MENINOS MÁRTIRES

comunO acontecimento, que vamos narrar, passou-se na Rússia, nos piores tempos do comunismo que vem varrendo do seu território todas as religiões, mormente a católica.

Numa vila, perto de Petrogrado, havia um asilo de órfãos com uma capela católica.

Os vermelhos (comunistas) fecharam a casa alegando que não havia recursos para sustentá-la e expulsaram o capelão.

Aqueles maus soldados tiveram a sinistra ideia de converter a capela em salão de baile e, como a mesma estava fechada, resolveram arrombar a porta e profanar o que havia dentro.

Tomaram essa resolução numa cantina, onde casualmente três meninos católicos ouviram a conversa.

Compreenderam que se tratava de profanar a casa de Deus e logo tomaram a resolução de defendê-la do melhor modo que pudessem.

À noite, os três meninos e mais alguns colegas seus penetraram na igreja por uma janela e montaram guarda junto ao altar.

Os soldados, tendo arrombado a porta e penetrado na capela, ordenaram que os meninos saíssem imediatamente. Nenhum, porém, se moveu nem se arredou do seu lugar. Continuar lendo →

A OCIOSIDADE É MÃE MALDITA DE MUITOS MALES

ocioGrande elogio fez o Sábio à mulher, ao diz que não comeu seu pão na ociosidade. Foi um dos traços com que descreveu a mulher forte, verdadeiro modelo e invejável prêmio para o homem justo.

A lei do trabalho, leitora, é universal neste mundo. Comer o pão do suor do rosto vale tanto para o homem como para a mulher. Ainda mais quando se associam formando um lar, abrindo nele a primeira escola para os filhos. Para que trabalhassem – lemos que Deus colocou os primeiros homens no paraíso. No paraíso do lar eles receberam autêntica missão. O homem labutando lá fora, e dentro de casa a esposa “procurando o linho e a lã, trabalhando-os com suas mãos hábeis e diligentes“. – Péssimo exemplo dá aos filhos a mãe que vive seus dias na ociosidade, sem fazer nada, toda entregue às leituras, às visitas, aos passeios e às futilidades. Debalde se cansa o marido, se em casa vive uma companheira ociosa.

… Móveis, roupas, imóveis – tudo se estraga mais depressa, quando os olhos da dona diligente não se interessam por sua conservação. A ociosidade é mãe maldita de muitos males. Que fará a dona de casa se não trabalha? Lê? Sim; mas em breve as leituras, para não serem monótonas, hão de ser picantes e … nocivas. Fica imaginando na vida? E torna-se então uma sonâmbula dentro da vida, verdadeiro flagelo dos filhos e maridos. Ou, como sói acontecer, dá para colecionar doenças, conforme a moda e as receitas das amigas igualmente desocupadas. Continuar lendo →

LEGÍTIMO ORGULHO DOS PAIS

mother-daughter4A dama patrícia da Campânia que fazia exibição das suas jóias respondia Cornélia designando os filhos: “São estas as minhas jóias e os meus adornos”. Aspirava à hitória menos pelo facto de ser filha de Cipião o Africano do que por ser mãe dos Gracos.

Com a graça de Cristo a mais, e orgulho pagão a menos, é ou não um sentimento análogo o que inspira a Senhora Martin? A filha mais velha conta a este respeito um episódio significativo:

“Eu tinha então sete anos: um dia em que estreávamos vestidos de setim de lã azul-escuro, a minha mãe mandou-nos chamar todas quatro, às minhas irmãzinhas e a mim, para nos ver antes do passeio que íamos dar. Olhou para nós demoradamente, com enternecida complacência, e depois disse-nos: ‘Vão agora, minhas filhinhas’. Mas evitou fazer algum elogio aos nossos vestidos, que eu achava tão bonitos, para não nos provocar qualquer sentimento de vaidade”.

Aquela mãe tão despreocupada de aparecer, que com grande desespero da Maria, detestava qualquer requinte no próprio trajar e troçava sem dó nem piedade do que ela denominava “a escravidão da moda”, cuidava gostosamente do vestuário das filhas, sem todavia se afastar da simplicidade. As mães não serão insensíveis a este delicioso esboço da Celina aos dezesseis meses: Continuar lendo →

O LIBERALISMO É PECADO – PARTE 4

lib2DOS DIFERENTES GRAUS QUE PODE HAVER E HÁ DENTRO DA UNIDADE ESPECIFICA DO LIBERALISMO

O Liberalismo, como sistema de doutrinas, pode chamar-se escola; como organização de adeptos para difundi-las e propaga-las; seita como agremiação de homens dedicados a faze-las prevalecer na esfera do direito publico, partido. Porém, ou se considere como escola, ou como seita, ou como partido, o Liberalismo oferece dentro da sua unidade lógica e especifica vários graus ou matizes que ao teólogo cristão convém estudar e expor.

Primeiro que tudo convém fazer notar que o Liberalismo é uno, isto é, constitui um organismo de erros perfeita e logicamente concatenados, razão por que se chama sistema. Com efeito, partindo do principio fundamental de que o homem e a sociedade são perfeitamente autônomos ou livres, com absoluta independência de todo outro critério natural ou sobrenatural, que não seja o individual, segue-se, por uma perfeita ilação de conseqüências, tudo o que em nome dele proclama a demagogia mais avançada.

A Revolução só tem de grande a sua inflexível lógica. Até os atos mais despóticos que executa em nome da liberdade, e que à primeira vista todos tachamos de monstruosas inconseqüências, obedecem a uma lógica altíssima a superior. Pois que, reconhecendo a sociedade por única lei social o critério da maioria, sem outra norma ou regulador, como poderá negar-se ao Estado o perfeito direito de cometer quaisquer tropelias contra a Igreja todas as vezes que, segundo aquele seu único critério social, seja conveniente comete-las? Admitindo-se que a razão está sempre da parte da maioria, fica por esse modo admitida como única lei a do mais forte; e portanto muito logicamente se pode chegar até as ultimas brutalidades. Continuar lendo →

COMO SE DEVE EVITAR A EXCESSIVA FAMILIARIDADE

aperNão abras teu coração a qualquer homem (Eclo 8,22); mas trata de teus negócios com o sábio e temente a Deus. Com moços e estranhos conversa pouco. Não lisonjeies os ricos, nem busques aparecer muito na presença dos potentados. Busca a companhia dos humildes e simples, dos devotos e morigerados, e trata com eles de assuntos edificantes. Não tenhas familiaridade com mulher alguma; mas, em geral, encomenda a Deus todas as que são virtuosas. Procura intimidade com Deus apenas, e seus anjos, e foge de seres conhecidos dos homens.

Caridade se deve ter para com todos; mas não convém ter com todos a familiaridade. Sucede, freqüentemente, gozar de boa reputação pessoa desconhecida que, na sua presença, desagrada aos olhos dos que a vêem. Julgamos, às vezes, agradar aos outros com a nossa intimidade, mas antes os aborrecemos com os defeitos que em nós vão descobrindo.

