DOS PECADOS QUE SE DEVEM EVITAR, SUAS RAÍZES E CONSEQÜÊNCIAS

magdaleneComo ensina São Gregório Magno e, depois dele, Santo Tomás, os pecados capitais de vanglória ou vaidade, preguiça, inveja, ira, gula e luxúria não são os mais graves de todos, pois maiores são os de heresia, apostasia, desesperação e de ódio a Deus; mas são os primeiros a que se inclina nosso coração, levando-nos a nos afastar de Deus e a cometer outras faltas ainda mais graves. O homem não chega à perversão absoluta de uma vez, mas pouco a pouco. Examinemos primeiro, em si mesma, a raiz dos sete pecados capitais. Todos eles se originam no amor desordenado de si mesmo ou egoísmo, que nos impede de amar a Deus sobre todas as coisas e inclina a nos apartarmos dele. É evidente que pecamos, i. e., que nos desviamos de Deus e nos afastamos dele cada vez que tendemos para um bem criado, indo contra a vontade divina.

Isto é a conseqüência fatal de um amor desordenado de nós mesmos, que vem a ser a fonte de todo pecado. Por conseguinte, não só é necessário moderar esse amor desordenado ou egoísmo, mas também é preciso mortificá-lo, para que o amor ordenado ocupe seu lugar. Enquanto o pecador em estado de pecado mortal se ama a si sobre todas as coisas, praticamente antepondo-se a Deus, o justo ama a Deus mais que a si e deve, além disso, amar-se em Deus e por Deus; amar seu corpo de tal maneira que sirva à alma, não lhe obstando a vida superior; amar a alma convidando-a a participar eternamente da vida divina; amar sua inteligência e vontade, de modo que participem mais e mais da luz e do amor de Deus. Este é o sentido profundo da mortificação do egoísmo, do amor e da vontade próprios, opostos à vontade de Deus. Além disso, não deve permitir que a vida descenda, mas, pelo contrário, que ascenda em direção daquele que é fonte de todo o bem e de toda a beatitude.

O amor desordenado de nós mesmos leva à morte, como diz o Senhor: “O que ama (desordenadamente) a sua vida perdê-la-á; e quem aborrece (ou mortifica) a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna” (João 12, 25). Desse desordenado amor, raiz de todos os pecados, nascem as três concupiscências de que fala São João (I João 2, 16) quando diz: “Porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, e concupiscência dos olhos, e soberba da vida; e isto não vem do Pai, mas do mundo”. Continuar lendo

ALOCUÇÃO DE PIO XII SOBRE A MODA

mulher-catolicaDe todo o coração vos damos as boas-vindas paternais, caros filhos e filhas, promotores e associados de “União Latina de Alta Moda”, que desejastes vir à Nossa presença para Nos testemunhar a vossa filial devoção, e ao mesmo tempo, implorar os favores celestiais sobre a vossa União, colocando-a, desde o seu nascimento, sob a proteção d’Aquele para cuja glória deve encaminhar-se toda a atividade humana, mesmo as profanas em aparência, segundo o preceito do Apóstolo dos Gentios:“Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”(I Cor 10, 31). Proponde-vos enfrentar com vistas a desígnios cristãos um problema tão delicado quanto complexo, cujos imprescindíveis reflexos morais foram, em todo tempo, objeto de atenção e de ansiedade para aqueles que, por ofício, na família, na sociedade e na Igreja, esforçam-se para preservar as almas das insídias da corrupção e a comunidade inteira da decadência dos costumes, isto é, o problema da moda, especialmente feminina.

É justo que, aos vossos generosos propósitos, correspondam a gratidão Nossa e da Igreja e os ardentes votos de que a vossa União, nascida e inspirada por uma são consciência religiosa e civil, atinja, mediante a esclarecida autodisciplina dos próprios artífices da moda, o duplo escopo declarado nos vossos estatutos: moralizar este importante setor da vida pública e contribuir para elevar a moda a instrumento e expressão de uma bem entendida civilização.

Ansiosos por encorajar tão louvável empreendimento, consentimos de bom gosto no pedido a Nós feito de vos expor algumas das ideias, especialmente sobre a reta formulação do problema e sobre os seus aspectos morais, fazendo-vos, outrossim, algumas sugestões práticas, aptas a assegurar à União uma bem aceita autoridade num campo frequentemente tão discutido. Continuar lendo

CONTRA A FIDELIDADE DOS CÔNJUGES

casam

E agora, para tratarmos de outra fonte de erros que dizem respeito à fé conjugal, qualquer pecado que se comete em prejuízo da prole é conseqüentemente também, de alguma forma, pecado contra a fé conjugal, visto que os benefícios do matrimônio são conexos entre si. Mas, além disso, devem enumerar-se separadamente tantas fontes de erro e corrupção contra a fé conjugal quantas são as virtudes domésticas que esta fé compreende: a casta fidelidade de um e de outro cônjuge, a honesta sujeição da mulher ao marido, e finalmente o firme a sincero amor entre os dois.

