BENÇÃO DA PRIMEIRA PEDRA DA CAPELA DO PRIORADO DE NEGOMBO (SRI-LANKA)

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A FSSPX está presente no Sri Lanka – antigo Ceilão – há mais de 20 anos, mas o Priorado São Francisco Xavier, em Negombo (na costa oeste da ilha),  nunca teve uma capela de verdade. A garagem de uma residência foi transformada em santuário, na qual se acrescentou uma cobertura que serve como nave para os fiéis. Há cerca de 6 anos, uma torre foi adicionada ao conjunto, mas isso não retirou a aparência de “Salão do Reino” das Testemunhas de Jeová …, de nossa capela. Assim, foi decidido construir uma verdadeira igreja. Ela será modesta – 100 lugares -, mas digna da glória de Deus e de sua Mãe Santíssima, a quem será consagrada.

No dia 21 de abril de 2016Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, abençoou a primeira pedra da Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe.

A cerimônia começa pela bênção de uma cruz de madeira, colocada no local do futuro altar. Em seguida, o prelado abençoa a primeira pedra. Todos os santos do céu são então invocados, assim como em todas as grandes ocasiões litúrgicas. O pergaminho que menciona a data da cerimônia e é em seguida assinado pelo clérigo e alguns leigos, incluindo o mestre de obras. Ele é inserido na pedra, com algumas moedas emitidas recentemente e o jornal do dia. A pedra é lacrada e colocada em seu lugar. É costume colocar uma relíquia. No nosso caso, trata-se da de Santa Filomena: daí as palavras Pax tecum gravadas na pedra – como na laje onde o corpo da jovem mártir foi encontrado nas catacumbas de Priscila, em Roma -, com a data da cerimônia.

Pe. Bento Wailliez , sacerdote da Fraternidade Sacerdotal São Pio X , prior de Negombo

O PEQUENO NÚMERO DAQUELES QUE SÃO SALVOS – PARTE 3

bibliaAs palavras da Sagrada Escritura

Mas por que buscar as opiniões dos Padres e teólogos, quando a Sagrada Escritura esclarece a questão de forma tão clara? Olhe para o Antigo e o Novo Testamento, e você vai encontrar uma infinidade de figuras, símbolos e palavras que apontam claramente para esta verdade: pouquíssimos são salvos. No tempo de Noé, toda a raça humana foi submersa pelo Dilúvio, e apenas oito pessoas foram salvas na Arca. São Pedro diz: “Esta arca é a figura da Igreja”, enquanto Santo Agostinho acrescenta: “E estas oito pessoas que foram salvas significa que pouquíssimos cristãos são salvos, porque existem pouquíssimos os que sinceramente renunciam ao mundo, e aqueles que renunciam a ele apenas em palavras não pertencem ao mistério representado pela arca.”

A Bíblia também diz-nos que apenas dois hebreus de dois milhões entraram na Terra Prometida depois de sair do Egito; e que apenas quatro escaparam do fogo de Sodoma e das outras cidades ardentes, que com ela morreram. Tudo isso significa que o número de condenados, que será lançado no fogo como palha é muito maior que os que se salvarão, a quem o Pai celestial um dia ajuntará em Seus celeiros como o trigo precioso. Continuar lendo

O PEQUENO NÚMERO DAQUELES QUE SÃO SALVOS – PARTE 2

padrO ensinamento dos Padres da Igreja

Não é vã curiosidade, mas precaução salutar proclamar a partir da altura do púlpito certas verdades que servem maravilhosamente para conter a indolência de libertinos, que estão sempre falando sobre a misericórdia de Deus e sobre o quão fácil é converter, aqueles que vivem mergulhados em todos os tipos de pecados e estão profundamente dormindo na estrada para o inferno. Para desiludi-los e despertá-los de seu torpor, hoje vamos examinar essa grande questão: O número de cristãos que são salvos é maior que o número de cristãos que são condenados?

Almas piedosas, vocês podem sair; este sermão não é para vocês. Seu único objetivo é conter o orgulho dos libertinos que tiram o santo temor de Deus de seus corações e unem forças com o diabo que, de acordo com o sentimento de Eusébio, condena as almas tranquilizando-as. Para sanar esta dúvida, vamos colocar os Padres da Igreja, tanto os gregos quanto os latinos, de um lado; por outro lado, os mais doutos teólogos e historiadores eruditos, e vamos colocar a Bíblia no meio para que todos possam ver. Agora não ouçam o que eu vou dizer para vocês – porque eu já lhes disse que eu não quero falar por mim mesmo ou decidir sobre o assunto – mas escutem o que essas grandes mentes têm para lhes dizer, eles que são os faróis na Igreja de Deus para dar luz aos outros, para que eles não percam a estrada para o céu. Desta forma, guiado pela tripla luz da autoridade, fé e razão, seremos capazes de resolver esta grave questão com certeza. Continuar lendo

O PEQUENO NÚMERO DAQUELES QUE SÃO SALVOS – PARTE 1

Daremos início hoje à publicação de um pequeno livro de São Leonardo de Porto Maurício intitulado “O PEQUENO NÚMERO DAQUELES QUE SÃO SALVOS”. Um livro que nos fará refletir muito sobre nossa vida cotidiana em relação á Deus e a obediência à Igreja. Dividimos em 7 partes para que cada uma delas seja confrontada com nossas misérias, nosso orgulho e nossa desobediência.

INTRODUÇÃO

Graças a Deus, o número de discípulos do Redentor não é tão pequeno que a maldade dos escribas e fariseus seja capaz de triunfar sobre eles. Embora eles se esforcem para caluniar a inocência e para enganar a multidão com seus sofismas traiçoeiros por desacreditar a doutrina e o caráter de nosso Senhor, achando manchas mesmo sob o sol, muitos ainda o reconhecem como o verdadeiro Messias, e, sem medo de quaisquer castigos ou ameaças, aderem abertamente a sua causa.

Será que todos aqueles que seguem a Cristo O seguirão até a glória? Oh, aqui é onde eu reverencio o mistério profundo, e em silêncio adoro os abismos dos decretos divinos, ao invés de, precipitadamente, decidir sobre um ponto tão importante! O assunto que será tratado hoje é muito grave; tem causado até mesmo tremores nos pilares da Igreja, encheu os maiores Santos com de terror e povoou os desertos com eremitas. O objetivo desta preleção é para decidir se o número de cristãos que são salvos é maior ou menor do que o número de cristãos que são condenados; ela irá, espero, produzir em você um medo salutar dos juízos de Deus.

