“CADA DIA COM NOSSAS FILHAS É UM PRESENTE”, DIZ MÃE DE DUAS MENINAS COM MICROCEFALIA

NinasMicrocefalia_FacebookGwenPohlenzHartley_100216Fonte: ACI

Gwen Hartley é mãe de três crianças, duas das quais – Claire e Lola – têm microcefalia. Apesar de reconhecer que o dia a dia é complicado e difícil, assegura que cada um de seus filhos é “uma bênção”. Não existe nenhum motivo para que fiquem com pena da sua família. “Há momentos difíceis, mas nunca duram muito porque temos muito mais motivos para estar felizes. Cada dia com nossas filhas é um presente e cada dia rezo para que estejam conosco mais tempo”.

Seu primeiro filho, Carl – que atualmente tem 17 anos –, nasceu sem complicações. Durante a gestação de sua segunda filha, Claire, todas as ultrassonografias mostravam resultados normais. Entretanto, quando nasceu, Gwen ficou surpreendida pois a sua cabeça era muito pequena. Embora o médico não tivesse um diagnóstico, disse aos pais que “algo estava mal”.

Depois de um tempo especialmente difícil no qual não sabiam o que acontecia com Claire, finalmente foi diagnosticada com microcefalia, tetraplegia espasmódica, paralisia cerebral, epilepsia e deficiência visual cortical.

O médico também lhes advertiu que havia 25 por cento de possibilidades de que se tivessem outro filho este poderia nascer com as mesmas doenças. Continuar lendo

COMO EDUCAR UMA CRIANÇA DESOBEDIENTE – PARTE 2

desob 3Qualidades da obediência

Consideremos agora as qualidades da obediência ideal. Ela será:

a)racional:não cega, mecânica, servil, mas entendida nas suas ordens e nos seus motivos, a fim de que sua execução seja um ato humano, e não atitude de animal amestrado;

b) digna: compreendida, espontaneamente aceita, deliberada pela vontade que quer ser livre; ela não me desfaz, e sim me afirma a personalidade; não me avilta, mas me engrandece; não me torna carneiro de rebanho, mas homem que dispõe de si mesmo; é mostra de liberdade, não de servilismo;

c) confiante:anota Göttler (“Pedagogia sistemática”) que a obediência supõe “um respeito íntimo… às ordens das pessoas revestidas de autoridade, uma veneração aos superiores de qualquer categoria, enquanto eles representam as autoridades que regem a vida das sociedades“; esse respeito, essa veneração estabelecem a confiança que inclina à aceitação fácil das ordens recebidas, mesmo quando não se lhes conheça a razão ou não se lhes percebe o alcance;

d) alegre:racional, digna, confiante, a obediência será alegre, sem constrangimento maiores, sem murmurações e revoltas, sem medos nem desgostos, mas fácil e até espontaneamente pronta;

e) sobrenatural:nós, que cremos em Deus e para Ele encaminhamos a vida e a educação, tudo devemos fazer em vista da eternidade, ainda que sejam as ações mais quotidianas atividades(Ver I Cor. 10,31); nós, que sabemos que “todo poder vem de Deus” e que “resistir à autoridade é resistir a Deus” (Rm 13,1-2), devemos obedecer com essa visão sobrenatural: ela ultrapassa os homens e nos prende a Deus, garantindo-nos que teremos sempre a recompensa de nossa submissão, desde que as ordens recebidas não contrariem diretamente aos Mandamentos divinos ou aos ditames de nossa consciência. Continuar lendo

MENINOS MÁRTIRES

comunO acontecimento, que vamos narrar, passou-se na Rússia, nos piores tempos do comunismo que vem varrendo do seu território todas as religiões, mormente a católica.

Numa vila, perto de Petrogrado, havia um asilo de órfãos com uma capela católica.

Os vermelhos (comunistas) fecharam a casa alegando que não havia recursos para sustentá-la e expulsaram o capelão.

Aqueles maus soldados tiveram a sinistra ideia de converter a capela em salão de baile e, como a mesma estava fechada, resolveram arrombar a porta e profanar o que havia dentro.

Tomaram essa resolução numa cantina, onde casualmente três meninos católicos ouviram a conversa.

Compreenderam que se tratava de profanar a casa de Deus e logo tomaram a resolução de defendê-la do melhor modo que pudessem.

À noite, os três meninos e mais alguns colegas seus penetraram na igreja por uma janela e montaram guarda junto ao altar.

Os soldados, tendo arrombado a porta e penetrado na capela, ordenaram que os meninos saíssem imediatamente. Nenhum, porém, se moveu nem se arredou do seu lugar. Continuar lendo

COMO EDUCAR UMA CRIANÇA DESOBEDIENTE – PARTE 1

desob 1A mais freqüente queixa dos pais sobre os filhos é, sem dúvida, quanto à desobediência:

– “Não obedecem“;

– “Dá-se uma ordem, eles nem ligam“;

– “Hora de dormir, ninguém os tira da televisão“;

– “Marca-se horário para os estudos: não respeitam“;

– “Já se falou mil vezes que não cheguem atrasados para as refeições: não há jeito“;

– “Estamos cansados de dizer que não deixem os objetos fora dos lugares: eles nem escutam“; etc. etc.

Um enorme rosário de lamúrias, que terminam sempre por uma espécie de indulgência plenária aplicável aos pais: “Essas crianças de hoje são muito diferentes das do meu tempo.”

E explicam:

– “Lá em casa duvido que um filho levantasse a voz para o papai!”

– “Ordem dada era ordem cumprida, gostássemos ou não.”

– “Quem era louco para chegar atrasado para a refeição?”

