DECLARAÇÃO DE D. FELLAY A PROPÓSITO DO RELATÓRIO FINAL DO SÍNODO SOBRE A FAMÍLIA

mgr_fellayFonte: La Porte Latine

O Relatório final da segunda sessão do Sínodo sobre a família, publicado no dia 24 de outubro de 2015, longe de manifestar um consenso entre os padres sinodais, é a expressão de um compromisso entre posições profundamente divergentes. São recordados alguns pontos doutrinais sobre o matrimônio e a família católica, mas o texto apresenta também omissões e ambiguidades lamentáveis, especialmente as lacunas abertas na disciplina em nome de uma misericórdia pastoral relativista. A impressão geral que emerge do documento é a de uma confusão que não deixará de ser explorada em forma contrária ao ensinamento constante da Igreja.

Por isso consideramos necessário reafirmar a verdade recebida de Cristo sobre a função do papa e dos bispos (1) e sobre a família e o matrimônio (2). Fazemo-lo com o mesmo espírito que nos levou a apresentar uma súplica ao Papa Francisco antes da segunda sessão deste Sínodo.

1 – A função do papa e dos bispos[1]

Como filhos da Igreja Católica, cremos que o bispo de Roma, sucessor de São Pedro, é Vigário de Cristo e cabeça de toda a Igreja. Seu poder é uma jurisdição em sentido próprio, por cuja razão tanto os pastores como os fiéis das Igrejas particulares, considerados individualmente ou em conjunto, inclusive quando estão reunidos em concílio, sínodo ou conferências episcopais, estão submetidos a ele por um dever de subordinação hierárquica e de verdadeira obediência.

Deus assim dispôs as coisas para que, ao guardar com o bispo de Roma a unidade da comunhão e da profissão da mesma fé, a Igreja de Cristo fosse um só rebanho sob um só pastor. A Santa Igreja de Deus foi divinamente constituída como uma sociedade hierárquica, na qual a autoridade que governa os fiéis vem de Deus por meio do papa e dos bispos que lhe estão submetidos.[2] Continuar lendo

PEREGRINAÇÃO DA FSSPX À LOURDES 2015 – PROCISSÃO E ROSÁRIO ATÉ A GRUTA

IMPRESSÕES SOBRE O SÍNODO DA FAMÍLIA: O ESPÍRITO CONTRA A LETRA

12088425_10153058478025723_4365017566234380313_nPor Pe. Romano | FratresInUnum.com

As três últimas semanas, para a Igreja Católica, foram vividas com muita intensidade e ansiedade. De fato, era grande a expectativa sobre as conclusões que os Padres Sinodais e, em última instância, o Papa, iriam dar às questões mais problemáticas envolvendo as famílias, em especial aos divorciados em segunda união e à possibilidade dos mesmos poderem ter acesso aos sacramentos, isto é, à confissão e à comunhão. Tal debate, iniciado no Sínodo extraordinário do ano passado com a proposta do cardeal Kasper e de outros purpurados e teólogos, havia suscitado forte apreensão por parte de milhares de fiéis – clérigos e leigos – que se chocaram diante de uma posição frontalmente contrária à doutrina sobre a indissolubilidade do matrimônio, divinamente revelada e confirmada, ao longo dos séculos, pelo magistério da Igreja, a despeito de fortes pressões e perseguições.

Como se encerra o Sínodo? Desde o Concílio Vaticano II, nenhuma assembleia da cúpula da Igreja havia suscitado tanto interesse, sobretudo por parte da mídia. E, a despeito de se afirmar que o centro do debate era a família, e não a questão da comunhão para os divorciados em segunda união, o que se viu foi uma dura batalha, no interior da aula sinodal, sobre esta questão, entre posições bastante divergentes: de um lado, os inovadores; do outro lado, os fiéis à doutrina católica. O segredo, que deveria ser mantido ao longo dos trabalhos, deixou de sê-lo, desde o início, e foi despudoradamente apresentado à mídia. A imagem que se queria passar, evidentemente, era a de uma Igreja mais “humana”, samaritana, misericordiosa, que punha ao centro o homem, na sua situação concreta. Esta imagem é a que o Papa Francisco, desde o início de seu pontificado, tem se esforçado para passar. E não é difícil perceber de que lado está o Papa. Para se entender o que virá depois do Sínodo, não é tanto ao texto das propostas dos Padres Sinodais  ao Papa que devemos nos ater. Francisco sabe o que quer, e irá até o fim em seu projeto revolucionário. Continuar lendo

