RESTAURAÇÃO DO MATRIMÔNIO CRISTÃO – PARTE 2

mat1A exagerada educação fisiológica

Mas esta sã instrução e educação religiosa acerca do matrimônio cristão estará bem longe daquela exagerada educação fisiológica com que em nossos dias certos reformadores da vida conjugal dizem vir em auxílio dos esposos, gastando com essas coisas fisiológicas muitas palavras, com as quais, no entanto, se aprende mais a arte de pecar habilmente do que a virtude de viver castamente.

Pelo que, com todo o coração, tornamos Nossas, Veneráveis Irmãos, as palavras que o Nosso Predecessor, de feliz memória, Leão XIII dirigiu aos Bispos de todo o mundo na Encíclica acerca do matrimônio cristão: “Na medida em que possais fazer sentir os vossos esforços e a vossa autoridade, empenhai-vos por que nos povos entregues aos vossos cuidados se mantenha íntegra e incorrupta a doutrina que Cristo Senhor e os Apóstolos, intérpretes da vontade do Céu, ensinaram, e que a Igreja Católica conservou religiosamente e ordenou que fosse guardada pelos cristãos de todos os tempos” (Enc. Arcanum, 10 de fevereiro de 1880).

Vontade Decidida

Mas ainda a melhor educação ministrada por meio da Igreja não basta, por si só, para conseguir novamente a conformidade do matrimônio com a lei de Deus; é necessário que ao esclarecimento da inteligência nos esposos ande anexa a vontade firme de observar as santas leis de Deus e da natureza acerca do matrimônio. Por mais teorias que outros queiram defender e espalhar mediante discursos ou por escrito, devem os cônjuges propor-se com firmeza e constância de vontade e sem hesitação alguma a cumprir os mandamentos de Deus no que respeita ao matrimônio, isto é, prestar-se mutuamente o auxílio da caridade, mantendo a fidelidade da castidade, não tentando jamais contra a estabilidade do vínculo, usando sempre dos direitos matrimoniais de harmonia com o senso e a piedade cristã, particularmente no primeiro período da união, de forma que, se em seguida as circunstâncias devidas ao hábito impuserem a continência, a ambos se torne mais fácil observá-la. Continuar lendo

RESTAURAÇÃO DO MATRIMÔNIO CRISTÃO – PARTE 1

mat2Até agora, Veneráveis Irmãos, temos admirado com veneração as disposições estabelecidas pelo sapientíssimo Criador e Redentor do gênero humano acerca do matrimônio, magoados simultaneamente por ver os santos objetivos da divina Bondade tantas vezes tornados vãos e vilipendiados pelas paixões, erros e vícios dos homens. É, pois, natural, que empreguemos a solicitude paterna do Nosso espírito em buscar remediar oportunamente e extirpar completamente os perniciosos abusos já mencionados, e em restituir por toda a parte ao matrimônio a devido respeito.

Para isto servirá principalmente recordar aquela máxima certíssima, que é geralmente admitida pela sã filosofia e pela sagrada teologia: para reconduzir ao antigo estado, de harmonia com sua natureza, as coisas que se desviaram da reta ordem, não existe outro caminho senão conformá-las com a razão divina, que, como ensina o Doutor Angélico (Summ. Theolog. 1ae. 2ae. q. 91, a 1-2), é o exemplar da perfeita retidão. Foi por isto que o Nosso Predecessor, de feliz memória, Leão XIII com razão atacava os naturalistas com estas gravíssimas palavras: “É lei divinamente sancionada que as coisas instituídas pela natureza e por Deus se nos apresentem tanto mais úteis e salutares quanto mais inteira e imutavelmente permaneçam em seu estado natural, uma vez que o Deus Criador de todas elas bem soube o que é necessário à sua instituição e manutenção e a todos ordenou, por vontade e inteligência sua, de modo que cada uma possa convenientemente alcançar seu fim. Mas, se a temeridade e a maldade dos homens quiser mudar e transformar a ordem das coisas providentissimamente estabelecida, então as próprias coisas instituídas com suma sapiência e igual utilidade ou começam a prejudicar, ou deixam de beneficiar, quer porque, com a mudança, tenham perdido a virtude de fazer bem, quer porque o próprio Deus resolvesse assim castigar o orgulho e audácia dos mortais” (Enc. Arcanum, 10 fevereiro de 1880).

O desígnio divino

É pois necessário, para pôr em sua devida ordem a matéria matrimonial, que todos considerem o desígnio divino acerca do matrimônio e procurem conformar-se com ele. Continuar lendo

PEQUENO CATECISMO DO NOIVADO CATÓLICO

NOIVADOTodo jovem, num determinado momento da vida, coloca-se a questão do caminho a escolher para o futuro. Há perguntas que a natureza e o próprio Deus impõem à alma e esta deve responder: Que rumo tomará minha vida amanhã? De que maneira concreta vou servir a Deus? Qual será de fato o caminho pelo qual vou me salvar?

Perguntas obrigatórias, às quais cada um – homem ou mulher – deve responder sozinho, diante de Deus, em certo momento da vida. Decisão muito pessoal em que está em jogo sua vida, sua salvação.

Ninguém pode substituí-lo nessa tarefa, nem pais, nem irmãos, nem amigos, nem psicólogos ou psiquiatras, nem sequer seu confessor.

Claro que ele pode e deve pedir conselhos. Mas a decisão é pessoal, perante Deus. Por isso é bom fazer um retiro, para descobrir o estado de vida ao qual Deus nos chama.