– “Bastava um olhar do velho, ia todo mundo para a cama.”

– “Nós sabíamos obedecer!”

E encerram como num estribilho: “Mas essas crianças de hoje“…

De quem é a culpa

Lançando aos filhos a pecha de desobedientes, estão os pais, astuciosamente, desculpando-se. Na verdade, não há diferença tão grande entre as crianças de hoje e as de antigamente. Continuar lendo

A OCIOSIDADE É MÃE MALDITA DE MUITOS MALES

ocioGrande elogio fez o Sábio à mulher, ao diz que não comeu seu pão na ociosidade. Foi um dos traços com que descreveu a mulher forte, verdadeiro modelo e invejável prêmio para o homem justo.

A lei do trabalho, leitora, é universal neste mundo. Comer o pão do suor do rosto vale tanto para o homem como para a mulher. Ainda mais quando se associam formando um lar, abrindo nele a primeira escola para os filhos. Para que trabalhassem – lemos que Deus colocou os primeiros homens no paraíso. No paraíso do lar eles receberam autêntica missão. O homem labutando lá fora, e dentro de casa a esposa “procurando o linho e a lã, trabalhando-os com suas mãos hábeis e diligentes“. – Péssimo exemplo dá aos filhos a mãe que vive seus dias na ociosidade, sem fazer nada, toda entregue às leituras, às visitas, aos passeios e às futilidades. Debalde se cansa o marido, se em casa vive uma companheira ociosa.

… Móveis, roupas, imóveis – tudo se estraga mais depressa, quando os olhos da dona diligente não se interessam por sua conservação. A ociosidade é mãe maldita de muitos males. Que fará a dona de casa se não trabalha? Lê? Sim; mas em breve as leituras, para não serem monótonas, hão de ser picantes e … nocivas. Fica imaginando na vida? E torna-se então uma sonâmbula dentro da vida, verdadeiro flagelo dos filhos e maridos. Ou, como sói acontecer, dá para colecionar doenças, conforme a moda e as receitas das amigas igualmente desocupadas. Continuar lendo

BENEFÍCIOS DO JEJUM

quarta-feira-de-cinzasNestas passagens, tiradas de conferências espirituais inéditas, dadas na comunidade de monges beneditinos de Mesnil-Saint-Loup, o pe. Emmanuel ressalta com clareza, apoiando-se na liturgia, os numerosos benefícios do jejum.
 
Reproduzimos estes textos aqui pois a prática do jejum na Quaresma, apesar de não mais obrigatória (salvo na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa), segue sempre recomendada, desde que a saúde o permita e que não impeça o cumprimento dos deveres de estado.
 
É isso que escrevia Mons. Lefebvre aos padres da Fraternidade São Pio X em 1980: «Aconselhamos vivamente que se encoraje os fiéis à observar a abstinência todas as sextas-feiras e à jejuar nas sextas-feiras da quaresma e mesmo, se puderem, estender o jejum e a abstinência a toda quaresma e às quatro Têmporas.»
 
Assim, pois, recomendados pelo pde. Emmanuel e por Mons. Lefebvre, em conformidade com a Igreja, jejuemos “pacificamente, docemente, alegremente”.
 
Pe. Philippe François
* * *
 
Entramos na Quaresma. É um tempo muito precioso. A Quaresma é uma grande graça de Deus. Como diz são Basílio, na homilia do quarto domingo da Quaresma, o jejum merece todos os elogios. Com efeito, ele alivia o peso da carne, dá à alma como que asas para mais facilmente elevar-se a Deus. Ah! lembro-me que outrora chegava a pensar no fim da Quaresma: “pena não durar para sempre”, tanto me sentia à vontade nela. É verdade, no entanto, que não teríamos forças para tanto. Se não podemos prolongar por toda a vida este tempo de penitência, aproveitemos dele quando nos é oferecido.
 
Pelo jejum, nos privaremos de alguma coisa. Mas é preciso saber que o jejum não consiste tão-somente na privação. Seria ruim se assim fosse: o jejum seria um fardo acabrunhante. Portanto, lembrem-se que toda virtude consiste em duas coisas: na privação e no gozo. Ora, também é assim quanto a virtude da temperança: privamos o corpo da refeição para que a alma goze de Deus. Ah! toda alma que tem amor pelo jejum compreende o que digo. Os mundanos não compreenderão nada. Leiam o prefácio da Quaresma no rito Ambrosiano, que eu reproduzi no Bulletin (fevereiro de 1896), e verão que o jejum alimenta a fé, fortifica a esperança e faz progredir a caridade.

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O JEJUM E A ABSTINÊNCIA

Christ_desert_1Com o intuito de fazer penitência por nossos pecados, de melhor nos dispor para a oração e de estar unidos aos sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Igreja nos pede, nos tempos de penitência, que ofereçamos jejum e abstinência a Deus.

O Jejum:

Praticado desde toda a Antiguidade pelo povo eleito, como sinal de arrependi­mento, praticado por Nosso Senhor Jesus Cristo e por todos os santos, recomendado pela Santa Igreja como instrumento de santificação da alma, de controle do corpo e equilíbrio emocional, o jejum obrigatório foi sendo reduzido ao longo dos séculos.
Quando devemos jejuar por obrigação?

Na Quarta-feira de cinzas, abertura da Quaresma
Na Sexta-feira Santa, dia da morte de Nosso Senhor.

