BEM VINDO À MATRIX

Fonte: Boletim Permanencia

Em abril de 2011, um homem de 23 anos invadiu a escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, assassinou 11 crianças, e depois cometeu suicídio.

Em outubro de 2017, um vigilante noturno entrou na creche Gente Inocente, na cidade de Janaúba, MG. Dez crianças e dois adultos morreram.

Semana passada, dois homens, um de 17 e outro de 25 anos, invadiram a escola Estadual Raul Brasil, na cidade de Suzano, SP, armados e atirando a esmo. Assassinaram cinco adolescentes e três adultos, depois se suicidaram.

É impossível não tentar traçar um paralelo entre essas tragédias. Esses crimes têm um aspecto moral em comum que a imprensa tem falhado em levar em consideração: o desprezo à vida.

Por que vivemos numa sociedade que despreza a vida?

Fundamentalmente porque o pensamento que orienta o mundo é materialista, nega a espiritualidade da alma e o fim último do homem. A religião católica, única verdadeira, foi reduzida às catacumbas, e o que nos chega do oriente com o nome de religião não passa de uma aeróbica da vaidade.

Há uma cena no primeiro filme da série Matrix que resume esse desprezo à vida: o protagonista entra no saguão da sede da polícia e se depara com uma multidão, sabendo que terá de matá-la. Ele vacila, mas é consolado por um de seus companheiros: “É um favor que você faz a eles”. A frase talvez não seja exatamente esta, mas é essa a idéia: matá-los era a maneira de libertá-los de uma vida de ilusão. A cena vale por um tratado. O próprio filme, aliás, é um resumo do pensamento gnóstico que é o fundo metafísico de todas as falsas religiões: a vida não vale nada.

O problema da sociedade descristianizada já começa na própria definição de vida. A discussão sobre o “direito ao aborto” é só o exemplo mais trágico do quão baixo chegamos nesse “conceito”: não importa a vida, mas o momento em que o ser vivente merece ser considerado vivo.

A partir daí, não será de estranhar que se venha depois a discutir quando poderá ser considerado morto. Variando apenas o juiz: ora um médico psicopata a favor da eutanásia, ora um tirano em busca de “soluções finais”.

QUIS VÊ-LA E VIU-A DE FATO

Imagem relacionadaTendo ouvido falar da beleza de Maria Santíssima, um Religioso que muito a amava, desejava ardentemente vê-la pelo menos uma vez. Pediu-lhe humildemente essa graça, e a bondosa mãe mandou-lhe um anjo para que lhe dissesse que seria satisfeito o seu pedido, com esta condição, porém, que, depois de tê-la  visto, ficaria cego.

Apareceu-lhe um dia a Virgem Maria. E ele, para não perder os dois olhos, quis a princípio contempla-la com um só olho.

Mas, em breve, encantado pela grande beleza de Maria, abriu o outro olho para aprecia-la melhor, e, nesse momento, desapareceu a Mãe de Deus.

Desde esse dia, não continuando mais a ver a sua amável Rainha, ele ficou tão aflito, que não parava de chorar, não por ter perdido um olho, mas por não ter podido ver a Santíssima Virgem com os dois olhos.

Por isso suplicou-lhe que se lhe mostrasse novamente, consentindo de boa vontade perder ainda o olho que lhe ficara.

“Ó Maria, dizia-lhe ele, serei feliz e contentar-me-ei se ficar cego por uma razão tão sublime, pois amarei então somente a vós e a vossa beleza”.

Maria quis consola-lo novamente e aparece-lhe pela segunda vez. Mas, porque essa boa Mãe não faz mal a ninguém, em vez de priva-lo inteiramente das vistas, restituiu-lhe o olho que antes perdera.

Sempre assim é Nossa Senhora!

