COMEMORAÇÃO DA COROA DE ESPINHOS DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

coroa-de-espinhosEt milites plectentes coronam de spinis, imposuerunt capiti eius ― “E os soldados tecendo de espinhos uma coroa, lha puseram sobre a cabeça” (Io. 19, 2).

Sumário. Os bárbaros algozes, não contentes com a horrível carnificina feita em Jesus com a flagelação, Lhe põem por escárnio uma coroa de espinhos na cabeça e apertam-na de modo que os espinhos penetraram até ao cérebro. Eis como o Senhor quis reparar a maldição fulminada contra a terra, isto é, contra Adão, em conseqüência da qual a natureza humana não pode produzir senão abrolhos e espinhos de culpas! Eis como Jesus quis expiar os nossos maus pensamentos!

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Os bárbaros algozes ainda não contentes com a horrenda carnificina feita no corpo sacrossanto de Jesus Cristo com a flagelação, instigados pelos demônios e pelos judeus, querendo tratá-Lo de rei de comédia, Lhe põem aos ombros um farrapo de um vestido vermelho, à guisa de manto real; uma cana verde na mão à guisa de cetro, e na cabeça um feixe de espinhos entrelaçados em forma de coroa. E para que esta coroa não só Lhe servisse de ludibrio, mas também Lhe causasse grande dor, foi feita, na opinião comum dos escritores, em forma de capacete ou chapéu, de sorte que cobria toda a cabeça do Senhor, descia até sobre a testa.

Além disso, colhe-se do Evangelho de São Mateus, que os algozes com a mesma cana batiam nos espinhos compridos, a fim de entrarem mais dentro na cabeça. Com efeito, no dizer de São Pedro Damião, chegaram a penetrar até ao cérebro: spinae cerebrum perforantes. Se um só espinho encravado no pé de um leão o faz ressoar toda a floresta com seus dolorosos gemidos, imagina quão acerba deve ter sido a dor de Jesus Cristo que teve toda a sagrada cabeça perfurada, a parte mais sensível do corpo humano, ao qual se reúnem todos os nervos e sensações.

Tão atroz tormento não foi para Jesus de curta duração; bem ao contrário, foi o mais longo da sua Paixão, porquanto durou até à sua morte. Visto que os espinhos ficavam encravados na cabeça, todas as vezes que lhe tocavam na coroa ou na cabeça, sempre se lhe renovavam as dores. E o Cordeiro manso deixou-se atormentar à vontade dos algozes, sem proferir uma só palavra. ― Era tão grande a abundância de sangue que corria das feridas, que Lhe cobria o rosto, ensopava os cabelos e a barba, e Lhe enchia os olhos. São Boaventura chega a dizer que não era já o belo rosto de Senhor que se via, mas o rosto de um homem esfolado. Eis aí, exclama o Bem-aventurado Dionísio Cartusiano, como quis ser tratado o Filho de Deus, para obter para nós a coroa de glória no céu. Continuar lendo

PREPARAÇÃO PARA A ORAÇÃO MENTAL: MEDITAÇÃO 1 – DA IMPORTÂNCIA DA SALVAÇÃO

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Vamos conversar com Deus sobre o importantíssimo negocio da salvação das nossas almas; porem, para que os nossos infernais inimigos não nos embaracem, armemo-nos primeiro com o sinal da Cruz, dizendo com vivíssima fé: Pelo sinal da Santa Cruz, etc…

Feito o sinal da Cruz, digamos:

Espíritos tentadores e demônios malditos apartem-vos de mim e deste lugar para as profundezas do inferno, e não me estorveis nesta oração, dirigida para a honra e glória de Deus, e salvação da minha alma.

Façamos atos da presença de Deus.

Eu creio meu Deus e Senhor, firmemente, que vós estais aqui presente, dentro de mim, penetrando no meu interior, presenciando ainda os mais ocultos pensamentos do meu coração, sem que eu me possa esconder aos vossos puríssimos olhos; porém (prostrem-se) prostrado por terra com o corpo e com a alma, unido ao mesmo pó, me humilho na vossa divina presença desejo adorar-vos como adora a Maria Santíssima, os anjos e os santos do céu e os justos da terra: – Porem, ai de mim, oh meu Deus! Eu pequei, Senhor, perdoe-me, que eu proponho de me emendar e de não tornar mais a pecar. (levantem-se da prostração)

Ato de petição

Pai Eterno pelo sangue de Jesus Cristo e pelas dores de Maria Santíssima conceda-me as luzes, auxílio e graças para fazer bem e com fruto essa meditação. (Rezar um Pai Nosso e Uma Ave Maria)

Leiam-se agora os pontos da meditação, um de cada vez; e quando se encontrarem esses pontinhos (…) deve-se parar por algum tempo, a fim de se ponderar bem o sentido do que se tiver lido; e depois de cada ponto se ficará em silencio, meditando, pelo menos, dez minutos, de maneira que a meditação dos três pontos perfaça, pelo menos, meia hora; e ultimamente se darão graças ao Senhor. Continuar lendo

DA MALÍCIA DO PECADO MORTAL – PONTO II

Resultado de imagem para pecadorO pecador não só ofende a Deus, mas também o desonra (Rm 2,23). Com efeito, renunciando à graça divina por um miserável prazer, menospreza e rejeita a amizade de Deus. Se o homem perdesse esta soberana amizade para ganhar um reino ou ainda o mundo inteiro, não há dúvida que faria um mal imenso, pois a amizade de Deus vale mais que o mundo e que mil mundos. E por que será que se ofende a Deus? (Sl 10,13). Por um punhado de terra, por um ímpeto de ira, por um prazer brutal, por uma quimera, por um capricho (Ez 13,19). Quando o pecador começa a deliberar consigo mesmo se deve ou não dar consentimento ao pecado, toma, por assim dizer, em suas mãos, a balança e se põe a considerar o que pesa mais, se a graça de Deus ou a ira, a quimera, o prazer… E quando, por fim, dá o consentimento, declara que para ele vale mais aquela quimera ou aquele prazer que a amizade divina. Vede, pois, como Deus é menosprezado pelo pecador. Davi, ao considerar a grandeza e majestade de Deus, exclamava:

“Senhor, quem há que vos seja semelhante?” (Sl 34,10)

Mas Deus, ao contrário, vendo- se comparado pelos pecadores a uma satisfação vilíssima e posposto a ela, lhes diz:

“A quem me comparastes e igualastes”? (Is 40,25).

De modo que, exclama o Senhor: vale aquele prazer mais que minha graça? (Ecl 23,35). Não terias pecado, se soubesses que ao cometê-lo perderias uma das mãos, ou dez escudos, ou menos talvez. Assim, diz Salviano, só Deus parece tão vil a teus olhos que merece ser posposto a um ímpeto de cólera, a um gozo indigno.

Além disso, quando o pecador, para satisfazer qualquer paixão, ofende a Deus, converte em sua divindade essa paixão, porque nela põe o seu último fim. Assim diz São Jerônimo: Continuar lendo

VÍDEO – A IMAGEM PEREGRINA DE FÁTIMA ATRAVÉS DOS ESTADOS UNIDOS E DO CANADÁ

VÍDEO TRAÇA A JORNADA DA IMAGEM PEREGRINA DE FÁTIMA ATRAVÉS DOS ESTADOS UNIDOS E DO CANADÁ

Viajando por mais de 110 destinos durante uma viagem de dois anos e meio, esta imagem da Virgem Peregrina concluiu sua jornada em de 8 de dezembro de 2017.

SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Ela permanece de pé sobre as nuvens do céu. Suas mãos postas em oração. É Nossa Senhora. A Virgem, Mãe de Deus. Ela implora ao Seu Filho que poupe a humanidade. Ela implora à humanidade que ouça a Sua mensagem de conversão.