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

O LIBERALISMO É PECADO – PARTE 3

libSE É PECADO O LIBERALISMO, E QUE PECADO É… 

O Liberalismo é pecado, já se o consideremos na ordem das doutrinas, já na ordem dos fatos.

Na ordem das doutrinas é pecado grave contra a fé, porque o conjunto de suas doutrinas é heresia, ainda que não o seja, talvez, uma ou outra de suas afirmações ou negações isoladas. Na ordem dos fatos é pecado contra os diversos Mandamentos da lei de Deus e de sua Igreja, porque de todos é infração. Mais claramente, na ordem das doutrinas o Liberalismo é a heresia universal e radical, porque a todas compreende; na ordem dos fatos é a infração radical e universal, porque a todas autoriza e sanciona.

Procedamos por partes na demonstração.

Na ordem das doutrinas o liberalismo é heresia. Heresia é toda doutrina que nega com negação formal e pertinaz um dogma da fé cristã. O liberalismo doutrina primeiro os nega todos em geral e depois cada um em particular. Nega todos em geral quando afirma ou supõe a independência absoluta da razão individual no indivíduo, e da razão social, ou critério público, na sociedade. Dizemos que afirma ou supõe porque, às vezes, nas conseqüências secundárias, não se afirma o princípio liberal, mas se lhe dá por suposto e admitido. Nega a jurisdição absoluta de Cristo Deus sobre os indivíduos e as sociedades, e, em conseqüência, a jurisdição delegada que sobre todos e sobre cada um dos fiéis, de qualquer condição ou dignidade que seja, recebeu de Deus a Cabeça visível da Igreja. Nega a necessidade da revelação divina, e a obrigação que tem o homem de admiti-la, se quiser alcançar seu fim último. Nega o motivo formal da fé, isto é, a autoridade de Deus que revela, admitindo da doutrina revelada apenas aquelas verdades que alcança seu limitado entendimento. Nega o magistério infalível da Igreja e do Papa, e, em conseqüência, todas as doutrinas por eles definidas e ensinadas. E depois desta negação geral e global, nega cada um dos dogmas, parcial ou concretamente, à medida que, segundo as circunstâncias, os julga opostos a seu critério racionalista. Assim, nega a fé do Batismo quando admite ou supõe a igualdade de todos os cultos; nega a santidade do matrimônio quando sanciona a doutrina do chamado matrimônio civil; nega a infalibilidade do Pontífice Romano quando se recusa a admitir como lei seus mandatos e ensinamentos oficiais, sujeitando-os a seu passe ou exequatur — não em seu princípio, para assegurar-se de sua autenticidade, mas para julgar seu conteúdo. Continuar lendo →

O LIBERALISMO É PECADO – PARTE 2

lib2QUE É O LIBERALISMO?

Ao estudar um objeto qualquer, depois da pergunta: an sit? Faziam os antigos escolásticos a seguinte: quid sit? E esta é a que vai ocupar-nos no presente capítulo.

Que é o Liberalismo? Na ordem das idéias é um conjunto de idéias falsas; na ordem dos fatos é um conjunto de fatos criminosos, conseqüência prática daquelas idéias.

Na ordem das idéias o Liberalismo é o conjunto do que se chamam princípios liberais, com as conseqüências lógicas que deles se derivam. Princípios liberais são: a absoluta soberania do indivíduo com inteira independência de Deus e de sua autoridade; soberania da sociedade com absoluta independência do que não nasça dela mesma; soberania nacional, isto é, o direito do povo para legislar e governar com absoluta independência de todo critério que não seja o de sua própria vontade, expressa primeiro pelo sufrágio e depois pela maioria parlamentar; liberdade de pensamento sem limitação alguma em política, em moral ou em Religião; liberdade de imprensa, assim absoluta ou insuficientemente limitada; liberdade de associação com iguais amplitudes. Estes são os chamados princípios liberais em seu radicalismo mais cru.

O fundo comum deles é o racionalismo individual, o racionalismo político e o racionalismo social. Derivam-se deles a liberdade de cultos mais ou menos restringida; a supremacia do Estado em suas relações com a Igreja; o ensino leigo ou independente sem nenhum laço com a Religião; o matrimônio legalizado e sancionado pela única intervenção do Estado: sua última palavra, que todo o abarca e sintetiza, é a palavra secularização, isto é, a não intervenção da Religião em ato algum da vida pública, verdadeiro ateísmo social, que é a última conseqüência do Liberalismo. Continuar lendo →

O LIBERALISMO É PECADO – PARTE 1

libEXISTE HOJE EM DIA ALGO QUE SE CHAMA LIBERALISMO?

Certamente, e parecerá ocioso que nos entretenhamos em demonstrar esta afirmação. A não ser que todos os homens de todas as nações da Europa e da América, regiões principalmente infestadas desta epidemia, tivessemos convindo em enganar-nos e em fazer-nos de enganados, existe hoje em dia no mundo uma escola, sistema, partido, seita, ou chame-se como quiser, que por amigos e inimigos se conhece com o nome de Liberalismo.

Os jornais e associações e governos seus se nomeiam com toda franqueza liberais; seus adversários jogam-lho no rosto, e eles não protestam, nem sequer o desculpam ou atenuam. Mais ainda: se lê a cada dia que há correntes liberais, tendências liberais, reformas liberais, projetos liberais, personagens liberais, datas e recordações liberais, ideais e programas liberais; e, ao revés, se chamam antiliberais, ou clericais, ou reacionários, ou ultramontanos, todos os conceitos opostos aos significados por aquelas expressões. Há, pois, no mundo atual uma certa coisa que se chama Liberalismo, e há, por sua vez, outra certa coisa que se chama Antiliberalismo. É, pois, como mui acertadamente se disse, palavra de divisão, pois tem perfeitamente dividido o mundo em dois campos opostos. 

Mas não é apenas palavra, pois a toda palavra deve corresponder uma idéia; nem é apenas idéia, pois a tal idéia vemos que corresponde de fato toda uma ordem de acontecimentos exteriores. Existe, pois, Liberalismo, isto é, existem doutrinas liberais e existem obras liberais, e, em consequência, existem homens, que são os que professam aquelas doutrinas e praticam estas obras. Tais homens não são indivíduos isolados, senão que vivem e obram como grupo organizado, com chefes reconhecidos, com dependência deles, com fim unanimamente aceito. O Liberalismo, pois, não apenas é idéia e doutrina e obra, senão que é seita. Continuar lendo →

QUANDO O CÉU SE COBRIR DE NUVENS

cloudy-sky-6Se durante muito tempo não movermos uma pedra, ela se cobrirá de musgo; se deixarmos de fazer exercícios físicos, os membros ficam flácidos. O mesmo vale da fé: quem não pratica sua religião, é envolvido primeiramente pelo musgo da indiferença; em seguida vêm as dúvidas; e o fim qual será?… Fé tíbia, e talvez descrença completa.

