Arquivos da Categoria: Espiritualidade
COMO O AMOR-PRÓPRIO AFASTA NO MÁXIMO GRAU DO SUMO BEM
Jesus: Filho, cumpre que dês tudo por tudo, sem reservar-te a ti mesmo. Fica sabendo que teu amor-próprio te prejudica mais que qualquer coisa do mundo. Cada objeto mais ou menos te prende, segundo o amor e afeto que lhe tens. Se teu amor for puro, simples e bem ordenado, de nenhuma coisa serás escravo. Não cobices o que não te é lícito possuir, nem possuas coisa alguma que te possa impedir a liberdade interior ou dela privar-te. É de estranhar que te não entregues a mim, do íntimo do teu coração, com tudo que possas ter ou desejar.
Por que te consomes em vã tristeza? Por que te afanas em cuidados supérfluos? Conforma-te com a minha vontade e nenhum dano sofrerás. Se buscares isto ou aquilo, se desejares estar aqui ou ali, por tua comodidade ou teu capricho, nunca estarás quieto, nem livre de cuidados, porque em todas as coisas há algum defeito, e em todo lugar quem te contrarie.
De nada te serve, pois, adquirir ou acumular bens exteriores, mas muito te aproveita desprezá-los e desarraigá-los do coração. Isso não se entende somente do dinheiro e das riquezas, senão também da ambição das honras, e do desejo de vãos louvores porque tudo isso passa com o mundo. Pouco resguarda o lugar, se falta o espírito de fervor; nem durará muito tempo aquela paz procurada fora, se faltar ao teu coração o verdadeiro fundamento. Isto é, se não se firmar em mim. Mudar tu podes, mas não melhorar, porque, chegada a ocasião, e aceitando-a, encontrarás de novo aquilo de que fugiste e pior ainda.
Oração para implorar a limpeza do coração e sabedoria celestial:
Confirmai-me Senhor, pela graça do Espírito Santo. Confortai em mim o homem interior e livrai meu coração de todo cuidado inútil e de toda ansiedade, para que não me deixe seduzir pelos vários desejos das coisas terrenas, sejam vis ou preciosas, mas para que as considere todas como transitórias, e me lembre que eu mesmo sou passageiro, como elas: Pois nada há estável debaixo do sol, onde tudo é vaidade e aflição de espírito (Ecle 1,14). Como é sábio quem assim pensa!
Dai-me, Senhor, sabedoria celestial, para que aprenda a buscar-vos, e achar-vos, antes que tudo, a gostar-vos e amarvos acima de tudo, e a compreender todas as coisas como são, segundo a ordem de vossa sabedoria. Dai-me prudência, para afastar-me do lisonjeiro, e paciência para suportar a quem me contraria. Porque é grande sabedoria não se deixar mover por todo sopro de palavras, nem prestar ouvidos aos traiçoeiros encantos da sereia; pois só deste modo prossegue a alma com segurança no caminho começado.
Imitação de Cristo – Tomás de Kempis
DEVOÇÃO DE SANTO AFONSO À PAIXÃO DE JESUS CRISTO
OS FRUTOS DA COMUNHÃO
RESPEITO DEVIDO À DIGNIDADE SACERDOTAL
MORTE E VIDA, PELO PADRE JEAN-FRANÇOIS MOUROUX
Encerra-se o tempo
pascal – não percamos os seus frutos. Por sua ressurreição Nosso Senhor triunfou sobre a morte do pecado, e começou uma vida gloriosa; a Páscoa é a festa da passagem. No Antigo Testamento, os Hebreus comemoravam a travessia do Mar Vermelho – na qual deixavam para trás a vida em terra pagã. Os egípcios, símbolos do pecado, foram engolidos pelas águas – começava uma vida nova, livre para servir a Deus.
Nossos pecados condenaram Nosso Senhor à morte. Ele foi sepultado, e o peso da pedra do sepulcro apontava a uma sentença definitiva. Mas, na verdade, a divindade estava escondida durante o tempo da Paixão, e o divino Corpo foi colocado no sepulcro apenas temporariamente, para reparar nossas faltas.
O sacramento do Batismo produz-se a partir desses acontecimentos passados. O catecúmeno é resgatado pela água purificadora que o lava de seus pecados – ele emerge da pia batismal para uma nova vida, vida que se inicia para o serviço e glória de Deus. O batismo por imersão simboliza do melhor modo esse sepultamento, esse ocultamento.
