BOLETIM DO PRIORADO PADRE ANCHIETA (SÃO PAULO/SP) E MENSAGEM DO PRIOR – FEVEREIRO/26

A apresentação do Senhor (Lc 2,21-40) - Locus Mariologicus

Caros fiéis,

No boletim anterior, adotando uma perspectiva materialista, fizemos uma pergunta provocativa: “Quem é mais inútil do que uma criança?” Da mesma perspectiva, poderíamos responder: “Um idoso”. De fato, uma criança tem todo o futuro pela frente. Ela é muitas coisas em potência. Ela personifica a esperança. O idoso não tem futuro. Ele consome, não contribui e nunca mais produzirá nada. Aos olhos do mundo, ele é um fardo a ser eliminado. Assim, surge a eutanásia. Eufemisticamente chamada de Assistência Médica para Morrer, ela é, na realidade, mais do que isso: causa a morte, contradizendo diretamente o Quinto Mandamento.

A justificativa para essa intervenção humana é sutil: a dignidade humana. É verdade que a velhice traz declínios que podem ser humilhantes: perda de memória, perda da razão, da mobilidade e da autonomia em geral. Essas provações são difíceis para o indivíduo e para aqueles que o cercam. Mas será que causam uma perda de dignidade?

Sim, se definirmos dignidade como felicidade terrena. Então, o sofrimento é uma falha pessoal a ser evitada. É também um fardo desnecessário para a sociedade. Compreendemos que, muito rapidamente, não se trata apenas de “ajudar a morrer” aqueles que estão no fim da vida, mas também aqueles que acreditam que suas vidas não valem a pena ser vividas. Passamos muito facilmente de uma noção objetiva para uma subjetiva. As pessoas solicitam a eutanásia porque são pobres, estão deprimidas ou simplesmente não alcançaram certos objetivos desejados em suas vidas. Como a noção de felicidade é subjetiva, até mesmo crianças podem recorrer a esse “serviço“. E, na maioria dos casos, as pessoas que desejam morrer são fisicamente e/ou mentalmente debilitadas. É fácil entender que elas não são capazes de tomar uma decisão tão grave. Não importa, a decisão será tomada no lugar delas. Qualquer pessoa cujos entes queridos acreditem que ela está sofrendo demais e que sua vida não vale mais a pena ser vivida será eliminada. Pessoas com deficiência física ou mental, doentes mentais, crianças, jovens ou idosos — em última análise, todos estão em risco. Um simples acidente pode nos lançar na categoria dos indesejáveis. Aborto e eutanásia convergem em uma cultura diabólica de morte, cujo objetivo é a destruição de indivíduos e sociedades. No Canadá, 5% das mortes são atribuídas à eutanásia. Na França, a lei sobre eutanásia está sendo estudada pelo Parlamento, enquanto o país registrou mais mortes do que nascimentos em 2025 — algo inédito desde a Segunda Guerra Mundial!

Não, as provações da natureza humana não diminuem a dignidade quando consideramos que a dignidade reside, acima de tudo, na santidade da alma. O Cristo agonizante não deveria ser eutanasiado! Através dos sofrimentos da Cruz, Ele nos salvou. Santa Teresa do Menino Jesus suportou terríveis sofrimentos de tuberculose por mais de um ano, doença que finalmente lhe tirou a vida em 30 de setembro de 1897, aos 24 anos. Ela não escondia a dor extrema que a afligia dia e noite. Às irmãs que velavam por ela junto ao leito, confidenciou: “É de enlouquecer“, “Estou sem pensar, sofro minuto a minuto“, “Nunca teria acreditado que fosse possível sofrer tanto! Nunca! Nunca!” ou ainda: “Ontem à noite, não aguentei mais; pedi à Virgem Santíssima que tomasse minha cabeça em suas mãos para que eu pudesse suportar“. A dor intensa não a afastou de Deus; pelo contrário, ela encontrou forças Nele para suportá-la e até agradeceu por ter fé: “Sim! Que graça ter fé! Se eu não tivesse tido fé durante minha última doença, teria tirado a minha própria vida sem hesitar um instante…”

O cristão sabe que o sofrimento é redentor. Para o pecador, é um tempo de conversão e reparação para evitar o inferno e abreviar o tempo no purgatório. Para a alma santa, é um tempo de maior união com o Redentor e de obter muitas graças para os outros, bem como maior glória no Céu.

Todos devemos respeitar esta fase da vida em que o corpo declina, mas a alma se eleva. O idoso é alguém que já foi, mas também alguém que será para sempre, em breve, ao entrar na eternidade.

A eutanásia é a negação do direito de ser feliz e útil aos enfermos. É a negação da vida espiritual. É a negação dos direitos de Deus. Cuidado para não desprezar o que Deus valoriza.

No nascimento do Menino Jesus, as figuras proeminentes de Israel (nobres, sacerdotes, ricos e sábios) não o reconheceram como Salvador. Os únicos a reconhecê-lo foram os pastores pobres e ignorantes e dois idosos: Simeão e Ana. Vidas longas e fiéis ensinam perseverança à geração mais jovem. Elas merecem respeito.

Que o Menino Jesus proteja os idosos e os enfermos.

Padre Jean-François Mouroux, Prior

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