O ECUMENISMO

250px-portrait_msg_marcel_lefebvre_1960sExiste, nesta confusão de idéias em que os cristãos parecem comprazer-se, uma tendência particularmente prejudicial à fé e tanto mais perigosa quanto ela se apresenta sob as aparências de caridade. A palavra, que apareceu em 1927 por ocasião dum congresso realizado em Lausanne, deveria por si própria prevenir os católicos se eles se referiam à definição que lhe dão todos os dicionários: ”Ecumenismo: movimento favorável à reunião de todas as Igrejas cristãs numa só.” Não se podem misturar princípios contraditórios, é evidente, não se podem reunir de maneira a fazer deles uma só coisa, a verdade e o erro. A não ser que se adotem os erros e se rejeite toda ou parte da verdade. O ecumenismo se condena por si mesmo.
O termo conheceu uma tal voga desde o último concílio, que penetrou a linguagem profana. Fala-se de ecumenismo universitário, de ecumenismo informático, e lá sei mais ainda, para exprimir um gosto ou uma idéia preconcebida de diversidade, de ecletismo.
 
Na linguagem religiosa, o ecumenismo se estendeu ultimamente às religiões não cristãs, traduzindo-se bem depressa em atos. Um jornal do Oeste nos indica por um exemplo preciso a maneira pela qual se processa a evolução: numa pequena paróquia na região de Cherburgo, a população católica se preocupa com trabalhadores muçulmanos que acabam de chegar para uma construção. É uma atitude caridosa pela qual não se pode deixar de felicitá-los. Numa segunda fase, vemos os muçulmanos pedir um local para festejar o Ramadã e os cristãos oferecer-lhes o sub-solo de sua igreja. Depois começa a funcionar neste lugar uma escola corâmica. No fim de dois anos, os cristãos convidam os muçulmanos a festejar o Natal com eles, “em torno de uma prece comum preparada com extratos dos capítulos do Corão e com versículos do Evangelho. A caridade mal entendida levou estes cristãos a pactuarem com o erro.
 
Em Lille, os dominicanos ofereceram uma capela aos muçulmanos para ser transformada em mesquita. Em Versalhes, pediu-se auxílio financeiro nas igrejas para “a aquisição dum lugar de culto para os muçulmanos”. Duas outras capelas foram-lhes cedidas em Roubaix e em Marselha, assim como uma igreja em Argentenil. Os católicos se fazem os apóstolos do pior inimigo da Igreja de Cristo, que é o Islão e oferecem seus óbulos a Maomé! Há, parece, mais de 400 mesquitas na França e em muitos casos são os católicos que deram o dinheiro para sua construção.

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O SACRIFÍCIO DA SANTA MISSA É O MESMO QUE O SACRIFÍCIO DA CRUZ

missa_tridentina_523A Santa Missa é um sacrifício tão santo, o mais augusto e excelente de todos, e a fim de formardes uma ideia adequada de tão grande tesouro, eis algumas de suas excelências divinas; pois dize-las todas não é empreendimento a que baste a fraqueza da minha inteligência.

A principal excelência do santo Sacrifício da Missa consiste em que se deve considerá-lo como essencialmente o mesmo oferecido no Calvário sobre a Cruz, com esta única diferença: que o sacrifício da Cruz foi sangrento e só se realizou uma vez e que nessa única oblação JESUS CRISTO satisfez plenamente por todos os pecados do Mundo; enquanto que o sacrifício do altar é um sacrifício incruento, que se pode renovar uma infinidade de vezes, e que foi instituído para nos aplicar especialmente esta expiação universal que JESUS por nós cumpriu no Calvário. Assim, o SACRIFÍCIO CRUENTO foi o MEIO de nossa REDENÇÃO, e O SACRIFÍCIO INCRUENTO nos proporciona as GRAÇAS da nossa REDENÇÃO.

Um abre-nos os tesouros dos méritos de CRISTO Nosso Senhor, o outro no-los dá para os utilizarmos.

Notai, portanto, que na Missa não se faz apenas uma representação, uma simples memória da Paixão e Morte do nosso Salvador; mas num sentido realíssimo, o mesmo que se realizou outrora no Calvário aqui se realiza novamente: tanto que se pode dizer, a rigor, que em cada Santa Missa nosso Redentor morre por nós misticamente, sem morrer na realidade, estando ao mesmo tempo vivo e como imolado: Vidi agunum stantem tanquan accisum. (Apoc 5, 6)

No santo dia de Natal, a Igreja nos lembra o nascimento do Salvador, mas não é verdade que Ele nasça, ainda, nesse dia. Continuar lendo

LINDAS FOTOS DA CONSAGRAÇÃO DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS DORES NOS ESTADOS UNIDOS – PARTE 2

Imagens da solene cerimônia de consagração da igreja dedicada à  Nossa Senhora das Dores, em Phoenix, Arizona (EUA) em 13 de setembro de 2015.

O vídeo pode ser visto aqui.

LINDAS FOTOS DA CONSAGRAÇÃO DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS DORES NOS ESTADOS UNIDOS – PARTE 1

Imagens da solene cerimônia de consagração da igreja dedicada à  Nossa Senhora das Dores, em Phoenix, Arizona (EUA) em 13 de setembro de 2015.

