O VALOR DOS FILHOS NA FAMÍLIA

Foi doloroso e triste o quadro da família sem filhos que passou aos nossos olhos nas duas últimas instruções, mas o objeto das duas que virão agora é bem consolador e alegre: vou falar da “família numerosa”.

O quanto é terrível, porque é contra a natureza, o silêncio do túmulo que reina em casa dos esposos sem filhos, tanto é alegre e cheio de promessas o riso argentino que enche o lar da família numerosa.

O quanto é abandonada e triste a velha árvore seca que perdeu sua folhagem, suas flores e todo o seu ornamento, o quanto é triste o caminhar para o túmulo, dos esposos sem filhos, atingidos pela velhice os que generosamente e confiantes no auxílio de Deus acolheram o filho. São como gigantescos carvalhos, cujos vastos ramos trazem ninhos onde sempre cantam novos pássaros. Estes velhos vêem, com a alma cheia de gratidão para com Deus aparecer, no lar de seus filhos e mesmo netos novos berços, e nestes berços, pequeninos seres que exprimem o seu reconhecimento aos pais e avós.

Estes velhos terão alguém para rezar por eles, e implorar a graça de Deus para o repouso de sua alma.

Sim, sempre foi assim; as famílias cristãs sempre amaram seus filhos; o seu mais belo móvel sempre esteve a um canto do quarto, o berço com um pequeno anjo risonho quase a dormir, enquanto num outro canto um bebê de três anos se mantém ativamente em seu cavalo de balanço, e mostra ao seu irmão maior de 5 anos toda sua habilidade.

As duas últimas instruções passaram-se numa paisagem árida, na família sem filhos. Nas duas, porém, que se seguem, subiremos às alturas consoladoras do lar feliz da família numerosa. Nesta instrução, mostrarei só de um modo geral que a verdadeira família cristã tem duas características: Continuar lendo

DOM DE GALARRETA: “ACHO QUE O PAPA IRÁ NA DIREÇÃO DE UM RECONHECIMENTO UNILATERAL”

Dom de GalarretaFonte: La Porte Latine/DICITradução: Cidade Católica

No dia 17 de janeiro de 2016, Dom Alfonso de Galarreta deu uma conferência em Bailly, próximo de Versalhes. Lá ele expôs a situação atual da Igreja e informou seus ouvintes do estado atual das relações entre Roma e a Fraternidade São Pio X. Durante as conversações doutrinais com Roma, entre 2009 e 2011, ele coordenara a comissão dos teólogos da Fraternidade São Pio X. Eis os trechos mais significativos de sua conferências, transcritos pelo DICI.

*****

UM AGRAVAMENTO DA CRISE DA FÉ QUE SUSCITA REAÇÕES PÚBLICAS

Numa primeira parte, Dom de Galarreta constata que se desenvolve em Roma “uma vontade de tirar todas as consequências contidas nos princípios do Concílio Vaticano II“. As ideias conciliares de ecumenismo, liberdade religiosa e colegialidade estando doravante adquiridas, de acordo com as autoridades romanas, agora é a moral que é atingida por uma forma de evolucionismo: “Isto já se aplica ao dogma, à verdade (de acordo com os progressistas); já se aplica ao ecumenismo, à liberdade religiosa, à colegialidade, todo o espírito liberal revolucionário… então por que também não à moral? No fundo, seria uma incoerência não aplicar a evolução também à moral“, e, então, essa última também é levada a se adaptar “em função da vida do homem, dos costumes, das leis, da evolução das coisas…“.

Não obstante, o prelado argentino reconhece que, diante deste desastre, se manifesta uma reação: “Agora é na Igreja atual, oficial, que começa a haver certas reações. E reações que vão profundamente, pois alguns estão se dando conta de que ainda assim há um problema doutrinal, um problema de fé. Eles estão se dando conta de que há também um problema no magistério conciliar e pós-conciliar. Eles estão começando a colocar certas questões e, o que é importantíssimo, eles compreendem que para se opor a esta ruptura total com a Tradição é preciso reagir e, necessariamente, opor-se às autoridades, que são os difusoras desses erros. É assim que se vê alguns cardeais, bispos, padres, leigos que começam a reagir, e, no bom sentido, mesmo no boníssimo sentido, com muita firmeza“.  Continuar lendo

COMO SE DEVEM EVITAR AS CONVERSAS SUPÉRFLUAS

converEvita, quanto puderes, o bulício dos homens, porque muito nos perturbam os negócios mundanos ainda quando tratados com reta intenção; pois bem depressa somos manchados e cativos da vaidade. Quisera eu ter calado muitas vezes e não ter conversado com os homens. Por que razão, porém, nos atraem falas e conversas, se raras vezes voltamos ao silêncio sem dano da consciência? Gostamos tanto de falar, porque pretendemos, com essas conversações, ser consolados uns pelos outros e desejamos aliviar o coração fatigado por preocupações diversas. E ordinariamente sentimos prazer em falar e pensar, ora nas coisas que muito amamos e desejamos, ora nas que nos contrariam.

Mas ai! Muitas vezes é em vão e sem proveito, pois essa consolação exterior é muito prejudicial à consolação interior e divina. Cumpre, portanto, vigiar e orar, para que não passe o tempo ociosamente. Se for lícito e oportuno falar, seja de coisas edificantes. O mau costume e o descuido do nosso progresso espiritual concorrem muito para o desenfreamento de nossa língua. Ajudam muito, porém, ao aproveitamento espiritual os devotos colóquios sobre coisas espirituais, mormente quando se associam em Deus pessoas que pensam e sentem do mesmo modo.

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

TRISTE SITUAÇÃO DA IGREJA

cataEntão Deus Pai, deixando-se levar pelas lágrimas e reter pelos laços do desejo santo daquela serva, olhou misericordiosamente para ela e queixou-se nestes termos:

– Filha muito amável, tuas lágrimas me coagem, porque estão unidas a mim e são derramadas por amor; prendem-me os teus sofrimentos íntimos. Olha e vê quanto minha Esposa sujou a sua face, como está leprosa por causa da impureza e egoísmo; como está intumescida pela soberba e ganância dos cristãos e mesmo dos membros da hierarquia. Falo dos ministros que se alimentam de sua riqueza e são encarregados de nutrir o povo fiel e aqueles que aspiram por deixar o paganismo e filiar-se como membros da minha Igreja. Considera com quanta maldade, incompreensão e ingratidão, com que mãos imundas são distribuídos seu alimento e seu sangue. Vê com que desconsideração e falta de respeito os mesmos são recebidos. É esse o motivo porque muitas vezes se torna fator de morte aquilo que deveria infundir a vida! Tal coisa se verifica com o Sangue precioso do meu Filho unigênito. Tal sangue afastou a morte e a escuridão, trouxe a luz e a Verdade, confundiu a mentira. Foi ele que propiciou todos os bens, quais sejam a salvação e a total perfeição dos homens. Exige apenas as boas disposições. Se de um lado produz a vida divina e todos os benefícios da graça de acordo com a acolhida e amor de quem o recebe, do outro causa a morte para aqueles que vivem no pecado. Sim! Para aqueles que recebem indignamente, em estado de pecado mortal – e unicamente por culpa sua – este Sangue produz a morte, não a vida. Isto acontece não por falha do Sangue (de Cristo) ou do ministro, mesmo que este se encontre em situação igual ou pior.

