DAS IGNOMÍNIAS QUE JESUS CRISTO SOFREU NA SUA PAIXÃO

cristDabit percutienti se maxillam, saturabitur opprobriis — “Oferecerá a face ao que o ferir, fartar-se-á de opróbrios” (Thren. 3, 30).

Sumário. Ah, a quantas ignomínias se submeteu o nosso pobre Jesus no tempo da sua Paixão! Foi traído por um dos seus discípulos, renegado por outro e abandonado por todos. Foi escarnecido como mentecapto, posposto a Barrabás, açoitado como um escravo, tratado como rei de teatro, condenado a morrer crucificado entre dois ladrões. E para que? Para nos provar o seu amor, e ensinar-nos pelo seu exemplo a sofrer com paciência os desprezos e injúrias. E todavia ficamos sempre orgulhosos e amamos tão pouco a Jesus Cristo!

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As mais graves injúrias que sofreu Jesus Cristo são as que lhe foram feitas no dia da sua morte. Sofreu então primeiro o opróbio de se ver abandonado por todos os seus amados discípulos, dos quais um o traiu, outro o renegou e quando Jesus foi preso no horto, todos fugiram e o abandonaram. Em seguida, os judeus apresentaram-no a Pilatos como um malfeitor digno de ser crucificado a um simples pedido deles. Por Herodes e toda a sua corte foi escarnecido como louco: Sprevit illum Herodes cum exercitu suo (1).

Depois foi posposto a Barrabás, um ladrão e homicida; pois, à pergunta de Pilatos a quem devia soltar, os judeus responderam gritando: Non hunc, sed Barabbam (2) — “Não queremos solto este, mas Barrabás”. Foi flagelado como escravo, porque esta pena se infligia só aos escravos. Foi burlado como rei de teatro; porquanto, depois de por escárnio O haverem coroado de espinhos, saudaram-No como rei, e, escarrando-Lhe no rosto, diziam: Ave, rex Iudaeorum (3) — “Ave, rei dos judeus”. Depois foi condenado a morrer entre dois ladrões conforme já fora predito por Isaias: Et cum sceleratis reputatus est (4) – “Ele foi posto no número dos celerados”.

Finalmente morreu crucificado, quer dizer, da morte mais ignominiosa à qual naqueles tempos eram condenados os criminosos, pelo que (como está escrito no livro Deuteronômio (5)) os Hebreus consideravam o crucificado como maldito de Deus e dos homens. É por isso que São Paulo escreve: “Cristo nos remiu da maldição da lei, fazendo-se por nós maldição, porque está escrito: Maldito todo aquele que é suspenso no lenho” (6). — E nota o que em outro lugar acrescenta o Apóstolo: não foi por necessidade, mas por livre escolha que o Senhor teve uma vida tão cheia de tribulações e uma morte acompanhada de tantas ignominias, renunciando a uma vida suntuosa e deliciosa, de que nesta terra podia gozar (7). Oh, diz Santo Agostinho, se esta medicina não basta para curar o nosso orgulho, não sei o que o possa curar: Quid eam curet nescio. Continuar lendo

DA CONFIANÇA NA PROTEÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA – PONTO II

Imagem relacionadaConsideremos, em segundo lugar, que Maria é advogada tão clemente quanto poderosa, e que não sabe negar sua proteção a quem recorre a ela. Os olhos do Senhor estão voltados sobre os justos, disse David. Mas esta Mãe de misericórdia, segundo afirma Ricardo de São Lourenço, fita os olhos nos justos como nos pecadores, a fim de que não caiam; e, se tiverem caído, para ajudar-lhes a que se levantem.

Afigurava-se a São Boaventura, quando contemplava a Virgem, que estava vendo a própria misericórdia. São Bernardo nos exorta a que em todas as nossas necessidades recorramos a essa poderosa advogada, porque é toda doçura e bondade, para aqueles que se lhe recomendam.

É por isso que Maria é chamada formosa como a oliveira. Quasi oliva speciosa in campis (Ecl 24,19); pois assim como a oliveira produz azeite suave, símbolo da piedade, assim da Virgem Santíssima promanam graças e misericórdias para todos aqueles que se refugiam na sua proteção.

Tem, pois, razão Dionísio Cartusiano para lhe chamar advogada dos pecadores que a ela recorrem. Qual não será a mágoa do cristão que se condena, quando pensar que tão facilmente se podia ter salvado, recorrendo a esta Mãe de misericórdia, e que não o fez, nem haverá já tempo para remediá-lo! A bem-aventurada Virgem disse a Santa Brígida: Continuar lendo

A SANTÍSSIMA EUCARISTIA, NOSSA FORÇA CONTRA NOSSOS INIMIGOS

eucaParasti in conspectu meo mensam adversus eos, qui tribulant me — “Preparaste uma mesa diante de mim, contra aqueles que me angustiavam” (Ps. 22, 5).

Sumário. Meu irmão, se te achas languido no bem, fraco no combate espiritual, põe a culpa sobre ti mesmo, porque não recebes a divina Eucaristia, ou a recebes sem as devidas disposições. Todos os Santos testemunham, e a experiência o confirma, que este divino Sacramento apaga o fogo das paixões, dá força e coragem para vencer o mundo com as suas vaidades, e debela todas as forças dos inimigos infernais. Numa palavra, os demônios, vendo uma alma incorporada no seu divino Chefe pela santa comunhão, ficam atemorizados e sem forças contra ela.

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É com razão que a Santíssima Eucaristia foi simbolizada pelo pão milagroso que o Anjo preparou para Elias; pois, assim como o Profeta se sentiu de tal modo fortalecido, que pôde subtrair-se à fúria de Jesabel e chegar ao monte do Senhor, assim os cristãos fortalecidos por este pão divino terão força para vencer todos os formidáveis inimigos que lhes estorvam o caminho da perfeição.

Diz São Cirilo de Alexandria, e confirma-o Santo Tomás, que, “quando Jesus Cristo está dentro de nós, mitiga o ardor da nossa concupiscência, acalma as inclinações desregradas da carne, e robustece a piedade”. Este Sacramento, qual fonte de água, apaga o fogo das paixões que nos consomem; por isso, quem se sentir abrasado pelo fogo de alguma paixão, aproxime-se da Mesa sagrada e logo a paixão será morta ou amortecida. — Pelo que dizia São Bernardo: “Meus irmãos, se alguém não sente tão freqüente nem tão violentamente os movimentos da ira, da inveja, da incontinência, agradeça-o ao Santíssimo Sacramento, que operou nele tão salutar mudança.”

Mais admirável ainda é a força que este alimento divino nos comunica para vencermos o mundo com as suas vaidades. D´onde credes que tiraram os primeiros cristãos aquela força heróica pela qual arrostavam a perda de todos os bens e mesmo a vida, entre os tormentos mais cruéis? Da recepção freqüente da santíssima Eucaristia: Erant perseverantes in communicatione fractionis panis — “Eles perseveravam na comunhão do partir do pão”. Foi ali também que todos os santos acharam a força para se porem acima de todo o respeito humano. Continuar lendo

AS ALMAS DO PURGATÓRIO

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FonteHojitas de Fe, 11 | Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX
Tradução:
Dominus Est

A Igreja, durante todo o mês de novembro, após ter honrado e exaltado seus filhos do céu, e invocado sua intercessão, não quer esquecer seus filhos do Purgatório. Dedica a eles a Comemoração dos Fiéis Defuntos, e dá indulgências especiais durante os primeiros oito dias de novembro, e consagra todo este mês a orar pelas almas dos defuntos. No que nos diz respeito, três motivos devem nos levar a interessar-nos por estas santas almas:

1º Primeiramente, porque são almas necessitadíssimas de nossa misericórdia e de nossos sufrágios: “Estive na prisão e me visitastes”.

