INFLUÊNCIA MASCULINA E FEMININA NA EDUCAÇÃO DA CRIANÇA

familia_catolicaPor serem de compleição diferente, o homem e a mulher não vêem o filho com os mesmos olhos: ele o vê através de sua masculinidade; ela, através de sua feminilidade. Entretanto, essa divergência não é um mal, pois traz como resultado não somente um conhecimento mais completo e aprofundado da criança, como também uma espécie de combinção de influências. Permite ao homem descobrir os métodos que tornarão o educando mais forte, mais corajoso e mais empreendedor; à mulher, os que nele despertarão as delicadezas do sentimento.

Tomemos um exemplo: o filho é obrigado a um esforço penoso. A mãe é inclinada a proporcionar-lhe o auxílio de sua sensibilidade feminina; o pai, o da força que comanda. Se a mãe fosse sozinha, correria o risco de enfraquecer a vontade; se fosse só o pai, talvez quebrasse os impulsos delicados da sensibilidade. Unidos, irão obter um esforço misturado de força e de ternura. Continuar lendo

NADA DE IMPROVISO!

improLendo as páginas de um romance, a sonhadora armou um palco na imaginação, e dentro dele pôs-se a realizar complicados heroísmos, como esposa dedicada. Nisso a mãezinha, lá de dentro de casa, chamou a filha para ajudá-la. E a “heróica” senhorita levantou-se resmungando, mal humorada, e foi fazer o serviço com rosto de parca.

Um quadrinho singelo, mas frequente na vida das jovens. Amanhã ou depois, a leitora terá de escolher um véu: da virgem, de noiva, de irmã. Cada véu traz uma lista de exigências morais, cita uma ladainha de prendas que o coração, que as mães devem apontar, que o caráter deve lembrar.

Erro seria supor a leitora que tudo isso virá dentro da corbeille de noiva, nos tecidos do hábito religioso, nos fios de véu de virgem… Nada de improviso, senhorita. É uma das piores ilusões da mocidade feminina, esse cálculo errado. Já vimos a primeira vocação da mulher: é o devotamento, mesmo a custo do seu sangue. Foi feita a mulher mais para tornar a outros felizes, do que para ser ela mesma feliz.

Não se preparar para isso é trair a própria missão dada pelo Criador, reclamada pelo coração e por todas as forças vivas do próprio ser.
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O OTIMISMO

optimism-400x400O educador deve ter uma dose inesgotável de otimismo. Senão as decepções o desencorajarão e acabarão com seu entusiasmo, que é uma das condições mais necessárias para o bom êxito.

É cansativo ensinar a ortografia, o cálculo, o bom procedimento, a boa linguagem, a polidez. A criança é distraída, esquecida, despreocupada, ilógica. Ora se cansa por seu nervosismo, ora desanima por um torpor quase animal. Há ainda os ditos “inferninhos”. E há as desilusões causadas pelos melhores alunos! E há as incompreensões dos pais e talvez dos diretores! E as ironias dos colegas!

Então nos tornamos irascíveis, rabugentos, intratáveis! Enervamo-nos. Ficamos até com dor na laringe.

Repitamos que cada criança apresenta algum lado bom: é preciso tomá-lo como ponto de partida. Há um ângulo por onde se pode compreendê-la. Fazendo-a ver suas possibilidades, pode-se chegar a transformá-las. Até mesmo a mais ingrata natureza faz parte da obra de Deus. Parece que o próprio Cristo quis nos dar uma lição de confiante otimismo: entre os doze apóstolos, todos fracos e covardes, num momento grave, conta-se um medroso que o chegou a negar por três vezes, e esse é o chefe! E um outro, pérfido até ao beijo hipócrita e aos trinta dinheiros! Todavia o Cristo depoista neste grupo a confiança de lhes entregar o destino de Sua boa-nova. Para nos encorajar ao otimismo, ouçamos São Francisco de Sales extasiar-se diante das secretas possibilidades que até os homens maus oferecem; sua pena não hesita em escrever: “Ah, as belas almas dos pecadores!”. Continuar lendo

ESPELHO DA ALMA

espAmor, leitora, é – dom de si próprio.

Egoísmo é – a exclusiva preocupação consigo próprio; a desordem que te leva a antepor a satisfação do ser físico à do ser espiritual.

