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Caríssimo Padre Maret,
Com que alegria te acompanhamos hoje ao altar de Nosso Senhor. Todos os que te rodeiam, todos os que aqui se encontram e vieram assistir e participar da tua primeira Missa, alegram-se por haver doravante um sacerdote do Valais, saído da nossa casa de Écône e que, estamos persuadidos, fará honra a este Valais católico e às tradições deste cantão. Tradição de fé, tradição de generosidade: tantas vocações saíram desta terra abençoada, tantos missionários, tantos religiosos, tantas religiosas. Não é possível que as graças e as bênçãos que Deus concedeu a este país com tão grande abundância se tenham esgotado. Por isso hoje nos alegramos verdadeiramente e damos graças a Deus por um filho desta terra poder subir ao altar e oferecer o Sacrifício de Nosso Senhor.
Peço-te primeiro, caro amigo, que lances um olhar para o passado, a fim de contemplar e reconhecer todas as graças que Deus te concedeu. Creio que quase todos os presentes nesta cerimônia conhecem tanto as alegrias profundas e espirituais quanto as graças que recolheste no seio da tua família; mas todos conhecem igualmente as provações. Provação cruel que Deus enviou à tua família; é preciso, porém, considerá-la — e, graças a Deus, tua querida mãe e todos os teus irmãos e irmãs a encaram com fé profunda, com fé sobrenatural, de modo que sabem que Deus a quis para que a família recebesse graças particulares, as quais de fato recebeu e continua a receber.
Tu mesmo, caro amigo, recebeste graças particulares e especiais ao longo de todo o seminário, graças à tua família e às orações daqueles que te cercaram na juventude. Agradece hoje a Deus por todas essas graças e peçamos a Ele que alivie as provações da tua família.
Se consideramos o que tu és hoje, é ainda maior a nossa alegria. Tu és sacerdote, depois de cinco anos de seminário; depois de teres orado como o fizeste com toda a tua alma e com todo o teu coração — todos os teus confrades aqui presentes o testemunham, e eu mesmo o testemunho. Oraste muito. Gostavas de recolher-te na capela, especialmente na capela de Nossa Senhora dos Campos. Para lá ias até com os livros de estudo, a pedir luz e força para melhor compreender o que te era ensinado. Deus te auxiliou. Eis que hoje tu és Seu sacerdote.
Direi agora, em poucas palavras: lança o olhar para o futuro, a fim de aplicar o programa que certamente já tens no coração, na alma e na inteligência, fruto das meditações dos cinco anos de seminário.
Que é o sacerdote? O sacerdote é aquele que sobe ao altar; o sacerdote é aquele que oferece o Santo Sacrifício da Missa. E não somente oferece o Santo Sacrifício da Missa, mas vive a sua Missa todos os dias, a cada instante da vida. A vida do sacerdote deve ser o que é o Santo Sacrifício da Missa.
Com efeito, considerando simplesmente o que é o Santo Sacrifício da Missa e o que a Igreja nos ensina — nossa Santa Mãe Igreja nos ensina pelo Sacrifício da Missa —, os sacerdotes podem conhecer o seu dever, o seu encargo, as suas responsabilidades e as graças que receberão. Do mesmo modo, os fiéis devem compreender, pelo Sacrifício da Missa, o que deve ser o seu sacerdote: o sacerdote que devem amar e de quem necessitam para receber a graça de Nosso Senhor.
A primeira parte da Missa ensina-nos que o sacerdote é a luz deste mundo. Tu és a luz do mundo. É o que Nosso Senhor nos diz. A luz não deve ser colocada debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro, a fim de que ilumine todos os que a rodeiam e que, vendo as obras daqueles que são luz, as almas cantem a glória de Deus. É o que Nosso Senhor afirma no Sermão da Montanha. A luz não deve ficar debaixo do alqueire. Assim também tu não ficarás debaixo do alqueire. Em breve terás um encargo, um encargo de almas. Deverás, portanto, ser a luz dessas almas, a luz da sua inteligência e do seu coração. Essas almas te olharão, te escutarão, te ouvirão e te pedirão o de que a sua alma necessita.
Ensinarás o catecismo às crianças. Essas verdades fundamentais da nossa vida, que são o livro da nossa vida e nos explicam por que estamos neste mundo; por que estamos sobre esta terra; por que Nosso Senhor Jesus Cristo; por que o Santo Sacrifício da Missa; por que os sacramentos. Tudo isso as almas precisam saber e compreender, a fim de estimarem tudo o que Deus fez por nós, todo o amor de Deus por nós. Tu o farás com devoção e com dedicação, estou certo. E as almas que te acolherem se alegrarão de ouvir de ti a Verdade que Nosso Senhor nos ensinou.
Ensinarás igualmente a todos os que se preparam para os sacramentos. Explicarás a eles o que são esses sacramentos: fontes de vida, fontes de graças, fontes de felicidade e de alegria, fontes de eternidade. Explicarás tudo isso àqueles que vierem a ti pedir essas graças e essas bênçãos.
O sacerdote não é somente aquele que porta a Verdade, aquele que ensina a Verdade e a fé; o sacerdote é aquele que se sacrifica. O sacerdote deve carregar a sua cruz com Nosso Senhor Jesus Cristo. Se Nosso Senhor pede a todos os seus discípulos que tomem diariamente a sua cruz e O sigam, o sacerdote deve ser o primeiro. Deve ir à frente dos seus fiéis e mostrar como se carrega a Cruz; como se sacrifica nas dores, nas provações, nas dificuldades.