Não deves, portanto, apenas salvaguardar tua fé; deves vivê-la. Exercita-a na oração. Reza, todas as manhãs o “Creio em Deus” lenta e devotadamente. Rende graças a Deus, porque te fez nascer na verdadeira fé católica. Principalmente, porém, pratica-a por uma vida ideal que busca na religião suas forças. Como causa primordial dos desvios fundamentais da alma de muitos e muitos jovens, podemos indicar o fato de manifestarem em sua vida, um espírito de fé deploravelmente mesquinho. A religião teórica, que se não manifesta em prática, vale tanto como um carro sem eixo.

Por essa razão compreenderás, embora te pareça curioso à primeira vista, o conselho que uma vez dei a um moço:

Ele se queixava: “Quisera crer, mas não posso.”

— “Meu caro, faça violência à sua vontade! A fé é graça divina, mas supõe a vontade humana. Sim, Deus concede a graça; depende porém do homem querer colaborar com ela ou não. Não pode crer? Pouco importa! Repita o clamor dos apóstolos: “Senhor, robustecei nossa fé!” (Lc. 17,5). Ou diga como o pai da criança doente: “Creio Senhor, mas aumentai a minha fé!” (Mc. 9, 23). Você murmura que a oração o deixa frio, que não acha atrativo na S. Missa, que a vida religiosa lhe é enfadonha. Ainda uma vez, pouco, importa! Apesar de tudo, recite conscientemente as orações de costume; apesar de tudo procure seguir as orações da missa, do princípio ao fim.” Continuar lendo →

UMA MISSA… UM CAVALHEIRO… UM RETRATO

retraSaberão as almas quando se dizem missas por elas?

Mônica, uma jovem muito boa e piedosa, está convencida que sim. Era ela uma pobre criada, que ganhava o pão servindo nas casas dos ricos, simples, cheia de fé, contente com o tratamento e o pequeno salário que lhe davam, pois Deus a fizera abnegada e sabia que a Ele se pode servir em qualquer ofício.

Mas um dia adoeceu e não teve remédio senão internar-se no hospital dos pobres. Depois de seis semanas deram-lhe alta; perdera, porém, o emprego e não sabia onde refugiar-se, débil e sem recursos. Uma moeda de prata era toda a sua fortuna; mas seu coração estava cheio de confiança em Deus. Toma a sua moeda e manda celebrar uma santa missa pelas almas do purgatório, a fim de que elas lhe consigam uma boa colocação. Ouviu a missa devotamente. E aquela mensagem chegou ao destino…

Ao sair encontrou-se com um senhor, que, aproximando-se, a saudou e disse:

– Soube que a senhora procura um emprego; aqui está o endereço de uma casa onde a receberão. Deu-lhe, em seguida, o nome da rua e o número da casa, e desapareceu. Ficou Mônica perplexa, sem saber que pensar nem como explicar tudo aquilo. Como podia saber aquele senhor que ela procurava um emprego, visto que não comunicara a ninguém o seu desamparo? Continuar lendo →

SANTO ATANÁSIO: O VERDADEIRO DEFENSOR DA TRADIÇÃO – PARTE II

SantoAtanasio21A queda do Papa Libério

Em 17 de maio de 352 Libério foi consagrado Papa. Ele imediatamente se viu envolvido na disputa ariana:

Ele apelou a Constâncio para que fosse justo com Atanásio. A resposta imperial veio na convocação dos bispos da Gália para um concílio em Arles em 353-354, onde, sob ameaça de exílio, os bispos concordaram em condenar Atanásio. Até mesmo o núncio apostólico de Libério rendeu-se. Quando o Papa pressionou para que o concílio fosse mais abrangente de representantes, Constâncio reuniu-os em Milão em 355. Houve, na ocasião, ameaças violentas de um grupo de pessoas e a intimidação pessoal do Imperador: “Minha vontade é a lei canônica”, exclamou. Com exceção de três bispos, o Imperador prevaleceu sobre todos os outros. Atanásio fora novamente condenado e os arianos admitidos à comunhão. Novamente os núncios do papa renderam-se e o próprio Libério recebeu ordens para assinar. Quando recusou a assinar, e até mesmo a aceitar as ofertas do Imperador, ele foi preso e carregado para longe da presença imperial; ao manter-se firme em prol reabilitação de Atanásio, o Papa foi exilado para a Trácia em 355, onde ficou por dois anos. Enquanto isso, um diácono Romano, Félix, foi introduzido na sé petrina. O povo recusou-se a reconhecer o antipapa imperial. O próprio Atanásio teve de se esconder e seu rebanho foi abandonado à perseguição pelo intruso de tendências arianas. Quando visitou Roma em 357, Constâncio foi assediado por pedidos clamorosos pela restauração de Libério. Por outro lado, bispos subservientes que rodeavam a corte em Sirmio subscreveram fórmulas doutrinais mais ou menos ambíguas ou heterodoxas. Em 358, uma fórmula composta por Basílio de Ancira, declarando que o Filho era de substância parecida com a do Pai, homoiousion, foi oficialmente imposta.[10]

A oposição ao antipapa Félix tornou urgente a necessidade de Constâncio restaurar Libério à sua sé. Contudo, era igualmente urgente que o Papa condenasse Atanásio. O Imperador usou uma combinação de ameaças e lisonjas para atingir seu objetivo. Seguiu-se então a trágica queda de Libério. Ela foi descrita implacavelmente em Lives of Saints de Alban Butler:

Nessa época, Libério começou desmoronar por conta das dificuldades do seu exílio, e sua resolução foi abalada pelas contínuas solicitações de Demófilo, o bispo ariano de Bereia, e de Fortunaciano, o contemporizador bispo da Aquiléia. Estava ele tão mais amolecido por lisonjas e alvitres (que deveriam na verdade fazê-lo tampar seus ouvido de horror) que ele rendeu-se, para grande escândalo da Igreja, à armadilha feita para ele. Ele subscreveu a condenação de Santo Atanásio e uma confissão ou credo concebido pelos arianos em Sirmio, embora a heresia ariana não estivesse lá expressa; e ele escreveu aos bispos arianos do Oriente dizendo que havia recebido a verdadeira fé católica que muitos bispos haviam aprovado em Sirmio. A queda de um prelado tão grande e tão ilustre confessor é um terrível exemplo da fraqueza humana que ninguém pode lembrar-se sem se estremecer todo. São Pedro caiu pela presunçosa confiança em sua própria força e resolução, de maneira que devemos aprender que todo mundo só se mantém pela humildade.[11] Continuar lendo →

UM REI MORIBUNDO E OS DOIS PRATOS DA BALANÇA: O DOS PECADOS E O DO ROSÁRIO

Conta-se de Alfonso IX, rei de Leão e Galícia, que andava com o rosário à cintura…

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A Santíssima Virgem não favorece somente quem reza o rosário, mas recompensa também gloriosamente a quem, com seu exemplo, atrai os demais a esta devoção.