O vídeo pode ser visto aqui.

A NOVA TEOLOGIA

lefebvre2As devastações da catequese são visíveis nas gerações que já tiveram que as sofrer. Eu tinha incluído na Ratio Studiorum de meus seminários, como a Sagrada Congregação dos seminários e universidades obrigou desde 1970, um ano de espiritualidade colocado no início dos estudos que duram seis anos. Espiritualidade, isto é, ascetismo, mística, formação na meditação e na oração, aprofundamento das noções de virtude, de graça sobrenatural, de presença do Espírito Santo…
Foi-nos preciso muito pouco tempo para desiludir-nos. Nós nos demos conta de que estes jovens, tendo vindo com um vivo desejo de se tornarem verdadeiros sacerdotes, possuindo uma vida interior mais profunda que muitos de seus contemporâneos e o hábito da oração, não conheciam mesmo as noções fundamentais de nossa fé. Não se lhes haviam ensinado. Durante o ano de espiritualidade, foi preciso ministrar-lhes o catecismo!
 
Eu contei muitas vezes o nascimento do seminário de Ecône. Nesta casa situada no Valais entre Sion e Martigny, estava previsto que os futuros sacerdotes não fariam ali senão este primeiro ano de espiritualidade: em seguida eles seguiriam os cursos da universidade de Friburgo. Se a criação dum seminário completo foi muito rapidamente visada é porque a universidade de Friburgo não assegurava mais um ensino verdadeiramente católico.
 
A Igreja sempre considerou as cátedras universitárias de teologia, de direito canônico, de liturgia e de direito eclesiástico como órgãos de seu magistério ou pelo menos de sua pregação. Ora é coisa certa que atualmente em todas ou quase todas as universidades católicas, não é mais a fé católica ortodoxa que se ensina. Não vejo uma só para fazê-lo nem na Europa livre, nem nos Estados Unidos, nem na América do Sul. Há nelas professores que sob o pretexto de pesquisas teológicas, se permitem emitir opiniões que vão contra nossa fé e não somente em aspectos secundários.

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COMUNICADO DO PE. CHRISTIAN BOUCHACOUT SOBRE O SÍNODO DA FAMÍLIA

bouchacourt_141027Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Dentro de alguns dias, terá início o Sínodo sobre a família. As orientações da primeira sessão, as declarações de alguns participantes e o documento preparatório dessa segunda sessão nos fazem temer um grande perigo para a Igreja. Após a destruição da fé consequente do Vaticano II e as reformas que se seguiram, eis que surge um questionamento da moral que a Igreja sempre ensinou. Um certo número de bispos e cardeais, eles próprios, soaram o alarme nos últimos meses.

Diante de tal perigo para nossas almas e da sociedade, não podemos permanecer passivos. Devemos pedir a Deus que tenha misericórdia da Santa Igreja. Além disso, durante a semana de 26 de Setembro a 3 de outubro, convido os fiéis e membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X:

– a recitar o rosário em família ou em nossas igrejas e capelas suplicando à Virgem Maria que proteja a Igreja de tal desastre.
– além disso, que em todos os lugares possíveis, um dia desta semana, seja organizada uma Hora Santa ou uma vigília de oração diante do Santíssimo Sacramento.
– que durante esta semana (1), sejam adicionados às orações da Missa do dia os “pro quacumque tribulatione“.
– à essas orações, unam a penitência a fim de que nosso Senhor cuide de seu Vigário para que não caia nas mãos dos inimigos da Igreja.

Como bons filhos da Igreja, sejamos generosos na resposta a este apelo a fim de que o Espírito Santo ilumine os membros do sínodo e fortaleça o Papa na fé. “Ut Domnum Apostólicum et omnes ecclesiásticos órdines in sancta religióne conserváre dignéris, te rogámus, audi nos (2).”

Pe. Christian Bouchacourt, Superior do Distrito da França da FSSPX, 17 de setembro 2015, na festa da impressão dos Estigmas de São Francisco

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(1) Com exceção do domingo, 27 de setembro, da terça-feira 29 de setembro e das missas cantadas.
(2) Ladainha dos Santos, “Para que Vos digneis conservar na Santa religião o Sumo Pontífice e todas as ordens da hierarquia eclesiástica. Nós vos pedimos, ouvi-nos.

O CEGO À BEIRA DA ESTRADA

Eustache_Le_Sueur_003Jesus, acompanhado de seus discípulos, após longa caminhada, estava para entrar na cidade de Jericó.

À beira da estrada, não muito longe das habilitações,estava um cego sentado, pedindo esmola. Aquela estrada, uma das mais frequentadas pelos peregrinos, era, certamente, um ponto bem escolhido pelo cego para estender a mão aos transeuntes.

Naquela hora, porém, a esmola que ia receber não era apenas grande, era maior que podia desejar em sua vida.

Ouvindo o tropel de gente que passava, perguntou:

– Que movimento é esse? Quem é que está passando?

– É Jesus de Nazaré, disseram-lhe.