PEREGRINAÇÃO DA FSSPX À LOURDES 2015 – AS ESTAÇÕES DA CRUZ (VIA SACRA)

CARTA ENCÍCLICA QUAS PRIMAS, SOBRE CRISTO REI

Cristo_ReiAos Veneráveis Irmãos Patriarcas, Primazes, Arcebispos, Bispos e outros Ordinários em paz e comunhão com a Sé Apostólica: sobre Cristo Rei,

PAPA PIO XI

Veneráveis Irmãos, saúde e bênção apostólica.

INTRODUÇÃO

Na primeira Encíclica dirigida, em princípios do nosso Pontificado, aos Bispos do mundo inteiro, indagamos a causa íntima das calamidades que, ante os nossos olhos, avassalam o gênero humano. Ora, lembra-nos haver abertamente declarado duas coisas: uma — que esta aluvião de males sobre o universo provém de terem a maior parte dos homens afastado, assim da vida particular como da vida pública, Jesus Cristo e sua lei sacrossanta; a outra — que inútil era esperar paz duradoura entre os povos, enquanto os indivíduos e as nações recusassem reconhecer e proclamar a Soberania de Nosso Salvador. E por isso, depois de afirmarmos que se deve procurar a paz de Cristo no Reino de Cristo, manifestamos que era intenção nossa trabalhar para este fim, na medida de nossas forças. No Reino de Cristo, dizíamos; porque, para restabelecer e confirmar a paz, outro meio mais eficiente não encontrávamos do que reconhecer a Soberania de Nosso Senhor. Com o correr do tempo, claramente pressentimos o raiar de dias melhores, quando vimos o zelo dos povos em acudir — uns pela primeira vez, outros com renovado ardor — a Cristo e à sua Igreja, única dispensadora da salvação; sinal manifesto de que muitos homens, até o presente, como que desterrados do Reino do Redentor, por desprezarem sua autoridade, preparam, ainda bem, e levam a efeito sua volta à obediência.

Preparação providencial da nova festa. O Ano Santo

Quanto ao que depois sobreveio, quanto aconteceu no decorrer do Ano Santo — digno, na verdade, de eterna memória — porventura não concorreu eficazmente para a honra e glória do Fundador da Igreja, de sua soberania, de sua suprema realeza?pio Continuar lendo

DA LEITURA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

DoisMongesNas Sagradas Escrituras devemos buscar a verdade, e não a eloquência. Todo livro sagrado deve ser lido com o mesmo espírito que o ditou. Nas Escrituras devemos antes buscar nosso proveito que a sutileza da linguagem. Tão grata nos deve ser a leitura dos livros simples e piedosos, como a dos sublimes e profundos. Não te mova a autoridade do escritor, se é ou não de grandes conhecimentos literários; ao contrário, lê com puro amor a verdade. Não procures saber quem o disse; mas considera o que se diz.

Os homens passam, mas a verdade do Senhor permanece eternamente (Sl 116,2). De vários modos nos fala Deus, sem acepção de pessoa. A nossa curiosidade nos embaraça, muitas vezes, na leitura das Escrituras; porque queremos compreender e discutir o que se devia passar singelamente. Se queres tirar proveito, lê com humildade, simplicidade e fé, sem cuidar jamais do renome de letrado. Pergunta de boa vontade e ouve calado as palavras dos santos; nem te desagradem as sentenças dos velhos, porque eles não falam sem razão.

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

PEREGRINAÇÃO NA ARGENTINA – LA REJA/LUJÁN 2015

Realizada no dia 11 de outubro. Fonte: FSSPX Sud America

O SACRIFÍCIO DA SANTA MISSA TEM POR SACERDOTE O PRÓPRIO JESUS CRISTO

jesusDepois de dizer que o Sacrifico da Missa é o mesmo Sacrifício da Cruz, e não uma cópia, era de imaginar que não se poderia encontrar prerrogativa melhor. O que o torna, entretanto, mais sublime é o fato de ter como Sacerdote o próprio Deus feito homem(!).

