PE. PAGLIARANI: SAGRAÇÕES, POR FIDELIDADE À IGREJA E ÀS ALMAS

Sermão de 2 de fevereiro de 2026 no Seminário de Saint-Curé-d’Ars. 

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Caríssimos confrades, caríssimos seminaristas, caríssimas irmãs, caríssimos fiéis,

Que alegria poder abençoar o hábito de vinte e dois novos seminaristas, neste dia no qual Nosso Senhor, pela primeira vez, vai ao Templo para apresentar-se a si mesmo diante de seu Pai, para manifestar exteriormente a oferta de si mesmo, de sua vida. “Eis-me aqui para fazer tua vontade”. “É a razão pela qual encarnei-me e, hoje, manifesto-a”. Tanto quanto possível, estas disposições perfeitas de Nosso Senhor devem ser as disposições de um rapaz que quer dar sua vida a Nosso Senhor para subir, um dia, ao altar. Que belo exemplo! É o modelo a ser seguido durante toda a nossa vida. E isto ocorre na humildade: a humildade de Nossa Senhora e a humildade de Nosso Senhor; Nossa Senhora, a Imaculada, a Virgem perpétua, aceita o rito da purificação conforme a lei de Moisés. Nunca nenhuma criatura foi ou será tão pura quanto a Virgem. Contudo, por humildade, ela aceita este ritual. E, por meio da oferta de duas rolinhas, uma em holocausto e uma pelos pecados, ela é purificada.

Era a oferta dos pobres. E Nosso Senhor, em si, é resgatado, pois, enquanto primogênito, ele pertence a Deus, e é resgatado ao pagar uma pequena soma de cinco siclos, cinco peças de moeda. Ele que era em si o Redentor, ele que era em si o preço de nosso resgate, aceita ser resgatado por algumas peças de moeda. Que humildade! Não estavam estritamente obrigados a ir a Jerusalém para esse ritual. Os judeus que habitavam muito longe podiam fazê-lo por procuração. Mas eles querem, a Santa Família quer cumprir a Lei por obediência.

Que exemplo magnífico! Nosso Senhor já nos ensina a obediência, obediência até a morte. Conhecemos a perfeição de suas disposições interiores. Já está pronto para dar tudo pelo nosso resgate, e para cumprir a obediência para com seu pai, para realizar sua vontade. Veem como, neste contexto da imolação já perfeita, temos um prelúdio da Cruz, da Paixão

Nosso Senhor não pode nos deixar indiferentes.

E é nesta cena tão simples, aparentemente tão comum, mas, aos olhos de Deus, tão única, pois a Redenção já começou, é nesta cena que aparece Simeão. Esse ancião toma a palavra e seu discurso é composto de duas partes opostas entre si. Inicialmente, a alegria, a alegria de ver Nosso Senhor, de tomá-lo em seus braços. Uma alegria proporcional ao desejo que teve até aquele dia. “Vi, finalmente, vi o Salvador, a Salvação de Israel, eu o vi”. Na eternidade, não faremos outra coisa senão contemplar o que Simeão contemplou em seus braços durante alguns instantes: esta salvação, este Salvador, que foi preparado pela Providência divina desde sempre. A Encarnação estava no espírito de Deus – se assim se pode dizer – para todo o povo, ante faciem omnium populorum, lumen ad revelationem gentium: é o único Salvador que é dado, que é proposto, a todos os povos, a todas as raças, indistintamente. Que alegria! Que alegria nos olhos e nas palavras desse ancião: esta luz para ensinar a verdade, a única via de salvação.

Esta alegria de Simeão, esta luz, é como que interrompida bruscamente por este anúncio feito a Nossa Senhora e a São José. Ele se volta para eles, os abençoa e vai lhes dizer algo em um outro tom – que tem uma conexão com o que precede, certamente. O que ele vai dizer-lhes concretamente? Ele vai lhes dizer que esta redenção do gênero humano, por este menino, vai ocorrer no sofrimento, vai se produzir na Cruz, vai acontecer pela Paixão. Este menino vai ser um sinal de contradição.

