PORQUE OS CATÓLICOS ESTÃO PERPLEXOS?

lefebvre2Que os católicos deste final do século XX estejam perplexos, quem o negará? Que o fenômeno seja relativamente recente, correspondendo aos vinte últimos anos da História da Igreja, basta observar o que sucede para estar persuadido disto. Há pouco tempo, o caminho estava inteiramente traçado; ou se seguia ou não. Tinha-se a fé, ou então se tinha perdido, ou ainda jamais se tivera. Mas quem a possuía, quem havia entrado na santa Igreja pelo batismo, renovado suas promessas pela idade de onze anos, recebido o Espírito Santo no dia de sua confirmação, este sabia o que devia crer e o que devia fazer.
Hoje, muitos não mais o sabem. Ouvem-se nas igrejas tantos ditos estarrecedores, lêem-se tantas declarações contrárias ao que tinha sido sempre ensinado, que a dúvida se insinuou nos espíritos.
 
No dia 30 de junho de 1968, encerrando o Ano da Fé, S.S. Paulo VI fazia, diante de todos os bispos presentes em Roma e de centenas de milhares de fiéis uma profissão de fé católica. Em seu preâmbulo, ele prevenia cada um deles contra os danos causados à doutrina pois, dizia, “seria engendrar, como infelizmente se vê hoje, a perturbação e a perplexidade de muitas almas fiéis”.
 
A mesma palavra se encontra numa alocução de S.S. João Paulo II a 6 de fevereiro de 1981: “Os cristãos de hoje em grande parte, se sentem perdidos, confusos, perplexos e mesmo decepcionados.” O Santo Padre resumia as causas deste fato da seguinte maneira:
 
“De todos os lados espalharam-se idéias que contradizem a verdade que foi revelada e sempre ensinada. Verdadeiras heresias foram divulgadas nos domínios do dogma e da moral, suscitando dúvidas, confusão, rebelião. A própria liturgia foi violada. Mergulhados num ”relativismo” intelectual e moral, os cristãos são tentados por um iluminismo vagamente moralista por um cristianismo sociológico, sem dogma definido e sem moralidade objetiva.” Esta perplexidade se manifesta a todo o instante nas conversas, nos escritos, nos jornais, nas emissões radiofônicas ou televisionadas, no comportamento dos católicos, traduzindo-se este último numa diminuição considerável da prática como o testemunham as estatísticas, uma desafeição relativamente à missa e aos sacramentos, um relaxamento geral dos costumes.

Continuar lendo

“O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE…”

pater553 — Muitas vezes, a grandeza da ciência e da sabedoria tornam o homem tímido, e então é preciso ter força no coração, para que o homem não desanime diante das necessidades.

O Senhor, diz Isaías (40, 29), dá força aos cansados e vigor aos que são fracos. E Ezequiel (2, 2) também diz: Entrou em,mim o Espírito, e me firmou sobre os meus pés.

O Espírito Santo, de um lado, dá força para impedir que o homem desfaleça com o medo de não ter o necessário, e por outro lado, para que o homem creia firmemente que Deus o proverá de tudo que precisar.

Assim o Espírito Santo, dispensador desta força, nos ensina a dizer: O pão nosso de cada dia nos dai hoje. E o chamamos Espírito de força.

54 — É preciso saber, que nos três pedidos precedentes do «Pai Nosso», pedimos bens espirituais, cuja possessão começa neste mundo, mas só será perfeita na vida eterna.

Com efeito, quando pedimos a santificação do nome de Deus, pedimos que reconheçamos Sua santidade; pedindo a vinda de Seu reino, pedimos alcançar a vida eterna; pedir para que a vontade de Deus seja feita é pedir que Deus cumpra Sua vontade em nós. Todos esses bens, parcialmente realizados neste mundo, só o serão perfeitamente, na vida eterna.

Também é necessário pedir a Deus alguns bens indispensáveis, cuja possessão perfeita é possível na vida presente. Por isso, o Espírito Santo nos ensina a pedir estes bens, necessários à vida presente e perfeitamente possuídos aqui em baixo.
Continuar lendo

QUE NOBRE REPRESENTAÇÃO!

amor_de_maePara cuidar da criança, toma a Providência de Deus os olhos e ouvidos da mãe. A esta cabe vigiar, porque o pai tem sua lida fora de casa. Passa grande parte do dia longe dos filhos.

