TEMPO DO ADVENTO: DA NECESSIDADE DA ENCARNAÇÃO – PARTE 2

ENCARNAÇÃO DO VERBO DE DEUS – Agência Boa Imprensa – ABIM

Foi necessário que Deus se encarnasse não somente para fazer avançar o homem no bem, mas para removê-lo do mal.

1. Porque assim o homem é instruído para não preferir o diabo a si nem venerá-lo a ele, o autor do pecado. Por isso diz Agostinho: Pois que a natureza humana pode assim unir-se a Deus, de modo a fazer com ele uma só pessoa, aqueles soberbos espíritos malignos não ousem antepor-se ao homem, pois não têm carne
2. Porque isso nos adverte quão grande seja a dignidade da natureza humana, para não a inquinarmos pelo pecado. Por onde, diz Agostinho: Deus nos mostrou quão excelso lugar tem a natureza humana entre as criaturas, por ter se manifestado aos homens como verdadeiro homem. E Leão Papa diz: Reconhece, ó Cristão, a tua dignidade; e, feito consorte da natureza divina, não queiras por uma volta degenerada tornar à antiga vileza
3. Porque, para eliminar a presunção humana, a graça de Deus, sem nenhuns méritos precedentes, se nos inculca no homem Cristo. 
4. Porque a soberba do homem, que é o máximo impedimento para nos unirmos a Deus, pode ser neutralizada e curada pela tão grande humildade de Deus. 
5. Para livrar o homem da servidão do pecado. O que, no dizer de Agostinho, devia realizar-se de modo que o diabo fosse vencido pela justiça do homem Jesus Cristo; e isso se deu por ter Cristo satisfeito por nós. Pois, um puro homem não podia satisfazer por todo o gênero humano; e Deus não devia satisfazer. Por onde era necessário que Jesus Cristo fosse Deus e homem. Por isso diz Leão Papa: A fraqueza é assumida pela força, pela majestade a humildade; de modo que, como convinha ao remédio à nossa salvação, um mesmo mediador entre Deus e os homens pudesse, como homem, nascer, e como Deus, ressurgir. Pois, se não fosse verdadeiro Deus não daria remédio; e se não fosse verdadeiro homem, não daria o exemplo
E há ainda muitas outras utilidades daí resultantes, superiores à compreensão dos sentidos do homem. 

CARÁTER FIRME E NOBRE

Resultado de imagem para moça catolicaCaráter é um modo de pensar e agir adquirido por decidida determinação da vontade, que domina as faculdades da alma e lhe imprime um constante equilíbrio moral. Será um louvor para ti a afirmação de que possuis um caráter firme e positivo; pelo contrário, será uma afronta, o afirmar que não tens caráter. Somente quem possui caráter firme e nobre merece a nossa confiança em qualquer circunstância. Quem confia num homem sem caráter, se verá de ordinário amargamente enganado. Viver ao lado de pessoas de caráter nobre é sobremodo agradável e benéfico; essas pessoas nos comunicam coragem para o bem e confiança no futuro. Ao invés, o tratar com pessoas de mau caráter torna-nos a vida difícil; sentimo-nos como que apertados num cárcere e atormentados pelo desassossego e aborrecimento. Pelos benefícios que influi do bom caráter, podes deduzir quão importante seja que desde a meninice trabalhes na formação e enobrecimento do teu caráter.

Quão são, pois as qualidades do caráter para que se possa denominá-los bom?

1ª – FIRMEZA E INFLEXIBILIDADE

Não sejas como o caniço ou o salgueiro, que se curva profundamente, ao sabor do vento. Sê como o robusto e vigoroso carvalho, que ergue livre e corajoso a sua fronde para o alto, em direção ao céu. Forte e inabalável! Tempestades e tormentas sacodem-no sem cessar, esbravejam em torno daquela soberba copa, agitando-lhe os galhos e a folhagem, e não obstante, mantêm-se o tronco rijo, tranqüilo e imóvel, como nos dias calmos e lindos da primavera. Não há quem o vergue nem arranque nas tempestades; embora os esguios pinheiros e outras árvores, que o circundam, venham abaixo com estrondo, o carvalho persiste ereto e desafia qualquer embate dos vendavais.

Semelhante ao carvalho conserva-te também inflexível, permanece forte e firme em teus bons princípios, inabalavelmente fiel, tanto no próspero como no adverso, nas afrontas e perseguições, nas tempestades e tormentas, nos perigos e tentações.

É o Cristianismo rico em pessoas desta natureza. Lembra-te dos santos mártires dos primeiros séculos da Igreja. Não permitiam que nada lhes abalasse ou quebrantasse a convicção; nem o suplício da tortura, nem as chamas das fogueiras, nem a fúria dos animais ferozes. Se quiseres adquirir tamanha firmeza de caráter, cumpre que te habitues, desde a juventude, a não seguir, em teu proceder a vontade dos homens caprichosos, e sim o desejo de Deus eterno e imutável, que te julgará depois da morte. Esta há de ser sua divisa: “Deve-se antes obedecer a Deus que os homens” (Atos, 5 29) Continuar lendo

TEMPO DO ADVENTO: DA NECESSIDADE DA ENCARNAÇÃO – PARTE 1

encarDe dois modos pode uma coisa ser considerada necessária para um determinado fim. Primeiro, como aquilo sem o que o fim não pode existir; assim, o alimento é necessário à conservação da vida humana. De outro modo, como o meio pelo qual melhor e mais convenientemente se chega ao fim: assim, o cavalo é necessário para viajar. Do primeiro modo não era necessário, para a reparação da natureza humana, que Deus se encarnasse. Pois, pela sua onipotente virtude, Deus podia reparar por muitos outros modos a natureza humana. Do segundo, modo, era necessário que Deus se encarnasse, para a reparação da natureza humana. por isso, Agostinho diz: mostremos que não faltava a Deus nenhum outro modo possível, a cujo poder todas as coisas estão igualmente sujeitas; mas, não existia nenhum outro modo mais conveniente para obviar à nossa miséria. E isto podemos considerar relativamente à promoção do homem no bem:

  1. Quanto à fé, que mais se certifica por crer na palavra mesma de Deus, Donde o dizer Agostinho: Para que o homem mais confiadamente trilhasse o caminho da verdade, a própria Verdade, o Filho de Deus, assumindo a humanidade, constituiu e fundou, a fé. 
  2. Quanto à esperança, que assim por excelência se exalça. Donde o dizer Agostinho: Nada foi tão necessário para exalçar a nossa esperança, do que a demonstração de quanto Deus nos ama. Pois, que indício mais manifesto desse amor do que ter-se o Filho de Deus dignado entrar em consórcio com a nossa natureza
  3. Quanto à caridade, que assim sobremaneira se excita. Por isso, diz Agostinho: Que maior causa do advento do Senhor do que mostrar Deus o seu amor para conosco? E depois acrescenta: Se nos custava amá-lo, que ao menos não custe corresponder-lhe ao amor. 
  1. Quanto a obrar retamente, do que se nos deu como exemplo. Donde o dizer Agostinho: Não se devia seguir o homem que podia ser visto; devia-se seguir a Deus, que não podia ser visto. Pois, para que se manifestasse ao homem e fosse visto do homem e o seguisse o homem, Deus fez-se homem
  1. Quanto à participação da divindade, que é a Verdadeira beatitude do homem e o fim da vida humana. O que nos foi conferido pela humanidade de Cristo; assim, diz Agostinho: Deus se fez homem para o homem fazer-se Deus.

Meditações tiradas da obra de S. Tomás – Pe. D. Mézard

TEMPO DO ADVENTO: A CONVENIÊNCIA DA ENCARNAÇÃO

angeli19I. – Convenientíssimo parece que as coisas invisíveis de Deus se manifestem elas visíveis; pois, para tal foi feito todo o mundo, segundo as palavras do Apóstolo (Rom 1, 20): “As coisas invisíveis de Deus se vêem consideradas pelas obras que foram feitas“. Ora, como diz Damasceno, pelo mistério da Encarnação se manifesta ao mesmo tempo a bondade, a sabedoria, a justiça e o poder ou virtude de Deus. A bondade, pois não desprezou a fraqueza da sua própria criatura; a justiça porque não deu a outrem senão ao homem o poder de vencer o tirano, nem livrou o homem da morte pela violência; a sabedoria, porque deu a mais cabal solução a um problema dificilimo; o poder enfim ou a virtude infinita, pois nada há de maior ao fato de Deus ter-se feito homem. Logo, foi conveniente Deus ter-se encarnado.

II. – A cada coisa é conveniente o que lhe cabe segundo à essência da sua própria natureza; assim, convém ao homem raciocinar por ser de natureza racional. Ora, a natureza mesma de Deus é a bondade, como está claro em Dionísio. Por onde, tudo o que pertence essencialmente ao bem convém a Deus. Ora pertence essencialmente ao bem o comunicar-se aos outros, como está claro em Dionísio. Por onde, pertence à essência do sumo bem comunicar-se de maneira suma à criatura. O que sobretudo se realiza por ter-se a si mesmo unido a natureza criada, de modo a fazer uma só pessoa dos três, o Verbo, a alma e a carne, como diz Agostinho. Por onde, é manifesto que foi conveniente que Deus se tivesse encarnado.

III. – Ser unida a Deus, na unidade de pessoa, não era conveniente à carne humana, pela condição da sua natureza, porque isso lhe sobrepujava a dignidade dela. Mas, foi conveniente a Deus, pela infinita excelência da sua bondade uní-la a si, para a salvação humana.

Diz Agostinho: “Deus é grande, não como uma mole, mas, pela sua virtude. Por isso, a grandeza da sua virtude não se comprimiu com a exiguidade local. Não é, portanto, incrível ao passo que o verbo transitório do homem, seja total e simultaneamente ouvido por muitos e por cada um, que o Verbo Deus, permanente, esteja total e simultaneamente em toda parte. Por onde, nenhum inconveniente resulta para eus encarnado.

IIIa., q. 1, a. 1

Meditações tiradas da obra de S. Tomás – Pe. D. Mézard

TEMPO DO ADVENTO: A IMENSIDÃO DO AMOR DE DEUS

tomasPorque Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu seu filho Unigênito, para que todo o que crê nele, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16)

A causa de todos nosso bens é o Senhor e o amor divino. Amar, propriamente, é querer o bem a alguém. Portanto, por ser a vontade de Deus causa das coisas, e porque Ele nos ama, sobrevem-nos o bem. 

O amor de Deus é causa do bem da natureza. Também o é do bem da graça: “Eu amei-te com amor eterno; por isso te atrai” (Jr 31), isto é, pela graça.

Mas, que seja também o que dá o bem da graça, resulta de grande caridade. Demonstra-se aqui ser máxima esta caridade de Deus, por quatro motivos:

  1. Pela pessoa que ama, pois é Deus quem ama e o faz imensamente. Por isso diz: Porque Deus amou.
       
  2. Pela condição de quem é amado, pois é ao homem que se ama, mundano, carnal, isto é, vivendo em pecado. “sendo nós inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu filho” (Rom 5, 10). Por isso diz: mundo
     
  3. Pela grandeza do dom, pois o amor prova-se pelo que se dá. Como diz Gregório, a prova do amor é a revelação da obra. Ora, de Deus recebemos o maior dos dons, pois deu seu filho Unigênito. Seu filho, isto é, natural, consubstancial a si, não adotivo. Unigênito, para demonstrar que Deus não dirigiu seu divino amor a múltiplos filhos, mas dirigiu-o todo ao Filho que nos deu como prova de seu imenso amor.
  1. Pela grandeza do fruto, pois por ele temos a vida eterna. Por isso diz: Para que todo o que crê nele, não pereça, mas tenha a vida eterna, que conquistou para nós morrendo na cruz.

Diz-se de alguém que pereceu porque foi impedido de alcançar o fim ao qual estava ordenado. O homem está ordenado a vida eterna e, quando peca, desvia-se deste mesmo fim. Enquanto vive, não perece de todo, pois pode restaurar; quando morre em pecado, então perece de todo.

Com estas palavras, “tenha a vida eterna”, verifica-se a imensidão do amor divino; pois, ao dar a vida eterna, da-se a si mesmo. Ora, a vida eterna nada mais é do que o gozo de Deus. Dar-se a si mesmo é indício de grande amor.