2º Depois, porque um dia nós teremos que encontrá-las no Purgatório (se a bondade de Deus assim o permitir), razão pela qual muito nos interessa saber o que é dessas almas, qual é seu estado, como Deus as trata…

3º Finalmente, porque muitas vezes imaginamos o Purgatório como o lugar da justiça de Deus, de uma justiça inflexível, de uma justiça sem misericórdia: quando, na realidade, é ao contrário uma invenção da misericórdia de Deus, mesmo que seja uma misericórdia em que o homem já não pode mais merecer e deve reparar todos os pecados de sua vida.

Detenhamo-nos neste último ponto, considerando as três razões pelas quais a misericórdia divina se manifesta no Purgatório: • primeiro, no amor que as três Pessoas divinas têm por essas almas abençoadas; • segundo, no amor e na conformidade que essas almas têm para com Deus; • terceiro, no próprio sofrimento que essas almas têm que suportar. Continuar lendo

DESESPERO DOS RÉPROBOS NO INFERNO

inferMortuo homine impio, nulla erit ultra spes — “Morto o homem ímpio, não restará mais esperança alguma” (Prov. 11, 7).

Sumário. Enquanto o pecador vive, há sempre esperança de conversão; mas quando a morte o arrebatou no estado de pecado, não lhe resta mais esperança alguma e verá sempre diante dos olhos a sentença de sua eterna condenação. Sim, porque o inferno tem uma porta de entrada, mas não de saída. O que o réprobo começa a sofrer no primeiro dia da sua entrada, terá de sofrê-lo sempre. Qual não seria, pois, o nosso desespero, se por desgraça nos viessemos a condenar!… Ó Pai Eterno, pelo amor de Jesus Cristo, castigai-me como quiserdes, mas poupai-me na eternidade.

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Quem entra uma vez no inferno, nunca mais dele sairá. Este pensamento fazia Davi exclamar tremendo: “Ó Senhor, não me afogue a tempestade, nem me absorva o mar profundo, nem cerre o poço a sua boca sobre mim.” (1) Mal cai um réprobo neste poço de tormentos, logo se fecha a entrada e não se abre mais. O inferno tem uma porta de entrada, mas não de saída, diz Eusébio Emisseno: Descensus erit, ascensus non erit. Eis como ele explica as palavras do salmista: Não cerre o poço a sua boca sobre mim: Enquanto vivo, pode o pecador ter esperança de conversão, mas se a morte o surpreender no estado de pecado, perdê-la-á para sempre: Morto o homem ímpio, não restará mais esperança alguma.

Se os condenados pudessem ao menos embalar-se em alguma falsa esperança e assim achar algum alívio na sua desesperação! O homem enfermo mortalmente e estendido no leito, apesar de desenganado pelos médicos, ainda busca iludir-se e consolar-se dizendo: “Quem sabe se ainda não se encontra um médico ou um remédio que me possa curar?” Um criminoso condenado às galés perpétuas acha também uma consolação neste pensamento: “Quem sabe se algum acontecimento não me tirará destas cadeias?” Se o réprobo pudesse ao menos dizer igualmente: “Quem sabe se um dia não sairei desta prisão?” E assim iludir-se com alguma falsa esperança. Mas não: no inferno não há esperança, nem verdadeira nem falsa; não há o quem sabe.

Statuam contra faciem (2) — “Eu t´o porei diante de tua face”. O desgraçado réprobo terá incessantemente diante da vista a sentença que o condena a gemer eternamente nesse abismo de sofrimentos. O condenado não sofre somente a pena de cada instante, mas sofre a cada instante a pena da eternidade, vendo-se obrigado a dizer: O que sofro atualmente, sofrê-lo-ei sempre. Pondus aeternitatis sustinent, diz Tertuliano: os réprobos gemem sob o peso da eternidade. Continuar lendo

DA CONFIANÇA NA PROTEÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA – PONTO I

Resultado de imagem para santíssima virgemQui invenerit me, inveniet vitam, et hauriet salutem a Domino – “Quem me encontrar, encontrará a vida, e alcançará do Senhor a salvação” (Pr 8, 35)

Quantas graças devemos render à misericórdia divina, exclama São Boaventura, por ter-nos dado como advogada a Virgem Maria, cujas súplicas podem alcançar-nos todas as mercês que desejamos!… Pecadores, meus irmãos, mesmo que nos acharmos já condenados ao inferno em vista das nossas iniquidades, não desesperemos, entretanto.

Recorramos a esta divina Mãe, abriguemo-nos debaixo do seu manto, e ela nos salvará. Ela apenas exige de nós a resolução de mudar de vida. Tomemo-la, pois; confiemos verdadeiramente em Maria Santíssima, e ela nos alcançará a salvação… Porque Maria é advogada piedosíssima, advogada que a todos nós deseja salvar.

Consideremos, primeiramente, que Maria é advogada poderosa, que tudo pode junto ao soberano Juiz, em proveito e benefício daqueles que devotamente a servem… Singular privilégio concedido pelo mesmo Juiz, Filho da Virgem!

“É grande privilégio que Maria seja poderosíssima junto a seu Filho”

Afirma Gerson que a bem-aventurada Virgem nos obtém de Deus quando lhe pedirmos com firme vontade e que como rainha ordena aos anjos que iluminem, aperfeiçoem e purifiquem os seus devotos. À vista disto, a Igreja, querendo inspirar-nos confiança nessa nossa grande advogada, induz-nos a invocá-la com o título de Virgem poderosa: Virgo potens, ora pro nobis… Continuar lendo

DAS SECURAS ESPIRITUAIS

secPosuit me desolatam, toto die moerore confectam — “Pôs-me em desolação, afogada em tristeza todo o dia” (Thren. 1, 13).

Sumário. O Senhor prova os que o amam com securas e tentações. Quando, pois, te achares em tal provação, não percas a coragem, mas entrega-te com abandono inteiro à misericórdia divina. Faze continuamente atos de humildade e resignação, confessando que mereces ser tratado assim e ainda pior. Não omitas sobretudo nenhuma das tuas boas obras e orações, muito embora as faças sem gosto e contra vontade. Virá o tempo em que serás bem pago por tudo.

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Diz São Francisco de Sales que a verdadeira devoção e o verdadeiro amor de Deus não consistem em sentir consolações espirituais nos exercícios de piedade, mas em ter uma vontade resoluta de só querer e fazer aquilo que Deus quer. É só para este fim que devemos orar, comungar, praticar a mortificação e qualquer outra virtude que agrada a Deus, muito embora façamos isso sem satisfação alguma e no meio de mil tentações e aborrecimentos de espírito. “Pelas securas e tentações”, diz Santa Teresa, “o Senhor experimenta os que O amam. Posto que a secura continue durante toda a vida, não deixe a alma de fazer oração; virá tempo em que será bem paga por tudo.”

Segundo o aviso dos mestres da vida espiritual, devemos, no tempo da desolação, exercitar-nos principalmente em fazer atos de humildade e de resignação. Não há tempo mais próprio para conhecermos a nossa fraqueza e miséria como quando na oração estamos áridos, aborrecidos, distraídos e desgostosos, sem fervor sensível, mesmo sem desejo sensível de progredirmos no amor divino. — Então a alma diz: Senhor, tende compaixão de mim! Vede como sou incapaz de fazer qualquer ato de virtude. Ela deve também praticar a resignação e dizer: Meu Deus, deixai-me ficar nesta escuridão e aflição; seja sempre feita a vossa vontade! Não desejo consolações; basta-me estar aqui para Vos agradar. E assim deve ela perseverar na oração todo o tempo determinado.