O pecado do ministro não prejudica, nem mancha o Sangue, não diminui o poder da graça. O mau ministro não prejudica a pessoa a quem distribui o Sangue de Cristo; prejudica somente a si mesmo, pois comete um pecado digno de castigo, a menos que se arrependa mediante uma sincera contrição e afastamento da culpa.

Repito: o Sangue de Cristo é prejudicial a quem o recebe indignamente, não por falha da Eucaristia ou do ministro; somente por más disposições ou defeitos pessoais, como sejam a maldade e a impureza, que mancham o espírito e o corpo, e as grandes maldades contra si mesmo e o próximo. A maldade contra si mesmo consiste na perda da graça, quando o homem egoisticamente despreza os dons recebidos no batismo. Neste a virtude do Sangue cancelara a mancha do pecado original, transmitido pelo pai e pela mãe no momento da concepção.

O Diálogo – Santa Catarina de Sena  

AS PREFERÊNCIAS

Morgan_Frederick_Motherly_LoveContinuação do post: O AMOR MATERNO

Já acima o dissemos, e convém insistir neste ponto: a mãe deve amar todos os filhos sem exceção. Não são eles todos uma porção de si própria? Não os trouxe todos no seu seio, e não os alimentou com o seu leite? Concentrar num só, ou em alguns, todas as afeições, e ter pelos outros uma espécie de indiferença, ou mesmo de aversão, seria ir de encontro, não só contra natureza, mas contra a lei de Deus; seria perdê-los a todos, a uns por excesso, e a outros por deficiência de amor materno. As preferências injustas são efetivamente tão funestas aos filhos preferidos, como aos que o não são.

A criança, que se sente objeto da predileção de seus pais, torna-se orgulhosa e altiva; acaba por desprezar seus irmãos, enchesse de fatuidade e de egoísmo; numa palavra é uma criança estragada, isto é, perdida, como diz Mgr. Dupanloup na sua obra Da Educação, que teremos ocasião de citar muitas vezes.

Os que se vêm privados injustamente das carícias e dos favores, que seus pais prodigalizam com tanta profusão aos outros seus irmãos, tornam-se tímidos, tristes e desconfiados, desde a mais terna mocidade. Não podendo desenvolver-se por seu espírito, ficam sempre enterradas as suas faculdades naturais debaixo dum frio silêncio. Não podendo amar a mãe, que os não ama, o seu coração torna-se duro e insensível. Mais tarde a inveja cria profundas raízes na sua alma; são cheios de ciúme e muitas vezes de ódio contra os que lhe preferiram: inveja e ódio que produzem muitas vezes as mais funestas divisões nas famílias, e não acabam senão com a vida. Qual foi a origem das guerras de Esaú contra Jacob, senão a predileção que Rebeca, sua mãe, tinha por Jacob?

Ninguém ignora esta história, que é contada pelos livros santos: Jacob amava José acima de todos os outros filhos, porque o tivera na sua velhice, e também, sem dúvida, por causa das suas admiráveis qualidades e da sua inocência. Em testemunho da ternura e da estima singular que tinha por essa criança, havia-lhe dado um vestido de diversas cores. Vendo essa predileção de seu pai por José, conceberam os seus irmãos tamanho ódio contra ele, que não podiam falar-lhe sem azedume. Um dia, enquanto guardavam os rebanhos, vêem chegar José, enviado pelo Pai, para os vigiar. — «Vamos, dizem uns para os outros, excitados por seu amor invejoso, matêmo-lo, e deitêmo-lo a esta cisterna.» Por conselho de Ruben o mais velho, desistem disso, mas apenas José chega, despem-no, metem-no dentro da cisterna, e vendem-no depois por vinte peças de prata a mercadores ismaelitas. Ah! quantas lágrimas não custou ao pobre pai a predileção que tinha pelo filho! Rasgou as roupas, cobriu-se dum cilício, e não cessou de chorar, dizendo na amargura da sua alma: «Um animal cruel devorou José!» Em vão todos os outros filhos se reuniram para enxugar as suas lágrimas… ele não quis receber consolações. Continuar lendo

DA NECESSIDADE DE TER UMA FÉ ESCLARECIDA

feO apóstolo São Pedro, escrevendo aos primeiros fiéis e por eles instruindo os fiéis de todos os tempos, dizia: «Ficai sempre prontos a responder em defesa da religião a quem quer que lhes pergunte qual a razão da esperança que está em vós».

O que traduzimos por responder em defesa da religião, está expresso em uma só palavra no texto de São Pedro. Ele diz ao pé da letra: apologia:«Estejam sempre prontos para a apologia»; quer dizer, segundo as solenes instruções de São Pedro, o santo Papa, todo cristão deve estar sempre preparado para a apologia, para a defesa da fé, contra quem quer que lhe pergunte a razão da esperança que ele traz consigo.

É preciso pesar bem os termos de São Pedro: estar sempre preparado contra quem quer que seja. Evidentemente para estar assim sempre pronto contra quem quer que seja, é preciso uma dose de instrução cristã, que hoje não é comum entre os cristãos.

Mas temendo estar sendo exagerado em alguma coisa, dou a palavra a um intérprete que não se pode recusar: (Estius, Comm. in Cap… III Epist. I B. Pet.). Traduzo:

«Este é o pensamento de São Pedro: Já que os infiéis chamam vã a esperança que tendes em Jesus Cristo numa vida futura e numa glória eterna, advirto-vos de que devem ter sempre pronta uma resposta pela qual possais mostrar que vossa fé e vossa esperança se apóiam em razões sólidas, seja para o caso de confrontar um contraditor ou simplesmente um homem desejoso de se instruir, que vos pergunte porque desprezais os bens da vida presente e sofreis tantos males nesta terra. Continuar lendo

O PRIMEIRO MÁRTIR DA EUCARISTIA

tarcisioEra nos primeiros tempos do cristianismo. Os cristãos eram perseguidos, lançados às feras, mortos.