Era 1917. E ainda — com o passar do tempo, Sua mensagem de mais de 100 anos torna-se ainda mais relevante, mais urgente e mais significativa para os nossos tempos.

O Distrito dos Estados Unidos da Fraternidade São Pio X organizou uma devoção a Nossa Senhora de Fátima em homenagem ao centésimo aniversário de Suas aparições. Uma devoção que foi publicamente realizada por mais de dois anos e meio e construída ao redor de uma imagem especial de Nossa Senhora de Fátima, esculpida e pintada à mão de acordo com a visão descrita pela Irmã Lúcia em suas memórias.

Aimagem peregrina viajou por mais de 33 estados. Totalizando mais de 110 destinos. Milhares de fiéis católicos rezando em uníssono. Um só objetivo, um só desejo, uma só oração.

A missão

O objetivo deste projeto — espalhar a devoção ao Seu Imaculado Coração lembrando toda a importância de Sua mensagem e viver essa mensagem na prática para a conversão dos pecadores e a salvação das almas.

Escolas, capelas e casas religiosas da Fraternidade São Pio X se revezavam em acolher a imagem com o espírito e a generosidade que acolheriam a própria Nossa Senhora. Em preparação, cada comunidade recitou uma novena e as orações do anjo de Portugal. Após sua chegada, rezou-se um Rosário em comum, muitas vezes com o acréscimo de outras devoções, como a Missa e uma procissão pública. Finalizando tudo com uma consagração da comunidade e de cada membro ao Seu Imaculado Coração.

Milagres

Deus os realiza constantemente para nos mostrar que Ele está no comando e é nosso Deus —está no comando de todas as coisas. Há cem anos, Deus realizou um milagre. E aqui, em Fátima, o milagre do sol confirmaa mensagem — que o inferno existe e as almas vão para lá. Que a Rússia espalharia os seus erros, que haveria mesmo uma grande perda da fé na Igreja. E a devoção ao Imaculado Coração de Maria e ao Rosário são os melhores recursos que podemos ter.

Quão gratos devemos ser por Nossa Senhora nos ter deixado estar neste seu acampamento, aqui esta noite. Nós caminhamos esta noite, sabendo que, por fim, o Imaculado Coração de Maria triunfará. Sabemos que Deus glorificará Sua Mãe, e que Ele glorifica a Si mesmo através de Nossa Senhora. Hoje a noite invocamos a Mãe de Deus como a mais poderosa protetora da raça humana. A protetora mais poderosa de nossa nação, do nosso estado, dos nossos lares.

Rezamos nossos Rosários enquanto caminhamos também porque sabemos, conforme disse Irmã Lúcia: “Não há nenhum mal, pessoal, familiar ou social que não possa ser vencido pela recitação com Fédo Rosário”.

Não tememos os nossos tempos

Nós somos, de fato, testemunhas dos males dos nossos dias, mas não é esse o medo que deve estar em nosso coração, mas uma confiança absoluta no poder de Nossa Senhora, enquanto caminhamos juntos. Nossas velas cintilam como um sinal de Fé, fé em Deus, fé em nossa Mãe. “Os homens não devem ofender mais a Nosso Senhor”, disse Ela naquele dia de outubro, “pois Ele já está por demais ofendido”. Mãe de Deus, sabemos que o nosso Rosário,nesta noite, é agradável para vós. Que possamos realizar esta procissão com um grande espírito de fé e confiança em Nossa Senhora. Amém.

O centésimo aniversário de Fátima não é a conclusão da devoção ao Seu Coração Imaculado, mas, sim, uma renovação de novo vigor no Seu serviço. Embora suas aparições tenham ocorrido há mais de 100 anos, continuam trazendo esperança, luz e paz para todos os que se aproximam d’Ela e para todos os que vivem a Sua mensagem.

Que a nossa vida cotidiana seja unida a Ela, de maneira que, no final, possamos triunfar juntos ao Seu lado. Porque, como Ela prometeu, “por fim, meu Imaculado Coração triunfará”.

AMOR DE JESUS CRISTO EM DAR-SE A NÓS COMO ALIMENTO

eucaristia_12In funiculis Adam traham eas, in vinculis caritatis… et declinavi ad eum ut vescerentur ― “Eu as atrairei com as cordas com que se atraem os homens, com as prisões da caridade… inclinei-me para ele, para que comesse” (Os 11, 4).

Sumário. Quanto se julgaria distinguido o súdito a quem o príncipe mandasse algumas iguarias da sua mesa? Jesus Cristo, porém, na santa comunhão, nos dá para sustento, não só uma parte da sua mesa, mas o seu próprio corpo, a sua alma e a sua divindade. Será porventura uma pretensão exagerada da parte do Senhor, se, em compensação de tão grande dom, nos pede o nosso pobre coração todo inteiro? Todavia quantos cristãos não há que Lho recusam completamente ou Lho querem dar, mas dividido entre Ele e as criaturas?

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Jesus Cristo não satisfez o seu amor, sacrificando a sua vida por nós num oceano de ignomínias e dores, a fim de patentear o amor que nos tinha. Além disso, e para nos obrigar mais fortemente a amá-Lo, quis, na véspera da sua morte, deixar-se todo a nós como nosso alimento na santíssima Eucaristia. ― Deus é todo-poderoso, mas depois de dar-se a uma alma neste Sacramento de amor, não lhe pode dar mais. Diz o Concílio de Trento que Jesus, dando-se aos homens na santa comunhão, derramou (por assim dizer) neste único dom todas as riquezas de seu amor infinito:Divitias sui erga homines amoris velut effudit.

Como não se julgaria honrado, escreve São Francisco de Sales, o vassalo a quem o príncipe enviasse algumas iguarias da sua mesa! E que seria se lhe desse para sustento alguma coisa da sua própria substância? Jesus Cristo, porém, na santa comunhão, nos dá para sustento, não só uma parte de sua mesa, não só uma parte da sua carne sacrossanta, mas o seu corpo inteiro: Accipite et comedite: hoc est corpus meum (1) ― “Tomai e comei, isto é o meu corpo”. E com o corpo nos dá também a alma e a divindade. Numa palavra, diz São João Crisóstomo, Jesus Cristo dando-se a si próprio no Santíssimo Sacramento, dá tudo o que tem e não Lhe resta mais nada para dar: Totum tibi dedit, nihil sibi reliquit.

É pois com razão que este dom é chamado por Santo Tomás: sacramento e penhor de amor, e por São Bernardo: amor dos amores: amor amorum, porque Jesus Cristo reúne e completa neste sacramento todas as outras finezas do seu amor para conosco. Pelo mesmo motivo Santa Maria Madalena de Pazzi chamava o dia em que Jesus instituiu este sacramento, o dia do amor. Ó maravilha e prodígio do amor divino! Deus, o Senhor de todas as coisas, se faz todo nosso! Continuar lendo

IMMUTEMUR HABITU

Cantada na imposição das Cinzas..


“Immutemur habitu in cinere et cilicio; jejunemus, et ploremus ante Dominum; quia multum misericors est dimittere peccata nostra Deus noster.”

“Mudemos as  vestes e cubramo-nos de cinza e o cilício. Jejuemos e choremos diante do Senhor, porque o nosso Deus é misericordioso e perdoará os nossos pecados”

QUARTA FEIRA DE CINZAS: A LEMBRANÇA DA MORTE E O JEJUM QUARESMAL

Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar"Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris ― «Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar» (Gen 3, 19).