Irmãos, por causa do amor que tenho por vocês, eu desejaria ser capaz de tranquilizá-los com a perspectiva da felicidade eterna, dizendo a cada um de vocês: Você vai para o paraíso; o maior número de cristãos é salvos, então você também será salvo. Mas como posso lhe dar essa garantia doce se você se revolta contra os decretos de Deus como se você fosse o seu pior inimigo? Observo em Deus um sincero desejo de salvá-lo, mas vejo em você uma inclinação decidida de ser condenado. Então o que eu faço hoje se falar claramente? Eu serei desagradável para você. Mas se eu não falo, eu serei desagradável para Deus. Continuar lendo

PUBLICAÇÃO DO BOLETIM CREDIDIMUS CARITATI Nº 97

cc97_0Foi publicada a última edição do boletim do Seminário de La Reja.

A edição nº 97 do boletim do Seminário corresponde ao outono de 2016. Traz as notícias do último verão e do início do novo ano acadêmico, além de um texto sobre o Ano de Espiritualidade e um chamado à oração pelas vocações.

Faça o download da última edição

********************************

“Adverti”, diz o profeta Davi (Sal. 132,1), “quão bom e quão agradável é que morem os irmãos em unidade”.

O glorioso Jerônimo diz que esse salmo convém propriamente aos religiosos. Verdadeiramente é bom e coisa de grande alegria e contento que, por um irmão que deixamos no mundo, encontremos aqui na vida religiosa muitos irmãos, que nos amam mais que nossos irmãos carnais.

Assim diz Santo Ambrósio: “Maior é a irmandade espiritual que a carnal, porque a irmandade da carne e do sangue nos faz semelhante nos corpos, mas a espiritual nos leva todos a ter uma só alma e um só coração, como se diz, nos Atos dos Apóstolos, da multidão dos crentes”.

E ao respeito diz São Basílio: “O que se pode imaginar mais agradável, mais feliz e bem-aventurado, mais maravilhoso ou admirável? Ver homens de tão diversas nações e regiões, tão conformes e semelhantes nos costumes e modo de proceder, que não parecem mais que uma alma em muitos corpos e que muitos corpos sejam instrumentos de uma só alma”.

Fonte: Seminário Nostra Señora Corredentora

PEREGRINAÇÃO DA FSSPX À APARECIDA EM MAIO/16

DSC01987Prezados amigos e leitores, no dia 21 de maio a FSSPX fará mais uma Peregrinação à Aparecida.

Fiéis de todos os Priorados e Comunidades atendidas pela Fraternidade se reunirão em Pindamonhangaba e partirão em procissão para visitar nossa Mãe querida.

São 24 km de caminhada onde, como todos os anos, rezaremos vários rosários, cantaremos músicas piedosas tradicionais e os padres ficarão à disposição para confissões durante o percurso.

Convidamos a todos queiram oferecer um sacrifício e/ou agradecer à Nossa Senhora por todas as graças que recebem por suas mãos para que façam conosco essa Peregrinação.

Mais informações pelo gespiox@yahoo.com.br

DRAMA DO FIM DOS TEMPOS – CONCLUSÃO

117_fimtemposChegamos ao termo do nosso estudo. Lançando um olhar sobre nossos destinos futuros, nos apoiamos unicamente nessas profecias que formam parte integrante da Escritura divina inspirada. A substância de nosso trabalho é, pois tirada das próprias fontes onde se alimenta a fé católica; e nós pensamos que não se possa negar sem temeridade, o que adiantamos no tocante ao acontecimento do Anticristo, o aparecimento de Henoc e Elias, a conversão dos judeus, os sinais precursores do julgamento.

Onde poderíamos nos enganar, seria nos comentários que fizemos de diversas passagens do Apocalipse, assim como no encaminhamento que procuramos estabelecer entre os acontecimentos citados mais acima. Mas se erramos foi seguindo intérpretes autorizados, no mais das vezes os padres da Igreja. Estaremos errados em ver no presente estado do mundo os prelúdios da crise final que está descrita nos Livros Santos? Não cremos. A apostasia começada nas nações cristãs, o desaparecimento da fé em tantas almas batizadas, o plano satânico da guerra travada contra a Igreja, a chegada ao poder das seitas maçônicas são tais fenômenos que não poderíamos imaginar mais terríveis.

No entanto, não gostaríamos de forçar nosso pensamento. A época em que vivemos é indecisa e atormentada. A humanidade está inquieta e hesitante. Ao lado do mal há o bem; ao lado da propaganda revolucionária e satânica há um movimento de renascimento católico, manifestado em tantas obras generosas e santas empresas. As duas correntes se desenham cada dia mais claramente; qual das duas arrastará a humanidade? Só Deus sabe, Ele que separa a luz das trevas, e marca seus respectivos lugares (Jó 38, 19-20).

Aliás, é certo que a carreira terrestre da Igreja está longe de ser encerrada: talvez ela nunca tenha estado tão aberta. Nosso Senhor nos deu a conhecer que o fim dos tempos não chegará antes que o Evangelho tenha sido pregado em todo o universo, em testemunho a todas as nações (Mt 24, 14). Ora, pode-se dizer que o Evangelho foi pregado no coração da África, na China, no Tibet? Alguns raios de luz não fazem um dia: alguns faróis acesos ao longo das costas não afastam a noite das terras profundas que se estendem por trás delas. Continuar lendo

PEREGRINAÇÃO DA FSSPX EM HONRA A NOSSA SENHORA DE PONTMAIN (PRIORADO DE LANVALLAY-FRANÇA)

Fonte: La Porte Latine

UMA BREVE CONTRIBUIÇÃO PARA COMPREENDER FRANCISCO I

O papa Francisco tem sido acusado de ser infiel à doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio e autorizar uma profanação do sacramento da Eucaristia em sua exortação pós-sinodal Amoris laetitia. Embora diga no referido documento manter íntegra a doutrina da Igreja sobre o vínculo matrimonial indissolúvel, o papa procura encontrar uma solução pastoral para os incontáveis filhos da Igreja que vivem a difícil situação de uma segunda união civil irregular à luz da doutrina tradicional. Tentaria, assim, superar uma dicotomia entre entre teoria e prática por meio de um discernimento sapiencial examinando caso a caso, com o fim de não privar do sacramento àqueles que já viveriam na graça de Deus não obstante a falta de um casamento na devida forma canônica.

Como se vê, aos olhos do papa, não há doutrina, não há ciência teológica ou canônica, capaz de explicar toda a realidade. Há casos particulares, há problemas concretos, que não se ajustariam perfeitamente a uma norma universal abstrata. Assim como há um direito natural, consubstanciado em princípios de valor permanente e universal, que se realiza historicamente adaptando-se à índole de cada povo e às suas circunstâncias especiais, originando instituições sociais e políticas peculiares às diversas culturas, assim também a lei moral interpreta-se e aplica-se conforme os dramas existenciais de tantas vidas e famílias despedaçadas, conquanto permaneça sempre válida e imutável como um ideal a ser alcançado, uma luz a guiar o comportamento do homem que jamais será compreendido se se pretender seja padronizado universalmente.

