CONTRA A FIDELIDADE DOS CÔNJUGES

casam

E agora, para tratarmos de outra fonte de erros que dizem respeito à fé conjugal, qualquer pecado que se comete em prejuízo da prole é conseqüentemente também, de alguma forma, pecado contra a fé conjugal, visto que os benefícios do matrimônio são conexos entre si. Mas, além disso, devem enumerar-se separadamente tantas fontes de erro e corrupção contra a fé conjugal quantas são as virtudes domésticas que esta fé compreende: a casta fidelidade de um e de outro cônjuge, a honesta sujeição da mulher ao marido, e finalmente o firme a sincero amor entre os dois.

Liberdades perversas

Primeiro que tudo, corrompem a fidelidade os que entendem dever-se ter indulgência com as idéias e os costumes do nosso tempo acerca da falsa e prejudicial amizade com terceiras pessoas e sustentam dever-se consentir aos cônjuges maior liberdade de pensar ou de atuar no que respeita a essas relações, tanto mais que (como dizem) não poucos têm uma constituição sexual congênita tal, que a não podem satisfazer dentro dos estreitos limites do matrimônio monogâmico. Donde entendem que aquela rígida disposição de espírito por que os cônjuges honestos condenam e recusam qualquer afeto e ato impuro com terceira pessoa é uma antiga mesquinhez da inteligência e do coração ou um abjeto e vil ciúme, e por isso têm na conta de nulas ou, pelo menos, acham que devem ser anuladas as leis penais do Estado acerca da obrigação da fidelidade conjugal. Continuar lendo

O CAMINHO DA VERDADE

santaTu me pedes sofrimentos como reparação das ofensas cometidas contra mim pelos homens; desejas conhecer-me e amar-me como suma Verdade. O caminho para atingir o conhecimento verdadeiro e a experiência do meu ser – Vida eterna que sou – é este: nunca abandones o autoconhecimento! Ao desceres para o vale da humildade, reconhecer-me-ás em ti, e de tal conhecimento receberás tudo aquilo de que necessitas. Nenhuma virtude tem valor sem a caridade, no entanto é a humildade que forma e nutre a caridade. Conhecendo-te, tu te humilharás ao perceber que, por ti mesma, nada és. Verás que o teu ser procede de mim, que vos amei, a ti e aos outros, antes de virdes à existência. Além disso, quando quis recriar-vos na graça com inefável amor, eu vos lavei e vos concedi uma vida nova no sangue de meu Filho unigênito; naquele sangue derramado num grande incêndio de amor. Para quem destrói em si o egoísmo, é no autoconhecimento que tal sangue manifesta a Verdade. Não existe outro meio. Por meio dele, o homem em inexprimível amor conhece-me e sofre. Não com um sofrimento angustiante, aflitivo e árido, mas com uma dor que alimenta interiormente. Ao conhecer a Verdade, a alma sofrerá terrivelmente, pois toma consciência dos próprios pecados e vê a cega ingratidão humana. Nenhuma dor sofreria, se não amasse 4.

O Diálogo – Santa Catarina de Sena

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4 – Este parágrafo resume a doutrina catariniana da cela interior, isto é, do autoconhecimento em Deus

PE. GARRIGOU-LAGRANGE: MISERICÓRDIA PARA O PECADOR OU PARA O PECADO?

garrigouFonte: FSSPX Itália – Tradução: Dominus Est

Propomos a leitura de um texto do Pe. Garrigou Lagrange, que foi um dos maiores católicos tomistas contemporâneos, retirado de seu tratado de espiritualidade As três idades da vida interior (T I – cap. VIII). É de uma realidade singular e recorda que a verdadeira caridade deve levar a sermos misericordiosos com o pecador, mas não com o pecado.

“Existe uma falsa caridade, uma espécie de indulgência culpável e de debilidade, como a doçura daqueles que não ofendem ninguém, porque tem medo de todos. Há também uma suposta caridade, espécie de sentimentalismo humanitário que busca admitir a verdade e que, muitas vezes, por seu contato, a contamina.

Um dos principais conflitos desse momento é aquele que surge entre a verdadeira e a falsa caridade. Esta última nos faz pensar nos falsos cristos de que fala o Evangelho; eles são mais perigosos antes de serem desmascarados do que quando se fazem conhecer como verdadeiros inimigos da Igreja. Continuar lendo

POR QUE É TÃO IMPORTANTE E ATÉ NECESSÁRIA A CONTRIÇÃO PERFEITA? – PARTE 2

arrependimentoII — É importante na morte

Sobretudo em perigo de morte repentina.

Houve um grande incêndio numa cidade, e neste pereceram centenas de pessoas. Entre muitas que gemiam no pátio de uma casa, via-se um menino de doze anos que, de joelhos, pedia em voz alta a graça da contrição; explicou depois porque o fazia e suplicou que orassem com ele em voz alta.

Talvez que, por seu intermédio, muitos daqueles infelizes se salvassem para sempre.
Perigos como este sem conta te cercam e, quando menos o penses, podes ser vítima de uma desgraça repentina: podes, por exemplo, cair de uma árvore; podes ser atropelado por um carro na rua; podes ser surpreendido de noite, pelo fogo, na tua habitação; podes colocar mal o pé em uma escada; pode ser que, enquanto trabalhas, te falte repentinamente os sentidos e caias… levam-te moribundo à casa, vão a correr chamar o sacerdote; este, porém, tarda em chegar, e urge tanto!… Que fazer? Excita-te em seguida à contrição perfeita, arrepende-te por amor e gratidão para com Deus, e Jesus Cristo paciente salvar-te-á por toda a eternidade; a contrição perfeita terá sido para ti a chave do Céu no último momento e no último e supremo transe para a alma e para o corpo.

Com isto, não desejo que alguém se aventure a deixar tudo para o último momento, à mercê de um ato de contrição perfeita, julgando ficar já por isso livre de pecado, pois é muito duvidoso que a contrição perfeita possa servir aos que têm pecado à sua sombra.