Alfonso IX (1188-1230), rei de Leão e Galícia, desejando que todos os seus criados honrassem a Santíssima Virgem com o rosário, resolveu, para animá-los com seu exemplo, levar ostensivamente um grande rosário, mesmo sem rezá-lo.

Bastou isto para obrigar toda a corte a rezá-lo devotamente. O rei caiu enfermo com gravidade. Já o acreditavam morto, quando, arrebatado no espírito diante do tribunal de Jesus Cristo, viu os demônios que lhe acusavam de todos os crimes que havia cometido.

Quando o Divino Juiz já o ia condenar às penas eternas, interveio em seu favor a Santíssima Virgem. Trouxeram, então, uma balança: em um pratinho da mesma colocaram os pecados do rei.

A Santíssima Virgem colocou no outro o rosário que Alfonso havia levado para honrá-la e os que, graças a seu exemplo, haviam recitado outras pessoas. Isto pesou mais que os pecados do rei.

A Virgem lhe disse logo, olhando-o benignamente: Continuar lendo →

SANTO ATANÁSIO: O VERDADEIRO DEFENSOR DA TRADIÇÃO – PARTE I

S_Atanasio“O que aconteceu por volta de 1600 anos atrás repete-se nos dias de hoje, mas com duas ou três diferenças: Alexandria agora é toda a Igreja Católica — cuja estabilidade está abalada —, e o que foi empreendido naquela época por meio da força física e da crueldade é empreendido agora em níveis diferentes. O exílio foi substituído pelo ostracismo; o assassinato físico pelo assassinato de reputação.”

Mons. Rudolf Graber, Bispo de Regensburg, Athanasius and the Church of our Times, p. 23.

O objetivo deste apêndice não é explicar a natureza da heresia ariana, mas sim provar que um bispo fiel à Tradição pode ser repudiado, caluniado, perseguido e até mesmo excomungado por quase todo episcopado, inclusive pelo próprio Papa. Evidentemente trata-se de uma situação anormal, pois o fiel católico tem o direito de supor que a maioria dos bispos em união com o Papa ensinarão a sã doutrina; o católico seria imprudente se não conformasse sua crença e comportamento com o ensinamento desses bispos. Mas nem sempre o caso é esse, conforme demonstra a atual situação da Igreja. Não há praticamente uma única diocese no mundo anglófono cujo bispo esteja preocupado em assegurar que as crianças católicas recebam a sã doutrina; ou que a moral católica e os ensinamentos doutrinais não se contradigam com a impunidade do púlpito (trata-se da leniência com os abusos litúrgicos que chegam até ao nível do sacrilégio). Escrevendo sobre a época de Santo Atanásio, São Jerônimo fez sua célebre exclamação: “Ingemit totus orbis et arianum se esse miratus est” — “Com dor e assombro o mundo todo se viu ariano”. O mundo católico ocidental de hoje encontra-se num estado acelerado de desintegração; mas para a maioria não há dor, tampouco assombro. Com efeito, a maior parte dos bispos repete ad nauseam que as coisas jamais estiveram tão boas e que estamos vivendo no período de maior florescimento da história da Igreja. Um bispo como o falecido Mons. R. J. Dwyer (de Portland, Oregon, EUA), que teve a coragem de falar abertamente e descrever objetivamente o estado de coisas na Igreja, é taxado de excêntrico, fanático e desordeiro. A ICEL (International Commission for English in the Liturgy — Comissão Internacional para o Inglês na Liturgia) recebeu efusivos louvores dos bispos dos EUA por conta da tradução da missa que foi imposta aos fiéis católicos anglófonos. O arcebispo Dwyer falou sobre:

[…] a tradução inglesa — inepta, pueril e semi-analfabeta — que nos foi imposta pela ICEL, um grupo de homens dotados das piores características presentes nos burocratas autofágicos, prestou um imensurável desserviço a todo o mundo anglófono. O trabalho foi marcado pela ausência quase completa de sentido literário, pela insensibilidade crassa à linguagem poética e pior: o uso predominantemente inculto da liberdade de tradução dos textos, de modo que o texto chega ao ponto da deturpação de fato. [1] (grifos nossos) Continuar lendo →

AS TENTAÇÕES NOS SÃO ENVIADAS POR DEUS PARA NOSSO BEM

tentacao1Para entendermos que é Deus quem nos envia, para nosso bem, as tentações, devemo-nos lembrar que o homem, devido à má inclinação de sua natureza corrompida, é soberbo, ambicioso e sempre se presume valer mais do que realmente vale.

Esta estima é a tal ponto perigosa para o proveito espiritual, que bastam leves resquícios desta presunção para que fiquemos impossibilitados de atingir a perfeição.

Por isso, Deus, com sua amorosa Vigilância por cada um dos homens, e, muito especialmente, por aqueles que estão ao seu serviço, cuida de por a alma em estado que a salve do perigo e, quase que forçados, façamos justo conceito de nós mesmos.

Assim Deus fez ao apóstolo São Pedro, permitindo que ele o negasse, afim de que se conhecesse a si próprio e não confiasse em si. E ao apóstolo São Paulo, após o levar ao terceiro céu e patentear-lhe os segredos divinos, enviou-lhe duras tentações, afim de que ele conhecesse sua fraqueza natural e se humilhasse, gloriando-se unicamente de suas enfermidades, e para que a grandeza das revelações que Deus lhe fizera não lhe abrisse caminho à presunção. De tudo isto, o próprio São Paulo dá testemunho.

Deus se apieda de nossas misérias e más inclinações e permite que sejamos tentados de muitas maneiras e às vezes de um modo terrível, para que nos humilhemos e saibamos verdadeiramente quem somos.

A nós, porem, muitas vezes parece que sejam inúteis e prejudiciais aquelas tentações. Mas Deus assim procedendo, mostra a sua bondade e sabedoria, pois, com aquilo que a nós nos parece mais nocivo, mais ele se alegra, para que mais nos venhamos a humilhar. E é de humildade que mais carece nossa alma. Continuar lendo →

QUAL A DIFERENÇA ENTRE FÉ E SENTIMENTO RELIGIOSO

rezando 2A senhora leu com atenção minha carta anterior e pede-me para que eu a ajude a compreender bem a diferença que há entre Fé e sentimento religioso. A tarefa será fácil, desejo que meu trabalho lhe seja útil.

Lembre-se das breves palavras do Pe. Lacordaire: A Fé é a Fé.

O sentimento é assim o respeito que temos, como criaturas, por nosso Pai que está no Céu e que, unicamente porque nos criou, nos olha como filhos, nos dá o pão de cada dia, a luz de seu sol, os frutos da terra, a vida, a saúde, e mil outros bens igualmente da ordem natural.

