Arquivos da Categoria: Espiritualidade
A CORREÇÃO FRATERNA
Sermão proferido pelo Revmo. Pe. Samuel Bon, do Priorado de São Pio X, Lisboa, Portugal, por ocasião do 17º Domingo depois de Pentecostes
DESPREZO DO MUNDO COM O PENSAMENTO DA MORTE
XVII DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES: O COMPÊNDIO DA LEI É O PRECEITO DA CARIDADE
MARIA SANTÍSSIMA É A ESPERANÇA DE TODOS
VIDA DESOLADA DE JESUS CRISTO
ARRUINAR A FAMÍLIA ENFRAQUECE A BASE DA RELIGIÃO

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est
A religião é absolutamente necessária. Não apenas porque devemos prestar a Deus o culto que lhe é devido, mas porque sem ela certamente corremos o risco de cair, senão no absurdo, pelo menos em uma decadência tal como o Apóstolo dos Gentios a descreveu no início da Epístola aos Romanos: “E, como não procuraram conhecer a Deus, Deus abandonou-os a um sentimento depravado, que os levou a fazer o que não convém”(*). E essa decadência tem por nome a modernidade, que nada mais é do que o abandono da religião. Este erro funesto tem uma consequência contra a qual, seja quem for, devemos reagir.
A beleza de uma sociedade outrora cristã repousa na verdade baseada em uma relação com o Criador que imprimiu em todas as relações uma diversidade e uma harmonia que refletia a beleza divina. A desigualdade é o grande princípio no fundamento dessa harmonia. “A razão natural obriga o homem a submeter-se a um superior por causa dos seus limites, experimentados em si mesmos e em relação aos quais precisa ser ajudado e dirigido por um superior”. Eis o que afirma Santo Tomás, homem de bom senso e santo. Como não citar o Doutor angélico que se extasia, de sua maneira um tanto especulativa é verdade, diante da majestade divina: “Devemos reverenciar a Deus pela excelência que ele possui. Se essa perfeição é encontrada em certas criaturas, nunca é em condições de igualdade, mas de simples participação. A veneração com que cercamos Deus é, portanto, diferente daquela que atribuímos à excelência criada. Isso é religião, no caso dulia. Passando a expressar externamente nossos sentimentos internos de respeito, damos certas marcas de reverência às criaturas proeminentes.” Continuar lendo
A SANTA MISSA É UM MEIO EFICAZ PARA OBTERMOS AS GRAÇAS DE DEUS
KYRIE, DA MISSA VIRI GALILÆI (PALESTRINA), CANTADO PELOS PADRES DO DISTRITO DA AMÉRICA DO SUL
O Pe. Núñez nos convida a participar da polifonia virtual que acontecerá em breve com os coros do Distrito (da América do Sul). “Deixamos este exemplo dado pelos padres do Distrito”, cantando o Kyrie da Missa Viri Galilæi, de Palestrina, “para que todos sejam incentivados a fazer sua polifonia, em cada Priorado, em cada Centro de Missa, em cada Capela. Esperamos a todos!“
A CASA DA ETERNIDADE
DEVEMOS RECEAR QUE O PRIMEIRO NOVO PECADO SEJA TALVEZ O ÚLTIMO
DO ZELO DA SALVAÇÃO DAS ALMAS QUE DEVEM TER OS RELIGIOSOS
OUTRA MEDITAÇÃO PARA O XVI DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES: O HOMEM HIDRÓPICO E O VÍCIO DE IMPUREZA
XVI DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES: O HOMEM HIDRÓPICO E O CRISTÃO AMBICIOSO
MARIA SANTÍSSIMA, MODELO DE MORTIFICAÇÃO
QUE O HOMEM POR SI MESMO NADA TEM DE BOM E DE NADA SE PODE GLORIAR
A alma: Senhor, que é o homem, para que vos lembreis dele, ou o filho do homem, para que o visiteis? (Sl 8,5). Por onde mereceu o homem que lhe deis a vossa graça? Como me posso queixar, se me desamparais, ou que posso justamente opor, se não me concedeis o que peço? Decerto, com verdade posso pensar e dizer: Senhor, nada sou, nada posso, nada de bom tenho de mim mesmo, mas falta-me tudo, e sempre pendo para o nada. E se vós não me ajudais e ensinais, fico de todo tíbio e relaxado.