Quase todos procuravam antes receber a santa comunhão.

Os sacerdotes tinham de esconder-se porque eram os mais procurados pelos inimigos.

Um dia, depois de celebrar os divinos mistérios nas catacumbas, o padre, voltando-se para os fiéis reunidos, mostrou-lhes a Hóstia e disse:

– Amanhã muitos dos nossos serão conduzidos às feras. Quem de vós, menos conhecido que eu, poderá levar-lhes secretamente o Pão dos fortes?

As estas palavras aproxima-se um menino de dez anos, chamado Tarcísio, que parecia ter roubado aos anjos a pureza da alma e a formosura dos rosto; e, ajoelhando-se diante do altar, estendia os braços para o sacerdote sem pronunciar palavra, parecendo querer dizer:

– Eu mesmo levarei Jesus aos irmãos encarcerados…

– És muito pequeno – disse o padre – como poderei confiar-te tamanho tesouro?

– Sim, padre; justamente por ser eu pequeno me aproximarei dos mártires sem que ninguém desconfie.

Falava com tanto ardor e candura, que o padre lhe confiou os “Mistérios de Jesus”.

O pequeno, radiante de alegria, aperta ao peito o seu tesouro e diz:
Continuar lendo

DA OBEDIÊNCIA E SUBMISSÃO

obedienciaGrande coisa é viver na obediência, sob a direção de um superior, e não dispor da própria vontade. Muito mais seguro é obedecer que mandar. Muitos obedecem mais por necessidade que por amor: por isso sofrem e facilmente murmuram. Esses não alcançarão a liberdade de espírito, enquanto não se sujeitarem de todo o coração, por amor de Deus. Anda por onde quiseres: não acharás descanso senão na humilde sujeição e obediência ao superior. A imaginação dos lugares e mudanças a muitos tem iludido.

Verdade é que cada um gosta de seguir seu próprio parecer e mais se inclina àqueles que participam da sua opinião. Entretanto, se Deus está conosco, cumpre-nos, às vezes, renunciar ao nosso parecer por amor da paz. Quem é tão sábio que possa saber tudo completamente? Não confies, pois, demasiadamente em teu próprio juízo; mas atende também, de boa mente, ao dos demais. Se o teu parecer for bom e o deixares, por amor de Deus, para seguires o de outrem, muito lucrarás com isso.

Com efeito, muitas vezes ouvi falar que é mais seguro ouvir e tomar conselho que dá-lo. É bem possível que seja acertado o parecer de cada um: mas não querer ceder aos outros, quando a razão ou as circunstâncias o pedem, é sinal de soberba e obstinação.

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

A FÉ E A CIÊNCIA

38-rc-frame-joelhosComo a senhora sabe, o homem nasce ignorante. E só sai da ignorância com dificuldade. O homem custa a aprender e quanto mais elevada a ciência que queremos adquirir, mais ela nos custa. O mal é tanto que não só temos dificuldades em aprender, como muitas vezes sentimos repugnância infeliz pelo estudo, repugnância que nos faria sentir uma espécie de tranqüilidade, uma felicidade estúpida por não saber nada.

E, no entanto, não é a ignorância em si que nos agrada. O que nos agrada é o fato de não precisarmos fazer o esforço necessário para chegar à ciência.

Nós cristãos, conhecemos a causa de tão lamentável estado, pois a fé nos indica ser este um dos efeitos do pecado original.

Quando Deus, pelo batismo, apaga em nós o pecado original, Ele nos dá a fé e com a fé a necessidade de conhecer as verdades cristãs e a inclinação para recebê-las e guardá-las.

Essa necessidade das almas não é coisa para ser negligenciada. Para isso a Igreja tem o catecismo. Mas, infelizmente, as lições duram pouco e são facilmente esquecidas. A educação cristã é muito relaxada nas escolas, quando não é totalmente desprezada. Disso resulta que os cristãos, geralmente, não são suficientemente instruídos naquilo que, no entanto, teriam a maior necessidade de conhecer a fim de conservar a fé, praticá-la fielmente e guardá-la até o fim de sua vida. Este é mais ou menos o estado geral dos cristãos cujos estudos terminaram na escola primária. Mas nós temos escolas secundárias, escolas superiores, até mesmo universidades. Se a ciência está em algum lugar, é nestes lugares que deveria estar. Continuar lendo

A MORAL SEM DEUS

santos1A moral é jóia tão indispensável à humanidade, que todos consideram sua defesa como absolutamente necessária. Por mais errados que sejam os conceitos de muitos acerca da religião, todos proclamam unanimemente a necessidade de proteger os bons costumes e de salvá-los, em prol da humanidade.

Mas esta é justamente a pergunta: pode-se falar de moral sem religião? Pode alguém ter bons costumes sem ter fé? Quando se instala a bússola num navio, procura-se isolá-la, o melhor possível, da influência de correntes magnéticas que poderiam provir da couraça do casco. A razão é a bússola da vida humana; correntes estranhas, oriundas do corpo — a inclinação para o mal — desviam-na facilmente e desgovernam nossa vida, se ela não estiver orientada para determinado ponto, muito acima de toda corrente de egoísmo e da ilusão própria. Se os homens, e não Deus, tivessem determinado o que é moral ou imoral, andariam muito mal parados a respeito da moralidade. Pois o que eu chamo pecado, com o mesmo direito outro poderia chamar virtude.

Portanto, quem não crê no Supremo Legislador, superior à natureza, quem não crê numa vida sobrenatural, depois da terrena não pode falar em moral. Em primeiro lugar deve o homem saber que é a criatura humana e quem é Deus; só então compreenderá o que deve fazer ou omitir.