Liberdades perversas

Primeiro que tudo, corrompem a fidelidade os que entendem dever-se ter indulgência com as idéias e os costumes do nosso tempo acerca da falsa e prejudicial amizade com terceiras pessoas e sustentam dever-se consentir aos cônjuges maior liberdade de pensar ou de atuar no que respeita a essas relações, tanto mais que (como dizem) não poucos têm uma constituição sexual congênita tal, que a não podem satisfazer dentro dos estreitos limites do matrimônio monogâmico. Donde entendem que aquela rígida disposição de espírito por que os cônjuges honestos condenam e recusam qualquer afeto e ato impuro com terceira pessoa é uma antiga mesquinhez da inteligência e do coração ou um abjeto e vil ciúme, e por isso têm na conta de nulas ou, pelo menos, acham que devem ser anuladas as leis penais do Estado acerca da obrigação da fidelidade conjugal. Continuar lendo

O CAMINHO DA VERDADE

santaTu me pedes sofrimentos como reparação das ofensas cometidas contra mim pelos homens; desejas conhecer-me e amar-me como suma Verdade. O caminho para atingir o conhecimento verdadeiro e a experiência do meu ser – Vida eterna que sou – é este: nunca abandones o autoconhecimento! Ao desceres para o vale da humildade, reconhecer-me-ás em ti, e de tal conhecimento receberás tudo aquilo de que necessitas. Nenhuma virtude tem valor sem a caridade, no entanto é a humildade que forma e nutre a caridade. Conhecendo-te, tu te humilharás ao perceber que, por ti mesma, nada és. Verás que o teu ser procede de mim, que vos amei, a ti e aos outros, antes de virdes à existência. Além disso, quando quis recriar-vos na graça com inefável amor, eu vos lavei e vos concedi uma vida nova no sangue de meu Filho unigênito; naquele sangue derramado num grande incêndio de amor. Para quem destrói em si o egoísmo, é no autoconhecimento que tal sangue manifesta a Verdade. Não existe outro meio. Por meio dele, o homem em inexprimível amor conhece-me e sofre. Não com um sofrimento angustiante, aflitivo e árido, mas com uma dor que alimenta interiormente. Ao conhecer a Verdade, a alma sofrerá terrivelmente, pois toma consciência dos próprios pecados e vê a cega ingratidão humana. Nenhuma dor sofreria, se não amasse 4.

O Diálogo – Santa Catarina de Sena

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4 – Este parágrafo resume a doutrina catariniana da cela interior, isto é, do autoconhecimento em Deus

PE. GARRIGOU-LAGRANGE: MISERICÓRDIA PARA O PECADOR OU PARA O PECADO?

garrigouFonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Propomos a leitura de um texto do Pe. Garrigou Lagrange, que foi um dos maiores católicos tomistas contemporâneos, retirado de seu tratado de espiritualidade As três idades da vida interior (T I – cap. VIII). É de uma realidade singular e recorda que a verdadeira caridade deve levar a sermos misericordiosos com o pecador, mas não com o pecado.

“Existe uma falsa caridade, uma espécie de indulgência culpável e de debilidade, como a doçura daqueles que não ofendem ninguém, porque tem medo de todos. Há também uma suposta caridade, espécie de sentimentalismo humanitário que busca admitir a verdade e que, muitas vezes, por seu contato, a contamina.

Um dos principais conflitos desse momento é aquele que surge entre a verdadeira e a falsa caridade. Esta última nos faz pensar nos falsos cristos de que fala o Evangelho; eles são mais perigosos antes de serem desmascarados do que quando se fazem conhecer como verdadeiros inimigos da Igreja. Continuar lendo

POR QUE É TÃO IMPORTANTE E ATÉ NECESSÁRIA A CONTRIÇÃO PERFEITA? – PARTE 2

arrependimentoII — É importante na morte

Sobretudo em perigo de morte repentina.

Houve um grande incêndio numa cidade, e neste pereceram centenas de pessoas. Entre muitas que gemiam no pátio de uma casa, via-se um menino de doze anos que, de joelhos, pedia em voz alta a graça da contrição; explicou depois porque o fazia e suplicou que orassem com ele em voz alta.