 

Como Maria Santíssima é Boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

DA OBEDIÊNCIA E HUMILDE SUJEIÇÃO, A EXEMPLO DE JESUS CRISTO

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Filho, quem procura subtrair-te à obediência aparta-se também da graça; e quem procura favores particulares perde os comuns. Aquele que não se sujeita pronta e de boa mente a seu superior, mostra que sua carne não lhe obedece ainda prontamente, mas muitas vezes se revolta e resmunga. Aprende, pois, a sujeitar-te prontamente a teu superior, se queres subjugar a própria carne, porque facilmente se vence o inimigo exterior quando o homem interior não está assolado. Pior inimigo e mais perigoso não tem a alma, que tu mesmo, quando não obedeces ao espírito. Se queres vencer a carne e o sangue, deves compenetrar-te do sincero e absoluto desprezo de ti mesmo. Mas porque ainda te amas desordenadamente, por isso te repugna sujeitar-te de todo à vontade dos outros.

Ora, que muito é que tu, que és pó e nada, te sujeites a um homem, por amor de Deus, quando eu, o Todo-poderoso e Altíssimo, que criei do nada todas as coisas, me sujeitei humilde ao homem, por amor de ti? Fiz-me o mais humilde e o último de todos para que venças, com a minha humildade, a tua soberba. Aprende, pó, a obedecer; aprende, terra e limo, a humilhar-te e curvar-te aos pés de todos. Aprende a quebrantar tua vontade e a submeter-te a todos em tudo.

Indigna-te contra ti mesmo; não toleres em ti desvanecimento algum; mas torna-te tão humilde e submisso, que todos te possam pisar e calcar aos pés, qual lama da rua. Em que podes, vil pecador, contradizer os que te repreendem, tu, que ofendeste a Deus tantas vezes e tantas vezes mereceste o inferno? Pouparam-te, porém, meus olhos, porque tual alma é preciosa diante de mim, para que conheças meu amor e te conserves grato aos meus benefícios; para que te dês continuamente à verdadeira sujeição e humildade, sofrendo com paciência o desprezo dos outros.

Imitação de Cristo – Tomas de Kempis

MEDIA VITA

Pe. Luis Cláudio Camargo – FSSPX

 Eis aqui que no meio da vida nos assaltou a morte. 

Que auxilio procurar, senão a Vós, Senhor, que por nossos pecados com razão vos irritais?

Deus Santo, Deus forte, Salvador misericordioso, não nos entregueis à morte amarga. 

Em Vós nossos pais esperaram; esperaram e livraste-los. 

A Vós clamaram nossos pais; clamaram e não foram confundidos 1.

Introdução

A preparação litúrgica para a festa da Páscoa se divide em muitas partes. Inicia-se com o tempo da Septuagésima (preparação remota que compreende três domingos) e se prolonga com o tempo da Quaresma propriamente dito (que compreende quatro domingos). Com a aproximação da festa principal do ano litúrgico nos deparamos com o tempo da Paixão (preparação imediata com dois domingos: 1º Domingo da Paixão e Domingo de Ramos). No fim desta última semana – Semana Maior– estão os dias mais importantes do ano: Quinta Feira Santa (Instituição da Eucaristia), Sexta feira Santa (Morte de N. Senhor), Sábado Santo (Vigília Solene) e o Domingo da Ressurreição.

Uma análise de todos os textos litúrgicos seria de grande interesse, porém, nos parece importante, antes de entrar em tal análise, fazer o leitor encontrar os pontos de unificação de todos esses elementos. A prática das penitências quaresmais é certamente um dos principais. Queremos no presente artigo atrair a atenção sobre este ponto tão crucial.

Ia Parte – Não só de pão

A penitência tem como fim remover os obstáculos que dificultam nossa aproximação a Deus. Sua importância então não está nos atos penosos em si, mas sim no fim último ao qual está ordenada, o que quer dizer que tem a mesma medida da caridade. Vou tentar esclarecer um pouco mais: todo caminho sai de um lugar e conduz a outro. Aproximar- se do fim é necessariamente afastar-se do ponto de partida. Aproximar-se de Deus significa, por razão do movimento, afastar-se de si mesmo. A penitência é o aspecto negativo da união com Deus. Certamente o que importa é o Amor de Deus, mas a penitência é sua sombra. Ambos crescem na mesma medida, como de mãos juntas.  Continuar lendo

A TRADIÇÃO VAI À APARECIDA – 18/05/19 – PROGRAMEM-SE!

apaPrezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Está marcada a tradicional Peregrinação da FSSPX à Aparecida para 2019: 18/05 (os horários ainda serão definidos).

