HISTÓRIA DA POLIFONIA SACRA

Pe. Gustavo Camargo, FSSPX

Introdução

As seguintes anotações são, em sua maioria, resumos de diferentes livros de música que, por interesse pessoal, fui fazendo ao longo dos anos. Têm valor de resumo somente. São poucas as apreciações pessoais. É que me parece interessante primeiro conhecer o aspecto histórico do desenvolvimento da música, especialmente da música sacra, através dos séculos, para só depois estudar mais a fundo a sua essência mesma, a sua linguagem. 

Para a parte histórica, os resumos foram feitos sobretudo com base em História da Música, de Franco Abbiati (Edições Uteha, em cinco tomos). São poucas as citações entre aspas desta obra. Em geral, resumi a ideia com minhas próprias palavras. Mas a substância vem toda dela [N. do T.: da obra].

São Pio X, em seu Motu Proprio Codex musicae sacrae juridicus, diz que: “(…) o canto gregoriano considera-se, de certo modo, como o mais elevado ideal da música sacra, de maneira que, com razão, se pode assentar como geralmente válida a seguinte regra: uma obra musical que seja apropriada para o uso religioso será tanto mais sagrada e litúrgica, quanto mais, por sua posição, espírito e irradiação, aproximar-se do ‘melos’ gregoriano. Pelo contrário, será menos adequada ao serviço divino quanto mais afastar-se desse modelo”. 

Segundo São João da Cruz, a realização artística deve ser simples, pura, evocadora e despojada – para ser pura e simples – para conduzir a alma a Deus sem retê-la no gozo estético1. A arte na liturgia, como acessório que é do culto, deve subordinar-se estritamente a seu fim, a sua função. Será, pois, mais própria para a liturgia, a música que, ao ser escutada nas funções religiosas, não inclinar o ouvinte a deter-se nela, a estancar-se no gozo estético que produz; senão a levar sua alma, através desse gozo, ao recolhimento, à oração e a dispor-se para melhor receber as graças de Deus.

Tendo isso em conta, vejamos agora, pois, essa música que nasceu junto do templo sagrado, para dar mais esplendor e beleza às suas cerimônias, ajudando a piedade e a elevação das almas. Neste aspecto, a “economia de meios” é muitas vezes bastante útil para transmitir a “mensagem” inerente a toda arte. Ela faz com que a parte material, não sendo tão grande, permita expressão mais pura do elemento formal, cuja natureza é intelectual. Em outras palavras: os aspectos materiais da música são a melodia, a harmonia e o ritmo; estes elementos, se demasiado abundantes, sufocam a mensagem da música litúrgica – inspirar piedade. Portanto, a economia de meios, i. e., a sobriedade, muitas vezes permite à arte transmitir a sua mensagem mais puramente2. A moderação caracteriza toda a polifonia sagrada, e, mais especialmente, segundo São Pio X, a Palestrina, considerado o principal compositor da idade de ouro da polifonia clássica, como veremos adiante. Continuar lendo

D. FELLAY CONFERE ORDENAÇÕES DAS ORDENS MENORES A 17 SEMINARISTAS NOS EUA

Na manhã de sábado, 18 de abril, Mons. Bernard Fellay celebrou a Missa anual de Ordenação das quatro Ordens Menores e do Subdiaconato.

Fonte: St. Thomas Aquinas Seminary  – Tradução: Dominus Est

No sábado de Páscoa, comumente chamado Sabbato in Albis, D. Fellay ordenou 13 seminaristas nas Ordens Menores: 3 para as Ordens de Hostiário e Leitor e 10 para as Ordens de Exorcista e Acólito. Outros 4 seminaristas deram o passo decisivo para as ordens maiores ao receberem o Subdiaconato.

O Hostiário é encarregado de guardar e cuidar da igreja e o Leitor da catequese. O Exorcista recebeu o poder de expulsar demônios em nome de Cristo. O Acólito dá mais um passo aproximando-se do altar, em sua participação no Santo Sacrifício e é especialmente chamado à levar a luz de Cristo aos fiéis por meio de seus ensinamentos e exemplos.

