CRISTO MORREU POR TODOS, MAS NEM TODOS SÃO SALVOS.

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Essa sexta parte professa que Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é o único Mediador e Salvador da humanidade. Por meio de seu sacrifício na Cruz, Ele mereceu a salvação para todos, mas essa salvação deve ser recebida pela fé, conversão e graça: nem todos são salvos somente por esse ato.

V – Jesus Cristo, Verbo Encarnado, único Mediador e Redentor

37 – Creio e professo que Nosso Senhor Jesus Cristo é o Verbo eterno de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, consubstancial ao Pai, segundo a divindade, e de mesma natureza que nós, segundo a humanidade, semelhante a nós, a não ser no pecado 41. É Ele o único Mediador entre Deus e os homens, o único Salvador do gênero humano, o único Rei das almas e das sociedades, prometido por Deus, na sua misericórdia, aos nossos primeiros pais, e anunciado pelos profetas.

38 – Professo que, ao chegar a plenitude dos tempos, o Filho de Deus se encarnou, não para confirmar o homem na sua dignidade humana ou para lhe revelar a imagem de Deus nele, mas para o salvar do pecado e tornar a dar-lhe acesso à vida eterna. Nascido da Virgem Maria, sem deixar de ser Deus, tomou uma natureza humana verdadeira, viveu entre nós, ensinou a verdade, cumpriu as profecias, manifestou a sua divindade pelos seus milagres, e então se ofereceu livremente sobre a Cruz em sacrifício propiciatório pelos pecados do mundo.

39 – Professo que a Redenção é uma satisfação verdadeira oferecida à justiça divina, em reparação pelo pecado original e pelos pecados pessoais. Cristo, Sacerdote e Vítima em sua humanidade santa, resgatou-nos pelo seu sangue. Arcando com os nossos pecados e sofrendo a pena que nos era devida, oferece ao seu Pai um ato perfeito de obediência, ato de amor e de reparação, ao qual a dignidade da sua Pessoa divina conferia um valor meritório infinito.

40 – Rejeito, portanto, toda doutrina que reduzisse a Redenção a uma simples manifestação de amor da parte de Deus, a uma solidariedade de Cristo com os sofrimentos humanos, a uma revelação da dignidade do homem, ou a uma libertação puramente moral, política ou social. A Cruz não é somente um sinal: é o altar do sacrifício redentor. Cristo não quis apenas anunciar a salvação: mereceu-a pelo seu sacrifício. A sua paixão voluntária e a sua morte na Cruz constituem o único sacrifício redentor pelo qual a humanidade é reconciliada com Deus.

41 – Professo que ao terceiro dia Ele ressuscitou glorioso dentre os mortos, e que essa ressurreição é propriamente um fato histórico. É o sinal mais luminoso de sua vitória definitiva sobre o pecado, a morte e o inferno. Constitui o fundamento da esperança cristã e o penhor da nossa própria ressurreição. Representa, ademais, o principal motivo de credibilidade da divindade de Jesus Cristo.

42 – Creio que, quarenta dias depois disso, Ele subiu aos céus, que está agora sentado à direita do Pai, que governa invisivelmente a sua Igreja por intermédio do seu Vigário, e que intercede por nós constantemente, e assim até regressar em glória no fim dos tempos, para julgar vivos e mortos.

43 – Professo também que, se por um lado Cristo morreu por todos, por outro lado nem todos apenas por isso estão salvos. Os méritos da Paixão devem ser aplicados às almas, o que ocorre de ordinário quando estas recebem, com as disposições requeridas, os sacramentos que lhes comunicam a graça santificante. Aquele que recusa os sacramentos, ou que os recebe indignamente, ou que permanece voluntariamente no pecado, fecha-se à salvação que Cristo lhe alcançou.

44 – Rejeito, portanto, o falso otimismo de uma redenção universal já realizada em todo homem, independentemente da sua conversão e da sua perseverança. Semelhante doutrina destrói a urgência da pregação, enfraquece o zelo missionário, torna inútil a penitência e contradiz as próprias palavras do Salvador: “Aquele que crer e for batizado será salvo; aquele, porém, que não crer será condenado”.

45 – Professo, enfim, que Jesus Cristo é não somente o Redentor dos indivíduos, mas o centro de toda a história e o Rei de toda a criação. Tudo foi criado por Ele e para Ele; tudo deve ser n’Ele restaurado. Nenhuma cultura, nenhuma sociedade, nenhuma lei, nenhuma sabedoria humana encontra a sua verdadeira perfeição, completa e acabada, fora do seu reino.