Talvez que, por seu intermédio, muitos daqueles infelizes se salvassem para sempre.
Perigos como este sem conta te cercam e, quando menos o penses, podes ser vítima de uma desgraça repentina: podes, por exemplo, cair de uma árvore; podes ser atropelado por um carro na rua; podes ser surpreendido de noite, pelo fogo, na tua habitação; podes colocar mal o pé em uma escada; pode ser que, enquanto trabalhas, te falte repentinamente os sentidos e caias… levam-te moribundo à casa, vão a correr chamar o sacerdote; este, porém, tarda em chegar, e urge tanto!… Que fazer? Excita-te em seguida à contrição perfeita, arrepende-te por amor e gratidão para com Deus, e Jesus Cristo paciente salvar-te-á por toda a eternidade; a contrição perfeita terá sido para ti a chave do Céu no último momento e no último e supremo transe para a alma e para o corpo.

Com isto, não desejo que alguém se aventure a deixar tudo para o último momento, à mercê de um ato de contrição perfeita, julgando ficar já por isso livre de pecado, pois é muito duvidoso que a contrição perfeita possa servir aos que têm pecado à sua sombra.

O que deixo dito vale, antes de tudo e sobretudo, para os que têm boa vontade.
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SÍNODO: VÍDEO INSPIRADOR DA PROCISSÃO REALIZADA PELA FSSPX NOS EUA

Publicamos abaixo um vídeo inspirador, da SSPX-USA com  Tradução nossa: Dominus Est, da procissão realizada pela Capela da Assunção (FSSPX), na cidade de St. Mary, Kansas (EUA) no domingo passado, 4 de outubro.

As intenções dos rosários da procissão foram para o Sínodo, para que se defenda a santidade do matrimônio e da família.

O DIVÓRCIO

divorcioOs legisladores contemporâneos, que se declaram partidários convictos dos mesmos princípios do direito, não podem defender-se contra as vontades pervertidas dos homens de que falamos, por mais que sinceramente o quisessem, e por isso concluem que é necessário contemporizar com a época e outorgar a faculdade do divórcio. É isto mesmo o que, por outro lado, também nos ensina a história. Passando em silêncio muitos outros fatos, basta recordar que nos fins do século passado se pretendeu legitimar por meio de leis a separação dos cônjuges, quando a França, envolvida em grandes perturbações, estava em estado de conflagração, quando a sociedade toda, tendo banido a Deus, se precipitara no seio da desordem. Muitos há neste tempo que desejam renovar estas leis, porque querem expulsar a Deus, e arrancar a Igreja do meio da sociedade humana, julgando estultamente que é em leis de tal natureza que deve procurar-se o remédio para a corrupção crescente dos costumes. Continuar lendo

POR QUE É TÃO IMPORTANTE E ATÉ NECESSÁRIA A CONTRIÇÃO PERFEITA? – PARTE 1

ARREP1É importante na vida e na morte.

I — É importante na vida

Porque: que precioso não é o estado de graça!

A graça não adorna somente a alma, mas invade-a e penetra-a toda, e transforma-a em uma nova criatura, em filha de Deus e herdeira do céu. Além disso, faz com que todas as obras e trabalhos do cristão sejam meritórios para o Céu; a graça é a varinha mágica que tudo converte em ouro, porém em ouro de méritos celestiais.

Pelo contrário, que triste é o estado do cristão que jaz em pecado! Todos os seus trabalhos, todas as suas orações, todas as suas boas obras ficam inúteis e sem mérito para o Céu; é inimigo de Deus e, no momento em que o tênue fio da vida se parta, cairá precipitado no inferno. Não será, pois, importante e necessário o estado de graça para o cristão?

Pois, se o perdeste, podes recuperá-lo, principalmente de duas maneiras:

1º Pela Confissão.
2º Pela contrição perfeita.

A Confissão é o meio adequado e ordinário para alcançar a graça santificante. Como este meio, porém, nem sempre está ao nosso alcance, Deus deu-nos outro extraordinário, que é a contrição perfeita.
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ESTÍMULOS NECESSÁRIOS

estiEmbora seja impossível formar-se a consciência sem aplicar punições, quando oportunas, convém não esquecer que o educando é um ser fraco, que precisa ser incentivado e sustentado em seus esforços. Ele o será por meio de recompensas adequadas, como os castigos, à sua idade e ao seu temperamento, mas orientadas por uma espiritualização mais elevada. A mais humilde recompensa diriger-se-á ao corpo e à sensibilidade; a mais elevada, aos sentimentos e às aspirações superiores. Na idade em que a criança vive apenas pelas sensações, ela se confundirá com um prazer corporal. Mais tarde, poré, é à sua inteligência e às suas faculdades morais que será conveniente fazer apelo.

