virtude derivaria da plenitude de graça e de verdade confiada à Igreja católica. Se algum homem chega à verdade revelada ou recebe uma graça de santificação fora dos limites visíveis da Igreja católica, tal verdade e tal graça pertencem de direito a essa mesma Igreja, chamam inequivocamente à unidade católica, e o Espírito Santo, ao dá-las, não o faz nunca servindo-se, como fossem meios de salvação, dessas comunidades separadas enquanto tais, das quais é preciso, sem poupar esforços, manter afastadas as almas.
62 – Rejeito, ademais, a ideia de que as religiões não cristãs refletem um raio da verdade que ilumina todo homem, ou que são caminhos legítimos por onde Deus possa positivamente conduzir os homens rumo à salvação. Alguns fragmentos de verdade natural, ou vestígios deformados de antigas verdades, de fato podem ser encontrados entre os adeptos dessas falsas religiões; estas, porém, consideradas em si mesmas, e na medida em que misturam o erro no seu culto, são obra do demônio e não podem ser aceitas aos olhos de Deus. O Espírito Santo não se serve delas como vias de salvação, nem nelas se há de encontrar qualquer virtude que seja própria da única Igreja de Cristo, a única luz a iluminar todo homem nas trevas.
63 – Rejeito também a ideia de um “cristianismo anônimo”, segundo a qual todo homem que leve uma vida naturalmente honesta, seja ele “crente”, ateu ou agnóstico, seria orientado para Cristo e portanto salvo por Ele, porque seria “cristão” sem o saber.
64 – Professo, finalmente, que a Antiga Aliança se encontra já terminada, superada e que se tornou caduca com promulgação da Nova Aliança, que é o cumprimento da promessa feita a Adão, em Cristo e na sua Igreja. As figuras da Lei Antiga encontraram a sua realização e o seu termo no sacrifício do verdadeiro Cordeiro, Mediador da Nova Aliança e Sacerdote pela eternidade segundo a ordem de Melquisedeque. Pela vontade eterna de Deus, a verdadeira descendência de Abraão é Cristo, juntamente com os que Lhe pertencem no seu Corpo Místico, que é a Igreja.
65 – Reprovo, portanto, a nova eclesiologia, que destrói o impulso missionário, relativizando a unicidade da Igreja, única arca da salvação.
66 – E rejeito também a inculturação, entendida como a adoção sem discernimento das categorias religiosas, morais ou simbólicas das culturas pagãs e das suas práticas. O Evangelho pode assumir o que houver de naturalmente bom, verdadeiro e nobre nos povos; não pode, porém, de modo nenhum consagrar a idolatria, a superstição, o erro ou os costumes contrários à lei natural. A missão da Igreja não é um diálogo indefinido, uma cooperação humanitária ou uma aceitação mútua das respectivas tradições religiosas, senão que é o mandado recebido de Cristo para ensinar todas as nações, batizá-las e ensinar-lhes a guardar tudo o que Ele mandou.