O DEMÔNIO TOCA FLAUTA

As repugnantes blasfêmias proferidas em certas instituições da Igreja não provocam quaisquer reações das autoridades, que estão ocupadas  demais com o processo sinodal.

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Um artigo no  site da Conferência Episcopal Alemã, katholisch.de, provocou protestos em todos os meios de comunicação católicos ditos conservadores. O texto apresenta, sem a menor análise crítica, uma obra publicada por Simone e Claudia Paganini, professores de teologia, exegese e filosofia, ambos considerados católicos devotos. O livro busca, em diversas figuras bíblicas, indícios de distúrbios psicológicos: depressão em Moisés, transtorno obsessivo-compulsivo em Jó (afinal, ele oferece sacrifícios pelos possíveis pecados de seus filhos), tendências maníacas em Judite, uma propensão ao álcool no próprio Jesus (já que seus adversários o chamam de bêbado) e narcisismo em Deus, por ele afirmar ser o único Deus. Era só isso que faltava.Diante dessa repugnante blasfêmia, ainda aguardamos os comunicados anunciando a proibição de toda oração pública nos santuários de Lourdes ou Mariazell para tais escritores e todos aqueles que os recomendam, como a Conferência Episcopal Alemã. Qual seria a reação? “E daí?”, diria Jesus,  segundo o evangelho apócrifo do Padre Arnaud Alibert, editor-chefe de La Croix. Assim como nas polêmicas em torno das uniões contra a natureza, nos responderão que isso não é o mais importante. O que é urgente é a sinodalidade e a denúncia dos pecados contra a ecologia. A Igreja está atordoada com encontros sinodais, mistagógicos e kerigmáticos, e obcecada por cubos de gelo e espécies ameaçadas de extinção.

Conta-se que um monge do deserto avistou, ao longe, perto de um eremitério, uma nuvem de demônios tentando, sem sucesso, levar um eremita ao pecado. Em outro lugar, perto de uma grande cidade, havia um único demônio tocando flauta. Um ancião explicou ao monge que, naquela cidade, o demônio não tinha lugar, pois os homens já estavam fazendo trabalho dele. Contudo, o monge fiel lhes dava muito mais trabalho.

Em suas regras para discernir espíritos, Santo Inácio analisa o fenômeno da seguinte maneira:

“No que diz respeito às pessoas que passam de um pecado mortal para outro, a conduta habitual do inimigo é oferecer-lhes prazeres aparentes, ocupando sua imaginação com deleites e prazeres sensuais, a fim de retê-los e mergulhá-las ainda mais em seus vícios e pecados. O Espírito Bom, ao contrário, age neles de maneira oposta; desperta neles perturbação e remorso, fazendo-os sentir as reprovações da razão.”

Na Igreja conciliar, o demônio pode tocar flauta.

Pe. Nicolas Cadiet, FSSPX