Algumas formas de egoísmo? Ei-las:

1º – Tudo para mim! E a mulher vive para seus vestidos, quer aparecer, ser comentada e apontada. Na vida íntima quer o prazer, a comodidade, as prerrogativas de esposa sem os deveres de mãe. Nascem daí as cautelas contra a natureza. Fogem da casa os berços com os filhinhos.

Ciúmes. Suspeitas contínuas, porque a esposa só tem em vista o corpo. A alma vive presa, apesar dos direitos e das ânsias que têm de se expandir numa santa liberdade. Os ciúmes matam a mútua confiança, impedem a certeza das fidelidades prometidas. No lar predominam então as cenas violentas, as recriminações, as lágrimas e os escândalos. Por fim o lar desmorona abalado pelo divórcio.
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A PACIÊNCIA

paciA paciência, diz o Apóstolo, vos é necessária para que, fazendo a vontade de Deus, alcanceis o que Ele vos tem prometido. Sim, nos diz Jesus Cristo, possuireis vossas almas pela paciência. 

O maior bem do homem consiste, Filotéia, em possuir seu coração e tanto mais o possuímos quanto mais perfeita é nossa paciência; cumpre, portanto, aperfeiçoarmos nesta virtude. Lembra-te também que, tendo Nosso Senhor nos alcançado todas as graças da salvação pela paciência de Sua vida e de Sua morte, nós também no-las devemos aplicar por uma paciência constante e inalterável nas aflições, nas misérias e nas contradições da vida.

Não limites a tua paciência a alguns sofrimentos, mas estende-a universalmente a tudo o que Deus te mandar ou permitir que venha sobre ti. Muitas pessoas há que de boa mente querem suportar os sofrimentos que têm um certo cunho de honroso: ter sido ferido numa batalha, ter sido prisioneiro ao cumprir seu dever, ser maltratado pela religião, perder todos os seus bens numa contenda de honra, da qual saíram vencedores, tudo isso lhes é suave; mas é a glória e não o sofrimento o que amam. O homem verdadeiramente paciente tolera com a mesma igualdade de espírito os sofrimentos ignominiosos como os que trazem honra.

O desprezo, a censura e a deseducação dum homem vicioso e libertino é um prazer para uma alma grande; mas sofrer esses maus tratos de gente de bem, de seus amigos e parentes, é uma paciência heróica. Por isso aprecio e admiro mais o Cardeal São Carlos Borromeu, por ter sofrido em silêncio, com brandura e por muito tempo, as invectivas públicas que célebre pregador duma ordem reformada fazia contra ele do púlpito, do que ter suportado abertamente os insultos de muitos libertinos; pois, como as ferroadas das abelhas doem muito mais que as das moscas, assim as contradições procedentes de gente de bem magoam muito mais do que as que provêm de homens viciosos. Acontece, no entanto, muitas vezes que dois homens de bem, ambos bem intencionados, pela diversidade de opiniões, se afligem mutuamente não pouco. Tem paciência não só com o mal que sofres, mas também com as suas circunstâncias e conseqüências. Muitos se enganam neste ponto e parecem desejar aflições, recusando, entretanto, sofrer suas incomodidades inseparáveis. Continuar lendo

QUE NOBRE REPRESENTAÇÃO!

amor_de_maePara cuidar da criança, toma a Providência de Deus os olhos e ouvidos da mãe. A esta cabe vigiar, porque o pai tem sua lida fora de casa. Passa grande parte do dia longe dos filhos.

Só com muito amor aos filhos é, porém, que uma mãe saberá vigiá-los. Pois a vigilância é a atenção perseverante às dores, aos cuidados, aos perigos e às precições de outros. Para bem ver tudo isso é preciso esquecer a si próprio. É por isso o egoísmo o principal obstáculo à vigilância.

Pensamos nos outros somente na medida em que os amamos.

Ora, os olhos da Providência caem amorosamente sobre os nossos passos. Seus ouvidos escutam e medem o ritmo de nosso coração. A ave que canta sobre o telhado, a flor escondida no campo são vistas e guardadas por Deus. Dos homens está escrito que o Senhor lhes traz os nomes gravados na palma de Suas mãos. E quanto mais vê e conhece o Altíssimo as crianças, suas prediletas!
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“…SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU…”

pater443. — O Espírito Santo produz em vós um terceiro dom, chamado dom de Ciência.

 O Espírito Santo não produz nos bons somente o dom do Temor e o dom da Piedade que, como vimos atrás (n° 34), é um amor delicado por Deus. O Espírito Santo torna o homem sábio.