Só com muito amor aos filhos é, porém, que uma mãe saberá vigiá-los. Pois a vigilância é a atenção perseverante às dores, aos cuidados, aos perigos e às precições de outros. Para bem ver tudo isso é preciso esquecer a si próprio. É por isso o egoísmo o principal obstáculo à vigilância.

Pensamos nos outros somente na medida em que os amamos.

Ora, os olhos da Providência caem amorosamente sobre os nossos passos. Seus ouvidos escutam e medem o ritmo de nosso coração. A ave que canta sobre o telhado, a flor escondida no campo são vistas e guardadas por Deus. Dos homens está escrito que o Senhor lhes traz os nomes gravados na palma de Suas mãos. E quanto mais vê e conhece o Altíssimo as crianças, suas prediletas!
Continuar lendo

O MAGNUM MYSTERIUM

“O magnum mysterium (Oh, grande mistério)
Et admirabile sacramentum (E admirável sacramento)
Ut animalia viderunt Dominum natum (Pois os animais viram o Senhor nascido)
Jacentem in præsepio (Reclinado no presépio)

O Beata Virgo (Oh, bem-aventurada Virgem)
Cujus viscera meruerunt (Cujas entranhas mereceram)
Portare Dominum Jesum Christumb (Carregar nosso Senhor Jesus Cristo)
Alleluia (Aleluia)”.

“…SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU…”

pater443. — O Espírito Santo produz em vós um terceiro dom, chamado dom de Ciência.

 O Espírito Santo não produz nos bons somente o dom do Temor e o dom da Piedade que, como vimos atrás (n° 34), é um amor delicado por Deus. O Espírito Santo torna o homem sábio.

Davi pedia o dom da ciência no Salmo 118, 66, dizendo: Ensinai-me a bondade, a doutrina e a ciência. E é esta ciência do bem viver, que nos ensina o Espírito Santo.

Entre as disposições que contribuem para a ciência e a sabedoria do homem, a mais importante é aquela que faz com que o homem não se apóie em si mesmo. Não te estribes em tua prudência, recomenda o livro dos Provérbios (3, 5). Com efeito, os que confiam em seu próprio julgamento, a ponto de não se fiarem senão em si mesmos e não nos outros, são considerados como insensatos, e verdadeiramente o são. Declara o livro dos Provérbios (26, 12): Mais se deve esperar de um ignorante do que de um homem que é sábio a seus próprios olhos. 

Um homem não confia em seu próprio julgamento se é humilde, pois, ensinam os Provérbios (11, 2): onde há humildade, aí há igualmente sabedoria. Os orgulhosos ao contrário, põem em si toda confiança.

  1. — Assim sendo, o Espírito Santo nos ensina, pelo dom de Ciência, a não fazer a nossa vontade, mas a vontade de Deus. E também quando pedimos a Deus, que Sua vontade se faça no céu, como na terra, manifesta-se O dom de Ciência.

Quando dizemos a Deus: Seja feita a vossa vontade, é como se fôssemos doentes que aceitam o remédio amargo, prescrito pelo médico. O doente não quer tal remédio, mas aceita a vontade do médico, do contrário, seguindo só sua vontade, seria um insensato. Da mesma maneira, não devemos pedir a Deus nada além do Seu querer, isto é, a realização de Sua vontade em nós.  Continuar lendo

ALMA REDEMPTORIS MATER

Alma Redemptoris mater
Quae pervia caeli porta manes
Et Stella Maria
Succurre cadenti
Surgere qui curat populo
Tu quae genuisti
Natura mirante
Tuum sanctum Genitorem
Virgo prius, ac posterius
Gabrielis ab ore
Sumens illud Ave
Peccatorum miserere.

Santa Mãe do Redentor.
Porta do céu sempre aberta.
Estrela do mar.
Ajuda teu povo caído, que quer levantar- se.
Vós que destes à luz, ante a natureza maravilhada,
Aquele que vos criou.
E permanecestes sempre Virgem,
antes e depois daquela saudação da boca de Gabriel.
Tende piedade de nós, pecadores.

“…VENHA A NÓS O VOSSO REINO…”

pater334. — Como foi dito, o Espírito Santo nos faz amar, desejar e pedir retamente o que nos convém amar, desejar e pedir (no. 3). Este Espírito produz em nós, primeiro, o temor que nos leva a procurar a santificação do nome de Deus, para, em seguida, nos dar o dom da piedade. A piedade é, propriamente, uma afeição terna e devotada por um pai e também por um homem caído na miséria.