Três coisas, certamente, são para considerar no santo Sacrifício: o Sacerdote que oferece; a Vítima oferecida; a Majestade divina, a Quem se oferece. Ora, três considerações: o Sacerdote, que oferece, é um Homem-DEUS, JESUS CRISTO: a vítima é a Vida de um DEUS; e não se oferece a outrem senão a DEUS.

Reanimai, portanto, a vossa fé, e reconhecei, no padre que celebra, a Pessoa adorável de Nosso Senhor JESUS CRISTO. É Ele o principal oferente, não só porque instituiu este santo Sacrifício, e lhe dá, por seus méritos, a eficácia, mas porque se digna, em cada Santa Missa e para nosso benefício, mudar o pão e o vinho em seu santíssimo Corpo e preciosíssimo Sangue.

Eis porque a maior excelência da Santa Missa consiste em ter por Sacerdote um DEUS feito Homem. E quando virdes o celebrante no altar, sabei que sua maior dignidade é ser o ministro deste Sacerdote invisível e eterno, que é nosso Redentor. Daí vem que o Sacrifício não deixa de ser agradável a DEUS, ainda que o padre celebrante seja um pecador, visto que o principal oferente é CRISTO Nosso Senhor, e o padre seu simples representante.

Do mesmo modo, aquele que dá esmola pela mão dum servidor, é verdadeiramente o principal autor do benefício, e ainda que o servo fosse um pecador, se o patrão é um justo, a esmola é santa e é meritória. Bendito seja DEUS que nos deu um Sacerdote infinitamente santo, a própria Santidade, o qual oferece ao PAI Eterno este divino Sacrifício, não só em todo lugar, pois hoje a fé está difundida em toda parte, mas também em todo tempo, todos os dias e mesmo a toda hora. Graças a DEUS, o sol se levanta para outras regiões, quando para nós desaparece. A toda hora, portanto, em qualquer parte da Terra, este Santíssimo Sacerdote oferece seu Corpo, seu Sangue, todo o Ser ao PAI, por nós, e o faz tantas vezes quantas Missas se celebram em todo o Universo. Continuar lendo

FRUTOS DA TRADIÇÃO

53 novos seminaristas na fsspx

Fonte: SSPX USA – Tradução: Dominus Est

A Fraternidade São Pio X está admitindo um total de 53 jovens para o primeiro ano de espiritualidade em seus diferentes seminários para o atual ano acadêmico 2015-2016.

No Hemisfério Norte, o Seminário de Santo Cura de Ars, em Flavigny (França), está recebendo 14 novos seminaristas (4 franceses, 4 suíços, 2 Gaboneses, 2 italianos, 1 nigeriano e 1 polonês) e 2 irmãos postulantes (1 francês e 1 canadense), bem como um pré-seminarista.

O Seminário Sagrado Coração, em Zaitzkofen (Alemanha) está recebendo 10 novos seminaristas (2 alemães, 2 tchecos, 1 austríaco, 1 francês, 1 lituano, 1 polonês, 1 russo e 1 sul-africano).

O Seminário St. Thomas Aquinas, em Winona – Minnesota (EUA) está recebendo 12 novos seminaristas e 5 irmãos postulantes (todos americanos), bem como 30 pré-seminaristas que farão os cursos na área de humanas, antes de iniciar seus estudos no seminário especializado.

No Hemisfério Sul, no início do novo ano letivo em março/2015 vimos a chegada, no Seminário de Nossa Senhora Co-Redentora em La Reja (Argentina), de 9 novos seminaristas (5 argentinos, 2 brasileiros, 1 chileno e 1 guatemalteco) e 3 irmãos postulante (1 americano, 1 brasileiro e 1 dominicano), e também de 14 pré-seminaristas.

No Seminário de Santa Cruz, em Goulburn (Austrália), 8 novos seminaristas tinham entrado como alunos do primeiro ano (2 australianos, 2 filipinos, 1 americano, 1 indiano, 1 queniano e 1 Ugandês), bem como 1 irmão postulante e 4 pré -seminaristas.

Isso faz com que para este ano de 2015 tenhamos um total de 53 seminaristas do primeiro ano e 10 entrando como postulantes a tornar-se irmãos. Houve 51 novos seminaristas em 2014, 43 em 2013, 50 em 2012, 57 em 2011 e 48 em 2010.