Uma vida morigerada exige luta; não pode ser diversamente. Um colegial se exprimia assim: “Por que é tão difícil ser bom e tão fácil ser mau?” Não notaste ainda, e repetidas vezes, esse antagonismo trágico em teu coração? A razão reconhece o bem e o deseja; nossa natureza decaída, pelo contrário, arrasta-nos ao mal… Continuar lendo

MICROCEFALIA: O NOVO PRETEXTO PARA O ABORTO

(“Temos que conquistar nosso terreno centímetro por centímetro”)

Neste setor de abortos há uma corrente forte da qual participam muitos médicos, que acreditam no dogma de Hitler. O aborto deu a algumas pessoas grande poder sobre a vida e sobre a morte. Aguardamos o tempo em que a mãe terá o direito de matar o seu filho até algumas horas depois do parto normal. Quando a criança nasce a mãe deve ter a possibilidade de olhar bem para ela e ver se corresponde à sua expectativa e resolver se ela deve continuar vivendo. Isto é o ideal, o sonho, naturalmente. Mas ainda estamos muito longe do tempo em que a sociedade em seu conjunto aceite uma coisa destas. Temos que ir muito devagar.

Se se dissesse uma coisa destas logo no começo, quando entrou em vigor a Lei do Aborto, teria havido protestos, o público teria ficado horrorizado. Temos que conquistar nosso terreno centímetro por centímetro[1].

As palavras acima foram pronunciadas por um farmacêutico, dono de um consultório de teste de gravidez em Londres. Foram gravadas secretamente pelos jornalistas Michael Litchfield e Susan Kentish, que investigavam o que ocorria nas clínicas de aborto logo após a sua legalização na Inglaterra (o “Abortion Act”, de 1967). Esta foi uma das vezes em que os jornalistas se depararam com uma simpatia entre os praticantes do aborto e as ideias nazifascistas. Digna de nota é a frase: “Temos que conquistar nosso terreno centímetro por centímetro”.

No Brasil está acontecendo algo semelhante. Em abril de 2012, o Supremo Tribunal Federal julgou procedente o pedido da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54 (ADPF 54), deixando de considerar crime o aborto de crianças anencéfalas. Agora, com o surto do nascimento de crianças com o perímetro cefálico menor que 32 centímetros (microcefalia), fato este supostamente associado ao vírus zika, eis que aparece um grupo desejando pleitear na Suprema Corte o aborto de tais bebês de cabeça pequena[2]. E o advogado que defendeu a ignóbil causa do aborto de anencéfalos é hoje ministro do STF: Luís Roberto Barroso. Pode-se imaginar qual será o voto dele quanto à morte dos portadores de microcefalia… Continuar lendo

COMO EDUCAR O FILHO (A) EGOÍSTA

egoEsse homem metido em si mesmo, voltado para suas preocupações e seus interesses, sem ressonâncias para as necessidades ou alegrias do próximo, incapaz de enxugar a lágrima de quem sofre, insensível à fome dos miseráveis, às angústias do aflito e ao frio dos esfarrapados, esse homem que só pensa nos outros na medida em que eles lhe podem ajudar à riqueza ou à fama, e que os larga quando já não tem mais o que lhe dar (como quem joga fora o bagaço da laranja que chupou), esse que só pensa em si, só tem para si – é o egoísta.

Também ele é infantilizado: não ultrapassou o nível da criança. Não se integrou na convivência humana. Seus horizontes fecham-se sobre si mesmo, estreitos e sufocantes. Seus olhos só vêem o chão em que pisa, numa infeliz miopia que não enxerga caminhos alheios.

Sua capacidade de sentir o que não é seu atinge a selvagens endurecimentos que negam a própria natureza – como a jovem que chega da cidade, senta-se, queixa-se do calor e pede um copo de água à velha mãe que labuta na casa e na cozinha desde as 6 da manhã!

Furtado pela natureza e vítima de má educação, ele diminui a própria capacidade de viver e extingue uma copiosa fonte de felicidade, desconhecendo a vida de seus irmãos e não os ajudando a ser felizes. Em torno de si espalha o desprezo e a aversão. Continuar lendo

AS DEVOÇÕES SEM A FÉ

devoA fé, que para o cristão é o princípio único das obras salutares, é igualmente o princípio da devoção e mesmo, se quiser, das devoções quando a devoção e as devoções são realmente salutares.

Vimos que muitas obras podem nascer ao lado da fé, mas que não são por si só, úteis à salvação. É isto exatamente o que se passa com a devoção e as devoções. Elas podem nascer, se desenvolverem e crescerem, até mesmo de modo prodigioso, paralelas à fé e no entanto serem inúteis para a salvação eterna dos homens.

Certamente gostará de ouvir o que li sobre este assunto no «Année Dominicaine» sob a assinatura do padre Vicent Maumus: – «A prática da devoção sem o conhecimento de Deus, é o grande obstáculo para o progresso das almas.

As almas são pouco esclarecidas, primeiro porque se tem poucas luzes, em seguida porque se taxa facilmente de curiosidade vã uma ciência que não se aprecia. As almas são pois pouco esclarecidas ao mesmo tempo que são cumuladas de práticas de devoção multiplicadas ao infinito; são envolvidas em todas as espécies de confrarias; são levadas a crer, como último esforço de piedade católica, na propaganda ativa de certas devoções cuja corrente, se não for freada, ameaça sufocar o amplo espírito cristão». «Que são hoje os livros de piedade? Pondo à parte algumas raras exceções, não passam de tratados superficiais que só se dirigem à imaginação e à prática exterior de tais ou quais devoções da moda. Há alguns anos um grande bispo se lamentava pela profusão com que se espalhou esse tipo de livro, e Bossuet já dizia: Não compreendo mais nada dos diretores».

A senhora, lendo esta citação com grande atenção, sente todo seu peso. Parece mesmo que daqui a ouço lembrar o que disse Joseph de Maistre: «Deus abençoe a partícula SE!»

De boa vontade aceitarei com a senhora essa desejável benção e terminarei aqui esta carta.

Digamos juntos: Credo.

Cartas sobre a fé – Pe. Emmanuel-Andre

SÚPLICA À TRINDADE

TrindadeMeu Senhor, olha com misericórdia para o teu povo e para a hierarquia da santa Igreja. Se perdoares a tão numerosas criaturas, concedendo-lhes a iluminação da inteligência, serás mais glorificado que só por mim, pobrezinha que tanto pequei, responsável por todos os males. Livres das trevas do pecado mortal e da condenação eterna por tua infinita bondade, todos te louvariam. Por essa razão eu te suplico, caridade divina e eterna, que te vingues sobre mim. Tem piedade do teu povo! Não me afastarei de tua presença enquanto não perceber que usaste de misericórdia para com o teu povo. Que prazer teria eu em ganhar a vida eterna, se teu povo estivesse na morte e se a escuridão aumentasse na tua Esposa – que é toda luz – por causa dos meus pecados e dos pecados dos demais?