Como Deus é nosso Pai, devemos não somente venerá-lo e temê-lo, mas também alimentarmos uma terna e delicada afeição por Ele. É esta afeição que nos faz pedir a vinda do reino de Deus. São Paulo declara em Tito, 2, 11-13: A graça de Deus apareceu a todos os homens, ensinando-nos que vivamos neste mundo sóbria, justa e piamente, aguardando a esperança bem-aventurada e a vinda gloriosa de nosso grande Deus.

  1. — Mas podemos perguntar: Se o reino de Deus sempre existiu, porque pedimos a sua vinda?

Devemos responder a esta pergunta de três maneiras:

  1. a) Primeiro: o reino de Deus, em sua forma acabada, supõe a perfeita submissão de todas as coisas a Deus. Um rei não será rei, efetivamente, antes de que todos os seus súditos lhe obedeçam.

Sem dúvida, Deus pelo que é e por sua natureza, é o Senhor do universo; e o Cristo, sendo Deus e sendo homem, tem, como Deus, o senhorio sobre todas as coisas. Diz Daniel (7, 14): No mais antigo dos dias foi lhe dado o poder, a honra e a realeza. É preciso que tudo lhe seja submetido. Mas isto ainda não é assim e se realizará no fim do mundo. Está escrito (1 Cor 15, 25): É necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés. Eis porque pedimos: venha a nós o vosso reino.
Continuar lendo

PURGATÓRIO – SEGUNDO SÃO JOÃO BOSCO

purgOntem à noite, meus caros filhos, havia-me deitado e, não conseguindo adormecer logo, estava pensando na natureza e no modo de existir da alma; como ela era feita; de que modo poderia encontrar-se e falar na outra vida, estando separada do corpo; como faria para trasladar-se de um lugar a outro; como nos poderemos conhecer uns aos outros depois de mortos, não sendo senão puros espíritos. E quanto mais pensava nessas coisas, mais obscuro me parecia tal mistério.

Enquanto divagava por essas idéias e outras semelhantes, adormeci, e me pareceu que estava na estrada que conduz a … (e nomeou a cidade) e que caminhava naquela direção. Andei durante algum tempo, atravessei lugares para mim desconhecidos, até que, em certo momento, ouvi que alguém chamava pelo nome. Era a voz de uma pessoa parada na estrada.

– Vem comigo – disse – e poderás ver logo o que desejas!

Obedeci imediatamente. Mas a tal pessoa andava com a rapidez do pensamento, e eu no mesmo passo que meu guia. Andávamos de maneira tal que nossos pés nem tocavam o solo. Chegados por fim a uma certa região que eu desconhecia, o guia parou. Erguia-se sobre uma preeminência do terreno um magnífico palácio de construção admirável. Não sabia onde estava, nem sobre que montanha; nem me recordo mais se estava realmente sobre uma montanha ou se estava no ar, sobre nuvens. Era inacessível e não se via caminho algum para poder chegar até ele. Suas portas eram de considerável altura.

– Sobe a esse palácio – me disse o guia. Continuar lendo

MAGNIFICAT

Magnificat anima mea Dominum
Et exultavit spiritus meus in Deo salutari meo.
Quia respexit humilitatem ancillæ suæ: ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes.
Quia fecit mihi magna qui potens est, et sanctum nomen eius.
Et misericordia eius a progenie in progenies timentibus eum.
Fecit potentiam in brachio suo, dispersit superbos mente cordis sui.
Deposuit potentes de sede et exaltavit humiles.
Esurientes implevit bonis et divites dimisit inanes,
Suscepit Israel puerum suum recordatus misericordiæ suæ,
Sicut locutus est ad patres nostros, Abraham et semini eius in sæcula.
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto
Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum.
Amen

A minh’alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegrou em Deus meu Salvador
Pois Ele me contemplou na humildade da sua serva
Pois desde agora e para sempre me considerarão bem-aventurada
Pois o Poderoso me fez grandes coisas
Santo é Seu nome!
A Sua misericórdia se estende a toda a geração daqueles que o temem
Com o Seu braço agiu mui valorosamente
Dispersou os que no coração tem pensamentos soberbos
Derrubou dos seus tronos os poderosos
Exaltou os humildes, encheu de bens os famintos
despediu vazios os ricos
Amparou a Israel Seu servo para lembrar-se da Sua misericórdia
A favor de Abraão e sua descendência
Como havia falado a nossos pais.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre. Amém

“…SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME…”

santif27. — Este é o primeiro pedido, no qual pedimos que o nome de Deus seja manifestado em nós e por nós proclamado.