No entanto, todos os católicos devem ter a mortificação e o jejum presentes em suas vidas ao longo do ano, principalmente durante o Advento, a Quaresma e nas Quatro Têmporas, tendo sempre o espírito mortificado, fugindo do excesso de conforto e prazeres e, na medida do possível, oferecendo alguns sacrifícios a Deus, seja no comer, no beber, nas diversões (televisão principal­men­te), nos desconfortos que a vida oferece (calor, trabalho, etc.), sabendo suportar os outros, tendo paciência em tudo.

Assim sendo, mesmo não sendo obrigatório, continua sendo recomendado o jejum nas Quartas e Sextas da Quaresma e do Advento, guardando-se sempre o espírito pronto para as pequenas mortificações também nos demais dias. Continuar lendo

LEGÍTIMO ORGULHO DOS PAIS

mother-daughter4A dama patrícia da Campânia que fazia exibição das suas jóias respondia Cornélia designando os filhos: “São estas as minhas jóias e os meus adornos”. Aspirava à hitória menos pelo facto de ser filha de Cipião o Africano do que por ser mãe dos Gracos.

Com a graça de Cristo a mais, e orgulho pagão a menos, é ou não um sentimento análogo o que inspira a Senhora Martin? A filha mais velha conta a este respeito um episódio significativo:

“Eu tinha então sete anos: um dia em que estreávamos vestidos de setim de lã azul-escuro, a minha mãe mandou-nos chamar todas quatro, às minhas irmãzinhas e a mim, para nos ver antes do passeio que íamos dar. Olhou para nós demoradamente, com enternecida complacência, e depois disse-nos: ‘Vão agora, minhas filhinhas’. Mas evitou fazer algum elogio aos nossos vestidos, que eu achava tão bonitos, para não nos provocar qualquer sentimento de vaidade”.

Aquela mãe tão despreocupada de aparecer, que com grande desespero da Maria, detestava qualquer requinte no próprio trajar e troçava sem dó nem piedade do que ela denominava “a escravidão da moda”, cuidava gostosamente do vestuário das filhas, sem todavia se afastar da simplicidade. As mães não serão insensíveis a este delicioso esboço da Celina aos dezesseis meses: Continuar lendo

O LIBERALISMO É PECADO – PARTE 4

lib2DOS DIFERENTES GRAUS QUE PODE HAVER E HÁ DENTRO DA UNIDADE ESPECIFICA DO LIBERALISMO

O Liberalismo, como sistema de doutrinas, pode chamar-se escola; como organização de adeptos para difundi-las e propaga-las; seita como agremiação de homens dedicados a faze-las prevalecer na esfera do direito publico, partido. Porém, ou se considere como escola, ou como seita, ou como partido, o Liberalismo oferece dentro da sua unidade lógica e especifica vários graus ou matizes que ao teólogo cristão convém estudar e expor.

Primeiro que tudo convém fazer notar que o Liberalismo é uno, isto é, constitui um organismo de erros perfeita e logicamente concatenados, razão por que se chama sistema. Com efeito, partindo do principio fundamental de que o homem e a sociedade são perfeitamente autônomos ou livres, com absoluta independência de todo outro critério natural ou sobrenatural, que não seja o individual, segue-se, por uma perfeita ilação de conseqüências, tudo o que em nome dele proclama a demagogia mais avançada.

A Revolução só tem de grande a sua inflexível lógica. Até os atos mais despóticos que executa em nome da liberdade, e que à primeira vista todos tachamos de monstruosas inconseqüências, obedecem a uma lógica altíssima a superior. Pois que, reconhecendo a sociedade por única lei social o critério da maioria, sem outra norma ou regulador, como poderá negar-se ao Estado o perfeito direito de cometer quaisquer tropelias contra a Igreja todas as vezes que, segundo aquele seu único critério social, seja conveniente comete-las? Admitindo-se que a razão está sempre da parte da maioria, fica por esse modo admitida como única lei a do mais forte; e portanto muito logicamente se pode chegar até as ultimas brutalidades. Continuar lendo

FOTOS DA MISSA DA QUINQUAGÉSIMA E BENÇÃO DAS GARGANTAS

Realizada nesse último domingo, 07/02, na Igreja da Transfiguração (FSSPX) em Toronto, no Canadá.

Créditos à nossa amiga Gercione Lima.

 

COMO SE DEVE EVITAR A EXCESSIVA FAMILIARIDADE

aperNão abras teu coração a qualquer homem (Eclo 8,22); mas trata de teus negócios com o sábio e temente a Deus. Com moços e estranhos conversa pouco. Não lisonjeies os ricos, nem busques aparecer muito na presença dos potentados. Busca a companhia dos humildes e simples, dos devotos e morigerados, e trata com eles de assuntos edificantes. Não tenhas familiaridade com mulher alguma; mas, em geral, encomenda a Deus todas as que são virtuosas. Procura intimidade com Deus apenas, e seus anjos, e foge de seres conhecidos dos homens.

Caridade se deve ter para com todos; mas não convém ter com todos a familiaridade. Sucede, freqüentemente, gozar de boa reputação pessoa desconhecida que, na sua presença, desagrada aos olhos dos que a vêem. Julgamos, às vezes, agradar aos outros com a nossa intimidade, mas antes os aborrecemos com os defeitos que em nós vão descobrindo.

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

O LIBERALISMO É PECADO – PARTE 3

libSE É PECADO O LIBERALISMO, E QUE PECADO É… 

O Liberalismo é pecado, já se o consideremos na ordem das doutrinas, já na ordem dos fatos.

Na ordem das doutrinas é pecado grave contra a fé, porque o conjunto de suas doutrinas é heresia, ainda que não o seja, talvez, uma ou outra de suas afirmações ou negações isoladas. Na ordem dos fatos é pecado contra os diversos Mandamentos da lei de Deus e de sua Igreja, porque de todos é infração. Mais claramente, na ordem das doutrinas o Liberalismo é a heresia universal e radical, porque a todas compreende; na ordem dos fatos é a infração radical e universal, porque a todas autoriza e sanciona.