Jesus. Aquele nome não lhe era desconhecido; pelo contrário. Já ouvira falar de muitos milagres operados por ele.
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ABORTISTAS ATACAM IGREJA E VANDALIZAM IMAGEM DA VIRGEM MARIA NA ARGENTINA

Dios-NoFonte: ACI/EWTN Noticias

Ativistas do aborto atacaram durante a noite do dia 12 de setembro a Catedral de Jesus Bom Pastor, localizada na Diocese de San Martín – sufragânea da Arquidiocese de Buenos Aires (Argentina). Eles picharam as imagens e as paredes da fachada do templo.

nsenSegundo informou a Arquidiocese argentina, na página do Facebook da Catedral, no último sábado, “no horário da Missa das 19 horas (hora local), um grupo organizado tentou entrar no templo realizando um ato de vandalismo”.

Isto ocorreu no contexto de algumas manifestações que os ativistas pró-aborto realizaram durante esse dia pelas ruas da cidade.

“Como não puderam entrar no templo – indicou a Arquidiocese –, os ativistas se manifestaram pichando toda a fachada da Igreja”.

Entre os danos causados por este grupo, desenharam em cima de uma imagem da Virgem Maria e picharam nas paredes algumas frases, como por exemplo “Deus não existe” e “Aborto legal”.

 

A DIGNIDADE DO PADRE

abcIdeia da dignidade sacerdotal

Diz Santo Inácio mártir que a dignidade sacerdotal tem a supremacia entre todas as dignidades criadas. Santo Efrém exclama: “É um prodígio espantoso a dignidade do sacerdócio, é grande, imensa, infinita. Segundo São João Crisóstomo, o sacerdócio, embora se exerça na terra, deve contudo ser contado no número das coisas celestes. Citando Santo Agostinho, diz Bartolomeu Chassing que o sacerdote, alevantado acima de todos os poderes da terra e de todas as grandezas do Céu, só é inferior a Deus. E o Papa Inocêncio III assegura que o sacerdote está colocado entre Deus eo homem; é inferior a Deus, mas maior que o homem.

Segundo São Dionísio, o sacerdócio é uma dignidade angélica, ou antes divina; por isso chama ao padre “um homem divino”. Numa palavra, conclúi Santo Efrém, a dignidade sacerdotal sobreleva a tudo quanto se possa conceber. Basta saber-se que, no dizer do próprio Jesus Cristo, os padres devem ser tratados como a sua pessoa: “Quem vos escuta, a mim escuta; e quem voz despreza, a mim despreza” (Lc 10, 16). Foi o que fez dizer ao autor da Obra Imperfeita: “Honrar o sacerdote de Cristo, é honrar o Cristo; e fazer injúria ao sacerdote de Cristo, é fazê-la a Cristo”. Considerando a dignidade dos sacerdotes, Maria d’Oignies beijava a terra em que eles unham os pés.

Importância das Funções Sacerdotais

Mede-se a dignidade do padre pelas altas funções que ele exerce. São os padres escolhidos por Deus, para tratarem na terra de todos os seus negócios e interesses; é uma classe inteiramente consagrada ao serviço do divino Mestre, diz São Cirilo de Alexandria. Também Santo Ambrósio chama ao ministério sacerdotal uma “profissão divina”. Continuar lendo

DO CATECISMO HOLANDÊS A “PIERRES VIVANTES”

mons-marcel-lefebvreNas fileiras católicas eu ouvi freqüentemente e continuo a ouvir esta observação: “Querem impor-nos uma religião nova.” O termo é exagerado? Os modernistas que se infiltraram por todos os lados na Igreja e que comandam o jogo tentaram primeiramente tranqüilizar: “Mas não, vós tendes esta impressão porque formas caducas foram substituídas por outras, por razões que se impunham: não se pode mais rezar exatamente como se fazia antigamente, era preciso sacudir a poeira, adotar uma linguagem compreensível aos homens de nosso tempo, praticar a abertura em direção de nossos irmãos separados… Mas seguramente nada mudou.”
 
Depois eles tomaram menos precauções e os mais ousados passavam mesmo às declarações quer em grupos pequenos diante de pessoas já ganhas à sua causa, quer publicamente. Um padre Cardonell se ufanava bastante anunciando um novo cristianismo no qual seria contestada “a famosa transcendência que faz de Deus o monarca universal” e arrogando-se abertamente o modernismo de Loisy: “Se vós nascestes numa família cristã, os catecismos por vós aprendidos são esqueletos da fé.” “Nosso cristianismo, proclamava ele, aparece o melhor possível de forma neo-capitalista”. O cardeal Suenens, após ter reconstruído a Igreja a seu modo, convocava a “abrir-se ao mais largo pluralismo teológico” e reclamava o estabelecimento duma “hierarquia das verdades” com o que se deveria crer muito, com o que se deveria um pouco e com o que não tinha mais importância.
 
Em 1973, nos edifícios do arcebispado de Paris, o padre Bernardo Feillet ministrava um curso, da maneira mais oficial, dentro do quadro da “formação cristã dos adultos” onde afirmava várias vezes: “Cristo não venceu a morte. Ele foi levado à morte pela morte… No plano da vida, Cristo foi vencido e todos nós o seremos. É que a fé não foi justificada por nada, vai ser este grito de protesto contra este universo que acaba, como dizíamos há pouco, pela percepção do absurdo, pela consciência da condenação e pela realidade do nada.”