Ora, o nome de Deus é antes de tudo, admirável, porque em todas as criaturas opera obras maravilhosas. O Senhor declara no Evangelho (Mc 16,17): Em meu nome, expulsarão os demônios, falarão novas línguas, e se beberem algum veneno mortal, este não lhes fará mal algum.

  1. — Em segundo lugar, o nome de Deus é amável. «Não existe debaixo do céu, diz São Pedro (At 4, 12) nenhum outro nome, entre os que foram dados aos homens, que possa salvar-nos». E a salvação deve ser buscada por todos. Santo Inácio dá-nos o exemplo do quanto devemos amar o nome de Cristo. Quando o imperador Trajano exigiu que ele negasse o nome de Cristo, Santo Inácio respondeu: «Não podereis arrancá-lo de minha boca». O tirano ameaçou cortar-lhe a cabeça e assim tirar o nome de Cristo de seus lábios; replicou o bem-aventurado: «Não o arrancarás jamais de meu coração, pois é lá que está gravado, por isto não posso deixar de invocá-lo». Ouvindo estas palavras, Trajano, desejoso de verificar-lhes a exatidão, mandou cortar a cabeça do servidor de Deus e extrair-lhe o coração. E no coração encontrou gravado, com letras de ouro o nome de Cristo. O santo possuía este nome como um selo em seu coracão.
  1. — Em terceiro lugar, o nome de Deus é venerável. O Apóstolo afirma (Fp 2, 10): Que ao nome de Jesus se dobrem todo joelho no céu, na terra e nos infernos; no céu, no mundo dos anjos e bem-aventurados; na terra, tanto os homens, que querem a glória celeste, como os que, por temerem o castigo, buscam evitá-lo; nos infernos, no mundo dos danados, que estes se prostrem com temor diante de Jesus Cristo.
  1. — Em quarto lugar, o nome de Deus é inexprimível, no sentido de que nenhuma língua é capaz de exprimir toda a sua riqueza.

Continuar lendo

INFERNO – SEGUNDO SÃO JOÃO BOSCO

infNa noite de domingo, 3 de maio de 1869, festa do Patrocínio de São José, Dom Bosco retornou a narração do que tinha visto nos seus sonhos.

– Devo – principiou – contar-vos outro sonho, que se pode considerar conseqüência dos que vos narrei na 5ª e na 6ª feira à noite, os quais me deixaram tão cansado, que dificilmente me podia manter em pé. Chamai-lhes sonhos ou dai-lhes outro nome…; chamai-lhes como quiserdes.

– Por que não falas?

Voltei-me para o lugar de onde procedia a voz e vi junto ao meu leito um personagem distinto. Tendo compreendido o motivo da censura, perguntei-lhe:

– E que deverei dizer a nossos jovens?

– O que viste e te foi dito nos últimos sonhos, e também o que desejavas conhecer, e que te será revelado na próxima noite.

E desapareceu.

No dia seguinte inteiro, estive pensando na péssima noite que haveria de passar; e chegada a hora, não me decidia a ir dormir. Fiquei lendo, sentado à mesa, até meia noite. Enchia-me de terror a idéia de ter que presenciar ainda outros espetáculos terríveis. Fiz, afinal, violência sobre mim mesmo e fui deitar-me.

Para não dormir tão rapidamente, com temor de que a imaginação me levasse aos costumeiros sonhos, apoiei o travesseiro na parede, de modo a ficar quase sentado no leito. Mas, como estava moído de cansaço, sem que me desse conta o sono logo se apoderou de mim. E eis que de repente vejo no quarto, junto a minha cama, o homem da noite anterior, o qual me diz: Continuar lendo

CANTATE DOMINO

Cantate Domino cantimum novum: cantate Domino, omnis terra. Cantate Domino et benedicite nomini ejus: annuntiate de die in diem salutare ejus. Annuntiate inter gentes gloriam ejus, in omnibus populis mirabilia ejus. Quoniam magnus Dominus, et laudabilis nimis: terribilis est super omnes deos. Cantate Domino canticum novum: cantate Domino, omnis terra.