Não se trata de escolher uma profissão: advogado, médico, comerciante, empresário, desportista ou costureira…

O estado de vida é algo muito maior, mais delicado, porque implica uma certa imobilidade, é algo permanente, dificilmente passível de mudança, que implica um modo determinado de viver as coisas que são fundamentais na vida. E de certo modo algo definitivo em termos pessoais, diante da sociedade e perante Deus.

Por isso, a decisão precisa ser sincera, generosa, tomada com seriedade. Continuar lendo

A BOA E A MÁ ESPOSA

mulherFeliz o marido que tem uma boa esposa: o número de seus dias será duplicado.

A mulher virtuosa é a alegria do marido, que passará em paz os anos de sua vida.

Boa esposa é herança excelente, reservada aos que temem o Senhor: ela será dada ao marido em recompensa pelas boas obras.

Rico ou pobre, seu marido tem alegria no coração, e em qualquer circunstância mostra um rosto prazenteiro.

De três coisas meu coração tem medo, e com a quarta meu rosto esmoreceu: a acusação de uma cidade, o ajuntamento do povo e a calúnia mentirosa, coisas todas piores do que a morte; mas dor profunda e aflição é mulher ciumenta de outra, pois o flagelo da língua a todos atinge.

Como a canga dos bois mal ajustada, assim é a mulher má: quem a tem é como se tivesse pegado um escorpião. Continuar lendo

PEQUENO CATECISMO DO NAMORO CATÓLICO

NAMOO que é “namoro”?

Namoro é o período em que o rapaz e a moça procuram conhecer-se em preparação para o matrimônio.

Em que consiste o matrimônio?

No matrimônio, homem e mulher doam seus corpos, constituem uma só carne e tornam-se instrumentos de Deus na geração de novas vidas humanas.

Então, em que deve consistir a preparação ao matrimônio?

Antes de doar os corpos é preciso doar as almas. No namoro, os jovens procuram conhecer não o corpo do outro, mas sua alma.

Que conclusão podemos tirar daí?

Os namorados não podem ter relações sexuais (fornicação), nem atitudes contrarias à castidade.

Por que?

Porque o corpo do outro ainda não lhes pertence, pelo sacramento do matrimônio religioso. Unir-se ao corpo alheio antes do casamento na Igreja é um pecado contra a castidade e contra a justiça, pois como nosso corpo é o templo do Espírito Santo (1 Cor. 6, 19), a profanação de nosso corpo é algo semelhante a um sacrilégio. Continuar lendo

FÉ INFANTIL — FÉ JUVENIL

meninoSe este livro, cair nas mãos de um jovem náufrago já talvez da fé, vou suplicar-lhe apenas que considere tranquilamente o que perdeu com a fé e o que lucrou com a incredulidade.

Recorda-te, caro jovem, do tempo em que eras menino de fé viva. Ora, não te assustes! Imagino-te menino de sete ou oito amos, ao lado do atual moço de 17 ou 18 anos.

Interessante encontro!

Aquele rapazinho de grandes olhos claros, roupa à marinheira, olha-te receoso, a ti, ó jovem musculoso, de corpo desenvolvido, bigode já crescido. O rapazinho eras tu… e quão feliz te sentias!

Lembras-te? — Pela manhã era acordar na caminha branca, e, inocente, começar a oração da manhã: Em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo. — Como se passava alegre o dia inteiro! — À noite, depois de rezar e dar boa noite aos pais, era adormecer com o sorriso nos lábios. Como eras feliz então…

Mas depois…

Depois, leste um livro ou tiveste conversas com um companheiro leviano, ou, não sei porque, em tua razão que se desenvolvia surgiu o pensamento: “Será realmente tudo como eu acredito? Será verdade tudo o que creio?”
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NOSSA SENHORA E A MODÉSTIA

Familia-modestaPor Pe. Jacques Emily
Traduzido por Andrea Patrícia

Nossa Senhora: Fátima, Quito (Bom Sucesso), La Salette.

Será que estamos nos últimos tempos? A nossa alma está em maior perigo de se perder para sempre nestes tempos do que nos séculos passados? São as palavras de São Paulo a Timóteo para o nosso tempo:

… Haverá um tempo em que não suportarão a sã doutrina, mas de acordo com seus próprios desejos, ajustarão mestres para si, tendo comichão nos ouvidos, e darão as costas à verdade, voltando-se às fábulas. (II Tm. 4,3-4)?

Últimos tempos

Para responder a estas perguntas Nossa Senhora veio à montanha de La Salette e advertiu-nos:

“No ano de 1864, Lúcifer, juntamente com um grande número de demônios, será solto do inferno. Eles vão pôr fim à fé pouco a pouco, mesmo naqueles que se dedicam a Deus. Eles irão cegá-los de tal maneira que, a menos que recebam uma graça especial, essas pessoas irão assumir o espírito desses anjos do inferno; várias instituições religiosas perderão toda a fé e perderão muitas almas.

Livros maus serão abundantes na terra e os espíritos das trevas espalharão por toda parte um relaxamento universal em tudo que concerne ao serviço de Deus. Os chefes, os líderes do povo de Deus negligenciaram a oração e a penitência, e o demônio obscureceu sua inteligência. Eles tornaram-se estrelas errantes que o velho demônio arrastará com sua cauda para fazê-los perecer. Continuar lendo

E EM VÓS, HÁ UM TERRENO PREPARADO PARA AS “SEMENTES”?

parabola-do-semeador-PlenariumNaquele dia, saiu Jesus e sentou-se à beira do lago.

Acercou-se dele, porém, uma tal multidão, que precisou entrar numa barca. Nela se assentou, enquanto a multidão ficava à margem.

E seus discursos foram uma série de parábolas.

Disse ele: Um semeador saiu a semear.

– E, semeando, parte da semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e a comeram.

– Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque a terra era pouco profunda. Logo, porém, que o sol nasceu, queimou-se, por falta de raízes.

– Outras sementes caíram entre os espinhos: os espinhos cresceram e as sufocaram.

– Outras, enfim, caíram em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um.

Aquele que tem ouvidos, ouça.

Os discípulos aproximaram-se dele, então, para dizer-lhe: Por que lhes falas em parábolas? Continuar lendo

A MODÉSTIA E A SUA SALVAÇÃO

4068Por Susan Vennari – Fonte: Rosa Mulher

Os pensamentos do Arcebispo Fulton J. Sheen são muitas vezes fonte de inspiração. Consideremos por um momento as palavras que escreveu sobre o corpo humano.

“O que faz a graça à nossa natureza humana? Em primeiro lugar, faz do corpo um templo de Deus. Esta é uma das razões a favor da pureza. O que é um templo? Um templo é um local onde habita Deus. Recordemos que, quando Jesus foi ao templo de Jerusalém e os Fariseus pediram um sinal, e Nosso Senhor disse: ‘Destruí este templo e reconstrui-lo-ei em três dias.’ Não estava a falar daquele templo terreno; estava a falar do templo do Seu corpo, porque Deus habitava naquela natureza humana de Cristo. Pela nossa participação naquela vida divina, Ele habita em nós. É por isso que o corpo é sagrado. É por isso que lhe devemos reverência. O corpo não é um verme, algo de desprezível. É o Seu templo, e um dia também será glorificado.”

Afora que o Verão se aproxima, a tentação de vestir um top e calções pode arrastar-nos; sentamo-nos de forma desleixada, vamos à Missa com ar de “exilado”; deixamos as crianças à solta por entre vizinhos e amigos, cujas ideias sobre vestir e sobre o comportamento podem ser uma influência dúbia.

A Igreja ensinou sempre que os pais são responsáveis pelo que os filhos vestem. O primeiro dever dos pais é dar bom exemplo, não só na igreja, mas ainda em todas as ocasiões. Vestidos desleixados e imodestos na igreja ou em cerimônias religiosas não é aceitável; um vestido imodesto nunca é aceitável. Continuar lendo

TODA VIRTUDE É PRATICADA NO PRÓXIMO

StaCatarinaSenaVou explicar-te agora que todavirtude se realiza no próximo, bem como todo pecado.

Toda pessoa que vive longe de mim prejudica o próximo; e a si, dado que cada um é o primeiro próximo de si mesmo. Tal prejuízo pode ser desordem geral ou pessoal. Em geral, porque sois obrigados a amar os demais como a vós mesmos. De que maneira? Socorrendo espiritualmente pela oração, dando bom exemplo, auxiliando quanto ao corpo e quanto ao espírito, conforme as necessidades. No caso de alguém nada possuir, pelo menos há de ter o desejo de auxiliar! Quem não me ama, também não ama os homens; por isso não os socorre. Quem despreza a vida da graça, prejudica antes de tudo a si mesmo, mas prejudica também os outros, deixando de apresentar diante de mim – como é seu dever – orações e aspirações em favor deles. Todo e qualquer auxílio prestado ao próximo deve provir do amor que se tem por aquela pessoa, mas como consequência do amor que se tem por mim. Da mesma forma, todo mal se realiza no próximo, e quem não me ama, também não tem amor pelos outros. A origem dos pecados está na ausência da caridade para comigo e para com o homem. Para fazer o mal, basta que se deixe de fazer o bem. Contra quem se age, a quem se prejudica na prática do mal? Primeiramente contra si mesmo; depois, contra o próximo. A mim, não me prejudica. Eu não posso ser atingido, a não ser no sentido de que considero feito a mim o que se faz ao homem. Será um prejuízo que leva à culpa com privação da graça e, nesse caso, coisa pior não poderia acontecer; ou será uma recusa de afeição e amor, obrigatórios e que exigem o socorro pela oração e súplicas diante de mim. Tudo isso é auxílio de ordem geral, porque é devido aos homens em comum.

O auxílio de ordem pessoal consiste na colaboração prestada às pessoas com quem convivemos, pois existe a obrigação aos homens de se ajudarem mutuamente com bons conselhos, ensinamentos, bons exemplos e qualquer outra obra boa de que se necessite. Continuar lendo

PRIMEIRAS COMUNHÕES EM LA REJA (ARG) E ANIVERSÁRIO DA FSSPX

No dia 1º de novembro, aniversário da fundação da FSSPX, ocorreu a missa das primeiras comunhões das crianças da Escola do Menino Jesus.

Há 45 anos, era fundada canonicamente a Fraternidade Sacerdotal São Pio X por Mons. François Charriere, na diocese de Friburgo, Suíça.

A história da FSSPX, como a da Igreja Católica, é um belo mistério. Ambas continuam florescendo, apesar de muitos contratempos e incertezas. Desde seu humilde começo, a FSSPX tem crescido exponencialmente: tem mais de 600 sacerdotes, quase meio milhão de fiéis e proclama hoje a fé em todo o mundo.

Mas a missa solene do dia de Todos os Santos, aniversário de fundação da FSSPX, foi uma dupla ocasião de alegria no seminário.

Além de comemorar a fundação providencial de nossa congregação, tivemos a graça de ver as primeiras comunhões de 27 alunos da Escola do Menino Jesus e do catecismo das irmãs do Convento de São José.

As famílias encheram a igreja para a missa, celebrada pelo Pe. López Badra, diretor da Escola, que destacou no sermão a importância de manter indissolúvel o vínculo de nossas almas com o Divino Redentor. Os jovens da confraria de São Estêvão acolitaram a missa, que foi particularmente embelecida pelo coro polifônico dos seminaristas.