Procedamos por partes na demonstração.

Na ordem das doutrinas o liberalismo é heresia. Heresia é toda doutrina que nega com negação formal e pertinaz um dogma da fé cristã. O liberalismo doutrina primeiro os nega todos em geral e depois cada um em particular. Nega todos em geral quando afirma ou supõe a independência absoluta da razão individual no indivíduo, e da razão social, ou critério público, na sociedade. Dizemos que afirma ou supõe porque, às vezes, nas conseqüências secundárias, não se afirma o princípio liberal, mas se lhe dá por suposto e admitido. Nega a jurisdição absoluta de Cristo Deus sobre os indivíduos e as sociedades, e, em conseqüência, a jurisdição delegada que sobre todos e sobre cada um dos fiéis, de qualquer condição ou dignidade que seja, recebeu de Deus a Cabeça visível da Igreja. Nega a necessidade da revelação divina, e a obrigação que tem o homem de admiti-la, se quiser alcançar seu fim último. Nega o motivo formal da fé, isto é, a autoridade de Deus que revela, admitindo da doutrina revelada apenas aquelas verdades que alcança seu limitado entendimento. Nega o magistério infalível da Igreja e do Papa, e, em conseqüência, todas as doutrinas por eles definidas e ensinadas. E depois desta negação geral e global, nega cada um dos dogmas, parcial ou concretamente, à medida que, segundo as circunstâncias, os julga opostos a seu critério racionalista. Assim, nega a fé do Batismo quando admite ou supõe a igualdade de todos os cultos; nega a santidade do matrimônio quando sanciona a doutrina do chamado matrimônio civil; nega a infalibilidade do Pontífice Romano quando se recusa a admitir como lei seus mandatos e ensinamentos oficiais, sujeitando-os a seu passe ou exequatur — não em seu princípio, para assegurar-se de sua autenticidade, mas para julgar seu conteúdo. Continuar lendo

O LIBERALISMO É PECADO – PARTE 2

lib2QUE É O LIBERALISMO?

Ao estudar um objeto qualquer, depois da pergunta: an sit? Faziam os antigos escolásticos a seguinte: quid sit? E esta é a que vai ocupar-nos no presente capítulo.

Que é o Liberalismo? Na ordem das idéias é um conjunto de idéias falsas; na ordem dos fatos é um conjunto de fatos criminosos, conseqüência prática daquelas idéias.

Na ordem das idéias o Liberalismo é o conjunto do que se chamam princípios liberais, com as conseqüências lógicas que deles se derivam. Princípios liberais são: a absoluta soberania do indivíduo com inteira independência de Deus e de sua autoridade; soberania da sociedade com absoluta independência do que não nasça dela mesma; soberania nacional, isto é, o direito do povo para legislar e governar com absoluta independência de todo critério que não seja o de sua própria vontade, expressa primeiro pelo sufrágio e depois pela maioria parlamentar; liberdade de pensamento sem limitação alguma em política, em moral ou em Religião; liberdade de imprensa, assim absoluta ou insuficientemente limitada; liberdade de associação com iguais amplitudes. Estes são os chamados princípios liberais em seu radicalismo mais cru.

O fundo comum deles é o racionalismo individual, o racionalismo político e o racionalismo social. Derivam-se deles a liberdade de cultos mais ou menos restringida; a supremacia do Estado em suas relações com a Igreja; o ensino leigo ou independente sem nenhum laço com a Religião; o matrimônio legalizado e sancionado pela única intervenção do Estado: sua última palavra, que todo o abarca e sintetiza, é a palavra secularização, isto é, a não intervenção da Religião em ato algum da vida pública, verdadeiro ateísmo social, que é a última conseqüência do Liberalismo. Continuar lendo

TOMADA DE BATINA E TONSURA NO SEMINÁRIO DO SAGRADO CORAÇÃO – ZAITZKOFEN (ALEMANHA)

No dia 2 de fevereiro, Dom Bernard Tissier de Mallerais abençoou a batina de 9 seminaristas e deu a tonsura clerical a 7, tal como anunciado pelo Pe. Franz Schmidberger (reitor de seminário). Um dia depois o bispo deu as ordens menores a outros 7, com 3 tornando-se Hostiários e Leitores, e os outros 4 sendo ordenados Exorcistas e Acólitos.

AJUDE-NOS!

Prezados amigos, prezados leitores e benfeitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Estamos, mais uma vez, pedindo vossa ajuda nessa campanha em prol da compra de um terreno e futura construção de nossa Capela.

Vocês que acessam e gostam de nosso blogque acompanham as ações da FSSPX pelo mundo, vocês que lutam pelo Reinado Social de Nosso Senhor, vocês que tem a Tradição como a única solução para restaurar a Igreja…ajude-nos! 

Faça um gesto nobre da verdadeira caridade, por amor à Santa Igreja….

E que Deus, pela intercessão de nossa Mãe Santíssima, possa lhes recompensar de alguma forma!

Clique na imagem e saiba como ajudar!

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TOMADA DE BATINA E TONSURA NO SEMINÁRIO SÃO TOMÁS DE AQUINO – WINONA (EUA)

No dia 2 de fevereiro, Dom Bernard Fellay (Superior Geral da SSPX ), abençoou as batinas de 10 seminaristas e deu a tonsura clerical a 8 outros jovens durante a Missa Pontifical da Candelária. Ele foi assistido pelo Pe. Yves le Roux (reitor de seminário), Pe. Jurgen Wegner (Superior do Distrito Americano), e Pe. Patrick Abbet (vice-reitor do seminário).

