NÃO DEFENDEMOS CRISTO DIMINUINDO A SUA MÃE

Publicada em 24 de junho de 2026, a Profissão de Fé Católica da Fraternidade São Pio X é apresentada aqui em várias partes. Esta sétima parte recorda o lugar único que Deus reservou para a Bem-Aventurada Virgem Maria na obra da salvação: Mãe de Deus, sempre virgem, Corredentora e Medianeira Universal. Diminuir seus privilégios em nome do ecumenismo não é honrar melhor a Cristo, mas sim desconsiderar a ordem divina.

VI – A Santíssima Virgem Maria na economia da salvação

46 – Creio que a Santíssima Virgem Maria ocupa na história da salvação um lugar único desejado por Deus desde toda a eternidade, e que a sua condição, portanto, não é a condição comum das demais criaturas. Aquele que havia decidido dar o seu Filho aos homens havia também decidido dar-lhe uma Mãe.

47 – Professo que a Bem-aventurada Virgem Maria, por um privilégio singular, foi imaculada desde o primeiro instante da sua conceição, a fim de ser a digna Mãe de Jesus Cristo. Preservada do pecado original em previsão dos merecimentos de Cristo e, desta sorte, remida de um modo mais sublime, cumulada de graça desde o primeiro instante da sua existência, Maria sempre se mostrou perfeitamente fiel à vontade de Deus.

48 – Creio que Ela permaneceu sempre virgem, antes, durante e depois do parto; a sua virgindade perpétua manifesta a origem divina do seu Filho e a sua consagração total à obra de Deus.

49 – Professo que Ela, verdadeiramente a Mãe de Deus e a Mãe dos homens, foi associada de maneira única e incomparável à obra redentora do seu divino Filho. Nova Eva ao lado do novo Adão, o seu “Fiat” abriu caminho para a Encarnação; a sua fidelidade silenciosa acompanhou toda a vida do Salvador; a sua compaixão dolorosa ao pé da Cruz uniu-a num só coração ao sacrifício redentor.

50 – Professo que, unindo-se assim ao seu divino Filho, mereceu por conveniência, na sua Compaixão, o que Cristo mereceu por justiça estrita na sua Paixão; não como causa principal da Redenção, mas como associada subordinada, dependente e em tudo relativa ao seu Filho, num só e mesmo ato de resgate das nossas almas. É nesse sentido que a piedade católica, apoiada no ensinamento tradicional dos papas e dos teólogos, chama-a merecidamente, em razão dessa Compaixão, “Corredentora”, e por conseguinte, “Medianeira Universal”.

51 – Rejeito, por conseguinte, com indignação a tendência moderna de diminuir os privilégios da Santíssima Virgem a pretexto de prudência ecumênica, de diálogo com as falsas religiões, ou por um receio falacioso de obscurecer a única mediação redentora de Jesus Cristo. Enfraquecer a doutrina mariana não é honrar melhor a Cristo, é negar a ordem desejada por Deus, que quis vir a nós por Maria e conduzir-nos a Si por Ela.

52 – Creio que, chegado o termo de sua vida terrena, Ela foi elevada de corpo e alma à glória celeste, onde, junto do trono de Deus, ao lado da santa humanidade do seu divino Filho, reina sobre os anjos e os homens, exercendo o seu papel materno de Despenseira de todas as graças.

53 – Professo, finalmente, que o culto autêntico e especial prestado à sua Mãe não diminui em nada o culto devido a Deus; pelo contrário, engrandece-o, pois que reconhece as maravilhas da graça divina na criatura mais perfeita, e conduz as almas mais seguramente a Jesus Cristo. A verdadeira restauração católica não pode ser separada da honra prestada Àquela que esmaga a cabeça da serpente.