O sentimento religioso sendo natural ao homem, se encontra em todos os homens fiéis ou infiéis; pois todos têm esse fundo comum de respeito a Deus, que algumas vezes se traduz por um ato religioso fundado sobre a verdade, como entre os cristãos; outras vezes por um ato religioso manchado de erros como entre os infiéis, os idólatras, etc.

Entre os povos, há alguns cujo sentimento religioso é naturalmente muito profundo, por exemplo os árabes.

Um árabe não faltará à prece da manhã, à do meio dia e à da noite. Ao escutar o muezzin gritar do alto do minarete a fórmula sagrada: La Allah, etc., imediatamente ele se põe a rezar, esteja na companhia de quem quer que seja, no lugar que for, no meio de uma praça ou no trabalho; quando chega a hora, ele reza. Por este mesmo sentimento religioso, o árabe relaciona tudo à vontade de Deus; os acidentes da vida, a saúde, a doença, mesmo a morte, ele relaciona com Deus e em todas as circunstâncias ele repete: Deus é grande!

Eis o sentimento religioso em todo seu poder. Continuar lendo →

O AMOR MATERNO

MaeFilhoPode a mãe esquecer o seu filho? diz o Espírito Santo, e pode a mulher deixar de amar o fruto do seu seio? seu coração é uma fonte inesgotável de contínua solicitude e amor; ama os seus filhos mais do que todas as outras pessoas, mais do que a si própria. Entre tantos quadros de amor materno que a história nos patenteia, nenhum achamos mais comovente do que o quadro em que a Escritura nos pinta a ternura da mãe do jovem Tobias.

Acompanhado do arcanjo Rafael, disfarçado sob a forma humana, acabava de partir para a terra dos Medas; mas a mãe, chorando, dizia, no meio da sua dor, ao marido: «Ficaste sem o bordão da nossa velhice, e afastaste-lo de nós. Oxalá que nunca tivéssemos possuído o dinheiro necessário para a sua viagem! Os poucos bens que possuímos, não eram suficientes para nós? E não era para nós uma grande fortuna ver nosso filho aqui, conosco?» — «Não chores, respondia o velho, o anjo do Senhor acompanhará nosso filho.» E estas palavras enxugavam por um instante as suas lágrimas, e acalmavam as lamentações da mãe.

Mas não vendo voltar, no dia fixado, o ente que amava, derramava abundantes lágrimas, que nenhuma consolação podia esgotar.— «Ah! quanto sou desgraçada! repetia ela; para que te mandamos para tão longe, meu filho, tu que eras a luz dos nossos olhos, o apoio da nossa velhice, a consolação da nossa vida e a esperança de nossa posteridade? Visto que eras tudo, neste mundo, para nós, nunca deverias ter-nos deixado.» — «Sossega replicava o velho Tobias, o nosso filho está em segurança; o homem, a quem o confiamos, é fiel. Mas a pobre mãe não queria receber consolações, e todos os dias, deixando a casa, percorria todos os caminhos, por onde esperava ver chegar o filho, procurando descobri-lo ao longe. Todos os dias se ia sentar sobre uma montanha, que dominava a estrada, e donde podia circunvagar à vontade o seu olhar. Um dia avistou-o, reconheceu-o imediatamente, correu a levar a seu marido a feliz notícia, e depois abraçou esse querido filho com lágrimas de alegria. Continuar lendo →

A FÉ NÃO É SUBSTITUÍDA PELO SENTIMENTO

Arthur_Timotheo_da_Costa,_Rezando,_1905,_54,5_x_46,5_Photo_Gedley_Belchior_BragaAtacada por todos os lados, hoje a Fé tornou-se rara nas almas. À medida que os tempos avançam, caminhamos para a realização das palavras de Nosso Senhor: «Quando o Filho do homem voltar, crês que Ele encontrará Fé sobre a Terra?». (Lc. 18,8).

Repare que as almas que vemos já não ter Fé, tiveram-na ao menos no batismo. Estas almas estão em um estado bem diferente dos infiéis que nunca tiveram Fé. A Fé é um bem tão grande que uma vez entrando numa alma fica sempre alguma coisa.

São Francisco de Sales disse, a respeito da caridade: «A caridade tendo sida separada da alma pelo pecado deixa, muitas vezes, alguma coisa que parece com a caridade, que pode iludir e nos entreter em vão».

Esta aparência de Fé, porque ela é apenas aparência, não passa de um fingimento de Fé; uma Fé fingida ou, se quiser, imaginada, é o que se chama sentimento religioso.

Os sentimentos religiosos! Uma espécie de presente que os homens querem dar a Deus, pelo qual Deus deve se sentir muito agradecido; um fundo de benevolência que o homem sente por Deus; uma sorte de polidez, de bom tom, de bom gosto do homem em relação a Deus; sim, tudo que quiser neste gênero, que a pouco obrigue, que não atrapalhe, que se acomode, que se preste a tudo, e não se comprometa com coisa alguma: aí está o que geralmente se entende por sentimentos religiosos, mas isto não é a Fé. Assim como a aparência de Caridade pode nos iludir e nos entreter em vão, a aparência de Fé pode nos iludir e nos ilude muitas vezes e pode nos entreter e nos entretém amiúdo, em vão.

E como isto acontece? perguntará a senhora. A resposta é fácil. Um cristão, para agradar a Deus, deve fazer atos de Fé a toda hora. Na oração, na prática da vida cristã, na recepção dos sacramentos, o cristão deve ter como obrigação severa praticar a Fé, fazendo atos interiores para acompanhar muitos atos exteriores da vida cristã. Este é o dever.

Ora, o perigo, a decepção consiste em fazer atos da vida cristã não com Fé mas com aparência de Fé ou sentimentos religiosos. Continuar lendo →

QUANDO A IGREJA ERA ACUSADA DE IMPIEDOSA

Por Rino Cammilleri – La Nuova Bussola Quotidiana | Tradução: Gercione Lima –FratresInUnum.com

Fabrizio De André retornava com muito gosto ao tema do “suicídio”. A primeira vez, em La ballata del Miche’, onde atacava a Igreja, acusando-a de impiedosa porque negava o funeral religioso aos suicidas. Na passagem escrita em memória de Luigi Tenco, que havia cometido suicídio, ele se lançou contra a “Igreja impiedosa” dizendo com toda certeza que o Paraíso acolhe a todos, “porque o inferno não existe no mundo de um Deus que é bom.” Finalmente, na obra Andrea, jogou a toalha e não fez mais comentários metafísicos sobre o suicídio do protagonista.

img-_innerart-_cam2_30Mas será que era realmente impiedosa aquela Igreja “Constantiniana”, que não admitia suicidas em seus cemitérios? Hoje, a ciência psiquiátrica moderna nos informa que, mais frequentemente do que se pensa, uma pessoa que comete suicídio não está totalmente em posse de seu juízo normal, assim a sua responsabilidade pessoal é no mínimo duvidosa. E o (velho) catecismo nos diz que para um pecado mortal é necessário que haja “plena consciência e consentimento deliberado”. O homem moderno já nem sequer sabe o que significam palavras como “pecado” e, muito menos, “mortal”, talvez por isso os sistemas antigos precisem realmente de uma reavaliação. Talvez Papa Francisco se sinta como Jonas em Nínive, cujo povo “não conseguia distinguir a direita da esquerda”. Como os homens de hoje, os ninivitas só compreendiam a linguagem do porrete  (“Quarenta dias mais e Nínive será destruída”). Aliás, o homem de hoje nem isso; daí a estratégia da “misericórdia”.