Nosso Senhor mesmo evoca-o: “Em verdade, em verdade, vos digo, que se o grão de trigo, que cai na terra, não morrer, fica infecundo; mas, se morrer, produz muito fruto.” (Jn 12, 24-25). Há, então, dois modos de estar sepultados: morrer para apodrecer e morrer para dar frutos. E, da mesma maneira, há dois tipos de confinamento – estamos trancados há mais de dois meses, juntos com nossas qualidades e nossos defeitos. E agora? No meio das dificuldades, apodreceremos ou daremos frutos?
A religião católica nos ensina que os sofrimentos e a morte são os castigos do pecado – mas ela igualmente nos ensina que ambos não devem ser fonte de desespero. De fato, todas as provações estão ordenadas à perfeição, que nos dá méritos para alcançar a vida eterna. O plano de Deus está perfeitamente resumido nas palavras que incessantemente repetimos durante a Quaresma – e que utilizamos na missa votiva para obter o fim das epidemias: “Porventura será do meu gosto a morte do ímpio? — diz o Senhor Deus. — Não quero antes que ele se retire dos seus (maus) caminhos e viva?” (Cf. Ezequiel 18, 21-28).
O episódio da mulher adúltera (João 8, 1-11) mostra de modo magnífico a vontade divina: Nosso Senhor impede o apedrejamento dessa pecadora. Poderia pensar-se que ele releva seus pecados – como pensam certos exegetas de má-fé – mas não é assim. Suas palavras esclarecem sua conduta: “Vai, e não peques mais.” Nosso Senhor lembra que essa mulher é culpada, mas ele não quer uma justiça hipócrita que mata o corpo sem dar importância para a alma. Ele deseja a conversão interior dessa mulher, e impede sua morte cruel para exortá-la a viver santamente.
Sair do confinamento não significa regredir aos maus hábitos dos quais nos resguardamos tão bem. Ao contrário, imitemos Lázaro ao sair da tumba, após ter ressuscitado. Ele abandonou todas as bandagens da sepultura, símbolos dos pecados que o acorrentavam em sua vida passada (Jn 11, 44), e seguiu com entusiasmo a Nosso Senhor.
Atualmente, muitos protegem sua saúde – mas, se é para viver mais tempo no meio de baixezas, melhor seria morrer agora e evitar uma punição ainda maior. Se é para crescer em santidade, merecer sua salvação e a de muitos pecadores, então morramos todos os dias para melhor nos submetermos a Cristo, cabeça do Corpo Místico do qual somos todos membros.
Padre Jean-François Mouroux
NECESSIDADE DA OBSERVÂNCIA REGULAR PARA UM RELIGIOSO
VAMOS LER?

“Se meus filhos gostassem de ler, receberiam uma formação sólida, não enlouqueceriam em dias de chuva, não seriam alvos fáceis para a propaganda na mídia”. Mas, como podemos despertar nas crianças esse hábito tão desejável?
O número de qualidades que uma criança adquire imitando os que estão à sua volta é incalculável. Se os pais lêem regularmente com prazer e nítido interesse, se as conversas familiares giram em torno de livros lidos por membros da família, grande parte do trabalho já terá sido realizado.
Antes de aprender a ler, a criança se familiariza com os livros no colo da mãe. Muitas vezes, se deixada sozinha, uma criancinha “lerá” um livro de gravuras em 30 segundos; ela terá visto tudo e não terá olhado nada. Com a mãe por perto, aprenderá a examinar todos os desenhos: onde está o galo? Qual a cor do gato? Ao fazer isso, a criança desenvolve a capacidade de se concentrar enquanto adquire um vocabulário rico e preciso.
Quando os livros fazem parte do universo da família, por volta dos cinco ou seis anos, a criança pedirá para aprender a ler. Ela quer fazer como os adultos: está cansada de ter se receber ajuda para ler uma história, e quer entender as alusões que ouve nas conversas das crianças mais velhas. Ofereça-lhe um livro sobre o alfabeto e, até o momento de poder ir para a escola, ensine-a a reconhecer os sons do seu idioma. A instrução em casa pode ir mais longe se a mãe tiver algum treinamento ou conselhos de um professor.