A maior pena, porém, das almas amantes da oração, não é tanto a secura, como a escuridão, na qual a alma se vê privada de toda a boa vontade, e tentada contra a fé e contra a esperança. Eis porque nesse tempo a solidão lhe é um horror, e a oração lhe parece um inferno. Então ela deve criar coragem e lembrar-se que esses temores de ter consentido na tentação ou na desconfiança, não são senão temores vãos e tormentos da alma, mas não atos da vontade e por isso são isentos de pecado. Continuar lendo

AS 5 FUNDADORAS DO MOSTEIRO DE SÃO JOSÉ (EUA) RECEBEM SEUS HÁBITOS BENEDITINOS

Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

Desde a época de São Bento e Santa Escolástica, santos irmãos, houveram mosteiros beneditinos, tanto masculinos como femininos, frequentemente fundados perto um do outro em memória da proximidade da primeira família beneditina.

Desde que Monsenhor Lefebvre abençoou a fundação do mosteiro beneditino para os homens nos Estados Unidos, em 1991, o Mosteiro de Nossa Senhora de Guadalupe, os monges foram questionados inúmeras vezes por jovens senhoras: “Quando haverá um convento beneditino nos Estados Unidos para meninas americanas? ” Mas com o passar dos anos, apesar do grande desejo, orações e esforços, parecia que um convento nunca seria fundado. Os próprios monges estavam engajados em realizar verdadeiros esforços heroicos para sobreviverem e construírem seu próprio mosteiro no meio das extremas dificuldades causadas pelo terreno rochoso, seco e implacável de uma árida montanha localizada no sudoeste do Novo México. Então, por 25 anos ou mais, as jovens senhoras de língua inglesa que sentiam o chamado para se unirem às Beneditinas não tinham outra opção senão deixar sua terra natal e sua cultura, aprender uma nova língua e entrar em um convento beneditino francês. Este inconveniente acabou por ser uma situação muito difícil para muitas.

Mas, anos de esperança, orações e sacrifícios finalmente deram frutos no tempo de Deus, e Ele escolheu 2018 para ser o ano abençoado que veria, finalmente, a fundação do Mosteiro de São José, um convento beneditino América do Norte! Este convento foi fundado com a bênção, especial patrocínio e caridade de Sua Excelência D. Bernard Fellay. Em fevereiro de 2018, ele pregou pessoalmente o primeiro retiro e orientou 10 jovens que estavam considerando fortemente a vida beneditina. Cinco delas iniciaram imediatamente seu postulado e, em 17 de outubro, estavam prontas para se tornarem noviças e, oficialmente, fundadoras deste convento americano. D. Fellay lhes havia prometido em fevereiro que voltaria e oficiaria esta cerimônia, e para o deleite de ambas as comunidades, pôde cumprir sua promessa.

Muitas outras jovens visitaram o convento neste ano, e algumas logo se juntarão em breve, enquanto outras tem discernido com seus diretores espirituais que podem entrar sem dificuldade.

As fundadoras são os frutos das paróquias da FSSPX e estão felizes por terem se unido ao ramo contemplativo da grande obra da Tradição. O Mosteiro de Nossa Senhora de Guadalupe e o Mosteiro de São José pedem suas orações pela perseverança de suas vocações, e também pedem sua ajuda para construir mais celas para as excelentes vocações que batem à sua porta.

A NOTÍCIA DA MORTE

morte2De lectulo, super quem ascendisti, non descendes, sed morte morieris — “Não te levantarás da cama em que jazes, mas certamente morrerás” (4 Reg. 1, 4).

Sumário. Imagina que estás com um doente a quem restam poucas horas de vida. Os parentes, vendo que o estado dele piora sempre, resolvem-se afinal, depois de uma funesta demora, a anunciar-lhe a aproximação da morte. Ah! Quais serão então os sentimentos do enfermo? Qual será a sua mágoa? Especialmente se tiver vivido com o coração apegado aos bens da terra, por cujo amor ofendeu a Jesus Cristo?… Meu irmão, se na hora da morte não quiseres ter as mesmas angústias, ajusta agora as contas da tua consciência, e na enfermidade chama o confessor antes do médico.

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Imagina que estás junto de um doente a quem restam poucas horas de vida. Pobre enfermo! Considera como está oprimido pelas dores, pelos desfalecimentos, pela angústia do peito, pela falta de ar e pelo suor frio; a cabeça está enfraquecida a tal ponto que pouco ouve, pouco entende e quase não pode falar. A sua maior desgraça é que, próximo à morte, em vez de pensar na alma e na preparação das contas para a eternidade, só pensa nos médicos e nos remédios, para se livrar da doença e dos sofrimentos que aos poucos o fazem morrer.

Se ao menos os parentes e amigos o avisassem do estado perigoso em que se acha! Mas não, entre todos os parentes e amigos não há um só que tenha coragem de lhe dar a notícia da morte e de avisá-lo que receba os sacramentos. Todos se escusam de lhe falar nisso, para não o magoarem (ainda bem se não cometem o excesso de o iludirem com mentiras). — No entanto, ainda que se lhe não anuncie a aproximação da morte, vendo a família toda agitada, as consultas dos médicos repetidas, e multiplicados os medicamentos freqüentes e violentos, o pobre moribundo cai na confusão e diz consigo: Ai de mim! Quem sabe se já não terá chegado o fim dos meus dias!

Ó meu Deus, como me sinto contente por ser religioso! Desde já Vos agradeço que na morte me fareis ser assistido pelos queridos confrades da minha Congregação, que terão por único interesse a minha salvação e me hão de ajudar todos a bem morrer. — Tu, meu irmão, quando te sentires doente, não esperes que o médico, os teus parentes te digam que te confesses; fala tu mesmo nisso, visto que, para não te magoarem, os outros não te avisarão, senão quando estiveres desenganado ou quase desenganado. Faze desde já o propósito de chamar em primeiro lugar o teu confessor; antes ao médico da alma que o do corpo. Lembra-te que se trata da alma, que se trata da eternidade, e que, perdendo-a então, tê-la-ás perdido para sempre, irremediavelmente. Continuar lendo

QUINTO DOMINGO DEPOIS DA EPIFANIA: A PARÁBOLA DO JOIO E A IGREJA CATÓLICA

The-Parable-of-the-Weeds-in-the-FieldSimile factum est regnum coelorum homini, qui seminavit bonum semen in agro suo — “O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo” (Matth. 13, 24).

Sumário. Pela bondade divina achamo-nos no campo da Igreja Católica, e talvez até numa comunidade fervorosa, onde o Senhor semeou e ainda semeia o trigo das graças celestiais. Demos graças ao Senhor e aproveitemo-nos da sua misericórdia. Mas ao mesmo tempo examinemo-nos para ver se não somos porventura para o nosso próximo joio pernicioso ou, pior ainda, semeadores de joio. Jesus Cristo disse que no dia da colheita, isto é, do Juízo, o joio será jogado no fogo do inferno.

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I. O divino Redentor compara o reino dos céus “a um homem que semeou boa semente no seu campo. Mas quando dormiam os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo e foi-se. E, tendo crescido a erva, e dando o fruto, então apareceu também joio. Chegando, porém, os servos do pai de família disseram-lhe: Senhor, porventura não semeaste boa semente no teu campo? Donde, pois, tem o joio? E lhes respondeu: O homem inimigo é que fez isto: “Inimicus homo hoc fecit.

É uma verdade inegável que a Igreja Católica é um campo no qual as ervas más crescem junto com o bom trigo, e muitas vezes o sufocam e corrompem. Deus semeou, quer dizer, criou o gênero humano, não somente bom, senão também santo pela justiça original. O demônio, porém, pela sugestão do primeiro pecado, semeou o mal por cima, e semeou-o sempre e em toda a parte, de tal maneira que até no Colégio dos apóstolos houve um traidor, Judas. — O que aqui se diz da Igreja em geral, é também muitas vezes verdade nas famílias particulares, nas quais se relaxa o espírito dos santos Fundadores e se introduzem maus usos, contrários às regras.