SOBRE A AREIA…

areiaMas vão ainda mais além os modernos destruidores do matrimônio, ao substituir o sincero e sólido amor, fundamento do íntimo prazer e da fidelidade conjugal, por uma cega conveniência de caracteres e harmonia de gestos, a que chamam simpatia, cessada a qual sustentam que se afrouxa o vínculo único por que se unem as almas e que se dissolve plenamente. Que será isto senão edificar uma casa sobre a areia? Diz Cristo Nosso Senhor que, apenas ela seja assaltada pelas vagas da adversidade, logo vacilará e ruirá: “E sopraram os ventos, e investiram contra essa casa, e ela caiu, e foi grande a sua ruína” (Mt 7, 27). Ao contrário, uma casa que tenha sido construída sobre a rocha, isto é, sobre o mútuo amor entre os cônjuges e firmada numa consciente e constante união das almas, jamais será sacudida ou abatida por nenhuma adversidade.

Contra o Sacramento

Até aqui temos reivindicado, Veneráveis Irmãos, os dois primeiros e excelentes benefícios do matrimônio cristão, que têm sido atacados pelos subversores da sociedade moderna. Mas, assim como este terceiro benefício que é o Sacramento está muito acima dos outros, assim também não é de admirar que principalmente esta excelência seja por esses mesmos adversários muito mais vigorosamente atacada. Ensinam em primeiro lugar que o matrimônio é coisa exclusivamente profana e meramente civil, que de forma alguma deve confiar-se à sociedade religiosa, isto é, à Igreja de Cristo, mas unicamente à sociedade civil; e acrescentam, ademais, que o laço nupcial deve ser liberto de qualquer vínculo de indissolubilidade, não só tolerando-se mas sancionando-se legalmente as separações ou divórcios dos cônjuges, donde se seguirá finalmente que o matrimônio, despojado de toda a santidade, fique no número das coisas profanas e civis. Continuar lendo

PIO XII E OS PROBLEMAS MODERNOS: A MULHER MODERNA

mulher-mod2O caráter da vida da mulher e a iniciação da cultura feminina eram inspirados, conforme a mais antiga tradição, pelo seu instinto natural que lhe atribuía como reino próprio de atividade a família, a não ser no caso de, por amor de Cristo, preferir a virgindade. Retirada da vida pública e à margem das profissões públicas, a jovem, como flor que cresce guardada e reservada, estava destinada por sua vocação a ser esposa e mãe. Junto da mãe aprendia os labores femininos, os cuidados e negócios da casa e tomava parte na vigilância dos irmãos e irmãs menores, desenvolvendo assim as forças, o engenho, e instruindo-se na arte e no governo do lar. […] Hoje, pelo contrário, a antiga figura feminina está em rápida transformação. Podeis ver que a mulher, e, sobretudo a jovem, sai de seu retiro e entra em quase todas as profissões, até aqui exclusivo campo de ação e vida do homem. [1]

Digamos imediatamente que para Nós o problema feminino, tanto em seu complexo, como em cada um de seus múltiplos aspectos particulares, consiste todo na conservação e no incremento da dignidade que a mulher recebeu de Deus. […] Em que consiste, portanto esta dignidade que a mulher tem de Deus?

Em sua dignidade de filhos de Deus, o homem e a mulher são absolutamente iguais, como também a respeito do fim último da vida humana, que é a eterna união com Deus na felicidade do céu. É glória imortal da Igreja ter colocado em luz e em honra esta verdade e haver livrado a mulher de uma degradante servidão contrária à natureza. Mas o homem e a mulher não podem manter e aperfeiçoar esta sua igual dignidade, senão respeitando e colocando em ato as qualidades particulares, que a natureza lhes concedeu a um e a outra, qualidades físicas e espirituais indestrutíveis, das quais não é possível mudar a ordem sem que a própria natureza sempre novamente a restabeleça. […] Ainda mais. Os dois sexos, por sua própria qualidade particular, são ordenados um para o outro de tal modo que esta mútua coordenação exercita seu influxo em todas as múltiplas manifestações da vida humana social. Continuar lendo