É claro que semelhante compreensão do bispo de Roma para com os filhos da Igreja que deram um passo em falso não guardando o sagrado vínculo do matrimônio e convolando segundas núpcias no âmbito civil soa injuriosa aos ouvidos de uma considerável parcela de católicos que tiveram a infelicidade de um casamento fracassado, que, entretanto, por coerência com a fé e por amor do Reino de Deus, não contraíram uma segunda união ilegítima. Esses católicos coerentes não se comportam como o irmão mais velho da parábola do Filho Pródigo; não são invejosos e mesquinhos recusando compartilhar da alegria do papa pela volta dos filhos à casa paterna. Afinal, os católicos que vivem em adultério não excomungados pela Igreja, são apenas privados da recepção de um sacramento que não só transmite a graça, mas encerra o Autor da Graça. Continuar lendo

AMORIS LAETITIA E A GRANDE FACHADA

A publicação de Amoris Laetitia tem provocado uma tempestade inteiramente previsível de opiniões em competição que oscilam desde “não se vê aqui nada de especial” até “não é magistral”, até “é uma catástrofe” e até “é revolucionária”.

Cada uma destas opiniões é correta. O que significa – e não deveria ser uma surpresa para qualquer erudito na época pós-conciliar – que o que aqui temos é um novo acrescento de grandes proporções à Grande Fachada de novidades eclesiais que não vinculam e de que nunca se viu na Igreja alguma delas antes daquela grande época de iluminação conhecida como ‘Anos 60’. O truque, como se verá, é promulgar a mais recente novidade e deixar as pessoas pensar que vincula a Igreja; e depois, embora realmente não vincule, passa a vincular. Não prestem atenção à verdade por detrás da fachada!

E agora isto: 256 páginas longas e confusas de meditações sobre “A Alegria do Amor”. Um verdadeiro livro cheio de pensamentos confusos dos quais uns poucos são bons pontos católicos, mais inúmeras trivialidades e citações positivamente erróneas de João Paulo II e de São Tomás de Aquino, usadas como pontos principais de um argumento sofista para o “discernimento pastoral” que permitiria dar a Sagrada Comunhão a “alguns” adúlteros públicos em “certos casos” – uma bomba detonada em rodapé, na nota 351, como o Cardeal Baldisseri teve o prazer de nos informar após a explosão. Falando daqueles que a Igreja vira sempre como adúlteros públicos conforme as palavras do próprio Cristo, Baldisseri anunciou na conferência de imprensa introdutória que “o Papa afirma, de um modo humilde e simples, numa nota [nota de rodapé 351], que a ajuda dos Sacramentos também poderia ser dada em ‘certos casos’”.

E o que poderia ser mais humilde do que derrubar a disciplina sacramental bimilenar da Igreja, enquanto se ignoram todos os Seus ensinamentos em contrário? Isto é a própria essência da humildade pontifícia! Do cimo de um Monte Olimpo de verborreia, Francisco atira raios revolucionários cuja própria justificação é aquilo que ele queria ver, mesmo se contradiz redondamente o ensinamento dos seus dois antecessores imediatos, o Catecismo da Igreja Católica, o Código de Direito Canónico, a declaração de 1994 da Congregação para a Doutrina da Fé e, além disso, toda a Tradição sobre a impossibilidade de admitir aos Sacramentos pessoas divorciadas e recasadas enquanto continuarem no seu adultério. Continuar lendo

A VINDA DO SOBERANO JUIZ (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

vindaÉ supérfluo procurar precisar a hora em que terá lugar a segunda vinda de Nosso Senhor. É um impenetrável segredo para todas as criaturas. “Quanto àquele dia e àquela hora, nos diz Jesus Cristo, ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas só o Pai” (Mt 24, 36). No entanto, esse momento supremo, que porá fim a este mundo de pecado, será precedido de sinais estrondosos que fixarão a atenção não somente dos crentes, mas também dos ímpios.

Primeiramente, como mostramos, haverá a perseguição do Anticristo, a aparição de Henoc e de Elias. Quando São Paulo nos diz que Jesus Cristo matará o ímpio com o sopro de sua boca, e o destruirá com o brilho de sua vinda, parece que o castigo do Anticristo coincidirá com a vinda do soberano juiz. No entanto, não é esse o sentimento geral dos intérpretes. Pode-se explicar São Paulo dizendo que a destruição do ímpio só será consumada no dia do julgamento geral, se bem que sua morte tenha tido lugar tempos antes. De outro lado, os Evangelhos insinuam bem claramente que haverá certo lapso de tempo, se bem que relativamente curto, entre a punição do monstro e a consumação de todas as coisas.

O que diz, com efeito, Nosso Senhor? Ele começa por pintar tal tribulação como nunca houve desde o começo do mundo: é a perseguição do Anticristo. Depois acrescenta: “Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecer-se-á o sol, a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu e as potestades do céu serão abaladas. E então aparecerá o sinal do Filho do homem no céu; e todas as tribos da terra chorarão e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu com grande poder e majestade” (Mt 24, 29-30).

Estes sãos os sinais que precederão imediatamente a vinda de Jesus Cristo como Juiz. Mas como conciliar todos esses terríveis prelúdios com essa surpresa e imprevisão que segundo outros textos do Evangelho caracterizam esse acontecimento? Um pouco mais adiante, com efeito, Nosso Senhor nos apresenta os homens dos últimos dias do mundo semelhantes aos contemporâneos de Noé que o Dilúvio surpreende comendo e bebendo, casando-se e dando as filhas em casamento (Id., ibid., 36-40). Continuar lendo

DO GRANDE MAL QUE FAZEM OS QUE OCULTAM OS PECADOS NA CONFISSÃO

Qual é a matéria do sacramento da Confissão?

“Pro anima tua ne confundaris dicere verum —“Não te envergonhes de falar a verdade, quando se trata da tua alma” (Eclo 4, 24)

Sumário. O demônio, depois de obcecar tantas pobres ovelhas de Jesus Cristo, induzindo-as a pecar, faz como o lobo; apanha-as pelo pescoço, a fim de que não gritem por socorro, confessando-se sinceramente. E deste modo fazendo que cometam novo pecado, de ordinário mais grave que o primeiro, como é o sacrilégio, leva-as com segurança ao inferno. Oxalá que aquelas almas desgraçadas compreendessem o grande mal que causam a si mesmas, e o grande bem de que se privam pela maldita vergonha na confissão!