Todos estão cordialmente convidados para a cerimônia de Confirmações que será celebrada por Dom Alfonso de Galarreta no dia 28 de novembro.

A MODÉSTIA PARA A MULHER CATOLICA

saia_basicaPor Frère Ignatius

Traduzido por Andrea Patricia

É verdadeiramente duvidoso que qualquer cristão católico ou não católico possa questionar a necessidade de modéstia. A modéstia é uma virtude, e mais do que isso, é um instinto. Uma vez que somos criaturas decaídas, sujeitas ao pecado original, nós também nos encontramos sujeitos, em maior grau, a tentações pecaminosas da carne. Isso nos dá uma vontade de cobrir a nós mesmos, de acordo com a lei natural que Deus inscreveu no coração de cada homem. No entanto, devido aos efeitos insidiosos da secularização da nossa sociedade, o que antes, não há muito tempo, era aparentemente senso comum, é agora uma questão altamente carregada e emocional.

Para o bem ou para o mal, é um fato da vida que o sexo masculino não é muito controverso, no que diz respeito a modéstia. Temos um pouco mais de margem de manobra, embora ainda estejamos obrigados a sempre vestir-nos com decoro e decência. Nossos corpos são templos do Espírito Santo, e devem ser tratados como tal. Pode-se facilmente ter isso como “boa conduta” e escrever livros inteiros sobre o porte adequado, boas maneiras e civilidade em geral.

Infelizmente, entre os católicos, a modéstia do homem não é muito controversa, mas a modéstia exigida das mulheres, é. Isto deriva de uma diferença inerente entre os sexos, de tal forma que, enquanto a maioria das mulheres, naturalmente, não se concentre somente sobre a aparência à primeira vista, e normalmente não são tentadas a luxúria pela estimulação visual, os homens, infelizmente, são. Exceções existem, claro, e no nosso tempo, com as influências da moderna “cultura” desordenada do unisexual-masculino, e os vícios predominantes nela, muitas meninas, infelizmente, são tentadas facilmente pela carne. Alguns homens não são, é claro, e se não forem, então isso é uma coisa maravilhosa. No entanto, exceções fazem regras pobres, e temos de lidar com o que é a consistente e objetiva verdade. Continuar lendo

A MISSA E A MORTE

tridentinemassPodemos aprofundar-nos, de modo abstrato e especulativo, na doutrina cristã e católica do sacrifício da missa; igualmente, podemos fazê-lo de modo concreto e vivido, unindo-se à oblação do Salvador de forma pessoal e, mais particularmente, fazendo por antecipação o sacrifício da própria vida, para obter a graça de uma morte santa.

* * *

Mais que ninguém, Maria associa-se ao sacrifício de seu Filho, participando de todos os seus sofrimentos, na medida de seu amor por Ele.

Os santos ― em especial, os estigmatizados ― uniram-se extraordinariamente aos sofrimentos e méritos do Salvador, um São Francisco de Assis, uma Catarina de Sena, por exemplo; mas, quão profunda tenha sido tal união, fora contudo pouco em comparação a de Maria. Por um conhecimento experimental dos mais íntimos e pela grandeza de seu amor, Maria ao pé da Cruz penetrou as profundidades do mistério da Redenção, mais que São João, mais que São Pedro, mais que São Paulo. Ela penetrou ali na medida da plenitude de graça que recebera, da sua fé, do seu amor, dos dons de inteligência e sabedoria que possuía em grau proporcionado à sua caridade.

A fim de entrarmos um pouco nesse mistério, aprendendo dele lições práticas que nos permitam preparar-nos para uma boa morte, pensemos no sacrifício que devemos fazer durante nossa vida, em união com Maria, ao pé da Cruz. Continuar lendo

NOTIFICAÇÃO CONCERNENTE ÀS MULHERES QUE VESTEM ROUPAS DE HOMEM [1]

calca_saiaAo Reverendo Clero,

A todas as Religiosas professoras 

Aos queridos filhos da Ação Católica, 

Aos educadores que desejam seguir verdadeiramente a Doutrina Cristã [2]

O primeiro sinal da nossa primavera tardia indica certo aumento, este ano, do uso das vestes masculinas por mulheres, jovens e até mesmo por mães de família. Até 1959, em Genova, este tipo de veste significava que a pessoa era uma turista, mas agora parece que há um número significativo de garotas e mulheres da mesma Genova que escolhem, ao menos em viagens de lazer, vestir calças de homem.

A evolução deste comportamento nos obriga a refletir seriamente, e nós pedimos a quem esta notificação vai dirigida dar toda a atenção que este problema merece, como é próprio das pessoas que estão conscientes de ser responsáveis frente a Deus.

Nós pretendemos acima de tudo fazer um juízo moral equilibrado sobre o uso de roupas masculinas pelas mulheres. De fato nossa reflexão só pode estar fundamentada sobre a questão moral. [3]

Em primeiro lugar, quando a questão é cobrir o corpo feminino, não se pode dizer que o uso de roupas masculinas pelas mulheres seja uma grave ofensa contra a modéstia, pois as calças certamente cobrem mais do corpo da mulher que as saias das mulheres modernas.