(In Joan. 3)

Meditações tiradas da obra de S. Tomás – Pe. D. Mézard

CATECISMO EM VÍDEO – AULA 1: APRESENTAÇÃO E CREDO

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Prezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para todos aqueles que não têm a felicidade de se beneficiarem com a verdadeira Doutrina Católica e estão como ilhas isoladas nesse mar de heresias, ambigüidades e erros pós conciliares, é com grande alegria que iniciamos hoje a publicação de uma série de aulas de catecismo proferidas pelo Pe. Gabriel Billecocq (FSSPX – França), obviamente explanando o Catecismo Romano (de Trento).

Serão cerca de 80 aulas que publicaremos todas as quartas feiras, se Deus assim permitir.

Neste primeiro vídeo o Revmo. Padre apresenta o plano do curso a ser ministrado.

E nesse post já trazemos a primeira aula.

Apesar de os vídeos serem curtos, o trabalho é muito grande. Pedimos vossas orações por todos aqueles que estão empenhados na transcrição, tradução e legenda desses vídeos, assim como pedimos ajuda aos amigos que quiserem trabalhar conosco na transcrição e tradução desses vídeos que, com certeza, farão muito bem às almas sedentas da Verdade.

Que Nossa Senhora nos guarde nesse desafio.

AJUDE-NOS! FAÇA ESSA AÇÃO PELA IGREJA

CAPELAPrezados amigos, prezados leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vocês que acessam e gostam de nosso blogvocês que acompanham as ações da FSSPX pelo mundo, vocês que lutam pelo Reinado Social de Nosso Senhor, vocês que sabem que a Tradição é a única solução para a restauração a Igreja… AJUDE-NOS! 

Estamos, mais uma vez, pedindo vossa ajuda nessa campanha em prol da compra de um terreno e futura construção de mais uma Capela para a Tradição e para a Santa Igreja. Sabemos que o caminho é longo e árduo, por isso, toda ajuda é importante.

CLIQUE AQUI E LEIA O TEXTO COMPLETO DA CAMPANHA!

OU

CLIQUE AQUI PARA ALGUMAS PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O PROJETO

Faça um gesto nobre de caridade, por amor à Santa Igreja!!

Ad Majorem Dei Gloriam

Aproveitamos para agradecer a todos que nos ajudam ou ajudaram em algum momento nessa campanha, mesmo de forma anônima. Contem com nossas orações.

Que Nossa Senhora os conduza ao caminho da santidade.

ESPECIAIS DO BLOG: CARTA ENCÍCLICA CASTI CONNUBII

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Em mais uma “Operação Memória” de nosso blog, trazemos novamente (dividida em capítulos) a Encíclica Casti connubii, de S. S. Pio XI. Uma verdadeira aula sobre o Matrimônio Cristão e Família Católica

Nessa Encíclica notarão claramente as contradições dos ensinamentos atuais da igreja conciliar frente ao magistério tradicional da Igreja, face às atuais condições, exigências, erros e vícios da família e da sociedade.

Nesses tempos atuais de profunda crise na Igreja, de Amoris Laetitia & cia, nada melhor que beber do néctar da verdadeira doutrina.

Aproveitem a leitura…

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DO HORROR DO PECADO MORTAL

Imagem relacionadaO mal que uma grossa saraivada produz num formoso campo de trigo, e que um furacão produz numa árvore cheia de flores, o mesmo mal produz o pecado mortal na infância. Ficai-o sabendo, ó mães cristãs, tanto para interesse de vossos filhos, como para vosso próprio interesse,— «há só uma desgraça séria e temível, uma única prova terrível: o pecado. Os laços que os inimigos nos estendem, os ódios com que nos perseguem, as injustiças, as calúnias, a espoliação de nossos bens, o exílio, as guerras, as tempestades do mar, o terramoto do mundo inteiro, tudo isso é nada. Todos esses males são momentâ­neos; apenas prejudicam o corpo, mas não fazem mal à alma. Mas o pecado mortal rouba-nos a amizade de Deus, e prepara-nos a eterna condenação. 

E o pior é que, com quanto os seus dentes sejam mais mortíferos que os do leão, o pecado lisonjeia a nossa natureza perversa. É um veneno que se oferece à infância, com a doçura do mel, é um precipício cuja profundidade se não pode ava­liar, por causa das flores que lhe cobrem a boca da entrada. A criança bem cedo chupará este pérfido veneno; querendo colher estas cruéis flores, rolará no abismo que elas cobrem, se a sua mãe não tiver tido o cuidado de lhe dizer e repetir: — Ah! meu filho, nunca aproximes os teus lábios deste copo envenenado. Foge destas flores, que estão a ocultar-te um abismo». Todas as santas mães sempre assim o compreenderam. E que vivas e comoventes exortações não empregaram elas, para inspirarem a seus filhos o horror ao pecado? Quem não conhece as sublimes palavras, que dirigia a S. Luís, ainda criança, sua mãe a rainha Branca de Castela? «Meu filho, eu antes queria ver-te morto a meus pés, do que ver-te cometer um só pecado mortal».

Ainda existem, e em maior número do que realmente se pensa, novas Brancas de Castela, es­creve o Padre Ventura. Apenas falaremos duma destas mães heróicas, que conhecemos. É Virgínia Bruni. Tinha ela três filhos: um menino e duas meninas Ora, todas as noites, depois da oração que lhes fazia rezar em comum, e na sua presença, levantava a voz, e em tom enérgico, dizia : «Meu Deus, ponde de parte o meu amor por estas crianças e permiti que todas três morram na minha pre­sença, antes que tenham a desgraça de cometer um só pecado mortal». Educadas assim no santo temor Deus, não admira que estas felizes crianças, viessem a ser três santos, por morte de sua mãe… O me­nino de então é hoje um sacerdote; a mais nova das meninas é religiosa professa, e a outra edifica o mundo pela sua piedade, visto que a sua débil constituição lhe não permitiu entrar na vida clausural. Continuar lendo

DA ESTRADA REAL DA SANTA CRUZ

Imagem relacionadaA muitos parece dura esta palavra: Renuncia a ti mesmo, toma a tua cruz e segue a Jesus Cristo (Mt 16,24). Muito mais duro, porém, será de ouvir aquela sentença final: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno (Mt 25,41). Pois os que agora ouvem e seguem, docilmente, a palavra da cruz não recearão então a sentença da eterna condenação. Este sinal da cruz estará no céu, quando o Senhor vier para julgar. Então todos os servos da cruz, que em vida se conformam com Cristo crucificado, com grande confiança chegar-se-ão a Cristo juiz.