Aqueles que recebem o Subdiaconato fazem sua perpétua e irrevogável entrega de si a Deus e Sua Igreja. O passo, que é dado em seu rito de ordenação, simboliza sua completa e total renúncia a tudo o que não é de Cristo e sua resolução de não participar de nada além do que Lhe diz respeito. O Subdiácono se afasta, para sempre, das coisas do mundo e compromete-se exclusivamente a Cristo e Sua Noiva Imaculada, a Igreja. Com essa entrega voluntária, o Subdiácono está vinculado a uma vida de perfeita castidade e à recitação diária do Ofício Divino, unindo sua própria oração às orações de todo o Corpo Místico. O Subdiácono também sobe os degraus do altar onde assiste diretamente o Diácono durante a Missa e derrama, no cálice, a gota de água durante o ofertório.

Antes de conferir as ordens, D. Fellay lembrou aos ordenandos:

“Esses passos que a Igreja oferece, esses sete passos em direção à ordenação sacerdotal devem nos lembrar a majestade desse chamado. A infinita majestade de Deus e do Santo Sacrifício exigem essa reverência, essa preparação, passo a passo em direção ao altar.”

Em meio a esse tempo de incertezas, agradeçamos a Deus por Seus muitos dons, mas principalmente pelo dom das vocações sacerdotais.

NOTA DO BLOG: Sobre as Ordens na Igreja, leiam esse post sobre o assunto: AS ORDENS SAGRADAS

“AVE, Ó CRUZ, NOSSA ÚNICA ESPERANÇA”

Ave Crux Spes Unica ! | Penso, logo escrevo!“[…] Queridos fiéis confinados, que hoje não podem ter a graça de estar aqui para assistir o Santo Sacrifício da Missa e comungar, eu gostaria de lhes dizer umas palavras: primeiro, que há algo mais contagioso e letal que o coronavírus, que já se disseminou por toda a Igreja, desde o Concílio Vaticano II, e a ameaça perigosamente: o modernismo e suas terríveis sequelas: o indiferentismo religioso, o naturalismo, o desânimo, a falta de fé, etc; segundo, que não ponham as suas esperanças nesta ou naquela autoridade liberal, neste ou naquele cientista, neste ou naquele homem: lembrem-se do que dizia o profeta Jeremias: “Maldito o homem que confia no homem”. Devemos por toda a nossa esperança na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo! Donde virá a solução para esta crise e a cura desta pandemia? Somente das causas segundas, somente da habilidade dos homens? Não, não, queridos fiéis, o remédio para tudo isto está, primeiramente, em fazermos uma verdadeira penitência por nossos pecados, unindo os nossos sofrimentos, as mortificações que nos envia a Providência (como esta epidemia e o confinamento) à Cruz de Nosso Senhor, quem transformará tudo isto no antídoto ideal e eficaz para ambas crises.

Em terceiro lugar, a Paixão de Nosso Senhor foi o meio mais conveniente para a nossa redenção, porque Cristo, com a sua Paixão, não só libertou o homem do pecado, senão que ainda lhe mereceu a graça santificante e a vida eterna. Graça esta que nos faz filhos adotivos de Deus e herdeiros do Paraíso.

Em quarto lugar, porque obriga o homem a conservar-se em graça, segundo São Paulo: “Vós fostes comprados por um grande preço [isto é, pelo Sangue de Cristo]; glorificai, pois, e trazei a Deus no vosso corpo”16. Isto nos deve fazer refletir quão pouco damos valor à graça. Quantas vezes, contritos devemos admitir, trocamos este tesouro preciosíssimo pelo que há de mais vil na face da terra! Não meditamos um só instante no preço que ela custou a Nosso Senhor: a morte e morte de cruz. Que temos feito com a graça de Deus, que temos feito com a nossa vocação, que temos feito com os dons que Deus nos deu? Esta é a pergunta que nos devemos fazer cada dia, e sobretudo nesta Quaresma.

Por fim, em quinto lugar, para maior dignidade do homem, de modo que assim como fora vencido e enganado pelo diabo, assim também fosse ele quem vencesse o diabo; e assim como o homem mereceu a morte, assim também, morrendo, vencesse-a, como canta o Prefacio: “É verdadeiramente digno e justo, necessário e salutar que sempre e em toda parte Vos demos graças, Senhor, Pai Santo, Deus Onipotente e eterno, que no madeiro da cruz pusestes a salvação do gênero humano, a fim de que, donde nascera a morte, daí ressurgira a vida, e aquele que no madeiro vencera[isto é, satanás], no madeiro fosse vencido, por Jesus Cristo Nosso Senhor”.

Ave, ó Cruz, nossa única esperança

Trecho do sermão do Pe. Olivieri Toti proferido na Missa do Domingo da Paixão.

Para ler o sermão completo clique aqui ou para ouvi-lo durante a Missa clique aqui.