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REVOLTA CONTRA FRANCISCO

papst-2Fonte: La Porte Latine – Tradução: Cidade Católica

Para eles, a taça está cheia. Em três semanas, os bispos católicos do mundo todo vão se reunir no Vaticano para debater a estratégia a ser seguida pela Igreja. Em Roma, os padres sinodais vão encontrar um aparato que definitivamente declarou guerra ao papa. Nos recintos sagrados da Cúria circula um dossiê, que pode ser lido no “Christ und Welt“, suplemento do jornal Die Zeit. Nele são enumerados sistematicamente os supostos pecados do papa. “Francisco deixou cair a máscara”, diz um alto prelado do Vaticano.

O último texto promulgado pelo papa argentino, hoje com 78 anos, colocou lenha na fogueira do que se pode seguramente definir como o princípio de uma resistência organizada contra Francisco. Publicando na terça-feira passada um documento que permite, de modo mais fácil e mais rápido, uma anulação do matrimônio religioso, o papa colocou a Igreja diante um fato consumado. Mitis Iudex Dominus, assim se intitula este edito, ou seja, o “Senhor, juiz clemente”. Todavia, desta clemência, que Francisco quer oferecer aos crentes em conflito com as regras da Igreja, a Cúria não quer ouvir falar. Muitos dos Monsenhores, que estão nominalmente nos comandos da Igreja universal, estão fora de si.

Vê-se isto em um dossiê de linguagem mordaz que circula nestes dias nos mais importantes escritórios do Vaticano, entre os quais é preciso contar também a Congregação para a Doutrina da Fé e a Secretaria de Estado. Nele, o motu proprio sobre a atenuação da declaração de nulidade matrimonial  é examinado juridicamente, em seus pormenores. Continuar lendo

COMO SE EXCITA A CONTRIÇÃO PERFEITA?

contriHás de pressupor que a contrição perfeita é graça e grande graça do amor e misericórdia de Deus; e, se assim é, hás, portanto, de pedi-la com instância. Porém, não te contentes com fazê-lo somente quanto trates de excitar a contrição, porque o desejo de alcançá-la deve ser um dos mais ardentes anseios de tua alma. Pede-a, pois, dizendo: Senhor, dai-me a graça do perfeito arrependimento, da perfeita contrição dos meus pecados. E Deus não te faltará com a sua graça, se tiveres boa vontade.

Posto isto, repara como poderás facilmente conseguir a contrição perfeita.
Põe-te diante de um crucifixo, na igreja ou na casa de tua habitação, ou senão imagina que o tens diante de ti, e, chorando de compaixão à vista das feridas do Senhor, pensa uns momentos com fervor: Quem é este que está pendente da Cruz e sofrendo nela? — É Jesus, meu Deus e Salvador. Que sofre? — As mais terríveis dores no corpo, tem-no ensangüentado e coberto de feridas; a alma, tem-na lacerada pelas dores e afrontas. Por que sofre tudo isso? — Pelos pecados dos homens e… também pelos meus pecados; em meio de suas amarguradas dores, também pensa em mim, também sofre por mim, também quer expiar os meus pecados. — Entretanto, deixa que o sangue redentor do Salvador, quente ainda, caia sobre ti, gota a gota, e pergunta a ti mesmo como tens correspondido ao teu Salvador, tão atormentado por ti.

Pensa um momento, recorda teus pecados, e esquece-te, se quiseres, do Céu, do inferno, e arrepende-te principalmente porque são eles que a tão miserando estado reduziram o teu Salvador; promete-lhe que não tornarás a crucificá-Lo com mais pecados e, por fim, reza, pausadamente e com fervor, acompanhando com sentimento interno, as palavras, a fórmula da contrição.
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CONSIDERAÇÕES SOBRE A EDUCAÇÃO DO CORAÇÃO

123A educação do coração é necessária a fim de preparar os jovens para os deveres de família que os esperam. Avida familiar exigirá deles mais tarde a acaitação do sacrifício, recordações adequadas, delicadeza de sentimentos.

Mas o senso do sacrifício seria impossível para um homem cuja infância e juventude fossem entregues ao odioso egoísmo. Pretenderá ele que cabe sempre ao outro ceder. Daí todas as desordens familiares e sociais: desentendimentos, má educação dos filhos, divórcio, adultérios. Obedecendo aos próprios caprichos, torna-se exigente, tirânico, e não pode aceitar o sacrifício, inevitável um dia ou outro em toda vida em comum.

Por outro lado, se o jovem em quem se desenvolvem simultaneamente as paixões e a necessidade de amar, não receber uma educação dos sentidos e dos sentimentos, abandona-se-á às desordens sentimentais e sexuais. A educação sexual é um verdadeiro perigo se se limitar à simples higiene e não abranger a educação da consciência, da vontade e da sensibilidade. Frequentemente os jovens sabidos são os mais pervertidos.