Sumário. Os insensatos que não crêem na vida futura, estimulam-se com o pensamento da morte a passarem bem a vida. De maneira bem diferente devemos nós proceder, os que sabemos pela fé que a alma sobrevive ao corpo. Nós, lembrando-nos de que em breve temos de morrer, devemos cuidar da nossa eternidade e por meio de oração e penitência aplacar a divina justiça. É com este intuito que a Igreja, depois de por as cinzas sobre a cabeça, nos ordena o jejum da Quaresma.

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Para compreendermos em toda a sua extensão o sentido destas palavras, imaginemos ver uma pessoa que acaba de exalar o último suspiro. Ó Deus, a cada um que vê esse corpo, inspira nojo e horror. Não passaram bem vinte e quatro horas depois que aquela pessoa morreu, e já o mau cheiro se faz sentir. É preciso abrir as janelas e queimar bastante incenso, afim de que o fedor não infeccione a casa toda. Os parentes com pressa mandam levar o defunto para fora da casa e entregar à terra.

Metido que foi o cadáver na sepultura, vai se tornando amarelo e depois preto. Em seguida, aparece em todos os membros uma lanugem branca e repelente, donde sai um pus infecto que corre pela terra e donde se gera uma multidão de vermes. Os ratos vêm também procurar o pasto nesse cadáver, roendo-o uns por fora, ao passo que outros entram na boca e nas entranhas. Despegam-se e caem as faces, os lábios, os cabelos; escarnam-se os braços e as pernas apodrecidas, e afinal os vermes, depois de consumidas todas as carnes, consomem-se a si próprios. E deste corpo só restará um esqueleto fétido, que com o tempo se divide, ficando reduzido a um punhado de pó.

Eis aí o que é o homem, considerado como criatura mortal. Eis aí o estado a que tu também, meu irmão, serás, talvez em breve, reduzido: um punhado de pó fedorento. Nada importa ser alguém moço o velho, são ou enfermo: a todos caberá a mesma sorte, o que a Igreja recorda pondo as cinzas bentas indistintamente sobre a cabeça de todos: Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris ― «Lembra-te, ó homem, que és pó e em pó te hás de tornar». Continuar lendo

INSTRUÇÃO SOBRE A QUARESMA

A Quaresma são os quarenta e seis dias, da Quarta Feira de Cinzas ao Domingo de Páscoa, em que jejuam os cristãos, exceto aos domingos.

Afirmam os santos padres (como se pode ver em Cornélio e Lapide, Bellarmino, etc.) que foi a Quaresma instituição dos apóstolos para honrarmos e imitarmos o jejum de Nosso Senhor Jesus Cristo, satisfazermos a Justiça Divina, e assim preparamos a digna celebração da Páscoa.

Nesse tempo sagrado, substituindo a Igreja o luto as profanas alegrias, bradando a Deus a implorar seu auxilio, a pedir-lhe a conversão dos pecadores, exorta-nos, e como que nos obriga, a entrarmos em contas conosco. Façamos-lhe a vontade, cumpramos com o preceito do jejum, e juntemos a essa penitencia exterior a do coração, sondando o abismo da nossa consciência, lavando os pecados nas lágrimas da compunção e no sangue de Cristo, frequentando mais os sacramentos, ouçamos a missa todas as vezes que pudermos, apliquemo-nos a lição espiritual, a oração, a consideração das verdades eternas, a pratica das boas obras, façamos esmolas mais generosas, sirvam as nossas privações para sustento do pobre. Desta sorte apagaremos, nestes dias da salvação, nossas culpas passadas, e fortalecemo-nos contra as tentações futuras.

 Foi religiosamente praticado esse jejum desde o tempo dos apóstolos. Que vergonha para nossa tibieza e covardia a piedade e rigor dos primeiros cristãos! Privavam-se, não só da carne, como de muitos outros alimentos; era depois das vésperas a única refeição do dia; comiam só para não morrer, sem tantas sensualidades. Só nos princípios do século XIII consentiu a Igreja que adiantassem ate ao meio dia refeição da tarde. Asseveram São Bernardo e Pedro Blezense (12º século) que bem como eles jejuavam os fieis ate a boca da noite.

Nunc usque ad Vésperam jejunábunt nobíscum páriter univérsi reges, et príncipes, cleros et pópulus, nóbiles et ignóbiles, simul in unum dives et pauper. (Serm. 3 in Quadrag.)

Em memória desta antiga disciplina rezam-se as Vésperas na Quaresma antes da comida, e desta indulgente antecipação da hora veio aconsoada, a qual não deve ser mais uma refeição completa.

Unamos cada dia nosso jejum ao de Cristo Nosso Senhor, em testemunho da nossa obediência a Igreja nossa Mãe, do nosso agradecimento por tantos benefícios, para expiação dos nossos pecados e dos de nossos irmãos, para alivio das almas do Purgatório, e para alcançar a graça de livrar-nos de tal pecado e praticar tal virtude.

Goffiné – Manual do Cristão

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DA MALÍCIA DO PECADO MORTAL – PONTO I

Resultado de imagem para pecado mortal igrejaFilios enutrivi et exaltavi; ipsi autem spreverunt me. – “Filhos criei e engrandeci-os; mas eles me desprezavam” (Is 1,2)

Que faz aquele que comete pecado mortal?… Injuria a Deus, desonra-O e, no que depende dele, cobre-o de amargura.

Primeiramente, o pecado mortal é uma ofensa grave que se faz a Deus. A malícia de uma ofensa, diz São Tomás, se mede pela pessoa que a recebe e pela pessoa que a comete. A ofensa feita a um simples particular é sem dúvida um mal; mas constitui delito maior se é feita a uma pessoa de alta dignidade, e muito mais grave quando visa o rei… E Quem é Deus? É o Rei dos reis (Ap 17,14). Deus é a Majestade infinita, perante quem todos os príncipes da terra e todos os santos e anjos do céu são menos que um grão de areia (Is 40,15). Diante da grandeza de Deus, todas as criaturas são como se não existissem (Is 40,17). Eis o que é Deus… E o homem, o que é?… Responde São Bernardo: saco de vermes, pasto de vermes, que cedo o hão de devorar. O homem é um miserável que nada pode, um cego que nada vê; pobre e nu, que nada possui (Ap 3,17). E este verme miserável se atreve a injuriar a Deus? exclama o mesmo São Bernardo. Com razão, pois, afirma o Doutor Angélico, que o pecado do homem contém uma malícia quase infinita.

Por isso, Santo Agostinho chama, absolutamente, o pecado mal infinito.

Daí se segue que todos os homens e todos os anjos não poderiam satisfazer por um só pecado, mesmo que se oferecessem à morte e ao aniquilamento. Deus castiga o pecado mortal com as penas terríveis do inferno; contudo, esse castigo é, segundo dizem todos os teólogos, citra condignum, isto é, menor que a pena com que tal pecado deveria ser castigado.

E, na verdade, que pena bastará para castigar como merece um verme que se rebela contra seu Senhor? Somente Deus é Senhor de tudo, porque é o Criador de todas as coisas (Et 13,9). Por isso, todas as criaturas lhe devem obediência. Continuar lendo

O PECADOR EXPULSA DEUS DO SEU CORAÇÃO

Resultado de imagem para pecado mortal venialQui dixerunt Deo: Recede a nobis, et scientiam viarum tuarum nolumus — “Disseram a Deus: Retira-te de nós, pois não queremos conhecer os teus caminhos” (Iob 21, 14).

Sumário. O pecador sabe que Deus não pode ficar com o pecado; vê que pecando obriga a Deus a afastar-se. Diz-Lhe portanto, não com palavras, mas de fato: Senhor, já não podeis ficar junto com o meu pecado e quereis partir, podeis ir-Vos embora. Expulsando assim Deus de sua alma, deixa entrar imediatamente o demônio, que dela toma posse. Que baixeza! Irmão meu, dize-me: praticaste tu também tão grande vilania para com Jesus Cristo?… Terás a triste coragem de a tornares a praticar no futuro?