Davi pedia o dom da ciência no Salmo 118, 66, dizendo: Ensinai-me a bondade, a doutrina e a ciência. E é esta ciência do bem viver, que nos ensina o Espírito Santo.

Entre as disposições que contribuem para a ciência e a sabedoria do homem, a mais importante é aquela que faz com que o homem não se apóie em si mesmo. Não te estribes em tua prudência, recomenda o livro dos Provérbios (3, 5). Com efeito, os que confiam em seu próprio julgamento, a ponto de não se fiarem senão em si mesmos e não nos outros, são considerados como insensatos, e verdadeiramente o são. Declara o livro dos Provérbios (26, 12): Mais se deve esperar de um ignorante do que de um homem que é sábio a seus próprios olhos. 

Um homem não confia em seu próprio julgamento se é humilde, pois, ensinam os Provérbios (11, 2): onde há humildade, aí há igualmente sabedoria. Os orgulhosos ao contrário, põem em si toda confiança.

  1. — Assim sendo, o Espírito Santo nos ensina, pelo dom de Ciência, a não fazer a nossa vontade, mas a vontade de Deus. E também quando pedimos a Deus, que Sua vontade se faça no céu, como na terra, manifesta-se O dom de Ciência.

Quando dizemos a Deus: Seja feita a vossa vontade, é como se fôssemos doentes que aceitam o remédio amargo, prescrito pelo médico. O doente não quer tal remédio, mas aceita a vontade do médico, do contrário, seguindo só sua vontade, seria um insensato. Da mesma maneira, não devemos pedir a Deus nada além do Seu querer, isto é, a realização de Sua vontade em nós.  Continuar lendo

“…VENHA A NÓS O VOSSO REINO…”

pater334. — Como foi dito, o Espírito Santo nos faz amar, desejar e pedir retamente o que nos convém amar, desejar e pedir (no. 3). Este Espírito produz em nós, primeiro, o temor que nos leva a procurar a santificação do nome de Deus, para, em seguida, nos dar o dom da piedade. A piedade é, propriamente, uma afeição terna e devotada por um pai e também por um homem caído na miséria.

Como Deus é nosso Pai, devemos não somente venerá-lo e temê-lo, mas também alimentarmos uma terna e delicada afeição por Ele. É esta afeição que nos faz pedir a vinda do reino de Deus. São Paulo declara em Tito, 2, 11-13: A graça de Deus apareceu a todos os homens, ensinando-nos que vivamos neste mundo sóbria, justa e piamente, aguardando a esperança bem-aventurada e a vinda gloriosa de nosso grande Deus.

  1. — Mas podemos perguntar: Se o reino de Deus sempre existiu, porque pedimos a sua vinda?

Devemos responder a esta pergunta de três maneiras:

  1. a) Primeiro: o reino de Deus, em sua forma acabada, supõe a perfeita submissão de todas as coisas a Deus. Um rei não será rei, efetivamente, antes de que todos os seus súditos lhe obedeçam.

Sem dúvida, Deus pelo que é e por sua natureza, é o Senhor do universo; e o Cristo, sendo Deus e sendo homem, tem, como Deus, o senhorio sobre todas as coisas. Diz Daniel (7, 14): No mais antigo dos dias foi lhe dado o poder, a honra e a realeza. É preciso que tudo lhe seja submetido. Mas isto ainda não é assim e se realizará no fim do mundo. Está escrito (1 Cor 15, 25): É necessário que ele reine, até que ponha todos os inimigos debaixo de seus pés. Eis porque pedimos: venha a nós o vosso reino.
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PURGATÓRIO – SEGUNDO SÃO JOÃO BOSCO

purgOntem à noite, meus caros filhos, havia-me deitado e, não conseguindo adormecer logo, estava pensando na natureza e no modo de existir da alma; como ela era feita; de que modo poderia encontrar-se e falar na outra vida, estando separada do corpo; como faria para trasladar-se de um lugar a outro; como nos poderemos conhecer uns aos outros depois de mortos, não sendo senão puros espíritos. E quanto mais pensava nessas coisas, mais obscuro me parecia tal mistério.

Enquanto divagava por essas idéias e outras semelhantes, adormeci, e me pareceu que estava na estrada que conduz a … (e nomeou a cidade) e que caminhava naquela direção. Andei durante algum tempo, atravessei lugares para mim desconhecidos, até que, em certo momento, ouvi que alguém chamava pelo nome. Era a voz de uma pessoa parada na estrada.