O LIBERALISMO É PECADO – PARTE 1

libEXISTE HOJE EM DIA ALGO QUE SE CHAMA LIBERALISMO?

Certamente, e parecerá ocioso que nos entretenhamos em demonstrar esta afirmação. A não ser que todos os homens de todas as nações da Europa e da América, regiões principalmente infestadas desta epidemia, tivessemos convindo em enganar-nos e em fazer-nos de enganados, existe hoje em dia no mundo uma escola, sistema, partido, seita, ou chame-se como quiser, que por amigos e inimigos se conhece com o nome de Liberalismo.

Os jornais e associações e governos seus se nomeiam com toda franqueza liberais; seus adversários jogam-lho no rosto, e eles não protestam, nem sequer o desculpam ou atenuam. Mais ainda: se lê a cada dia que há correntes liberais, tendências liberais, reformas liberais, projetos liberais, personagens liberais, datas e recordações liberais, ideais e programas liberais; e, ao revés, se chamam antiliberais, ou clericais, ou reacionários, ou ultramontanos, todos os conceitos opostos aos significados por aquelas expressões. Há, pois, no mundo atual uma certa coisa que se chama Liberalismo, e há, por sua vez, outra certa coisa que se chama Antiliberalismo. É, pois, como mui acertadamente se disse, palavra de divisão, pois tem perfeitamente dividido o mundo em dois campos opostos. 

Mas não é apenas palavra, pois a toda palavra deve corresponder uma idéia; nem é apenas idéia, pois a tal idéia vemos que corresponde de fato toda uma ordem de acontecimentos exteriores. Existe, pois, Liberalismo, isto é, existem doutrinas liberais e existem obras liberais, e, em consequência, existem homens, que são os que professam aquelas doutrinas e praticam estas obras. Tais homens não são indivíduos isolados, senão que vivem e obram como grupo organizado, com chefes reconhecidos, com dependência deles, com fim unanimamente aceito. O Liberalismo, pois, não apenas é idéia e doutrina e obra, senão que é seita. Continuar lendo

12 NOVOS SEMINARISTAS NO SEMINÁRIO SANTO CURA DE ARS – FLAVIGNY – FRANÇA

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

No dia 2 de fevereiro, na ausência do bispo Alfonso de Galarreta – cuja presença foi impedida por dificuldades de última hora –o Pe. Niklaus Pfluger, 1º Assistente da FSSPX, abençoou o hábito clerical de 12 seminaristas do primeiro ano: 4 suíços, 3 franceses, 2 italianos, 1 Gabonês e 2 Nigerianos. Ele foi assistido pelo Pe. Patrick Troadec (reitor de seminário) e Pe.Prudent Balou Yalu (prior da Missão São Pio X em Libreville, Gabão).

Estatísticas interessantes foram publicados pelo Pe. Troadec: 

Desde 1996, 347 candidatos entraram no seminário para se tornarem padres ou irmãos, ou seja , uma média de 20 por ano. A idade média é de 21 anos. Os candidatos consistentemente vêm de famílias grandes (com uma média de 5,8 filhos), onde 80% das mães são “donas de casa”. 73% dos candidatos franceses vêm de escolas da FSSPX.

Mais de 50% dos candidatos receberam uma primeira vocação ao sacerdócio ou à vida religiosa antes dos 12 anos, quando serviam a Missa, ajudando na sacristia, ou no dia de sua Primeira Comunhão. Muitos destes seminaristas disseram que a educação recebida na família preparou-os para fazerem esta escolha, ou se lembram de terem sido influenciados pelo bom exemplo de um sacerdote ou um irmão em seus meios.

Depois de um período em que a idéia de ser totalmente consagrado a Deus se desvaneceu durante a sua adolescência, uma segunda chamada veio por volta dos 19 anos, e que, eventualmente, leva-os para o seminário ou noviciado.

QUANDO O CÉU SE COBRIR DE NUVENS

cloudy-sky-6Se durante muito tempo não movermos uma pedra, ela se cobrirá de musgo; se deixarmos de fazer exercícios físicos, os membros ficam flácidos. O mesmo vale da fé: quem não pratica sua religião, é envolvido primeiramente pelo musgo da indiferença; em seguida vêm as dúvidas; e o fim qual será?… Fé tíbia, e talvez descrença completa.

Não deves, portanto, apenas salvaguardar tua fé; deves vivê-la. Exercita-a na oração. Reza, todas as manhãs o “Creio em Deus” lenta e devotadamente. Rende graças a Deus, porque te fez nascer na verdadeira fé católica. Principalmente, porém, pratica-a por uma vida ideal que busca na religião suas forças. Como causa primordial dos desvios fundamentais da alma de muitos e muitos jovens, podemos indicar o fato de manifestarem em sua vida, um espírito de fé deploravelmente mesquinho. A religião teórica, que se não manifesta em prática, vale tanto como um carro sem eixo.

Por essa razão compreenderás, embora te pareça curioso à primeira vista, o conselho que uma vez dei a um moço:

Ele se queixava: “Quisera crer, mas não posso.”