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Deus vem a morar numa alma que o ama; é o que Jesus Cristo mesmo nos assegura dizendo: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará e viremos a ele e faremos nele morada:Ad eum veniemus, et mansionem apud eum faciemus” (1). Notemos as palavras:mansionem faciemus — “faremos morada“. Deus vem à alma a fim de nela permanecer sempre, de sorte que nunca a deixa, a não ser que a alma o faça sair, como diz o Concílio de Trento. — Mas, Senhor, Vós sabeis desde já que aquele ingrato Vos expulsará em qualquer momento: porque não partis agora? Quereis esperar que ele mesmo Vos expulse? Deixai-o e parti antes que ele Vos faça sofrer essa grande injúria. — Não, responde Deus, não quero retirar-me, enquanto ele mesmo não me repelir.

Assim, quando a alma consente no pecado, diz a Deus: Senhor, apartai-Vos de mim. Dixerunt Deo: recede a nobis (2). Não o diz vocalmente, mas de fato, como afirma São Gregório: Dicit: Recede, non verbis, sed moribus. — O pecador sabe antecipadamente que Deus não pode ficar com o pecado; vê que pecando obriga a Deus a afastar-se. É como se Lhe dissesse: Já que não podeis ficar junto com o meu pecado, já que quereis partir, podeis retirar-Vos. E expulsando Deus de sua alma, deixa entrar imediatamente o demônio, que dela toma posse. Pela mesma porta por onde sai Deus entra e vem estabelecer-se o seu inimigo: Et intrantes habitant ibi (3) — “Entrando habitam ali“.

Ao batizar-se uma criança, o padre ordena ao demônio: Sai desta alma, espírito imundo e sede o lugar ao Espírito Santo. Com efeito, aquela alma recebendo a graça converte-se em templo de Deus, como diz São Paulo (4). O contrário sucede inteiramente, quando o homem consente no pecado; então diz a Deus que reside em sua alma: Sai de mim, ó Senhor, e cede o lugar ao demônio. É disto exatamente que o Senhor se queixou a Santa Brígida, dizendo que é tratado pelos pecadores como um rei expulso de seu trono, no qual vai ser substituído por um salteador. Continuar lendo

“SE VOCÊ QUER AJUDAR A RESTAURAR A IGREJA, É PRECISO COMEÇAR COM O SACERDÓCIO”

news-header-imageFonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Trecho da entrevista concedida por Dom Bernard Fellay à MaikeHickson (MH) de OnePeterFive, sobre o centenário de Fátima e a crise da Igreja. Nota: as perguntas foram enviadas ao Bispo Fellay em finais de 2017, mas em razão de vários contratempos a entrevista foi concluída somente no presente mês.

MH: Cada vez mais muitos observadores parecem ver paralelos entre os princípios em que a Fraternidade São Pio X (FSSPX) baseou sua própria resistência contra certas novidades anteriormente vindas de Roma, e entre os princípios agora aplicados por aqueles críticos do documento exortatório do Papa Francisco, Amoris Laetitia. O próprio Professor Seifert repetidamente fez referência explícita em analogia ao seu próprio caso. O senhor poderia nos explicar esses princípios fundamentais na medida em que os vê em alguma correspondência mútua e reforçada?

Temos almas para salvar. A Igreja não é nova. Se seguimos o que a Igreja sempre fez, e o que os santos sempre fizeram, temos a certeza de estar no caminho seguro para o Céu. Em todos os tempos, a Igreja considerou perigosas as novidades e o fruto do orgulho. Podemos, hoje, dizer que há uma doença de novidade e mudança. Mas Deus não muda. A fé não muda. Os mandamentos não mudam. Seja fiel ao que a Igreja sempre ensinou em seus catecismos e você terá a certeza de estar no lado certo dessa luta por Deus e Sua glória.

MH: A FSPX desde cedo se opôs a certos aspectos do ecumenismo e da liberdade religiosa. Como o senhor relataria essa resistência anterior ao debate atual sobre a indissolubilidade do matrimônio à luz do fato de que essas outras religiões muitas vezes não acreditam neste dogma?

Uma vez que muitas religiões rejeitam a indissolubilidade do casamento, podemos pensar que as medidas tomadas por Roma se inspirariam no ecumenismo, mas não tenho certeza de que exista necessariamente uma ligação. Penso que o problema é uma relativização geral da verdade e, consequentemente, uma aplicação frouxa da lei e compreensão dos mandamentos de Deus. Ou, seguindo os princípios do personalismo, tal insistência na pessoa humana, no sentido de que a ordem de Deus não está em primeiro lugar. (Em outras palavras, o homem se torna Deus.) Você encontra isso no nível da religião e mesmo da legislação hoje. João Paulo II descreveu isso como antropocentrismo. Agora vemos isso aplicado ao matrimônio. Todos querem uma vida fácil… Continuar lendo

DA CONFIANÇA EM JESUS CRISTO

CONFNolite itaque amittere confidentiam vestram, quae magnam habet remunerationem ― “Não queirais perder a vossa confiança, que tem grande remuneração” (Hebr. 10, 35)

Sumário. A misericórdia de Deus é como que uma fonte inexaurível, donde tirará mais graças quem trouxer um vaso mais amplo de confiança. Se, pois, quisermos enriquecer espiritualmente, confiemos muito nos méritos de Jesus Cristo e na intercessão de Maria. Avivemos freqüentemente esta nossa confiança, lembrando-nos de que Deus é bom e nos quer ajudar; que é poderoso e nos pode ajudar; que é fiel e prometeu ajudar-nos. Não busquemos, porém, uma confiança sensível, que redunda nos sentidos; basta que tenhamos a vontade de confiar.

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É nimiamente grande a misericórdia de Jesus Cristo para conosco; mas para nosso maior bem, Ele quer que obtenhamos a misericórdia por uma viva confiança baseada em seus merecimentos e em suas promessas. Por isso São Paulo nos exorta a que guardemos a confiança, dizendo que ela nos alcança de Deus uma grande recompensa:magnam habet remunerationem.― Revelou o Senhor a Santa Gertrudes que a nossa confiança Lhe faz uma violência tão grande, que não pode deixar de atender-nos em tudo  que Lhe pedirmos. No mesmo sentido escreve São Bernardo, que a divina misericórdia é como que uma fonte inexaurível, da qual tirará maior abundância de graças quem trouxer um vaso mais amplo de confiança, segundo o que disse o Salmista:Fiat misericordia tua, Domine, super nos, quemadmodum speravimos in te (1) ― “Venha, Senhor, sobre nós a vossa misericórdia, à proporção que em Vós temos esperado“.

Deus mesmo declarou que protege e salva todos os que nele confiam (2). Alegremo-nos, pois, dizia Davi, todos aqueles que esperam em Vós, meu Deus, porque serão eternamente bem-aventurados e Vós habitareis neles (3). E em outro lugar acrescenta que a misericórdia cerca e guarda àquele que confia no Senhor, e que estará ao abrigo dos perigos de perder-se (4).

Oh! quão grandes são as promessas que nas Sagradas Escrituras são feitas aos que esperam em Deus! Vemo-nos porventura perdidos por causa dos pecados cometidos? Eis que temos o remédio à mão: Vamos com confiança aos pés de Jesus, diz o Apóstolo, e ali acharemos o perdão: Adeamus cum fiducia ad thronum gratiae ― “Vamos com confiança ao trono da graça” (5). Não demoremos em nos aproximarmos de Jesus Cristo, até que esteja assentado como Juiz num trono de justiça; vamos agora, visto estar ainda num trono de graça e lembremo-nos sempre do que diz São João Crisóstomo: “O nosso Salvador tem mais desejo de nos perdoar do que nós desejamos ser perdoados”. Continuar lendo

DEUS ME CHAMA

Resultado de imagem para leito de morteUm missionário Lazarista, falecido na Itália em fins do século passado, pregava retiro a umas jovens de Constantinopla precisamente nos dias em que a cólera invadia a infeliz cidade.