*********************************

Diz Santo Agostinho que o lobo, para que a ovelha lhe não escape, a apanha pelo pescoço, de modo que não possa gritar por auxílio balando, e assim a leva com segurança, e a devora. O mesmo pratica o demônio com tantas infelizes ovelhas de Jesus Cristo. Depois de obcecá-las, para que não vejam o mal que cometem ofendendo a Deus, apanha-as pelo pescoço, para que não se confessem. Deste modo fá-las cometer um pecado, de ordinário mais grave que o primeiro, como é o sacrilégio, e assim conduz a presa com segurança ao inferno. Oxalá que aqueles pecadores desgraçados compreendessem o grande mal que causam a si mesmos, e o grande bem de que se privam pela maldita vergonha!

Nos tribunais da terra se diz que o que confessa é condenado; mas no tribunal de Jesus Cristo acontece o contrário: o que confessa é que obtém o perdão. Mais, para quem cometeu um pecado grave, não há outro remédio de salvação, senão a confissão do pecado. Ou confissão, ou condenação! Não basta que se arrependa de coração; não basta que vá ao deserto e pratique a penitência mais sincera: Ou confissão, ou condenação!

Que esperança de salvação pode ter aquele que vai confessar-se, e, calando o pecado, se serve da confissão para mais ofender a Deus, e constituir-se mais escravo do demônio? Que dirias do enfermo que tomasse uma taça de veneno, em vez do remédio que o médico lhe tinha ordenado? Ó céus! Que é a confissão para um pecador que cala os pecados, senão uma taça de veneno, que lhe agrava a consciência com a malícia do sacrilégio?

Quando o confessor absolve o penitente, ministra-lhe o Sangue de Jesus Cristo, visto que o absolve pelos merecimentos deste Sangue. Mas o que cala os pecados, calca aos pés o Sangue de Jesus, e, se além disso recebe a comunhão, atira em certo modo, como diz São João Crisóstomo, a hóstia consagrada aos esgotos. Daí provêm que tais sacrílegos já nesta terra sofrem um inferno antecipado; como se carregassem com tantas víboras, quantos são os sacrilégios que cometem.

Se ao menos os criminosos de tão nefandos excessos pudessem consolar-se com o pensamento: Ninguém conhecerá jamais o meu pecado. Não, porque o mesmo pecado que agora eles se recusam a confessar em segredo a um só homem, que tem compaixão e nunca dele poderá falar, a fé nos diz que, para maior confusão deles, o Senhor o manifestará no dia do juízo em presença dos anjos e de todos os homens. Revelabo pudenda tua in facie (1) — “Descobrirei tuas infâmias diante de tua própria face”.

Ânimo, pois, meu irmão; se porventura tivesses cometido o erro de calar pecados por vergonha, escuta o que te aconselha Santo Ambrósio: O demônio tem preparado o processo de todos os teus pecados, para deles te acusar no tribunal de Deus. Queres fugir a esta acusação? Toma a dianteira a teu acusador, diz o santo, acusa-te tu mesmo a um confessor: Praeveni accusatorem tuum. Basta que lhe digas: “Meu pai, tenho um escrúpulo sobre a vida passada, mas tenho vergonha de o dizer”

Basta que digas isso, porque será dever do confessor tirar-te do coração a serpente que te rói a consciência.

Ânimo pois: “Pelo amor de tua alma, não te envergonhes de dizer a verdade; há vergonha que conduz ao pecado; e há vergonha que traz consigo glória e graça” — Pro anima tua ne confundaris dicere verum (2). Vai prontamente, ovelha perdida, Jesus Cristo te espera; tem os braços abertos para te perdoar e te abraçar, desde o momento em que confesses o teu pecado. Asseguro-te que depois de uma confissão completa, sentirás uma alegria tão grande, por teres limpado a tua consciência e recuperado a graça de Deus, que sempre bendirás a hora em que fizeste uma boa confissão.

Apressa-te, pois, a procurar teu confessor, e não dês mais tempo ao demônio, para de novo te tentar; apressa-te, porque Jesus Cristo te está esperando. Qual bom pastor, deixa de novo as outras noventa e nove ovelhas, procura-te com ânsia e suspira pelo momento em que sobre os ombros te possa reconduzir ao aprisco e dizer aos anjos e santos do céu: “Congratulai-vos comigo, porque achei a minha ovelha desgarrada” (3)

Ó Eterno Pai, fortalecei tantos pobres pecadores para vencerem o respeito humano e fazerem confissão sincera de todos os seus pecados. Vós também, ó grande Mãe de Deus, e Refúgio dos pecadores, ajudai-os.

(1) Na 3, 5.
(2) Eclo 4, 24.
(3) Lc 15, 6.

Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano – Santo Afonso

COMO EDUCAR A CRIANÇA GULOSA

gulosaEm face de crescimento, exigem as crianças maior quantidade de alimentos do que os adultos.

Na infância, ficará sempre um gosto de comer, um apetite, uma capacidade, que talvez nos pareçam excessivos, mas serão próprios da idade. Raras são as crianças de apetite discreto.

Compreende-se que não saibam regular ainda os apetites, como não sabem conter-se nem avaliar as conseqüências de seus excessos. Os pais é que lhes devem ditar as regras, servir o necessário, impôr-lhes os limites do razoável, poupar-lhes os riscos das demasias.

Tipos de gulosos

Há crianças mais desmarcadas. Estão sempre dispostas a comer, e a comer muito, se as deixarem. São vorazes, comem muito e de tudo.

Refinados: gostam de pratos finos e bem apresentados. São mais raros.

Açucarados: loucos por doces e sobremesas, mais do que em geral todas as crianças.

Afetivos: tendem para determinados alimentos e para quem lhos oferece: os pais, padrinhos, avós e tios facilmente o percebem, e “subornam” a criança, “comprando-lhe” a amizade por bombons e carinhos…

Causas

Não há explicação cabal para o procedimento dessas crianças que assim o são por natureza. São simplesmente “gulosas”, como seriam surdas ou cegas, se tais tivesses nascido. Continuar lendo

A CONVERSÃO DOS JUDEUS (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

judA Santa Escritura nos assinala um grande acontecimento que se nos mostra entrelaçado na guerra que o Anticristo desencadeará contra a Igreja: a conversão dos judeus. Deixamos este assunto de lado até aqui para tratá-lo com mais detalhes. Além disso, aqui ele estará muito bem colocado, pois a conversão dos judeus nos é apresentada como fruto da pregação de Elias.