Não é contra-indicada a multiplicação dos estímulos. Todavia, é preciso velkar para não incentivar no filho o hábito de esperar sempre algum proveito de seus esforços pessoais. É o que aconteceria se os pais cometessem a falta de tato de “pagar” sempre com alguma compensação a boa vontade do filho. Este viria a agir apenas visando vantagens e jamais atingiria o verdadeiro desinteresse moral. Permaneceria sempre no grau inferior da moral utilitária.

Outro perigo seria desenvolver o amor-próprio e o orgulho, ao multiplicar os elogios. Incensada demais, a criança acabaria julgando-se de uma essência superior e desprezando os que não obtêm êxitos tão facilmente quanto ela. Continuar lendo

APELO DE MÉDICA ROMENA AO PAPA E BISPOS NO SÍNODO

Anca_Cernea1Fonte: LifeSiteNews – Tradução: Dominus Est

Dra. Anca-Maria Cernea, médica do Centro de Diagnóstico e Tratamento-Victor Babes e Presidente da Associação dos Médicos Católicos de Bucareste (Romênia) fez a seguinte apresentação ao Papa Francisco e aos bispos sinodais na sexta-feira:

“Sua Santidade, Padres Sinodais, irmãos e irmãs, eu represento a Associação dos Médicos Católicos de Bucareste.

Eu pertenço à Igreja Catolica Greco-Romena.

Meu pai era um líder político cristão, e foi preso pelos comunistas por 17 anos. Meus pais estavam prestes a se casar, mas seu casamento aconteceu 17 anos depois.

Minha mãe esperou todos esses anos pelo meu pai, embora ela nem sabia se ele ainda estava vivo. Eles foram heroicamente fieis a Deus e a seu compromisso.

O exemplo deles mostra que a graça de Deus pode superar as terríveis circunstâncias sociais e pobreza material.

Nós, como médicos católicos, defendendo a vida e a família, podemos ver que isso, antes de tudo, é uma batalha espiritual.

A pobreza material e o consumismo não são a causa principal da crise da família.

A principal causa da revolução sexual e cultural é ideológica. Continuar lendo

FOTOS RECENTES DA CONSTRUÇÃO DO NOVO SEMINÁRIO DA FSSPX EM BUCKINGHAM – EUA

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A cerimônia oficial de lançamento da primeira pedra do novo Seminário da Fraternidade São Pio X nos EUA ocorreu no sábado, 20 de abril de 2013.

Naquele dia, D. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, presidiu duas cerimônias solenes: o batismo dos sinos da capela do prédio do seminário e a bênção da primeira pedra.

Os seminaristas de Winona – estado de Minesota – estiveram presentes e serviram a Missa na manhã da cerimônia. Dom Fellay também deu uma palestra sobre o Jubileu de Prata das consagrações episcopais de 1988.

Para continuar a sua missão de formar sacerdotes católicos, de acordo com a tradição intemporal da Igreja, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X elaborou o projeto de construir um seminário novo e maior que o atual de Winona, no pitoresco estado da Virginia.

Oferecemos a seguir uma série de fotos do progresso do trabalho já realizados nesse início do outono de 2015.

DA PRUDÊNCIA NAS AÇÕES

prudNão se há de dar crédito a toda palavra nem a qualquer impressão, mas cautelosa e naturalmente se deve, diante de Deus, ponderar as coisas. Mas, ai! Que mais facilmente acreditamos e dizemos dos outros o mal que o bem, tal é a nossa fraqueza. As almas perfeitas, porém, não crêem levianamente em qualquer coisa que se lhes conta, pois conhecem a fraqueza humana inclinada ao mal e fácil de pecar por palavras.

Grande sabedoria é não ser precipitado nas ações, nem aferrado obstinadamente à sua própria opinião; sabedoria é também não acreditar em tudo que nos dizem, nem comunicar logo a outros o que ouvimos ou suspeitamos. Toma conselho com um varão sábio e consciencioso, e procura antes ser instruído por outrem, melhor que tu, que seguir teu próprio parecer. A vida virtuosa faz o homem sábio diante de Deus e entendido em muitas coisas. Quanto mais humilde for cada um em si e mais sujeito a Deus, tanto mais prudente será e calmo em tudo.