Eu quero, portanto, e imploro tal graça; que tenhas piedade do teu povo, pela caridade incriada que te levou a criar o homem à tua imagem e semelhança, quando disseste: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gn 1,26).

Ó sublime e eterna Trindade, agiste assim a fim de que a humanidade participasse do teu ser: deste-lhe a memória, Pai eterno, para que se recordasse do teu benefício, possuindo algo do teu poder; deste-lhe a inteligência com que conhecesse tua bondade e tivesse parte na sabedoria do Filho; deste-lhe vontade para amar tudo quanto a inteligência compreendesse da tua Verdade, e com isso participasse da clemência do Espírito Santo.
Continuar lendo

A RENÚNCIA : MODERAR A PRETENSÃO DO ESPÍRITO

promessaComo os perigos dos sentidos esperam o jovem coração à entrada da vida, assim os do espírito ameaçam perverter a jovem inteligência pronta a dedicar-se ao estudo.

Apenas o espírito começa a ter consciência de sua força, a formar raciocínios, a gozar a doçura das primeiras descobertas no campo da verdade, e já a semente do orgulho deita raízes na alma com risco de romper o equilíbrio entre o espírito e o bom-senso.

Se os talentos dados por Deus excedem um pouco a mediocridade, a ambição intelectual bem depressa não conhece mais limites, o espírito sacia-se de tudo com avidez, enche-se mais de vaidade do que de verdade.

São Paulo disse: Scientia inflat (I Cor 8,1). A ciência incha.

O escolho desta formação intelectual tem sido a parte excessiva dada às luzes humanas em detrimento da luz divina, o predomínio do estudo sobre a oração, o culto da razão humana e o esquecimento do seu absoluto nada e de sua universal fraqueza.

O que é o mais sublime gênio diante da sabedoria de Deus? É com sacrifício que a mais poderosa inteligência consegue, depois de uma vida de esforços e de pesquisas, entrever um ou outro problema científico e quando crê resolvê-lo, vê surgir outras questões mais complicadas e abrir-se diante de si novos horizontes, que não conseguirá nunca abranger. Continuar lendo

CONFUSÃO POR UM ABRAÇO DE FRANCISCO

papa_divorciados_definitivaDois divorciados proclamaram diante dele a sua convivência sem nenhum sinal de arrependimento e afirmando que Deus é o centro de suas vidas. 

Fonte: Distrito da FSSPX no México

Durante o encontro com as famílias em Tuxtla Gutierrez neste 15 de fevereiro, várias pessoas apresentaram seu testemunho perante o Papa. Entre eles, Humberto e Claudia Gomez. Estão casados no civil há 16 anos e têm um filho de 11. Ele era solteiro, ela divorciada com 3 filhos. Estavam afastados da Igreja até três anos atrás e se juntaram a um grupo pastoral para pessoas nessa situação: “Recebemos o amor e a misericórdia de nossos irmãos do grupo, de nossos sacerdotes. Depois de receber o abraço e amor de Nosso Senhor, sentimos que nossos corações não cabiam em nosso peito. Os divorciado recasados não podem ter acesso a Eucaristia, mas podemos comungar através do irmão necessitado, do irmão doente, do irmão privado de sua liberdade … Somos abençoados porque temos um casamento e uma família onde o centro é Deus “, disse ele. Depois de ouvir estas palavras, Francisco se levantou, abraçou-os calorosamente e conversou amigavelmente com eles.

E agora o que? Qual é a lição que há de tirar os católicos, e o que obviamente queriam transmitir? Sem dúvida Francisco quis representar com um caso concreto sua visão do recente Sínodo da família.

Se poderá dizer, e é verdade, que o casal Gómez não comunga nem reivindicou poder fazê-lo. Que, ainda, parece aceitar como justa a proibição. Continuar lendo

A FÉ SEM AS OBRAS, E AS OBRAS SEM A FÉ

caridHouve outrora, no berço do cristianismo, em Roma, uma disputa muito viva sobre a fé e as obras. Uns diziam: a fé é suficiente; outros: as obras, as obras, é o necessário!

Se um belo dia estivéssemos no jardim de sua casa e submetêssemos a seus filhos uma pergunta análoga: meninos, digam o que acham, o que é mais necessário: as maçãs ou a macieira? Os meninos certamente nos diriam que bastam as maçãs. Mas os mais velhos, compreendendo que sem as macieiras não haveria maçãs, responderiam: o que é preciso são as macieiras com as maçãs. E com efeito, é impossível haver maçãs sem macieiras, e macieiras sem maçãs são inúteis.

Deixando o apólogo, diremos que a fé é a árvore indispensável para haver os frutos da salvação e que os frutos que se pode colher sem a fé, não serão frutos de salvação.

São Gregório Magno disse numa palavra: Nec fides sine operibus, nec opera adjuvant sine fide. Quer dizer: A fé sem as obras ou as obras sem a fé, de nada valem.

A fé é, para o cristão, a raiz da salvação e de toda obra que leva à salvação. A santa esperança e a caridade divina vêm dar ao fruto ou à obra o gosto, o sabor, a doçura, o mérito; mas sem a fé não há mérito, nem doçura, nem sabor, nem gosto, nem fruto, nem obra que seja útil à salvação.

Guarde bem esse primeiro princípio. Eis um outro que deste decorre incontestavelmente: a medida da fé é a medida do mérito da obra. Sei bem que a última palavra, o mérito do cristão, pertence à caridade; mas a caridade é filha da fé, filha que pode crescer com sua mãe de modo que, no final das contas, o cristão deve ter a fé como medida de todas as coisas. Nosso Senhor dizia com este pensamento: «Vossa fé vos salvou!». Continuar lendo

ENTRE OS ESTUDOS, MOMENTO DE LAZER ENTRE PADRES E SEMINARISTAS DA FSSPX NOS ESTADOS UNIDOS

sspx-priests-460Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

A Reunião dos Sacerdotes do Distrito da FSSPX nos Estados Unidos 2016 está ocorrendo no Seminário São Tomás de Aquino, em Winona, MN (EUA). A reunião começou na segunda-feira e terminará na sexta-feira e está sendo frequentada pela maioria dos padres da FSSPX nos Estados Unidos, bem como padres do Canadá e até mesmo padres-amigos (ou seja, que não pertencem à FSSPX).

Este evento anual – lançado pelo Pe. Francois Laisney quando era o Superior do Distrito Americano (1984-1990) – é uma oportunidade para os sacerdotes do Distrito se reunirem na atmosfera sobrenaturalmente carregada do seminário, enquanto se beneficiam de várias conferências sobre temas que vão desde a administração prática até conceitos teológicos, para lidarem com os problemas da sociedade moderna.