Por que temes, pois, tomar a cruz, pela qual se caminha ao reino do céu? Na cruz está a salvação, na cruz a vida, na cruz o amparo contra os inimigos, na cruz a abundância da suavidade divina, na cruz a fortaleza do coração, na cruz o compêndio das virtudes, na cruz a perfeição da santidade. Não há salvação da alma nem esperança da vida, senão na cruz. Toma, pois, a tua cruz, segue a Jesus e entrarás na vida eterna. O Senhor foi adiante, com a cruz às costas, e nela morreu por teu amor, para que tu também leves a tua cruz e nela desejes morrer. Porquanto, se com ele morreres, também com ele viverás. E, se fores seu companheiro na pena, também o serás na glória.

Verdadeiramente, da cruz tudo depende, e em morrer para si mesmo está tudo; não há outro caminho para a vida e para a verdadeira paz interior, senão o caminho da santa cruz e da contínua mortificação. Vai para onde quiseres, procura quanto quiseres, e não acharás caminho mais sublime em cima nem mais seguro embaixo que o caminho da santa cruz. Dispõe e ordena tudo conforme teu desejo e parecer, e verás que sempre hás de sofrer alguma coisa, bom ou mau grado teu; o que quer dizer que sempre haverás de encontrar a cruz. Ou sentirás dores no corpo, ou tribulações no espírito.

Ora serás desamparado de Deus, ora perseguido do próximo, e o que é pior não raro serás molesto a ti mesmo. E não haverá remédio e nem conforto que te possa livrar ou aliviar; cumpre que sofras quanto tempo Deus quiser. Pois Deus quer ensinar-te a sofrer a tribulação sem alívio, para que de todo te submetas a ele e mais humilde te faças pela tribulação. Ninguém sente tão vivamente a paixão de Cristo como quem passou por semelhantes sofrimentos. A cruz, pois, está sempre preparada e em qualquer lugar te espera. Não lhe podes fugir, para onde quer que te voltes, pois em qualquer lugar a que fores, te levarás contigo e sempre encontrarás a ti mesmo. Volta-te para cima ou para baixo, volta-te para fora ou para dentro, em toda parte acharás a cruz; e é necessário que sempre tenhas paciência, se queres alcançar a paz da alma e merecer a coroa eterna. Continuar lendo

FSSPX LANÇARÁ ORDO DE 1962 ON-LINE GRATUITO

O Distrito americano da Fraternidade São Pio X tem a alegria de anunciar o seu mais novo projeto: um Ordo on-line segundo o calendário de 1962. 

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

Como um aplicativo da Web, ele pode ser usado em qualquer dispositivo: computadores pessoais, smartphones e tablets, seja Apple ou Android. Nós o apresentamos como um serviço gratuito para todos, especialmente sacerdotes que oferecem a tradicional Missa latina.

Este calendário começa com o novo ano litúrgico, no Primeiro Domingo do Advento. Inclui até mesmo festas locais na América e possíveis Missas Votivas e será completamente preenchido em um futuro próximo.

O dispositivo estará disponível até o final desta semana.

Que ele possa ajudar a difundir a Missa de sempre e facilite para que todos encontrem a informação que necessitem!

Clique aqui e inscreva-se para receber um e-mail quando o Ordo for lançado

ENTRE NA MINHA GUARITA!

Resultado de imagem para exercito rezandoO veterano capitão Hurtaux, cavaleiro da Legião de Honra, não era católico praticante. Tinha, como muitos homens, certo temorzinho ou respeito humano de chegar-se à confissão.

Muito antes de dar o passo definitivo, gostava de invocar a SS. Virgem, indo rezar no santuário de Nossa Senhora em Chartres, onde morava.

Um dia, estando de joelhos diante de um grande Cristo na catedral, viu que um sacerdote, que o conhecia e tinha a franqueza de um militar, se aproximou, bateu-lhe no ombro e disse:

– Capitão, pouco adianta estar o Sr. aí a rezar, se não se põe na graça de Deus.

E tomando-o pelo braço acrescentou:

– Entre na minha guarita.

O capitão deixou-se levar, fez a sua confissão e saiu com o rosto radiante e a alma revestida da graça de Deus. Foi desde esse dia um cristão modelo: todos os dias fazia a sua hora de guarda aos pés de Nossa Senhora e não se levantara sem lançar um afetuoso olhar para a Mãe do céu.

Um dia, afinal, já não pôde ir fazer a guarda e teve Nosso Senhor, sem dúvida acompanhado de sua Mãe, que vir ao leito de morte de seu servo.

Recebeu os sacramentos com fé viva e, ao apresentar-lhe o padre a sagrada Hóstia, exclamou:

– Senhor, não sou digno… não sou digno que venhais à minha casa, mas sois tão bom!

O capitão não se envergonhava de suas crenças nem dissimulava suas práticas piedosas e sabia tapar a boca dos que o interpelavam.

– Aonde vais? perguntou-lhe certo dia um amigo, ao vê-lo dirigir-se a uma igreja.

– Vou aonde tu deverias ir e não tens coragem.

Com este seu gênio tão simples como firme granjeara o respeito de todos.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

FOTOS DA CERIMÔNIA DE CONFIRMAÇÃO E PRIMEIRAS COMUNHÕES NO PRIORADO DE SÃO PAULO – 2017

No sábado passado, dia 25 de novembro, cerca de 85 pessoas receberam, de D. Tissier de Mallerais, o Sacramento da Confirmação (Crisma) no Priorado Padre Anchieta, em São Paulo/SP. Dessas, por volta de 25 receberam o sacramento sub conditione.

D. Tissier teve como padres assistentes os padres Rodolfo e Áureo.

A CERIMÔNIA DA CRISMA

A MISSA DO SÁBADO

Após a cerimônia da crisma, o Prior da Casa Autônoma do Brasil, Pe. Juan María celebrou a Missa para os recém crismados.

MISSA PONTIFICAL DO DOMINGO

Já no domingo, dia 26 de novembro, antes da Missa, D. Tissier abençoou o novo órgão de tubo projetado para a Capela do Priorado.