Mas, insisto, realmente a Igreja “pré” era impiedosa quando negava o último viático a um desesperado? Ou, pelo contrário, usava isso como uma advertência extrema, daquele tipo “se você tocar o fio de alta tensão morrerá” (adesivo completo com caveira e ossos cruzados para os analfabetos)? Pode haver algo pior que o sofrimento – naquele momento – sem via de saída? Isso era o que significava aquele gesto de rejeição para aqueles que acreditavam, mas que foram enganados pelo Enganador (“mendax et homicida ab initio’), para que pudessem encontrar a paz eterna. Assim, o homem que estava sendo tentado a cometer aquele gesto extremo tinha uma última chance de dissuasão: o medo de acabar num estado muito “pior”, em um buraco, e só para esclarecer, sem uma cruz encima. Isso é chamado estratégia de dissuasão. Hoje, no entanto, as cabeças mudaram, ao que parece. Continuar lendo →

A FÉ PODE AUMENTAR OU SE PERDER

Idoso-RezandoComo Aumenta – Como se Perde

A Fé pode aumentar, a Fé pode diminuir e se perder. A Fé, consistindo essencialmente na adesão de nosso espírito à verdade revelada, aumenta ou diminui segundo seja a adesão mais ou menos firme. Ora, sendo a alma humana ativa por natureza, é indispensável que sua Fé aumente ou diminua. Ela aumenta se a alma avança no conhecimento do Pai e do Filho e do Espírito Santo, se a alma penetra melhor nas verdades do Credo, em uma palavra, se a alma progride no caminho da verdade.

Mas como a Fé requer, juntamente com assentimento do espírito, o movimento de piedade da vontade que quer crer, evidentemente a Fé também pode e deve crescer pelo caminho da vontade que se submete cada vez mais docilmente, cada vez mais amorosamente à verdade divina. Assim, duas coisas ajudarão singularmente a Fé em seu progresso, a saber: a instrução e a piedade. A instrução, o cristão a encontrará na pregação, no Catecismo, nas leituras santas; a piedade consistirá sobretudo na fidelidade às promessas do batismo; o cristão ajudado pela oração e pelos sacramentos, crescerá na Fé.

Todo cristão que quer crescer na Fé, deve vigiar com redobrada atenção contra tudo que for capaz de enfraquecer a Fé. Ele deve tomar cuidado para não se deixar levar pelas máximas deste mundo, pois o mundo, enquanto mundo, só se ocupa das coisas sensíveis; a Fé, ao contrário, nos mostra o preço inestimável das coisas invisíveis. O mundo só vê o presente; a Fé, que nos esclarece tanto sobre o passado quanto sobre o presente, nos faz velar principalmente sobre o futuro. O mundo está todo voltado para os gozos da terra; a Fé nos ensina que este é o tempo das privações e das penitências e nos mostra que Deus é o único bem verdadeiro em que podemos repousar nossas almas e esperar os verdadeiros gozos. Continuar lendo →

DAS RECOMPENSAS

Resultado de imagem para recompensa criançasJerônimo escrevia a Laeta: «Animai vossa filha, dando-lhe pequenas lembranças, das que são estimadas na sua idade.» As recompensas são efeti­vamente um meio de excitar a emulação entre as crianças. É certo que se não deve, quando são exor­tadas a aplicarem-se ao estudo e a praticar as vir­tudes cristãs, propôr-lhes a recompensa, como o único meio de fazerem o que se lhes exige; importa, pelo contrário, fazer-lhes bem sentir a obrigação que temos de trabalhar por dever, para cumprir a von­tade de Deus. Seria dalguma forma tornar venal a alma de uma criança, habituá-la a não fazer nada, senão com a promessa de receber alguma coisa; mas quando se sabe usar delas com comedimento e pru­dência, as recompensas são úteis: fazem compreen­der às crianças que encontramos interesse e estima nos nossos semelhantes, quando nos aplicamos ao trabalho, e sabemos cumprir os nossos deveres.

Nunca se deve propor, como recompensa, diz Rollin, nem adornos, nem gulodices, nem coisas semelhantes. E a razão é óbvia: é que, prometendo-lhes essas coisas, em forma de recompensa, faz-se que elas as julguem, como coisas boas e dese­jáveis, e dessa forma, fazemos-lhes estimar o que devem desprezar. O mesmo direi do dinheiro.» — «Nunca pude compreender, escreve Mgr. Dupan­loup, a religião de certos pais, que prometem a seus filhos, como recompensa, para o dia da sua primeira comunhão, relógios e correntes de ouro. O resultado foi, como algumas vezes vi, que o relógio era nesse dia mais adorado, que o próprio Deus».— «Podem recompensar-se as crianças, diz Fénelon, com brinquedos, com passeios, com pequenas lem­branças, como quadros, estampas, medalhas, livros dourados», e especialmente por algumas distrações agradáveis, que sirvam, para lhes alimentar a pie­dade, como peregrinações, passeios a um oratório, ou assistência a alguma solenidade religiosa, nalguma terra vizinha.

Com as crianças, como nota um judicioso autor, deve haver o cuidado de não faltar àquilo que se prometeu; doutra forma não tardariam a desprezar tanto as promessas, como as recompensas, fartas de esperar pelo cumprimento do que lhes prometeram.

A Mãe segundo a vontade de Deus – Pe. J. Berthier

COMO A FÉ É UM DOM DE DEUS

Rezando (1)A Fé é um dom de Deus. Hoje gostaria de fazer com que a senhora compreendesse ainda melhor a natureza íntima deste dom precioso.

Adão o teria recebido de Deus e nos teria transmitido, se ele não tivesse pecado; mas tendo acreditado em Eva e, por Eva, em Satã mais do que em Deus, perdeu a Fé que Deus lhe havia dado, perdendo-a para ele e para nós (Adão pôde conservar o hábito da Fé; mas perdeu a Fé enquanto virtude informada pela Caridade; e este hábito não era transmissível à sua descendência, pois era uma disposição pessoal de sua alma). Por sua vez, quando o filho de Adão entra neste mundo já não tem mais Fé e só pode recupera-la se esta for dada pelo próprio Deus.

A Igreja reza para pedir a Deus a Fé para os infiéis e o aumento de Fé para os fiéis, de modo que o começo, o aumento e a conservação da Fé nas almas, são pura e simplesmente um dom que Deus nos dá pelos méritos de nosso único Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Mas chego agora ao ponto que tinha prometido abordar hoje: a natureza íntima deste dom.