O que deixo dito vale, antes de tudo e sobretudo, para os que têm boa vontade.
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SÍNODO: VÍDEO INSPIRADOR DA PROCISSÃO REALIZADA PELA FSSPX NOS EUA

Publicamos abaixo um vídeo inspirador, da SSPX-USA com  Tradução nossa: Dominus Est, da procissão realizada pela Capela da Assunção (FSSPX), na cidade de St. Mary, Kansas (EUA) no domingo passado, 4 de outubro.

As intenções dos rosários da procissão foram para o Sínodo, para que se defenda a santidade do matrimônio e da família.

O DIVÓRCIO

divorcioOs legisladores contemporâneos, que se declaram partidários convictos dos mesmos princípios do direito, não podem defender-se contra as vontades pervertidas dos homens de que falamos, por mais que sinceramente o quisessem, e por isso concluem que é necessário contemporizar com a época e outorgar a faculdade do divórcio. É isto mesmo o que, por outro lado, também nos ensina a história. Passando em silêncio muitos outros fatos, basta recordar que nos fins do século passado se pretendeu legitimar por meio de leis a separação dos cônjuges, quando a França, envolvida em grandes perturbações, estava em estado de conflagração, quando a sociedade toda, tendo banido a Deus, se precipitara no seio da desordem. Muitos há neste tempo que desejam renovar estas leis, porque querem expulsar a Deus, e arrancar a Igreja do meio da sociedade humana, julgando estultamente que é em leis de tal natureza que deve procurar-se o remédio para a corrupção crescente dos costumes. Continuar lendo

POR QUE É TÃO IMPORTANTE E ATÉ NECESSÁRIA A CONTRIÇÃO PERFEITA? – PARTE 1

ARREP1É importante na vida e na morte.

I — É importante na vida

Porque: que precioso não é o estado de graça!

A graça não adorna somente a alma, mas invade-a e penetra-a toda, e transforma-a em uma nova criatura, em filha de Deus e herdeira do céu. Além disso, faz com que todas as obras e trabalhos do cristão sejam meritórios para o Céu; a graça é a varinha mágica que tudo converte em ouro, porém em ouro de méritos celestiais.

Pelo contrário, que triste é o estado do cristão que jaz em pecado! Todos os seus trabalhos, todas as suas orações, todas as suas boas obras ficam inúteis e sem mérito para o Céu; é inimigo de Deus e, no momento em que o tênue fio da vida se parta, cairá precipitado no inferno. Não será, pois, importante e necessário o estado de graça para o cristão?

Pois, se o perdeste, podes recuperá-lo, principalmente de duas maneiras:

1º Pela Confissão.
2º Pela contrição perfeita.

A Confissão é o meio adequado e ordinário para alcançar a graça santificante. Como este meio, porém, nem sempre está ao nosso alcance, Deus deu-nos outro extraordinário, que é a contrição perfeita.
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ESTÍMULOS NECESSÁRIOS

estiEmbora seja impossível formar-se a consciência sem aplicar punições, quando oportunas, convém não esquecer que o educando é um ser fraco, que precisa ser incentivado e sustentado em seus esforços. Ele o será por meio de recompensas adequadas, como os castigos, à sua idade e ao seu temperamento, mas orientadas por uma espiritualização mais elevada. A mais humilde recompensa diriger-se-á ao corpo e à sensibilidade; a mais elevada, aos sentimentos e às aspirações superiores. Na idade em que a criança vive apenas pelas sensações, ela se confundirá com um prazer corporal. Mais tarde, poré, é à sua inteligência e às suas faculdades morais que será conveniente fazer apelo.

Não é contra-indicada a multiplicação dos estímulos. Todavia, é preciso velkar para não incentivar no filho o hábito de esperar sempre algum proveito de seus esforços pessoais. É o que aconteceria se os pais cometessem a falta de tato de “pagar” sempre com alguma compensação a boa vontade do filho. Este viria a agir apenas visando vantagens e jamais atingiria o verdadeiro desinteresse moral. Permaneceria sempre no grau inferior da moral utilitária.

Outro perigo seria desenvolver o amor-próprio e o orgulho, ao multiplicar os elogios. Incensada demais, a criança acabaria julgando-se de uma essência superior e desprezando os que não obtêm êxitos tão facilmente quanto ela. Continuar lendo

DA PRUDÊNCIA NAS AÇÕES

prudNão se há de dar crédito a toda palavra nem a qualquer impressão, mas cautelosa e naturalmente se deve, diante de Deus, ponderar as coisas. Mas, ai! Que mais facilmente acreditamos e dizemos dos outros o mal que o bem, tal é a nossa fraqueza. As almas perfeitas, porém, não crêem levianamente em qualquer coisa que se lhes conta, pois conhecem a fraqueza humana inclinada ao mal e fácil de pecar por palavras.

Grande sabedoria é não ser precipitado nas ações, nem aferrado obstinadamente à sua própria opinião; sabedoria é também não acreditar em tudo que nos dizem, nem comunicar logo a outros o que ouvimos ou suspeitamos. Toma conselho com um varão sábio e consciencioso, e procura antes ser instruído por outrem, melhor que tu, que seguir teu próprio parecer. A vida virtuosa faz o homem sábio diante de Deus e entendido em muitas coisas. Quanto mais humilde for cada um em si e mais sujeito a Deus, tanto mais prudente será e calmo em tudo.

Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

A DIGNIDADE DO PADRE EXCEDE A TODAS AS DIGNIDADES CRIADAS

padreA dignidade sacerdotal é pois neste mundo a mais alta de todas as dignidades, nota Sto. Ambrósio. Ela excede, diz S. Bernardo, todas as dignidades dos imperadores e dos anjos. Santo Ambrósio ajunta que a dignidade do padre sobreleva à dos reis como o ouro ao chumbo. A razão disso, segundo S. João Crisóstomo, é que o poder dos reis só se estendem aos bens temporais e aos corpos, ao passo que o dos padres abrange os bens espirituais e as almas. Donde se conclui, em conformidade com o que fica exposto, que o poder ou a dignidade do padre é tão superior à dos príncipes como a alma ao corpo; era o que já tinha dito o Papa S. Clemente. É uma glória para os reis da terra honrar os padres; é isso próprio dum bom príncipe, diz o Papa Marcelo. Os reis, diz Pedro de Blois, apressam-se a dobrar o joelho diante do sacerdote, a beijar-te a mão, e a abaixar humildemente a cabeça para receberem a sua bênção. Reconhecem assim a superioridade do sacerdócio, diz S. João Crisóstomo. Conta Barónio que Leôncio, bispo de Trípoli, tendo sido chamado à côrte pela imperatriz Eusébia, lhe mandara dizer que, se queria a visita dele, era necessário que primeiro aceitasse as seguintes condições: que à sua chegada a imperatriz desceria do seu trono, viria inclinar a cabeça sob as suas mãos, pedir-lhe e receber dele a bênção; depois ele se assentaria, e ela só o poderia fazer com permissão sua. Terminava por dizer-lhe que, a não se darem essas condições, jamais poria os pés na sua côrte. Convidado para a mesa do imperador Máximo, S. Martinho brindou primeiro o seu capelão e só depois o imperador. 

No Concílio de Nicéia, quis Constantino Magno ocupar o último lugar, depois de todos os sacerdotes, num assento menos elevado; e ainda se não quis assentar sem permissão deles. O santo rei Boleslau tinha pelos sacerdotes uma tal veneração que não se assentava na presença deles. A dignidade sacerdotal ultrapassa até a dos anjos, razão por que também estes a veneram. Velam os anjos da guarda pelas almas que lhe estão confiadas, de modo que, se elas se encontram em estado de pecado mortal, excitam-nas a recorrer aos sacerdotes, esperando que eles pronunciem a sentença de absolvição; assim fala S. Pedro Damião.  Continuar lendo

SEJAMOS RETRATOS DE DEUS

sagradoNão podemos viver profanando e manchando a imagem divina que trazemos em nossa alma. Nosso dever é trabalhar em todos os momentos de nossa vida e com todos os auxílios que recebemos de Deus, para conseguirmos que êsse retrato divino seja cada dia mais semelhante ao modêlo que temos diante dos olhos. O nosso modelo consumado é Jesus Cristo.

Quem é Jesus Cristo? É o mistério da pobreza… Apresenta-se no mundo num estábulo. Repousa sobre duras palhas num mísero presépio… Chama a si os pobres: com eles se ajunta e quer que formem a corte do novo reino que veio fundar neste mundo.

Quem é Jesus Cristo? O mistério do trabalho… Encerra-se numa oficina e trabalha para comer o pão amassado com o suor do seu rosto… Anda de cidade em cidade, espalhando a doutrina da verdade e a semente da perfeição. Ele mesmo afirma que não tem uma pedra para repousar a cabeça…

Quem é Jesus Cristo? O mistério da verdade… Fala em toda a parte. Fala das doutrinas mais elevadas. Trata dos problemas religiosos, os maiores que jamais foram tratados no mundo. Ouvem-no seus inimigos, procurando surpreender nele algum erro… Não o conseguem. Ele é o único homem em cujos lábios jamais apareceu a sombra fatídica do erro e do engano.

Quem é Jesus Cristo? O mistério do amor… Amou até à abnegação mais absoluta, amou até o sacrifício, amou seus verdugos, seus inimigos, amou até fazer-se nosso alimento, amou até à morte da cruz…
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“…BENDITO É O FRUTO DE VOSSO VENTRE…”

5O pecador procura nas criaturas aquilo que não pode achar, mas o justo o obtém. A riqueza dos pecadores está reservada para os justos, dizem os Provérbios (13, 22). Assim Eva procurou o fruto, sem achar nele a satisfação de seus desejos. A Bem-aventurada Virgem, ao contrário, achou em seu fruto tudo o que Eva desejou.

Eva, com efeito, desejou de seu fruto três coisas:

Primeiro, a deificação de Adão e dela mesma e o conhecimento do bem e do mal, como lhe prometera falsamente o diabo: Sereis como deuses (Gn 3, 5), disse-lhes o mentiroso. O diabo mentiu, porque ele é mentiroso e o pai da mentira (cf. Jo 8, 44). E por ter comido do fruto, Eva, em vez de se tornar semelhante a Deus, tornou-se dessemelhante. Por seu pecado, afastou-se de Deus, sua salvação, e foi expulsa do paraíso.

A Bem-aventurada Virgem, ao contrário, achou sua deificação no fruto de suas entranhas. Por Cristo nos unimos a Deus e nos tornamos semelhantes a Ele. Diz-nos São João: (1 Jo 3, 2) Quando Deus se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como Ele é.

Em segundo lugar, Eva desejava o deleite (cf. Gn 3, 6), mas não o encontrou no fruto e imediatamente conheceu que estava nua e a dor entrou em sua vida. Continuar lendo

“…BENDITA SOIS VÓS ENTRE AS MULHERES…”

4Três maldições foram proferidas por Deus contra os homens, por causa do pecado original.

A primeira foi contra a mulher, que traria seu filho no sofrimento e daria à luz com dores.

Mas a Bem-aventurada Virgem não está submetida a estas penas. Ela concebeu o Salvador sem corrupção, trouxe-o alegremente em seu seio e o teve na alegria. A Ela se aplica a palavra de Isaias: (35, 2) A terra germinará, exultará, cantará louvores.

A segunda maldição foi pronunciada contra o homem (Gn 3, 9): Comerás o teu pão com o suor de teu rosto.