O aprendizado da leitura é fundamental. A leitura tem de se tornar fácil o suficiente para que a atenção da criança não esteja mais voltada para o ato de ler do que para o conteúdo do livro. É preciso banir intrepidamente os livros que empregam o método de alfabetização global ou semi-global, responsáveis por uma quantidade catastrófica de analfabetos ou leitores medíocres. Somente o método fonético está em conformidade com os processos analíticos do intelecto, exercidos pelo cérebro. Continuar lendo
A PENA DOS SENTIDOS NO INFERNO
A SALVAÇÃO É O NEGÓCIO MAIS IMPORTANTE E O MAIS DESCUIDADO
DOMINGO DE PENTECOSTES: AMOR DE DEUS PARA COM OS HOMENS NA MISSÃO DO ESPÍRITO SANTO
NOVENA DO ESPÍRITO SANTO – 9º DIA
NOVENA DO ESPÍRITO SANTO – 8º DIA
FAÍSCAS DA FÉ – PRESENÇA REAL DE NOSSO SENHOR
Pelo Revmo. Pe. Carlos Mestre, do Priorado de São Pio X de Lisboa
NOVENA DO ESPÍRITO SANTO – 7º DIA
MÍSERA SORTE! ESTRANHA CONDIÇÃO.
O gemido está no quarto canto de Os Lusíadas e quem o pronuncia é um ancião de “aspecto venerando” que não vê com bons olhos o esplendor da nova civilização que os varões da ocidental praia lusitana querem inaugurar.
“Ó glória de mandar, ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos Fama!”
Todas as almas afinadas, um Pascal, um Péguy, a seu turno, e cada um com seu modo, dirão que o homem é um incôngrua criatura, “un monstre de contradictions, un puits d’inquietude”. O próprio Camões, mais de uma vez volta à obsessiva idéia do “desconcerto do mundo” trazido pela mesma conturbada condição humana. Nós sabemos pela Fé que tais desconcertos e contradições são conseqüências do pecado de nossos primeiros pais, e Chesterton dizia que, de todos os dogmas e mistérios da fé, o mais claro, o mais evidente é sem dúvida o do pecado original. Basta efetivamente olhar em torno de si com alguma atenção para descobrir que o animal racional é o menos razoável dos seres, e para começar a crer que algum grave mal-entendido está na origem do homem, e perdura em sua condição ao longo dos séculos.
O Concílio de Trento nos diz majestosamente: “Adão perdeu para si e para seus descendentes a inocência e a santidade de seu primeiro estado ficando assim sujeito à morte e ao cativeiro do Diabo”.
No mesmo contexto o Concílio de Trento nos ensina que, além da perda da justiça original que lhe assegura a Vida Eterna, os descendentes de Adão ficaram privados dos dons preternaturais, e da natural integridade, ficando assim decaída a natureza humana: a inteligência torna-se obnubilada para as coisas mais altas, e o livre-arbítrio se torna fraco, vacilante e com certa inclinação para o mal. Além disso, nas profundezas da alma decaída, o pecado original deixará o veneno do amor-próprio, que o Catecismo de Trento, mantendo a fórmula paulina, chama de “carne”, e que está na origem de todos os pecados, a começar especialmente pelo orgulho e pela cupidez. Continuar lendo
NOVENA DO ESPÍRITO SANTO – 6º DIA
NOVENA DO ESPÍRITO SANTO – 5º DIA
NOVENA DO ESPÍRITO SANTO – 4º DIA
SABEDORIA DO MUNDO E SABEDORIA DIVINA, PELO PE. JEAN-FRANÇOIS MOUROUX
Nesta semana, tive de ir – de máscara, antes que perguntem! – a um cartório. Na entrada, a porta de enrolar estava fechada, pelo que era necessário entrar pelo lado da loja, por uma porta estreita. Era tão estreita que algumas pessoas não conseguiam se espremer (uma denúncia de gordofobia poderia ser feita…)
Após entrar, rapidamente tive de recolher as mãos, para não receber a quantidade astronômica de álcool em gel que um vigia administrava aos visitantes. Enquanto esperava meu atendimento, percebi espantado uma funcionária, atrás de seu guichê, com as mãos cobertas de álcool em gel, sendo que ela já estava com luvas de plástico! Perante toda essa histeria, uma pessoa que me acompanhava disse: “Se as pessoas tomassem esse cuidado para se preservarem do pecado…”
É evidente que a sociedade deve desencorajar todos os comportamentos perigosos para a saúde – mas nesse assunto o exagero é um grande perigo. Alguém lutará contra tais excessos? Há motivos para se duvidar. A sabedoria mundana é tolice. Ela não tem lógica e se autodestrói, porque seus princípios estão errados. A única coisa que importa é a felicidade – mas quando a felicidade e a saúde entram em conflito, vemos esses comportamentos ridículos que foram descritos. E isso apenas três meses depois das desordens do carnaval.
