MISTURAM DESORDENADAMENTE AS PALAVRAS DA MISSA COM AS CERIMÔNIAS

“Complicano le parole della Messa disordinatamente con le cerimonie”, Sant’Alfonso sul disastro della liturgia

Da obra-prima Meu Único Rei – Escritos Afonsianos para Viver Bem no Tempo e na Eternidade.

Fonte: Radio Spada – Tradução: Dominus Est 

[…] Observando a maneira pela qual a maioria dos padres reza a Missa, com tanta pressa e com tanto barulho nas cerimônias, deveria-se chorar, e chorar lágrimas de sangue. A eles seria bom dizer como Clemente de Alexandria repreendeu aos sacerdotes gentios, ou seja, que eles transformavam o céu em palco e Deus em personagem de peça teatral: Oh impietatem! scenem coelum fecestis, et Deus factus est actus.

Mas o que quero dizer com peça? Ah, quanta atenção esses sujeitos prestariam se tivessem que representar um papel em uma peça teatral! E quanto à Missa, que atenção prestam nela? Palavras mutiladas, genuflexões no ar que mais parecem atos de desprezo do que de reverência, sinais da cruz que não se sabe o que significam, caminham ao redor do altar e se viram de um jeito até mesmo engraçado, depois manuseiam a hóstia sacrossanta e o cálice consagrado como se tivessem um simples pedaço de pão e um cálice de vinho nas mãos, desordenam as palavras da Missa com as cerimônias, encavalando-as uma em cima da outra antes do tempo estipulado pelas rubricas……enfim, toda a sua Missa não passa, do começo ao fim, de um amontoado de desordem e irreverência.

[…] Um certo religioso muito respeitado me contou um fato horrendo sobre esse assunto; e esse fato também é mencionado pelo Pe. Serafino Maria Loddi, dominicano, em seu livreto Razões para celebrar a Missa sem pressa, etc. Em Roma, havia um certo herege que estava decidido a abjurar, como havia prometido fazer ao Sumo Pontífice (que era Clemente XI); mas ttendo visto celebrar em uma igreja uma missa pouco devota, ficou tão escandalizado que foi até o Papa e lhe disse que não queria mais abjurar, tendo se convencido de que nem os padres nem o próprio Pontífice tinham verdadeira fé na Igreja Católica. Mas o Papa lhe disse que a falta de devoção de um padre, ou de vários padres negligentes, não poderia prejudicar as verdades de fé que a Igreja ensinava. O herege, no entanto, não respondeu: “mas se eu fosse o Papa e soubesse que havia um padre que rezasse a missa com tanta irreverência, eu o mandaria queimar vivo; vendo então que há padres que celebram tão indignamente em Roma e diante do Papa, e não são punidos, estou convencido de que nem mesmo o Papa acredita nisso.”

E assim dizendo, ele se despediu e, obstinadamente, não quis mais abjurar. Gostaria de acrescentar a esse respeito que um certo leigo (nesta mesma manhã, enquanto escrevo este pequeno trabalho), ao ver uma Missa desse tipo, não pôde deixar de dizer a um de nossos companheiros na congregação que me contou: “Na verdade, esses padres, com essas Missas que rezam, nos fazem perder a fé”.

[…] Mas que miséria e que desordem é ver tantos sacerdotes que, terminada a Missa, depois de terem recebido de Deus a honra de oferecer seu próprio Filho como sacrifício e depois de terem se alimentado de seu sacratíssimo corpo, assim que entram na sacristia, com os lábios ainda vermelhos de seu sangue, depois de terem recitado algumas breves orações entre os dentes, sem devoção ou atenção, começam imediatamente a discutir coisas inúteis ou assuntos mundanos! Ou até mesmo deixam a Igreja e levam Jesus Cristo, que ainda está em seu peito com as espécies sacramentais, para as ruas.

O Pe. João Ávila, que viu um sacerdote sair da igreja logo após a celebração e fez com que dois clérigos o acompanhassem com duas tochas e, quando o padre lhes perguntou o que estavam fazendo, eles responderam: “Estamos acompanhando o Santíssimo Sacramento que carregais dentro de vós”.