A Bem-aventurada Virgem foi isenta desta pena. Como diz o Apóstolo (1 Cor 7, 32-34): Fiquem livres de cuidados as virgens e se ocupem só com o Senhor.

A terceira maldição foi comum ao homem e à mulher. Em razão dela devem ambos tornar ao pó. Continuar lendo

QUE EFEITOS PRODUZ A CONTRIÇÃO PERFEITA?

300px-Goya_PeterEfeitos verdadeiramente admiráveis!

Se és pecador, perdoa-te imediatamente os pecados e isto de cada vez e ainda antes de receberes o sacramento da Confissão; necessário é, porém, que tenhas vontade de confessá-los mais tarde (vontade esta que já está incluída na contrição perfeita). E este efeito é produzido pela contrição perfeita e verdadeira não só em perigo de morte, mas sempre e quando a excitamos no coração; de modo que o pecador, ao mesmo tempo que lhe são remitidas as penas do inferno, recobra os méritos passados e, de inimigo de Deus, se faz seu filho e herdeiro do Céu.

Se és justo, a contrição perfeita assegura-te e aumenta-te o estado de graça, apaga-te os pecados veniais que, pelo ato de contrição de caridade, detestaste; perdoa-te, sobretudo, as penas dos pecados, firmando e robustecendo-te no verdadeiro e sólido amor de Deus.
Tais são as maravilhas que o amor e a misericórdia de Deus obram na alma do cristão pela contrição perfeita.

Tão grandes são que, talvez, te pareçam incríveis; tratando-se do perigo de morte, já terás ouvido que se devem pedir a contrição e a dor; mas que também, em tempo de saúde e em qualquer tempo, a contrição perfeita obre tais maravilhas, mal te atreverás a acreditá-lo.

— Será, pois, certa e segura esta doutrina da contrição perfeita?
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“…O SENHOR É CONVOSCO…”

3Em segundo lugar, a Virgem ultrapassa os Anjos em sua intimidade com o Senhor. O arcanjo Gabriel reconhece esta superioridade, quando lhe dirige estas palavras: O Senhor é convosco, isto é, venero-vos e confesso que estais mais próxima de Deus do que eu mesmo estou. O Senhor está, efetivamente, convosco.

O Senhor Pai está com Maria, pois Ele não se separa de maneira nenhuma de seu Filho e Maria possui este Filho, como nenhuma outra criatura, até mesmo angélica. Deus mandou dizer a Maria, pelo Arcanjo Gabriel (Lc 1, 35) Uma criança santa nascerá de ti e será chamada Filho de Deus.

O Senhor está com Maria, pois repousa em seu seio. Melhor do que a qualquer outra criatura se aplicam a Maria estas palavras de Isaias: (12, 6) Exulta e louva, casa de Sião, porque o Grande, o Santo de Israel está no meio de ti.

O Senhor não habita da mesma maneira com a Bem-aventurada Virgem e com os Anjos. Deus está com Maria, como seu Filho; com os Anjos, Deus habita como Senhor.

O Espírito Santo está em Maria, como em seu templo, onde opera. O arcanjo lhe anunciou: (Lc 1, 35) O Espírito Santo virá sobre ti. Assim, pois, Maria concebeu por efeito do Espírito Santo e nós a chamamos «Templo do Senhor», «Santuário do Espírito Santo». (cf. liturgia das festas de Nossa Senhora). Continuar lendo

DEUS QUIS SERVIR-SE DE MARIA NA ENCARNAÇÃO

nossaDeus Pai só deu ao mundo seu Unigênito por Maria. Suspiraram os patriarcas, e pedidos insistentes fizeram os profetas e os santos da lei antiga, durante quatro milênios, mas só Maria o mereceu, e alcançou graça diante de Deus8, pela força de suas orações e pela sublimidade de suas virtudes. Porque o mundo era indigno, diz Santo Agostinho, de receber o Filho de Deus diretamente das mãos do Pai, ele o deu a Maria a fim de que o mundo o recebesse por meio dela.

Em Maria e por Maria é que o Filho de Deus se fez homem para nossa salvação.

Deus Espírito Santo formou Jesus Cristo em Maria, mas só depois de lhe ter pedido consentimento por intermédio de um dos primeiros ministros da corte celestial.

Deus Pai transmitiu a Maria sua fecundidade, na medida em que a podia receber uma simples criatura, para que ela pudesse produzir o seu Filho e todos os membros de seu Corpo Místico.

Deus Filho desceu ao seu seio virginal, qual novo Adão no paraíso terrestre, para aí ter suas complacências e operar em segredo maravilhas de graça. Deus, feito homem, encontrou sua liberdade em se ver aprisionado no seio da Virgem Mãe; patenteou a sua força em se deixar levar por esta Virgem santa; achou sua glória e a de seu Pai, escondendo seus esplendores a todas as criaturas deste mundo, para revelá-las somente a Maria; glorificou sua independência e majestade, dependendo desta Virgem amável, em sua conceição, em seu nascimento, em sua apresentação no templo, em seus trinta anos de vida oculta, até à morte, a que ela devia assistir, para fazerem ambos um mesmo sacrifício e para que ele fosse imolado ao Pai eterno com o consentimento de sua Mãe, como outrora Isaac, como o consentimento de Abraão à vontade de Deus. Foi ela quem o amamentou, nutriu, sustentou, criou e sacrificou por nós. Continuar lendo

“…CHEIA DE GRAÇA…”

2Primeiramente, a bem-aventurada Virgem ultrapassou todos os Anjos por sua plenitude de graça, e para manifestar esta preeminência o Arcanjo Gabriel inclinou-se diante dela, dizendo: cheia de graça; o que quer dizer: a vós venero, porque me ultrapassais por vossa plenitude de graça.

Diz-se também da Bem-aventurada Virgem que é cheia de graça, em três perspectivas:

Primeiro, sua alma possui toda a plenitude de graça. Deus dá a graça para fazer o bem e para evitar o mal. E sob esse duplo aspecto a Bem-aventurada Virgem possuía a graça perfeitissimamente, porque foi ela quem melhor evitou o pecado, depois de Cristo.