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

A DIGNIDADE DO PADRE EXCEDE A TODAS AS DIGNIDADES CRIADAS

padreA dignidade sacerdotal é pois neste mundo a mais alta de todas as dignidades, nota Sto. Ambrósio. Ela excede, diz S. Bernardo, todas as dignidades dos imperadores e dos anjos. Santo Ambrósio ajunta que a dignidade do padre sobreleva à dos reis como o ouro ao chumbo. A razão disso, segundo S. João Crisóstomo, é que o poder dos reis só se estendem aos bens temporais e aos corpos, ao passo que o dos padres abrange os bens espirituais e as almas. Donde se conclui, em conformidade com o que fica exposto, que o poder ou a dignidade do padre é tão superior à dos príncipes como a alma ao corpo; era o que já tinha dito o Papa S. Clemente. É uma glória para os reis da terra honrar os padres; é isso próprio dum bom príncipe, diz o Papa Marcelo. Os reis, diz Pedro de Blois, apressam-se a dobrar o joelho diante do sacerdote, a beijar-te a mão, e a abaixar humildemente a cabeça para receberem a sua bênção. Reconhecem assim a superioridade do sacerdócio, diz S. João Crisóstomo. Conta Barónio que Leôncio, bispo de Trípoli, tendo sido chamado à côrte pela imperatriz Eusébia, lhe mandara dizer que, se queria a visita dele, era necessário que primeiro aceitasse as seguintes condições: que à sua chegada a imperatriz desceria do seu trono, viria inclinar a cabeça sob as suas mãos, pedir-lhe e receber dele a bênção; depois ele se assentaria, e ela só o poderia fazer com permissão sua. Terminava por dizer-lhe que, a não se darem essas condições, jamais poria os pés na sua côrte. Convidado para a mesa do imperador Máximo, S. Martinho brindou primeiro o seu capelão e só depois o imperador. 

No Concílio de Nicéia, quis Constantino Magno ocupar o último lugar, depois de todos os sacerdotes, num assento menos elevado; e ainda se não quis assentar sem permissão deles. O santo rei Boleslau tinha pelos sacerdotes uma tal veneração que não se assentava na presença deles. A dignidade sacerdotal ultrapassa até a dos anjos, razão por que também estes a veneram. Velam os anjos da guarda pelas almas que lhe estão confiadas, de modo que, se elas se encontram em estado de pecado mortal, excitam-nas a recorrer aos sacerdotes, esperando que eles pronunciem a sentença de absolvição; assim fala S. Pedro Damião.  Continuar lendo

DESPERTAR ALMAS – PARTE 3 (FINAL)

Pais3Não se deve prolongar demasiadamente esses colóqios, que assim perderiam todo seu valor; tampouco, jamais impô-los; aí, ainda, é necessário muito tato e intuição.

Abstenhamo-nos de insistir inabilmente quando percebemos que não estamos sendo ouvidos, a fim de não provocarmos enfado pela reflexão interior, fator tão importante na educação dos nossos filhos.

Vós me direis: Mas isto não é educação, é sugestão! Ao que responderei: A educação é uma sugestão, uma insinuação lenta, persuasiva e progressiva dos princípios imutáveis que devem reger toda vida. A sugestão educativa normal não tem a menor relação com o magnetismo ou hipnotismo; raciocinada, razoável, ela age sobre o consciente, desperta os bons hábitos, tornando-os firmes e, por assim dizer, inconscientes.

Somente aqueles que amam verdadeiramente a criança encontram sugestões felizes, que contrabalançarão com as outras pernicosas, que ela terá de enfrentar no correr dos anos, seja por meio de colegas, de livros ou de cinema. Implantemos, pois, solidamente os bons princípios na alma de nossos filhos; que sejam os primeiros a dominá-la. Evitemos sempre empregar negativas, dizendo: “Você é preguiçoso, mentiroso, mau”, acabaríamos por estabelecer um fato que a criança aceitará, acreditando na irresistibilidade de suas tendências. Pelo contrário, devemos persuadi-lo de que ama a verdade, para que venha a amá-la e que, se mentiu, foi por engano ou brincadeira. Se é preguiçoso, vamos dizer que hoje não estudou bem, mas certamente, amanhã estudará melhor. Despertemos a bondade em sua alma; a meiguice, os carinhos, os afagos de um pequenino revelam suas disposições para a bondade. À medida em que for crescendo, será preciso explicar-lhe que ser bom é agir. Agir, para o bem daqueles que amamos, no interesse deles ou simplesmente para lhes dar prazer, aceitando algumas privações ou esforço de algum trabalho. A verdadeira bondade não é apenas sentimental, é virtude da bondade. “Ter coração, é saber dedicar-se”. Continuar lendo

SEJAMOS RETRATOS DE DEUS

sagradoNão podemos viver profanando e manchando a imagem divina que trazemos em nossa alma. Nosso dever é trabalhar em todos os momentos de nossa vida e com todos os auxílios que recebemos de Deus, para conseguirmos que êsse retrato divino seja cada dia mais semelhante ao modêlo que temos diante dos olhos. O nosso modelo consumado é Jesus Cristo.