Na Missa, o Bispo foi assistido pelos Padres Juan María e Rodolfo, dando as Primeiras Comunhões a 8 crianças.

FORMAÇÃO FSSPX: OUTROS TÍTULOS À VENDA EM DVD

Resultado de imagem para fsspxPrezados amigos, leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Estamos disponibilizando novamente mais algumas palestras proferidas pelos padres da FSSPX (Priorado de Santa Maria).

Os primeiros a enviarem email (gespiox@yahoo.com.br) com a solicitação terão prioridade na aquisição.

O valor de cada título já contempla o frete na modalidade PAC.

As descrições e as quantidades disponíveis estão abaixo:

OS RITOS DA MISSA (TRIDENTINA) – EXPLICAÇÃO DAS ORAÇÕES E CERIMÔNIAS (R$ 50,00)

(QTE À DISPOSIÇÃO: 22)

  • Introdução Geral
  • Teologia da Redenção
  • Visão de Conjunto
  • Ofertório
  • Canone Comunhão
  • Conclusão

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FÁTIMA E A EXPERIÊNCIA SOVIÉTICA (R$ 40,00)

(QTE À DISPOSIÇÃO: 18)

  • Introdução Geral
  • As Cinco Rússias
  • Liberalismo E Niilismo
  • Revolução Soviética
  • “Nossa Senhora Disse-Me” (Resumo Das Aparições)
  • “A Rússia Espalhará Os Seus Erros Pelo Mundo” (Natureza Do Comunismo)
  • Conclusão: França E Rússia

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A EDUCAÇÃO CATÓLICA DOS FILHOS (R$ 40,00)

(QTE À DISPOSIÇÃO: ESGOTADO)

  • A Família, Base da Educação
  • A Alma Humana
  • A Prudência da Educação
  • A Ordem do Bem Comum
  • A Cidade de Deus
  • Conclusão

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ESPECIAIS DO BLOG: O PEQUENO NÚMERO DAQUELES QUE SÃO SALVOS

Em uma “Operação Memória” de nosso blog, trazemos novamente um excelente e impactante livro, baseado em um de seus sermões, chamado “O Pequeno número daqueles que são salvos“, de São Leonardo de Porto Maurício.

Neste sermão, que foi submetido a exame canônico, no curso do processo de canonização, ele passa em revista os diferentes estados de vida dos cristãos e conclui o pequeno número (relativo) daqueles que se salvam, sendo feita em comparação com a totalidade dos homens.

IMPORTÂNCIA DA SALVAÇÃO – PONTO III

Resultado de imagem para rezando igrejaNegócio importante, negócio único, negócio irreparável. Não há falta que se possa comparar, diz Santo Eusébio, ao desprezo da salvação eterna. Todos os demais erros podem ter remédio. Perdidos os bens, é possível readquirir outros por meio de novos trabalhos. Perdido um emprego, pode ser recuperado. Ainda no caso de perder a vida, se salvar a alma, tudo está preparado. Mas para quem se condena, não há possibilidade de remédio. Morre-se uma vez, e perdida uma vez a alma, está perdida para sempre. Só resta o pranto eterno com os outros míseros insensatos do inferno, cuja pena e maior tormento consiste em pensar que para eles já não há mais tempo de remediar sua desdita (Jr 8,20). Perguntai a esses sábios do mundo, mergulhados agora no fogo infernal, perguntai-lhes o que sentem e pensam; se estão contentes por terem feito fortuna na terra, mesmo que se condenaram à eterna prisão.

Escutai como gemem dizendo: Erramos, pois… (Sb 5,6). Mas de que lhes serve agora reconhecer o seu erro, quando já a condenação é irremediável para sempre? Qual não seria o pesar daquele que, tendo podido prevenir e evitar com pouco esforço a ruína de sua casa, a encontrasse um dia desabada, e só então considerasse seu próprio descuido, quando não houvesse já remédio possível? Esta é a maior aflição dos réprobos: pensar que perderam sua alma e se condenaram por sua culpa (Os 13,9). Disse Santa Teresa que, se alguém perde, por sua culpa, um vestido, um anel ou outro objeto, perde a tranquilidade e, às vezes, não come nem dorme. Qual será, pois, ó meu Deus, a angústia do condenado quando, ao entrar no inferno, se vir sepultado naquele cárcere de tormentos, e, atendendo à sua desgraça, considerar que durante toda a eternidade não há de chegar remédio algum! Sem dúvida exclamará:

“Perdi a alma e o paraíso, perdi a Deus; tudo perdi para sempre, e por quê? por minha culpa! E se alguém objetar: Mesmo que cometa este pecado, porque hei de me condenar?… Acaso, não poderei salvar-me? Responder-lhe-ei: Também pode ser que te condenes”.

Ainda direi que até há mais probabilidade em favor de tua condenação, porque a Santa Escritura ameaça com este tremendo castigo aos pecadores obstinados, como tu o és neste instante. Continuar lendo

D. FELLAY: CARTA AOS AMIGOS E BENFEITORES – Nº 88

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Fonte: DICI – Tradução: Dominus Est

1517 – 1917: A REVOLTA DE LUTERO E A REVOLUÇÃO BOLCHEVISTA À LUZ DE FÁTIMA

Caros amigos e benfeitores,

Neste mês de outubro de 2017, coincidiram três aniversários que determinaram o curso da história dos homens e da Igreja: a revolta de Lutero, a revolução bolchevista e o milagre de Fátima.

Há quinhentos anos, em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero iniciou sua revolta contra a Igreja Católica. Há cem anos, no dia 7 de novembro, estourou a revolução na Rússia. Segundo o calendário juliano, ela recebeu o nome de “Revolução de Outubro”.

E há cem anos, alguns dias antes, em 13 de outubro, o Coração Imaculado selou com um milagre espetacular sua mensagem, anunciando os grandes eventos futuros da Igreja e do mundo, dos quais alguns já fazem parte do passado, como a Segunda Guerra Mundial, e outros ainda não chegaram, como o triunfo do Coração Imaculado e a conversão da Rússia.