O pecado ou é original ou atual; mortal ou venial.

A Virgem foi preservada do pecado original, desde o primeiro instante de sua concepção e permaneceu sempre isenta de pecado mortal ou venial.

Também está escrito, no Cântico dos Cânticos: (4, 7) Tu és formosa, amiga minha, e em ti não há mácula. Continuar lendo

O DULCÍSSIMO NOME DE MARIA

II.  MEDITAÇÃO
 
Quanto às virtudes, ou eficácia do augustíssimo nome de MARIA, a mesma Senhora, falando com Sta. Brígida, lhe disse que o seu nome quando se proferia devotamente alegrava os Anjos no Céu e rendiam louvor a Deus; e os da nossa guarda se chegavam mais para os justos, e no Purgatório as almas se aliviam, como o enfermo na cama quando alguém o consola; e os demônios fogem e deixam a alma que tinham nas unhas, como as aves de rapina fogem quando ouvem algum som que as espanta. O que parece quis o Céu confirmar com aquele caso maravilhoso que traz o Padre Cristovão da Vega. Criara certa donzela um pássaro daquela espécie que aprendem a falar o que lhes ensinam, e lhe ensinara a dizer: Ave MARIA; e ele repetia muitas vezes, com aplauso e gosto dos que ouviam. Sucedeu vir uma ave de rapina e levá-lo nas unhas; e o passarinho, repetiu o que costumava: Ave MARIA; e no mesmo ponto a ave de rapina, como se a ferissem com um pelouro, caiu morta em terra, e o passarinho tornou alegre às mãos de quem o ensinava e sustentava. Sem dúvida quis Deus mostrar quanto vale o nome poderoso de MARIA contra os repentinos assaltos do tentador; pois em sendo invocado da alma fiel e devota, logo a infernal ave de rapina solta a presa e desaparece.
Considera particularmente como este augustíssimo nome conforta na hora da morte, e por isto se lhe aplica aquilo dos Cantares, principalmente dito pelo Esposo (Ct 1, 2): Oleum effusum nomen tuum O vosso nome é azeite derramado; porque assim como os lutadores se ungiam com azeite para que as mãos do competidor escorregando não pudessem empregar nos braços do lutador toda sua força; e por isto aos moribundos se administra a Santa Unção, instituindo Cristo por matéria deste Sacramento o azeite para significar e conferir a graça que nele nos dá para entrarmos em luta com o demônio; assim o nome de MARIA, invocado com fé e devoção, parece que Deus lhe comunicou esta eficácia e conforto naquela apertada hora para nos animar contra o inimigo comum; ainda que não seja novo Sacramento; contudo, não é crível senão que o nome de Mãe do Salvador ajude também a salvar, e se glorie o Senhor de a ter por co-salvadora nossa; e por isso disse o Sábio Idiota que o seu nome ungia os lutadores: MARIÆ nomen ungis agonistas; e S. Bernardo, que não temem tanto os inimigos os esquadrões numerosos e bem formados do campo contrário, como os demônios se atemorizam e desmaiam com o nome, patrocínio e exemplo de MARIA: Non sic timent hostes visibiles hostium multitudinem copiosam, sicut aerea potestates MARIÆ vocabulum, patrocinium, exemplum. E Ricardo a S. Laurentio iguala ou avantaja este auxílio do nome de MARIA ao do soberano nome de JESUS: Sicut nomem JESU, mel in ore, in aure melos, in corde jubilus; ita et nomem MARIÆ et amplius, si dicere audeamus.

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“AVE…”

1Na antiguidade, a aparição dos Anjos aos homens era um acontecimento de grande importância e os homens sentiam-se extremamente honrados em poder testemunhar sua veneração aos Anjos.

A Sagrada Escritura louva Abraão por ter dado hospitalidade aos Anjos e por tê-los reverenciado.

Mas um Anjo se inclinar diante de uma criatura humana, nunca se tinha ouvido dizer antes que o Anjo tivesse saudado à Santíssima Virgem, reverenciando-a e dizendo: Ave.

Sé na antiguidade o homem reverenciava o Anjo e o Anjo não reverenciava o homem, é porque o Anjo é maior que o homem e o é por três diferentes razões:

Primeiramente, o Anjo é superior ao homem por sua natureza espiritual.

Está escrito: Dos seres espirituais Deus fez seus Anjos. (Sl 103).

O homem tem uma natureza corrutível e por isso Abraão dizia a Deus: (Gn 18, 27) Falarei a meu Senhor, eu que sou cinza e pó.

Não convém que a criatura espiritual e incorruptível renda homenagem à criatura corruptível. Continuar lendo

EXCELÊNCIA DO PODER SACERDOTAL

sacerdoteMede-se também a dignidade do padre pelo poder que ele exerce sobre o corpo real e o corpo místico de Jesus Cristo. Quanto ao corpo real, é de fé que no moemnto em que o padre consagra, o Verbo Encarnado se obrigou a obedecer-lhe, vindo às suas mãos sob as espécies sacramentais. Causou espanto que Deus obedecesse a Josué, e mandasse ao sol que se detivesse à sua voz, quando ele disse: “Sol! Fica-te imóvel diante de Gabaón… e o sol deteve-se no meio do Céu” (Jos 10, 12). Mas é muito maior prodígio que Deus, em obediência a poucas palavras do padre (Hoc est corpus meum), desça sobre o altar, ou a qualquer parte em que o sacerdote o chame, quantas vezes o chamar, e se ponha entre suas mãos, embora este sacerdote seja seu inimigo! Aí permanece inteiramente à disposição do padre, que pode transportá-lo à sua vontade dum lugar para outro, encerrá-lo no tabernáculo, expô-lo no altar, ou levá-lo para fora da igreja; pode comungá-lo ou ministrá-lo aos outros. É o que exprime com admiração São Lourenço Justiniano, falando dos padres: “Bem alto é o poder que lhes é dado! Quando querem, demudam o pão em corpo de Cristo: o Verbo Encarnado desce do Céu e desce verdadeiramente À mesa do altar! É lhes dado um poder que nunca foi outorgado aos anjos. Estes conservam-se junto do trono de Deus; os sacerdotes têem-no nas mãos, dão-no ao povo e eles próprios o comungam”. Continuar lendo