O sacerdote, em particular, à imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, à imagem do seu Divino Mestre, carrega os pecados do mundo. Se há algo ao mesmo tempo misterioso, doloroso e profundamente reconfortante para o sacerdote, é o ministério da penitência, o ministério da confissão. Ali as almas derramam no coração do sacerdote toda a sua miséria. E o sacerdote carrega — no segredo absoluto da confissão — todos esses pecados do mundo.
Carrega-os na dor, no sofrimento, como Nosso Senhor Jesus Cristo, mas também na alegria de ter podido dar o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e, pelas palavras do sacramento da penitência, ter lavado as almas no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, a fim de que se tornem escarlates e brancas como a neve e possuam a vida espiritual.
Se o sacerdote sofre com todas essas dores morais, com todas as dores que constata nas almas, tem sede de curar as almas. Era o que Nosso Senhor queria. Passava curando; e se curava os corpos, era sobretudo para curar as almas. Nosso Senhor o fez durante os três anos de vida pública. É o que faz o sacerdote: cura as almas.
Inclina-se também sobre as dores corporais, sobre as provações. Visita as famílias que se encontram na provação. Conforta-as, ensina-lhes a carregar a Cruz de modo proveitoso para as almas, para a vida espiritual, para a vida eterna. Quantas provações nas famílias! Não se imagina o que há de provações. Quando se está são, não se imagina o que é estar doente. Quando se tem paz na família e se é feliz nela, não se imagina o que é a família desunida; não se imaginam as dificuldades que podem existir numa família.
Quando se tem o suficiente e Deus nos dá o suficiente para viver, não se imagina o que é a pobreza, a indigência, as dificuldades em que se podem encontrar pessoas arruinadas, que perderam todos os bens. Quantas dores! E se se imagina então a imensidade das dores que se encontram nos hospitais: todos esses enfermos, esses milhares, essas dezenas de milhares de doentes nos leitos hospitalares, que sofrem.
Quando se está são, não se imagina que um dia se possa estar num leito de hospital. O sacerdote o sabe. E o sacerdote deve ir ao encontro dessas almas; de todas as que sofrem, de todas as que estão na dor.
As almas necessitam do sacerdote; necessitam dessa palavra do sacerdote que lhes fala de Nosso Senhor Jesus Cristo, que lhes fala da Cruz. Vendo a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, as almas recobram ânimo e compreendem que, se Jesus sofreu — Ele que não pecou —, nós que pecamos precisamos sofrer. Não somente para resgatar os pecados dos outros e conduzi-los à vida eterna, mas para expiar os nossos próprios pecados. Então a dor se transforma, a provação se transforma em alegria, em alegria profunda e sobrenatural.
Eis o que o sacerdote traz: a alegria, a paz, a serenidade, o sustento nas provações. Ele se sacrifica; carrega a sua cruz. É precisamente o que nos ensina o Santo Sacrifício da Missa, que é sempre o Sacrifício da Cruz. É nisso que o sacerdote deve pensar quando eleva a hóstia, quando eleva o Precioso Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Deve pensar que também ele deve carregar a sua cruz e consolar as almas que estão na dor.
Enfim, o sacerdote é um homem que traz a graça, que traz a vida, a vida espiritual, a vida sobrenatural. Que alegria para o sacerdote batizar, dar o batismo, dar a vida, a vida eterna às almas! Que alegria para o sacerdote dar Nosso Senhor Jesus Cristo! Quando desce do altar, as almas sequiosas de Jesus Cristo, sequiosas de vida, sequiosas de vida eterna, aproximam-se do altar para receber o seu Criador, o seu Salvador, Aquele que é tudo para elas. E é o sacerdote quem dá essa vida; é o sacerdote quem dá a Eucaristia. A Eucaristia que procede do altar, fruto da Cruz.
Quão bela, quão consoladora é a vida do sacerdote!
Eis, meu caro amigo, o programa que terás ao longo de toda a tua vida sacerdotal. Se viveres a tua Missa, serás feliz. No meio das dificuldades e das provações, experimentarás uma alegria inefável, uma alegria constante, uma alegria que não perecerá.
Para terminar, quero elevar os teus olhos e o teu coração à Santíssima Virgem Maria. Se há criatura neste mundo que pode ensinar-nos, a nós sacerdotes, o que é a nossa vida, o que é o sacrifício do altar, é precisamente a Santíssima Virgem Maria. Pois ela é a Mãe do Sacerdote eterno; ela formou em seu seio o Sacerdote eterno.
Quanto mais, portanto, é ela capaz de formar em nós o sacerdote, o ministro de Nosso Senhor Jesus Cristo, o ministro de seu Divino Filho.
Pede, pois, à Santíssima Virgem Maria que forme o sacerdote em ti, à imagem daquele Sacerdote que ela formou, que é Jesus mesmo. Estou persuadido de que encontrarás essas bênçãos no curso do teu apostolado sacerdotal, pois já no seminário pudemos constatar que tinhas uma devoção excepcional à Santíssima Virgem Maria.
Que Deus te ajude, meu caro amigo, a conservar essa devoção à tua Mãe do Céu, a fim de que ela te conceda, ao longo do teu apostolado, as alegrias que foram as tuas — creio eu — durante este seminário de Écône.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.