A reforma lançada por Lutero apareceu, em um primeiro momento, como um acontecimento religioso. E, desde logo, o heresiarca alemão abalou em seus fundamentos a Igreja Católica, atacando o papado, a graça, a Santa Missa, o sacerdócio, a Santa Eucaristia … A fé e os meios concedidos por Deus aos homens para alcançarem a salvação eterna foram rejeitadas ou profundamente falsificados.

Mas, tendo em conta os inegáveis ​​vínculos entre a ordem sobrenatural da Igreja e da graça, por um lado, e a ordem temporal dos governos humanos e da sociedade civil, por outro, muito em breve a rebelião contra a Igreja se estendeu à sociedade humana, dividindo a Europa até hoje, abrindo séculos de perseguição contra a Igreja nos países reformados e marcando toda a Europa com terríveis guerras, das quais a mais dolorosa foi a Guerra dos Trinta Anos. Realmente, nossa incompreensão é total quando atualmente vemos que alguns prelados católicos celebram e até mesmo comemoram esse acontecimento tão triste e tão assustador para a cristandade. Continuar lendo

IMPORTÂNCIA DA SALVAÇÃO – PONTO II

A salvação eterna não é só o mais importante, senão o único negócio que nesta vida nos impende (Lc 10,42). São Bernardo deplora a cegueira dos cristãos que, qualificando de brinquedos infantis certos passatempos da infância, chamam negócios sérios suas ocupações mundanas. Maiores loucuras são as néscias puerilidades dos homens.

“Que aproveita ao homem — disse o Senhor — ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?” (Mt 16,26).

Se tu te salvas, meu irmão, nada importa que no mundo hajas sido pobre, perseguido e desprezado. Salvando-te, acabar-se-ão os males e serás feliz por toda a eternidade. Mas, se te enganares e te perderes, de que te servirá no inferno haveres desfrutado de todos os prazeres do mundo, teres sido rico e cortejado? Perdida a alma, tudo está perdido: honras, divertimentos e riquezas.

Que responderás a Jesus Cristo no dia do juízo? Se um rei enviasse um embaixador a uma grande cidade, a fim de tratar de um negócio importante, e esse ministro, em vez de ali dedicar-se à missão que lhe fora confiada, só se ocupasse de banquetes, festas e espetáculos, de modo que por sua negligência fracassasse a negociação, que contas poderia dar ao rei à sua volta? Do mesmo modo, ó meu Deus, que conta poderá dar ao Senhor no dia do juízo, aquele que, colocado neste mundo, não para divertir-se, nem enriquecer, nem adquirir honras, senão para salvar sua alma, infelizmente a tudo atendeu, menos à sua alma? Os mundanos não pensam no presente e nunca no futuro. São Filipe Néri, falando certa vez em Roma com um jovem talentoso chamado Francisco Nazzera, assim se expressou:

“Tu, meu filho, terás carreira brilhante: serás bom advogado, depois prelado, a seguir cardeal, quem sabe? talvez Papa… mas depois? e depois? Ide, disse-lhe alfim, pensai nestas últimas palavras.” Continuar lendo

FESTA DA APRESENTAÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA

Resultado de imagem para apresentação de nossa senhoraEn dilectus meus loquitur mihi: Surge, propera, amica mea, columba mea, formosa mea, et veni: — “Eis aí o meu amado que me diz: Levanta-te, apressa-te, amiga minha, pomba minha, formosa minha, e vem” (Cant. 2, 10).

Sumário. Afiguremo-nos ver a santa Menina que, acompanhada dos seus pais e de numerosos anjos, se põe a caminho de Jerusalém. Chegada que é aos degraus do templo, beija, de joelhos, as mãos de São Joaquim e de Santa Anna, pede-lhes a benção, e, sem mais olhar para traz, despede-se do mundo e consagra-se irrevogavelmente ao seu Deus. Felizes de nós, se pudéssemos oferecer hoje ao Senhor os primeiros anos da nossa vida! Ofereçamos-lhe ao menos os poucos que ainda nos restam; pois, melhor é começar tarde do que nunca.

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I. A santa Menina Maria, apenas chegada à idade de três anos, rogou a seus santos pais, que, conforme a sua promessa, a levassem a encerrar-se no templo. Quando chegou o dia marcado, eis que parte de Nazaré a imaculada Virgenzinha com São Joaquim e Santa Ana e com uma multidão de anjos, que acompanham a santa Menina destinada a ser a Mãe do seu Criador. Vai, pois, lhe diz São Germano, vai, ó Virgem santa, vai à casa do Senhor, e espera a vinda do Espírito Santo, que te fará Mãe do Verbo Eterno.

Chegada que foi a santa comitiva ao templo de Jerusalém, a santa Menina se volta para seus pais, e, de joelhos, beijando suas mãos, pede-lhes a benção, e depois, sem mais olhar para traz, sobe os degraus do templo, e, despedindo-se então do mundo, e renunciando a todos os bens que o mundo lhe podia prometer, oferece-se e consagra-se inteiramente ao Criador.

A vida de Maria no templo não foi senão um ato contínuo de amor e de consagração de si mesma ao Senhor: ela ia crescendo de hora em hora, ou antes, de instante em instante, nas santas virtudes, auxiliada, sim, pela graça divina, mas também trabalhando com todas as suas forças para cooperar com a graça. — Ela mesma se mostrou um dia à virgem Santa Isabel e lhe disse: “Pensas, porventura, que obtive as graças e as virtudes sem fadiga? Sabe que não obtive graça alguma de Deus sem grande trabalho, oração contínua, desejo ardente e muitas lágrimas e penitências.” Continuar lendo

IMPORTÂNCIA DA SALVAÇÃO – PONTO I

Resultado de imagem para rezando joelhoRogamus autem vos, fratres… ut vestrum negotium agatis. – “Mas vos rogamos, irmãos, a avançar cada vez mais” (1Ts 4,10)

O negócio da eterna salvação é, sem dúvida, o mais importante, e, contudo, é aquele de que os cristãos mais se esquecem. Não há diligência que não se efetue, nem tempo que não se aproveite para obter algum cargo, ganhar uma demanda, ou contratar tal casamento…