A EFICÁCIA DO RITO “ORDINÁRIO”

ordinPelos padres do Priorado Padre Anchieta, FSSPX

Não são poucos os que insistem, talvez de boa-fé, que a missa nova é tão católica quanto a missa que chamamos tridentina, e isso se vê refletido no modo habitual de falar com a já conhecida expressão “rito ordinário-extraordinário”. Mas, como já se disse no artigo anterior sobre o tema, detrás da missa nova achamos uma outra teologia que não pertence ao depósito da revelação e que lhe é estanha; tal teologia é chamada pelos seus mesmos criadores de Mistério Pascal. Já não é possível negar a existência desta teologia posto que os mesmos papas, começando por Paulo VI até o atual a reconhecem abertamente e a consideram o primeiro princípio da liturgia. Como o MP não é uma idéia única, mas um sistema completo de pensamento, é necessário estudá-lo por partes à luz da doutrina católica para que aos poucos nos vá revelando seus secretos pensamentos.

Vamos agora tocar um ponto neurálgico do dito sistema, e que à sua vez é também centralicíssimo na missa católica e que é o modo como se realiza o sacrifício dentro dela. Ensina Pio XII: No altar há uma imolação incruenta “com sinais exteriores, que são signos de morte, já que, graças à‘transubstanciação’ do pão no Corpo e do vinho no Sangue de Cristo, assim como está realmente presente seu Corpo, também o está seu Sangue; e dessa maneira as espécies eucarísticas, sob as quais Ele se acha no altar há uma imolação incruenta, simbolizam (figurant) a cruenta separação do Corpo e do Sangue” (DzH 3848). Todo católico sabe que o fato da transubstanciação ocorre por uma única razão: o poder sacerdotal conferido na ordenação dos Apóstolos na última ceia (fazei isto) e que, geração após geração, a Santa Igreja guardou e distribuiu aos que o mesmo Senhor chamava (vocação). Em resumidas contas: a missa é o que é por que tem sacerdote, e ponto final. Continuar lendo

DOS ENSINAMENTOS DA VERDADE

jesus

Bem-aventurado aquele a quem a verdade por si mesma ensina, não por figuras e vozes que passam, mas como em si é. Nossa opinião e nossos juízos muitas vezes nos enganam e pouco alcançam. De que serve a sutil especulação sobre questões misteriosas e obscuras, de cuja ignorância não seremos julgados? Grande loucura é descurarmos as coisas úteis e necessárias, entregando-nos, com avidez, às curiosas e nocivas. Temos olhos para não ver (Sl 113,13).

Que se nos dá dos gêneros e das espécies dos filósofos? Aquele a quem fala o Verbo eterno se desembaraça de muitas questões. Desse Verbo único procedem todas as coisas e todas o proclamam e esse é o princípio que também nos fala (Jo 8,25). Sem ele não há entendimento nem reto juízo. Quem acha tudo neste Único, e tudo a ele refere e nele tudo vê, poderá ter o coração firme e permanecer em paz com Deus. Ó Deus de verdade, fazei-me um convosco na eterna caridade! Enfastia-me, muita vez, ler e ouvir tantas coisas; pois em vós acho tudo quanto quero e desejo. Calemse todos os doutores, emudeçam todas as criaturas em vossa presença; falai-me vós só. Continuar lendo

INVESTIDAS CONTRA A UNIÃO CONJUGAL – PARTE 2

VictorianPostcardInsídias contra a fecundidade

Mas, para tratarmos agora, Veneráveis Irmãos, de cada um dos pontos que se opõem aos diversos bens do matrimônio, falemos primeiro da prole, que muitos ousam chamar molesto encargo do casamento e afirmam dever ser evitada cuidadosamente pelos cônjuges, não pela honesta continência (permitida até no matrimônio, pelo consentimento de ambos os cônjuges), mas viciando o ato natural. Alguns reclamam para si esta liberdade criminosa, porque, aborrecendo os cuidados da prole, desejam somente satisfazer a sua voluptuosidade, sem nenhum encargo; outros porque, dizem, não podem observar a continência nem permitir a prole, por causa das dificuldades quer pessoais, quer da mãe, quer da economia doméstica.

Mas nenhuma razão, sem dúvida, embora gravíssima, pode tornar conforme com à natureza e honesto aquilo que intrinsecamente é contra a natureza. Sendo o ato conjugal, por sua própria natureza, destinado à geração da prole, aqueles que, exercendo-a, deliberadamente o destituem da sua força e da sua eficácia natural procedem contra a natureza e praticam um ato torpe e intrinsecamente desonesto.

Não admira pois que, segundo atesta a Sagrada Escritura, a Majestade divina odeie sumamente este nefando crime e algumas vezes o tenha castigado com a morte, como recorda Santo Agostinho: “Ainda com a mulher legítima, o ato matrimonial é ilícito e desonesto quando se evita a concepção da prole. Assim fazia Onã, filho de Judá, e por isso Deus o matou” (Sto. Agost., De conjug., livro, II n. 12; cf. Gn 38, 8-10.). Continuar lendo

INVESTIDAS CONTRA A UNIÃO CONJUGAL – PARTE 1

MATRConsiderando, Veneráveis Irmãos, tamanha excelência das castas núpcias, mais doloroso Nos parece ver como esta divina instituição, especialmente nos nossos tempos, é tantas vezes e com tanta facilidade desprezada e vilipendiada.