DOS PECADOS QUE SE DEVEM EVITAR, SUAS RAÍZES E CONSEQÜÊNCIAS

magdaleneComo ensina São Gregório Magno e, depois dele, Santo Tomás, os pecados capitais de vanglória ou vaidade, preguiça, inveja, ira, gula e luxúria não são os mais graves de todos, pois maiores são os de heresia, apostasia, desesperação e de ódio a Deus; mas são os primeiros a que se inclina nosso coração, levando-nos a nos afastar de Deus e a cometer outras faltas ainda mais graves. O homem não chega à perversão absoluta de uma vez, mas pouco a pouco. Examinemos primeiro, em si mesma, a raiz dos sete pecados capitais. Todos eles se originam no amor desordenado de si mesmo ou egoísmo, que nos impede de amar a Deus sobre todas as coisas e inclina a nos apartarmos dele. É evidente que pecamos, i. e., que nos desviamos de Deus e nos afastamos dele cada vez que tendemos para um bem criado, indo contra a vontade divina.

Isto é a conseqüência fatal de um amor desordenado de nós mesmos, que vem a ser a fonte de todo pecado. Por conseguinte, não só é necessário moderar esse amor desordenado ou egoísmo, mas também é preciso mortificá-lo, para que o amor ordenado ocupe seu lugar. Enquanto o pecador em estado de pecado mortal se ama a si sobre todas as coisas, praticamente antepondo-se a Deus, o justo ama a Deus mais que a si e deve, além disso, amar-se em Deus e por Deus; amar seu corpo de tal maneira que sirva à alma, não lhe obstando a vida superior; amar a alma convidando-a a participar eternamente da vida divina; amar sua inteligência e vontade, de modo que participem mais e mais da luz e do amor de Deus. Este é o sentido profundo da mortificação do egoísmo, do amor e da vontade próprios, opostos à vontade de Deus. Além disso, não deve permitir que a vida descenda, mas, pelo contrário, que ascenda em direção daquele que é fonte de todo o bem e de toda a beatitude.

O amor desordenado de nós mesmos leva à morte, como diz o Senhor: “O que ama (desordenadamente) a sua vida perdê-la-á; e quem aborrece (ou mortifica) a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna” (João 12, 25). Desse desordenado amor, raiz de todos os pecados, nascem as três concupiscências de que fala São João (I João 2, 16) quando diz: “Porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, e concupiscência dos olhos, e soberba da vida; e isto não vem do Pai, mas do mundo”. Continuar lendo

ALOCUÇÃO DE PIO XII SOBRE A MODA

mulher-catolicaDe todo o coração vos damos as boas-vindas paternais, caros filhos e filhas, promotores e associados de “União Latina de Alta Moda”, que desejastes vir à Nossa presença para Nos testemunhar a vossa filial devoção, e ao mesmo tempo, implorar os favores celestiais sobre a vossa União, colocando-a, desde o seu nascimento, sob a proteção d’Aquele para cuja glória deve encaminhar-se toda a atividade humana, mesmo as profanas em aparência, segundo o preceito do Apóstolo dos Gentios:“Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”(I Cor 10, 31). Proponde-vos enfrentar com vistas a desígnios cristãos um problema tão delicado quanto complexo, cujos imprescindíveis reflexos morais foram, em todo tempo, objeto de atenção e de ansiedade para aqueles que, por ofício, na família, na sociedade e na Igreja, esforçam-se para preservar as almas das insídias da corrupção e a comunidade inteira da decadência dos costumes, isto é, o problema da moda, especialmente feminina.

É justo que, aos vossos generosos propósitos, correspondam a gratidão Nossa e da Igreja e os ardentes votos de que a vossa União, nascida e inspirada por uma são consciência religiosa e civil, atinja, mediante a esclarecida autodisciplina dos próprios artífices da moda, o duplo escopo declarado nos vossos estatutos: moralizar este importante setor da vida pública e contribuir para elevar a moda a instrumento e expressão de uma bem entendida civilização.