— “Meu caro, faça violência à sua vontade! A fé é graça divina, mas supõe a vontade humana. Sim, Deus concede a graça; depende porém do homem querer colaborar com ela ou não. Não pode crer? Pouco importa! Repita o clamor dos apóstolos: “Senhor, robustecei nossa fé!” (Lc. 17,5). Ou diga como o pai da criança doente: “Creio Senhor, mas aumentai a minha fé!” (Mc. 9, 23). Você murmura que a oração o deixa frio, que não acha atrativo na S. Missa, que a vida religiosa lhe é enfadonha. Ainda uma vez, pouco, importa! Apesar de tudo, recite conscientemente as orações de costume; apesar de tudo procure seguir as orações da missa, do princípio ao fim.” Continuar lendo

UMA MISSA… UM CAVALHEIRO… UM RETRATO

retraSaberão as almas quando se dizem missas por elas?

Mônica, uma jovem muito boa e piedosa, está convencida que sim. Era ela uma pobre criada, que ganhava o pão servindo nas casas dos ricos, simples, cheia de fé, contente com o tratamento e o pequeno salário que lhe davam, pois Deus a fizera abnegada e sabia que a Ele se pode servir em qualquer ofício.

Mas um dia adoeceu e não teve remédio senão internar-se no hospital dos pobres. Depois de seis semanas deram-lhe alta; perdera, porém, o emprego e não sabia onde refugiar-se, débil e sem recursos. Uma moeda de prata era toda a sua fortuna; mas seu coração estava cheio de confiança em Deus. Toma a sua moeda e manda celebrar uma santa missa pelas almas do purgatório, a fim de que elas lhe consigam uma boa colocação. Ouviu a missa devotamente. E aquela mensagem chegou ao destino…

Ao sair encontrou-se com um senhor, que, aproximando-se, a saudou e disse:

– Soube que a senhora procura um emprego; aqui está o endereço de uma casa onde a receberão. Deu-lhe, em seguida, o nome da rua e o número da casa, e desapareceu. Ficou Mônica perplexa, sem saber que pensar nem como explicar tudo aquilo. Como podia saber aquele senhor que ela procurava um emprego, visto que não comunicara a ninguém o seu desamparo? Continuar lendo

UMA ANTIGA ATIVISTA DO “FEMEN” CONTRA O ABORTO

sara-winter-fbFonte: DICI – Tradução: Dominus Est 

A ativista feminista brasileira, Sara Winter (centro da foto), se arrependeu publicamente por ter se comprometido durante anos pela luta em favor do aborto.

“Eu cometi um erro enorme“, é o que declarou em dezembro de 2015 em sua página de Facebook, segundo relata a agência de informações americana Catholic News Agency (CNA), em um artigo publicado em 6 de janeiro.

A jovem era então conhecida como uma das fundadoras da filial brasileira do Femen, um grupo feminista radical onde um dos meios de ação, entre outros é de mostrar seios nus, particularmente em igrejas (veja DICI n°272 du 15/03/13). Hoje, se tornou “um emblema do ativismo homossexual e anti-cristão”, segundo a Wikipedia, e incentiva as feministas a “inspirar-se em religiosas” pois “protegem as vítimas de estupro ou jovens que estão esperando um filho, aquelas que se encontram em situações perigosas, oferecendo-lhes um teto e todo tipo de assistência “.

Sara Winter indica que o nascimento de seu filho mudou sua visão de mundo. “Peço perdão do fundo do coração (…) Na verdade, me faltava amor – o que mudou quando me tornei mãe -, um amor que me veio depois de uma profunda reflexão sobre o feminismo militante atual.” Um movimento pró-aborto que ela descreve como sendo dirigido por “homens ricos, motivados pela redução da população do país” e na qual “orgias, abuso de álcool, drogas e escândalos” são práticas comuns.

SANTO ATANÁSIO: O VERDADEIRO DEFENSOR DA TRADIÇÃO – PARTE II

SantoAtanasio21A queda do Papa Libério

Em 17 de maio de 352 Libério foi consagrado Papa. Ele imediatamente se viu envolvido na disputa ariana:

Ele apelou a Constâncio para que fosse justo com Atanásio. A resposta imperial veio na convocação dos bispos da Gália para um concílio em Arles em 353-354, onde, sob ameaça de exílio, os bispos concordaram em condenar Atanásio. Até mesmo o núncio apostólico de Libério rendeu-se. Quando o Papa pressionou para que o concílio fosse mais abrangente de representantes, Constâncio reuniu-os em Milão em 355. Houve, na ocasião, ameaças violentas de um grupo de pessoas e a intimidação pessoal do Imperador: “Minha vontade é a lei canônica”, exclamou. Com exceção de três bispos, o Imperador prevaleceu sobre todos os outros. Atanásio fora novamente condenado e os arianos admitidos à comunhão. Novamente os núncios do papa renderam-se e o próprio Libério recebeu ordens para assinar. Quando recusou a assinar, e até mesmo a aceitar as ofertas do Imperador, ele foi preso e carregado para longe da presença imperial; ao manter-se firme em prol reabilitação de Atanásio, o Papa foi exilado para a Trácia em 355, onde ficou por dois anos. Enquanto isso, um diácono Romano, Félix, foi introduzido na sé petrina. O povo recusou-se a reconhecer o antipapa imperial. O próprio Atanásio teve de se esconder e seu rebanho foi abandonado à perseguição pelo intruso de tendências arianas. Quando visitou Roma em 357, Constâncio foi assediado por pedidos clamorosos pela restauração de Libério. Por outro lado, bispos subservientes que rodeavam a corte em Sirmio subscreveram fórmulas doutrinais mais ou menos ambíguas ou heterodoxas. Em 358, uma fórmula composta por Basílio de Ancira, declarando que o Filho era de substância parecida com a do Pai, homoiousion, foi oficialmente imposta.[10]