O povo judeu é o ponto em torno do qual gira a história da humanidade. Ele recebeu o toque de Deus na pessoa de Abraão de onde saiu. É, antes da vinda de Nosso Senhor, o povo sacerdotal por excelência, cujo estado, no testemunho de Santo Agostinho, é inteiramente profético; dele nasceu a Santíssima Virgem e o Salvador do mundo; ele formou o núcleo da Igreja nascente. Todos esses privilégios fazem da raça judia uma raça excepcional cujos destinos são misteriosos.

Por uma inversão estranha e lamentável, no momento em que ela produz o Salvador do mundo, a raça eleita, a raça bendita entre todas merece ser condenada. Recusa reconhecer, em sua humildade, Aquele em quem ela não sabe adorar as grandezas invisíveis. Parece que Deus quis mostrar assim que não há nada da carne e do sangue na vocação do cristianismo, já que aqueles mesmos a quem pertencia o Cristo, segundo a carne (Rm 9, 5), são rejeitados por causa de seu orgulho tenaz e carnal.

Será uma condenação definitiva? Permanecerão presas de Satã excluídos do resto do mundo pela cruz do Senhor? Deus não permita! Deus prepara supremas misericórdias para o povo que foi seu. A esse povo, a quem foi dito: “Não sois mais meu povo“, será dito um dia: “Vós sois os filhos do Deus vivo“. (Os 3, 4-5). Depois de ter ficado longos anos sem rei, sem príncipe, sem sacrifício, sem altar, os filhos de Israel procurarão o Senhor seu Deus; e isso acontecerá no fim dos tempos. (Id. III, 4, 5) Continuar lendo

MAGISTÉRIO CONTRA “MAGISTÉRIO”: PIO XII RESPONDE À “NOVA MORALIDADE” DA LAETITIA AMORIS DO PAPA FRANCISCO

pieXIIFonte: La Porte Latine

Discurso do Papa Pio XII ao Congresso Internacional da Federação Mundial da Juventude Feminina Católica 

O tema do Congresso

Sejam bem-vindas filhas amadas da Federação Mundial da Juventude Feminina Católica. Eu vos saúdo com o mesmo carinho que recebi, há cinco anos em Castel Gandolfo, por ocasião do grande encontro internacional das Mulheres Católicas.

Os estímulos e os sábios conselhos que foram proporcionados a vocês neste Congresso, assim como as palavras que então dirigimos não foram certamente infrutíferos. Sabemos os esforços que neste intervalo vocês têm desenvolvido para atingir os objetivos precisos dos quais vocês tinham uma visão clara. Isso também prova o relatório impresso durante a preparação deste Congresso que fizemos lá: “La Foi des Jeunes – Problème de notre temps”. Suas 32 páginas têm o peso de um grosso volume, e Nós temos analisado com muito cuidado, porque resume e sintetiza os ensinamentos de numerosas questões sobre a situação da fé na juventude católica da Europa, cujas conclusões são altamente instrutivas.

Em muitas das questões levantadas lá, Nós mesmos tratamos em nossa alocução de 11 de setembro de 1947 (1), que vocês assistiram, e em muitos outros discursos antes e depois. Hoje, Nós queremos aproveitar a oportunidade proporcionada por este encontro com vocês para dizer o que pensamos sobre um fenômeno que ocorre em todos os lugares, na vida de fé dos católicos e que afeta um pouco a todos, mas de uma forma particular afeta os jovens e seus educadores, como quando vocês dizem (p. 10): “Confundindo o cristianismo com um código de preceitos e proibições, os jovens têm a impressão de afogar-se nesse clima de “moral imperativa” e não é uma pequena minoria que deixa de lado esse “fardo constrangedor.”

Uma nova concepção da lei moral

Podemos chamar esse fenômeno de “uma nova concepção da vida moral”, uma vez que é uma tendência que se manifesta no campo da moralidade. No entanto os princípios da moralidade se baseiam nas verdades da fé e vocês sabem bem que é importância capital para a conservação e o crescimento da fé que a consciência da jovem se forme o mais cedo possível e se desenvolva segundo as normas morais justas e saudáveis. Assim, a concepção de “nova moralidade cristã” toca muito diretamente o problema da fé dos jovens. Continuar lendo

CONSEQUÊNCIAS DA EXORTAÇÃO AMORIS LAETITIA

GOLPE PROFUNDO

mat2O primeiro e mais profundo golpe no matrimônio nos tempos modernos foi vibrado pelo Protestantismo. Os “reformadores” do século XVI negaram-lhe qualquer caráter religioso e sacramental. Lutero renovou os erros dos gnósticos e albigenses, ensinando que o matrimônio é tão imoral como o adultério e a fornicação.

Mas, incoerente e desabrido, dizia que a concupiscência da carne é invencível – e concluía, contraditório e inconsequente, pela obrigatoriedade do matrimônio e pelo absurdo da virgindade e do celibato. Para tirar-se do impasse, afirmava que Deus não impunha aos homens as desordens do matrimônio.

Uma verdadeira seara de erros perigosíssimos.

a)O matrimônio não é religioso, mas profano. Eis a primeira e mais terrível “profanação” do matrimônio. Calvino chegou a dizer que o matrimônio é tão sagrado como o trabalho do campo… Daí nascerão todas as demais profanações, como de sua fonte.

b)As teorias da “necessidade fisiológica”, da nocividade da continência, etc., hoje tão correntes e perniciosas, estão em Lutero.

c)A equiparação da vida conjugal com as desordens extra-conjugais, ensinada por ele, levaria os costumes às facilidades atuais.

O resto é conseqüência.

Os evolucionistas ensinaram que a constituição da família veio tardia, por imposição da sociedade, no desejo de organizar-se. Negavam assim ao matrimônio caráter religioso, tanto quanto os “reformadores”, e punham o matrimônio às mãos dos homens, à sua mercê, como obra deles, por eles criada e afeiçoada, por eles também, decerto, desmontável e reformável! Continuar lendo

A CRISE FINAL (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

crise finalParemos um instante diante dos intrépidos missionários de Deus e notemos a oportunidade divina de sua aparição. Segundo São Pedro: “nos últimos tempos virão embusteiros, zombadores sedutores vivendo as suas concupiscências, dizendo: Onde está a promessa e a vinda (de Jesus Cristo)? Desde que nossos pais morreram tudo continua como desde o princípio da criação” (2 Pd 3, 3-4).

Esses sedutores, estes embusteiros, os estamos vendo com nossos próprios olhos, ouvindo com nossos ouvidos. Chamam-se racionalistas, materialistas, positivistas: negam, “a priori”, toda causa superior, todo fato sobrenatural; não se interessam em saber de onde vêm, nem para onde vão; semelhantes aos insensatos do livro da Sabedoria olham a vida como uma dessas nuvens da manhã que não deixam rastro ao raiar do sol. O que está além do túmulo, chamam o grande desconhecido; recusam-se terminantemente a investigá-lo. Em conseqüência, o todo do homem, a seus olhos, está em gozar o mais possível o momento presente, pois tudo o mais é incerto.