Cantai ao Senhor um cântico novo. Cantai ao Senhor, terra inteira. Cantai ao Senhor e bendizei o seu nome, anunciai cada dia a salvação que ele nos trouxe. Proclamai às nações a sua glória, a todos os povos as suas maravilhas.Porque o Senhor é grande e digno de todo o louvor, o único temível de todos os deuses.Cantai ao Senhor, terra inteira.

 

“…QUE ESTAIS NO CÉU…”

01_not10117 — Entre as disposições necessárias àquele que reza, a confiança tem uma importância considerável. Quem pede alguma coisa a Deus, diz São Tiago, (1,6) faça-o com confiança e sem hesitação.

O Senhor, no princípio da Oração que nos ensinou, expõe os motivos que fazem nascer a confiança.

Primeiro, a complacência do Pai: Pai Nosso. Depois, diz o Senhor (Lc 11, 13): Vós que sais maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos; quanto mais dará vosso Pai celeste, do alto dos céus, àqueles que lhe pedem, seu bom Espírito. 

Um outro motivo de confiança é a grandeza e o poder do Pai, o que nos faz dizer ao Senhor não apenas Pai nosso, mas Pai nosso que estais no céu. O Salmista também diz: (Sl 122, 1) Elevei meus olhos para vós que habitais nos céus. 

  1. — O Senhor usou a expressão que estais no céu por três razões diferentes.

Em primeiro lugar, esta expressão tem por objeto preparar a oração, como nos recomenda o Eclesiástico (18, 23): Antes da oração, preparai vossas almas. Seguramente, o pensamento de que nosso Pai está nos céus, isto é, na glória celeste, nos prepara para lhe dirigirmos nossas súplicas. 

Na promessa do Senhor a seus Apóstolos (Mt 5, 12): vossa recompensa será grande nos céus, a expressão «nos céus» tem igualmente o sentido de «na glória celeste». 

A preparação da oração se realiza pela imitação das realidades celestes, pois o filho deve imitar seu pai. Assim, São Paulo escreve aos Coríntios (I, 15,49): Como revestimos a imagem do homem terrestre, é preciso também revestirmos a imagem do homem celeste.  Continuar lendo

O CÉU – SEGUNDO SÃO JOÃO BOSCO

alg292891A noite de 22 de dezembro [de 1876] ficou memorável no Oratório. Foi um pouco antecipada a hora da oração. Reuniram-se no locutório os estudantes, os artesãos e todas as pessoas da casa. Dom Bosco tinha prometido falar no domingo anterior, mas não pudera fazê-lo. Imagine-se a expectativa geral! Subiu à cátedra, saudado por palmas entusiásticas, como acontecia sempre que dava daquele modo a “boa noite” à comunidade inteira. Fez sinal de que ia falar e imediatamente fez-se completo silêncio.

Na noite em que estive em Lanzo, chegada a hora de repousar, aconteceu-me que tive o seguinte sonho. É um sonho que não tem nenhuma relação com outros sonhos…

São coisas muito estranhas. Mas para meus filhos não tenho segredos; abro-lhes inteiramente o coração. Pensai o que quiserdes desse sonho. Como diz São Paulo, quod bonum est tenete [conservai o que é bom], se alguma coisa encontrais nele que seja de proveito para vossa alma, sabei aproveitar-vos dela. Quem não quiser crer, que não me creia, pouco importa; mas ninguém jamais zombe das coisas que vou dizer.

Peço-vos, ainda, que não o conteis nem o comuniqueis por escrito aos que não são da casa. Aos sonhos pode-se dar importância que sonhos merecem, e os que não conhecem nossa intimidade poderiam formar juízos errôneos, vendo as coisas de modo diferente do que são na realidade. Não sabem eles que sois meus filhos, e que sempre vos digo tudo o que sei, e às vezes até mesmo o que não sei (risos gerais). Mas o que um pai manifesta a seus filhos queridos para o bem deles, deve ficar entre o pai e os filhos, e não passar adiante. E ainda por outro motivo: é que em geral, quando se contam essas coisas fora, ou se desfiguram os fatos ou se conta apenas uma parte deles, e esta mesma mal entendida; de onde nasce dano, pois o mundo desprezaria o que não deve ser desprezado.