Quem é Jesus Cristo? É o mistério da pobreza… Apresenta-se no mundo num estábulo. Repousa sobre duras palhas num mísero presépio… Chama a si os pobres: com eles se ajunta e quer que formem a corte do novo reino que veio fundar neste mundo.

Quem é Jesus Cristo? O mistério do trabalho… Encerra-se numa oficina e trabalha para comer o pão amassado com o suor do seu rosto… Anda de cidade em cidade, espalhando a doutrina da verdade e a semente da perfeição. Ele mesmo afirma que não tem uma pedra para repousar a cabeça…

Quem é Jesus Cristo? O mistério da verdade… Fala em toda a parte. Fala das doutrinas mais elevadas. Trata dos problemas religiosos, os maiores que jamais foram tratados no mundo. Ouvem-no seus inimigos, procurando surpreender nele algum erro… Não o conseguem. Ele é o único homem em cujos lábios jamais apareceu a sombra fatídica do erro e do engano.

Quem é Jesus Cristo? O mistério do amor… Amou até à abnegação mais absoluta, amou até o sacrifício, amou seus verdugos, seus inimigos, amou até fazer-se nosso alimento, amou até à morte da cruz…
Continuar lendo

PRÉ LANÇAMENTO: ENCÍCLICA PASCENDI DOMINI GREGIS

Encíclica Pascendi Dominici Gregis - Sobre as Doutrinas ModernistasUm dos mais importantes documentos do Papa São Pio X, a célebre Encíclica Pascendi Dominici Gregis foi promulgada em 8 de setembro de 1907.

São Pio X, nesta Encíclica, condena o movimento modernista, denominando-o como a “síntese de todas as heresias”, numa época em que esse movimento começava a se infiltrar nos meios católicos, com o objetivo de relativizar, e até mesmo deturpar o ensinamento do magistério tradicional e infalível da Igreja, procurando levar os católicos incautos a aceitarem os erros do mundo moderno.

Para facilitar o estudo da Pascendi, e consequentemente para um melhor entendimento sobre o modernismo, apresentamos, como introdução, um artigo do ilustre Padre Leonel Franca, publicado em 1926, com comentários e explicações importantes sobre a Encíclica.

Embora tenha se passado mais de um século da condenação do modernismo por São Pio X, consideramos de extrema importância a atualidade deste assunto, tendo em vista que a heresia modernista renasceu e se multiplicou nos meios católicos nas últimas décadas, configurando-se como um dos fundamentos da atual crise na Igreja.

*Pré-Venda: Entrega estimada pela gráfica 22/10.

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DESPERTAR ALMAS – PARTE 2

familia_catolica2Como despertar uma alma?

Descobrindo seu ponto sensível; sem abandonar o nosso “eu” (nosso posto de observação), encontrar o do nosso filho. Para isto, é necessário, evidentemente, certa habilidade, e o senso de adaptação, de observação. Infelizmente, a perspicácia é uma qualidade de que os educadores mais carecem; eis porque tantas palavras ficam inúteis, não esclarecem; ora, despertar uma alma é iluminá-la. Importa, pois, primeiramente, que delas nos aproximemos com simpatia, suscitando-lhe confiança e amor. Se nas famílias tantas almas caminham sozinhas lado a lado, e não se compreendem, embora recebendo iguais contribuições num mesmo ambiente, é porque não foram tocadas na região impenetrável e misteriosa que somente a intuição e o carinho podem descobrir.

Fala-se muito de ciências familiais; e com razão; a educação é uma ciência, mas é mais ainda – uma arte, um conhecimento intuitivo das incógnitas, uma “adivinhação”.

A grande infelicidade, quando pais inteligentes e cultos, muitas vezes “fracassam” e não têm nenhuma influência sobre os filhos, é de não procurarem, ao menos, fazer seu exame de consciência com lealdade e humildade. Em vez de dizer: “Faltam-me a psicologia, a paciência, não sou bastante arguto, nem carinhoso”, declaram: “Não há nada a fazer com esta criança, ela é insensível, teimosa e orgulhosa”. Continuar lendo

JOVENS DE SAINT-NICOLAS-DU-CHARDONNET (FSSPX) COM OS CRISTÃOS DO IRAQUE

chretiens_d_irak_1510Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Durante séculos, os cristãos do Oriente só sobreviveram apoiados na força de um Ocidente profundamente católico. No momento em que esse último, tendo perdido sua alma, abandona covardemente esses cristãos perseguidos, a paróquia St. Nicolas du Chardonnet não quis se limitar às lamentações. Graças à sua generosidade e através da Juventude Pro, ela passou a ação.