O tradicional jogo de hóquei entre Sacerdotes do Distrito dos Estados Unidos x Seminaristas do Seminário São Tomás de Aquino foi realizado dia 17 de fevereiro de 2016, na Winona Bud Rei Arena. A jovem equipe do seminário, liderado por John Carlisle, ganhou por 8×4, apesar da resistência heróica dos sacerdotes com Pe. Carl Sulzen como capitão. 

Esta é a última vez que o jogo é disputado em Winona, como os planos de seminário mudar para o novo local, na Virgínia, no próximo verão.

Rezemos por todos os sacerdotes da FSSPX no mundo.

IDÉIAS MODERNAS NÃO ALTERAM O QUE ESTÁ ESCRITO NOS LIVROS DE DEUS

jesus_dirige_a_la_familiaAs idéias modernas de independência, pregadas e seguidas por tantas senhoras, não alteram a verdade do que está escrito nos Livros de Deus. Não passam de heresias para uma cristã temente a Deus e de consciência delicada. As mulheres, sejam sujeitas aos seus maridos (Ef 5,22). Mulheres, sede sujeitas aos vossos maridos, como é necessário no Senhor (Cl 3,18).

Assim como a Igreja está sujeita a Cristo, assim as mulheres estejam sujeitas a seus maridos em tudo (Ef 5,24). Tais são as palavras claras e imperecíveis de São Paulo.

Chefe, princípio que governa a família, é, portanto o marido. Para isso recebeu no sacramento uma graça de estado também. Não pode ser um chefe tirânico, um ditador, um comandante militar, tal como aquele centurião do Evangelho lembrou a nosso Senhor: “Digo a um soldado: vai! E ele vai”.

Seu domínio, sua superioridade sobre a esposa é como o da cabeça sobre o corpo, brando, influindo vigor, cheio de benevolência. Melhor ainda: é como a autoridade de Jesus Cristo sobre a Igreja, sua esposa. Estaria errado, cometeria intolerável abuso, o marido que quisesse fazer da esposa uma escrava de suas ordens, ou se a considerasse obrigada à obediência como um educando a deve ao educador. Sobre bases falsas estariam às relações dos cônjuges, se considerassem a autoridade como anterior ou, em seu exercício, independente do amor. Marido e esposa formam uma espécie de “assembléia deliberativa”. A última palavra fica com o marido, porque ele recebeu a delegação do poder, após mútuo entendimento. Continuar lendo

A INTEGRIDADE DA FÉ

pereA fé opera no cristão uma renovação sobrenatural, eleva a alma às coisas celestes e, como diz São Leão, dá à alma impulso em direção ao bem incorruptível, em direção à verdadeira luz, quer dizer, em direção ao próprio Deus.

Mas para que a fé produza no cristão a operação que lhe é própria, é preciso que seja pura, que seja íntegra. Ora, a fé em sua pureza, em sua integridade, é uma fé rara. Magnum est, dizia Santo Agostinho, Magnum est in ipsa intus catholica, integram habere fidem. Traduzindo: Mesmo dentro da Igreja, é uma grande coisa haver uma fé íntegra.

Para bem compreender, é preciso que se lembre o que dissemos sobre o nascimento da fé em nossas almas. É preciso, para que a fé nasça e se desenvolva, o dom de Deus e a palavra do catequista ou a instrução. O dom de Deus é sempre puro, mas a palavra do catequista pode trazer com ela a verdade que vem de Deus ou o erro que vem do homem.

Suponhamos uma criança batizada vivendo numa sociedade separada da Igreja católica. O batismo que recebeu fez da criança um filho de Deus, pôs-lhe na alma a graça habitual; a criança cresce e recebe uma instrução manchada de heresia, aceita a heresia crendo aceitar a fé, é enganado… No dia em que perceber qual é a verdadeira fé católica, ou bem repudiará a heresia ou bem rejeitará a verdade, tornando-se ou decididamente católico ou formalmente herético. No primeiro caso terá perdido a heresia que lhe tinham ensinado e conservado a fé que Deus pôs em seu coração no dia do batismo. É importante que uma criança batizada não receba lições de um mestre que a faça perder a fé. Mas nós estamos em plena Igreja Católica, me dirá a senhora. É justamente por isso que ensino com Santo Agostinho: é muito importante ter a fé em toda sua integridade. Explico-me. A fé está no mundo, Deus a colocou no mundo para nossa salvação. Mas o erro também está no mundo, semeado pelo diabo para nossa perda. A fé, em sua integridade, é uma fé que está ao abrigo de todos os erros, de todos os preconceitos, de todas as opiniões vãs que correm mundo, que enchem os espíritos, que perdem as almas. Continuar lendo

JESUS SOFRE! ALMA AMADA, TOME A RESOLUÇÃO DE CONSOLÁ-LO …

ajoeTristis est anima mea usque ad mortem (Mc 14,34)

Minha alma está triste até à morte

Há vinte séculos, quando ninguém pensava ainda em mim, quando ninguém podia ainda suspeitar que um dia eu existiria, um Coração amava, interessava-se pela minha felicidade e se entristecia pelos meus pecados.

Oh! como esse último pensamento me punge a alma de dor e remorso! Jesus entristeceu-se e sofreu por causa de meus pecados e dos de cada homem em particular.

Jesus era Deus. Ele via clara e minuciosamente todos os meus pecados e os crimes do mundo inteiro. Contava-lhes o número e pesava-lhes a gravidade e compreendia a malícia infinita de todos eles. Continuamente Ele tinha diante dos olhos essa montanha de crimes; continuamente pesava no Seu coração a ofensa infinita feita a Deus, ofensa tantas vezes repetida e desejada, de algum modo pela vil criatura humana.

As lágrimas que derramou no presépio foram lágrimas de tristeza à vista de tantas ingratidões. Quando moço, a idéia de todos os sofrimentos e da morte, que o esperavam, jamais o abandonou.

Diz a piedade cristã que, estando Jesus já crescidinho e começando a andar, no vaivém contínuo em torno de São José na sua oficina de operário, tomou dois pedaços de madeira e, dispondo-os em forma de cruz, mostrou-os à santa Virgem. Vendo-os, os olhos da Mãe arrasaram-se de lágrimas e o Coração de Jesus encheu-se de tristeza. Continuar lendo

CONSAGRAÇÃO DO GÊNERO HUMANO À MARIA, MÃE DE TODOS OS HOMENS

maria1A gravidade dos acontecimentos atuais, em particular os que acabam de ocorrer na Espanha, mostram que as almas fiéis devem, cada vez mais, recorrer a Deus pelos grandes mediadores que Ele nos deu por causa de nossa fraqueza.