Enfim, a união no matrimônio e a boa educação dos filhos exigem uma grande delicadeza de sentimentos. Mas para que o adolescente a descubra, aprecie e ame suficientemente para compelir seus sentidos, é necessário que suas faculdades sejam orientadas para um amor estável e fecundo, que se lhe ensine a dominar seus próprios sentidos e a pensar na alegria de criar uma família, a ponto de a garantir mediante séria preparação. Continuar lendo

DESEJANDO ASAS!

abcÉ este um desejo real do cantor de Deus nos salmos … Suspira pelas asas das pombinhas para voar até perto de Deus. Muita moça parece viver suspirando pelas asas para qualquer elevamento do nível em que paira. Mas nem todas sabem o que desejam.

Asas de mariposas – assim chamemos às desejadas por certos grupos de jovens. Nelas há fulgores de sol, matizes de flor; agradam, encantam. Em troca, são asas fragilíssimas, delicadíssimas e nada abrigam…

Asas de andorinhas – demos-lhe tal nome às desejadas por outro grupo de moças. São asas ligeiras, irrequietas, em contínuo movimento, eternas desenhistas de caprichosos arabescos. Bem representam a vida que se move, que vai a toda parte. Na atividade febril de seu vôos desconhecem a paz.

Asas de águia – cujo destino é buscar as nuvens, é pairar nas alturas, como se desprezassem o resto do mundo. Parecem agitá-las aquelas jovens desejosas de glórias, de honras, de aplausos. Mas também essas não servem para a felicidade.
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OS NOVOS PADRES

Monsenhor-Lefebvre-322x320Há cada vez menos sacerdotes, é um lugar comum, o homem da rua mais indiferente às questões religiosas é informado disto por seu jornal em intervalos regulares. Faz já mais de quinze anos que aparecia um livro intitulado Amanhã, uma igreja sem padres? Mas a situação é ainda mais grave que parece. Seria preciso acrescentar: Quantos sacerdotes ainda têm fé? E mesmo pôr uma terceira questão: Certos padres ordenados nestes últimos anos, o foram verdadeiramente? De outra maneira, as ordenações, ao menos em parte, são válidas? A dúvida é idêntica à que pesa sobre os outros sacramentos. Ela se estende a certas sagrações de bispos, por exemplo àquela que se realizou em Bruxelas durante o verão de 1982, na qual o bispo sagrante disse ao ordenando: “Sê apóstolo como Gandhi, Helder Câmara e Maomé!” Podem-se conciliar estas referências, ao menos no que concerne a Gandhi e a Maomé, com a intenção evidente de fazer o que quer a Igreja?
 
Eis o fascículo duma ordenação sacerdotal que se desenrolou em Toulouse há alguns anos. Um “animador” começa a celebração apresentando o ordenando, designado por seu nome próprio: C. e dizendo: “Ele decidiu viver (o dom total, que fez a Deus) mais em profundidade, consagrando-se totalmente ao serviço da Igreja na classe operária.” C. efetuou seu “encaminhamento”, ou seja, seu seminário, em equipe. É esta equipe que o apresenta ao bispo: “Nós vos pedimos reconhecer, autenticar o seu proceder e ordená-lo sacerdote. “O bispo lhe faz então várias perguntas consideradas como definição do sacerdócio: Queres ser ordenado sacerdote “para ser, com os crentes, Sinal e Testemunha do que buscam os homens, em seus esforços de Justiça, de Fraternidade e de Paz” “para servir ao Povo de Deus”, “para reconhecer na vida dos homens a ação de Deus em modos de vida, culturas e opções múltiplas”, “para celebrar a ação de Cristo e assegurar este serviço”, queres participar comigo e com o conjunto dos bispos da responsabilidade que nos foi confiada para o serviço do Evangelho”?
 
A matéria do sacramento foi preservada: é a imposição das mãos que se deu a seguir e a forma igualmente: são as palavras da ordenação. Mas se é obrigado a notar que a intenção não é clara. O Padre é ordenado para o uso exclusivo duma classe social e antes de tudo para estabelecer a justiça, a fraternidade e a paz num plano que parece ademais limitado à ordem natural? A celebração eucarística que segue, a “primeira missa”, em suma, do novel sacerdote se processa neste sentido. O ofertório foi composto para a circunstância do momento: “Nós te acolhemos, Senhor, recebendo de tua parte este pão e este vinho que nos ofereces, nós queremos representar com isso todo o nosso trabalho, nossos esforços por construir um mundo mais justo e mais humano, tudo o que tentamos instituir a fim de serem asseguradas melhores condições de vida…” A oração sobre as oferendas é ainda mais duvidosa: “Olha, Senhor, nós te oferecemos este pão e este vinho; que eles se tornem para nós uma das formas de tua presença.” Não, as pessoas que celebram desta maneira não têm a fé na Presença real!

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TOMADA DE BATINA EM LA REJA – PARTE 2

Fonte: FSSPX Argentina

Em uma solene Missa Pontifical celebrada no domingo 13 de setembro, 2015, Sua Excelência Reverendíssima Mons. Tissier de Mallerais, bispo auxiliar da Fraternidade São Pio X, abençoou a batina de 9 seminaristas do Ano de Espiritualidade – 5 argentinos, 2 brasileiros , 1 chileno e 1 guatemalteco – que se revestem agora com o santo hábito clerical.

Esta é a primeira cerimônia que marca profundamente os seminaristas. Nesse dia, eles concretizam sua doação total à Nosso Senhor Jesus Cristo e o abandono definitivo da veste secular. Mons. Lefebvre sempre defendeu o uso da batina como sinal de sacrifício e como uma pregação viva de Nosso Senhor no mundo.