Esta é uma belíssima definição de Nosso Senhor. É um sinal de contradição. O que isso significa em uma linguagem um pouco mais moderna? Significa que Nosso Senhor não dialoga. É um sinal de contradição. Nosso Senhor afirma a verdade. Ele a manifesta por sua palavra, e ele a confirma por seus milagres. Ele a propõe e diz claramente que é a única via de salvação. Não há outra. Por que diz isso? Porque ele não pode enganar as almas. Ele não veio neste mundo para enganar as almas. Ele veio para salvá-las. Manifesta a verdade. Será perseguido. Ademais, aqueles que vão segui-lo também serão um sinal de contradição. É preciso escolher. Não se pode ficar indiferente diante de Nosso Senhor. Não se pode permanecer indiferente diante da Redenção. Aquele que permanece indiferente já escolheu seu lado. Aquele que permanece indiferente recusou Nosso Senhor. E Simeão diz isso de modo bem claro quando termina sua profecia. Ele diz que tudo isso, esta manifestação de Nosso Senhor, sua Redenção, tudo isso ocorrerá afim que os pensamentos de muitos corações sejam relevados. O que isto significa? Em qual sentido os pensamentos dos corações dos homens serão revelados, manifestados? Neste sentido, neste sentido que ninguém poderá permanecer realmente indiferente diante de Nosso Senhor. Será preciso escolher. É um sinal de contradição. E Nosso Senhor em si vai dizê-lo um dia: “Aquele que não está comigo está contra mim. E aquele que não junta comigo, espalha”. E esta revelação do mistério da Redenção, que vai acontecer pelo sofrimento de Nosso Senhor, será acompanhada por outro sofrimento. Vejais: desde a primeira manifestação deste mistério da Redenção pelo sofrimento de Nosso Senhor, Deus quis que Nossa Senhora fosse associada a esta obra. E que o papel de Nossa Senhora ao lado de Nosso Senhor fosse revelado ao mesmo tempo que o papel de Nosso Senhor fosse relevado aos homens. Simeão, ao se dirigir à Virgem, diz-lhe: “Uma espada de dor transpassará teu coração. Tua alma será atravessada por uma lâmina”. Que mistério ligado a esta palavra! Um mistério que podemos penetrar, um mistério extremamente caro à Igreja. É o mistério da corredenção, da associação de Nossa Senhora à obra de Nosso Senhor.

O lugar de Nossa Senhora na Redenção

Aqui, compreende-se porque o anjo pediu o consentimento da Virgem, seu “fiat”. A Virgem compreendia bem que tornar-se a mãe de Deus queria dizer tornar-se a mãe de um Deus que sofre, de um Deus redentor, de um Messias que sofre, tal como tinha sido descrito no Antigo Testamento. Ela disse: “Sim, aceito, se for a vontade de Deus, aceito.” Deus se encarna em um propósito bem preciso. E Nossa Senhora o sabia. Sobretudo ela aceita. Mas por quê? Por que, em sua sabedoria divina, Deus quis associar deste modo Nossa Senhora à Paixão de Nosso Senhor? Por quê? É porque Nosso Senhor salvará as almas, mas pedirá a cada alma sua própria cooperação. Ele pedirá a cada um sua adesão à fé, sua parte de sofrimento. E Nossa Senhora, preservada do pecado original antes de sua concepção, Nossa Senhora era, de um certo modo, a resgatada mais perfeita, única, jamais tocada pelo pecado, e, logicamente, Deus pediu a Nossa Senhora uma cooperação para a obra da Redenção proporcional à sua santidade. Que mistério! Por trás disso há uma visão profundamente cristã, profundamente católica. Deus quer a cooperação das criaturas, e fez de Nossa Senhora o protótipo desta cooperação.

Veem bem isso no protestantismo, que destrói toda cooperação: é somente Deus quem salva os predestinados. É a teologia de Lutero. E, consequentemente, os protestantes, o que rejeitam? Visto que esta cooperação não é necessária, o que o protestantismo rejeita logicamente? Ele rejeita a vida religiosa, as mortificações, ele rejeita a Missa, porque a Santa Missa, em uma perspectiva protestante, é um esforço, uma cooperação humana em uma obra que é somente divina.

