SACERDOTES QUE CONDUZEM À VITÓRIA

“Sede fiel até a morte, e te darei a coroa de vida” (Apoc. 2, 10)

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

É necessário participar do combate de Cristo para compartilhar sua vitória. Para isso, os cristãos precisam de sacerdotes que os guiem com segurança nestes tempos confusos, e, com coragem e realismo, tomem as decisões salutares, sem se esconder no silêncio.

Espera-se dos líderes da Igreja um ensino claro e sólido

Em um contexto de perda total de referências e da civilização cristã, os homens precisam, antes de qualquer coisa, possuir, de modo firme, as bases da fé católica. Esse será o ponto de partida da renovação. Logo, é preciso ensinar o catecismo, de um modo evangélico, claro e preciso. Contudo, para isso, os próprios sacerdotes devem possuir o tesouro da Tradição multissecular.

Nos seminários, a insistência sobre o rigor doutrinal e a espiritualidade sacerdotal autêntica visa nos tornar, humildemente, porém firmemente, soldados da fé, capazes de assegurar a transmissão da fé católica em toda sua pureza, de resistir aos desvios modernos e ao relativismo moral sob o pretexto de compaixão.

Que eles recordem constantemente a verdadeira razão de ser da Igreja

Enquanto, cada vez mais, o eixo do governo atual da Igreja parece ser aquele da relação de circunstância, que dá garantias às ideologias dominantes difundidas por toda parte pela imprensa – aquecimento climático, imigração, revolução LGBT, democratização das estruturas de governo da Igreja – a Fraternidade São Pio X recorda constantemente que Cristo fundou a Igreja para salvar as almas, e que “a salvação não reside em nenhum outro além de Jesus Cristo” e da Igreja católica, por Ele fundada, “que é seu corpo”. E que Ele concedeu somente a ela os meios de salvação. Todos as ações sociais da Igreja visam a união das almas a Jesus Cristo.

Que eles encorajem os leigos a colocar em prática o Reinado Social de Cristo

Contrariamente ao que afirmam nossos bispos na França, a Igreja sempre, e por toda parte, buscou instaurar sociedades cristãos, e não a laicidade, que abre as portas a todos os erros e vícios. A Fraternidade trabalha nessa missão de longo prazo, pouco importa se a situação atual pareça difícil.

A Santa Igreja passou por momentos muito críticos em sua história.

Ela encoraja os fiéis a se concentrarem sobre a reconstrução de uma cristandade enraizada, começando pelas famílias, escolas, priorados, redes e missões.

Ela apoia o esforço coletivo dos católicos que trabalham nesse sentido.

Que eles transmitam uma visão clara e estimulante da crise que atinge a Igreja

1. A resistência

Dom Lefebvre soube se posicionar como um defensor da Tradição católica, recusando as reformas do Concílio Vaticano II, na medida em que estas se opunham ao ensino constante da Igreja e abriam as portas a um afastamento progressivo dos princípios que tinham santificado o mundo durante séculos.

“Pois bem! Resistimos e resistiremos. Não por espírito de oposição, não por espírito de rebelião, mas por espírito de fidelidade à Igreja, por espírito de fidelidade a Deus, por espírito de fidelidade a Nosso Senhor Jesus Cristo, por espírito de fidelidade a todos aqueles que nos ensinaram nossa santa religião, por espírito de fidelidade a todos os papas que guardaram a Tradição. E é por isso que decidimos simplesmente continuar, a perseverar na Tradição, perseverar no que santificou os santos que estão no Céu. Ao fazer isso, somos persuadidos de prestar um imenso serviço à Igreja, a todos os fiéis1.”

2. A demonstração teológica da crise

A Fraternidade apresenta uma visão clara da crise que sacode a Igreja atualmente: a crise interna na Igreja vem principalmente da adoção, desde o Vaticano II, de uma nova relação entre a Igreja e o mundo, inventada pelos liberais, que ignora a realidade das forças do mal que operam no mundo. Na Igreja, ela produz a infiltração de ideias e costumes destrutivos, promovidos pela revolução.

3. Inverter essa relação

O remédio de fundo reside na retificação dessa nova relação. Que a Igreja pare de estar à reboque do mundo, mas seja seu médico afetuoso. Que ela busque forjar uma sociedade civil cristã. Que ela pregue a Verdade sem concessões, que irradie a Pureza que cura, que ofereça a Caridade até o sacrifício de si.