– Vem comigo – disse – e poderás ver logo o que desejas!

Obedeci imediatamente. Mas a tal pessoa andava com a rapidez do pensamento, e eu no mesmo passo que meu guia. Andávamos de maneira tal que nossos pés nem tocavam o solo. Chegados por fim a uma certa região que eu desconhecia, o guia parou. Erguia-se sobre uma preeminência do terreno um magnífico palácio de construção admirável. Não sabia onde estava, nem sobre que montanha; nem me recordo mais se estava realmente sobre uma montanha ou se estava no ar, sobre nuvens. Era inacessível e não se via caminho algum para poder chegar até ele. Suas portas eram de considerável altura.

– Sobe a esse palácio – me disse o guia. Continuar lendo

“…SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME…”

santif27. — Este é o primeiro pedido, no qual pedimos que o nome de Deus seja manifestado em nós e por nós proclamado.

Ora, o nome de Deus é antes de tudo, admirável, porque em todas as criaturas opera obras maravilhosas. O Senhor declara no Evangelho (Mc 16,17): Em meu nome, expulsarão os demônios, falarão novas línguas, e se beberem algum veneno mortal, este não lhes fará mal algum.

  1. — Em segundo lugar, o nome de Deus é amável. «Não existe debaixo do céu, diz São Pedro (At 4, 12) nenhum outro nome, entre os que foram dados aos homens, que possa salvar-nos». E a salvação deve ser buscada por todos. Santo Inácio dá-nos o exemplo do quanto devemos amar o nome de Cristo. Quando o imperador Trajano exigiu que ele negasse o nome de Cristo, Santo Inácio respondeu: «Não podereis arrancá-lo de minha boca». O tirano ameaçou cortar-lhe a cabeça e assim tirar o nome de Cristo de seus lábios; replicou o bem-aventurado: «Não o arrancarás jamais de meu coração, pois é lá que está gravado, por isto não posso deixar de invocá-lo». Ouvindo estas palavras, Trajano, desejoso de verificar-lhes a exatidão, mandou cortar a cabeça do servidor de Deus e extrair-lhe o coração. E no coração encontrou gravado, com letras de ouro o nome de Cristo. O santo possuía este nome como um selo em seu coracão.
  1. — Em terceiro lugar, o nome de Deus é venerável. O Apóstolo afirma (Fp 2, 10): Que ao nome de Jesus se dobrem todo joelho no céu, na terra e nos infernos; no céu, no mundo dos anjos e bem-aventurados; na terra, tanto os homens, que querem a glória celeste, como os que, por temerem o castigo, buscam evitá-lo; nos infernos, no mundo dos danados, que estes se prostrem com temor diante de Jesus Cristo.
  1. — Em quarto lugar, o nome de Deus é inexprimível, no sentido de que nenhuma língua é capaz de exprimir toda a sua riqueza.

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INFERNO – SEGUNDO SÃO JOÃO BOSCO

infNa noite de domingo, 3 de maio de 1869, festa do Patrocínio de São José, Dom Bosco retornou a narração do que tinha visto nos seus sonhos.

– Devo – principiou – contar-vos outro sonho, que se pode considerar conseqüência dos que vos narrei na 5ª e na 6ª feira à noite, os quais me deixaram tão cansado, que dificilmente me podia manter em pé. Chamai-lhes sonhos ou dai-lhes outro nome…; chamai-lhes como quiserdes.

– Por que não falas?

Voltei-me para o lugar de onde procedia a voz e vi junto ao meu leito um personagem distinto. Tendo compreendido o motivo da censura, perguntei-lhe:

– E que deverei dizer a nossos jovens?

– O que viste e te foi dito nos últimos sonhos, e também o que desejavas conhecer, e que te será revelado na próxima noite.

E desapareceu.

No dia seguinte inteiro, estive pensando na péssima noite que haveria de passar; e chegada a hora, não me decidia a ir dormir. Fiquei lendo, sentado à mesa, até meia noite. Enchia-me de terror a idéia de ter que presenciar ainda outros espetáculos terríveis. Fiz, afinal, violência sobre mim mesmo e fui deitar-me.