Ele rejeita o culto dos santos, porque as pessoas não precisam de intercessor, de intermediário. E ele rejeita, sobretudo, o culto de Nossa Senhora. É terrível. Isso significa destruir, de algum modo, a Redenção tal como Deus a quis. Mas é lógico. E devemos dizer: em outro nível, de um modo diferente, o modernismo fez a mesma coisa. O modernismo, sem negar tudo isso, o desnaturou. Atrás do escudo inadequado de um cristocentrismo mal compreendido, ou seja, no falso temor de retirar de Nosso Senhor sua centralidade, o modernismo também diminui tudo isto, diminui a cooperação humana, os esforços, as mortificações. A vida religiosa não é mais compreendida, a Missa, a Missa é entendida de um modo totalmente diferente, e Nossa Senhora também. Ela é colocada um pouco de lado deste papel que ela tem na redenção, este papel central. É terrível! Quando tendes um quadro magnifício, o que fazem para valorizá-lo? As pessoas tentam encontrar uma moldura que seja digna desse quadro. E é exatamente o que Deus fez com a Santa Virgem. Este quadro magnífico da redenção é emoldurado pela corredenção, é emoldurado por Nossa Senhora em si. Que sabedoria! E agora, dizem-nos que para melhor apreciar a beleza deste quadro, para não perdê-lo, seria preciso retirar a moldura.

Nossa Senhora acompanha Nosso Senhor no sofrimento

Por três vezes, a Santa Virgem acompanha Nosso Senhor a Jerusalém. Hoje, a Apresentação ao Templo, a Purificação de Maria, representa a primeira viagem da Virgem com Jesus a Jerusalém. Em outras duas oportunidades, Nossa Senhora o acompanha, e estes três episódios formam uma sequência, encontram-se no mesmo eixo. Têm um denominador comum.

Hoje, Jesus, apresentado ao Templo, oferece ao Pai sua existência. Aos doze anos, acompanhado ainda pela Santa Virgem, Jesus oferece ao Pai sua sabedoria. Aos doze anos, Jesus manifesta sua sabedoria divina e a oferece ao Pai, apresentado ao Templo ainda uma vez acompanhado pela Santa Virgem. A terceira vez será no Calvário: Jesus é então acompanhado pela Santa Virgem para oferecer uma vez mais ao Pai sua própria vida e seu próprio sangue.

O que estes três episódios tão diferentes têm em comum, e por que a Santíssima Virgem está sempre presente? Ela acompanha Nosso Senhor, por três vezes, na dor e no sofrimento. A primeira vez, hoje, em 2 de fevereiro, com o anúncio de Simeão: “Uma espada te transpassará o coração”. Aos doze anos: ela o acompanha mais uma vez ao Templo. E novamente o dilaceramento terrível, a dor de ter perdido Nosso Senhor. É a provação mais inimaginável para Maria. A terceira vez: ela o acompanha novamente na dor, na dor do Calvário.

Mas por que, toda vez que ela o acompanha, deve fazê-lo na dor? Porque ela é Corredentora, porque ela participa sistematicamente da Paixão de Nosso Senhor. Ela a prepara com Nosso Senhor: a Paixão de Nosso Senhor é também a dela. É evidente.

E qual é a consequência desta verdade, que está no Evangelho (não é uma invenção)? Qual é a consequência disto? É que, assim como Maria esteve presente durante toda a vida de Nosso Senhor, e o seguiu em sua Paixão, em tudo o que preparava e se referia à sua Paixão, assim, hoje, Maria – é lógico – continua a ser a aliada de Nosso Senhor e a dispensar as graças, que são o fruto da Paixão, que também foi dela, à qual ela foi associada desde hoje, desde o anúncio de Simeão. Que grande mistério escondido nesta espada!

Diante da pergunta de Nosso Senhor no julgamento: que fizestes de minha Mãe?

Uma última consideração. Como Nossa Senhora pôde oferecer seu filho, aceitar oferecer seu filho, e tal filho? As pessoas conseguem entender que ela tenha oferecido a Deus a si própria, sua existência, sua virgindade, mas tal filho? Como é que ela pôde oferecê-lo? Este filho, virginalmente concebido, virginalmente dado à luz, do qual ela era o único parente? A natureza humana de Nosso Senhor vem toda de Nossa Senhora, integralmente. É sua carne imaculada, é seu sangue imaculado que formaram a humanidade de Nosso Senhor, exclusivamente.