Meu irmão, conforme espero, achas-te numa comunidade fervorosa; e por isso rende graças a Deus por haver tão copiosamente semeado em ti o trigo precioso das suas graças. Mas vive, ao mesmo tempo, num temor salutar, e examina-te para ver se para teu próximo nunca foste joio pernicioso, ou, pior ainda, semeador de joio. Ah! Quantos há que, não contentes de serem maus para si mesmos, o querem ser também para os outros, pela sua inobservância, pelos seus maus exemplos e escárnios, pelo maldito espírito de partido, semeando a discórdia entre os confrades bons! Continuar lendo

ESCAPARAM DA GUILHOTINA

Resultado de imagem para moça rezandoFoi em Paris, na época mais triste da Revolução Francesa. Para alguém ser preso e condenado à morte, bastava que o acusassem de monarquista ou católico intransigente.

Também os pais de Júlia Janau, uma criança de 11 anos, foram presos por causa de sua religião. Júlia, que ficara só com uma velha criada, chorava dia e noite, temendo pela sorte de seus pais.

Em sua grande aflição rezava continuamente o rosário à compassiva Mãe do Céu para que salvasse seus pais. Essa devoção do rosário ensinara-lhe sua boa mãe, dizendo-lhe que, em todo o perigo e necessidade, recorresse a Maria com muita confiança e seria socorrida.

Estava a menina ajoelhada, rezando o seu rosário, quando um representante do partido revolucionário penetrou na casa à procura de mais alguma vítima para a guilhotina.

À vista daquela criança, inocente e tímida, o carrasco sentiu-se inexplicávelmente comovido.

Dirigindo-se à pequena, perguntou: Continuar lendo

PRÁTICA DA DEVOÇÃO A MARIA SANTÍSSIMA

Imagem relacionadaVenerunt mihi omnia bona pariter cum illa — “Todos os bens me vieram juntamente com ela” (Sap. 7, 11).

Sumário. Para que os nossos obséquios agradem à Mãe de Deus e nos façam dignos de seu patrocínio, duas coisas são necessárias: primeiro, devemos tributá-los com coração puro ou, ao menos, com o desejo de nos emendarmos; segundo, devemos ser constantes. Ah, quanto dos que estão agora no inferno teriam sido santos se tivessem perseverado nos seus obséquios à Santa Virgem! Lancemos um olhar sobre nós mesmos. Com que coração oferecemos à Maria as nossas homenagens? Qual é a nossa perseverança em oferecê-las?

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É tão liberal e grata a Rainha do céu, que, no dizer de Santo André Cretense, recompensa com riquíssimos prêmios os pequenos obséquios de seus servos. Para isto, contudo, são necessárias duas coisas: A primeira, que ofereçamos os nossos obséquios com a alma pura de pecados, ou ao menos com o desejo de sairmos dos vícios e da tibieza. Pois, se alguém quisesse continuar a pecar, com a esperança de que Maria o havia de salvar por causa daquela sombra de devoção, pela sua culpa própria se tornaria indigno e insuscetível da proteção de nossa Senhora. — A segunda condição é que se persevere na devoção à Virgem; porque, como diz São Bernardo: “Só a perseverança merece a coroa.” É muito notável a resposta que São João Berchmans deu na hora da morte a seus companheiros, quando estes lhe perguntaram o que deviam fazer para merecerem a proteção de Maria: Quidquid minimum, dummodo sit constans. — Por pouco que seja, contanto que seja constante.

Os obséquios mais agradáveis à Virgem são os seguintes: Consagrar-se-lhe de manhã e à noite, rezando três Ave-Marias. Recorrer freqüentemente à sua intercessão, mormente nos perigos de ofender a Deus e nunca recusar uma coisa que for pedida por amor dela. Alistar-se em alguma congregação da Virgem. Excitar os outros, por palavras e exemplos, a praticarem a devoção para com Nossa Senhora. Trazer sempre o santo escapulário e rezar, impreterivelmente, cada dia o Terço ao  pé de uma imagem de Maria. Jejuar no sábado e nas vésperas das festas principais. Celebrar ou fazer celebrar ou pelo menos ouvir uma missa em honra da Virgem; e honrar seus santos parentes e outros santos que mais se distinguiram em sua devoção. Finalmente celebrar com fervor as novenas de preparação para as suas festas; propondo-se a emenda de algum vício, ou a imitação de alguma virtude especialmente apropriada ao estado da alma e aproximando-se dos santos sacramentos.

Mas não te exorto tanto a praticar todos estes obséquios, como a praticares os que possas escolher ou já tenhas escolhido, com perseverança, temendo que, se te descuidares deles no futuro, percas a proteção da divina Mãe. Oh! Quantos daqueles que agora estão no inferno, teriam sido santos do paraíso, se tivessem perseverado nos obséquios a Maria, uma vez escolhidos e principiados! Continuar lendo

CHAMADO POR NOSSA SENHORA A UM DOENTE

Resultado de imagem para mulher leito de morteFoi durante a noite de 21 de Junho de 1860. Alguém bateu a porta do Colégio de Amiens. O porteiro acorde a portaria e,  antes de abrir, ouviu uma voz que dizia:

“O Padre Guidée que vá imediatamente a tal rua, número e andar, que lá está uma senhora a morrer e quer comungar”.

O Sacerdote, acompanhado do sacristão, se dirigiu logo à tal casa levando junto o Santo Viático.

À entrada apareceu uma empregada.

– Está aqui algum doente?

– Sim, Padre.

– Ela não pediu um Sacerdote?

– Não, Senhor.

– Conduze-nos ao quarto da doente.

A criada conduziu os dois visitantes ao quarto da enferma. Depois de saúda-la, perguntou-lhe se não chamara um Padre.

– Não, Padre; eu não sou Católica; sou protestante.

– Os protestantes, prosseguiu o Padre Guidée, não admitem o culto de Maria Santíssima. A senhora também segue o mesmo pensar?

– Não, Padre; toda vida invoquei o nome de Maria, Mãe de Deus.

Muito disposta, escutou as instruções a respeito da doutrina Católica, e prontificou-se a acreditar tudo, afirmando ser seu desejo morrer no Catolicismo.

O Padre a batizou sob condição, confessou-a em seguida (porque podia ser que já tivesse recebido o batismo) e deu-lhe a Comunhão como viático e a extrema-unção.

Com o nome de Maria nos lábios, faleceu suavemente.

Nossa Senhora mesma chamara o Sacerdote para premiar sua devota.

Como Maria Santíssima é Boa! – Frei Cancio Berri C. F. M.

SUSPIROS DE AMOR AO PÉ DO CRUCIFIXO

madalena aos pes de cristo

Pro omnibus mortuus est Christus, ut et qui vivunt iam non sibi vivant, sed ei qui pro ipsis mortuus est et resurrexit – “Cristo morreu por todos, para que também os que vivem já não vivam para si, mas para aquele que morreu por eles e ressuscitou” (2 Cor. 5, 15).

Sumário. Levantemos os olhos e vejamos Jesus morto no patíbulo da cruz, o corpo coberto de chagas, das quais ainda dimana sangue. A fé ensina-nos que é ele nosso Criador, nosso Salvador; aquele que nos ama mais do que qualquer outro e só nos pode fazer felizes. Expandamos diante dele o nosso coração, fazendo atos de fé, de esperança, de arrependimento, de agradecimentos e de amor. Sobretudo façamos atos de oferecimento de nós mesmos, protestando que queremos empregar em amá-lo toda a vida que ainda nos resta.

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I. Meu irmão, levanta teus olhos e contempla Jesus morto no patíbulo da cruz, o corpo todo coberto de chagas, das quais ainda corre o sangue. A fé te ensina que ele é teu Criador, teu Salvador, tua Vida e teu Libertador; aquele que te ama ainda mais que outro qualquer e que só te pode fazer feliz.