Esses falsos sábios relegam os escritos de Moisés a cosmogonias fabulosas. Recusam-se a reconhecer algum valor histórico nos livros santos. Segundo o que dizem, todos esses documentos, em contradição com a ciência, seriam obras de um judeu exaltado, Esdras, que quis realçar sua nação. Quanto à vinda de Jesus Cristo, à ressurreição geral, ao julgamento final, às recompensas e às penas eternas, tratam como sonhos absurdos. Asseguram que a humanidade, em via de um indefinido progresso, encontrará um dia o paraíso na terra.

Ora, para confundir esses impostores, Deus suscitará Henoc, representante do período ante-diluviano; Henoc, quase contemporâneo das origens do mundo. Suscitará Elias, representante do judaísmo mosaico; Elias que, de um lado, toca Salomão e David de outro Isaías e Daniel. Estes grandes homens virão, com indiscutível autoridade, estabelecer a autenticidade da Bíblia, e mostrar que o Cristianismo está ligado à era dos profetas até Moisés e à era dos patriarcas até Adão. Neles se levantarão todos os séculos para renderem testemunho à verdade da revelação. Nunca a divindade do Cordeiro que foi morto desde a origem do mundo (Ap 13, 8) resplandecerá de modo mais fulgurante. Continuar lendo

OS SERVIDORES DE DEUS E A REFORMA DA IGREJA

cata1Há um remédio capaz de aplacar minha ira. São os meus servidores, quando se esforçam por coagir-me ao perdão com suas lágrimas, por reter-me com os laços do amor. Com essa corrente tu me amarraste! Dei tais servidores a ti (30), porque desejava ser misericordioso para com o mundo. É por tal motivo que infundo neles o ardor e o desejo de glorificar-me, bem como de salvar os homens. Quero ser coagido por suas lágrimas, diminuir a violência de minha justiça. Tu e os meus servidores, portanto, hauri lágrimas e suor na fonte da minha divina caridade! Lavai a face da minha Esposa! Prometo que por tal forma lhe será devolvida a beleza. Não é pela espada, guerra ou crueldade que ela irá reaver sua formosura, mas pela paz, pelas orações humildes e contínuas, pelo suor e lágrimas amorosamente derramados pelos meus servidores. É assim que realizarei o teu desejo: com grandes sofrimentos, tua paciência iluminará as trevas em que vivem os pecadores do mundo. Não tenhais medo se o mundo vos perseguir. Estarei convosco; em nada vos faltará minha providência.

(30)  – Com a palavra “servidores”, o Diálogo indica evidentemente os discípulos de Catarina. Por essa forma se vê como o livro quer ser um manual de formação dos futuros reformadores.

O Diálogo – Santa Catarina de Sena

HENOC E ELIAS (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

02_Elias_AscendeOs fatos maravilhosos que descrevemos não são suposições aventurosas; são verdades tomadas na Santa Escritura e que seria pelo menos temerário negar. Antes do fim dos tempos, e durante a perseguição do Anticristo, aparecerão no meio dos homens dois extraordinários personagens, chamados Henoc e Elias. Quem são estes personagens? Em que condições farão sua entrada providencial no cenário do mundo? É o que vamos examinar à luz das Escrituras e da Tradição.

Henoc é um dos descendentes de Set, filho de Adão e raiz da raça dos filhos de Deus. Ele é o chefe da sexta geração a partir do pai do gênero humano. Eis o que o Gênesis nos ensina a seu respeito: “e Jared viveu 162 anos e gerou Henoc… Ora Henoc viveu 65 anos e gerou Matusalém. E Henoc andou com Deus e depois de ter gerado Matusalém viveu 365 anos. E andou com Deus e desapareceu porque Deus o levou” (Gn 5, 18-25).

Deus o levou com a idade de 365 anos, quer dizer, nessa época de grande longevidade, na idade madura. Não morreu, desapareceu. Foi transportado vivo, para um lugar conhecido apenas por Deus. Aí está o que sabemos de Henoc, patriarca da raça de Set, trisavô de Noé, ancestral do Salvador. Quanto a Elias, sua história é melhor conhecida. Henoc, anterior ao Dilúvio, nasceu muitos milhares de anos antes de Jesus Cristo. Elias apareceu no reino de Israel, menos de mil anos antes do Salvador; é o grande profeta da nação judaica.

Sua vida não podia ter sido mais dramática (Rs 3; 4). Pode-se dizer que ela é uma profecia em ação do estado da Igreja, no tempo da perseguição do Anticristo. Vivia errante, sempre ameaçado de morte, sempre protegido pela mão de Deus, que ora o esconde no deserto onde corvos o alimentam, ora o apresenta ao orgulhoso Acab, que treme diante dele. Dá-lhe as chaves do céu para desencadear a chuva ou os raios; sobre o monte Horeb favorece-o com uma visão cheia de mistérios. Em resumo, o faz crescer até o porte de Moisés, o Taumaturgo, de modo que com Moisés acompanhe Nosso Senhor sobre o Monte Tabor. Continuar lendo

MARIA E AS ALMAS CONSAGRADAS

mariaRainha das virgens porque teve a virgindade no mais eminente grau, porque conservou a virgindade na concepção, no parto do Salvador e para sempre.

Por isso, ela fez as almas compreenderem o valor da virgindade, que não é apenas, como o pudor, uma inclinação louvável da sensibilidade mas uma virtude, isto é, uma força espiritual1. Ela mostra que a virgindade consagrada a Deus é superior à simples castidade, porque promete a Deus a integridade do corpo e a pureza do coração por toda a vida. Santo Tomas diz que a virgindade está para a castidade assim como a munificência para a simples liberalidade, pois ela é um dom por si mesmo excelente, que manifesta uma perfeita generosidade. 

Maria preserva as virgens no meio dos perigos, sustenta-as em suas lutas e as conduz, se elas são fieis, a uma grande intimidade com seu Filho.

Qual é o seu papel em relação às almas consagradas? Estas almas são chamadas pela Igreja: “as esposas do Cristo”. Seu perfeito modelo é evidentemente a Santíssima Virgem. A seu exemplo, devem ter, em união com Nosso Senhor, uma vida de oração e de reparação ou de imolação pelo mundo e pelos pecadores. Elas devem também consolar os aflitos, lembrando o que diz o Evangelho, que o consolo que elas levam sobrenaturalmente aos membros sofredores do Cristo, é a Ele que elas levam, para fazer-lhe esquecer tantas ingratidões, friezas e mesmo profanações.