Esse filho perfeito, que ela adora, como ela pôde oferecê-lo? Como ela pôde dizer sim? Não somente, “digo sim e permaneço em Nazaré”, mas “digo sim e o acompanho, digo sim positivamente”. Como ela pôde fazer isto? Como explicar isto? A resposta é muito simples: ela o fez por amor a nós. Não é uma fábula! É o Evangelho. Vamos renunciar a esta doutrina, vamos esquecer esta espada plantada no coração de Nossa Senhora, vamos esquecer o que significa, vamos esquecer o que Nossa Senhora fez ao pé da Cruz? Vamos esquecer a corredenção? De modo algum, é a nossa fé.

É o cerne de nossa fé. É o que temos de mais caro. No dia do julgamento, Nosso Senhor nos mostrará suas chagas. Nosso Senhor julga a humanidade ao nos mostrar suas chagas, e, ao perguntar a cada homem: “O que fizestes de minhas chagas, o que fizestes de minha Paixão? Refugiastes em meu lado, ou preferistes o mundo? Que fizestes de meu sangue derramado sobre a cruz? Que fizestes da Santa Eucaristia? Que fizestes de minha graça?”

E ele também nos fará uma última pergunta: “O que fizestes de minha mãe? Não tinha mais nada, fora despojado de tudo, abandonado por todo mundo, não tinha mais uma gota de sangue em meu corpo, e somente minha mãe estava comigo. Mas não qualquer mãe, uma mãe que me preparei, uma mãe imaculada, uma mãe cheia de graça, a mãe de Deus. Eu a preparei para mim, para me encarnar, para vir a este mundo. Uma mãe que me acompanhou desde a apresentação ao Templo até a Cruz. Em minha Paixão, ela jamais me abandonou. Só tinha a ela, e a dei para ti, afim que ela pudesse continuar a formar em tua alma algo de meus traços, algo que, de um modo ou de outro, possa parecer-se comigo. Dei-te minha mãe. O que fizestes de minha mãe? Ela me engendrou no presépio sem dor, cercada de cânticos celestes, na pobreza, mas sem dor. Ela te engendrou ao pé da cruz. O que fizestes dela? Como a tratastes, honrastes? Trataste-a realmente como uma mãe?” Não se pode escapar disso. É a questão que Nosso Senhor vai nos fazer. Podemos renunciar a esta doutrina tão bela? Tão profunda? Que nos manifesta ao extremo a caridade de Nosso Senhor? Devemos temer que ao tratar Nossa Senhora como ela merece, como corredentora, ela nos afaste do mistério da Redenção, no qual ela mesma está mergulhada totalmente? Um cristão pode ter este temor? Inadmissível, é inadmissível! Pode-se enganar as almas deste modo? É inadmissível! Pode-se afastar as almas de Nossa Senhora, enquanto seu papel não é somente nos conduzir a Nosso Senhor, mas também de formar Nosso Senhor em nossa alma? É inadmissível!

Sagrações por fidelidade à Igreja e às almas

Pensamos que chegou o momento de pensar no futuro da Fraternidade São Pio X, no futuro de todas as almas, que não podemos esquecer, que não podemos abandonar. E, certamente, no bem que devemos e podemos fazer à Igreja. E isso conduz a uma questão que se fazem há muito tempo, e à qual, hoje, talvez seja necessário dar uma resposta. Ainda devemos esperar antes de pensar em consagrar alguns bispos? Esperamos, rezamos, observamos a evolução das coisas na Igreja, pedimos conselho. Escrevemos ao Santo Padre para apresentar, com simplicidade, a situação da Fraternidade, explicar suas necessidades e, ao mesmo tempo, para confirmar ao Santo Padre nossa única razão de ser: é o bem das almas. Escrevemos ao Santo Padre: Santíssimo Padre, temos apenas uma intenção, a de fazer de todas as almas que se dirigem até nós verdadeiros filhos da Igreja católica romana. Nunca tivemos outra intenção, e sempre preservamos esta intenção.

E o bem das almas corresponde ao bem da Igreja. A Igreja não existe nas nuvens. A Igreja existe nas almas. São as almas que formam a Igreja. E se amam a Igreja, amam as almas, querem sua salvação e querem fazer tudo possível para oferecer-lhes os meios para alcançar sua salvação.