Para não dormir tão rapidamente, com temor de que a imaginação me levasse aos costumeiros sonhos, apoiei o travesseiro na parede, de modo a ficar quase sentado no leito. Mas, como estava moído de cansaço, sem que me desse conta o sono logo se apoderou de mim. E eis que de repente vejo no quarto, junto a minha cama, o homem da noite anterior, o qual me diz: Continuar lendo

“…QUE ESTAIS NO CÉU…”

01_not10117 — Entre as disposições necessárias àquele que reza, a confiança tem uma importância considerável. Quem pede alguma coisa a Deus, diz São Tiago, (1,6) faça-o com confiança e sem hesitação.

O Senhor, no princípio da Oração que nos ensinou, expõe os motivos que fazem nascer a confiança.

Primeiro, a complacência do Pai: Pai Nosso. Depois, diz o Senhor (Lc 11, 13): Vós que sais maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos; quanto mais dará vosso Pai celeste, do alto dos céus, àqueles que lhe pedem, seu bom Espírito. 

Um outro motivo de confiança é a grandeza e o poder do Pai, o que nos faz dizer ao Senhor não apenas Pai nosso, mas Pai nosso que estais no céu. O Salmista também diz: (Sl 122, 1) Elevei meus olhos para vós que habitais nos céus. 

  1. — O Senhor usou a expressão que estais no céu por três razões diferentes.

Em primeiro lugar, esta expressão tem por objeto preparar a oração, como nos recomenda o Eclesiástico (18, 23): Antes da oração, preparai vossas almas. Seguramente, o pensamento de que nosso Pai está nos céus, isto é, na glória celeste, nos prepara para lhe dirigirmos nossas súplicas. 

Na promessa do Senhor a seus Apóstolos (Mt 5, 12): vossa recompensa será grande nos céus, a expressão «nos céus» tem igualmente o sentido de «na glória celeste». 

A preparação da oração se realiza pela imitação das realidades celestes, pois o filho deve imitar seu pai. Assim, São Paulo escreve aos Coríntios (I, 15,49): Como revestimos a imagem do homem terrestre, é preciso também revestirmos a imagem do homem celeste.  Continuar lendo

O CÉU – SEGUNDO SÃO JOÃO BOSCO

alg292891A noite de 22 de dezembro [de 1876] ficou memorável no Oratório. Foi um pouco antecipada a hora da oração. Reuniram-se no locutório os estudantes, os artesãos e todas as pessoas da casa. Dom Bosco tinha prometido falar no domingo anterior, mas não pudera fazê-lo. Imagine-se a expectativa geral! Subiu à cátedra, saudado por palmas entusiásticas, como acontecia sempre que dava daquele modo a “boa noite” à comunidade inteira. Fez sinal de que ia falar e imediatamente fez-se completo silêncio.

Na noite em que estive em Lanzo, chegada a hora de repousar, aconteceu-me que tive o seguinte sonho. É um sonho que não tem nenhuma relação com outros sonhos…

São coisas muito estranhas. Mas para meus filhos não tenho segredos; abro-lhes inteiramente o coração. Pensai o que quiserdes desse sonho. Como diz São Paulo, quod bonum est tenete [conservai o que é bom], se alguma coisa encontrais nele que seja de proveito para vossa alma, sabei aproveitar-vos dela. Quem não quiser crer, que não me creia, pouco importa; mas ninguém jamais zombe das coisas que vou dizer.

Peço-vos, ainda, que não o conteis nem o comuniqueis por escrito aos que não são da casa. Aos sonhos pode-se dar importância que sonhos merecem, e os que não conhecem nossa intimidade poderiam formar juízos errôneos, vendo as coisas de modo diferente do que são na realidade. Não sabem eles que sois meus filhos, e que sempre vos digo tudo o que sei, e às vezes até mesmo o que não sei (risos gerais). Mas o que um pai manifesta a seus filhos queridos para o bem deles, deve ficar entre o pai e os filhos, e não passar adiante. E ainda por outro motivo: é que em geral, quando se contam essas coisas fora, ou se desfiguram os fatos ou se conta apenas uma parte deles, e esta mesma mal entendida; de onde nasce dano, pois o mundo desprezaria o que não deve ser desprezado.

Deveis saber que ordinariamente os sonhos se têm dormindo. Ora, na noite de 6 de dezembro, enquanto eu estava no meu quarto, não recordo bem se lendo, ou se dando voltas pelo aposento, ou se me havia já deitado,comecei a sonhar. Continuar lendo

“PAI NOSSO…”

pater111 — Perguntamos: como é que Deus é Pai? E quais são nossas obrigações para com Ele devido à sua paternidade?