O encontro será em Pindamonhangaba e de lá partiremos a pé para visitar nossa Mãe Santíssima.

Serão cerca de 22 quilômetros de percurso de uma cidade à outra, completados em 6 horas de caminhada, mais ou menos.

No trajeto iremos cantando músicas tradicionais, rezando rosários e os padres ficarão à disposição para ouvir confissões.

Teremos a Missa de encerramento e faremos a visita à nossa Mãe Santíssima na Basílica. 

As fotos da Peregrinação do ano passado podem ser vistas aqui: IMAGENS DA PEREGRINAÇÃO DA FSSPX À APARECIDA 2018

Aos que quiserem participar conosco e/ou ter mais informações, partindo de Ribeirão Preto, favor entrar em contato pelo gespiox@yahoo.com.br

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OBS 1: Às pessoas idosas, com problemas físicos, crianças, etc… algumas Vans seguem a Peregrinação, para que possam fazer algum tipo de descanso, se necessário.

OBS 2: Para informações de como serão as saídas dos outros Centros de Missa, Comunidades amigas e Priorados, favor entrarem em contato diretamente com os mesmos (ver aqui).

ESTAR NO ERRO COM O PAPA OU TER RAZÃO COM A TRADIÇÃO INDO CONTRA ELE?

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Esta é uma objeção frequentemente feita à “Tradição”: um católico deve estar em completa união com o papa. Deveria preferir estar errado com ele ao invés de estar contra ele, pois será julgado com base a esse apego ao papa antes que por sua adesão à verdade! Como podemos responder a isso?

Esta objeção poderia apelar à autoridade de Santo Ambrósio: “Ubi Petrus, ibi Ecclesiaonde está Pedro, também está a Igreja“. Ou de São Cipriano”: Há um só Deus, um Cristo, uma Igreja e uma cátedra fundada sobre Pedro“. E, de fato, é essencial para a Igreja ser dirigida pelo Papa, o Vigário de Cristo. Inclusive poderíamos citar até mesmo as palavras do próprio Cristo: “E eu te digo, tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno se não prevalecerão contra ela. A ti darei as chaves do reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus“(Mt 16, 18-19).

Mas não foi também ao mesmo São Pedro a quem Nosso Senhor disse: “Afaste-se de mim, Satanás!” (Mc 8,33)? Palavras que ele dirigiu unicamente ao próprio demônio. Não foi São Pedro quem negou seu Mestre três vezes? O propósito dessas afirmações não é minar a dignidade do sucessor de Pedro, mas lembrar que ele tem um cargo que é certamente de uma dignidade incomparável, mas que, como todo cargo, tem seus direitos e deveres.

Como explica o Concílio Vaticano I: “Assim o Espírito Santo foi prometido aos sucessores de Pedro, não de maneira que eles pudessem, por revelação sua, tornar conhecida alguma nova doutrina, mas que, por sua assistência, pudessem guardar santamente e expor fielmente a revelação transmitida pelos Apóstolos” (Constituição Pastor Aeternus, Capítulo 4). Isto significa que o poder do soberano pontífice está regulado pela Revelação e as palavras que São Paulo aplicou a si mesmo também pode aplicar-se a ele: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos temos anunciado, seja anátema“(Gl 1: 8).

A submissão ao papa, portanto, está condicionada pela obediência à Revelação, da qual ele é servo e protetor. A história da Igreja mostra que, com exceção do caso de um exercício infalível do Magistério, cujas condições foram estabelecidas por este mesmo Concílio, um Papa pode desviar-se da verdade ou do caminho correto, embora isso sempre tenha sido raro. Neste caso, os fiéis podem, e devem obedecer a Deus antes que aos homens. Tomemos o exemplo de São Paulo: “Mas, quando Cefas (São Pedro) veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, por ser digno de repreensão” (Gl 2, 11). Há também o caso de Santo Atanásio, que foi excomungado pelo papa Liberio. E o papa João XXII, que pregou uma falsa doutrina sobre a visão beatífica em uma igreja em Avignon.