Ansiosos por encorajar tão louvável empreendimento, consentimos de bom gosto no pedido a Nós feito de vos expor algumas das ideias, especialmente sobre a reta formulação do problema e sobre os seus aspectos morais, fazendo-vos, outrossim, algumas sugestões práticas, aptas a assegurar à União uma bem aceita autoridade num campo frequentemente tão discutido. Continuar lendo

CONTRA A FIDELIDADE DOS CÔNJUGES

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E agora, para tratarmos de outra fonte de erros que dizem respeito à fé conjugal, qualquer pecado que se comete em prejuízo da prole é conseqüentemente também, de alguma forma, pecado contra a fé conjugal, visto que os benefícios do matrimônio são conexos entre si. Mas, além disso, devem enumerar-se separadamente tantas fontes de erro e corrupção contra a fé conjugal quantas são as virtudes domésticas que esta fé compreende: a casta fidelidade de um e de outro cônjuge, a honesta sujeição da mulher ao marido, e finalmente o firme a sincero amor entre os dois.

Liberdades perversas

Primeiro que tudo, corrompem a fidelidade os que entendem dever-se ter indulgência com as idéias e os costumes do nosso tempo acerca da falsa e prejudicial amizade com terceiras pessoas e sustentam dever-se consentir aos cônjuges maior liberdade de pensar ou de atuar no que respeita a essas relações, tanto mais que (como dizem) não poucos têm uma constituição sexual congênita tal, que a não podem satisfazer dentro dos estreitos limites do matrimônio monogâmico. Donde entendem que aquela rígida disposição de espírito por que os cônjuges honestos condenam e recusam qualquer afeto e ato impuro com terceira pessoa é uma antiga mesquinhez da inteligência e do coração ou um abjeto e vil ciúme, e por isso têm na conta de nulas ou, pelo menos, acham que devem ser anuladas as leis penais do Estado acerca da obrigação da fidelidade conjugal. Continuar lendo

O CAMINHO DA VERDADE

santaTu me pedes sofrimentos como reparação das ofensas cometidas contra mim pelos homens; desejas conhecer-me e amar-me como suma Verdade. O caminho para atingir o conhecimento verdadeiro e a experiência do meu ser – Vida eterna que sou – é este: nunca abandones o autoconhecimento! Ao desceres para o vale da humildade, reconhecer-me-ás em ti, e de tal conhecimento receberás tudo aquilo de que necessitas. Nenhuma virtude tem valor sem a caridade, no entanto é a humildade que forma e nutre a caridade. Conhecendo-te, tu te humilharás ao perceber que, por ti mesma, nada és. Verás que o teu ser procede de mim, que vos amei, a ti e aos outros, antes de virdes à existência. Além disso, quando quis recriar-vos na graça com inefável amor, eu vos lavei e vos concedi uma vida nova no sangue de meu Filho unigênito; naquele sangue derramado num grande incêndio de amor. Para quem destrói em si o egoísmo, é no autoconhecimento que tal sangue manifesta a Verdade. Não existe outro meio. Por meio dele, o homem em inexprimível amor conhece-me e sofre. Não com um sofrimento angustiante, aflitivo e árido, mas com uma dor que alimenta interiormente. Ao conhecer a Verdade, a alma sofrerá terrivelmente, pois toma consciência dos próprios pecados e vê a cega ingratidão humana. Nenhuma dor sofreria, se não amasse 4.

O Diálogo – Santa Catarina de Sena

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4 – Este parágrafo resume a doutrina catariniana da cela interior, isto é, do autoconhecimento em Deus

PE. GARRIGOU-LAGRANGE: MISERICÓRDIA PARA O PECADOR OU PARA O PECADO?

garrigouFonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Propomos a leitura de um texto do Pe. Garrigou Lagrange, que foi um dos maiores católicos tomistas contemporâneos, retirado de seu tratado de espiritualidade As três idades da vida interior (T I – cap. VIII). É de uma realidade singular e recorda que a verdadeira caridade deve levar a sermos misericordiosos com o pecador, mas não com o pecado.

“Existe uma falsa caridade, uma espécie de indulgência culpável e de debilidade, como a doçura daqueles que não ofendem ninguém, porque tem medo de todos. Há também uma suposta caridade, espécie de sentimentalismo humanitário que busca admitir a verdade e que, muitas vezes, por seu contato, a contamina.