Logo, escrevemos ao Santo Padre para compreender esta situação bem particular na qual se encontra a Fraternidade, e permitir-lhe tomar os meios para continuar esta obra, em uma situação excepcional, reconhecemos, mas, mais uma vez, obra que não tem outro propósito além de preservar a Tradição, pelo bem das almas. Pois bem! Estas razões, infelizmente, não parecem atrair a atenção, não são convincentes. Digamos que essas razões não encontraram, por ora, uma porta aberta junto da Santa Sé.

Lamentamos muito. Contudo, o que faremos, então? Vamos abandonar as almas? Vamos dizer-lhes que, finalmente, não é necessário que a Fraternidade continue sua obra? Que finalmente, está basicamente tudo bem, em outras palavras, que não há mais estado de necessidade na Igreja que justifique o nosso apostolado, a nossa existência, para socorrer a Igreja – não para desafiá-la, jamais! Estamos aqui para servir a Igreja e servimos a Igreja pregando a fé e dizendo a verdade às almas. E não contando fábulas às almas. Podemos dizer às almas que, apesar de tudo, tudo está bem? Não! Isso significaria trair as almas, e trair as almas significaria trair a Igreja.

Não podemos fazer isto. É por isso que pensamos que o 1º de julho próximo poderia ser uma boa data, uma data ideal, pois é a festa do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor. É a festa da Redenção. Nada mais nos interessa além disso. É o que temos de mais caro, é o sangue de Nosso Senhor que jorra de seus pés sob a Cruz, sob o madeiro da Cruz, e que foi adorado inicialmente por Nossa Senhora, ao pé da Cruz, e que continuamos a adorar ao pé do altar. É a única coisa que nos interessa, é a única coisa que queremos dar às almas. E as almas têm direito a isso, não é um privilégio, as almas têm direito a isso.

Não podemos abandoná-las.

Certamente, nos próximos dias, contamos dar-vos mais informações, mais explicações. É necessário compreender o porquê. É necessário compreender a questão de tudo isto. É capital. Mas, ao mesmo tempo, é preciso compreender isto na oração. Não basta preparar as inteligências. Não basta, diria, uma abordagem apologética, puramente apologética para tudo isto. É preciso preparar os corações, os nossos corações, é uma graça, é uma graça, e é preciso se agarrar a esta graça. É preciso agradecer o Bom Deus, é preciso que nos preparemos.

Sim, sagrações, sagrações, mais uma vez, não para desafiar a igreja, não é um desafio. Sagrações por fidelidade à Igreja e às almas.

E acrescento uma última consideração.

Assumo, assumo plenamente a responsabilidade por esta decisão.

Assumo-a, em primeiro lugar, diante de Deus, assumo-a diante da Santíssima Virgem, diante de São Pio X. Assumo-a diante do Papa. Gostaria de poder um dia encontrar o papa, antes de 1º de julho. Gostaria de explicar-lhe, fazer-lhe compreender as nossas intenções reais, profundas, a vinculação à Igreja, que ele o saiba, que ele o compreenda. E assumo esta responsabilidade diante da Igreja, certamente. E diante da Fraternidade, de todos os membros da Fraternidade, e diante, repito novamente, de todas as almas que, de um modo ou de outro, têm recorrido a nós, nos solicitam ajuda, ou nos solicitarão ajuda, de todas estas almas, de todas estas vocações que a Providência nos enviou e continua a nos enviar. Assumo esta responsabilidade diante delas também, de todas, e de cada uma em particular, pois uma alma tem um valor infinito. E, na Igreja, não esqueçam jamais, na Igreja, a lei das leis, a lei que prima sobre todas as outras, é a salvação das almas.

Isto não é conversa fiada, não é o sínodo, não é o ecumenismo, não são as experiências litúrgicas, as novas ideias, as novas evangelizações, é a salvação das almas. É a lei das leis. E esta lei, temos o dever, todos, cada um em sua posição, de observar e nos consumir totalmente para observar esta lei. Por quê (Concluo)? Porque, hoje, Nossa Senhora e Nosso Senhor nos ensinam que durante sua existência, aqui sobre a terra, eles não tiveram outra ideia, outro propósito senão aquele de salvar as almas. E como se dizia, de um modo ou de outro, cada um dentre nós, conforme seus talentos, conforme sua posição, deve fazer tudo o que pode, deve dar sua contribuição para salvar sua própria alma e a dos outros. Amém.