No entanto, as vestes para serem modestas não necessitam apenas cobrir o corpo, e tampouco devem estar coladas ao corpo. [4] É verdade que muitas roupas femininas colam mais do que muitas calças, mas as calças podem ser feitas para apertarem mais, e de fato geralmente apertam. Por isso, este tipo de roupa, colada ao corpo, nos dão a mesma preocupação quanto às roupas que expõem o corpo. Então a imodéstia das calças masculinas no corpo feminino é um aspecto do problema que não pode ser deixado sem uma observação geral sobre elas, ainda que não deva ser superficialmente exagerado também. Continuar lendo

VÍCIOS CAPITAIS E PECADO

PecadoLogo no início do estudo sobre as virtudes, vimos que podemos adquirir na nossa alma uma força habitual, enraizada e má, chamada vício. Esses vícios empurram a alma a praticar atos contrários às virtudes, ou seja, atos pecaminosos, pelos quais ofendemos gravemente a Deus nosso Senhor.

No estudo de cada virtude em particular vimos também os vícios contrários às virtudes, ou seja, os pecados que cometemos contrariando as virtudes.

Há, porém, na alma, alguns vícios enraizados não porque cometemos pecados e fomos adquirindo esses vícios, mas que são cicatrizes do pecado original. Vamos explicar um pouco o que isso significa.

Sabemos que o Sacramento do Batismo apaga o pecado original. Isso é uma verdade de Fé, na qual acreditamos com todas as forças da nossa alma. Porém, mesmo tendo sua alma limpa do pecado original, o homem vive nesta vida sempre inclinado para fazer o mal. É necessário sempre lutar contra as tendências más da alma, sua inclinação a faltar à Lei de Deus, a procurar satisfazer suas paixões, seu conforto, a  esconder dos outros os atos maus que fazemos, etc.

Essa inclinação má que encontramos dentro de nós explica-se pelo fato de que nossa sensibilidade não aceita mais se submeter à razão; nossa vontade não tem mais forças para impor a verdade e o bem. Com isso, estamos sempre procurando satisfazer a sensibilidade. A vida de virtudes e dos dons do Espírito Santo nos salva desta revolta, pela força que adquirimos na luta contra as paixões desregradas.
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O PAJEM SALVO PELA MISSA

pajemTinha S. Isabel de Portugal um pajem muito virtuoso e piedoso a quem encarregava de distribuir suas esmolas. Outro pajem, que ambicionava aquele cargo, por ser muito invejoso, acusou-o junto ao rei de um grande crime, de um pecado muito feio. Acreditou o rei nas mentiras do pajem perverso e resolveu matar o pajenzinho da santa rainha.

Ordenou a um homem, que tinha um forno de cal, que lançasse ao fogo o primeiro criado que chegasse para informar-se se haviam cumprido as ordens do rei.

Em seguida mandou o pajenzinho que fosse levar o recado ao dono do forno. O rapaz partiu imediatamente; mas, ao passar por uma igreja e ouvindo tocar para a missa, resolveu ouvi-la antes de ir adiante.

Enquanto a ouvia, o rei, impaciente de saber se tinha morrido, mandou o pajem caluniador que fosse perguntar ao homem do forno se havia executado a ordem do rei.

Correu tão depressa que chegou primeiro ao forno e, dando o recado, o homem imediatamente o lançou ao fogo.
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ME CRUCIFICAS COM A TUA IMODÉSTIA!

Selige_Angela_von_FolignoSanta Angela de Foligno foi uma mulher mundana, escrava da moda e suficientemente rica para satisfazer todos os seus caprichos em perfumes, jóias, penteados, chapéus, pinturas e todo tipo de badulaque usado pelas mulheres da sua época. Depois de passar pelo crivo da dor – depois de casada rica, morreram simultaneamente seu marido e todos os seus filhos – e da penitência, foi protagonista de uma impressionante conversão e mudança tão drástica de vida, que mereceu da JESUS estas visões e revelações, cujo resumo fizemos.

A vaidade e o desejo de agradar os homens cederam lugar à humildade e à mortificação e ao amor de Jesus Crucificado. Deus permitiu que o demônio a tentasse duramente na carne e ela saiu vitoriosa da batalha. Das revelações de Jesus saiu seu livro: “Experiências, espirituais, revelações e consolações da Bem-Aventurada Ângela de Foligno”. Esta obra teve tal aceitação entre os teólogos que foi atribuído a ela o honroso título de “Mestra dos Teólogos”. Ela morreu em 1309 com 61 anos, consumida pela dor, pelos sofrimentos e penitências.

Vamos ler com atenção as palavras de Nosso Senhor à Santa:

“Quando a morte te arrancar deste mundo, cheio de vaidades e luxos sem razão, e chegardes a Minha Presença para ser julgada… vendo os pecados que os homens cometeram ao olhar para o teu corpo escassamente coberto, tu própria ficarás envergonhada”.

Que pretexto poderás então apresentar-Me? Ai de ti mulher pelos teus escândalos! Ai de ti que perdeste o pudor e a vergonha! Porque procedes assim? Porque me crucificas novamente com os cravos da tua imodéstia? Continuar lendo

A PALAVRA DE UM HOMEM OPERA O SACRIFÍCIO

Santa MisaAdmirai-vos, talvez, de me ouvir dizer que a Missa é uma obra maravilhosa? E não é, com efeito, inefável Maravilha o que opera a palavra de um humilde sacerdote? Que língua angélica ou humana poderia explicar Poder tão excessivo?

Quem, jamais, poderia imaginar que a palavra de um homem, que não tem, naturalmente, a força de levantar da terra uma palha, receberia da Graça o poder surpreendente de fazer descer do Céu o Filho de DEUS?

Aí está um poder maior que o de transportar montanhas, esgotar o mar e abalar os céus; poder comparável, de certo modo, àquele primeiro Fiat com que DEUS fez surgir do nada todas as coisas, e que pode mesmo parecer sobrepujar, em outro sentido, aquele Fiat pelo qual a Virgem Santíssima atraiu a seu seio o Verbo Divino.