Estes acontecimentos e sua atrocidade mostram de modo singularmente marcante o que acontece com os homens quando querem absolutamente viver sem Deus, quando querem organizar suas vidas sem Ele, longe Dele, contra Ele. Quando, ao invés de crer em Deus, de esperar em Deus, de amá-lo acima de tudo e de amar ao próximo Nele, queremos crer na humanidade, esperar nela, amá-la de modo exclusivamente terrestre, a humanidade não tarda a se apresentar a nós com suas falhas profundas, com suas feridas abertas: o orgulho da vida, a concupiscência da carne e dos olhos, e todas as brutalidades que a elas se seguem. Quando, ao invés de colocar seu fim último em Deus, que pode ser simultaneamente possuído por todos, como nós todos podemos possuir, sem nos prejudicar, a mesma verdade e a mesma virtude, coloca-se o fim último nos bens terrestres, não se tarda a perceber que estes bens nos dividem profundamente, pois a mesma casa e a mesma terra não podem pertencer simultaneamente e integralmente a vários. Quanto mais a vida se torna material, mais os apetites inferiores se inflamam sem qualquer subordinação a um amor superior, mais os conflitos entre os indivíduos, classes e povos se exasperam; finalmente, a terra se tornará um verdadeiro inferno.

O Senhor mostra assim aos homens o que eles podem sem Ele. Tudo isso constitui um singular comentário das palavras do Salvador: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5); “Quem não é comigo, é contra mim; e quem não junta comigo, desperdiça” (Mt 12, 30); “Buscai pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6, 33); “Se o Senhor não edificar a casa, é em vão que trabalham os que a edificam. Se o Senhor não guardar a cidade, inutilmente vigia a sentinela.” (Mt 126, 1) Continuar lendo

DEUS QUER AÇÕES RETAS, NÃO PALAVRAS

caridO que desejo do homem, como frutos da ação, é que prove suas virtudes na hora oportuna. Talvez ainda te recordes! Quando, há muito tempo, desejavas fazer grandes penitências por minha causa e perguntavas: “Que mortificações eu poderia fazer por ti?”, eu te respondi no pensamento: “Sou aquele que gosta de poucas palavras e de muitas ações”. Então era minha intenção mostrar-te que não me comprazo no homem que apenas me chama por palavras: “Senhor, Senhor, gostaria de fazer algo por ti”, ou naquele que pretende mortificar o corpo com muitas macerações, mas sem destruir a vontade própria. Queria dizer-te que desejo ações varonis e pacientes, bem como as virtudes internas, de que falei acima, as quais são todas elas operativas e produtoras de bons frutos na graça.

Ações baseadas em outros princípios constituem para mim meras palavras, realizações passageiras. Eu, qual ser infinito, quero ações infinitas, amor infinito. Desejo que as mortificações e demais exercícios corporais sejam considerados como meios, não como fins. Se neles repousar o inteiro afeto da pessoa, ser-me-ia dado algo de finito, à semelhança de uma palavra que, ao sair da boca, já não existe, quando é pronunciada sem amor. Só o amor produz e revela a virtude!

Quando uma ação, que chamei com o nome de “palavra”, está embebida de caridade, então me agrada; já não se apresenta sozinha, mas acompanhada de discernimento verdadeiro, isto é, como ato que é meio para se atingir um objetivo superior. Não é exato olhar a penitência ou qualquer ato externo como base e finalidade principal; são obras limitadas, seja porque praticadas durante esta vida passageira, seja porque um dia a pessoa terá que deixa-las por resolução pessoal ou por ordem alheia. Umas vezes a abandonará o homem coagido pela impossibilidade de continuar o que começou, e isto acontece em situações diversas; outras vezes por obediência à ordem do superior. Aliás, neste caso, se as continuar não terá merecimento algum e cometerá até uma falta.
Continuar lendo

A VERDADEIRA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2016

caridade_3Prezados amigos e leitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vocês que têm pleno conhecimento de que as famigeradas Campanhas da Fraternidade da CNBB são de cunho naturalista, comunista e ditadas pelo falso ecumemismo pós conciliar….

Vocês que têm pleno conhecimento de que essas campanhas são motivos de escândalo para sacerdotes e leigos com o mínimo de conhecimento sobre a Doutrina….

Vocês que, nesta quaresma, querem realmente fazer um ato de verdadeira caridade católica, que lutam pelo Reinado Social de Nosso Senhor e têm a Tradição como única solução para a crise instaurada na Igreja, ajude na “VERDADEIRA CAMPANHA DA FRATERNIDADE”…..da FRATERNIDADE SÃO PIO X (FSSPX).

Ajude-nos nessa campanha, pela construção de mais uma Capela e expansão do trabalho da FSSPX pelo Brasil.

Seja um de nossos Benfeitores.

CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS.

Ad. Majorem Dei Gloriam

OS MISTÉRIOS DO ROSÁRIO À LUZ DO PRINCÍPIO DA PLENITUDE DA GRAÇA EM JESUS E EM MARIA

rosarioMISTÉRIOS GOZOSOS 

  1. — A ANUNCIAÇÃO    

“Ave, gratia plena” (Lc 1, 28). Desde o instante de sua concepção imaculada, Maria recebeu a graça com tamanha plenitude inicial, que excedeu a de todos os santos e anjos reunidos, como um único diamante vale mais do que um punhado de outras pedras preciosas; e como um fundador de Ordem é superior a seus filhos pela inspiração especial que recebeu. Esta plenitude de fé, de esperança, de caridade, que, em Maria, pelos seus méritos, não cessou de crescer, lhe foi dada em virtude de sua missão, única no mundo, de mãe de Deus; em virtude de sua maternidade divina, que ultrapassa a ordem da graça e atinge, de um certo modo, a ordem hipostática, constituída pela união pessoal da humanidade de Jesus ao Verbo de Deus. É este mistério da Encarnação aqui anunciado a Maria. Sob a luz de Deus ela diz seu Fiat com uma grande fé, uma grande paz e também com uma grande coragem, pois pressente para seu Filho os sofrimentos anunciados pelos profetas; e serão seus também os sofrimentos de seu Filho. Depois deste Fiat, no momento em que se realiza o mistério da Encarnação, a vinda do Verbo aumenta consideravelmente, em Maria, a plenitude inicial de caridade; assim, a Virgem participa, mais do que ninguém jamais participará, dos efeitos que produz na santa alma do Cristo a plenitude ainda superior, que ela recebe no momento mesmo da Encarnação. O Verbo se encarna para nos salvar, morrendo por nós na cruz; na sua santa alma e na alma de Maria a plenitude de graça produz então dois efeitos aparentemente contraditórios mas intimamente unidos, a mais profunda paz que deverá irradiar-se sobre nós, e um desejo da Cruz que se revelará mais e mais até a hora do Consummatum est.