A oposição ao antipapa Félix tornou urgente a necessidade de Constâncio restaurar Libério à sua sé. Contudo, era igualmente urgente que o Papa condenasse Atanásio. O Imperador usou uma combinação de ameaças e lisonjas para atingir seu objetivo. Seguiu-se então a trágica queda de Libério. Ela foi descrita implacavelmente em Lives of Saints de Alban Butler:

Nessa época, Libério começou desmoronar por conta das dificuldades do seu exílio, e sua resolução foi abalada pelas contínuas solicitações de Demófilo, o bispo ariano de Bereia, e de Fortunaciano, o contemporizador bispo da Aquiléia. Estava ele tão mais amolecido por lisonjas e alvitres (que deveriam na verdade fazê-lo tampar seus ouvido de horror) que ele rendeu-se, para grande escândalo da Igreja, à armadilha feita para ele. Ele subscreveu a condenação de Santo Atanásio e uma confissão ou credo concebido pelos arianos em Sirmio, embora a heresia ariana não estivesse lá expressa; e ele escreveu aos bispos arianos do Oriente dizendo que havia recebido a verdadeira fé católica que muitos bispos haviam aprovado em Sirmio. A queda de um prelado tão grande e tão ilustre confessor é um terrível exemplo da fraqueza humana que ninguém pode lembrar-se sem se estremecer todo. São Pedro caiu pela presunçosa confiança em sua própria força e resolução, de maneira que devemos aprender que todo mundo só se mantém pela humildade.[11] Continuar lendo

UM REI MORIBUNDO E OS DOIS PRATOS DA BALANÇA: O DOS PECADOS E O DO ROSÁRIO

Conta-se de Alfonso IX, rei de Leão e Galícia, que andava com o rosário à cintura…

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A Santíssima Virgem não favorece somente quem reza o rosário, mas recompensa também gloriosamente a quem, com seu exemplo, atrai os demais a esta devoção.

Alfonso IX (1188-1230), rei de Leão e Galícia, desejando que todos os seus criados honrassem a Santíssima Virgem com o rosário, resolveu, para animá-los com seu exemplo, levar ostensivamente um grande rosário, mesmo sem rezá-lo.

Bastou isto para obrigar toda a corte a rezá-lo devotamente. O rei caiu enfermo com gravidade. Já o acreditavam morto, quando, arrebatado no espírito diante do tribunal de Jesus Cristo, viu os demônios que lhe acusavam de todos os crimes que havia cometido.

Quando o Divino Juiz já o ia condenar às penas eternas, interveio em seu favor a Santíssima Virgem. Trouxeram, então, uma balança: em um pratinho da mesma colocaram os pecados do rei.

A Santíssima Virgem colocou no outro o rosário que Alfonso havia levado para honrá-la e os que, graças a seu exemplo, haviam recitado outras pessoas. Isto pesou mais que os pecados do rei.

A Virgem lhe disse logo, olhando-o benignamente: Continuar lendo

SANTO ATANÁSIO: O VERDADEIRO DEFENSOR DA TRADIÇÃO – PARTE I

S_Atanasio“O que aconteceu por volta de 1600 anos atrás repete-se nos dias de hoje, mas com duas ou três diferenças: Alexandria agora é toda a Igreja Católica — cuja estabilidade está abalada —, e o que foi empreendido naquela época por meio da força física e da crueldade é empreendido agora em níveis diferentes. O exílio foi substituído pelo ostracismo; o assassinato físico pelo assassinato de reputação.”

Mons. Rudolf Graber, Bispo de Regensburg, Athanasius and the Church of our Times, p. 23.

O objetivo deste apêndice não é explicar a natureza da heresia ariana, mas sim provar que um bispo fiel à Tradição pode ser repudiado, caluniado, perseguido e até mesmo excomungado por quase todo episcopado, inclusive pelo próprio Papa. Evidentemente trata-se de uma situação anormal, pois o fiel católico tem o direito de supor que a maioria dos bispos em união com o Papa ensinarão a sã doutrina; o católico seria imprudente se não conformasse sua crença e comportamento com o ensinamento desses bispos. Mas nem sempre o caso é esse, conforme demonstra a atual situação da Igreja. Não há praticamente uma única diocese no mundo anglófono cujo bispo esteja preocupado em assegurar que as crianças católicas recebam a sã doutrina; ou que a moral católica e os ensinamentos doutrinais não se contradigam com a impunidade do púlpito (trata-se da leniência com os abusos litúrgicos que chegam até ao nível do sacrilégio). Escrevendo sobre a época de Santo Atanásio, São Jerônimo fez sua célebre exclamação: “Ingemit totus orbis et arianum se esse miratus est” — “Com dor e assombro o mundo todo se viu ariano”. O mundo católico ocidental de hoje encontra-se num estado acelerado de desintegração; mas para a maioria não há dor, tampouco assombro. Com efeito, a maior parte dos bispos repete ad nauseam que as coisas jamais estiveram tão boas e que estamos vivendo no período de maior florescimento da história da Igreja. Um bispo como o falecido Mons. R. J. Dwyer (de Portland, Oregon, EUA), que teve a coragem de falar abertamente e descrever objetivamente o estado de coisas na Igreja, é taxado de excêntrico, fanático e desordeiro. A ICEL (International Commission for English in the Liturgy — Comissão Internacional para o Inglês na Liturgia) recebeu efusivos louvores dos bispos dos EUA por conta da tradução da missa que foi imposta aos fiéis católicos anglófonos. O arcebispo Dwyer falou sobre:

[…] a tradução inglesa — inepta, pueril e semi-analfabeta — que nos foi imposta pela ICEL, um grupo de homens dotados das piores características presentes nos burocratas autofágicos, prestou um imensurável desserviço a todo o mundo anglófono. O trabalho foi marcado pela ausência quase completa de sentido literário, pela insensibilidade crassa à linguagem poética e pior: o uso predominantemente inculto da liberdade de tradução dos textos, de modo que o texto chega ao ponto da deturpação de fato. [1] (grifos nossos) Continuar lendo

AS TENTAÇÕES NOS SÃO ENVIADAS POR DEUS PARA NOSSO BEM

tentacao1Para entendermos que é Deus quem nos envia, para nosso bem, as tentações, devemo-nos lembrar que o homem, devido à má inclinação de sua natureza corrompida, é soberbo, ambicioso e sempre se presume valer mais do que realmente vale.