A Virgem Maria nada mais fez que fornecer a matéria do Corpo de Cristo, dela formado, de seu puríssimo sangue, mas não por ela nem por sua operação: enquanto que a voz do sacerdote, sendo instrumento de CRISTO no ato da Consagração, O reproduz de um modo novo e admirável, quer dizer, sacramentalmente, e isto tantas vezes quantas consagra.

O bem-aventurado João, o Bom, de Mântua, levou um eremita seu companheiro a compreender esta verdade. Este não conseguia se persuadir de que a palavra de um padre tivesse o poder de mudar a substância do pão no Corpo de JESUS CRISTO, e a do vinho em seu Sangue. O que é mais deplorável, tinha cedido a essa tentação diabólica. O servo de DEUS percebeu o erro do companheiro e, conduzindo-o a beira de uma fonte, aí encheu de água uma taça e deu-lhe de beber. Continuar lendo

A SATISFAÇÃO REPARADORA MEDE-SE PELO AMOR

Santa-Catarina-de-SenaLogo que tu e meus servidores conhecerdes a minha Verdade através daquele caminho, tereis de sofrer tribulações, ofensas e desprezos por palavras e ações, até à morte. Tudo isso, para glória e louvor do meu nome. Sim, padecerás, sofrerás. Tu e meus servidores, portanto, armai-vos de muita paciência, arrependimento de vossos pecados e de amor à virtude, para glória e louvor do meu nome. Agindo assim, aceitarei a reparação das culpas tuas e dos demais servidores. Pela força do amor e da caridade, vossos sofrimentos serão suficientes para dar satisfação e reparação por vós mesmos e pelos demais.

Pessoalmente, recebereis o fruto da vida; serão canceladas as manchas dos vossos pecados; já não me recordarei de que me ofendestes. Quanto aos outros, graças ao vosso amor, concederei o perdão em conformidade com suas disposições.

Para aqueles que se dispuserem com humildade e respeito aos ensinamentos dos meus servidores, perdoarei a culpa e o reato. Como? No sentido de que tenham um autoconhecimento perfeito e a contrição dos pecados. Tais pessoas, graças à oração e à caridade dos meus servidores, obterão o perdão. Exige-se, porém, humildade no acolhimento; e obterão maior ou menor intensidade, de acordo com a intenção que tiverem de fazer frutificar a graça.

Para os cristãos, em geral, afirmo que pelos vossos anseios haverão de obter a remissão e o cancelamento das culpas. A não ser que sua obstinação seja tamanha, que prefiram ser reprovados por má vontade, com desprezo do sangue com que foram amorosamente remidos. Estes, que favores receberão? Por consideração aos pedidos dos meus servidores, terei paciência com eles, iluminá-los-ei, suscitarei o remorso, farei que sintam gosto pela virtude, que provem prazer na amizade com meus servidores. Continuar lendo

O ALTO POSTO OCUPADO PELO PADRE

sacerA excelência da dignidade sacerdotal mede-se também pelo alto posto que o padre ocupa. No sínodo de Chartres, celebrado em 1550, é chamado “a morada dos santos”. Dá-se aos padres o título de vigários de Jesus Cristo, e assim os chama Sto. Agostinho, porque fazem as suas vezes na terra. Tal é também a linguagem empregada por S. Carlos Borromeu no sínodo de Milão: Somos nós os embaixadores de Jesus Cristo; é Deus quem pela nossa boca vos exorta. Foi o que o próprio Apóstolo declarou. Subindo ao Céu, o divino Redentor deixou os sacerdotes para serem na terra os mediadores entre Deus e os homens, particularmente ao altar, como diz S. Lourenço Justiniano: “Deve o padre aproximar-se do altar como o próprio Jesus Cristo”.

S. Cipriano diz: “O padre ocupa verdadeiramente o lugar e desempenha o ofício do Salvador; e S. Crisóstomo: Quando virdes o sacerdote a oferecer o sacrifício, vêde a mão de Jesus Cristo estendida dum modo invisível”. Ocupa também o padre o lugar do Salvador, quando remite os pecados, dizendo: Ego te absolvo. O grande poder que o Padre eterno deu o seu divino Filho, comunica-o Jesus Cristo aos padres, De suo vestiens sacerdotes, segundo a expressão de Tertualiano.

Para perdoar um pecado, é necessário o poder do Altíssimo, como a Igreja o faz ouvir nas suas orações. Tinham pois razão os judeus, quando, ao verem que Jesus Cristo perdoava os pecados ao paralítico, disseram: “Quem senão Deus pode perdoar os pecados?” Mas esta graça que só Deus pode fazer pela sua onipotência, o padre a pode também dispensar por estas palavras: Ego te absolvo a peccatis tuis; porque a forma, ou, se o quiserem, as palavras da forma, pronunciadas pelo padre nos sacramentos, operam imediatamente o que significam. Qual seria o nosso espanto, se víssemos um homem que, mediante algumas palavras, tinha a virtude de tornar branca a pele dum negro! Continuar lendo

A CORRUPÇÃO DA MORAL ATRAVÉS DA MODA IMODESTA

modesTraduzido e adaptado por Andrea Patrícia

“A religião não teme a ponta da adaga, mas pode desaparecer sob a corrupção. Não vamos nos cansar de corrupção: nós podemos usar um pretexto, como o esporte, a higiene, os recursos da saúde. É necessário corromper, que nossos meninos e meninas pratiquem o nudismo no vestir. Para evitar muita reação, deve-se avançar de forma metódica: despir-se, em primeiro lugar até o cotovelo e, depois, até os joelhos, depois braços e pernas completamente a descoberto, mais tarde, a parte superior do tórax, ombros, etc., etc.”