Os sábios deste mundo buscam, há tempos, os sistemas para serem felizes sem prejuízos: na Grécia antiga, criaram-se várias correntes filosóficas, duas delas muito atuais: o epicurismo e o hedonismo. Elas colocam a busca do prazer e a fuga da dor como finalidade da existência humana – a plena satisfação humana consistiria num frágil equilíbrio entre prazeres. Mas, como é patente, a maior parte dos homens (para não dizer todos) não pode chegar a esse estado. Ao seguir tais doutrinas, os homens afogam-se nos vícios.
A sabedoria da Cruz de Nosso Senhor ensina-nos, pelo contrário, que o sofrimento nos redime, enquanto vivido na caridade. Ela opõe-se diretamente ao mundo pagão enquanto afirma: “Não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma. Temei antes aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo.” Quanto ao prazer, ele não é um fim em si mesmo – ele será buscado ou evitado segundo sua legitimidade nos planos de Deus. E nossas escolhas serão informadas por nossa vontade de santificação, cujo fim é conduzir ao céu.
São Domingos Sávio, morto em 1857 na idade de 15 anos, ordenou sua vida de acordo com os princípios da divina sabedoria. Com sete anos, fez sua primeira comunhão e escreveu, como resolução: “Antes morrer do que pecar”. Na escola, durante o recreio, não hesitou em arrancar das mãos de um colega uma revista imprópria. Enquanto rasgava essa má leitura, dizia: “Se tu levas ao moinho grão mofado, sairás com uma farinha ruim. Aqui, queremos ficar bons, não nos venhas envenenar com tuas sujeiras…”
O mundo se preocupa com a qualidade de seu corpo tal como os sepulcros caiados, magníficos no exterior e apodrecidos por dentro. A sabedoria divina, ao contrário, exorta-nos várias vezes a preservar nossa alma de toda mancha de pecado. Imploremos à Nossa Senhora, Imaculada Conceição, que nos auxilie em nossos esforços para permanecer puros.
Padre Jean-François Mouroux, FSSPX
NOVENA DO ESPÍRITO SANTO – 3º DIA
NOVENA DO ESPÍRITO SANTO – 2º DIA
A CRIAÇÃO DO HOMEM
Pe. Boniface resume o ensino católico sobre a criação da raça humana. O homem saiu das mãos de Deus, enriquecido com muitos dons naturais, preternaturais e sobrenaturais. Alguns deles eram integridade, a imortalidade e domínio sobre os animais. Também a Graça Santificante, as virtudes cardeais, as virtudes teológicas e os dons do Espírito Santo. Alguns desses tesouros foram completamente perdidos, enquanto outros foram enfraquecidos e, por isso, a necessidade de um Salvador e o sacramento do Batismo.
NOVENA DO ESPÍRITO SANTO – 1º DIA
FESTA DA ASCENSÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
TODO E QUALQUER JULGAMENTO DO PRÓXIMO É CONDENADO POR CRISTO?

Quando perguntado sobre um homossexual de boa vontade que busca o Senhor, o Papa Francisco, num comentário que se tornou famoso, respondeu “Quem sou eu para julgar?” Isso parece estar perfeitamente na linha do mandamento de Nosso Senhor, quando Ele ordenou “não julgueis, para não serdes julgados” (Mt 7,1). Por outro lado, o Verbo de Deus também nos disse que “devemos julgar não de acordo com a aparência, mas fazer um julgamento justo” (Jo 7,24)
Para resolver essa contradição aparente, devemos distinguir os diferentes sentidos em que falamos de “julgamento”.
Em primeiro lugar, o julgamento é um ato de nossa inteligência pelo qual percebemos o acordo ou desacordo entre duas ideias; em outras palavras, é, como Santo Tomás explica, o ato mental pelo qual afirmamos ou negamos algo – por exemplo, quando fazemos afirmações simples sobre as circunstâncias de nossas vidas cotidianas, como quando dizemos “hoje é um lindo dia”, ou “eu não gosto de doces”, e mesmo quando afirmamos coisas mais sérias, doutrinais, tais como “Deus existe” ou “o aborto é um crime”.
Esses julgamentos são necessários para se viver uma vida humana normal. Eles são necessários para o exercício da virtude moral da prudência, que nos ajuda a discernir o que devemos fazer a todo momento para direcionar todas as nossas ações, grandes e pequenas, de maneira segura e tranquila, para seu fim último, que é Deus. Portanto, Deus não proíbe tais julgamentos – na verdade, Ele não os poderia proibir sem nos privar de algo essencial à natureza que Ele mesmo nos deu. Continuar lendo
O DIA DA DESILUSÃO
CONSELHOS PRÁTICOS PARA CARREGARMOS NOSSA CRUZ

Fonte: FSSPX México – Tradução: Dominus Est
Perguntava São Francisco de Sales: “Sabeis do que os anjos nos invejam? É que nós podemos sofrer por Deus; eles nunca sofreram e nem sofrerão por Ele“. Todos temos que carregar nossa cruz se quisermos chegar ao céu. Aprendamos a carregá-la com amor incansável e fé, obtendo ao longo do caminho as maiores graças e méritos possíveis.