Meu Jesus, eu creio que sois aquele que me amou desde a eternidade, sem algum merecimento da minha parte; apesar da previsão de minhas ingratidões e unicamente movido pela vossa bondade, me destes a existência. Vós sois meu Salvador, que pela vossa morte me livrastes do inferno tantas vezes por mim merecido. Vós sois minha vida, pela graça que me comunicastes e sem a qual teria ficado eternamente na morte. Vós sois meu Pai, e Pai amantíssimo, perdoando-me com tão grande misericórdia as injúrias que Vos fiz. Vós sois o meu tesouro, enriquecendo-me com tantas luzes e favores, em vez dos castigos de que era digno. Vós sois a minha esperança, visto que fora de Vós não há de quem possa esperar algum bem. Vós sois meu verdadeiro e único amante, pois que por meu amor quisestes morrer. Numa palavra, Vós sois meu Deus, meu Bem supremo, meu tudo. Continuar lendo

COMO, DESPREZANDO O MUNDO, É DOCE SERVIR A DEUS

Resultado de imagem para ajoelhado igrejaA alma: De novo, Senhor, vos falarei, e não me calarei; direi aos ouvidos de meu Deus, meu Senhor e meu Rei, que está nas alturas: Quão grande, Senhor, é a abundância da doçura que reservastes aos que vos temem! (Sl 30,20). Mas que será para os que vos amam e de todo o coração vos servem? É verdadeiramente inefável a doçura da contemplação que concedeis aos que vos amam. Nisto particularmente me manifestastes a doçura de vosso amor: quando não era, vós me criastes e quando andava longe de vós, perdido no erro, me reconduzistes a vos servir e me destes o preceito de vos amar.

Ó fonte perene de amor, que direi de vós? Como poderia eu esquecer-me que vos dignastes lembrar-vos de mim, ainda depois de depravado e perdido? Além de toda esperança, usastes de misericórdia para com vosso servo, e acima de todo mérito me prodigalizastes vossa graça e amizade. Com que poderei agradecer-vos tal mercê? Porque nem a todos é dado deixar tudo, renunciar ao mundo e abraçar a vida religiosa. Será porventura mérito que eu vos sirva, quando toda criatura tem obrigação de vos servir? Não me deve parecer grande coisa que eu vos sirva; antes devo considerar grande e digno de admiração que vos digneis receber-me, pobre e indigno como sou, em vosso serviço e associar-me aos vossos servos prediletos.

Vede, é vosso, Senhor, tudo que possuo e com que vos sirvo; entretanto, mais me servis vós a mim, do que eu a vós. Aí estão o céu e a terra, que criastes para uso do homem, e estão atentos a vosso aceno, a fazer cada dia o que lhes mandais. Mais ainda: os próprios anjos destinastes ao serviço do homem. Mas, acima de tudo isso, vós mesmos vos dignais servir ao homem, e prometestes ser a sua recompensa. Continuar lendo

EXCELÊNCIA DA SANTÍSSIMA EUCARISTIA

eucaristia

Quid est bonum eius et quid pulchrum eius, nisi frumentum electorum et vinum germinans virgines — “Qual é o bem dele e qual é a sua formosura senão o pão dos escolhidos e o vinho que gera virgens?” (Zach. 9, 17.)

Sumário. O mais digno e excelente entre todos os sacramentos é o Santíssimo Sacramento do Altar, porque os demais sacramentos contém os dons de Deus, mas este contém o próprio Deus. Por isso não há outro meio mais eficaz para conduzir uma alma à perfeição do que a santa comunhão, que a une a Jesus Cristo e a faz uma só coisa com Ele. Dize-me, meu irmão, que é que o Senhor podia fazer mais a fim de se fazer amar de nós? Todavia não somente O temos amado pouco até hoje, mas ainda Lhe temos sido ingratos.

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O mais nobre e excelente entre todos os sacramentos é o Santíssimo Sacramento do Altar. Os demais sacramentos contém os dons de Deus, mas o sacramento da Eucaristia contém o próprio Deus. Afirma o Doutor Angélico, que os outros sacramentos foram instituídos por Jesus Cristo a fim de preparar o homem para a recepção ou administração da Santíssima Eucaristia, a qual, na frase do Santo, é a consumação da vida espiritual, porquanto deste Sacramento deriva toda a perfeição de nossas almas.

Segundo o ensino dos mestres espirituais, toda a perfeição de uma alma consiste na união com Deus; pois bem, não há melhor meio para nos unir mais com Deus, do que a santa comunhão, pela qual a alma se forma uma só coisa com Jesus Cristo, como ele mesmo disse: Qui manducat meam carnem… in me manet, et ego in eo (1) – “O que come a minha carne, fica em mim e eu nele”. É belíssima a comparação que a este respeito faz São Cirilo de Alexandria. Diz ele que na santa comunhão o Senhor se une à nossa alma assim como se unem dois pedaços de cera derretida. — Foi exatamente para este fim que nosso Salvador instituiu o Santíssimo Sacramento em forma de alimento; para nos dar a entender que, assim como o alimento se transforma em nosso sangue, assim este pão celeste se torna uma coisa conosco.  Continuar lendo

A ACEITAÇÃO CRISTÃ DA MORTE E A GRAÇA DA PERSEVERANÇA FINAL

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Fonte: Hojitas de Fe, 261 | Seminário Nossa Senhora Corredentora, FSSPX Tradução: Dominus Est

No trabalho da santificação não basta começar bem, nem sequer progredir muito e por longo tempo; o mais necessário de tudo é terminar bem, pois em todas as coisas “o fim é que coroa a obra”. Por isso toca-nos examinar, a modo de conclusão final, a boa morte considerada sob um duplo aspecto: 1º como coroação de todo o trabalho de renúncia e mortificação; 2º como coroação de todo nosso trabalho de santificação.

1º A aceitação cristã da morte, coroação de todo o trabalho de mortificação e renúncia ao pecado.

Considerada à luz da fé, a morte aparece como a penitência por excelência para expiar os pecados cometidos, e como o sacrifício por excelência para unir-nos ao holocausto do Calvário.

1 – A morte, cristãmente aceita, constitui a penitência por excelência para reparar nossos pecados. Temos as provas disso:

  1. Na vontade formal de Deus. Todas as penitências suportadas ao longo da vida são contas parciais e antecipadas; o pagamento total que a justiça divina exige por nossas dívida é a morte. Assim o decretou Deus desde que o pecado entrou no mundo: “Morrerás indubitavelmente” (Gn 2 17); assim o proclama São Paulo: “O estipêndio do pecado é a morte” (Rm 6 23).
  2. Na conduta de Jesus Cristo. Feito nosso fiador, Jesus Cristo expiou nossos pecados por sua morte na cruz; e por isso mesmo, também nós devemos pagar à justiça divina a parte que nos corresponde, unindo o sacrifício de nossa vida ao de Jesus Cristo.
  3. Na natureza do pecado e da morte. Todo pecado tem como princípio, um apego desordenado aos bens da terra, uma satisfação culpável dos sentidos, um ato de orgulho ou de vontade própria. Pois bem, aceitar cristãmente a morte é reparar: todos os nossos apegos desordenados, aceitando a separação desgarradora de todos os bens desta terra; todos os nossos prazeres culpáveis, aceitando a morte com todo seu cortejo de sofrimentos físicos e angústias morais;  todos os nossos atos de orgulho de vontade própria, fazendo-nos obedientes à vontade Deus até o ponto de aceitar a morte, tal como apraz ao Senhor no-la enviar, e a humilhação e o esquecimento supremo do túmulo. Por isso, os autores ascéticos veem na aceitação cristã da morte um ato de caridade perfeita, que tem a virtude de expiar todas as dívidas contraídas por nossos pecados.