Na manhã do terceiro dia, bem cedo, viu o missionário chegar uma das jovens retirantes, que lhe disse:

– Padre, desejo confessar-me e fazer uma boa comunhão esta manhã. Depois da missa lhe direi o motivo.

Comungou com singulares mostras de fervor. Depois da ação de graças veio dizer-me:

– Padre, esta noite, passei-a acordada e tive a sensação de que chegara para mim o momento da morte e minha alma, separada do corpo, era levada por meu anjo da guarda ao tribunal do soberano Juiz.

Já não era o Salvador tão bom e misericordioso, de que tantas vezes nos falam os padres, mas um juiz inexorável. Iam chegando todas as partes do mundo inúmeras almas; muitas iam para o inferno, bastantes para o purgatório, muitas poucas diretas para o céu.

Perturbada e atemorizada, levantei os olhos e – ó felicidade! – minha boa Mãe, a Imaculada, ali estava a olhar para mim com uma doçura infinita. Animada com esta vista, do fundo do meu coração saiu o grito que repetia muitas vezes na terra: ” Boa Mãe, Mãe do Perpétuo Socorro, socorrei-me, salvai-me!”

Estava eu aos pés do tribunal de Deus e a minha sorte eterna ia decidir-se num instante.
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DOMINGO DA QUINQUAGÉSIMA: A PAIXÃO DE JESUS CRISTO E OS DIVERTIMENTOS DO CARNAVAL

paixaoConsummabuntur omnia, quae scripta sunt per prophetas de filio hominis — “Será cumprido tudo o que está escrito pelos profetas, tocante ao Filho do homem” (Luc. 18, 31).

Sumário. Não é sem uma razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. A nossa boa Mãe deseja que nós, seus filhos, nos unamos a ela, para compadecermos do seu divino Esposo, e o consolarmos com os nossos obséquios, ao passo que os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam todos os ultrajes descritos no Evangelho. Quer ela também que roguemos pela conversão de tantos infelizes, nossos irmãos. Não temos por ventura bastantes motivos para isso?

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I. Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho.

Tradetur gentibus — “Ele vai ser entregue aos gentios”. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer, por um divertimento momentâneo!

Illudetur, flagellabitur et conspuetur — “Ele será mortejado, flagelado e coberto de escarros”. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm pejo de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra Santo Nome de Deus! — Et postquam flagellaverint, occident eum — “Depois de o terem açoitado, o farão morrer”. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus, ah! Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes. Continuar lendo

AINDA EXISTE, NA ALMA CATÓLICA, VERDADEIRA ORAÇÃO?

Resultado de imagem para rezando véu igrejaO que vem a ser Rezar ?

Mas se é para medir e regular nossa oração, caberia a cada um de nós perguntarmos: e eu rezo? O tempo da Quaresma serviu para melhorar minha oração?

Para responder a esta pergunta é necessário saber o que seja rezar. Ora, tanto o Catecismo como os santos doutores nos falam sobre a boa oração. Diz lá, então, a doutrina perene:

– Rezar é elevar a alma a Deus.

Santo Agostinho nos dará uma compreensão melhor ao afirmar:

– Rezar é ter uma intenção afetiva do espírito para Deus.

Outros santos dirão:

– Rezar é ter uma conversa íntima com Deus.

Ora, estas definições ou explicações se completam maravilhosamente e nos ajudarão a medir o nosso grau de oração, a sabermos se, de fato, rezamos de verdade ou não.

Ainda se encontra quem reze?

Mas a experiência de qualquer sacerdote, nos dias de hoje, deixa-nos assustados, a ponto de podermos interrogar: – O que está acontecendo conosco? Onde estão as almas que rezam de verdade? E se muitos adultos ainda guardam o costume salutar de recolher-se, todos os dias, diante de Deus, já os adolescentes, os jovens, deixando a idade da infância, porque abandonam tão facilmente a prática da oração que nos dá o céu? Onde encontraremos oração que seja elevação da alma, intenção afetiva, ou conversa íntima com Deus?

Não! Não! O que vemos hoje nestas almas é uma oração pesada, um coração irritado, uma oração rápida e mecânica.

Mas se é pesada por causa da contrariedade que se sente em rezar, então não se eleva.

Se vem carregada com irritação, nunca será uma intenção afetiva. Se é mecânica, não se pode pensar em conversa íntima com Deus. Continuar lendo

FRUTOS DA MEDITAÇÃO DAS DORES DE MARIA SANTÍSSIMA

doresSicut qui thesaurizat, ita et qui honorat matrem suam ― “Como quem ajunta um tesouro, assim se porta o que honra sua mãe” (Eclo 3, 5).

Sumário. Por causa do imenso amor com que Jesus Cristo ama sua querida Mãe, são-Lhe muito agradáveis os que com devoção meditam nas dores de Maria Santíssima e inúmeras são as graças que lhes comunica. Mas infelizmente, quão poucos são os que praticam tão bela devoção! Muitos cristãos, em vez de se compadecerem das dores de Maria, lh’as renovam com seus pecados ou sua tibieza. Irmão meu, serás tu também um destes ingratos?

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Para compreender quanto agrada à Bem-Aventurada Virgem que nos lembremos de suas dores, bastaria somente saber que ela, no ano de 1239, apareceu a sete devotos seus (que depois foram os fundadores da Ordem dos Servos de Maria), com um hábito negro na mão e ordenou-lhes que, desejando fazer-lhe causa agradável, meditassem com freqüência em suas dores. Por isso queria que em memória delas trouxessem daí em diante aquele hábito lúgubre. Jesus Cristo mesmo revelou à Bem-aventurada Verônica de Binasco, que quase Lhe agrada mais ver compadecida sua Mãe que Ele mesmo, pois que lhe disse assim: Filha, são-me caras as lágrimas derramadas pela minha Paixão; mas como eu amo com amor imenso a minha Mãe, me é mais cara a meditação das dores que ela padeceu na minha morte.

Por isso são muito grandes as graças que Jesus prometeu aos devotos das dores de Maria. Refere o Padre Pelbarto ter sido revelado a Santa Isabel, que São João Evangelista, depois que a Santíssima Virgem foi assunta ao céu, desejava vê-la mais uma vez. Foi-lhe concedida a graça e apareceu-lhe sua cara Mãe e juntamente com ela também Jesus Cristo. Ouviu depois, que Maria pediu ao Filho alguma graça especial para os devotos das suas dores e que Jesus lhe prometeu para eles quatro graças especiais: 1º. Que o que invocar a divina Mãe pelos merecimentos de suas dores merecerá fazer, antes da morte, verdadeira penitência de todos os seus pecados. 2º. Que ele defenderá aqueles devotos nas tribulações em que se acharem, especialmente na hora da morte, 3º. Que imprimirá neles a memória de sua Paixão e que no céu lhes dará depois o competente prêmio. 4º. Que entregará os tais devotos nas mãos de Maria, afim de que deles disponha à sua vontade e lhes obtenha todas as graças que quiser. Em comprovação de tudo isto encontram-se nos livros inúmeros exemplos. Continuar lendo