Vós, porém, Senhor, sempre sois o mesmo e permaneceis eternamente bom, justo e santo, e boas são vossas obras todas, e justas e santas, e dispondes tudo com sabedoria. Mas eu, que sou mais inclinado à negligência que ao aproveitamento espiritual, não sei conservar-me no mesmo estado, porque mudo sete vezes por dia. Mas logo me vai melhor, quando vos apraz estender-me a mão para me socorrer; porque só vós, sem auxílio humano, me podeis ajudar e dar-me firmeza, de tal modo que jamais se mude meu rosto, mas só a vós se converta meu coração e em vós descanse.
Por isso, se eu soubesse rejeitar toda humana consolação, fosse por adquirir a devoção, fosse pela necessidade que me obriga a buscar-vos, então poderia com razão esperar a vossa graça e alegrar-me com o favor de uma nova consolação.
Graças vos sejam dadas, Senhor, porque de vós procede todo o bem que me sucede. Mas eu sou vaidade e nada, diante de vós, sou homem frágil e inconstante. De que posso, pois, gloriar-me, ou por que desejo ser estimado? Porventura do meu nada? Isso seria o cúmulo da vaidade. Verdadeiramente a vanglória é peste maligna e a pior das vaidades, porque nos aparta da glória verdadeira e nos priva da graça celestial. Porquanto, desde que o homem agrada a si, desagrada a vós, e quando aspira aos humanos louvores, perde as verdadeiras virtudes.
Glória verdadeira, porém, e alegria santa é gloriar-se cada um em vós e não em si, deleitar-se em vosso nome e não na sua própria virtude, não achar deleite em criatura alguma, senão por amor de vós. Seja louvado o vosso nome e não o meu; sejam glorificadas vossas obras e não as minhas; exaltado seja o vosso santo nome, e a mim nada se atribua dos louvores humanos. Vós sois minha glória e a alegria do meu coração. Em vós me gloriarei e exaltarei todo dia, mas, quanto à minha pessoa, de nada me ufano, a não ser das minhas fraquezas (2Cor 12,5).
Busquem os judeus a glória uns dos outros, eu busco aquela que vem só de Deus (Jo 5,44). Pois toda glória humana, toda glória temporal e toda grandeza mundana, comparada com a vossa eterna glória, não passa de vaidade e loucura. Ó verdade e misericórdia minha, Deus meu, Trindade bem-aventurada! A vós só seja dado louvor, honra, virtude e glória por todos os séculos.
Imitação de Cristo – Tomás de Kempis
JESUS, HOMEM DE DORES
SALVO DA MORTE POR TER DEFENDIDO A MÃE DE DEUS
Não faz muito tempo, na estrada que sobe da cidade francesa Honfler ao elegante Santuário de Nossa Senhora das Graças, um moço de 17 anos, de joelhos e terço na mão, ia escalando a colina. Depois de andar quase um quilômetro conseguiu entrar na igreja e prostrar-se aos pés da Virgem.
Vendo-o um Sacerdote, de joelhos ensanguentados, perguntou-lhe o motivo da dolorosa penitência.
– O senhor soube do horroroso acontecimento que houve ontem no mar? Éramos três jovens, dois pereceram, um só foi salvo: sou eu. Meus dois amigos e eu obtivemos anteontem boas notas em nossos exames de bacharel, festejamos juntos tão feliz sucesso, e, para terminar o dia, resolvemos dar um passeio pelo mar. As ondas estavam fortes e o vento soprava com violência. O dono da embarcação avisou-nos que havia perigo, mas não fizemos caso dos conselhos.