Quantos conselhos, quantas precauções se tomam! Não se come, não se dorme!… E para alcançar a salvação eterna? Que se faz? Que procedimento se segue?… Nada se costuma fazer; ao contrário, tudo o que se faz é para perdê-la, e a maior parte dos cristãos vive como se a morte, o juízo, o inferno, a glória e a eternidade não fossem verdades da fé, mas apenas fábulas inventadas pelos poetas. Quanta aflição quando se perde um processo ou uma colheita e quanto cuidado para reparar o prejuízo!… Quando se extravia um cavalo ou um cão, quantas diligências para encontrá-los. Muitos perdem a graça de Deus, e entretanto dormem, riem-se e gracejam!… Coisa estranha, por certo! Não há quem não core ao passar por negligente nos negócios do mundo, e a ninguém causa rubor olvidar o grande negócio da salvação, que mais do que tudo importa. Confessam que os Santos são verdadeiros sábios porque só trabalharam para salvar-se, enquanto eles atendem a todas as coisas do mundo, sem se importar com sua alma. Mas vós — disse São Paulo — vós, meus irmãos, pensai unicamente no magno assunto de vossa salvação, pois constitui o negócio da mais alta importância.

Persuadamo-nos, pois, de que a felicidade eterna é para nós o negócio mais importante, o negócio único, o negócio irreparável se não o pudermos realizar.

É, sem contestação, o negócio mais importante, porque é das mais graves consequências, em vista de se tratar da alma, e, perdendo-se esta, tudo está perdido. Devemos estimar a alma — disse São João Crisóstomo — como o mais precioso dos bens. Para compreender esta verdade, basta considerar que Deus sacrificou seu próprio Filho à morte para salvar nossas almas (Jo 3,16). O Verbo Eterno não vacilou em resgatá-las com seu próprio sangue (1Cor 6,20). De maneira que — disse um Santo Padre, — parece que o homem vale tanto como Deus. Continuar lendo

É A MARIA QUE O SENHOR DEVE A SUA CONVERSÃO

Resultado de imagem para quadro de nossa senhoraUm Padre Missionário foi chamado a visitar um senhor muito idoso, que tivera uma vida perversa.

Ao chegar ao lugar disse-lhe o velho:

– Aqui está, Padre, um pecador abominável.

O Sacerdote atendeu-o em confissão a qual foi ótima.

Depois de sacramentado, quis o ministro de Deus saber o motivo daquela excelente conversão. Ao que ele respondeu:

– Não sei; o pensamento de me confessar começou há dias a bulir comigo.

– Mas esse pensamento, tornou o Padre, deve ter uma causa. Qual será?

– Não sei, Padre, repetia ele todo feliz.

– Foram seus amigos que o animaram à confissão?

– Não tenho amigos, por aqui.

– O senhor freqüentava a igreja?

– Nunca!

Neste momento o missionário deu com os olhos num quadro da Santíssima Virgem pendente da parede.

– Quê, um objeto desses em sua casa? Como se explica isso com sua vida incrédula?

– Sim, meu Padre, e cada dia recito três vezes Ave-Maria diante dele, para obedecer à última vontade de minha mãe ao morrer.

– Pois bem; aí está a solução toda. É s Maria Santíssima que o senhor deve a graça da conversão.

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 Nunca poderemos aqui na terra suficientemente compreender o grau de bondade de nossa Mãe do Céu.

Como Maria Santíssima é boa! – Frei Cancio Berri C. F. M

ESPECIAIS DO BLOG: NO CÉU NOS RECONHECEREMOS

Imagem relacionadaEm uma “Operação Memória” de nosso blog, trazemos novamente os capítulos do Livro: No Céu nos Reconheceremos – Cartas de Consolação, do Pe. R. P. Blot, de 1890.

O livro mostra através de histórias e exemplos como será possível o reconhecimento de parentes e amigos no céu.

Aproveitem a leitura.

PRÓLOGO

CARTAS DE CONSOLAÇÃO

AS TERRÍVEIS CONSEQÜÊNCIAS DO PECADO

Imagem relacionadaDiscípulo — Padre, o senhor disse também que a desonestidade é o pecado que traz
conseqüências horríveis?

Mestre — Infelizmente assim é! As desonestidades tiram as forças de qualquer obra
generosa. Sansão, o mais forte dos homens, porque Deus o dotara de uma força extraordinária, deu-se a um amor impuro e tornou-se o joguete de Dalila, companheira dos seus pecados; por três vezes ela o traiu e o vendeu aos seus inimigos.

As desonestidades idiotizam a mente. Salomão, o mais sábio de todos os reis, perdese junto das mulheres amalecitas e, abandonando o seu Deus, dá-se à idolatria.

As desonestidades viciam o coração de Henrique VIII, o mais cristão dos reis, tendose
apaixonado por Ana Bolena, repudia a rainha sua esposa, abandona a Igreja Católica, faz da Inglaterra uma nação protestante, e morre excomungado pelo Papa.

As desonestidades fazem perder a fé. Se grande número de cristão não crêem, não têm fé, é por causa das desonestidades. De fato quando é que a juventude começa a deixar a oração, a desertar a Igreja, a abandonar os Sacramentos? Justamente quando começa a freqüentar as más companhias, quando se junta às más conversas, às impurezas. Não faz muito tempo, encontrei-me com um médico meu conhecido e o repreendi docemente porque não praticava a religião. “Faça com que eu me case, respondeu, e tornarei a ser católico praticante”. E o que me confessava era verdade: se não tinha fé era por causa das desonestidades.

As desonestidades são a causa dos crimes mais hediondos. As desonestidades estragam a saúde, diminuem as forças, encurtam a vida. A existência de tantos moços fracos, de tantas doenças, de tantas velhices precoces, a multiplicação de hospitais para os débeis, para os raquíticos, para os dementes, para os abandonados, aí estão para atestar quantos danos causam as desonestidades, mesmo à saúde.