DA COMUNICAÇÃO ÍNTIMA DE CRISTO COM A ALMA FIEL

Imagem relacionadaOuvirei o que em mim disser o Senhor meu Deus (Sl 84,9). Bem-aventurada a alma que ouve em si a voz do Senhor e recebe de seus lábios palavras de consolação! Benditos os ouvidos que percebem o sopro do divino sussurro e nenhuma atenção prestam às sugestões do mundo! Bem-aventurados, sim, os ouvidos que não atendem às vozes que atroam lá fora, mas à Verdade que os ensina lá dentro! Bem-aventurados os olhos que estão fechados para as coisas exteriores e abertos para as interiores! Bem-aventurados aqueles que penetram as coisas interiores e se empenham, com exercícios contínuos de piedade, em compreender, cada vez melhor, os celestes arcanos. Bem aventurados os que com gosto se entregam a Deus e se desembaraçam de todos os empenhos do mundo. Considera bem isso, ó minha alma, e fecha as portas dos sentidos, para que possas ouvir o que em ti falar o Senhor teu Deus. Eis o que te diz o teu Amado:

Eu sou tua salvação, tua paz e tua vida. Fica comigo e acharás paz. Deixa todas as coisas transitórias e busca as eternas. Que é todo o temporal, senão engano sedutor? E de que te servem todas as criaturas, se o Criador te abandonar? Renuncia, pois, a tudo, entrega-te dócil e fiel a teu Criador, para que possas alcançar a verdadeira felicidade.

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

O GOOGLE HOME É ATEU?

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Enquanto as tecnologias avançadas dão a impressão de tudo saberem sobre quase tudo, uma experiência acaba de mostrar que um dos mais bem-sucedidos “assistentes pessoais inteligentes” do mercado não consegue responder a pergunta: “quem é Jesus Cristo? “

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

O experimento foi conduzido ao vivo pelo produtor de televisão David Sams. Para a pergunta “quem é Jesus Cristo?” o Google Home – um dispositivo conectado por comando vocal – responde: “Não tenho certeza se posso ajudá-lo“. (veja aqui e aqui)

Quando a questão é sobre “Jesus Cristo” ou simplesmente “Jesus“, a “inteligência artificial” responde: “Me desculpe, eu não entendo“.

Por outro lado, quando o assistente digital é questionado para saber quem é Maomé, Allá ou Buda, até mesmo Satanás, as respostas são automáticas e precisas.

O vídeo de David Sams, transmitido pela Fox News, foi amplamente divulgado. A empresa Google emitiu um comunicado em 26 de janeiro de 2018 onde explica que se trata de um mau funcionamento relacionado ao conteúdo da questão que seria muito vulnerável ao vandalismo e ao “spam” (e-mail indesejado). Entendam como quiser. Como resultado, e temporariamente, o dispositivo não responderá mais nenhuma dúvida sobre personalidades religiosas.

Se a França inventou a separação da Igreja e do Estado, o Google parece ter inventado o da Igreja e da tecnologia.

AMOR DE JESUS EM QUERER SATISFAZER POR NÓS

satisfDilexit nos, et tradidit semet ipsum pro nobis oblationem et hostiam Deo ― “(Jesus) amou-nos e se entregou a si mesmo por nós em oblação e como hóstia para Deus” (Eph. 5, 2).

Sumário. Nunca se deu, nem se dará jamais, no mundo outro fato semelhante ao que está consignado nos Evangelhos. Estando o homem por sua própria culpa condenado à morte eterna, o Filho de Deus pediu e obteve de seu divino Pai, que o deixasse tomar a natureza humana e pagar com a própria morte as penas devidas ao homem. Que te parece, irmão meu, este amor do Filho e do Pai? Todavia, a maior parte dos homens, talvez tu também, não responderam a tamanho amor senão com ingratidão.

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A história refere um fato de um amor tão prodigioso que será a admiração de todos os séculos. Um rei, senhor de muitos reinos, tinha um filho único, tão belo, tão santo, tão amável que era as delícias do pai, que o amava tanto como a si mesmo. Ora, este jovem príncipe tinha tão grande afeição a um de seus escravos, que tendo aquele escravo cometido um crime, pelo qual foi condenado à morte, o príncipe se ofereceu a morrer em seu lugar. E o pai, zeloso dos direitos da justiça, consentiu em condenar à morte seu filho bem-amado, afim de que o escravo escapasse do suplício que havia merecido. A sentença foi executada: o filho morreu no patíbulo, e o escravo ficou salvo.

Este fato, que não teve e nunca terá outro semelhante no mundo, está consignado nos Evangelhos. Ali se lê que o Filho de Deus, o Senhor do universo, vendo o homem condenado, pelo seu pecado, à morte eterna, quis tomar a natureza humana, e pagar com a sua morte os castigos devidos ao homem: Oblatus est, quia ipse voluit (1) ― “Ele foi oferecido, porque o quis“. E o Pai Eterno deixou-o morrer sobre a cruz para nos salvar a nós, miseráveis pecadores: Proprio Filio non pepercit, sed pro nobis omnibus tradidit illum (2) ― “Não perdoou a seu próprio Filho, mas entregou-o por nós todos“. Que te parece, alma devota, este amor do Filho e do Pai?

Desta sorte, meu amável Redentor, morrendo quisestes sacrificar-Vos para me alcançar o perdão! E que Vos darei eu em reconhecimento? Vós me haveis obrigado demais a amar-Vos, e eu seria demais ingrato, se Vos não amasse de todo o meu coração. Vós me haveis dado a vossa vida divina, e eu, miserável pecador como sou, Vos dou a minha. Sim, ao menos tudo o que me resta de vida, quero empregá-lo unicamente em amar-Vos, obedecer-Vos e agradar-Vos. Continuar lendo

SIM, VOCÊ PODE NOS AJUDAR!

CAPELAPrezados amigos, prezados leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vocês que acessam e gostam de nosso blogvocês que acompanham as ações da FSSPX pelo mundovocês que lutam pelo Reinado Social de Nosso Senhor, vocês que sabem que a Tradição é a única solução para a restauração a Igreja… AJUDE-NOS! 

Estamos, mais uma vez, pedindo vossa ajuda nessa campanha em prol da compra de um terreno e futura construção de mais uma Capela para a Tradição e para a Santa Igreja. Sabemos que o caminho é longo e árduo, por isso, toda ajuda é importante.

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Ad Majorem Dei Gloriam

Aproveitamos para agradecer a todos que nos ajudam ou ajudaram em algum momento nessa campanha, mesmo de forma anônima. Contem com nossas orações.

Que Nossa Senhora os conduza ao caminho da santidade.

ORDENS MENORES E TOMADAS DE BATINA NO SEMINÁRIO DE ZAITZKOFEN (ALEMANHA) – 2018

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Mons. Bernard Tissier de Mallerais, Bispo Auxiliar da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X , entregou a batina a sete seminaristas do primeiro ano: 1 alemão, 1 suíço, 1 austríaco, 1 tcheco, 1 russo e 2 poloneses, procedeu com a tonsura e conferiu as primeiras Ordens Menores a  outros onze: 2 tchecos, 4 alemães, 2 austríacos, 1 francês, 1 lituano e 1 suíço,  nos dias 2 e 3 de fevereiro de 2018 no Seminário do Sagrado Coração de Jesus, em Zaitzkofen, na Alemanha.

As quatro ordens menores (Hostiário, Leitor, Exorcista e Acólito) são graus do sacerdócio (leia aqui a respeito) e não são mais conferidos nos seminários conciliares.

Nas ordens antigas, a tonsura é mais visível, como ainda é usado, por exemplo, nos capuchinhos e nos beneditinos que, após a cerimônia de tonsura, não levam mais que uma coroa de cabelo.

Os seminaristas se ajoelham diante do Bispo que, em um gesto simbólico, corta quatro mechas de cabelo em forma de uma cruz. “O Senhor é parte da minha herança” (4), então diz o novo levita.