Deveis saber que ordinariamente os sonhos se têm dormindo. Ora, na noite de 6 de dezembro, enquanto eu estava no meu quarto, não recordo bem se lendo, ou se dando voltas pelo aposento, ou se me havia já deitado,comecei a sonhar. Continuar lendo

QUI HABITAT

Psalmus 90, 1-8 (Vulgate)

1 Qui habitat in adjutorio Altissimi, in protectione Dei cæli commorabitur. 2 Dicet Domino: Susceptor meus es tu et refugium meum; Deus meus, sperabo in eum. 3 Quoniam ipse liberavit me de laqueo venantium, et a verbo aspero. 4 Scapulis suis obumbrabit tibi, et sub pennis ejus sperabis. 5 Scuto circumdabit te veritas ejus: non timebis a timore nocturno; 6 a sagitta volante in die, a negotio perambulante in tenebris, ab incursu, et dæmonio meridiano. 7 Cadent a latere tuo mille, et decem millia a dextris tuis; ad te autem non appropinquabit. 8 Verumtamen oculis tuis considerabis et retributionem peccatorum videbis.

1 Tu que habitas sob a proteção do Altíssimo, que moras à sombra do Onipotente, 2 dize ao Senhor: Sois meu refúgio e minha cidadela, meu Deus, em que eu confio. 3 É ele quem te livrará do laço do caçador, e da peste perniciosa. 4 Ele te cobrirá com suas plumas, sob suas asas encontrarás refúgio. Sua fidelidade te será um escudo de proteção. 5 Tu não temerás os terrores noturnos, nem a flecha que voa à luz do dia, 6 nem a peste que se propaga nas trevas, nem o mal que grassa ao meio-dia. 7 Caiam mil homens à tua esquerda e dez mil à tua direita, tu não serás atingido. 8 Porém verás com teus próprios olhos, contemplarás o castigo dos pecadores.

NOTA DE FALECIMENTO

FELLAYFonte: La Porte Latine – Tradução: Dominus Es

O Reverendíssimo Padre Bouchacourt, Superior, e os padres e irmãos do Distrito da França confiam vossas orações pelo descanso da alma da Sra. Guy Fellay, mãe de Sua Excelência Reverendíssima D. Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, falecida no dia 3 de setembro de 2015, na festa de São Pio X. Na véspera deste dia, ela tinha recebido a extrema-unção das mãos de seu filho.

Seus funerais serão celebrados no sábado, dia 5 de setembro de 2015, às 10:00h, na igreja do Imaculado Coração de Maria, em Écône, por Dom Bernard Fellay, e eles serão seguidos do sepultamento no cemitério de Fully.

3 DE SETEMBRO – DIA DE SÃO PIO X

sao_pio_x1Biografia Breve

Considerado o Papa do Santíssimo Sacramento, Giuseppe Sarto nasceu em Riese, Treviso, Veneza. O glorioso São Pio X morreu em 1914, pouco antes da Primeira Guerra Mundial, depois de ter sido Papa por 11 anos.

Foi uma alma escolhida para ser o vigoroso oponente de todo Liberalismo que tentou nos tempos modernos entrar na Igreja Católica para levar por água a baixo os seus dogmas e para associar os católicos às irmandades sem nenhuma relação com Jesus ou com a Divina Maternidade de Maria.

São Pio X foi o grande Papa da Comunhão para todos, e para as crianças. Nenhuma influência política poderia fazê-lo alterar sua missão de Vigário de Cristo na terra e único legislador do mundo em tudo o que é pertinente a Deus.

Chegou ao papado seguindo cada simples passo que um padre pode dar. Foi o primeiro papa a ascender através de todas as ordens menores e maiores. De infância pobre como um dos oito filhos de um sapateiro de aldeia, sentiu o chamado para o sacerdócio na sua juventude; estudou em Padua, e foi reconhecido estudante extraordinário. Foi cura em Tombolo, pároco em Salzano, em Treviso foi canonista e diretor espiritual do seminário. Foi Bispo de Mântua (região da Família de São Luiz Gonzaga), patriarca de Veneza e Papa de Roma. Continuar lendo

“PAI NOSSO…”

pater111 — Perguntamos: como é que Deus é Pai? E quais são nossas obrigações para com Ele devido à sua paternidade?

Chamamo-lo Pai, por causa do modo especial com que nos criou. Criou-nos à sua imagem e semelhança, imagem e semelhanças estas, que não imprimiu em nenhuma outra criatura inferior ao homem. Não é ele teu Pai, teu Criador que te estabeleceu? (Dt 32, 6).