4. Construir

A vitória não reside na passividade, mas na ação. Dom Lefebvre foi um fundador. Ele criou. A Fraternidade o seguiu em seu método, com mais de 170 priorados e 800 lugares de missas, implantados em 35 países. Ora, o resultado do combate está no campo de batalha.

Líder extraordinário, soube se destacar da massa, para guiar os católicos sobre um caminho que os conduzirá para fora da crise, não se deixou deter pelas proibições romanas. Conduzido por um espírito de defesa da Fé (“É esta a vitória que venceu o mundo, a nossa Fé2”), aliado a uma grande humildade, ele respirava o espírito de vitória e soube tomar decisões reprovados por Roma, visto que de uma absoluta necessidade, como aquela de sagrar bispos sem mandato do papa. Assim, ele reforçou a confiança e a esperança entre os católicos fiéis.

A Fraternidade é providencial

Se Dom Lefebvre inspirou tanto, é porque vivia de um modo pouco comum essa fé serena na Providência divina, “que jamais se deve antecipar”. Na realidade, ele não calculou nada, ele se deixou guiar. Contudo, quando a Providência lhe mostrava claramente o caminho, ele colocava em obra seu gênio organizador para respondê-la.

“Não sou um líder dos tradicionalistas, mas um simples bispo que transmite o que recebeu.”

Ele repetia incessantemente que ele não seguia opiniões particulares, mas transmitia o que tinha recebido. Ele foi seguido precisamente porque os católicos encontravam nele um homem que continuava a acreditar e pregar o que os papas sempre acreditaram e pregaram, e recusava o que os papas tinham condenado: o ecumenismo, a liberdade religiosa, a laicidade, a destruição da família, etc..

Essa confiança absoluta na Providência permitiu à Fraternidade superar obstáculos que, no início, pareciam insuperáveis.

Ela encarna a fidelidade e a resiliência

A fidelidade da Fraternidade é clara para os fiéis que a frequentam. Mas ela também é um farol para os outros padres da Igreja. Muitos são aqueles que nos testemunham ler as publicações ou os sites da Fraternidade assim que um documento romano ambíguo é publicado, a fim de encontrar aí uma opinião fundamentada sobre o Magistério constante.

A resiliência é uma das qualidades mais importantes de um responsável em tempos de crise. Formamos padres que encarnam o espírito de vitória, seguros do que receberam e do que transmitem, serenos e determinados, mesmo quando devem enfrentar difamações ou condenações injustificadas – tais como as pseudo-excomunhões.

A Fraternidade continua, nem mais nem menos, a missão da Igreja que recebeu das autoridades, e que lhe foi falsamente retirada por razões de não alinhamento ao liberalismo. Ela sabe que ela não é nada por si mesma, que é uma serva inútil, mas essa humildade não a cega sobre sua missão.

Sua legitimidade é tal que ela é capaz de assumir suas responsabilidades, sem exagerá-las, nem fugir delas. Ela não tem de provar nada para si mesma, nem provar aos outros sua legitimidade. Ela não grita, não exagera, sabe que a força do discurso jamais substituirá o trabalho de campo para a santificação das almas. Eis porque ela progride com serenidade rumo à sua plena maturidade, sem temer que as provações que a atingem coloquem em dúvida o que ela recebeu e, definitivamente, assimilou.

A Fraternidade encoraja a colaboração e a unidade

Em época de crise, é fácil para os padres e os fiéis se sentirem isolados ou se fecharem em seus problemas individuais. A Fraternidade encoraja os fiéis e todos os apaixonados pela Tradição a um compromisso coletivo para resistir ao modernismo, e para que nossos priorados sejam verdadeiros lugares de unidade e de devoção para o Reinado de Cristo. O brilho da Tradição resultará de nossa capacidade em trabalharmos juntos no mesmo combate sobrenatural.

“Somos mais que vencedores, por aquele que nos amou3.”

Felizes os fiéis que são guiados por pastores habitados por esse espírito de vitória sobrenatural, que não temem o mundo, os julgamentos falsos dos homens, que superam todos os obstáculos para entusiasmar, levantar os caídos, encorajar os fracos, sustentar no combate cotidiano e, assim, guiar rumo à vitória!

Pe. Guillaume Gaud, diretor do seminário Santo Cura d’Ars, de Flavigny

Notas:

(1) Dom Lefebvre, homilia em Écône, 1 de novembro de 1980.

(2) I Jo 5, 4.

(3) Rom 8, 37.