É um fato, em verdade, que não já em segredo, nas trevas, mas abertamente, posto de parte todo o sentido do pudor, quer oralmente, quer por escrito, pelas representações teatrais de todos os gêneros, pelos romances, pelas novelas e leituras amenas, pelas projeções cinematográficas, pelos discursos radiofônicos, enfim, por todas as descobertas mais recentes da ciência, se calca aos pés e se ridiculariza a santidade do matrimônio; ao passo que ou se louvam os divórcios, os adultérios e os vícios mais ignominiosos, ou pelo menos se pintam com tais cores, que parecem querer mostrá-los como isentos de qualquer mácula e infâmia. E não faltam livros que para tal se apresentam como científicos, mas que na realidade o mais das vezes não têm de ciências senão umas tinturas, com o fim de se poderem mais facilmente insinuar nos espíritos. E as doutrinas neles defendidas preconizam-se como maravilhas do espírito moderno, isto é, daquele espírito que se vangloria de amar só a verdade, de se ter emancipado de todos os velhos preconceitos, no número dos quais inclui e relega a tradicional doutrina cristã do matrimônio.

E até se fazem penetrar tais máximas entre todas as condições de pessoas, ricos e pobres, operários e patrões, letrados e ignorantes, solteiros e casados, crentes e descrentes, adultos e jovens; e particularmente a estes últimos, como à presa mais fácil, se lançam os laços mais perigosos. Continuar lendo

A CULPA É REPARADA PELO AMOR

Santa-Catarina-de-SenaFilha, fiz-te ver que a culpa não é reparada neste mundo pelos sofrimentos, suportados unicamente como sofrimentos, mas sim pelos sofrimentos aceitos com amor, com desejo ² , com interna contrição Não basta a força da mortificação; ocorre o anseio da alma. O mesmo acontece, aliás, com a caridade e qualquer outra virtude, que somente possuem valor e produzem a vida em meu Filho Jesus Cristo crucificado, isto é, na medida em que a pessoa dele recebe o amor e virtuosamente segue suas pegadas. Somente assim adquirem valor. As mortificações satisfazem pela culpa na feliz comunhão do amor, adquirido na contemplação da minha bondade. Satisfazem graças à dor e à contrição quando praticadas no autoconhecimento e na consciência das culpas pessoais. Esse conhecimento de si gera desprezo pelo mal, pela sensualidade ³, induz o homem a julgar-se merecedor de castigos e indigno de recompensa. Assim – acrescentava a doce Verdade _ é pela contrição interior, pelo amor paciente e pela humildade, considerando-se merecedora de castigos e não de prêmio, que a pessoa oferece reparação.

² – O desejo santo da glória divina e da salvação dos homens.
³ – A palavra sensualidade, no pensamento de Catarina, não inclui a conotação própria de lubricidade, própria do termo em português. Quer apenas indicar a sensibilidade humana, carregada de tendências para o mal, por efeito do pecado original.

RETIRO EXTRAORDINÁRIO NOS PAÍSES BÁLTICOS – TESTEMUNHO DO PE. KARL STEHLIN

Fonte: La Porte Latine Tradução: Dominus Eststehlin_3

Se a Letônia e a Estônia constituem Estados distintos da Rússia, os padres que, em nome da Fraternidade, asseguram o apostolado nesses países, são os mesmos. A história muito encorajadora que se lê abaixo relata dois retiros espirituais pregados a pastores protestantes. Uma página épica do trabalho da graça.

As boas relações que um pastor luterano da Estônia mantinha conosco, padres da Fraternidade e do Priorado de Kaunas, já eram antigas. E, entretanto, nada permitia suspeitar a iniciativa que este pastor tomaria um dia. Nada, exceto o interesse que ele manifestou pelo ensino tradicional da Igreja católica.

Assim, esse pastor luterano nos surpreendeu, e nos surpreendeu agradavelmente, quando nos convidou para pregar um retiro a alguns dos seus colegas na Estônia. Dissemos sim imediatamente, e então dirigi-me, no dia marcado, ao lugar previsto para acolher os retirantes.

E que lugar! Um presbitério luterano… Lugar no qual um padre da Tradição católica iria pregar os exercícios de Santo Inácio de Loyola às almas seduzidas pela doutrina de Lutero!

Os retirantes não eram, certamente, numerosos: sete ao todo. Estávamos no campo. A igreja do vilarejo datava do século XIII. Estávamos no mês de Novembro de 2007.

Comecei então minha pregação, e anunciei a todos, desde o primeiro dia, que recitaríamos todas as noites o rosário. Um dos pastores, vindo como ele da Letônia, mostrou descontentamento, e justificou-o recordando os argumentos mais habituais que se opõem à devoção mariana na Igreja católica. Lhe respondi colocando em suas mãos um belo rosário, e relembrando as palavras de São Luis Maria Grignon de Montfort: “Afinal, quando você diz o rosário, não fará senão cinqüenta vezes uma oração muito bíblica, cujo centro não é outro senão Jesus. Pois a Ave Maria culmina nestas palavras: ‘Bendito é…..Jesus…”. Continuar lendo

VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM

Virgem-MariaFoi pela Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por ela que deve reinar no mundo.

Toda a sua vida Maria permaneceu oculta; por isso o Espírito Santo e a Igreja a chamam Alma Mater – Mãe escondida e secreta.1 Tão profunda era a sua humildade, que, para ela, o atrativo mais poderoso, mais constante era esconder-se de si mesma e de toda criatura, para ser conhecida somente de Deus.

Para atender aos pedidos que ela lhe fez de escondê-la, empobrecê-la e humilhá-la, Deus providenciou para que oculta ela permanecesse em seu nascimento, em sua vida, em seus mistérios, em sua ressurreição e assunção, passando despercebida aos olhos de quase toda criatura humana. Seus próprios parentes não a conheciam; e os anjos perguntavam muitas vezes uns aos outros: Quae est ista?… – Quem é esta? (Ct 3, 6; 8, 5) pois que o Altíssimo lha escondia; ou, se algo lhes desvendava a respeito, muito mais, infinitamente, lhes ocultava.