Um dos principais conflitos desse momento é aquele que surge entre a verdadeira e a falsa caridade. Esta última nos faz pensar nos falsos cristos de que fala o Evangelho; eles são mais perigosos antes de serem desmascarados do que quando se fazem conhecer como verdadeiros inimigos da Igreja. Continuar lendo

POR QUE É TÃO IMPORTANTE E ATÉ NECESSÁRIA A CONTRIÇÃO PERFEITA? – PARTE 2

arrependimentoII — É importante na morte

Sobretudo em perigo de morte repentina.

Houve um grande incêndio numa cidade, e neste pereceram centenas de pessoas. Entre muitas que gemiam no pátio de uma casa, via-se um menino de doze anos que, de joelhos, pedia em voz alta a graça da contrição; explicou depois porque o fazia e suplicou que orassem com ele em voz alta.

Talvez que, por seu intermédio, muitos daqueles infelizes se salvassem para sempre.
Perigos como este sem conta te cercam e, quando menos o penses, podes ser vítima de uma desgraça repentina: podes, por exemplo, cair de uma árvore; podes ser atropelado por um carro na rua; podes ser surpreendido de noite, pelo fogo, na tua habitação; podes colocar mal o pé em uma escada; pode ser que, enquanto trabalhas, te falte repentinamente os sentidos e caias… levam-te moribundo à casa, vão a correr chamar o sacerdote; este, porém, tarda em chegar, e urge tanto!… Que fazer? Excita-te em seguida à contrição perfeita, arrepende-te por amor e gratidão para com Deus, e Jesus Cristo paciente salvar-te-á por toda a eternidade; a contrição perfeita terá sido para ti a chave do Céu no último momento e no último e supremo transe para a alma e para o corpo.

Com isto, não desejo que alguém se aventure a deixar tudo para o último momento, à mercê de um ato de contrição perfeita, julgando ficar já por isso livre de pecado, pois é muito duvidoso que a contrição perfeita possa servir aos que têm pecado à sua sombra.

O que deixo dito vale, antes de tudo e sobretudo, para os que têm boa vontade.
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SÍNODO: VÍDEO INSPIRADOR DA PROCISSÃO REALIZADA PELA FSSPX NOS EUA

Publicamos abaixo um vídeo inspirador, da SSPX-USA com  Tradução nossa: Dominus Est, da procissão realizada pela Capela da Assunção (FSSPX), na cidade de St. Mary, Kansas (EUA) no domingo passado, 4 de outubro.

As intenções dos rosários da procissão foram para o Sínodo, para que se defenda a santidade do matrimônio e da família.

O DIVÓRCIO

divorcioOs legisladores contemporâneos, que se declaram partidários convictos dos mesmos princípios do direito, não podem defender-se contra as vontades pervertidas dos homens de que falamos, por mais que sinceramente o quisessem, e por isso concluem que é necessário contemporizar com a época e outorgar a faculdade do divórcio. É isto mesmo o que, por outro lado, também nos ensina a história. Passando em silêncio muitos outros fatos, basta recordar que nos fins do século passado se pretendeu legitimar por meio de leis a separação dos cônjuges, quando a França, envolvida em grandes perturbações, estava em estado de conflagração, quando a sociedade toda, tendo banido a Deus, se precipitara no seio da desordem. Muitos há neste tempo que desejam renovar estas leis, porque querem expulsar a Deus, e arrancar a Igreja do meio da sociedade humana, julgando estultamente que é em leis de tal natureza que deve procurar-se o remédio para a corrupção crescente dos costumes. Continuar lendo

POR QUE É TÃO IMPORTANTE E ATÉ NECESSÁRIA A CONTRIÇÃO PERFEITA? – PARTE 1

ARREP1É importante na vida e na morte.

I — É importante na vida

Porque: que precioso não é o estado de graça!

A graça não adorna somente a alma, mas invade-a e penetra-a toda, e transforma-a em uma nova criatura, em filha de Deus e herdeira do céu. Além disso, faz com que todas as obras e trabalhos do cristão sejam meritórios para o Céu; a graça é a varinha mágica que tudo converte em ouro, porém em ouro de méritos celestiais.

Pelo contrário, que triste é o estado do cristão que jaz em pecado! Todos os seus trabalhos, todas as suas orações, todas as suas boas obras ficam inúteis e sem mérito para o Céu; é inimigo de Deus e, no momento em que o tênue fio da vida se parta, cairá precipitado no inferno. Não será, pois, importante e necessário o estado de graça para o cristão?