International Review of Freemasonry (Revista Internacional de Maçonaria), 1928

Uma ex-apresentadora de boletins meteorológicos no canal do tempo, modelo, atriz e Miss Michigan National Teen-Ager, Colleen Hammond viveu o sonho americano e descobriu que isso é um pesadelo. Enquanto trabalhava na televisão, ela voltou à fé católica. No momento em que seu primeiro filho nasceu, Colleen “viu a luz” e abandonou sua carreira de grande sucesso na televisão para se tornar dona-de-casa e mãe, agora vivendo com o marido e seus quatro filhos no norte do Texas.

Em 2004 a Sra. Colleen Hammond escreveu um livro intitulado “Dressing With Dignity” (vestindo-se com dignidade), que se tornou um best-seller instantâneo. Este inovador livro desafia a moda de hoje e fornece as informações que você precisa para se proteger e proteger seus amados da investida do mau gosto do vestuário imodesto.

Nós publicamos aqui excertos do Capítulo IV do presente livro, “Desenhos Contra a Modéstia e Reação Católica”, que fala sobre as forças por trás da revolução da moda feminina no século 20: Continuar lendo

COMUNHÃO SACRILEGA

c. sacrilegaA comunhão sacrílega é uma das ofensas mais graves à Nosso Senhor Jesus Cristo. Muitos desconhecem a existência da mesma e não se preparam receber a Eucaristia. Outros não veem nenhum mal por desconhecer as consequências e os efeitos de tamanho ultraje.

A comunhão sacrílega ocorre quando a pessoa recebe Jesus Eucarístico sem o devido preparo, ou seja, com pecados mortais pendentes de serem perdoados através da Confissão. Este é um pecado que corrói vorazmente o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria, e também faz pesar a justiça de Deus sobre os homens.

Os santos são unânimes em proclamar a gravidade deste pecado:

“Não há praticamente nenhum crime que mais ofende a Deus que a comunhão sacrílega.” (Santo Antônio Maria Claret)

O comungante em pecado mortal comete um crime maior que Herodes” (Santo Agostinho de Hipona)

“[O comungante comete um crime] mais assustador do que Judas” (São João Crisóstomo)

“Quem faz comunhão sacrílega, recebe em seu coração a Satanás e a Jesus Cristo; a satanás, para fazê-lo reinar, e a Jesus Cristo para oferecê-lo em sacrifício a Satanás” (São Cirilo de Alexandria) Continuar lendo

A GRAVE FALTA CONTRA A MODÉSTIA CRISTÃ

ap2Desde este ponto de vista não podemos deixar de condenar a cegueira de quantas mulheres de todas as idades e condições; feitas tontas pelo desejo de agradar, elas não veem a que nível a indecência de suas vestes chocam a todo homem honesto, e ofendem a Deus. A maioria delas teriam, em outras épocas, se envergonhado com esses estilos por grave falta contra a modéstia Cristã; e já não é suficiente que elas se exibam na via pública; elas não tem medo de cruzar as portas da Igreja, a assistir o Santo Sacrifício da Missa, e até de levar a comida sedutora das suas paixões vergonhosas até o Altar da Eucaristia onde recebemos o Autor celeste da pureza. E nós não estamos falando das exóticas e bárbaras danças recentemente importadas dos círculos fashion, cada uma mais chocante que a outra; não podemos imaginar nada mais apropriado para banir o que resta da modéstia”.

Trecho da Encíclica Sacra Propediem – Bento XV

DA LEITURA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

DoisMongesNas Sagradas Escrituras devemos buscar a verdade, e não a eloquência. Todo livro sagrado deve ser lido com o mesmo espírito que o ditou. Nas Escrituras devemos antes buscar nosso proveito que a sutileza da linguagem. Tão grata nos deve ser a leitura dos livros simples e piedosos, como a dos sublimes e profundos. Não te mova a autoridade do escritor, se é ou não de grandes conhecimentos literários; ao contrário, lê com puro amor a verdade. Não procures saber quem o disse; mas considera o que se diz.

Os homens passam, mas a verdade do Senhor permanece eternamente (Sl 116,2). De vários modos nos fala Deus, sem acepção de pessoa. A nossa curiosidade nos embaraça, muitas vezes, na leitura das Escrituras; porque queremos compreender e discutir o que se devia passar singelamente. Se queres tirar proveito, lê com humildade, simplicidade e fé, sem cuidar jamais do renome de letrado. Pergunta de boa vontade e ouve calado as palavras dos santos; nem te desagradem as sentenças dos velhos, porque eles não falam sem razão.

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

PEREGRINAÇÃO NA ARGENTINA – LA REJA/LUJÁN 2015

Realizada no dia 11 de outubro. Fonte: FSSPX Sud America

PIO XII E OS PROBLEMAS MODERNOS: A MULHER MODERNA

mulher-mod2O caráter da vida da mulher e a iniciação da cultura feminina eram inspirados, conforme a mais antiga tradição, pelo seu instinto natural que lhe atribuía como reino próprio de atividade a família, a não ser no caso de, por amor de Cristo, preferir a virgindade. Retirada da vida pública e à margem das profissões públicas, a jovem, como flor que cresce guardada e reservada, estava destinada por sua vocação a ser esposa e mãe. Junto da mãe aprendia os labores femininos, os cuidados e negócios da casa e tomava parte na vigilância dos irmãos e irmãs menores, desenvolvendo assim as forças, o engenho, e instruindo-se na arte e no governo do lar. […] Hoje, pelo contrário, a antiga figura feminina está em rápida transformação. Podeis ver que a mulher, e, sobretudo a jovem, sai de seu retiro e entra em quase todas as profissões, até aqui exclusivo campo de ação e vida do homem. [1]

Digamos imediatamente que para Nós o problema feminino, tanto em seu complexo, como em cada um de seus múltiplos aspectos particulares, consiste todo na conservação e no incremento da dignidade que a mulher recebeu de Deus. […] Em que consiste, portanto esta dignidade que a mulher tem de Deus?