2 – A morte, cristãmente aceita, é o sacrifício por excelência. Com efeito, para a criatura humana: • aceitar a destruição de seu ser para reconhecer o supremo domínio de Deus sobre ela, é oferecer à divina Majestade o mais perfeito holocausto; • aceitá-la com confiança e abandono filial para com nosso Pai celestial é terminar nossa vida pelo ato mais meritório; • aceitá-la, sobretudo, em união com Jesus e seu sacrifício da cruz, morrendo com Ele pela redenção das almas, é coroar nossa vida com o mais fecundo sacrifício, a imitação de Jesus, que converteu o infame patíbulo da cruz em um altar no qual consumou o mais perfeito sacrifício para glória de seu Pai e salvação das almas. Continuar lendo

SÓ EM DEUS SE ACHA A VERDADEIRA FELICIDADE

felicDelectare in Domino, et dabit tibi petitiones cordis tui — “Deleita-te no Senhor, e Ele te outorgará as petições de teu coração” (Ps. 36, 4).

Sumário. A experiência demonstra que todos os bens do mundo não podem contentar o coração do homem, criado para um bem infinito. Encontre-se com Deus, una-se a Deus, e ei-lo contente, nada mais desejando, até no meio das cruzes e tribulações, porque o amor divino é como o mel, que torna doces e amáveis as coisas mais amargosas. Se, pois, quisermos ser felizes, amemos sinceramente Jesus Cristo, entretenhamo-nos com Ele na oração e visitemo-Lo muitas vezes no Santíssimo Sacramento. Tenhamos também uma devoção terna para com a grande Mãe de Deus.

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Todos os bens e prazeres do mundo não podem contentar o coração do homem. Quem o pode, pois, contentar? Só Deus. Deleita-te no Senhor, e Ele te outorgará as petições de teu coração. O coração do homem anda sempre à procura de um bem que o possa saciar. Desfrute riquezas, prazeres, honras; não estará contente, porque estes bens são finitos e ele foi criado para um bem infinito. Encontre-se com Deus, una-se a Deus, e ei-lo contente sem mais outro desejo.

Santo Agostinho nunca achou a paz enquanto passou a vida nos prazeres dos sentidos. Mas, quando se deu a Deus, então confessou e disse ao Senhor: Inquietum est cor nostrum, donec requiescat in te — “Nosso coração está inquieto, enquanto não descansa em Vós”. Meu Deus, dizia, agora vejo que todas as criaturas são vaidade e aflição, e só Vós sois a verdadeira paz da alma. Instruído assim à sua custa, escreveu: “Ó homem, criatura mesquinha, porque andas à procura dos bens deste mundo? Procura o único bem que encerra todos os outros.”

Como Deus sabe tornar felizes as almas fiéis que o amam! Quando São Francisco de Assis deixou tudo por amor de Deus, posto que andasse descalço, coberto apenas com uns farrapos, morto de frio e fome, experimentava um gozo celestial ao pronunciar estas palavras: Deus meus et omnia — “Meu Deus e meu tudo”. Quando São Francisco de Borja, depois de religioso, devia em viagem dormir sobre a palha, sentia tamanha consolação que nem conseguia conciliar o sono. Da mesma forma São Filipe Neri, tendo deixado tudo, recebia de Deus consolação tão viva, que, ao deitar-se, exclamava: “Meu Jesus, deixai-me dormir.” No meio de seus árduos trabalhos nas Índias, São Francisco Xavier descobria o peito, exclamando: “Basta, Senhor, de consolações; já não me cabem no peito.” Santa Teresa costumava dizer que uma só gota de consolação celeste dá mais contentamento que todas as doçuras e divertimentos do mundo. — Além disso, não podem falhar as promessas que Deus fez de recompensar o que por seu amor renuncia aos bens do mundo, dando-lhe ainda nesta vida o cêntuplo de paz e de felicidade. Centuplum accipiet et vitam aeternam possidebit (1) — “Receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna”. Continuar lendo

CONTRIBUA COM A TRADIÇÃO! CONTRIBUA COM A IGREJA!

CAPELAPrezados amigos, prezados leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vocês que acessam e gostam de nosso blogvocês que acompanham as ações da FSSPX pelo mundo, vocês que lutam pelo Reinado Social de Nosso Senhor, vocês que sabem que a Tradição é a única solução para a restauração a Igreja… AJUDE-NOS! 

Estamos, mais uma vez, pedindo vossa ajuda nessa campanha em prol da compra de um terreno e futura construção de mais uma Capela para a Tradição e para a Santa Igreja. Sabemos que o caminho é longo e árduo, por isso, toda ajuda é importante.

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Ad Majorem Dei Gloriam

Aproveitamos para agradecer a todos que nos ajudam ou ajudaram em algum momento nessa campanha, mesmo de forma anônima. Contem com nossas orações.

Que Nossa Senhora os conduza ao caminho da santidade.

A GLÓRIA E O PODER NO LEITO DA MORTE

morte

Cum interierit (homo), non sumet omnia, neque descendet cum eo gloria eius — “Em morrendo, nada levará (o homem) consigo; nem a sua glória descerá com ele” (Ps. 48, 17).

Sumário. É certo que a morte não respeita nem riquezas, nem poder, nem a púrpura; e quem morre (ainda que seja príncipe) nada leva consigo para a sepultura; deixa toda a glória no leito em que expira. Como é possível que os cristãos, pensando nisto, se apeguem aos bens da terra e não deixem antes tudo para se consagrarem inteiramente a Jesus Cristo, que os julgará conforme as suas obras? Se no passado fomos tão insensatos, sejamos mais prudentes para o futuro, e tomemos a resolução de sermos sempre fiéis no serviço divino.

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Quando Filipe II, rei de Espanha, estava próximo da morte, mandou vir o filho, e, abrindo o vestido real, mostrou-lhe o peito roído pelos vermes, e disse: “Príncipe, vede como se morre e como acabam todas as grandezas deste mundo!” Com razão disse Teodoreto: “A morte não respeita riqueza, nem poder, nem a púrpura; tanto os súditos como os príncipes serão reduzidos à corrupção e à podridão.” — Quem morre, ainda que seja rei, nada levará consigo ao túmulo; deixará toda a glória no leito em que expira. Em morrendo, nada levará (o homem) consigo; nem a sua glória descerá com ele. Ó Deus! Como é possível que, pensando nisto, um cristão que crê nas verdades da fé, não deixe tudo para se consagrar inteiramente a Jesus Cristo, que nos julgará segundo as nossas obras?

Refere Santo Antonino que, depois da morte de Alexandre Magno, certo filósofo exclamou: “Eis ai: o que ontem dominava a terra é hoje por ela oprimido. Aquele cuja ambição ontem nem toda a terra bastava, contenta-se hoje com o espaço de sete palmos. Ontem corria a terra à testa dos seus exércitos; hoje, meia dúzia de homens o depositam nela.” — Mas escutemos antes o que Deus nos diz: Quid superbit, terra et cinis? (1) Ó homem, não vês que és terra e cinza? De que te ensoberbeces pois? Porque só pensas e consomes o tempo com o fim de te elevares no mundo? Virá a morte e então se dissiparão todas as tuas grandezas e todos os teus projetos: In illa die peribunt cogitationes eorum (2) — “Naquele dia perecerão todos os seus pensamentos”. Continuar lendo

MISERICÓRDIA DE DEUS EM ACOLHER OS PECADORES ARREPENDIDOS

arrependimentoNon avertet faciem suam a vobis, si reversi fueritis ad eum — “Não apartará (Deus) de vós o seu rosto, se vós voltardes para Ele” (2 Paral. 30, 9).

Sumário. Quão grande seja a misericórdia de Deus para com os pecadores, e quão grande a ternura do amor com que acolhe o pecador arrependido, bem o revelam as parábolas da ovelha desgarrada e do filho pródigo. Se no passado nós também temos pelo pecado abandonado nosso bom Pai e Pastor, não tardemos em voltar para Ele, resolvidos a nunca mais d’Ele nos apartarmos, custe o que custar, certos de que nos tratará como se nunca jamais o tivéssemos ofendido.