TOMADA DE BATINA EM LA REJA – PARTE 1

Fonte: FSSPX Argentina

Em uma solene Missa Pontifical celebrada no domingo 13 de setembro, 2015, Sua Excelência Reverendíssima Mons. Tissier de Mallerais, bispo auxiliar da Fraternidade São Pio X, abençoou a batina de 9 seminaristas do Ano de Espiritualidade – 5 argentinos, 2 brasileiros , 1 chileno e 1 guatemalteco – que se revestem agora com o santo hábito clerical.

Esta é a primeira cerimônia que marca profundamente os seminaristas. Nesse dia, eles concretizam sua doação total à Nosso Senhor Jesus Cristo e o abandono definitivo da veste secular. Mons. Lefebvre sempre defendeu o uso da batina como sinal de sacrifício e como uma pregação viva de Nosso Senhor no mundo.

EU PODERIA, SE QUISESSE

caminhosA nossa vontade não é bastante firme; e essa é a origem de quase todos os nossos defeitos. Se o fosse mais, bem depressa seríamos perfeitos … Calígula, o tirano de Roma, exaclamava um dia: “Quisera que todos os Romanos reunidos só tivessem uma cabeça, para fazê-la abater de um só golpe!” – Pois bem! tu também só tens uma cabeça para abater; e essa cabeça é a fraqueza da tua vontade.

Ouço com frequência moços que me dizem: “Ora, eu bem poderia fazer isto ou aquilo, se quisesse”. – Se eu quisesse … Sempre esse “se”.

Mas esses jovens que pretendem ter vontade nunca tentam dela servir-se. Entretanto, essa tentativa testemunharia que eles a têm verdadeiramente. Parecem as caricaturas de soldados que têm sempre o fuzil no rosto, semblante terrível, como a dizer: “Atiro já, já!”, e com os quais ninguém se assusta, porque eles não atiram nunca. – “Eu poderia, se quisesse”. “Se … se … Ah! se esse se não existisse! …

Nenhuma arte reclama tanta sagacidade como a formação de nossa alma, pois nossa alma é mais nobre do que o mais puro mármore e o mais precioso metal.

Já te falaram, de certo, algumas vezes, do livre arbítrio do homem. Receio que não o tenham feito bastante. Pois bem, sim, a vontade humana é livre, mas é fraca também; e a tua é como a dos outros, a não ser que desde cedo a exercites. Uma vontade firme não é um presente do céu que achamos no berço; é um tesouro raro que cada um de nós deve comprar a preço de lutas incessantes. Seria, pois, ridículo imaginar que a nossa pode tornar-se assim firme, de um dia para outro … ridículo exclamar num momento de entusiasmo: “A partir de hoje, quero ter uma vontade de ferro! …”. Essa vontade de ferro, nunca a tingiremos, a não ser por um trabalho aturado e assíduo. Continuar lendo

“AMOR AO OURO” – ESPOSA DO SANTO E PACIENTE JÓ

joQuem não conhece a célebre e bíblica mulher do santo e paciente Jô! Amava-o nos tempos de ventura e, ao vê-lo atirado aos horrores da doença, desprezou-o.

– Que ganhaste com tua vida de caridade e de serviço de Deus, marido? Vamos lá: bendize a Deus e morre!

Foi este o ato de amor da famosa esposa. Por isso, também, um comentador dos Livros Santos assegura que dos flagelos, enviados por Deus ao paciente Jô, foi o maior de todos o haver-lhe deixado … a mulher.

Não quadra na nobreza de uma esposa cristã amar o marido quando ele é feliz, tem saúde, tem fortuna, tem amigos, tem colocação e lhe pode dar vestidos, conforto, etc. Não; ela o amará na doença e nos reveses, seja lá qual for a sua posição social e econômica. Para São Paulo é natural que, ao sofrer a cabeça, compadeçam com ela todas as partes do corpo. Na família é o marido o chefe e cabeça, com direitos para chamar a si o amor compassivo de sua esposa. Quando te dói a cabeça, leitora, pensas em arrancá-la, em assentá-la na parede? E porque desejar mal ao marido quando se torna pesado à casa? Porque convidá-lo a … morrer, na amável linguagem da mulher de Jô? Continuar lendo

O NOVO BATISMO, O NOVO CASAMENTO, A NOVA PENITÊNCIA, A NOVA EXTREMA-UNÇÃO

Lefebvre-1989O católico, seja ele um praticante regular ou um que reencontra o caminho da igreja nos grandes momentos da vida, é levado a fazer-se perguntas no fundo tais como esta: o que é o batismo?
 
É um fenômeno novo: não há muito tempo, qualquer um sabia responder e ademais ninguém lhe perguntava. O primeiro efeito do batismo é a remissão do pecado original, isto se sabia, transmitido de pai para filho e de mãe para filha.
 
Mas eis que não se fala mais disto em parte alguma. A cerimônia simplificada que se realiza na igreja evoca o pecado num contexto tal que parece tratar-se daquele ou daqueles que cometerá o batizado na sua vida e não da falta original com a qual nós todos nascemos carregados.