Em sua dignidade de filhos de Deus, o homem e a mulher são absolutamente iguais, como também a respeito do fim último da vida humana, que é a eterna união com Deus na felicidade do céu. É glória imortal da Igreja ter colocado em luz e em honra esta verdade e haver livrado a mulher de uma degradante servidão contrária à natureza. Mas o homem e a mulher não podem manter e aperfeiçoar esta sua igual dignidade, senão respeitando e colocando em ato as qualidades particulares, que a natureza lhes concedeu a um e a outra, qualidades físicas e espirituais indestrutíveis, das quais não é possível mudar a ordem sem que a própria natureza sempre novamente a restabeleça. […] Ainda mais. Os dois sexos, por sua própria qualidade particular, são ordenados um para o outro de tal modo que esta mútua coordenação exercita seu influxo em todas as múltiplas manifestações da vida humana social. Continuar lendo

DOS PECADOS QUE SE DEVEM EVITAR, SUAS RAÍZES E CONSEQÜÊNCIAS

magdaleneComo ensina São Gregório Magno e, depois dele, Santo Tomás, os pecados capitais de vanglória ou vaidade, preguiça, inveja, ira, gula e luxúria não são os mais graves de todos, pois maiores são os de heresia, apostasia, desesperação e de ódio a Deus; mas são os primeiros a que se inclina nosso coração, levando-nos a nos afastar de Deus e a cometer outras faltas ainda mais graves. O homem não chega à perversão absoluta de uma vez, mas pouco a pouco. Examinemos primeiro, em si mesma, a raiz dos sete pecados capitais. Todos eles se originam no amor desordenado de si mesmo ou egoísmo, que nos impede de amar a Deus sobre todas as coisas e inclina a nos apartarmos dele. É evidente que pecamos, i. e., que nos desviamos de Deus e nos afastamos dele cada vez que tendemos para um bem criado, indo contra a vontade divina.

Isto é a conseqüência fatal de um amor desordenado de nós mesmos, que vem a ser a fonte de todo pecado. Por conseguinte, não só é necessário moderar esse amor desordenado ou egoísmo, mas também é preciso mortificá-lo, para que o amor ordenado ocupe seu lugar. Enquanto o pecador em estado de pecado mortal se ama a si sobre todas as coisas, praticamente antepondo-se a Deus, o justo ama a Deus mais que a si e deve, além disso, amar-se em Deus e por Deus; amar seu corpo de tal maneira que sirva à alma, não lhe obstando a vida superior; amar a alma convidando-a a participar eternamente da vida divina; amar sua inteligência e vontade, de modo que participem mais e mais da luz e do amor de Deus. Este é o sentido profundo da mortificação do egoísmo, do amor e da vontade próprios, opostos à vontade de Deus. Além disso, não deve permitir que a vida descenda, mas, pelo contrário, que ascenda em direção daquele que é fonte de todo o bem e de toda a beatitude.

O amor desordenado de nós mesmos leva à morte, como diz o Senhor: “O que ama (desordenadamente) a sua vida perdê-la-á; e quem aborrece (ou mortifica) a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna” (João 12, 25). Desse desordenado amor, raiz de todos os pecados, nascem as três concupiscências de que fala São João (I João 2, 16) quando diz: “Porque tudo o que há no mundo é concupiscência da carne, e concupiscência dos olhos, e soberba da vida; e isto não vem do Pai, mas do mundo”. Continuar lendo

ALOCUÇÃO DE PIO XII SOBRE A MODA

mulher-catolicaDe todo o coração vos damos as boas-vindas paternais, caros filhos e filhas, promotores e associados de “União Latina de Alta Moda”, que desejastes vir à Nossa presença para Nos testemunhar a vossa filial devoção, e ao mesmo tempo, implorar os favores celestiais sobre a vossa União, colocando-a, desde o seu nascimento, sob a proteção d’Aquele para cuja glória deve encaminhar-se toda a atividade humana, mesmo as profanas em aparência, segundo o preceito do Apóstolo dos Gentios:“Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”(I Cor 10, 31). Proponde-vos enfrentar com vistas a desígnios cristãos um problema tão delicado quanto complexo, cujos imprescindíveis reflexos morais foram, em todo tempo, objeto de atenção e de ansiedade para aqueles que, por ofício, na família, na sociedade e na Igreja, esforçam-se para preservar as almas das insídias da corrupção e a comunidade inteira da decadência dos costumes, isto é, o problema da moda, especialmente feminina.

É justo que, aos vossos generosos propósitos, correspondam a gratidão Nossa e da Igreja e os ardentes votos de que a vossa União, nascida e inspirada por uma são consciência religiosa e civil, atinja, mediante a esclarecida autodisciplina dos próprios artífices da moda, o duplo escopo declarado nos vossos estatutos: moralizar este importante setor da vida pública e contribuir para elevar a moda a instrumento e expressão de uma bem entendida civilização.

Ansiosos por encorajar tão louvável empreendimento, consentimos de bom gosto no pedido a Nós feito de vos expor algumas das ideias, especialmente sobre a reta formulação do problema e sobre os seus aspectos morais, fazendo-vos, outrossim, algumas sugestões práticas, aptas a assegurar à União uma bem aceita autoridade num campo frequentemente tão discutido. Continuar lendo