Deus Pai consentiu que jamais em sua vida ela fizesse algum milagre, pelo menos um milagre visível e retumbante, conquanto lhe tivesse outorgado o poder de fazê-los. Deus Filho consentiu que ela não falasse, se bem lhe houvesse comunicado a sabedoria divina. Deus Espírito Santo consentiu que os apóstolos e evangelistas a ela mal se referissem, e apenas no que fosse necessário para manifestar Jesus Cristo. E, no entanto, ela era a Esposa do Espírito Santo.

Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cujo conhecimento2 e domínio ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho, a quem aprouve humilhá-la e ocultá-la durante a vida para lhe favorecer a humildade, tratando-a de mulher – mulier (Jo 2, 4; 19, 26), como a uma estrangeira, conquanto em seu Coração a estimasse e amasse mais que todos os anjos e homens. Maria é a fonte selada (Ct 4, 12) e a esposa fiel do Espírito Santo, onde só ele pode penetrar. Maria é o santuário, o repouso da Santíssima Trindade, em que Deus está mais magnífica e divinamente que em qualquer outro lugar do universo, sem excetuar seu trono sobre os querubins e serafins; e criatura algumas, pura que seja, pode aí penetrar sem um grande privilégio. Continuar lendo

TRABALHO DE EDUCAÇÃO

familia-oleo-sobre-telaÉ a correção puro trabalho educativo, em que nós somos apenas instrumentos extrínsecos e transitórios, dispensados tão logo esteja terminada a tarefa, e a criança é o elemento primordial, a ser interessada na autodisciplina.

A correção só realiza o fim se atingir o íntimo da criança, criando-lhe uma atitude interior, profunda, pessoal. Ela deseja uma mudança, determinada pelo próprio educando, o qual se convence de que agiu mal, arrepende-se e se dispõe a emendar-se.

O educador tem o seu papel, importantíssimo, indispensável (porque a criança é ainda incapaz de realizar sozinha tão dificil tarefa); mas é apenas um auxiliar. A sua função, nem sempre agradavelmente recebida, é ajudar. O trabalho decisivo é do educando. Ninguém o modifica, arrepende, delibera e corrige: é ele que se modifica, se arrepende, se delibera e se corrige. Ele não o conseguirá sem nossa ajuda; mas o trabalho de corrigir-se é dele – de sua compreensão, de sua consciência, de seus esforços.

Nossa grande virtude está em conseguirmos que ele queira corrigir-se.

Os pais e a correção

Em face da correção dos filhos, podemos classificar os pais em 5 categorias:

– os cegos: não vêem as faltas dos seus encantadores rebentos;

– os fracos: não têm coragem ou autoridade para corrigir;

– os negligentes: não cuidam da correção dos filhos;

– os ignorantes: retos, bem intencionados, não sabem, contudo, como proceder;

– os certos: mercê de Deus, os temos, e em número crescente.

Para curar os cegos, só Cristo, multiplicando por toda parte piscinas de Siloé, para que eles se lavem e vejam (Cf. Jo 9,7). Quanto aos mais, ajude-os e ilumine-os a graça de Deus, que outra finalidade não temos senão animar os fracos, despertar os negligentes, ensinar os de boa vontade, e estimular os certos.
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AS SETE PORTAS DO INFERNO – SÉTIMA PORTA: O ESPIRITISMO

O espiritismo consiste em pretensas ou verdadeiras comunicações com os espíritos do outro mundo, ou as almas dos defuntos, para descobrir coisas secretas relativas a esta ou à outra vida.

Digo comunicações pretensas, supostas, porque é sabido que grande número de médiuns, isso é, de pessoas de que se servem os espíritos para receberem as respostas dos espíritos ou das almas, os profissionais do espiritismo, têm sido convencidos de fraude. Noventa por cento pelo menos dos casos de comunicações espíritas são vergonhosas trapaças.

Digo, em segundo lugar, comunicações verdadeiras, porque sábios verdadeiros e conscienciosos têm verificado a verdade de certas comunicações, de sorte que forçoso é admitir que nem tudo é fraude.

Por conseguinte, às vezes há espíritos que se comunicam. A questão é esta: a que espíritos devem ser atribuídas estas comunicações? Em outras palavras: quem é o espírito que se manifesta? Não são almas dos defuntos. O dogma católico admite, para as almas que passaram os umbrais da eternidade, dois estados definitivos e um intermediário, mas passageiro. Ou elas estão no inferno, ou no céu, ou no purgatório. Ora, em qualquer estado destes em que elas se achem, não está na possibilidade delas aparecerem a quem as evoca. As do inferno estão presas pela corrente da justiça divina, que fixou a sua desgraçada sorte para a eternidade e deste horrendo calabouço, de que os demônios são guardas, elas não podem sair, senão em caso muito extraordinário, por especial providência de Deus. As que estão no céu, no purgatório, estão em perfeita conformidade à vontade de Deus, e, portanto, nunca elas se manifestam senão por fins altíssimos, dignos da infinita sabedoria de Deus, como auxiliar com preces e santos sacrifícios essas almas, ou converter algum pecador. A regra geral que Deus tem estabelecido para as almas que passam desta para a outra vida é que: “o espírito vai e não volta.”
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INDICAÇÃO DE LEITURA: CATECISMO DA CRISE NA IGREJA

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Na crise atual, este livro é um verdadeiro compêndio das Verdades atacadas pelos erros modernos. Coloca em plena luz, de um modo particularmente esclarecedor, a posição que deve ser sustentada para se permanecer fiel à Igreja.

A apresentação sob forma de perguntas e respostas tem o mérito de tornar o raciocínio do autor facilmente acessível e de assim permitir, a todos, uma boa compreensão sobre a crise e sobre os seus remédios.

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