O batismo aparece por conseqüência simplesmente como um sacramento que nos une a Deus, ou antes, nos faz aderir à comunidade. Assim se explica o rito de “recepção” que se impõe em certos lugares como uma primeira etapa, numa primeira cerimônia. Isto não é devido a iniciativas particulares, uma vez que nós encontramos amplos desenvolvimentos sobre o batismo por etapas nas fichas do Centro nacional de pastoral litúrgica. Chama-se também batismo diferido. Após a recepção, o “encaminhamento”, a “busca”, o sacramento será ou não administrado, quando a criança puder, segundo os termos utilizados determinar-se livremente, o que pode ocorrer numa idade bastante avançada, dezoito anos ou mais. Um professor de dogmática muito apreciado na nova Igreja estabeleceu uma distinção entre os cristãos cuja fé e cultura religiosa ele julga capaz de atestar, e os outros — mais de três quartos do total — aos quais não atribui senão uma fé suposta quando eles pedem o batismo para seus filhos. Estes cristãos “da religião popular” são descobertos no decorrer das reuniões de preparação e dissuadidos de ir além da cerimônia de acolhimento. Esta maneira de agir seria “mais adaptada à situação cultural de nossa civilização”. 

Recentemente, devendo um pároco do Somme inscrever duas crianças para a comunhão solene, exigiu as certidões de batismo, que lhe foram enviadas pela paróquia de origem da família. Ele verificou então que uma das crianças tinha sido batizada mas que a outra não, contrariamente ao que acreditavam os seus pais. Ela havia simplesmente sido inscrita no registro de recepção. É uma das situações que resultam destas práticas; o que se dá é efetivamente um simulacro de batismo, que os fiéis tomam de boa fé pelo verdadeiro sacramento.

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RELATÓRIO: OFICIAIS DO VATICANO DESAFIAM MOTU PROPRIO DA ‘NULIDADE’

change-ahead-danger-sign460Fonte: FSSPX EUA – Tradução: Dominus Est

Circula na Cúria Romana um dossiê de sete páginas em que prelados do Vaticano expressam profunda insatisfação com o motu proprio mais recente de Francisco sobre a nulidade.

O jornal alemão Die Zeit alega ter obtido uma cópia do dossiê.

Edward Pentin do National Catholic Register, respeitado jornalista vaticanista e autor de The Rigging of the Vatican Synod? Observa em reportagem recente: “os curiais ‘dissecaram’ juridicamente o motu proprio em que o papa trata da reforma do processo de nulidade e acusaram-no de ter abandonado um importante dogma, além de afirmarem que ele introduziu o ‘divórcio católico’ de facto”.

Os curiais também demonstraram outras preocupações:

– “apesar da gravidade do assunto, nenhum dicastério, incluindo a Congregação para a Doutrina da Fé e as conferências dos bispos, foi consultado antes de a decisão ser tomada”;

– “A maneira pela qual Francisco lançou o documento vai contra os pedidos dele mesmo por sinodalidade e colegialidade, e traz à memória um Fuhrerprinzip eclesial que delega ordens de cima para baixo, por decreto, sem qualquer consulta ou análise”; Continuar lendo

INFLUÊNCIA MASCULINA E FEMININA NA EDUCAÇÃO DA CRIANÇA

familia_catolicaPor serem de compleição diferente, o homem e a mulher não vêem o filho com os mesmos olhos: ele o vê através de sua masculinidade; ela, através de sua feminilidade. Entretanto, essa divergência não é um mal, pois traz como resultado não somente um conhecimento mais completo e aprofundado da criança, como também uma espécie de combinção de influências. Permite ao homem descobrir os métodos que tornarão o educando mais forte, mais corajoso e mais empreendedor; à mulher, os que nele despertarão as delicadezas do sentimento.

Tomemos um exemplo: o filho é obrigado a um esforço penoso. A mãe é inclinada a proporcionar-lhe o auxílio de sua sensibilidade feminina; o pai, o da força que comanda. Se a mãe fosse sozinha, correria o risco de enfraquecer a vontade; se fosse só o pai, talvez quebrasse os impulsos delicados da sensibilidade. Unidos, irão obter um esforço misturado de força e de ternura. Continuar lendo

NADA DE IMPROVISO!

improLendo as páginas de um romance, a sonhadora armou um palco na imaginação, e dentro dele pôs-se a realizar complicados heroísmos, como esposa dedicada. Nisso a mãezinha, lá de dentro de casa, chamou a filha para ajudá-la. E a “heróica” senhorita levantou-se resmungando, mal humorada, e foi fazer o serviço com rosto de parca.

Um quadrinho singelo, mas frequente na vida das jovens. Amanhã ou depois, a leitora terá de escolher um véu: da virgem, de noiva, de irmã. Cada véu traz uma lista de exigências morais, cita uma ladainha de prendas que o coração, que as mães devem apontar, que o caráter deve lembrar.

Erro seria supor a leitora que tudo isso virá dentro da corbeille de noiva, nos tecidos do hábito religioso, nos fios de véu de virgem… Nada de improviso, senhorita. É uma das piores ilusões da mocidade feminina, esse cálculo errado. Já vimos a primeira vocação da mulher: é o devotamento, mesmo a custo do seu sangue. Foi feita a mulher mais para tornar a outros felizes, do que para ser ela mesma feliz.