Esta é uma alusão à tribo de Levi no Antigo Testamento cujos membros, por suas funções ao serviço do Templo não possuíam territórios na Terra Prometida, o próprio Senhor se declarou sendo sua herança.

Depois de dar a tonsura, o Bispo conferiu as ordens menores:

– O Porteiro tem a tarefa de abrir e fechar as portas da igreja e garantir a santidade do local de culto. Ele também é responsável pela convocação dos fiéis, tocando o sino, às funções divinas:

 “O porteiro deve guardar a igreja dia e noite, cuidar para que nada se perca; abrir e fechar a igreja e a sacristia; cuidar da limpeza e da decoração da igreja; tocar os sinos para indicar as horas das diferentes orações; manter a ordem do lugar e observar o silêncio e a modéstia; evitar que os infiéis entrem na igreja, perturbando os serviços, profanando os mistérios; abrir o livro ao pregador. ”

Ao tocarem as chaves da igreja, o bispo também lembra as contas que terão que prestar a Deus por esse serviço. No fundo da igreja, um a um, eles abrem a porta e tocam o sino.

De volta à frente do altar, eles são ordenados Leitores para a edificação dos fiéis. O Leitor faz as leituras do Antigo Testamento em público: dessa forma ele começa a exercer o papel sacerdotal de ensino.

O que vossos lábios lerão, creiam-no de todo o coração e mais ainda, pratiquem-no por vossas obras … Como se mantendes de pé para ler, devereis também dar o exemplo e praticar uma virtude mais elevada que aqueles que vos ouvem.

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As ordenações menores em 2018 nos EUA e na França podem ser vistas aqui.

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“Senhor, dai-nos sacerdotes,

Senhor, dai-nos santos sacerdotes,

Senhor, dai-nos muitos santos sacerdotes,

Senhor, dai-nos muitas santas vocações religiosas,

Senhor, dai-nos famílias católicas, 

São Pio X, rogai por nós”

O CARNAVAL SANTIFICADO E AS DIVINAS BENEFICÊNCIAS

rezando-iiFidem posside cum amico in paupertate illius, ut et in bonis illius laeteris ― “Guarda fé ao teu amigo na sua pobreza, para que também te alegres com ele nas suas riquezas” (Ecclus. 22, 28).

Sumário. Para desagravar o Senhor ao menos um pouco dos ultrajes que lhe são feitos, os Santos aplicavam-se nestes dias do carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à oração, à penitência, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com seu Bem-Amado. Procuremos imitar estes exemplos, e se mais não pudermos fazer, visitemos muitas vezes o Santíssimo Sacramento e fiquemos certos de que Jesus Cristo no-lo remunerará com as graças mais assinaladas.

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Por este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender Jesus Cristo, que especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que Lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas.

É por isso que os santos, afim de desagravarem o Senhor um pouco de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado. No tempo de carnaval Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso afim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão freqüente. Continuar lendo

DO NÚMERO DOS PECADOS

Não se perdoa a todos igual número de pecados - Rumo à SantidadeOmnia in mensura et numero et pondere disposuisti― “Dispuseste tudo com medida e conta e peso” (Sap 11, 21).

Sumário. É sentimento de muitos Santos Padres, que Deus, assim como determinou para cada homem o número dos dias de vida que lhe quer dar, do mesmo modo fixou para cada um deles o número dos pecados que lhe quer perdoar e completado esse número não perdoa mais. Quem sabe, meu irmão, se depois dessa primeira satisfação indigna, depois do primeiro pensamento consentido, depois do primeiro pecado cometido, não quererá o Senhor castigar-te com uma morte repentina? O que então seria de ti por toda a eternidade?

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Se Deus castigasse desde logo a quem O ofende, de certo não se veria injuriado como o é atualmente; mas por isso mesmo que o Senhor não castiga logo e espera, os pecadores animam-se a ofenderem-No mais. É porém preciso atender bem, que se Deus espera e suporta, todavia não espera e suporta sempre.

É sentimento de muitos Santos Padres, de São Basílio, São Jerônimo, Santo Ambrósio, São Cirilo de Alexandria, São João Crisóstomo, Santo Agostinho e outros, que Deus, assim como determinou o número dos dias de vida, os grãos de saúde e de talento que quer dar a cada homem, assim fixou para cada qual o número dos pecados que lhe quer perdoar; cheio o qual, não perdoa mais: “Devemos ter por certo”, diz Santo Agostinho, “que Deus suporta o homem até certo ponto, depois do qual não há mais perdão para ele: Nullam illi veniam reservavi“.

E não foi ao acaso que estes Santos Padres assim falaram, senão baseados nas divinas Escrituras, que em vários lugares dizem claramente que, embora os pecadores não contem os pecados, Deus os enumera, para castigá-los, quando o número estiver completo: ut in plenitudine peccatorum puniat (1). De sorte que Deus espera até ao dia em que se complete a conta dos pecados, e então é que pune. Continuar lendo

BOM USO DA LÍNGUA

Resultado de imagem para donzela catolicaParece ter querido o Criador proteger a língua de modo especial. Com efeito, está melhor defendida que qualquer outro membro, por exemplo, os olhos e os ouvidos. Resguardam-na os lábios e os dentes, que, à guisa de muralhas a circundam e conservam. Não parece isto advertir-nos, que também, nós devemos dar atenção e vigilância toda especial a nossa língua? Sim, jovem cristã, é de grande importância, que te acostumes desde a tua mocidade ao domínio da língua.

1º- A língua não dominada facilmente causa grande mal.

O bom uso da língua pode transformá-la em instrumento de graças. No ano de 1263 retirou-se o corpo de Santo Antônio de Pádua do sepulcro, a fim de o transportar para a nova igreja, edificada em sua honra. Ao se abrir o sarcófago, os membros caíram aos pedaços, a carne já se havia transformado em pó e cinza. Mas, o queixo, os cabelos e os dentes estavam ainda conservados, e sobretudo a língua de todo incorrupta e com a sua cor natural. O Santo Cardeal Boaventura, que de Roma fora a Pádua por ocasião dessa festividade, tomou em suas mãos com grande respeito esse língua, beijou-a e disse entusiasmado: “Ó língua, que em todo o tempo louvaste ao Senhor e ensinaste os demais a louvá-Lo, agora se torna a todos manifesto, quanto és apreciada de Deus”.

Tinha razão São Boaventura de exaltar a língua de Santo Antônio, pois ela havia sido um excelente instrumento da graça, por meio da qual inúmeras almas foram conquistadas para o céu.

– Sim, a língua pode fazer muito bem. Aqui dirige a um pobre desconfortado algumas palavras de estímulo, e um suave conforto desce ao coração do mísero e o leva a suportar o peso da vida com ânimo forte. Aí, a língua de um orador fala a milhares de ouvintes e os arrebata. Suas palavras são como centelhas que incendeia os corações. Fala, e eles choram; fala e os revoluciona internamente; fala, e eles se enchem de esperança e júbilo. Por meio da palavra, eles os mantêm inteiramente em seu poder. A língua de um pregador virtuoso, como a de um Bertoldo de Regensburgo, conseguiu por vezes infundir um espírito novo numa povoação inteira.