Esta estima é a tal ponto perigosa para o proveito espiritual, que bastam leves resquícios desta presunção para que fiquemos impossibilitados de atingir a perfeição.

Por isso, Deus, com sua amorosa Vigilância por cada um dos homens, e, muito especialmente, por aqueles que estão ao seu serviço, cuida de por a alma em estado que a salve do perigo e, quase que forçados, façamos justo conceito de nós mesmos.

Assim Deus fez ao apóstolo São Pedro, permitindo que ele o negasse, afim de que se conhecesse a si próprio e não confiasse em si. E ao apóstolo São Paulo, após o levar ao terceiro céu e patentear-lhe os segredos divinos, enviou-lhe duras tentações, afim de que ele conhecesse sua fraqueza natural e se humilhasse, gloriando-se unicamente de suas enfermidades, e para que a grandeza das revelações que Deus lhe fizera não lhe abrisse caminho à presunção. De tudo isto, o próprio São Paulo dá testemunho.

Deus se apieda de nossas misérias e más inclinações e permite que sejamos tentados de muitas maneiras e às vezes de um modo terrível, para que nos humilhemos e saibamos verdadeiramente quem somos.

A nós, porem, muitas vezes parece que sejam inúteis e prejudiciais aquelas tentações. Mas Deus assim procedendo, mostra a sua bondade e sabedoria, pois, com aquilo que a nós nos parece mais nocivo, mais ele se alegra, para que mais nos venhamos a humilhar. E é de humildade que mais carece nossa alma. Continuar lendo

A GENEROSIDADE DA DONZELA CRISTÃ

donzelaÉ uma virtude altiva e corajosa, que imprime à vontade a força de resistir, de sofrer e de agir segundo o dever, segundo a fé e segundo Deus. Apesar das provações, das dificuldades, dos perigos, dos desânimos, ela segue seu caminho sem se deixar abater, sem desanimar, sem tremer; à maneira do sol, que segue o seu caminho acima das tempestades e que só desaparece à tarde para iluminar outros céus e renascer no dia seguinte.

O P. de Ravignam escrevia: “quero assinalar-me no serviço de Nosso Senhor, distinguir-me para Sua glória e para Seu serviço.” Tende, também vós, esta altiva paixão. Tendes recebido tanto de Deus, sede agradecida! Vós, que sois delicada com todos, sede-o sobretudo com Nosso Senhor: “Que devia eu fazer por vós que não tenha feito?”, diz-vos Ele… Não poderíamos também dizer-vos: “Quanta coisa poderíeis ter feito por Deus e não fizeste!…”?

A generosidade pode às vezes ser ajudada, sustentada por um temperamento feliz, por uma sensibilidade maior, pelas graças trazidas por uma vocação de escolha, mas antes de tudo é uma virtude que pede esforços, renúncias e lutas.

a)Sede generosa e forte no cumprimento do dever cotidiano

Sê-lo-eis facilmente um dia, uma semana; mas todos os dias, até à morte, dura muito! É preciso uma grande soma de energia para assim saber vencer-se sempre. No fundo, basta para isso ver em cada um dos acontecimentos que formam a trama habitual da vossa vida a mão de Deus e a sua santa vontade! Continuar lendo

QUAL A DIFERENÇA ENTRE FÉ E SENTIMENTO RELIGIOSO

rezando 2A senhora leu com atenção minha carta anterior e pede-me para que eu a ajude a compreender bem a diferença que há entre Fé e sentimento religioso. A tarefa será fácil, desejo que meu trabalho lhe seja útil.

Lembre-se das breves palavras do Pe. Lacordaire: A Fé é a Fé.

O sentimento é assim o respeito que temos, como criaturas, por nosso Pai que está no Céu e que, unicamente porque nos criou, nos olha como filhos, nos dá o pão de cada dia, a luz de seu sol, os frutos da terra, a vida, a saúde, e mil outros bens igualmente da ordem natural.

O sentimento religioso sendo natural ao homem, se encontra em todos os homens fiéis ou infiéis; pois todos têm esse fundo comum de respeito a Deus, que algumas vezes se traduz por um ato religioso fundado sobre a verdade, como entre os cristãos; outras vezes por um ato religioso manchado de erros como entre os infiéis, os idólatras, etc.

Entre os povos, há alguns cujo sentimento religioso é naturalmente muito profundo, por exemplo os árabes.

Um árabe não faltará à prece da manhã, à do meio dia e à da noite. Ao escutar o muezzin gritar do alto do minarete a fórmula sagrada: La Allah, etc., imediatamente ele se põe a rezar, esteja na companhia de quem quer que seja, no lugar que for, no meio de uma praça ou no trabalho; quando chega a hora, ele reza. Por este mesmo sentimento religioso, o árabe relaciona tudo à vontade de Deus; os acidentes da vida, a saúde, a doença, mesmo a morte, ele relaciona com Deus e em todas as circunstâncias ele repete: Deus é grande!

Eis o sentimento religioso em todo seu poder. Continuar lendo