Um dos meus amigos pronunciou algumas palavras levianas e, na conversa, houve algumas zombarias de Nossa Senhora. Proteste, dizendo:
“Amigos, divirtamo-nos, mas respeitem minha Mãe!”
Eles riram-se… mas não durou muito tempo, pois uma onda colocou a pique a canoa. Ninguém de nós três sabia nadar; meus dois amigos afogaram-se. Eu só fui salvo, e atribuo minha salvação a Maria cuja defesa acabava de tomar. Vim aqui de joelhos agradecer-lhe, porque a morte me teria achado muito mal preparado.
Levantou-se e fez ótima confissão.
Nossa Senhora salvou-lhe a vida do corpo e a alma.
Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.
DO SAGRADO VIÁTICO
É PECADO OMITIR AS ORAÇÕES ANTES E DEPOIS DAS REFEIÇÕES QUANDO ESTOU ENTRE NÃO CATÓLICOS?

Quem faz essa pergunta, talvez, tenha em mente a reação do pequeno João Maria Vianney, o futuro Cura d’Ars, que, quando à mesa com um mendigo que omitiu essa ação, deixou a mesa e passou a noite em jejum. Quando perguntado sobre essa reação por seus pais, ele simplesmente disse que não conseguiria comer diante de alguém comportando-se como um animal! Essa história nos lembra que fazer orações antes e após as refeições é um piedoso costume entre os católicos. Nosso Senhor, frequentemente, abençoava o pão e o repartia de uma maneira tão especial e religiosa que esse ato entregou Sua identidade aos discípulos de Emaús.
Porém, o que pensar de quem omite essas orações em público e entre não católicos? Por uma questão de princípio, devemos começar dizendo que não há nenhum preceito formal sobre orações nas refeições em qualquer dos ensinamentos de Cristo ou da Igreja. E, se não há nenhuma obrigação de rezá-las, então não há pecado em omiti-las. Além disso, essa omissão não necessariamente significa que a fé de alguém está esmorecendo ou que essa pessoa está sendo negligente com suas orações.
Estaríamos, aqui, lidando com um caso de dissimulação da fé? Poderia haver ocasiões em que o mero fato de fazer um sinal da cruz em público poderia causar uma intriga entre trabalhadores e levar a zombarias contra nossa religião. Esse fato, por si só, é uma razão suficiente para omitir essas orações em público, e bastaria rezá-las mentalmente.
Porém, em geral, a questão de rezar ou omitir as orações das refeições quando na presença de não católicos é mais uma questão de coragem vs respeito humano. Com mais frequência que o contrário, principalmente em um restaurante, onde as pessoas têm mais o que fazer além de denegrir a religião dos outros clientes, o fato de rezar as orações das refeições em família vai gerar respeito entre os outros clientes e entre os garçons. E isso pode levar até ao início de uma conversa sobre a fé com algum dos presentes.
FELICIDADE ETERNA DO CÉU
DEUS É MISERICORDIOSO, MAS TAMBÉM JUSTO
MORALIDADE FANÁTICA?
Sermão proferido pelo Revmo. Pe. Samuel Bon, do Priorado de São Pio X, Lisboa, Portugal por ocasião do 15º Domingo depois de Pentecostes, 2020
DO AMOR QUE DEUS NOS MOSTROU
XV DOMINGO DEPOIS DE PENTECOSTES: O MOÇO DE NAIM E A LEMBRANÇA DA MORTE
MARTÍRIO DE MARIA SANTÍSSIMA AO PÉ DA CRUZ
FESTA DO SANTÍSSIMO NOME DE MARIA
Et Nomen Virginis Maria — «E o Nome da Virgem era Maria» (Luc 1, 27)
Sumário. O santíssimo Nome de Maria é, depois do de Jesus, superior a todo outro nome, e, assim como o de Jesus, é para nós um nome de salvação, esperança e amor. Procuremos, portanto, tê-lo sempre no coração e nos lábios: em todos os perigos, em todas as angústias, em todas as dúvidas invoquemo-lo sempre juntamente com o do seu divino Filho, dizendo: Jesus e Maria, salvai-me! Lembremo-nos, porém, que para experimentarmos todos os efeitos do nome de Maria, é preciso que imitemos as virtudes daquela que o possui.