No final desse verão, dez jovens da paróquia foram ao Iraque para dar todo o apoio possível a estes irmãos na fé, perseguidos por não terem querido negar a Cristo.

Nós os vimos amontoados em seus campos de refugiados. Nós os vimos vítimas de uma ociosidade forçada, pois qualquer trabalho, na maior parte do tempo, lhes é proibido. Nós os vimos, sobretudo, com suas feridas psicológicas e, infelizmente, muito frequentemente morais: a ignorância da confissão, o desconhecimento da recitação do Rosário, a quase total ausência de oração, apesar de uma identidade católica exteriormente muito forte. Continuar lendo

“…BENDITO É O FRUTO DE VOSSO VENTRE…”

5O pecador procura nas criaturas aquilo que não pode achar, mas o justo o obtém. A riqueza dos pecadores está reservada para os justos, dizem os Provérbios (13, 22). Assim Eva procurou o fruto, sem achar nele a satisfação de seus desejos. A Bem-aventurada Virgem, ao contrário, achou em seu fruto tudo o que Eva desejou.

Eva, com efeito, desejou de seu fruto três coisas:

Primeiro, a deificação de Adão e dela mesma e o conhecimento do bem e do mal, como lhe prometera falsamente o diabo: Sereis como deuses (Gn 3, 5), disse-lhes o mentiroso. O diabo mentiu, porque ele é mentiroso e o pai da mentira (cf. Jo 8, 44). E por ter comido do fruto, Eva, em vez de se tornar semelhante a Deus, tornou-se dessemelhante. Por seu pecado, afastou-se de Deus, sua salvação, e foi expulsa do paraíso.

A Bem-aventurada Virgem, ao contrário, achou sua deificação no fruto de suas entranhas. Por Cristo nos unimos a Deus e nos tornamos semelhantes a Ele. Diz-nos São João: (1 Jo 3, 2) Quando Deus se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como Ele é.

Em segundo lugar, Eva desejava o deleite (cf. Gn 3, 6), mas não o encontrou no fruto e imediatamente conheceu que estava nua e a dor entrou em sua vida. Continuar lendo

JURAMENTO ANTI-MODERNISTA

PIOA ser proferido por todos os membros do clero, pastores, confessores, pregadores, superiores religiosos e professores em seminários de filosofia e teologia.

Eu, N.N., abraço e aceito firmemente todas e cada uma das coisas que foram definidas, afirmadas e declaradas pelo magistério inerrante da Igreja:

Principalmente aqueles pontos de doutrina que diretamente se opõem aos erros do tempo presente.

1 – E em primeiro lugar: professo que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser certamente conhecido e, portanto, demonstrado, como a causa por seus efeitos, pela luz natural da razão, mediante as coisas que foram feitas (Rom 1,20), isto é, pelas obras visíveis da criação;

2 – Em segundo lugar: admito e reconheço como sinais certíssimos da origem divina da religião cristã os argumentos externos à Revelação, isto é, os feitos divinos, e em primeiro lugar os milagres e profecias, e sustento que são sobremaneira acomodados à inteligência de todas as idades e dos homens, mesmo os deste tempo;

3 – Em terceiros lugar: creio igualmente com fé firme que a Igreja, guardiã e mestra da palavra revelada, foi próxima e diretamente instituída pelo próprio Cristo, verdadeiro e histórico, enquanto vivia entre nós, e que foi edificada sobre Pedro, príncipe da hierarquia apostólica, e sobre seus sucessores para sempre;

4 – Em quarto lugar: aceito sinceramente a doutrina da fé transmitida até nós desde os Apóstolos por meio dos Padres ortodoxos, sempre no mesmo sentido e na mesma sentença; e, portanto, rechaço de ponta a ponta a invenção herética da evolução dos dogmas, que passariam de um sentido a outro diverso do qual primeiramente a Igreja sustentou. Igualmente condeno todo erro, pelo qual, ao depósito divino entregue à Esposa de Cristo para que por ela seja fielmente guardado, substitui-se uma invenção filosófica ou uma criação da consciência humana, lentamente formada pelo esforço dos homens e que, posteriormente, deve se aperfeiçoar por um progresso indefinido. Continuar lendo