A Fé é um ato em parte da inteligência que crê, e em parte da vontade que quer crer. Ao perguntarem se a Fé é um dom de Deus do lado da inteligência que crê ou do lado da vontade que quer crer, é preciso responder que há um dom de Deus na inteligência e um dom na vontade.

Pois para o que concerne à inteligência é preciso notar duas coisas: primeiramente as verdades em que devemos crer estão tão acima do espírito humano, que este nunca poderia atingi-las naturalmente. Assim, o adorável mistério da Santíssima Trindade, as profundezas da sabedoria de Deus na Encarnação de Nosso Senhor, a Redenção e a salvação dos homens, sem o dom da Fé, seriam para sempre tesouros escondidos às inteligências humanas. Em segundo lugar, além do ministério da Igreja ensinando essas sublimes verdades, é necessário ainda para que nós creiamos, uma graça interior que clareie nossa inteligência e a faça receber com docilidade a palavra da Fé, a Fé falada, como dissemos antes. Continuar lendo →

FOTOS DA FORMAÇÃO PARA FAMÍLIAS – 2016

Nesse ultimo final de semana (entre 22 e 24 de janeiro) foi realizado em um sítio de Mogi das Cruzes, mais uma Formação para Famílias, promovida pelos padres da FSSPX.

Em um ambiente muito agradável, foram proferidas palestras, fóruns, rezadas Missas, terços, com espaço para o convívio e troca de experiências entre casais que buscam verdadeiramente a santidade. Alguns dos temas abordados foram o Liberalismo, a Contracepção e o papel dos esposos no matrimônio.

Houve tempo também para esclarecimento de dúvidas particulares, para recreação das crianças, lanches familiares e um futebol para os adultos. 

ATENÇÃO: Vejam aqui o calendário para os Retiros de Santo Inácio para homens e mulheres para o mês de fevereiro/2016.

A ARANHA INSENSATA

teia3Em bela manhã de abril, conta Joergensen numa das suas engenhosas parábolas, estava a atmosfera cheia de tênues fios. Tendo-se prendidoum deles na elevada copa de uma árvore, um1apequenina aranha, valendo-se dele, veio firmar opé na folhagem. Imediatamente Lança novo fio,prende-o à copa e conseguedescer até ao pé daárvore. Ali encontrou um arbusto assaz ramificado e logo pôs mãos à obra: tecer uma teia. A extremidade superior do tecido foi atada à longa fibra pela qual baixara; as pontas restantes, prendeu-as aos ramos da sarça.

Esplêndida rede foi o resultado do seu esforço,meio excelente para pegar moscas. Mas, uns diasapós, pareceu-lhe pequena demais, e a aranha começoua ampliá-la em todos os sentidos. Graçasao fio resistente que segurava no alto, pôde realizarseu intento. E, quando as gotas de orvalho da manhã de outono cobriam o tecido, ele brilhava na luz baça do sol, como um véu de pérolas.

Orgulhosa de sua obra, a aranha desenvolvia-se a olhos vistos. Criou ventre volumoso. Talvez nem se lembrasse mais corno era miserável e esfaimada quando pousara no alto da árvore, no começo do outono. Continuar lendo →

COMO SE ADQUIRE A FÉ

rezandoDissemos que a Fé é um dom de Deus. Vamos examinar como este dom tão precioso chega até nós. Para começar, notemos que este dom, sendo sobrenatural, é sempre inteiramente gratuito. Não podemos merecê-lo e nenhum homem pode merecê-lo por nós. Se ele nos vem é unicamente pelos méritos de Nosso Senhor e por pura misericórdia de Deus.

Mas como a Fé chega até nós? Para nós, que fomos batizados criancinhas, o dom da Fé nos chega no meio deste magnífico cortejo de graças que se chama Batismo. Neste momento Deus, adotando-nos como filhos, derrama em nossa alma o dom da Fé; quer dizer que ele dispõe interiormente as potências da alma, nossa inteligência e nossa vontade do modo necessário para que esta alma produza facilmente, alegremente o ato de Fé. E mais tarde, já dispondo do uso da razão, o espírito da criança poderá receber a verdade revelada, dela se alimentar e corresponder, pelo ato de Fé: Creio em Deus Pai, etc.

Assim, a criancinha batizada trás em sua alma o gosto pela verdade revelada, a inclinação para esta verdade, a necessidade desta verdade. Desta disposição, deste hábito sobrenatural a senhora fará uma justa idéia comparando-o à disposição, à inclinação natural que tem a criancinha pelo peito de sua mãe. Ela precisa dele, ela o reclama: se o encontra, está bem, se lhe é recusado será sua morte. Do mesmo modo a criança batizada, em virtude de seu batismo, tem fome e sede de ensino cristão; ela quer seu leite, aquele do qual fala o intróito Quasimodo. É aí que está a sua vida, pois o justo vive da fé, diz a Escritura. Com instrução cristã, a criança batizada está praticando atos de fé, a fé que recebeu no seu batismo e que, pondo em prática, desenvolve; toma conhecimento de Deus seu Pai, da Igreja sua Mãe, dos santos do Paraíso que são seus pais e irmãos; exatamente como na ordem natural a criança que a senhora alimenta, sorri primeiro para sua mãe, depois para seu pai, depois para seus irmãos e depois toma conhecimento do mundo exterior e torna-se homem. Por um caminho análogo, porém superior já que sobrenatural, a criança batizada cresce como filho de Deus e de sua Igreja, e torna-se um membro vivo de Jesus Cristo sobre a terra, para ser mais tarde co-herdeiro de seus bens no Céu. Continuar lendo →

A ALMA AMANTE IMOLA-SE COM JESUS

cruzMortui sumus cum Christo (Rom., 6,8)

Mortos somos com Cristo.

… O Cristianismo … é a religião por excelência do sacrifício. Tudo converge para o altar. Todos os benefícios descem da cruz. A Santa Igreja mesma com seus canais de graça, os sacramentos, nasce do Coração transpassado de Jesus.

Todas as cerimônias começam e terminam pela cruz, todas as consagrações, todas as bênçãos se fazem com o sinal da cruz, todas as grandes solenidades, quer religiosas, quer profanas, são marcadas com o sinal da cruz. E quanto mais se penetra nesse pórtico da Igreja, na sua vida íntima, na alma que a move, tanto mais se percebe o sacrifício.

Milhares de mártires fecundam-se com seu sangue em todas as partes do mundo, e esta imolação, que não cessou em nossos dias, abrange todas as idades e todas as condições.

Perseguições intermítentes, lutas internas, cismas, heresias, apostasias, conservam sempre aberta, no seio da Igreja, a chaga que lhe fizeram os tiranos dos primeiros séculos…. Não há ninguém no mundo que possa escapar à dor. O sofrimento, seja físico, ou moral, espreita todas as criaturas sem distinção. Deus quer, na sua justiça e misericórdiosa bondade, que todos, bons e maus, tenham sua parte na medida e proporção prevista por sua infinita sabedoria. Continuar lendo →

A MULHER FORTE, QUEM A ENCONTRARÁ?

mulher forteMulierem fortem quis inveniet? Procul et de ultimis finíbus pretium ejus. 
Confidit in ea cor viri sui, et spoliis non indigebit: 
Reddet ei bonum et non malum, omnibus diebus vitae suae. 
 