Não se preparar para isso é trair a própria missão dada pelo Criador, reclamada pelo coração e por todas as forças vivas do próprio ser.
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A MISSA DO FUTURO

Documentário intitulado “Reforma ou Revolta? O Movimento Litúrgico e a Missa de Paulo VI”, onde é feita uma comparação entre a Missa Tradicional e o Rito de Paulo VI, a Missa Nova, as duas celebradas no mesmo local e no mesmo dia. Com informações históricas muito importantes, o vídeo pode auxiliar muito aos que buscam entender sobre o assunto. Assista:

“VOCÊS SÃO RETRÓGRADOS!”

lefebvre-500Os católicos que na verdade sentem que se operam transformações radicais têm dificuldades em resistir à propaganda insistente, comum a todas as revoluções. Dizem-lhes: “Vós não aceitais a mudança, mas a vida consiste na mudança. Mantendes-vos no fixismo, mas o que era bom há cinqüenta anos não convém mais à mentalidade atual nem ao gênero de vida que temos. Vós vos apegais ao vosso passado, não sois capazes de mudar vossos hábitos.” Muitos se submeteram à reforma para não incorrer nesta censura, não encontrando os argumentos suscetíveis de preservá-los de acusações infamantes: “Vós sois retrógrados, passadistas, não viveis com o vosso tempo.”
 
O cardeal Ottaviani dizia já dos bispos: “Eles têm medo de parecer velhos.”
Mas nós jamais recusamos certas mudanças, certas adaptações que testemunham a vitalidade da Igreja. Em matéria litúrgica, não é a primeira reforma à qual assistem homens da minha idade: eu acabava justamente de nascer quando São Pio X se preocupava em introduzir melhoramentos, especialmente dando mais importância ao ciclo temporal, antecipando a idade da primeira comunhão para as crianças e restaurando o canto litúrgico que havia conhecido um obscurecimento. Pio XII, em seguida, reduziu a duração do jejum eucarístico em razão das dificuldades inerentes à vida moderna, autorizou pelo mesmo motivo a celebração da missa vespertina, recolocou o ofício da vigília pascal na noite do Sábado santo, remodelando ofícios da semana santa. João XXIII mesmo fez alguns retoques, antes do concílio, no rito chamado de S. Pio V.
 
Mas nada disto se aproximava de perto ou de longe daquilo que se realizou em 1969, a saber uma nova concepção da missa.

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O OTIMISMO

optimism-400x400O educador deve ter uma dose inesgotável de otimismo. Senão as decepções o desencorajarão e acabarão com seu entusiasmo, que é uma das condições mais necessárias para o bom êxito.

É cansativo ensinar a ortografia, o cálculo, o bom procedimento, a boa linguagem, a polidez. A criança é distraída, esquecida, despreocupada, ilógica. Ora se cansa por seu nervosismo, ora desanima por um torpor quase animal. Há ainda os ditos “inferninhos”. E há as desilusões causadas pelos melhores alunos! E há as incompreensões dos pais e talvez dos diretores! E as ironias dos colegas!

Então nos tornamos irascíveis, rabugentos, intratáveis! Enervamo-nos. Ficamos até com dor na laringe.

Repitamos que cada criança apresenta algum lado bom: é preciso tomá-lo como ponto de partida. Há um ângulo por onde se pode compreendê-la. Fazendo-a ver suas possibilidades, pode-se chegar a transformá-las. Até mesmo a mais ingrata natureza faz parte da obra de Deus. Parece que o próprio Cristo quis nos dar uma lição de confiante otimismo: entre os doze apóstolos, todos fracos e covardes, num momento grave, conta-se um medroso que o chegou a negar por três vezes, e esse é o chefe! E um outro, pérfido até ao beijo hipócrita e aos trinta dinheiros! Todavia o Cristo depoista neste grupo a confiança de lhes entregar o destino de Sua boa-nova. Para nos encorajar ao otimismo, ouçamos São Francisco de Sales extasiar-se diante das secretas possibilidades que até os homens maus oferecem; sua pena não hesita em escrever: “Ah, as belas almas dos pecadores!”. Continuar lendo

ESPELHO DA ALMA

espAmor, leitora, é – dom de si próprio.

Egoísmo é – a exclusiva preocupação consigo próprio; a desordem que te leva a antepor a satisfação do ser físico à do ser espiritual.

Algumas formas de egoísmo? Ei-las:

1º – Tudo para mim! E a mulher vive para seus vestidos, quer aparecer, ser comentada e apontada. Na vida íntima quer o prazer, a comodidade, as prerrogativas de esposa sem os deveres de mãe. Nascem daí as cautelas contra a natureza. Fogem da casa os berços com os filhinhos.

Ciúmes. Suspeitas contínuas, porque a esposa só tem em vista o corpo. A alma vive presa, apesar dos direitos e das ânsias que têm de se expandir numa santa liberdade. Os ciúmes matam a mútua confiança, impedem a certeza das fidelidades prometidas. No lar predominam então as cenas violentas, as recriminações, as lágrimas e os escândalos. Por fim o lar desmorona abalado pelo divórcio.
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