Por isso a vida destas almas deve se esforçar para produzir as virtudes de Maria e continuar, em certa medida, seu papel em relação a Nosso Senhor e aos fieis. Continuar lendo

AQUELES QUE AMAM A DEUS, VIVEM SEMPRE SATISFEITOS

satisfeitoEpíteto e Atho (Hos. L. 1.) dois Bem-aventurados Mártires de Jesus Cristo, quando sofreram o tormento, queimados com fachos por ordem do tirano, e dilacerados com ganchos de ferro, disseram somente: «Senhor, seja feita em nós a Vossa vontade. E quando chegaram ao lugar da execução, exclamaram em altas vozes: «Bendito sejais, ó Deus Eterno, porque a Vossa vontade se cumpriu amplamente em nós.»

Cesário relata (Liv. 10, Cap. 6.) que certo religioso, que ainda que exteriormente não era diferente dos mais, tinha contudo chegado a um tal grau de santidade, que pelo mero toque de seus hábitos, curava aqueles que estavam doentes. O Superior admirado disto, per­guntou-lhe como fazia ele estes milagres, não vivendo mais exemplarmente do que os outros: ao que o religioso respondeu que também se admirava, e não sabia a razão disso: mas quais são as vossas devoções? lhe tornou o abade. O bom religioso repli­cou, que poucas eram, ou para melhor dizer, nenhumas, mas que sempre tinha cuidado de entregar a sua vontade à vontade de Deus, e que nosso Senhor lhe havia concedido a graça de abandonar inteiramente a sua vontade à divina «A prosperidade não me eleva, nem a adversidade me abate, porque eu tudo recebo como vindo da mão de Deus, e para este fim dirijo todas as minhas preces, para que a Sua vontade se cumpra perfeitamente em mim.» O Superior lhe replicou: «Não vos ressentistes vós ontem contra o inimigo, que tanto nos prejudicou, roubando-nos os nossos mantimentos, e lançando-nos o fogo na nossa propriedade, destruindo-nos o nosso gado e a nossa seara? Não, foi a sua resposta, pelo contrário, dei graças a Deus como cos­tumo fazer em iguais desgraças; conhecendo que Deus faz ou permite tudo para a Sua maior glória e nosso maior bem; e por esta razão sempre estou contente, suceda o que suceder.» Ouvindo isto o abade, e vendo-o em tanta uniformidade com a vontade divina, não se admirou mais de que ele fizesse mi­lagres. Aquele que assim fizer não só vem a ser um grande Santo, mas goza de uma paz perpétua. Continuar lendo

COMO SE HÁ DE RESISTIR ÀS TENTAÇÕES

tentacao1Enquanto vivemos neste mundo, não podemos estar sem trabalhos e tentações. Por isso lemos no livro de Jó (7,1): É um combate a vida do homem sobre a terra. Cada qual, pois, deve estar acautelado contra as tentações, mediante a vigilância e a oração, para não dar azo às ilusões do demônio, que nunca dorme, mas anda por toda parte em busca de quem possa devorar (1 Pdr 5,8) . Ninguém há tão perfeito e santo, que não tenha, às vezes, tentações, e não podemos ser delas totalmente isentos.

São, todavia, utilíssimas ao homem as tentações, posto que sejam molestas e graves, porque nos humilham, purificam e instruem. Todos os santos passaram por muitas tribulações e tentações, e com elas aproveitaram; aqueles, porém, que não as puderam suportar foram reprovados e pereceram. Não há Ordem tão santa nem lugar tão retirado, em que não haja tentações e adversidades.

Nenhum homem está totalmente livre das tentações, enquanto vive, porque em nós mesmos está a causa donde procedem: a concupiscência em que nascemos. Mal acaba uma tentação ou tribulação, outra sobrevém, e sempre teremos que sofrer, porque perdemos o dom da primitiva felicidade. Muitos procuram fugir às tentações, e outras piores encontram. Não basta a fuga para vencê-las; é pela paciência e verdadeira humildade que nos tornamos mais fortes que todos os nossos inimigos.

Pouco adianta quem somente evita as ocasiões exteriores, sem arrancar as raízes; antes lhe voltarão mais depressa as tentações, e se achará pior. Vencê-las-á melhor com o auxílio de Deus, a pouco e pouco com paciência e resignação, que com importuna violência e esforço próprio. Toma a miúdo conselho na tentação e não sejas desabrido e áspero para o que é tentado, trata antes de o consolar, como desejas ser consolado. Continuar lendo

A IGREJA DURANTE A TORMENTA (DRAMA DO FIM DOS TEMPOS)

igrejSão Gregório Magno, em seus luminosos comentários de Jó, penetra profundamente em toda a história da Igreja, visivelmente animado do mesmo espírito profético espalhado nas Escrituras. Ele contempla a Igreja, no fim dos tempos, sob a figura de Jó: humilhado e sofredor, exposto às insinuações pérfidas de sua mulher e às críticas amargas de seus amigos; Jó, diante de quem, outrora, os anciãos se levantavam e os príncipes faziam silêncio!

A Igreja, disse muitas vezes o grande Papa, no fim de sua peregrinação terrestre, será privada de todo poder temporal; procurarão tirar-lhe todo ponto de apoio sobre a terra. Vai mais longe ainda, declara que ela será despojada do próprio brilho que provém dos dons sobrenaturais. “O poder dos milagres, diz ele, será retirado, a graça das curas arrebatada, a profecia desaparecerá, o dom de uma grande abstinência será diminuído, os ensinamentos da doutrina se calarão, os prodígios milagrosos cessarão”.

Isto não quer dizer que não haverá mais nada disso; mas todos esses sinais não brilharão abertamente, sob mil formas como nos primeiros tempos. Será mesmo a ocasião de um maravilhoso discernimento. Neste estado de humilhação da Igreja, crescerá a recompensa dos bons que se prenderão a ela, tendo em vista somente os bens celestes; quando aos maus, não vendo mais na Igreja nenhum atrativo temporal, não terão nada a fingir, se mostrarão tais como são”. (Mor. 1, XXXV)

Que palavra terrível: os ensinamentos da doutrina se calarão! São Gregório proclama em outro lugar que a Igreja prefere morrer a se calar. Então ela falará: mas seu ensinamento será entravado, sua voz encoberta; muitos dos que deveriam gritar sobre os telhados não ousarão fazê-lo com medo dos homens. E será a ocasião de um grande discernimento. São Gregório insiste muitas vezes sobre as três categorias de pessoas que há na Igreja: os hipócritas ou os falsos cristãos, os fracos e os fortes. Ora, nesses momentos de angústia os hipócritas levantarão a máscara e manifestarão sua apostasia secreta; os fracos, coitados, perecerão em grande número e o coração da Igreja sangrará por eles; enfim, muitos dos fortes, confiantes em suas próprias forças, cairão como as estrelas do céu. Continuar lendo