Quem encontrará a mulher forte? Ela é mais preciosa que as pérolas 
que vêem das extremidades do mundo. O coração do seu marido põe nela 
inteira confiança e não terá necessidade de riquezas estranhas. 
Ela dar-lhe-á o bem e não o mal durante os dias da sua vida.
(Prov., XXXI, 10-12) 
Senhoras. 
“Qualquer escrito divinamente inspirado, é útil para instruir e para ensinar, a fim de que nos façamos perfeitos, e próprios para todas as boas ações.”[1]
A Sagrada Escritura, dizem os Santos Padres, é como um vasto prado, esmaltado de flores, onde as plantas mais formosas, mais variadas, de mais admirável matiz, crescem e se desenvolvem para agrado da vista, preparando para os dias do outono, saborosíssimos frutos. Com efeito, nada há mais profundo que o ensino das Divinas Escrituras, nada mais belo, mais simples, e, ao mesmo tempo, mais gracioso. As palavras dos livros santos têm um sabor particular, uma luz que lhes é própria, uma claridade e um calor, que penetram de certo modo, que atraem o coração por um movimento, tão doce quanto enérgico. Nunca as obras dos homens produziram resultado tão maravilhoso. Uma única palavra da Bíblia converte-se em semente que produz centuplicados frutos e desenvolve na alma uma farta seara de virtudes, quando encontra o terreno bem preparado. Vede esse grãozinho que a brisa suspende no ar: se o examinardes de perto, achá-lo-eis munido de um aparelho, alternativamente sólido e delicado, semelhante a umas asas. Com ele ondula ligeira e graciosamente! Segue à mercê da Providência, cujo olho maternal o acompanha sempre; e quando lhe chega a hora de germinar, dir-se-ia que uma mimosa e previdente mão o abate sobre um fragmento de terra. Cai, penetra-a, desenvolve-se, cresce e carrega-se de numerosos e fecundos frutos. Assim vão as palavras da Escritura Sagrada: graça à predicação evangélica, o ar está cheio desses germens divinos, e as sementes aladas volteiam por toda a parte; e quando uma alma está preparada, o sopro da graça leva-lhe um destes maravilhosos átomos, que vêm não se sabe de onde, e que pode produzir com o tempo uma floresta de alentadas árvores: – Et terra gignet germen suum, et pomis arbores replebuntur.[2]

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CARTAS SOBRE A FÉ – INTRODUÇÃO

mulherEm nosso século (XIX), falou-se e fala-se muito de «instrução» e mesmo de «instrução pública», assim como de «instrução obrigatória».

Mas há um ponto essencial sobre o qual o mais freqüente é não ter ele merecido mais do que uma atenção superficial. Não se indaga, antes de tudo, a quem se teria de ensinar.

Isso no entanto valeria a pena, pois geralmente, senão universalmente, as pessoas a quem devemos ensinar são pessoas batizadas.

Pessoas batizadas! O que quer isto dizer? Quer dizer que uma criança batizada, tendo recebido de Deus na ocasião de seu batismo graças que modificaram poderosamente as condições de sua inteligência, é preciso ter este fato em consideração quando se deseja falar a essa inteligência assim modificada. Deus tendo pelo batismo incutido na alma da criança o «hábito» da fé, daí decorre infalivelmente esta alma ter uma inclinação muito forte para as verdades da fé e uma necessidade premente de recebê-las para assimila-las, nutrir-se delas e passar, na fé, do hábito ao ato.

E esta deve ser a regra invariável da instrução, seja na família, seja nas escolas, não importa quão superiores ou famosas elas sejam.

O cristão é sempre cristão, o batizado sempre um batizado; e sempre um filho de Deus aspira conhecer seu Pai que está nos Céus. Continuar lendo →

COMO SE DEVE FUGIR À VÃ ESPERANÇA E PRESUNÇÃO

cabiInsensato é quem põe sua esperança nos homens ou nas criaturas. Nào te envergonhes de servir a outrem por Jesus Cristo, e ser tido como pobre neste mundo. Não confies em ti mesmo, mas põe em Deus tua esperança. Faze de tua parte o que puderes, e Deus ajudará tua boa vontade. Não confies em tua ciência, nem na sagacidade de qualquer vivente, mas antes na graça de Deus, que ajuda os humildes e abate os presunçosos.

Se tens riquezas, não te glories delas, nem dos amigos, por serem poderosos, senão em Deus, que dá tudo, além de tudo, deseja dar-se a si mesmo. Não te desvaneças com a airosidade ou formosura de teu corpo, que com pequena enfermidade se quebranta e desfigura. Não te orgulhes de tua habilidade ou de teu talento, para que não desagrades a Deus, de quem é todo bem natural que tiveres.

Não te reputes melhor que os outros para não seres considerado pior por Deus, que conhece tudo que há no homem. Não te ensoberbeças pelas boas obras, porque os juízos dos homens são muito diferentes dos de Deus, a quem não raro desagrada o que aos homens apraz. Se em ti houver algum bem, pensa que ainda melhores são os outros, para assim te conservares na humildade. Nenhum mal te fará se te julgares inferior a todos; muito, porém, se a qualquer pessoa te preferires. De contínua paz goza o humilde; no coração do soberbo, porém, reinam inveja e iras sem conta.

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

TRAIÇÃO DE JUDAS

judasDiscípulo — Por que se chama a comunhão sacrílega “traição de Judas?”

Mestre — Você já sabe que Judas, impelido pela avareza e fascinado pelas ofertas dos escribas e fariseus, chegou ao ponto de vender Nosso Senhor pelo irrisório e vil preço de trinta moedas.

D. — Sim, Padre, isso já sabia.

M. — Pois bem, firmado o infame contrato, ele se ofereceu para acompanhar os soldados que deviam prender o divino Mestre.
Sabendo que Jesus estava em oração no horto das Oliveiras, dirigiu-se para lá, à testa dos soldados.

Ao penetrarem no horto, preveniu-os com estas palavras: Olhem! Não vão se enganar! Jesus é aquele a quem eu beijar na face: prendei-O e atai-O fortemente.

Jesus no entanto, ouvindo o tropel, se adiantou. Judas, embora sentisse no fundo do coração o remorso a lhe pungir a alma, todavia aproximou-se de Jesus, e abraçando-O beijou-Lhe a fronte, exclamando: Ave Rabbi! Ave ó Mestre!

Naquele instante consumou-se o mais horrendo crime perpetrado em todos os séculos.

Judas retirou-se imediatamente e corroído pelo desespero foi enforcar-se.
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