Segundo os objetantes, seria melhor ter aderido ao arianismo moderado com Libério do que ter permanecido firme com Santo Atanásio. Ter crido com João XXII que as almas dos fiéis defuntos devem esperar a ressurreição para poder receber a visão beatífica, em vez de ter mantido, com a grande maioria dos doutores e teólogos, que esta recompensa é dada para aqueles que são dignos de comparecer diante de Deus, sem ter que esperar pela ressurreição, uma doutrina que foi definida pelo sucessor de João XXII, o beato Bento XII. Ou ter preferido judaizar com São Pedro em vez de compartilhar a desaprovação de São Paulo.

De fato, uma oposição ao papa deve ter fundamentos muito sérios e deve seguir regras de prudência muito particulares. Mas quando dois ensinamentos são claramente opostos, assim como os da crise atual e a dos papas passados, qual deve ser considerada a correta? O Commonitorium de São Vicente de Lérins responde: “O que fará o cristão católico se… algum novo contágio do erro se difunde e trata de envenenar toda a Igreja de uma vez. Neste caso, o melhor será se apegar à antiguidade que, obviamente, já não pode mais ser seduzida por nenhuma novidade enganosa em absoluto“(III, 1, 2).

FSSPX: RETORNO DOS SEMINÁRIOS DO HEMISFÉRIO SUL

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Os seminários da Fraternidade São Pio X no hemisfério sul tiveram seu retorno nesse mês de março, dedicado a São José, patrono da Igreja universal.  

Na Argentina, o Seminário Nossa Senhora Corredentora, em La Reja, acolheu 10 alunos de ano de humanidades, bem como 10 seminaristas no primeiro ano de espiritualidade: 4 brasileiros, 3 mexicanos, 2 argentinos e 1 paraguaio. Outros 2 postulantes à Irmãos, do Brasil e do México, também bateram à porta do noviciado dos Irmãos da Fraternidade São Pio X

Na Austrália, o Seminário da Santa Cruz, em Goulburn, acolheu 6 estudantes no Ano de Humanidades, bem como 2 seminaristas no primeiro ano de Espiritualidade: 1 australiano e 1 neozelandês. Dois postulantes à Irmãos (1 nigeriano e 1 sul-africano) também entraram no noviciado dos Irmãos. 

Com as entradas do outono de 2018 em Zaitzkofen (Alemanha), Flavigny (França) e Dillwyn (EUA), o total de ingressos nos seminários da Fraternidade para este ano acadêmico é de 62 seminaristas do primeiro ano.

Rezemos pela perseverança de todos eles.

O SATÂNICO CAMARADA STALIN

A comunista Frida Kahlo celebrando Stalin

Fonte: Boletim Permanencia

Há sessenta e seis anos morria Joseph Stalin, a mente mais criminosa do século XX. Seu legado, para além de um país destroçado, foi a incrível marca de dezenas de milhões de mortos, para nada falar da multidão dos torturados ou deportados para os gelados gulags da Sibéria. Tudo isso, claro, em nome da liberdade e da justiça, em nome de uma ideologia satânica que ainda hoje encontra imbecis que a defendam.

Lembremos como era a situação dos católicos atrás da cortina de ferro nos anos que precederam imediatamente a morte do líder comunista. Os dados são de 1950, e foram publicados no livro Témoins du Christ à traves les persécutions du XXe siècle, Éditions du MJCF:

  • Na URSS, todos os bispos e todos os padres haviam sido assassinados, deportados ou exilados;
  • Na Sibéria, não havia mais bispos nem padres que pudessem exercer livremente o seu ministério no território. Ademais, centenas de milhares de católicos bálticos, poloneses, alemães, ucranianos, lá estavam como deportados ou prisioneiros;
  • Na Ucrânia, todos os bispos haviam sido deportados e três deles morreram na prisão. Estima-se que mais de 35.000 padres foram executados ou enviados para a Sibéria.
  • Na Lituânia, seis bispos foram presos ou exilados, 400 a 500 padres foram literalmente caçados. De uma população de quase dois milhões de católicos, a metade fora enviada para a Sibéria por motivações religiosas.
  • Na Letônia, os dois bispos foram exilados e, de cento e vinte padres, 33 foram deportados. Haviam ainda entre 300 e 400 mil católicos.
  • Na Estônia, o único bispo foi preso e 50 padres foram executados ou deportados. Havia cerca de 10.000 católicos.
  • Na Polônia, de um total de 24 milhões de habitantes, 75% eram católicos. Mais de 1.000 padres foram executados ou encarcerados.
  • Na Alemanha Oriental, havia na zona oriental três bispos e dois ou três administradores apostólicos, cerca de 400 padres e mais de dois milhões de católicos.
  • Na Tchecoslováquia, de 14.726.000 habitantes, 70% eram católicos. Todos os doze bispos viviam sob monitoramento e, de um total de 7.000 padres, mais de 1.500 estavam presos.
  • Na Hungria havia seis milhões de católicos numa população de nove milhões. Com a entrada das forças soviéticas, um bispo foi assassinado, o cardeal Mindzsenty foi preso, e mais de 500 padres foram mortos ou exilados.
  • Na Bulgária não havia mais de 6.000 católicos. A maior parte dos padres — uns 30 — ainda estavam livres, mas não podiam mais exercer o seu apostolado.
  • A Romênia contava com mais de 3 milhões de católicos numa população de 18 milhões. Doze bispos estavam presos, um único ainda vivia em liberdade. Todos os mil e quinhentos padres foram executados ou enviados para o cárcere.
  • A Iugoslávia era uma país com 5 milhões de católicos numa população de 16 milhões de habitantes; dois bispos foram assassinados, três encarcerados ou exilados. Mais de 250 padres foram assassinados e 400 estavam presos ou exilados.
  • Na Albânia, havia mais de 100.000 católicos numa população de 10 milhões de habitantes. Dois bispos haviam sido fuzilados e os demais estavam encarcerados. Praticamente não havia mais padres, enquanto outrora eram mais de cem.

Tudo isso sob o olhar complacente da Europa ocidental, que se esforçava para não ver, e o aplauso de artistas e intelectuais de cuja biografia essa adesão incondicional – e frutuosa em termos de carreira e dinheiro – foi apagada ou reduzida a um deslize sem maiores consequências.

No Brasil, o caso mais notório de idolatria foi Jorge Amado, que escreveu livros e textos louvando Stalin num estilo laudatório de fazer inveja ao mais abjeto puxa-saco. Em 1951, recebeu até o “Prêmio Stalin da Paz”, o equivalente comunista do Nobel.

Jorge Amado em Moscou para receber o “Nobel” que lhe coube em 1951.

Em contrapartida, os intelectuais e artistas que desde cedo perceberam a evidência e trataram de denunciá-la foram sistematicamente esquecidos, depois de detratados a base da mentira e da pilhéria. Entre nós, uma das vítimas – e talvez a maior de todas – foi Gustavo Corção. A mera comparação de profundidade e estilo entre um e outro escritor, se equacionada à publicidade dada a cada um, seria um claro indicador das causas de nossa miséria cultural.

A Stalin coube a tarefa de completar o trabalho começado com a Primeira Guerra Mundial: a demolição do Império Austro-Húngaro e a erradicação do Cristianismo – Católico ou Ortodoxo – de toda a Europa Oriental. É possível que Stalin não tivesse consciência das forças a que servia, mas lançou-se à tarefa com a dedicação que só o prazer é capaz de produzir: era um assassino com licença para matar.

Caído em desgraça depois da morte, no melhor estilo “vão-se os dedos, ficam os anéis”,
Stalin ainda é objeto de culto, por exemplo, no PCdoB, partido de Manuela D’Ávila, vice de Fernando Haddad na disputa pela Presidência da República na última eleição. E é claramente o modelo implícito, do comunismo cubano e do bolivarianismo de Chavez e Maduro.