Mas, a língua que tanto bem pode fazer, acha-se também em condições de causar grande mal. O apóstolo São Tiago escreve: “A língua é realmente um pequeno órgão, mas gloria-se de grandes coisas. Vede como um pouco de fogo devasta uma grande floresta! Também a língua é um fogo, um mundo de iniqüidade”. (Tg 3,5-6). E como são graves as palavras que se lêem no livro do Eclesiástico (cap. 28): “As chicotadas produzem vergões, mas os golpes da língua quebram os ossos… Faze uma porta e fechadura diante da tua boca: Funde o teu ouro e a tua prata e faze com isso uma balança para pesares as tuas palavras e um freio bem ajustado para a tua boca”. Continuar lendo

O PECADO RENOVA A PAIXÃO DE JESUS CRISTO

renovaRursum crucifigentes sibimet ipsis Filium Dei, et ostentui habentes ― “Eles outra vez crucificam o Filho de Deus para si próprios e o expõem à ignomínia” (Heb 6, 6)

Sumário. Quem comete o pecado, contraria todos os desígnios amorosos de Jesus Cristo, inutiliza para si os frutos da Redenção, e, como diz São Paulo, pisa o Filho de Deus aos pés, despreza e profana seu sangue e renova a sua paixão e morte. Portanto, especialmente neste tempo de carnaval o Senhor é cada dia crucificado milhares de vezes. Imagina que são tantos os Calvários quantos são os antros do pecado. Ai, meu pobre Senhor!

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Considera a grandíssima injúria que o pecado mortal faz à Paixão de Jesus Cristo. O intuito do Filho de Deus, em fazer-se homem, foi tirar o pecado do mundo; a este fim, como diz Isaías, colimavam todos os seus pensamentos, palavras, obras e sofrimentos:Et iste omnis fructus, ut auferatur peccatum(1) ― “Este é todo o seu fructo, que seja tirado o pecado“. Pois bem, quem peca, inutiliza para si este grande fruto da Redenção e contraria assim todos os desígnios e intentos amorosos do Redentor. ― Se o pecado é acompanhado de escândalo, contraria-os também para os outros, fechando, por assim dizer, em despeito de Cristo, para si e para o próximo, as portas do céu e abrindo as do inferno.

Mais, o pecador, como diz São Paulo, pisa aos pés o Filho de Deus, despreza e profana o seu preciosíssimo Sangue, chega até ao excesso de renovar a sua crucifixão e morte: Rursum crucifigentes sibimet ipsis Filium Dei ― “Crucificando outra vez o Filho de Deus para si próprios“. Isto, na interpretação de Santo Tomás, se verifica de duas maneiras. Primeiro, pecando se faz aquilo pelo que Jesus Cristo foi crucificado, a saber, o pecado. Portanto, se a morte do senhor não houvera sido suficiente para expiar os pecados todos, fora conveniente, pelo encargo de Redentor, que tomou sobre si, que se deixasse crucificar tantas vezes quantos são os pecados cometidos. Em segundo lugar, pelo pecado comete-se uma ação mais abominável aos olhos de Jesus e mais dolorosa para seu Coração do que todos os opróbrios e penas padecidas na sua Paixão e por isso de boa vontade quisera tornar a sofrê-las afim de impedir um só pecado mortal.

É assim que, especialmente neste tempo de carnaval, o Senhor é crucificado pelos pecadores milhares de vezes cada dia. Imagina, pois, que são tantos os Calvários, quantos são os antros do pecado, ou melhor, quantas são as almas pecadoras.  Ah, meu pobre Redentor! Continuar lendo

FOI ELA

Imagem relacionadaDeu-se isso na França. Uma boa mãe tinha um filho delicado e inteligente. Tirava sempre o primeiro lugar na aula. Com 16 anos dirigiu-se para Marselha, 24 horas de trem de casa. Antes de partir teve de prometer à mãe que nunca abandonaria Nossa Senhora e que diariamente rezaria a Ela. Foi o que logo fez, e partiu.

No primeiro tempo escrevia mensalmente, dando boas noticias. De repente, já não vinham cartas.

A boa mãe ficou desconfiada, e com razão. Se não fosse tão longe, iria lá ver o que sucedera. Estava mesmo disposta a visitá-lo, quando recebe um telegrama nestes termos:

– Venha depressa, é o filho que chama.

Vinte e quatro horas após, lá estava ela na casa com seu Carlos. Quis entrar no quarto, porém duas sentinelas lho queriam impedir.

– Sou a mãe, quero ver o filho – exclamou ela empurrando-os para o lado, e meteu-se aposento adentro.

– Um Padre, um Padre! Foram as primeiras palavras.

A mãe, após abraçá-lo procurou acalmá-lo. Ele, então, contou-lhe a triste vida. Freqüentara más companhias… e até se fizera maçom, jurando morrer sem Deus.

– Mas vendo-me tão mal, pensei em Nossa Senhora e pedi-lhe socorro. Não quero morrer assim. Embora eu pedisse um Padre, os maçons não me atenderam, até colocaram sentinelas à porta para não deixarem entrar sacerdote algum. Por intermédio de pessoa caridosa consegui apenas enviar-lhe o telegrama.

A corajosa mãe mandou chamar o ministro de Deus que sacramentou devidamente ao enfermo.

Dois dias após, morreu calmamente com palavras nos lábios:

“Minha mãe, foi Ela (Nossa Senhora) que a envio aqui!”

Na verdade, não fosse o socorro e a bondade de Maria Santíssima, onde estaria o pobre Carlos? No inferno para sempre.

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

O PECADOR AFLIGE O CORAÇÃO DE DEUS

pecadorExacerbavit Dominum peccator: secundum multitudinem irae suae non quaeret ― “O pecador irritou ao Senhor: não se importa da grandeza de sua indignação” (Ps. 9, 24).

Sumário. Não há dissabor maior do que ver-se pago com ingratidão por uma pessoa amada e beneficiada. Daí infere quanto deve estar amargurado o Coração sensibilíssimo de Jesus, que, não obstante os imensos e contínuos benefícios concedidos aos homens, é tão vilmente ultrajado pela maior parte deles, especialmente neste tempo de carnaval. Jesus não pode morrer; mas, se o pudesse, havia de morrer só de tristeza. Procuremos nós ao menos desagravá-Lo um pouco com os nossos obséquios.

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O pecador injuria a Deus, desonra-O e por isso amargura-O sumamente. Não há dissabor mais sensível do que ver-se pago com ingratidão por uma pessoa amada e beneficiada. A quem ofende o pecador? Injuria um Deus, que o criou e amou a ponto de dar por amor dele o sangue e a vida. Cometendo um pecado mortal, bane esse Deus de seu coração.

Que mágoa não sentirias, se recebesses injúria grave de uma pessoa a quem tivesses feito bem? É esta a mágoa que causaste a teu Deus, que quis morrer para te salvar. Com razão o Senhor convida o céu e a terra, para de alguma sorte compartilharem com ele a dor que lhe causa a ingratidão dos pecadores: Ouvi, céus, e tu, ó terra, escuta: Criei uns filhos e engrandeci-os; porém, eles me desprezaram. ― Ipsi autem spreverunt me (1). ― Numa palavra, os pecadores, com o pecado, afligem o coração de Deus: Exacerbavit Dominum peccator. Deus não está sujeito à dor, mas, se a pudesse sofrer, um só pecado mortal bastaria para O fazer morrer de tristeza, porque Lhe causaria uma tristeza infinita. Assim, o pecado, no dizer de São Bernardo, por sua natureza é o destruidor de Deus: Peccatum, quantum in se est, Deum perimit.

Quando o homem comete um pecado mortal, dá, por assim dizer, veneno a Deus, faz o que está em si, para tirar-lhe a vida. Segundo a expressão de São Paulo, renova de certo modo a crucifixão e as ignomínias de Jesus e calca-O aos pés, pois que despreza tudo o que Jesus Cristo fez e sofreu para tirar o pecado do mundo: Qui filium Dei conculcaverit (2). Eis porque a vida do Redentor foi tão amargurada e penosa: tinha sempre diante dos olhos os nossos pecados. Continuar lendo