Pois, se o perdeste, podes recuperá-lo, principalmente de duas maneiras:

1º Pela Confissão.
2º Pela contrição perfeita.

A Confissão é o meio adequado e ordinário para alcançar a graça santificante. Como este meio, porém, nem sempre está ao nosso alcance, Deus deu-nos outro extraordinário, que é a contrição perfeita.
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ESTÍMULOS NECESSÁRIOS

estiEmbora seja impossível formar-se a consciência sem aplicar punições, quando oportunas, convém não esquecer que o educando é um ser fraco, que precisa ser incentivado e sustentado em seus esforços. Ele o será por meio de recompensas adequadas, como os castigos, à sua idade e ao seu temperamento, mas orientadas por uma espiritualização mais elevada. A mais humilde recompensa diriger-se-á ao corpo e à sensibilidade; a mais elevada, aos sentimentos e às aspirações superiores. Na idade em que a criança vive apenas pelas sensações, ela se confundirá com um prazer corporal. Mais tarde, poré, é à sua inteligência e às suas faculdades morais que será conveniente fazer apelo.

Não é contra-indicada a multiplicação dos estímulos. Todavia, é preciso velkar para não incentivar no filho o hábito de esperar sempre algum proveito de seus esforços pessoais. É o que aconteceria se os pais cometessem a falta de tato de “pagar” sempre com alguma compensação a boa vontade do filho. Este viria a agir apenas visando vantagens e jamais atingiria o verdadeiro desinteresse moral. Permaneceria sempre no grau inferior da moral utilitária.

Outro perigo seria desenvolver o amor-próprio e o orgulho, ao multiplicar os elogios. Incensada demais, a criança acabaria julgando-se de uma essência superior e desprezando os que não obtêm êxitos tão facilmente quanto ela. Continuar lendo

APELO DE MÉDICA ROMENA AO PAPA E BISPOS NO SÍNODO

Anca_Cernea1Fonte: LifeSiteNews – Tradução: Dominus Est

Dra. Anca-Maria Cernea, médica do Centro de Diagnóstico e Tratamento-Victor Babes e Presidente da Associação dos Médicos Católicos de Bucareste (Romênia) fez a seguinte apresentação ao Papa Francisco e aos bispos sinodais na sexta-feira:

“Sua Santidade, Padres Sinodais, irmãos e irmãs, eu represento a Associação dos Médicos Católicos de Bucareste.

Eu pertenço à Igreja Catolica Greco-Romena.

Meu pai era um líder político cristão, e foi preso pelos comunistas por 17 anos. Meus pais estavam prestes a se casar, mas seu casamento aconteceu 17 anos depois.

Minha mãe esperou todos esses anos pelo meu pai, embora ela nem sabia se ele ainda estava vivo. Eles foram heroicamente fieis a Deus e a seu compromisso.

O exemplo deles mostra que a graça de Deus pode superar as terríveis circunstâncias sociais e pobreza material.

Nós, como médicos católicos, defendendo a vida e a família, podemos ver que isso, antes de tudo, é uma batalha espiritual.

A pobreza material e o consumismo não são a causa principal da crise da família.

A principal causa da revolução sexual e cultural é ideológica. Continuar lendo

FOTOS RECENTES DA CONSTRUÇÃO DO NOVO SEMINÁRIO DA FSSPX EM BUCKINGHAM – EUA

Fonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Est

A cerimônia oficial de lançamento da primeira pedra do novo Seminário da Fraternidade São Pio X nos EUA ocorreu no sábado, 20 de abril de 2013.

Naquele dia, D. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, presidiu duas cerimônias solenes: o batismo dos sinos da capela do prédio do seminário e a bênção da primeira pedra.

Os seminaristas de Winona – estado de Minesota – estiveram presentes e serviram a Missa na manhã da cerimônia. Dom Fellay também deu uma palestra sobre o Jubileu de Prata das consagrações episcopais de 1988.

Para continuar a sua missão de formar sacerdotes católicos, de acordo com a tradição intemporal da Igreja, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X elaborou o projeto de construir um seminário novo e maior que o atual de Winona, no pitoresco estado da Virginia.

Oferecemos a seguir uma série de fotos do progresso do trabalho já realizados nesse início do outono de 2015.