Deus merece também o nome de Pai, por causa da solicitude particular que tem para com os homens no governo do universo. Nada escapa ao seu governo, sendo este exercido de modo diferente em relação a nós e em relação às criaturas inferiores a nós. Os seres inferiores são governados como escravos e nós como senhores. Ó Pai, diz o livro da Sabedoria (14, 3), vossa providência rege e conduz todas as coisas; e (12, 18) a nós governa com indulgência. 

Deus, enfim, tem direito ao nome de Pai, porque nos adotou. Enquanto não deu, às outras criaturas, senão pequenas dádivas, a nós fez o dom de sua herança, e isso porque somos seus filhos. São Paulo diz (Rm 8, 17): Porque somos seus filhos, somos também seus herdeiros, e ainda (vers. 15): Vós não recebestes um espírito de servidão, para recairdes no temor, mas recebestes um espírito de adoção, que nos faz clamar: Abba, Pai. 

  1. — Em primeiro lugar, devemos honrá-lo. Se sou Pai, diz o Senhor, por Malaquias, (1,6) onde está a minha honra?

Esta honra consiste em três coisas: a primeira em relação aos nossos deveres para com Deus; a segunda, nossos deveres para conosco mesmos; a terceira, nossos deveres para com o próximo. 

A honra devida ao Senhor consiste, primeiramente, em oferecer a Deus o dom do louvor, seguindo o que está escrito (Sl 49, 23): O sacrifício de louvor me honrará. Este louvor deve estar não só nos lábios, como no coração. Está escrito em Isaías (29,13): Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim.  Continuar lendo

OS BONS EFEITOS DA ORAÇÃO

maeNotemos que a oração produz três espécies de bens. 

Primeiramente, constitui um remédio eficaz contra todos os males. Livra-nos dos pecados cometidos: «Remistes, Senhor, a iniqüidade de meu pecado, diz o Salmista (Sl 31,5-6) por isso todo homem santo dirigirá a Vós sua prece». Assim pediu o ladrão sobre a cruz e obteve seu perdão, pois Jesus lhe respondeu: «Em verdade vos digo, hoje mesmo estareis comigo no paraíso». (Lc 23,43), Do mesmo modo rezou o publicano e voltou para casa justificado (cf. Lc 18,14). 

A oração nos liberta do medo dos pecados que virão, das tribulações e da tristeza. Alguém está triste entre vós? Reze com a alma tranqüila (Tg 5,3). 

A oração nos livra das perseguições dos inimigos. Está escrito no Salmo 108, 4: Em resposta ao meu afeto me fizeram mal; eu, porém, orava.

Em segundo lugar, a oração é um meio útil e eficaz para a realização de todos os nossos desejos. Tudo o que pedirdes na oração, diz Jesus, crede, recebereis. (Mc 11,24). Continuar lendo

VENCEDOR DOS INIMIGOS E DE SI PRÓPRIO

_A_rare_portrait_of_the_Prince_William_the_Duke_of_Cambridge_found_hanging_in_a_corridor_was_on_sale_today_for_the_princely_sum_of_120_000Aos 14 ou 16 anos, o sistema nervoso dum jovem assemelha-se a fios carregados de eletricidade, e seu sangue é como lava ardente. Nada mais difícil, pois, do que fazer-lhe compreender a sublime beleza da posse e do domínio de si.

“Como? dir-me-ás. Se um camarada me empurra para fazer-me cair, não lhe hei de dar um murro violento? Se alguém me provoca, não lhe hei de aplicar uma bofetada magistral? Se um amigo zomba de mim, não lhe hei de responder na altura? … Já é terrivelmente difícil. Mas, além disso, aceitar que essa abstenção, longe de ser covardia, seja a mais bela flor da vontade humana, é quase impossível!”.

E, no entanto, nada mais verdadeiro. Exprime-o a célebre palavras de Goethe:

É senhor quem souber se conter. Só a lei nos dará livre ser.

O domínio de si não é nem silêncio indeciso nem resignação passiva; é a manifestação duma vonatde disciplinada, sempre senhora da situação e que sabe sempre medir antecipadamente o peso da palavra que vai pronunciar. Continuar lendo

O VOS OMNES

O vos omnes qui transitis per viam, attendite et videte: si est dolor similis sicut dolor meus. Attendite universi populi, et videte dolorem meum: si est dolor similis sicut dolor meus.

Oh, todos vós que passais pelo caminho, prestais atenção e vedes: se há dor semelhante à minha dor.Prestais atenção, povos de todo universo, e vejais minha dor, se há dor semelhante à minha dor.