FOTOS DA PEREGRINAÇÃO DA FSSPX PELA FESTA DE NOSSA SENHORA DE PUY (FRANÇA)

Fonte: La Porte Latine (1, 2 e 3)

No ano de 992, o Papa João XV decretou que todas as vezes em que o dia 25 de março (dia da Anunciação e da padroeira da Basílica) coincidir com a Sexta-feira Santa, ou seja, em um maravilhoso encontro dos mistérios da Encarnação e da Redenção, seria concedido um ano jubilar com abundantes graças. Em 2005, a Sexta-feira Santa fora no dia 25 de março e tivemos o 30º jubileu. Em 2016 também, e depois dessa data, teremos apenas em 2157! A Fraternidade Sacerdotal São Pio X organizou uma peregrinação a Puy nos dias 09 e 10 de abril de 2016.

 

O BOM PASTOR – PALAVRAS DE D. LEFEBVRE

mgr-lefebvre-5Fonte: FSSPX – Distrito do México – Tradução: Dominus Est

 

Eis algumas palavras de Mons. Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sobre o evangelho de domingo – Jesus, o Bom Pastor.

 

Nosso Senhor disse no Evangelho do Bom Pastor: “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco e é preciso que Eu as traga, e elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor “(Jo. 10, 16).

 

Esta exortação é completamente contrária ao ecumenismo moderno. Nosso Senhor pede que tragamos as ovelhas. Ele não diz que devemos deixa-las no rebanho onde estão, mas que as conduzamos a Ele. É o que faz o bom padre. Vai buscar as ovelhas perdidas e desviadas no erro, pelo pecado, neste mundo de pecado e sob a influência do demônio; vai busca-las corajosa e zelosamente, imitando desta maneira, o Bom Pastor.

 

Há de ter um coração de pastor, que vai buscar suas ovelhas uma a uma.

 

Abrace os interesses de nosso Senhor Jesus Cristo. Durante toda nossa vida não fareis nada senão multiplicar os membros do Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo, para que os que neste mundo fazem parte da Igreja militante, – possam um dia tomar parte da Igreja triunfante, porque, definitivamente, Deus não nos criou senão para nos salvarmos.

 

Devemos desejar que haja muitas famílias cristãs que favoreçam o desenvolvimento de boas e santas vocações.

 

O jovem não pode ouvir o chamado de Deus, senão mediante uma graça sobrenatural. Por isso que o mundo não pode compreendê-lo. Os jovens do mundo dizem: Eu não entendo o que passa em sua cabeça para vestir uma batina, fechar-se em um seminário; rejeitar os prazeres dos sentidos e da riqueza, querer viver na pobreza e viver unicamente para os outros e não para si mesmo, parece incrível, incrível! Ele perdeu a cabeça! As pessoas que têm o espírito do mundo não podem entender sua vocação; acham um grande mistério.

 

No entanto, com este exemplo, talvez poderemos abrir os olhos daqueles que vivem de forma egoísta e levá-los a perguntar: Se há jovens sérios a tal ponto que abandonam tudo para se entregar à Nosso Senhor, devemos crer que Ele sim existe! “

 

+ Dom Marcel Lefebvre

A MULHER E A VERDADEIRA FORÇA

modesta2Accinxit fortitudine lumbos suos, et roboravit brachium suum.(Prov. XXXI)

Pôs a força como um cinto em volta de seus rins, e fortaleceu seu braço.

Senhoras.

A força, já o dissemos, é uma energia da alma, que nos faz suportar com serenidade os enfados e os males da vida, que nos dá a coragem de prosseguirmos nos nossos intentos com inabalável firmeza, e nos conserva um vigor de ação, que os obstáculos humanos não podem deter.

Cada uma das nossas qualidades tem dois defeitos vizinhos que caminham de cada lado, um à direita, outro à esquerda, este pecando por excesso, aquele por privação. Esta máxima aplica-se perfeitamente à força e à firmeza de caráter: a obstinação excede os limites da verdadeira força, porque leva as suas idéias além do verdadeiro e do conveniente tornando-se, por isso mesmo, uma fraqueza perigosa como a locomotiva que descarrila.

A fraqueza, propriamente dita, é, pelo contrário, o defeito de um ser sem consistência que toma as formas que se quer, e que se colore sucessivamente com todas as cambiantes de idéias.

Muitas vezes, este último defeito é apenas o cálculo político das naturezas de camaleão, que variam de cor, segundo a posição e os reflexos do sol; pois, verdadeiros atores, têm sempre meia dúzia de opiniões no seu camarim, vestindo-se do mesmo modo que o histrião muda de trajes.

Entre a obstinação e a fraqueza, caminha a verdadeira firmeza, que se prende às suas idéias, aos seus projetos, tanto quanto é necessário: secundum quod oportet – diz São Tomás – expressão cheia de senso e de amplitude, que não fixa as coisas de um modo absoluto, e que abandona as soluções às circunstâncias reguladas pela sabedoria prática. Continuar lendo

QUERO SER PADRE!

pedroAquele que havia de ser o fundador da Congregação do SS. Sacramento, o Pe Julião Eymard, parecia predestinado desde pequenino a ser um grande devoto da Eucaristia. Quando sua mãe, levando-o nos braços, ia à benção do Santíssimo, o menino não se cansava de olhar para Jesus na custódia.

Ia com a mãe em todas as visitas à igreja e não se cansava nem pedia para sair antes dela.

Sua irmã Mariana, que tinha dez anos mais e foi sua segunda mãe, costumava comungar com frequência. O irmãozinho, invejando-a, dizia:

– Oh! como você é feliz, podendo comungar tantas vezes; faça-o alguma vez por mim.

– E que pedirei a Jesus por você?

– Peça-lhe que eu seja muito mansinho e puro e me de a graça de ser padre.

Às vezes desaparecia durante horas inteiras. Procuravam-no e iam encontrá-lo ajoelhado num banquinho perto do altar, rezando com as mãos juntas e os olhos pregados no sacrário.

Antes mesmo do uso da razão ansiava por confessar-se; mas não o admitiam. Quando tinha nove anos quia aproveitar a festa de Natal para converte-se como dizia.

Apresentou-se ao vigário e depois ao coadjutor, mas, como estavam ocupados, não o entenderam.

Apresentou-se ao vigário e depois ao coadjutor, mas, como estavam muito ocupados, não o atenderam. Continuar lendo