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Os príncipes da terra não se dignam nem sequer de olhar para os súditos rebeldes que lhes veem pedir perdão; mas não é assim que Deus procede para conosco: Não apartará de vós o seu rosto, se vós voltardes para Ele. Deus não sabe desviar a sua divina face daquele que lhe cai arrependido aos pés. Não; pois que ele mesmo o convida com a promessa de o receber logo que venha. “Voltai para mim”, diz o Senhor, “e Eu vos receberei” (1); “convertei-vos a mim, e Eu me converterei a vós” (2).

Com que amor e ternura abraça Jesus Cristo o pecador que volta para Ele! É isso exatamente o que nos quis dar a entender pela parábola da ovelha desgarrada, que o pastor, achando-a, põe-na aos ombros e convida os amigos a que tomem parte no seu regozijo: Congratulamini mihi, quia inveni ovem meam, quae perierat — “Congratulai-vos comigo porque achei a ovelha que estava perdida”. E conclui com estas palavras: “Haverá mais júbilo no céu por um pecador que fizer penitência, do que sobre noventa e novo justo a quem não é necessária a penitência.” (3) E São Gregório dá a razão disso; porque os pecadores arrependidos são em geral mais fervorosos que os próprios justos.

O Redentor demonstra ainda mais a sua misericórdia em acolher o pecador arrependido, na parábola do filho pródigo; onde declara que Ele próprio é esse bom pai que, ao ver voltar o filho perdido, lhe vai ao encontro, e sem lhe dar tempo de falar, o abraça, o beija, e ao abraçá-lo fica quase fora de si, tão viva é a consolação que sente: Accurrens cecidit super collum eius, et osculatus est eum (4). — Numa palavra, pelo excesso de sua misericórdia Deus chega a dizer que, quando o pecador se arrepende, quer mesmo esquecer-se dos pecados, como se o pecador nunca o tivesse ofendido (5). Vai mais longe ainda e diz: Venite et arguite me; si fuerint peccata vestra ut coccinum, quasi nix dealbabuntur (6) — “Vinde e argui-me; se os vossos pecados forem como o escarlate, eles se tornarão brancos como a neve”. Como se dissesse: Vinde, pecadores, e se vos não perdoar, repreendei-me e acusai-me de infidelidade. Ó excesso de bondade! Ó misericórdia infinita! Continuar lendo

BREVES ANOTAÇÕES SOBRE A NOVA DOUTRINA BERGOGLIANA SOBRE A PENA DE MORTE

Pe. Mauro Tranquillo, FSSPX

Já analisamos aqui o fundo modernista da nova doutrina do Papa que condena a pena de morte. Vimos que, ao contrário, a doutrina da Igreja, fundada sobre a Revelação, a considera lícita. Ainda assim, falta fazer algumas outras observações sobre o escrito pontifício de 01/08/2018 e o discurso que o anunciava em 11/10/2017.

1 – Em 1962, para mudar a doutrina (liberdade religiosa, ecumenismo, colegialidade, etc) foi preciso um Concílio ecumênico. Ainda em 2016, para dar a comunhão aos divorciados recasados, foi preciso um sínodo. Este enésimo vulnus formal no ensinamento da Igreja se fez, ao contrário, com um simples ato administrativo de uma Congregação Romana, depois de uma audiência com o Papa. Além disso, não constam até o momento reações ou “dúbia” de prelados “conservadores”. (Continue a leitura)

2 – Difícil dizer se contestações surgirão no futuro próximo. Entretanto, todos os artigos da doutrina, enquanto revelados por Deus, têm a mesma importância nas profissões de Fé, e a negação de apenas um deles nos faz pecar contra a virtude da Fé. A explicação possível a esta diferente atitude dos “conservadores” (se for confirmada pelos fatos) bem como da simplicidade do procedimento utilizado neste caso, parece-nos que se deve reconhecer no que afirma o próprio Papa Francisco:

“Esta problemática não pode ser reduzida a uma mera recordação de ensinamento histórico sem fazer emergir (…) o progresso na doutrina pelas mãos dos últimos Pontífices”. A referência, explicitada no discurso de 11/10, é particularmente à nova doutrina sobre a dignidade humana, caríssima a João Paulo II. O conservador, que fez sua a doutrina conciliar e pós-conciliar sobre o assunto, ainda que graças à síntese “neo-ortodoxa” operada por Ratzinger, dificilmente objetará a argumentação do Papa Bergoglio, antes com toda chance terminará por se encontrar à vontade neste caso. Continuar lendo

DEVOÇÃO A SÃO JOAQUIM E SANTA ANNA, PAIS DE MARIA SANTÍSSIMA

santosGloria filiorum patres eorum — “A glória dos filhos são seus pais” (Prov. 17, 6).

Sumário. São Joaquim e Santa Ana são as pessoas venturosas a quem, depois de Deus, Maria Santíssima é devedora de tudo quanto possui. Infiramos disso quanto lhe deve agradar o nosso amor e veneração para com eles. Se amas a divina Mãe, sê também devoto a seus santos pais. Agradece muitas vezes à Santíssima Trindade os dons, as graças e os privilégios que lhes concedeu, e invoca-os em tuas necessidades. Procura sobretudo imitar as suas virtudes, especialmente o amor que tinham a sua santíssima filha.

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Considera quão agradável deve ser à Santíssima Virgem a devoção a seus santos pais, a quem se reconhece de mil modos obrigada. Conforme uma tradição antiquíssima, São Joaquim e Santa Ana ficaram muitos anos sujeitos à provação da esterilidade. Se finalmente da sua santa união nasceu essa filha celestial, foi porque pelas suas orações, vigílias, jejuns e esmolas fizeram violência a Deus. De modo que com razão se pode dizer que aqueles santos esposos foram duplamente os progenitores de sua filha santíssima.

São Joaquim e Santa Ana foram os primeiros que aqui na terra começaram a amar Nossa Senhora, e, como afirmam São Jerônimo e Santo Epifânio, foi por ordem da Santíssima Trindade que lhe puseram o nome de Maria o qual, pelas suas sublimes significações, já prognosticava os altos ofícios a que era destinada. Foram eles igualmente que lhe deram a primeira educação, e ah, quão esmerada!

Quando depois a virgenzinha chegou a completar três anos, tomaram-na nos braços, e carregando-a alternadamente na longa viagem de Nazaré a Jerusalém, apresentaram-na no Templo, em cumprimento da promessa feita. Este sacrifício custou bastante a seu coração paternal; fizeram-no todavia para se conformarem com a vontade de Deus e para o grande bem que disso devia resultar para a sua amada filha. Continuar lendo

FOTOS DA TRADICIONAL PEREGRINAÇÃO DA FSSPX À LOURDES (2018) – TERCEIRO DIA

Fonte: La Porte Latine (aqui e aqui) – Tradução: Dominus Est

MISSA DA SEGUNDA FEIRA – 29 DE OUTUBRO

Foram quase 5000 fiéis que, no terceiro dia da peregrinação da Tradição, participaram da Missa solene de Nossa Senhora de Lourdes, celebrada pelo Pe. Benoit de Jorna, Superior do Distrito da França, na Basílica São Pio X de Lourdes.

O ROSÁRIO E A DESPEDIDA

Foi o padre Joel Malassagne, Prior do Priorado St. Dominic Toulouse Gragnague  quem meditou o último rosário na Gruta, na presença dos fiéis que participaram dos três dias desta peregrinação 2018.

Após o rosário meditado, o padre Benoît de Jorna, Superior do Distrito da Françaagradeceu as autoridades do santuário, os organizadores, em particular a escola de Etcharry, as comunidades amigas e renovou a Consagração do Distrito ao Imaculado e Dorido Coração de Maria. 