********************************
O santíssimo Nome de Maria não foi achado na terra, mas desceu do céu e foi imposto à divina Mãe por ordem expressa de Deus, como atestam São Jerônimo, Santo Epifânio e outros. É, pois, este nome, depois do de Jesus, superior a qualquer outro nome, e, assim como o de Jesus, é para todos nós um nome de salvação, de esperança, de amor.
É um nome de salvação; porque, conforme a revelação feita pela Bem-Aventurada Virgem mesma a Santa Brígida, quando o invocamos devotamente, afastam-se os demônios, e mais se chegam a nós os anjos bons para nos defender contra os assaltos do inferno. E, falando em particular das tentações contra a pureza, é geralmente sabido que este nome poderoso dá grande força para as vencer, de modo que São Pedro Crisólogo não hesita em dizer que o nome de Maria é indício de castidade: Nomen hoc indicium castitatis. Quem, na dúvida de ter consentido nas tentações, se lembra de ter invocado o nome de Maria, tem um sinal certo de que não ofendeu a castidade.
O nome de Maria é um nome de esperança, pois, como diz São Boaventura, este nome está tão cheio de graças, que não pode ser proferido sem comunicar alguma graça a quem devotamente o invoca. Pelo que diz Pelbarto que, assim como Jesus com as suas cinco chagas deu ao mundo o remédio para os seus males, também Maria com o seu santíssimo nome, que é composto de cinco letras, alcança todos os dias os bens celestes para os homens. Continuar lendo
JESUS TRATADO COMO O ÚLTIMO DOS HOMENS
AS GRAÇAS QUE ALCANÇA A PESSOA QUE OUVE A MISSA DEVOTAMENTE
As graças que alcança a pessoa que ouve a Missa devotamente são estas:
Primeira: Quem celebra a Missa reza especialmente por quem a ouve.
Segunda: Ao ouvir a Missa, gozamos de maravilhosa companhia, porque na Missa está Jesus Cristo, tão precioso como no madeiro da cruz e, por concomitância, está também a divindade, a santíssima Trindade. Ademais, estamos na companhia dos santos anjos. E, segundo escreve um doutor, no lugar onde se celebra o santo sacrifício da Missa, estão muitos santos e santas, conforme aquilo da Escritura: «São virgens que seguem o Cordeiro para onde quer que ele vá» (Ap 14, 4).
Terceira graça que alcança a pessoa que a ouve devotamente: a Missa lhe ajuda nos trabalhos e negócios. Lê-se de um cavaleiro, que tinha o costume de ouvir a Missa tomado de grande devoção, que certa vez saiu do mar com seus companheiros e estava se preparando numa capela para ouvir a Missa. Os companheiros lhe anunciaram que o navio ia dar partida e que se apressasse. O cavaleiro respondeu que primeiro queria ouvir a Missa. Por isso o deixaram e partiram no navio. Depois de ter ouvido a Missa, o cavaleiro dormiu e, quando despertou, encontrou-se em sua própria terra. Depois de muitos dias chegaram os do navio, e se maravilharam ao vê-lo.
E de outros casos se lêem coisas maravilhosas. Ademais, a pessoa que ouve a Missa desgosta muito ao diabo; pois, interrogado certa vez sobre o que era que mais lhe desagradava, respondeu que três coisas: os sermões, ou seja, a palavra de Deus, a Missa e a penitência. Continuar lendo


