Chamamo-lo Pai, por causa do modo especial com que nos criou. Criou-nos à sua imagem e semelhança, imagem e semelhanças estas, que não imprimiu em nenhuma outra criatura inferior ao homem. Não é ele teu Pai, teu Criador que te estabeleceu? (Dt 32, 6).

Deus merece também o nome de Pai, por causa da solicitude particular que tem para com os homens no governo do universo. Nada escapa ao seu governo, sendo este exercido de modo diferente em relação a nós e em relação às criaturas inferiores a nós. Os seres inferiores são governados como escravos e nós como senhores. Ó Pai, diz o livro da Sabedoria (14, 3), vossa providência rege e conduz todas as coisas; e (12, 18) a nós governa com indulgência. 

Deus, enfim, tem direito ao nome de Pai, porque nos adotou. Enquanto não deu, às outras criaturas, senão pequenas dádivas, a nós fez o dom de sua herança, e isso porque somos seus filhos. São Paulo diz (Rm 8, 17): Porque somos seus filhos, somos também seus herdeiros, e ainda (vers. 15): Vós não recebestes um espírito de servidão, para recairdes no temor, mas recebestes um espírito de adoção, que nos faz clamar: Abba, Pai. 

  1. — Em primeiro lugar, devemos honrá-lo. Se sou Pai, diz o Senhor, por Malaquias, (1,6) onde está a minha honra?

Esta honra consiste em três coisas: a primeira em relação aos nossos deveres para com Deus; a segunda, nossos deveres para conosco mesmos; a terceira, nossos deveres para com o próximo. 

A honra devida ao Senhor consiste, primeiramente, em oferecer a Deus o dom do louvor, seguindo o que está escrito (Sl 49, 23): O sacrifício de louvor me honrará. Este louvor deve estar não só nos lábios, como no coração. Está escrito em Isaías (29,13): Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim.  Continuar lendo

OS BONS EFEITOS DA ORAÇÃO

maeNotemos que a oração produz três espécies de bens. 

Primeiramente, constitui um remédio eficaz contra todos os males. Livra-nos dos pecados cometidos: «Remistes, Senhor, a iniqüidade de meu pecado, diz o Salmista (Sl 31,5-6) por isso todo homem santo dirigirá a Vós sua prece». Assim pediu o ladrão sobre a cruz e obteve seu perdão, pois Jesus lhe respondeu: «Em verdade vos digo, hoje mesmo estareis comigo no paraíso». (Lc 23,43), Do mesmo modo rezou o publicano e voltou para casa justificado (cf. Lc 18,14). 

A oração nos liberta do medo dos pecados que virão, das tribulações e da tristeza. Alguém está triste entre vós? Reze com a alma tranqüila (Tg 5,3). 

A oração nos livra das perseguições dos inimigos. Está escrito no Salmo 108, 4: Em resposta ao meu afeto me fizeram mal; eu, porém, orava.

Em segundo lugar, a oração é um meio útil e eficaz para a realização de todos os nossos desejos. Tudo o que pedirdes na oração, diz Jesus, crede, recebereis. (Mc 11,24). Continuar lendo

VENCEDOR DOS INIMIGOS E DE SI PRÓPRIO

_A_rare_portrait_of_the_Prince_William_the_Duke_of_Cambridge_found_hanging_in_a_corridor_was_on_sale_today_for_the_princely_sum_of_120_000Aos 14 ou 16 anos, o sistema nervoso dum jovem assemelha-se a fios carregados de eletricidade, e seu sangue é como lava ardente. Nada mais difícil, pois, do que fazer-lhe compreender a sublime beleza da posse e do domínio de si.

“Como? dir-me-ás. Se um camarada me empurra para fazer-me cair, não lhe hei de dar um murro violento? Se alguém me provoca, não lhe hei de aplicar uma bofetada magistral? Se um amigo zomba de mim, não lhe hei de responder na altura? … Já é terrivelmente difícil. Mas, além disso, aceitar que essa abstenção, longe de ser covardia, seja a mais bela flor da vontade humana, é quase impossível!”.

E, no entanto, nada mais verdadeiro. Exprime-o a célebre palavras de Goethe:

É senhor quem souber se conter. Só a lei nos dará livre ser.