Três maneiras de carregar a cruz
O divino mestre, querendo dar a conhecer a Santa Verônica de Juliani as almas que Lhe eram mais amadas, lhe mostrou uma multidão de pessoas que levavam a cruz em suas mãos. Logo, estas se ordenaram e a Santa pôde ver que entre as mãos se distinguiam algumas cruzes grandes e outras pequenas. As almas as carregavam de maneiras diferentes: as primeiras que tinham uma grande cruz a carregavam nas mãos, significando que não apenas tinham prazer em carregá-la, mas também convidavam outras almas com alegria e entusiasmo para que caminhassem em posse delas. As segundas tinham sua cruz abraçada como um objeto muito precioso e amado. As terceiras carregavam-na sobre os ombros e parecia que a cruz caía no chão devido ao seu peso.
Nosso Senhor revelou à Santa que aqueles que lideravam a procissão eram os sacerdotes: carregavam sua cruz nas mãos para significar que se esforçam muito para dar a conhecer aos homens o valor e o preço da cruz. As segundas eram muitas religiosas de diferentes ordens e alguns leigos que abraçaram a cruz com muito amor, indicando que se compraziam em sofrer, e o Senhor as consolavam e as bendiziam. As terceiras eram muitas almas que carregavam a cruz com tanto cansaço que mal podiam dar um passo. Nosso Senhor deixou a entender à Santa Verônica que essas últimas também eram Suas, mas que carregavam a cruz com tanta tristeza porque não eram nada valentes nem esforçadas, e porque ainda não haviam saboreado as alegrias do sofrimento. Continuar lendo
INFELIZ DE QUEM PECA CONTANDO COM O PERDÃO
EDITORIAL DA PERMANÊNCIA (298) – SOBRE A EPIDEMIA

A imagem acima representa São Carlos Borromeo nos tempos da Peste
Apresentamos o Editorial da Revista 298, tempo de Pentecostes (para assinar a revista, clique aqui).
Raios, trovões, coriscos fulgurantes, como diz o salmo. Eis o que parece estar se abatendo sobre a Terra dos homens, sobre a vida neste vale de lágrimas. Bastaria recuarmos até o final de 2019 para compreendermos o quanto de inusitado e surpreendente se manifesta no que estamos vivendo há 3 ou 4 meses. Pode o mundo inteiro estar de pernas para o ar, como está, sem que a nossa perplexidade se manifeste em cada encontro, em cada noite mal dormida?
Dentro do projeto a que nos propomos de formação católica, a reflexão sobre as causas e os efeitos do Coronavirus apresenta-se para nós como uma quase obrigação. O mundo não pode ser sacudido como está sendo sem que procuremos tirar dos graves acontecimentos reflexões capazes de nos orientar na vida que devemos levar durante a epidemia e, sobretudo, na vida que virá após o término do flagelo.
Talvez seja a primeira vez, em mais de um século, que Deus parece manifestar a sua face de modo claro e evidente, diante dos homens, diante de toda a humanidade, nos quatro cantos da nossa Terra de exílio. Os últimos 500 anos não serviram para preparar os homens a se curvarem diante da vontade de Deus. Ao contrário, o que vemos na humanidade é um desprezo completo pela própria existência de Deus. No máximo podemos ver, aqui ou ali, a manifestação de algum sentimento religioso marcado de naturalismo, e sobretudo de utilitarismo pluralista e horizontal. Para alguns, rezar faz bem, qualquer que seja a oração. Estamos muito longe da submissão sobrenatural à vontade divina que se realiza na prática pura e simples dos Mandamentos. Sim! Do Decálogo, aquela listinha decorada pelas crianças do Catecismo, feita para salvar as nossas almas!
Hoje podemos ouvir o gaiato do conto a gritar: – O Rei está nu!
Se o católico parar de olhar em seu celular as informações e contra-informações que nos invadem, poderá entender melhor o espetáculo que se desenrola diante de nós. Porque o mundo está nu; o liberalismo está nu; a democracia está nua; o globalismo acabou; … e entramos numa nova forma de ditadura que promete afiar os dentes contra a verdadeira liberdade do homem. Continuar lendo