Na América do Sul e na Guiana existe um animal chamado vampiro, que suga o sangue dos homens enquanto estão adormecidos, e quando está satisfeito, foge, deixando a veia aberta, o que frequentemente causa a morte. Pois bem, as desonestidades sugam o sangue, diminuem as forças, gastam a vida de quem se torna escravo delas. A desonestidade é parecida com a chama de uma vela; ou bem apagamos a chama, isto é desistimos do vício, ou bem acabamos a vela, isto é extinguimos a própria vida. Mas quantos há que não querem acreditar e perdem a juventude, perdem a saúde, a alegria e a paz para ir ao encontro de uma morte precoce e desonrosa! Pensam que vão colher e gozar o perfume das rosas, quando, na verdade não traem senão espinhos venenosos.
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FOTOS E VÍDEO DA RECONCILIAÇÃO DA IGREJA DE SÃO WILLIBRORD, EM UTRECHT (HOLANDA)

No dia 12 de novembro de 2017, dia seguinte à festa de São Martinho – padroeiro da arquidiocese de Utrecht – D. Fellay , Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, reconciliou a igreja de São Willibrord, localizada no centro histórico da cidade de Utrecht e comprada recentemente pela FSSPX (veja aqui).

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

Cerca de 600 fiéis vindos da Holanda, Bélgica, Luxemburgo e Alemanha estiveram presentes. A cerimônia começou com o rito da reconciliação previsto no Pontifício Romano para devolver ao culto católico um edifício sagrado, após terem sido usados para fins profanos. O bispo iniciou procedendo com a benção da água gregoriana, mistura de água, vinho, sal e cinzas, para em seguida aspergir as paredes interiores, bem como o piso/chão em  forma de cruz, a fim de purificar a igreja de suas impurezas profanas.

Em sua homilia, D. Fellay recordou que a beleza artística daquele local de culto é um reflexo da beleza divina, cuja alma cristã é também uma imagem. Ele prosseguiu salientando que aquele edifício sagrado foi devolvido à liturgia tradicional para a qual foi construído – uma liturgia que “nunca foi revogada”, como afirmou o Papa Bento XVI no Motu Proprio  Summorum pontificum, de 7 de julho de 2007. A cerimônia prosseguiu com a Missa Pontifical celebrada no faldistório, com a participação dos seminaristas de ZaitzkofenA liturgia foi reforçada pela magnífica combinação do órgão e do coral.

A igreja de São Willibrord foi construída na década de 1870 por ocasião do restabelecimento da hierarquia católica na Holanda. Localizado no centro histórico de Utrecht, é um dos tesouros escondidos da cidade e uma das mais belas igrejas neogóticas do país.

Ricamente ornamentada e em perfeito estado de preservação após uma esplêndida restauração interior, o edifício restitui de maneira única o ambiente medieval da época anterior à iconoclastia calvinista. Além disso, Os monumentais órgãos – construídos pelo conterrâneo Michaël Maarschalkerweerd – são uma das atrações do edifício.

No colapso que seguiu o Concílio Vaticano II, havia uma discussão sobre a destruição dessa jóia. Salva do desastre pela tenacidade do padre Winand Kotte, a igreja foi classificada  como um monumento histórico e designada como um projeto piloto para a conservação do patrimônio arquitetônico europeu.

Retornando ao verdadeiro culto uma jóia arquitetônica dedicada a São Willibrord (657-739),  primeiro bispo de Utrecht, apóstolo da Frísia e da Holanda, a Fraternidade São Pio X, de fato, ilustra o lema de seu santo padroeiro: “Omnia institutare in Christo “.

Após um almoço que reuniu a maioria dos fiéis, o dia foi concluído pela adoração eucarística e a recitação do rosário. É foi assim que a igreja de São Willibrod encontrou seu destino original: o culto do Deus verdadeiro, o único Salvador e Mestre de todas as coisas, nosso Senhor Jesus Cristo.

Endereço da Igreja:

Sint Willibrordkerk 
Minrebroederstraat 21, 
3512 GS Utrecht, Holanda

Para mais informações, entrem em contato com o Priorado Saint Clement, em Gerwen (Holanda)

AMOR DE JESUS NA INSTITUIÇÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO, ANTES DE IR MORRER

SacramentoDominus Iesus, in qua nocte tradebatur, accepit panem … et dixit: Hoc est corpus meum — “O Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão… e disse: Isto é o meu corpo” (I Cor. 11, 23).

Sumário. Porque os testemunhos de amor, dados pelos amigos no momento de morrer, se gravam mais fundo na memória e se conservam mais preciosamente, o Senhor quis instituir a santíssima Eucaristia na véspera de sua morte. Ó prodígio de amor! Os homens preparam para Jesus açoites, espinhos e uma cruz, e ele escolhe exatamente esse tempo para nos dar a prova mais preciosa de seu amor. Este amor de Jesus convida-nos a que lhe correspondamos pelo nosso afeto e façamos alguma coisa por seu amor.

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O Santíssimo Sacramento é um dom feito unicamente por amor. Segundo os decretos divinos, foi necessário para nossa salvação que o Redentor morresse e que, pelo sacrifício de sua vida, satisfizesse à divina justiça pelos nossos pecados. Mas que necessidade havia que Jesus Cristo se nos desse em sustento, depois de sua morte? Assim o quis o seu amor. Se Ele instituiu a Eucaristia, diz São Lourenço Justiniani, foi unicamente para nos fazer compreender o imenso amor que nos tem.

É o que escreve também São João: Sciens Iesus quia venit hora eius (1) — Sabendo Jesus que era chegado o tempo de deixar a terra, quis deixar-nos a maior prova de seu amor, isto é, o dom do Santíssimo Sacramento. Tal é o precisamente o sentido destas palavras: In finem dilexit eos – “Amou-os até o fim”, isto é, segundo a explicação de Teofilato e São João Crisóstomo, extremo amore, summe dilexit eos — “amou-os com amor extremo”. — E observemos o que nota o Apóstolo: o tempo em que Jesus nos quis fazer este donativo, foi o de sua morte: na noite em que foi entregue. Enquanto os homens preparavam açoites, espinhos e uma cruz para o supliciarem, é que o bom Salvador nos quis dar este último penhor de sua ternura.

Mas porque instituiu este sacramento no momento de sua morte, e não antes? Diz São Bernardino que Jesus assim fez, porque os testemunhos de afeto dados pelos amigos no momento da morte, se imprimem mais profundamente na memória e mais preciosamente se conservam. Jesus Cristo, continua o mesmo Santo, já se nos tinha dado por muitos modos: por amigo, por mestre, por pai, por guia, por modelo, por vítima. Restava um último grau de amor, que era dar-se por alimento, a fim de se unir todo a nós, assim como o sustento se une ao que o toma, e é o que fez dando-se-nos no Santíssimo Sacramento. Continuar lendo