O domínio de si não é nem silêncio indeciso nem resignação passiva; é a manifestação duma vonatde disciplinada, sempre senhora da situação e que sabe sempre medir antecipadamente o peso da palavra que vai pronunciar. Continuar lendo

AS CINCO QUALIDADES REQUERIDAS PARA TODAS AS ORAÇÕES

rezando menina veuA Oração Dominical (o Pai Nosso), entre todas, é a oração por excelência, pois possui as cinco qualidades requeridas para qualquer oração. A oração deve ser: confiante, reta, ordenada, devota e humilde.

A oração deve ser confiante, como São Paulo escreve aos Hebreus (4, 16): Aproximemo-nos com confiança do trono da graça, a fim de alcançar a misericórdia e achar graça para sermos socorridos no tempo oportuno. 

A oração deve ser feita com fé e sem hesitação, segundo São Tiago. (Tg 1,6): Se algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus… Mas peça-a com fé e sem hesitação. 

Por diversas razões, o Pai Nosso é a mais segura e confiante das orações. A Oração Dominical é obra de nosso advogado, do mais sábio dos pedintes, do possuidor de todos os tesouros de sabedoria (cf. Cl 2, 3), daquele de quem diz São João (I, 2, 1): Temos um advogado junto ao pai: Jesus Cristo, o Justo. São Cipriano escreveu em seu Tratado da oração dominical: «Já que temos o Cristo como advogado junto ao Pai, por nossos pecados, em nossos pedidos de perdão, por nossas faltas, apresentemos em nosso favor, as palavras de nosso advogado». 

A Oração Dominical parece-nos também que deve ser a mais ouvida porque aquele que, com o Pai, a escuta é o mesmo que no-la ensinou; como afirma o Salmo 90 (15): Ele clamará por mim e eu o escutarei. «É rezar uma prece amiga, familiar e piedosa dirigir-se ao Senhor com suas próprias palavras» diz São Cipriano. Nunca se deixa de tirar algum fruto desta oração que, segundo santo Agostinho, apaga os pecados veniais. 

Nossa oração deve, em segundo lugar, ser reta, quer dizer, devemos pedir a Deus os bens que nos sejam convenientes. «A oração, diz São João Damasceno, é o pedido a Deus dos dons que convém pedir».  Continuar lendo

O MOÇO RICO

Jovem-ricoDirigindo-se a Jesus, pergunta-lhe:

– Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?

– Se queres salvar-te, cumpre os mandamentos, isto é, não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honrarás teu pai e tua mãe e amarás ao próximo como a ti mesmo.

– Tôdas essas coisas tenho observado desde pequeno; que é que me falta ainda?

– Para sêres perfeito, vende tudo quanto tens, reparte-o pelo pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem a mim e segue-me.

– Eu, Mestre?- Sim; virás comigo; andarás de cidade em cidade, de uma aldeia a outra.

– Sim, Mestre, é belo!

– Teus vestidos terão, como os meus, o pó vermelho dos caminhos. Comerás, como os meus discípulos, o pão vindo da esmola… Por enquanto, vai, vende o que possuis e, pobre e humilde, vem comigo, e não penses mais no teu amanhã.

– Mas, Mestre, é tão difícil…

– Achas?… Vai rico e volta pobre, eis tudo… Continuar lendo

MISERERE MEI DEUS

Miserere mei, Deus: secundum magnam misericordiam tuam.

Et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquitatem meam.
Amplius lava me ab iniquitate mea: et a peccato meo munda me.
Quoniam iniquitatem meam ego cognosco: et peccatum meum contra me est semper.
Tibi soli peccavi, et malum coram te feci: ut justificeris in sermonibus tuis, et vincas cum judicaris.
Ecce enim in iniquitatibus conceptus sum: et in peccatis concepit me mater mea.
Ecce enim veritatem dilexisti: incerta et occulta sapientiae tuae manifestasti mihi.
Asperges me hysopo, et mundabor: lavabis me, et super nivem dealbabor.
Auditui meo dabis gaudium et laetitiam: et exsultabunt ossa humiliata.
Averte faciem tuam a peccatis meis: et omnes iniquitates meas dele.
Cor mundum crea in me, Deus: et spiritum rectum innova in visceribus meis.
Ne proiicias me a facie tua: et spiritum sanctum tuum ne auferas a me.
Redde mihi laetitiam salutaris tui: et spiritu principali confirma me.
Docebo iniquos vias tuas: et impii ad te convertentur.
Libera me de sanguinibus, Deus, Deus salutis meae: et exsultabit lingua mea justitiam tuam.
Domine, labia mea aperies: et os meum annuntiabit laudem tuam.
Quoniam si voluisses sacrificium, dedissem utique: holocaustis non delectaberis.
Sacrificium Deo spiritus contribulatus: cor contritum, et humiliatum, Deus, non despicies.
Benigne fac, Domine, in bona voluntate tua Sion: ut aedificentur muri Ierusalem.
Tunc acceptabis sacrificium justitiae, oblationes, et holocausta: tunc imponent super altare tuum vitulos.
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ALMA OU CORPO? (EDUQUE O SEU FILHO DE FORMA CRISTÃ)