DESPERTAR ALMAS – PARTE 1

MaeFilho1Não pode existir algo de mais comovente e patético do que assistirmos ao despertar de uma alma, às primeiras manifestações do espírito; desde três meses, vemo-lo surgir; como é belo um bebê e sua mamãe que, unidos pelos olhares, procuram um ao outro e se encontram. Se o bebê de três a doze meses pudesse desvendar os mistérios de suas descobertas inefáveis, ficaríamos … maravilhados! Quando um destes pequeninos pousa sobre sua mãe, sorridente e extasiado, o olhar calmo e a fixa com aquela gravidade, que lhes é peculiar, não se poderia duvidar de que esteja recebendo a revelação do mais grandioso amor. Certamente, aos dezoito anos, o amor lhe será manifestado sob outros aspectos, mas o homem, inconscientemente, procura encontrar na mulher esse infinito de amor que aos três meses lhe foi revelado pela mãe. Que coisa extraordinária, a procura de uma emoção, da qual a memória não guardou a lembrança, porque, desse período unicamente ultra-sensível, tudo se desvanece para ir atapetar o subconsciente, que é uma de nossas maiores riquezas!

Mas, é principalmente entre três e sete anos que poderemos ajudar esse renascimento que se impõe, e que traremos à tona aquela potência adormecida que espera de nós um desabrochar feliz; e é somente por nós que a criança tomará consciência de si própria; ajudemo-la a descobrir as possibilidades que lhe são inerentes, a fim de que desde cedo participe da formação de sua personalidade e nela colabore ativamente.

Comecemos pçor criar o clima favorável ao desenvolvimento de sua capacidade criadora, não abafemos essa sensibilidade apaixonante, a única que põe em contato com o mundo exterior; não multipliquemos as ordens, contra-ordens, interdições, ameaças; procuremos descobrir seus gostos, suas aptidões latentes, suas necessidades profundas e ajudemo-la a realizá-las. Continuar lendo

“…BENDITA SOIS VÓS ENTRE AS MULHERES…”

4Três maldições foram proferidas por Deus contra os homens, por causa do pecado original.

A primeira foi contra a mulher, que traria seu filho no sofrimento e daria à luz com dores.

Mas a Bem-aventurada Virgem não está submetida a estas penas. Ela concebeu o Salvador sem corrupção, trouxe-o alegremente em seu seio e o teve na alegria. A Ela se aplica a palavra de Isaias: (35, 2) A terra germinará, exultará, cantará louvores.

A segunda maldição foi pronunciada contra o homem (Gn 3, 9): Comerás o teu pão com o suor de teu rosto.

A Bem-aventurada Virgem foi isenta desta pena. Como diz o Apóstolo (1 Cor 7, 32-34): Fiquem livres de cuidados as virgens e se ocupem só com o Senhor.

A terceira maldição foi comum ao homem e à mulher. Em razão dela devem ambos tornar ao pó. Continuar lendo

ALGUMAS DO SÍNODO

CEU

QUE EFEITOS PRODUZ A CONTRIÇÃO PERFEITA?

300px-Goya_PeterEfeitos verdadeiramente admiráveis!

Se és pecador, perdoa-te imediatamente os pecados e isto de cada vez e ainda antes de receberes o sacramento da Confissão; necessário é, porém, que tenhas vontade de confessá-los mais tarde (vontade esta que já está incluída na contrição perfeita). E este efeito é produzido pela contrição perfeita e verdadeira não só em perigo de morte, mas sempre e quando a excitamos no coração; de modo que o pecador, ao mesmo tempo que lhe são remitidas as penas do inferno, recobra os méritos passados e, de inimigo de Deus, se faz seu filho e herdeiro do Céu.

Se és justo, a contrição perfeita assegura-te e aumenta-te o estado de graça, apaga-te os pecados veniais que, pelo ato de contrição de caridade, detestaste; perdoa-te, sobretudo, as penas dos pecados, firmando e robustecendo-te no verdadeiro e sólido amor de Deus.
Tais são as maravilhas que o amor e a misericórdia de Deus obram na alma do cristão pela contrição perfeita.

Tão grandes são que, talvez, te pareçam incríveis; tratando-se do perigo de morte, já terás ouvido que se devem pedir a contrição e a dor; mas que também, em tempo de saúde e em qualquer tempo, a contrição perfeita obre tais maravilhas, mal te atreverás a acreditá-lo.

— Será, pois, certa e segura esta doutrina da contrição perfeita?
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