  1. — A VISITAÇÃO   

Maria saudou Isabel e, como diz São Lucas (1, 41), quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança que ela trazia estremeceu em seu seio e ela ficou cheia do Espírito Santo. Elevando a voz, exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. E donde a mim esta dita, que a mãe do meu Senhor venha ter comigo? Porque, logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino exultou de alegria no meu ventre.” Continuar lendo

DÚVIDAS

duvQueixas-te porque surgem dúvidas que te atormentam. Não te impressiones. O que os jovens chamam dúvidas da fé, geralmente não passa de tentações nem constitui descrença pecaminosa. É verdade que a fidelidade à fé requer de muitos, combate árduo que deve ser levado a bom termo; mas os próprios santos, em geral, não estavam livres deles.

Dificilmente se poderiam encontrar homens cultos que não tenham sofrido as perturbações da dúvida. Ora é um relator de folhetins, a ridicularizar uma ou outra verdade da religião; ora uma revista a atacar um ponto da doutrina cristã, em um artigo “científico”; mais tarde, idéias totalmente errôneas que circulam na sociedade… Que muito, pois, se aparecem hesitações: Quem sabe se é tudo exatamente como nô-lo ensina a fé?

Crer e ter fé! Eis o que o Salvador de nós exige. Durante toda a sua vida, ele queria só uma coisa: “Crêde em mim!” “Quem crer e for batizado, será salvo; mas quem não crer será condenado” (Mc. 16,16). É o que Ele quer também hoje, caros jovens!

Entretanto agora, no “século das luzes”, levanta-se a pergunta, na mente de muitos moços: “Por que tomou Deus a fé e não a ciência como base da religião? Por que diz Ele: salvo será o que crer? Por que não diz: aquele que entender minha doutrina, compreender minhas idéias e penetrar-lhe as profundezas, este será salvo? Ou por que não: bem-aventurados os ilustrados, os inteligentes, os sábios?

Sabes por que? Continuar lendo

COMO A FÉ DESENVOLVE A RAZÃO

rezDeus nos deu os sentidos, a razão e a fé. Pelos sentidos nós entramos em contato com as coisas sensíveis, que lhes são proporcionadas; pela razão atingimos coisas superiores aos sentidos, coisas intelectuais; mas pela fé, Deus nos dá o modo de atingirmos, por um conhecimento mais elevado, as coisas divinas e o próprio Deus.

A razão criada por Deus, para Deus mesmo, só encontrará repouso em Deus, verdade primeira; a razão tem pois uma necessidade inata de Deus e o procuraria naturalmente se o homem não tivesse pecado, assim enfraquecendo-se, inclinando-se na maior parte das vezes, prendendo-se às coisas sensíveis.

A fé que Deus nos deu repara, ao menos em parte, a doença original da razão humana. Restaurando, retificando, fortalecendo a razão, faz com que ela atinja uma ordem de conhecimento que nunca poderia abordar: a ordem do conhecimento sobrenatural, ou das verdades reveladas por Deus.

É a fé que nos faz acreditar nas coisas invisíveis, diz São Paulo. Estas coisas invisíveis são parte daquilo que Deus conhece. Ele se revelou por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os apóstolos e, depois deles, a Igreja, nos transmitem a própria palavra de Deus; e por uma graça que chamamos o dom da fé recebemos esta palavra e nos convencemos de que esta palavra é a verdade.

O homem que não tem fé, só conhece na medida de seus sentimentos e de sua razão; o homem que possui a fé vai mais longe: percebe o insensível, atinge o invisível; em certa medida, entra na participação da ciência e da razão de Deus.
Então faz-se em sua alma uma nova luz, superior a qualquer luz natural; e em virtude de sua superioridade, essa luz se torna reguladora das luzes interiores que são a razão e os sentidos.
Continuar lendo

COMO EDUCAR UMA CRIANÇA DESOBEDIENTE – PARTE 3

des 26ª norma: Seja compreensivo

a) Pense na criança:

– ela é instável, de imensa mobilidade;

– o pequeno desenvolvimento da inteligência não lhe permite maior capacidade de reflexão – e não pesa o que faz;

– a vontade em formação é ainda fraca, e ela é tangida pelos instintos e pelo impulso dos interesses imediatos;

– seus horizontes limitados não lhe permitem ver longe, e ela mais se preocupa com o  presente que com o futuro, mais com o pessoal que com o geral, mais com os prazeres que com a moral;

– as grandes forças que movem os espíritos verdadeiramente adultos deixem-na fria e imóvel, porque ela ainda não sente a beleza do dever, da consciência, da dedicação ou do sacrifício;

b)Saiba ceder:

– erros de criança não podem ser julgados com rigor;

– suas responsabilidades são limitadas à sua capacidade: ela é uma criança;

– se ela errou, pese as causas de seus erros antes de pensar em puni-los;

– lembre-se que um motivo que para nós é fútil ou inexistente, para ela é irresistível.

Ex: Pequeno de 9 anos chega-me apavorado. Saíra de casa para a Missa das 11, a última que então havia na cidade. Juntou-se aos meninos que acompanhavam um camelô de circo, e, quando caiu em si, estava no outro extremo da cidade. Correu para a igreja, mas a Missa terminara. Seria castigado em casa, se contasse singelamente a verdade. E o pior de tudo: o pecado mortal de ter faltado à Missa! Nunca lhe esquecerei a expressão de alívio quando lhe disse que não pecara (perdeu a Missa sem querer) e lhe propus telefonarmos à mamãe que ele almoçaria comigo. Aquela senhora, que mal lançaria um curioso olhar para o homem de pernas de pau, dificilmente compreenderia que ele arrastasse invencivelmente o seu filho por duas horas de caminhada a pé. Não é uma pena essa incompreensão em pessoas tão bem intencionadas? Continuar lendo