Finalmente deu sua benção aos fiéis presentes, desejando-lhes que venham ainda em maior número no próximo ano.

Deo gratias!

COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS

purgSancta et salubris est cogitatio pro defunctis exorare, ut a pecatis solvantur — “É um santo e salutar pensamento orar pelos mortos para que lhes sejam perdoados os seus pecados” (2 Mach. 12, 46).

Sumário. A devoção às almas do purgatório é muito agradável ao Senhor, e utilíssima ao que a pratica. Jesus Cristo ama imensamente estas suas esposas e suspira pelo momento em que as possa estreitar contra o peito; e as santas prisioneiras mostrar-se-ão gratas para aquele que lhes obtém o livramento do seu cárcere ou ao menos algum alívio nas suas penas. Sufraguemos, pois, constantemente as almas do purgatório, particularmente neste mês e neste dia consagrados à sua memória.

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A devoção às almas do purgatório, que consiste em recomendá-las a Deus para que lhes alivie as grandes penas que padecem e as chame em breve para a sua glória, é muito agradável ao Senhor e utilíssima ao que a pratica. Sim, porque Jesus Cristo ama imensamente essas almas; e posto que a sua justiça inexorável o constranja, por assim dizer, a mostrar-se para com elas Juiz severo e exigir que sejam limpas de toda a mancha antes de serem admitidas ao céu, no qual não entrará coisa alguma contaminada — Non intrabit aliquod coinquinatum(1) — , não deixa isso, todavia, de ser um estado de constrangimento. Jesus suspira pelo momento em que poderá apertar contra o peito as suas santas esposas e coroa-las rainhas do seu reino bem-aventurado. — É este um dos motivos pelos quais estabeleceu a comunicação dos santos, quer dizer uma comunicação mútua de bens entre nós e as Igrejas, triunfante e padecente. Além disso impõe-nos Deus o preceito de praticarmos o bem para com os defuntos: Mortuo non prohibeas gratiam(2) — “Não impidas que a liberalidade se estenda aos mortos”.

As santas prisioneiras do purgatório serão gratas àquele que lhes obtém o livramento daquele cárcere, ou ao menos algum alívio das penas e nunca mais se esquecerão daquele que por elas intercedeu. Piamente se pode crer que Deus lhes revele as nossas orações, a fim de que elas orem também por nós. — Verdade é que as almas do purgatório não podem rezar para si mesmas, porque ali se acham como condenadas, que satisfazem pelas suas culpas; todavia porque são muito queridas de Deus, podem orar por nós e obter-nos muitas graças. Continuar lendo

SÉTIMA PALAVRA DE JESUS CRISTO NA CRUZ

jesus-na-cruzClamans voce magna Jesus ait: Pater, in manus tuas commendo spiritum meum — “Jesus, dando um grande brado, disse: Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito” (Luc. 23, 46).

Sumário. Antes de expirar, soltou Jesus um grande brado para nos dar a entender que morria, não pela malevolência de seus inimigos, mas por sua própria vontade. Entrega o espírito nas mãos de seu Pai e recomendando-Lhe a própria pessoa, recomendando-Lhe juntamente todos os fiéis, que pelos seus merecimentos deviam ser salvos. Se formos devotos da Paixão de Jesus Cristo, oh, que conforto nos darão na hora da morte estas suas palavras: Senhor, em vossas mãos encomendo a minha alma!

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Diz Eutíquio que Jesus soltou esse grande brado para dar a entender a todos que era verdadeiramente o Filho de Deus, visto que chamava Deus de seu Pai. Mas, São João Crisóstomo diz que Jesus bradou em voz alta para tornar patente que não morria por necessidade, mas por sua própria vontade, falando tão alto quanto estava próximo a expirar, o que não podem fazer os agonizantes por causa da grande fraqueza que sentem. — Esta explicação do Santo é mais conforme ao que Jesus Cristo mesmo havia dito em vida, a saber: que pela sua própria vontade sacrificava a vida pelas suas ovelhas e não pela vontade e malícia de seus inimigos: Et animam meam pono pro ovibus meis… Nemo tollit eam a me, sed ergo pono eam a meipso (1).

Acrescenta Santo Atanásio que Jesus Cristo, recomendando-se ao Pai, recomendou-Lhe ao mesmo tempo todos os fiéis que pelos seus merecimentos deviam ser salvos; porquanto a cabeça forma com os membros um só corpo. Pelo que o Santo diz que Jesus entendeu repetir então o pedido feito pouco antes: Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, a fim de que sejam um como nós (2).

É o que fez São Paulo dizer, quando estava na prisão: Patior sed non confundor (3) — Suporto estes sofrimentos, mas não tenho pejo deles, porque depositei o tesouro de meus sofrimentos e de todas as minhas esperanças nas mãos de Jesus Cristo e sei que Ele é grato e fiel para com aqueles que padecem por seu amor. — Se Davi já punha toda a sua esperança no Redentor vindouro, quanto mais não o deveremos fazer nós, visto que Jesus já consumou a nossa redenção? Digamos-Lhe, pois, com grande confiança: In manus tuas commendo spiritum meum; redemisti me, Domine Deus veritatis (4) — “Em tuas mãos encomendo o meu espírito; remiste-me, Senhor Deus da verdade”. Continuar lendo

FESTA DE TODOS OS SANTOS

Fresque-de-Fra-AngelicoVidi turbam magnam, quam dinumerare nemo poterat, ex omnibus gentibus, et tribubus et populis et linguis” — “Vi uma grande multidão, que ninguém poderia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Apoc 7, 9).

Sumário. São três os fins principais que a Igreja tem em mira mandando celebrar a solenidade de todos os Santos. Quer em primeiro lugar que honremos os seus filhos que já triunfam no céu e especialmente àqueles que no correr do ano não tiveram uma festa própria. Para que as nossas homenagens nos aproveitem, ela quer em segundo lugar, que nos excitemos à prática do bem, pela esperança do céu. Finalmente quer a nossa boa Mãe aumentar a nossa confiança, dando-nos a entender que esses nossos bem-aventurados Irmãos se empenham para nos obter os favores divinos. Que fins tão nobres e consoladores!

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Considera os fins nobilíssimos que a Igreja tem em mira, fazendo-nos celebrar hoje a solenidade de todos os Santos. Quer em primeiro lugar que honremos os seus Filhos, que já estão de posse do céu em companhia do Esposo divino, e especialmente àqueles que no correr do ano não tiveram uma festa própria. Ao mesmo tempo, quer que em nome do Santos demos graças a Deus.

Desejando que estas homenagens nos sejam proveitosas, quer a Igreja que nos sirvam para elevarmos o nosso espírito ao céu e nos excitemos à prática das virtudes pela contemplação dos bens eternos que lá em cima nos esperam, se perseverarmos. — Tanto mais que entre os milhões de Santos que hoje veneramos, há muitos de nossa idade e condição, e talvez, como nós, grandes pecadores. Parece que a Igreja nos diz hoje com Santo Agostinho: “Não poderás tu fazer o que puderam fazer eles?” Tu non poteris quod isti et istae?

Finalmente, com a solenidade presente, a Igreja quer aumentar a nossa confiança, recordando-nos o dogma da comunicação dos santos, e ensinando-nos que todos esses bem-aventurados irmãos querem empenhar a nosso proveito todo o poder de que gozam junto do Rei da glória. — Oh, que verdade tão consoladora! Os Santos do céu, lá no meio do seu triunfo, não se esquecem das nossas misérias, e oferecem-nos o seu auxílio. No dizer de São Bernardo, já que os Santos nada mais têm que pedir para si mesmos, porque são plenamente felizes, têm um vivo desejo de interceder por nós, e se não nos tornamos indignos pelas nossas faltas, obtêm-nos de Deus tudo o que querem. Que verdade tão consoladora! Que fins sublimes da parte da Igreja na instituição da festa de todos os Santos! Continuar lendo