mae lendo pra filhaAntes de tudo, leitora e mãe, é teu filho uma alma. Hoje acentua-se demais o corpo e se deixa esquecida a alma da criança. Os pedagogos escandalizam-se com descuidos que prejudicam a saúde e o desenvolvimento do corpo. E bem pouco se impressionam com os erros que prejudicam os interesses e os destinos da alma. Paganismo moderno, leitora!

A pedagogia que vai da alma ao corpo, do espiritual para o material, do pensamento para o prazer, é também uma pedagogia que traz vantagens aos interesses do corpo. A mulherzinha do povo que segue a pedagogia da alma é uma educadora, ao passo que o mestre que segue a do corpo jamais será um educador. É apenas um cunhador de moedas falsas. Para respeitar esta ordem mais se necessita de coragem do que de ciência.

Por isso, leitora, convence teu filho do seguinte: Um esforço intelectual, a descoberta de uma verdade, um ato de vontade, o domínio de um apetite, valem todos os facéis prazeres do corpo. Porque? Porque o menor progresso da alma é infinitamente superior aos mais vastos proveitos materiais.

Essa alma, mais nobre do que o corpo, está vivificada por uma vida sobrenatural. Teu filho é também, pelo batismo, filho de Deus. De ti recebeu a vida do corpo. Dele recebeu a vida divina da graça. Há, portanto, em teu filho duas vidas, distintas nas suas qualidades, mas tão unidas que a primeira (recebida de ti) sem a segunda (vinda de Deus) não passa de uma grande nódoa, de uma grande chaga, perdendo-se no abismo de condenação.

… Digna de todo o respeito torna-se a criança que, com a graça do batismo, é herdeira divina. Teu filho não nasceu ainda, leitora, e já deves preparar-lhe esta vida. Durante os nove meses de vida comum, que poderosa irradiação propaga no corpo e na alma da criança a presença eucarística de Jesus Cristo no coração da mãe, que é piedosa na assiduidade à Comunhão! Continuar lendo

QUE É A CONTRIÇÃO PERFEITA?

contContrição é uma dor da alma e uma detestação dos pecados cometidos. Deve acompanhá-la o propósito, quer dizer, uma firme vontade de emendar a vida e de não mais pecar. Para que a contrição seja legítima, deve ser interna e estar na alma, isto é‚ que não seja uma mera expressão feita com os lábios e sem reflexão: isto seria apenas contrição de boca.

Não é necessário manifestar exteriormente a contrição interna por meio de suspiros, lágrimas, etc.: tudo isto pode ser sinal de contrição, não é, porém, sua essência. A essência da contrição está na alma, na vontade, em afastar-se deveras do pecado e converter-se para Deus.

Além disto, a contrição deve ser geral, quer dizer, deve estender-se a todos os pecados cometidos ou, pelo menos, a todos os mortais. Deve, finalmente, ser sobrenatural e não meramente natural, pois esta nada aproveita.

Segue-se que a contrição, como todo o bem, deve proceder de Deus e da sua graça, e, com a graça de Deus, desenvolver-se na alma. Porém, não tenhas receio; basta que a peças, basta que tenhas boa vontade e te arrependas por algum motivo legítimo, sobrenatural, e Deus te dará a graça necessária.

Se o motivo se funda na natureza ou somente na razão (por exemplo, nos danos temporais, na vergonha, doença, etc.), é muito fácil que a dor seja puramente natural e sem mérito; porém, se o motivo da contrição é alguma verdade da Fé, por exemplo: o inferno, o purgatório, o céu, Deus, etc., então a contrição é legítima, sobrenatural.
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